quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

04 DE FEVEREIRO DE 2026 – CELEBRAMOS OS 227 ANOS DO NASCIMENTO DE ALMEIDA GARRETT - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL


No Focus Portal Cultural, o quadro EFEMÉRIDES é o espaço onde a memória se transforma em celebração e reflexão. Aqui, revisitamos datas que marcaram a história, trazendo à luz os grandes nomes e acontecimentos que moldaram a cultura, a arte e o pensamento. Cada efeméride é mais do que uma lembrança, é um convite a mergulhar no legado de personalidades que, com sua obra e sua vida, continuam a inspirar gerações. É neste espírito que destacamos hoje 04 de fevereiro de 2026, um dos pilares da literatura e da cultura portuguesa, qual voz ecoa até os nossos dias, Almeida Garrett, o precursor do Romantismo em Portugal, que nasceu há 227 anos e permanece como símbolo da modernidade literária e da força transformadora da arte.

No dia 04 de fevereiro de 2026, celebramos os 227 anos do nascimento de Almeida Garrett, uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa e o grande precursor do Romantismo em Portugal. Nascido no Porto em 1799, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett viria a tornar-se não apenas um escritor e dramaturgo de excelência, mas também um orador brilhante, político ativo, reformador cultural e verdadeiro arquiteto da modernidade literária portuguesa. A sua vida e obra atravessam o século XIX como um testemunho da luta pela liberdade, da afirmação da identidade nacional e da renovação estética que moldou a literatura e o teatro em Portugal. 

Garrett cresceu num tempo de instabilidade política, marcado pelas invasões napoleônicas e pelas tensões entre absolutistas e liberais. Essa atmosfera de mudança alimentou sua sensibilidade e sua vocação para a palavra. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde entrou em contato com ideias liberais e com o espírito romântico que já se espalhava pela Europa. Desde cedo, demonstrou inquietação contra os modelos clássicos e buscou uma nova forma de expressão literária, mais próxima da emoção, da liberdade e da exaltação patriótica. Em 1825, publicou o poema “Camões”, considerado o marco inicial do Romantismo em Portugal, obra que não apenas homenageava o poeta maior da língua, mas também simbolizava o despertar de uma nova estética literária. 

A vida de Garrett foi marcada pelo exílio. Em 1823, com o triunfo do absolutismo, partiu para Inglaterra, onde teve contato direto com o teatro shakespeariano e com o ambiente cultural britânico. Essa experiência foi decisiva para sua formação: ampliou sua visão estética, consolidou sua identidade liberal e lhe deu instrumentos para transformar a cena cultural portuguesa. Ao regressar, trouxe consigo não apenas novas ideias, mas também a convicção de que o teatro e a literatura poderiam ser motores de transformação social e política. 

No campo literário, Garrett deixou obras que se tornaram pilares do Romantismo português. Entre elas, destaca-se “Frei Luís de Sousa” (1843), considerada a obra-prima da dramaturgia nacional, onde a tragédia se une ao patriotismo e à reflexão sobre o destino humano. Também merece destaque “Folhas Caídas” (1853), livro de poesia intimista que revela sua sensibilidade lírica e sua capacidade de traduzir em versos as inquietações da alma. Garrett soube conjugar o amor, a pátria e a liberdade em uma escrita que permanece viva e atual, capaz de dialogar com diferentes gerações. 

Mas Almeida Garrett não foi apenas escritor. Foi também um homem público de grande relevância. Como deputado e orador, destacou-se pela eloquência e pela defesa dos ideais liberais. Como ministro e secretário de Estado honorário, envolveu-se em reformas institucionais que marcaram a vida política do país. E, sobretudo, como reformador cultural, foi responsável por iniciativas que mudaram para sempre o panorama artístico português. Foi ele quem propôs a construção do Teatro Nacional D. Maria II, inaugurado em 1846, símbolo da modernização cultural e da valorização da arte dramática. Também idealizou a criação do Conservatório de Arte Dramática, instituição fundamental para a formação de atores e dramaturgos, consolidando uma tradição teatral que perdura até hoje. 

O legado de Garrett transcende sua obra literária. Ele foi um verdadeiro construtor da identidade cultural portuguesa, resgatando figuras históricas e mitos nacionais, como Camões e Frei Luís de Sousa, e defendendo valores de liberdade e cidadania. Sua visão de cultura estava profundamente ligada à ideia de nação: para ele, a literatura e o teatro eram instrumentos de afirmação da identidade e de educação do povo. Nesse sentido, Garrett foi não apenas um romântico, mas também um pedagogo da pátria, alguém que soube unir estética e política em um projeto de modernização cultural. 

Hoje, ao celebrarmos os 227 anos de seu nascimento, reconhecemos a atualidade de sua obra e a importância de sua memória. O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, continua a ser palco de grandes produções e símbolo da vitalidade cultural que ele impulsionou. A Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, perpetua seu nome e sua contribuição para a difusão da cultura. E suas obras seguem sendo estudadas, encenadas e lidas, como testemunho de um tempo em que a literatura se fez instrumento de liberdade e de construção nacional. 

Almeida Garrett faleceu em Lisboa, a 09 de dezembro de 1854, mas sua presença permanece viva na história e na cultura de Portugal. Foi um homem de múltiplas dimensões: poeta, dramaturgo, político, reformador, patriota. Um espírito inquieto que soube transformar sua paixão pela palavra em ação concreta, deixando marcas indeléveis na literatura e nas instituições culturais do país. Celebrar sua efeméride é, portanto, celebrar a própria ideia de cultura como força transformadora, como espaço de liberdade e como expressão da identidade de um povo.

Assim, neste 04 de fevereiro de 2026, o Focus Portal Cultural, sob a curadoria do jornalista Alberto Araújo, coloca em destaque a memória de Almeida Garrett, lembrando que sua obra e seu legado continuam a iluminar o caminho da cultura portuguesa. Garrett é, ainda hoje, um farol que nos recorda que a literatura e o teatro não são apenas arte, mas também instrumentos de consciência, de liberdade e de construção de futuro.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 








 

Nenhum comentário:

Postar um comentário