Em 2026, a Academia Nacional de Música (ANM) celebra 59 anos de existência, reafirmando sua posição como uma das mais importantes instituições culturais do Brasil. Fundada em 1967, no Rio de Janeiro, por iniciativa da maestrina, pianista, educadora e feminista Joanídia Sodré (1903–1975), a Academia nasceu como espaço de reflexão crítica, valorização da memória musical e reconhecimento de trajetórias artísticas e intelectuais. Joanídia, pioneira na luta feminista e primeira mulher formada em Regência no país, deixou como legado não apenas sua atuação pedagógica e artística, mas também a marca de uma instituição comprometida com a transformação do ensino musical e a afirmação da identidade cultural brasileira.
A história da ANM é marcada pela presença de grandes mulheres que, como Joanídia, abriram caminhos em um cenário historicamente dominado por homens.
Nesta homenagem especial do Focus Portal Cultural, destacamos três pianistas que se tornaram referências nacionais e internacionais, ocupando Cadeiras na Academia e contribuindo para a consolidação de sua missão cultural.
MARIA
DAS GRAÇAS SILVA NEVES A GRACINHA – CADEIRA Nº 25
Patrono: Godofredo Leão Velloso. Ocupantes: Arnaldo Rebello, 1967; Maria das Graças Silva Neves, desde 1990, Acadêmica Emérita.
Maria das Graças Silva Neves é reconhecida por sua trajetória como pianista e educadora, tendo se dedicado à difusão da música erudita e à formação de novas gerações de músicos. Sua atuação na Cadeira nº 25 simboliza a continuidade de uma tradição que valoriza a excelência artística e o compromisso com a memória musical brasileira.
LÍCIA
LUCAS – CADEIRA Nº 32
Patrono: Cândido Ignácio da Silva. Ocupantes: Heitor Alimonda, 1967, Acadêmico Emérito; Lícia Lucas, desde 2009.
Lícia Lucas é uma das pianistas brasileiras mais respeitadas internacionalmente. Sua carreira inclui apresentações em importantes salas de concerto e colaborações com grandes orquestras. Além de sua atuação artística, Lícia também presidiu a ANM entre 2013 e 2016, reforçando o papel das mulheres na liderança institucional e na projeção da música brasileira no cenário mundial.
MIMI
LÜCK – CADEIRA Nº 43
Patrono: Henrique Alves de Mesquita. Ocupantes: Ana Maria Porto, 1970; Maria de Lourdes Sekeff, 1970; Semiramis Lück, desde 2014.
Mimi Lück, nascida Semiramis Lück, musicista e maestrina representa a continuidade de uma linhagem de pianistas que se destacaram pela dedicação ao repertório brasileiro e internacional. Sua presença na Cadeira nº 43 reafirma o compromisso da Academia com a diversidade estética e com a valorização de artistas que transitam entre tradição e inovação.
A PRESIDÊNCIA DE OSMÁRIO ESTEVAM JÚNIOR
Atualmente, a ANM é presidida por Osmário Estevam Júnior, 2025–2028, ocupante da Cadeira nº 69 – Albertina da Fonseca. Sua trajetória como pianista e educador reflete o espírito da Academia: unir excelência artística, compromisso institucional e valorização da memória cultural. Osmário sucede uma longa lista de presidentes que marcaram a história da entidade, desde Joanídia Sodré até Regina Maria Meirelles Santos, consolidando a continuidade de uma liderança voltada para o fortalecimento da música brasileira.
Desde seus primeiros anos, a ANM mantém a Revista da Academia Nacional de Música, publicação institucional que reúne artigos, ensaios, documentos históricos, discursos de posse e estudos musicológicos. A revista é fonte documental essencial para pesquisadores e historiadores, registrando não apenas a vida institucional da entidade, mas também aspectos relevantes da música brasileira. A última edição destacou a trajetória de Joanídia Sodré, reafirmando sua importância como fundadora e referência intelectual.
Presidentes
da ANM – uma linha do tempo
Joanídia
Sodré (1967–1972)
Santino
Parpinelli (1972–1976)
Yara
Coutinho Camarinha (1976–1979)
Lubélia
Brandão (1979–1982; 1986–1988)
Judith
M. da Cruz Cocarelli (1984–1986)
Andrely
Quintella De Paola (1989–1992; 1998–2001)
Virgílio
Medeiros de Carvalho (1992–1995; 2003–2004)
Marysa
Maia (1995–1998)
Heitor
Alimonda (2001–2002)
Jaques
Nirenberg (2002–2004)
Sérgio
Bittencourt-Sampaio (2004–2007)
Eliane
Maria Oliveira Sampaio (2007–2013)
Lícia
Lucas (2013–2016)
Maria
Carolina Murta Ribeiro (2016–2019)
Helena
Rosa Trope (2019–2022)
Regina
Maria Meirelles Santos (2022–2025)
Osmário Estevam Júnior (2025–2028)
Ao longo de quase seis décadas, a ANM consolidou-se como espaço de diálogo entre tradição e modernidade, memória e criação. Sua missão vai além da preservação da história: é também a de estimular novas gerações de músicos, promover debates sobre estética e identidade cultural, e fortalecer a presença da música brasileira no cenário internacional.
O Art. 8º do Estatuto da ANM reforça esse compromisso ao estabelecer critérios rigorosos para a concessão do título de Membro Honorário, garantindo que apenas músicos com notório saber e reconhecido valor técnico sejam incorporados à instituição.
Celebrar os 59 anos da Academia Nacional de Música é celebrar a força da cultura brasileira, a memória de suas pioneiras e a vitalidade de seus atuais representantes. É reconhecer que a música, como linguagem universal, encontra na ANM um espaço de resistência, reflexão e projeção.
A nossa homenagem às pianistas Maria das Graças Silva Neves, Lícia Lucas e Mimi Lück, juntamente com o atual presidente Osmário Estevam Júnior, reafirma o papel da Academia como resguardadora da memória e promotora da inovação.
Contato
da ANM
E-mail:
academianacionalmus@gmail.com
Telefone:
(21) 96968-2323
Endereço: R. da Lapa, 120 – sala 708 – Lapa, Rio de Janeiro – RJ, 20021-170, Brasil.
Texto,
Arte e Pesquisa
©
Alberto Araújo
Focus Portal Cultural



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