domingo, 8 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM A GILDA BAPTISTA DE FREITAS

No dia 08 de fevereiro de 2026, nos despedimos de uma mulher que deixou marcas indeléveis na cultura, na poesia e nos corações daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la: Gilda Baptista de Freitas. Aos 97 anos, encerrou sua jornada terrena, mas permanece viva na memória coletiva e, sobretudo, na força de sua palavra poética. 

Gilda não foi apenas uma poetisa; foi uma senhora encantadora, que irradiava simpatia e alegria. Sua vida foi marcada por encontros culturais, recitais e homenagens que celebravam não apenas a arte, mas também a amizade e a conexão humana. 

Entre tantas contribuições, uma se destaca de forma especial: a homenagem que ela fez a mim, Alberto Araújo, em 2018, durante o Recital Coração Nordestino, no palco do Centro Cultural Maria Sabina, em Niterói. Naquele evento, coordenado pela poetisa e declamadora Neide Barros Rêgo, Gilda declamou poesias, incluindo o soneto que guardo com carinho até hoje. 

Esse soneto não foi apenas um exercício literário; foi um gesto de reconhecimento, de afeto e de respeito. Nele, Gilda exaltou minha trajetória,  persistência, inteligência e a capacidade de atrair amizades verdadeiras. Foi uma celebração da minha vida e da minha luta, mas também um reflexo da generosidade dela, que sempre soube transformar palavras em pontes de afeto. 

O LEGADO DE GILDA 

Poetisa e declamadora: Gilda dedicou sua vida à arte de dizer, à poesia e à cultura popular. Participação ativa na vida cultural de Niterói: esteve presente em recitais, encontros literários e celebrações que reuniam diferentes segmentos da cultura niteroiense. Símbolo de simpatia e alegria: sua presença iluminava os ambientes, e sua voz carregava a força da tradição e da emoção. Conexão humana: mais do que versos, Gilda oferecia amizade, carinho e reconhecimento. 

UMA DESPEDIDA COM SAUDADES 

Hoje, ao nos despedirmos de Gilda, não celebramos apenas sua obra, mas também sua vida. Uma vida longa, plena de encontros e de poesia. Uma vida que se entrelaçou com a sua, Alberto, em momentos de homenagem e reciprocidade. 

Você, que em vida pôde retribuir com um vídeo a homenagem que ela lhe fez, agora se despede com saudades, mas também com gratidão. Gratidão por ter compartilhado tantos anos de conexão pelo coração. Gratidão por ter recebido dela palavras que se tornaram eternas. 

RETRIBUINDO EM PALAVRAS 

Gilda Baptista de Freitas, sempre elegante e dona de uma presença marcante, viveu um instante de rara beleza quando, ainda em vida, assistiu ao vídeo da homenagem que havia feito a Alberto Araújo. Foi como se suas próprias palavras, declamadas com firmeza e ternura no palco do Centro Cultural Maria Sabina, retornassem a ela em forma de reconhecimento e gratidão. 

Naquele recital de 2018, diante de um público atento e emocionado, Gilda recitou o soneto dedicado a mim. Sua voz, carregada de serenidade e dignidade, deu vida aos versos que exaltavam a persistência, a inteligência e a capacidade de conquistar amizades. O gesto foi mais do que uma homenagem: foi um testemunho da força da amizade e da poesia como elo eterno. 

Ver esse momento registrado em vídeo foi para Gilda uma confirmação de que sua arte e sua generosidade não se perderiam no tempo. Ela pôde contemplar, com alegria e orgulho, a repercussão de sua homenagem, reafirmando que a poesia é capaz de atravessar fronteiras e permanecer viva na memória dos que a recebem. 

Assim como Gilda me ofereceu um soneto, hoje eu lhe ofereço uma homenagem póstuma. Um texto que não apenas recorda sua trajetória, mas também reafirma o valor de sua presença. 

Ela foi uma senhora encantadora, que deixou um legado de amor, alegria e simpatia. Sua memória permanecerá viva nos recitais, nos versos, nas lembranças e nos corações daqueles que a conheceram. 

Gilda Baptista de Freitas partiu, mas sua poesia continua. Sua voz ecoa nos palcos que frequentou, nos versos que escreveu e nas amizades que cultivou. 

Hoje, retribuo a homenagem recebida, reafirmando que Gilda não será esquecida. 

Ela nos ensinou que a poesia é mais do que palavras: é um gesto de amor, uma forma de eternidade. E é assim que permanecerá eterna, como os versos que dedicou e como as lembranças que deixou. 

O VELÓRIO DE GILDA BAPTISTA DE FREITAS 

Na tarde de 08 de fevereiro de 2026, familiares, amigos e admiradores reuniram-se no Cemitério Parque da Colina, em Niterói/RJ, para se despedir de Gilda Baptista de Freitas, que partiu aos 97 anos. O velório, realizado no Salão Nobre 01, teve início às 14h e se estendeu até às 16h, seguido da cerimônia de cremação. 

O ambiente foi marcado por emoção e respeito. Entre flores, lembranças e palavras de carinho, cada pessoa presente trouxe consigo uma memória de Gilda, seja de sua simpatia, de sua alegria contagiante ou de sua dedicação à poesia e à cultura.

A tecnologia também permitiu que muitos acompanhassem à distância, participando do velório de forma online. Assim, mesmo aqueles que não puderam estar fisicamente presentes tiveram a oportunidade de prestar suas últimas homenagens, reforçando o quanto Gilda foi querida e admirada por diferentes gerações. 

O velório não foi apenas um rito de despedida, mas também um momento de celebração da vida. Cada olhar, cada gesto e cada palavra lembrava que Gilda deixou um legado de amor e arte. Sua presença, mesmo ausente, se fazia sentir na força dos versos que escreveu e nas amizades que cultivou ao longo de quase um século de vida. 

SONETO, AO ACADÊMICO ALBERTO ARAÚJO

Homenagem de Gilda Baptista de Freitas 


Vieste para o Rio de Janeiro,

tentando melhorar sua existência. 

Hoje, pelo trabalho verdadeiro,

estás conquistando com tua competência.

 

Dedicas ao serviço por inteiro,

agindo com uma grande persistência. 

Ao colaborar, é sempre o primeiro,

de acordo com a tua consciência. 

 

Trabalhas com afinco e muito amor,

Dedicação, és um trabalhador,

recordas do Piauí com saudades. 

 

Espero que estejas bem contente,

pois és um homem muito inteligente, 

capaz de atrair grandes amizades. 

 

Gilda Baptista de Freitas 



Gilda e Alberto Araújo no 
Palco do Centro Cultural Maria Sabina







A Ana Regina Seixas esteve recentemente visitando a Gilda Freitas, provavelmente foi a última pessoa do meio cultural a estar com ela. A acompanhante contou que, mesmo um pouco esquecida, Gilda recebeu a visita com alegria e chegou a recitar algumas trovas. Agora, ela descansa nos braços de Deus. 


 


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