EDITORIAL – MÁRCIA PESSANHA
JANEIRO E FEVEREIRO - RÉVEILLON E CARNAVAL, ESPERANÇA E ALEGRIA NO DESFILE DO TEMPO.
Janeiro, do latim “januaris”, homenageia o deus romano Jano, protetor das portas e das transições, que possui duas faces: uma olha o passado, outra o futuro, daí a euforia do réveillon, com esperanças para o novo ano.
A seguir, com as máscaras da folia carnavalesca vem Fevereiro, do latim “februaris”, alusivo ao festival romano “Februalia”, assim sua ligação com o Carnaval, de raízes em rituais antigos, incluindo celebrações pagãs e tradições cristãs.
Dentre os festivais da Antiguidade destacam-se as Saturnais romanas e as Dionisíacas gregas, marcadas por banquetes, danças e inversões de papéis sociais, permitindo que as pessoas se libertassem de normas e padrões e se entregassem à diversão. As máscaras lhes possibilitavam ocultar a identidade, então se sentiam livres para extravasar sentimentos.
Vale acrescentar que o profano e o sagrado se mesclaram com a ascensão do cristianismo, quando tradições pagãs foram adaptadas ao calendário litúrgico. E o Carnaval passa a ser celebrado como despedida da carne antes da Quaresma, período de jejum e abstinência antecedendo a Páscoa. Isto porque a palavra carnaval vem do latim “carnis levale”, que significa retirar a carne (cortar o que pesa, liberar o corpo e o espírito) para entrar de alma “limpa” na Quaresma – refletindo a conexão com a abstinência no período quaresmal.
No século XVII, os colonizadores portugueses trouxeram o Carnaval para o Brasil com o “entrudo”, brincadeira que consistia em jogar água, farinha, tinta etc. uns nos outros. Esse folguedo se expandiu na cultura popular e chegou a vez de jogar confetes, serpentinas e lança-perfumes, organizar blocos de rua, dos sujos, desfiles...
Com o tempo, essa prática foi evoluindo e se misturou com tradições africanas, pois os escravizados se divertiam ao som de batuques e ritmos trazidos da África, que se misturaram com os gêneros musicais portugueses. O samba e a marchinha emergiram dessa fusão.
No início do século XX, o Carnaval passou a se organizar de forma mais estrutural. Atualmente grandes escolas de samba desfilam com aparato espetacular, disputando classificação. Embora se apresentem com muita beleza e esplendor, perderam a espontaneidade dos carnavais de outrora, deixando passos de saudade nas passarelas.
De qualquer forma, o Carnaval é um rico mosaico de influências culturais e históricas, que refletem a diversidade e a criatividade do povo brasileiro.
A marchinha “O Primeiro Clarim” bem
expressa a euforia, o deixar-se levar pela contagiante animação carnavalesca,
em que o folião supera fronteiras, faz uma “catarse”, deixa a tristeza de lado:
Hoje eu não quero sofrer
Hoje eu não quero chorar
Deixei a tristeza lá fora
Mandei a saudade esperar, lá-rá-rá...
Hoje eu não quero sofrer
Quem quiser que sofra em meu lugar.
Quero me afogar em serpentinas
quando ouvir o primeiro clarim tocar
Quero ouvir milhões de Colombinas
a cantar trá-lá-lá-lá-lá-lá
Quero me perder de mão em mão
Quero ser ninguém na multidão
E viva a folia momesca!
Márcia Pessanha
Presidente da AFL





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