PROFESSOR KEATING - ROBIN WILLIAMS disse:
"Eu tenho um segredo para vocês. Aproximem-se. APROXIMEM-SE!
Não lemos e escrevemos poesia porque é fofo. Nós lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão.
E Medicina, Direito, Administração, Engenharia são atividades nobres e necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor são as coisas pelas quais vale a pena viver
Citando
Whitman:
'Oh,
eu! Oh, vida! das perguntas destas que persistem,
Dos
intermináveis trens de descrentes,
de
cidades repletas de tolos,
O
que há de bom no meio disso, Oh eu, Oh vida?
Resposta:
Que
você está aqui — que a vida existe e identidade,
Que a poderosa peça continua, e você pode contribuir com um verso.'
Qual será o seu verso?"
O PODER DO VERSO INDIVIDUAL
A cena, extraída do filme Sociedade dos Poetas Mortos, nos convida a uma das reflexões mais profundas sobre a existência humana: a distinção entre o que nos mantém vivos e o que dá sentido à vida.
Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, prioriza o utilitarismo. Somos incentivados a buscar carreiras "nobres e necessárias", como a engenharia, o direito ou a medicina, que formam a estrutura funcional do nosso mundo. Elas são o esqueleto que sustenta a civilização. No entanto, o Professor Keating nos lembra de que uma estrutura sem alma é vazia. A poesia, a arte, a beleza e o amor não são meros passatempos ou "coisas fofas"; eles são o oxigênio do espírito humano.
A citação de Walt Whitman usada no discurso toca na angústia existencial que todos sentimos em algum momento: em um mundo cheio de descrença e rotinas vazias, qual é o propósito de tudo isso? A resposta é tão simples quanto arrebatadora: o propósito é a nossa própria presença e a capacidade de interagir com o "espetáculo" da vida.
A metáfora da "poderosa peça" (a vida) que continua a ser escrita sugere que o mundo é um processo em andamento, uma narrativa coletiva da qual todos somos coautores. Não somos apenas espectadores passivos de um destino traçado; somos convidados a "contribuir com um verso".
Essa ideia nos traz uma responsabilidade poética: o que estamos deixando para o mundo? O "verso" de cada um não precisa ser uma obra literária famosa. Pode ser um gesto de bondade, uma ideia inovadora, a forma como amamos, ou a coragem de sermos autênticos em um mundo que tenta nos padronizar.
Ao final, a pergunta que ecoa no silêncio da sala
de aula, e em nossos corações é: "Qual será o seu verso?". Ela nos
instiga a parar de apenas sobreviver e a começar a, de fato, viver com paixão,
deixando nossa marca única na grande história da humanidade.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural



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