Na noite de 13 de fevereiro de 2026, o salão do Clube Monte Líbano do Rio voltou a respirar o espírito dos antigos bailes carnavalescos, quando tradição e fantasia dividiam o mesmo compasso.
O evento Habib Monte Líbano, Baile das Melindrosas, idealizado por Nely Habib, reafirmou o lugar do clube como um dos palcos mais simbólicos da cultura festiva carioca, reunindo gerações em torno de uma estética que celebra memória, elegância e alegria.
Entre mesas decoradas, serpentinas espalhadas pelo chão e o burburinho típico das grandes noites de carnaval, um sorriso se destacava com natural protagonismo: o de Angela Guerra. Vestida com referências claras ao universo das melindrosas, vestido preto de franjas, luvas de rede, colares de pérolas e adorno de cabeça com pluma, ela parecia sintetizar o espírito do baile, onde a fantasia não é apenas figurino, mas linguagem afetiva.
O Baile das Melindrosas resgata uma tradição que remonta às primeiras décadas do século XX, quando as mulheres que romperam padrões sociais passaram a ocupar os salões com mais liberdade estética e comportamental.
No evento de 2026, essa herança apareceu reinterpretada: não como nostalgia estática, mas como celebração viva da autonomia e da presença feminina no imaginário do carnaval.
O salão principal, iluminado por cortinas cintilantes e cores vibrantes, reunia foliões de diferentes idades, muitos deles caracterizados com figurinos inspirados no período art déco. A atmosfera era de reencontro, não apenas entre amigos, mas entre o presente e a história.
A trilha sonora, marcada por marchinhas clássicas e sambas tradicionais, criava uma ponte sonora que convidava à dança sem pressa, como se o tempo pudesse ser gentil por algumas horas.
Nesse contexto, Angela Guerra representava mais do que uma presença festiva. Sua participação evidenciava um aspecto essencial do carnaval de clubes: o valor da convivência e da continuidade cultural.
Sentada à mesa, interagindo com outros convidados e acompanhando a movimentação do baile, ela traduzia a dimensão humana do evento, aquela que não aparece nos grandes desfiles, mas sustenta a longevidade da festa.
A iniciativa de Nely Habib reforça a importância dos bailes temáticos como espaços de preservação simbólica. Em um cenário em que o carnaval se diversifica e se reinventa constantemente, encontros como o Baile das Melindrosas funcionam como arquivos vivos, onde gestos, músicas e figurinos mantêm acesa uma narrativa coletiva.
Ao longo da noite, o clima foi de celebração serena, distante da pressa das ruas, mas igualmente intenso em significado. O riso fácil, as conversas longas e o brilho discreto das fantasias compunham um retrato fiel de um carnaval que valoriza a experiência compartilhada.
Mais do que uma festa, o baile revelou-se um espaço de pertencimento. E, ao observar Angela Guerra entre confetes e memórias, ficava claro que o verdadeiro luxo daquela noite não estava apenas na produção ou no cenário, mas na capacidade de reunir histórias, afetos e identidades em um mesmo salão.
Quando a música diminuiu e os convidados começaram a se despedir, permaneceu no ar a sensação de que eventos assim cumprem um papel silencioso, porém essencial: lembrar que o carnaval também é feito de encontros íntimos, de elegância cotidiana e de pessoas que, ao celebrar, mantêm viva a cultura.
No Baile das Melindrosas de 2026, o Rio reafirmou, mais uma vez, que tradição não é passado. É presença.
@ Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
LUCIA REGINA DE LUCENA – PRESIDENTE DA ANLA disse: Belo e verdadeiro esse comentário de Alberto Araújo, elogiando Angela Guerra pelo visual inserido na temática da festa e sua elegância. Ressaltar a importância dos bailes de Carnaval temáticos, com encontro de gerações e aquela boa música que preenchia os salões com uma alegria sadia e feliz. Outros bailes deveriam acontecer, preservando esse contexto do verdadeiro Carnaval, onde todos brincavam e se divertiam. Reviver os desfiles de fantasias e preservar as brincadeiras que faziam dessa festividade, um acontecimento especial.
Lucia Regina.

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