No dia 17 de fevereiro de 2026, o Focus Portal Cultural, sob a curadoria do jornalista Alberto Araújo, registra em suas efemérides os 122 anos da estreia da ópera Madama Butterfly, uma das obras mais emblemáticas do repertório lírico universal.
A primeira apresentação ocorreu em 17 de fevereiro de 1904, no Teatro alla Scala de Milão, com música de Giacomo Puccini e libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa. A obra, inicialmente concebida em dois atos, foi inspirada no drama teatral de David Belasco, que por sua vez se baseava em uma narrativa escrita pelo advogado norte-americano John Luther Long. A trama apresenta o encontro entre mundos distintos: o tenente da marinha norte-americana Pinkerton e a jovem gueixa japonesa Cio-Cio-San, conhecida como Butterfly.
A estreia, no entanto, foi marcada por
um retumbante fracasso. O público milanês reagiu com frieza e até hostilidade,
levando Puccini a revisar profundamente a partitura e a estrutura dramática.
Poucos meses depois, em Brescia, a ópera reapareceu em versão revisada, agora
em três atos, conquistando plateias e iniciando sua trajetória triunfal pelos
palcos do mundo.
Em Portugal, Madama Butterfly estreou no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, em 10 de março de 1908, apenas quatro anos após sua estreia mundial. Desde então, tornou-se presença constante nos grandes teatros de ópera, consolidando-se como uma das obras mais representadas e admiradas do século XX.
A força simbólica do nome Butterfly ultrapassou os limites da música. Em 1988, o dramaturgo David Henry Hwang escreveu a peça M. Butterfly, posteriormente adaptada para o cinema. Inspirada no relacionamento entre o diplomata francês Bernard Boursicot e o cantor da Ópera de Pequim Shi Pei Pu, a obra dialoga diretamente com o mito criado por Puccini. O título estabelece uma ponte entre as duas narrativas, ambas centradas em ilusões amorosas, choque cultural e tragédia.
Do ponto de vista artístico, Madama Butterfly é considerada uma das óperas mais refinadas de Puccini. Sua orquestração delicada evoca atmosferas orientais sem perder a dramaticidade italiana, enquanto árias memoráveis como Un bel dì vedremo revelam a esperança e a fragilidade de Cio-Cio-San diante da ausência de Pinkerton. A fusão entre lirismo e realismo torna a obra um retrato pungente da vulnerabilidade humana diante do amor e da desilusão.
Ao celebrarmos os 122 anos da estreia
de Madama Butterfly, reconhecemos não apenas a genialidade de Puccini, mas
também a capacidade da arte de transcender épocas e culturas. A ópera continua
a emocionar plateias, refletindo sobre temas universais como amor, abandono,
esperança e tragédia.
Assim, o Focus Portal Cultural, nas efemérides de 17 de fevereiro de 2026, destaca este marco histórico da música erudita, reafirmando o papel de Madama Butterfly como ponte entre o Ocidente e o Oriente, entre tradição e modernidade, entre sonho e realidade.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural






.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário