A velhice, tema central tanto no texto atribuído a Robert De Niro quanto no de Ana Maria Tourinho, surge com uma essência de reflexão sobre dignidade, desapego e liberdade interior. Embora escritos em estilos diferentes, um mais direto e pragmático, outro mais lírico e poético, ambos concentram na ideia de que envelhecer exige preparo e consciência do que realmente importa.
Robert De Niro enfatiza a autonomia material: ter um teto, um carro, bens que garantam independência. Para ele, envelhecer com dignidade é não depender cegamente dos outros, mas construir uma base sólida que assegure liberdade. Seu texto alerta contra o excesso de posses, que em vez de trazer paz, podem aprisionar. A mensagem é clara: menos coisas, mais leveza.
Já Ana Maria Tourinho aborda a velhice como um crepúsculo poético, onde o essencial não está apenas nos bens, mas na experiência sensível da vida. Ela descreve o envelhecer como arte: dormir profundamente, rir com liberdade, cultivar gratidão. O desapego, em sua visão, é mais espiritual do que prático. É libertar-se das amarras do apego e encontrar paz no simples, um lar acolhedor, gestos de amor, memórias que florescem como poemas.
Apesar das diferenças de tom, os dois textos se complementam. De Niro oferece um olhar realista e quase instrutivo, enquanto Ana Maria amplia o horizonte para o campo da poesia e da transcendência. Ambos, no entanto, convergem em um ponto essencial: a velhice só pode ser vivida com dignidade quando há autonomia e desapego.
Assim, a resenha revela que envelhecer não é apenas acumular anos, mas aprender a viver com o essencial, seja na segurança dos bens ou na leveza da alma. O verdadeiro desafio está em equilibrar o concreto e o simbólico, o material e o espiritual, para que a velhice seja não um peso, mas uma celebração da liberdade.
TEXTOS DE ROBERT DE NIRO E ANA MARIA TOURINHO
VIVER COM O ESSENCIAL NA VELHICE?
Mas o que é essencial, e o que é velhice?
Li o texto abaixo transcrito, e fiquei a matutar sobre a vida e as
diversas
maneiras como se apresenta. Foquei na questão e também escrevi. Leiam!
“A velhice não aceita
despreparo.
Ela não chega com delicadeza,
e quem a espera de mãos vazias, sente o peso
da dependência.
Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição. Mas acima de tudo: que tudo isso seja seu. Porque envelhecer com dignidade exige autonomia. Não reescreva seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de você como você cuida de si. Seja leve: menos posses, mais paz. Quanto mais coisas você tem, mais elas te exigem e, se não perceber, passam a te possuir.
A arte de viver é uma habilidade rara. É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade e não se deixar consumir pelas preocupações. Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso.
E quanto menos
pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.
A verdadeira prisão é a do apego. E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.” (Robert De Niro)
Eu, Ana Maria Tourinho, escrevi, sobre a velhice e o essencial, o texto abaixo:
No crepúsculo da vida, quando o sol parece mais suave e as sombras se alongam, a velhice se apresenta como uma velha amiga, mas não daquelas que trazem doces promessas. Ela chega com o peso de anos acumulados, de memórias que se entrelaçam como raízes de uma árvore antiga. A sabedoria das rugas e a fragilidade do corpo se encontram em um abraço apertado, onde a autonomia é o fio que costura o manto da dignidade.
O que é essencial, então?
É o abrigo que nos acolhe, não apenas das intempéries do tempo, mas do frio da solidão. É o conforto de um lar, que, mais do que paredes, é um espaço onde se respira amor e segurança. É o carro que nos leva à liberdade, não como um símbolo de status, mas como um veículo que nos permite explorar o mundo com curiosidade renovada. No entanto, a verdadeira riqueza reside na autonomia de saber que tudo isso é nosso, construído com mãos calejadas e corações pulsantes. Mas a velhice, com sua sabedoria implacável, nos ensina que as posses são como areia entre os dedos. Quanto mais acumulamos, mais nos atamos a elas, e, como um barco à deriva, perdemos a capacidade de navegar com leveza.
A arte de viver, essa
habilidade rara, é um convite à simplicidade.
Dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade são verdadeiros tesouros que não podem ser comprados, mas apenas cultivados em um solo fértil de gratidão. É um paradoxo, mas quanto menos pertencemos às coisas, mais livres nos tornamos. A verdadeira prisão é o apego, que nos amarra a expectativas, a medos infundados e a uma vida de preocupações. Liberdade é um estado de espírito, um ato de desapego, que nos permite olhar para o horizonte e ver, não o peso das posses, mas a leveza do ser.
Ao final, viver com o essencial na velhice é um manifesto contra a superficialidade. É um grito silencioso que ecoa nas paredes do coração: “Sou mais do que minhas coisas.” E, assim, ao abraçar a simplicidade, encontramos a paz que escapa nas correntes do cotidiano.
E você, como imagina essa transição para a velhice? O que considera essencial para viver com dignidade?
Aproveite e faça uma bela reflexão.
No jardim da vida, o
tempo floresce.
Sussurram folhas,
dançam ventos
rugas, poemas,
sorrisos, preces.
Velhice, canção que
embala sentimentos.
Em rio sereno, que ao
mar se entrega,
memórias navegam,
segredos em papel.
Autonomia, o leme que
nos sustenta,
amor, estrela
brilhando no céu.
Bens, sombras que se
desfazem ao sol.
Na sabedoria, revelam
seu valor.
Menos é mais, ensina
a vida.
No desapego,
encontramos amor.
Lar, abraços, ninhos
de paz.
Aí o coração repousa,
alma aquieta.
Saboreando vida, o
presente se faz,
banquete de risos,
danças felizes.
No crepúsculo suave,
a luz se despede,
espírito voa, livre
como ar.
Ecos do amanhã,
esperança,
gestos de amor,
olhares atentos.
Envelhecer é arte.
É viver com leveza,
deixar-se levar,
saber que a vida é
doce estandarte.
No coração,
eternidade a palpitar.
O que é essencial? Um
toque, um sorriso,
a beleza do simples,
o calor da amizade.
Ao final da jornada,
o amor avisa:
Viver é ato de pura liberdade.

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