sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

4 - O PODER DO VERSO INDIVIDUAL – INSPIRADO EM CENA DE SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS - TEXTO REFLEXIVO DE © ALBERTO ARAÚJO


PROFESSOR KEATING - ROBIN WILLIAMS disse:

"Eu tenho um segredo para vocês. Aproximem-se. APROXIMEM-SE! 

Não lemos e escrevemos poesia porque é fofo. Nós lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão. 

E Medicina, Direito, Administração, Engenharia são atividades nobres e necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor são as coisas pelas quais vale a pena viver 

Citando Whitman:

'Oh, eu! Oh, vida! das perguntas destas que persistem,

Dos intermináveis trens de descrentes,

de cidades repletas de tolos,

O que há de bom no meio disso, Oh eu, Oh vida?

 

Resposta:

Que você está aqui — que a vida existe e identidade,

Que a poderosa peça continua, e você pode contribuir com um verso.' 

Qual será o seu verso?" 

O PODER DO VERSO INDIVIDUAL 

A cena, extraída do filme Sociedade dos Poetas Mortos, nos convida a uma das reflexões mais profundas sobre a existência humana: a distinção entre o que nos mantém vivos e o que dá sentido à vida. 

Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, prioriza o utilitarismo. Somos incentivados a buscar carreiras "nobres e necessárias", como a engenharia, o direito ou a medicina, que formam a estrutura funcional do nosso mundo. Elas são o esqueleto que sustenta a civilização. No entanto, o Professor Keating nos lembra de que uma estrutura sem alma é vazia. A poesia, a arte, a beleza e o amor não são meros passatempos ou "coisas fofas"; eles são o oxigênio do espírito humano. 

A citação de Walt Whitman usada no discurso toca na angústia existencial que todos sentimos em algum momento: em um mundo cheio de descrença e rotinas vazias, qual é o propósito de tudo isso? A resposta é tão simples quanto arrebatadora: o propósito é a nossa própria presença e a capacidade de interagir com o "espetáculo" da vida.

A metáfora da "poderosa peça" (a vida) que continua a ser escrita sugere que o mundo é um processo em andamento, uma narrativa coletiva da qual todos somos coautores. Não somos apenas espectadores passivos de um destino traçado; somos convidados a "contribuir com um verso". 

Essa ideia nos traz uma responsabilidade poética: o que estamos deixando para o mundo? O "verso" de cada um não precisa ser uma obra literária famosa. Pode ser um gesto de bondade, uma ideia inovadora, a forma como amamos, ou a coragem de sermos autênticos em um mundo que tenta nos padronizar. 

Ao final, a pergunta que ecoa no silêncio da sala de aula, e em nossos corações é: "Qual será o seu verso?". Ela nos instiga a parar de apenas sobreviver e a começar a, de fato, viver com paixão, deixando nossa marca única na grande história da humanidade.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural















 

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