terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

INTELECTUAL DO ANO - UMA HONRARIA QUE MARCA A HISTÓRIA CULTURAL FLUMINENSE

O Título Intelectual do Ano nasceu em Niterói em 1987 como uma iniciativa visionária do Grupo Mônaco de Cultura e da Livraria Ideal, sob a liderança de Carlos Silvestre Mônaco. Mais do que uma simples homenagem, a honraria foi concebida como um gesto de reconhecimento àqueles que, por meio da palavra, da arte, da pesquisa ou da ação cultural, contribuíram para o fortalecimento da identidade fluminense e brasileira. Desde o primeiro agraciado, o jornalista Alberto Francisco Torres, até os nomes que se seguiram ao longo das décadas, o prêmio consolidou-se como um marco de valorização da cultura e da intelectualidade. A cada dezembro, a solenidade reafirmava a importância do pensamento crítico e da produção cultural como pilares de uma sociedade mais consciente e plural. Com o passar dos anos, a honraria atravessou instituições, passando do Grupo Mônaco ao IFEC – Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciência, e mais recentemente à Academia Fluminense de Letras, sem jamais perder sua essência: celebrar o saber e eternizar em memória coletiva aqueles que se destacaram na vida cultural da “Cidade Sorriso” e do estado do Rio de Janeiro.

Em dezembro de 1987, Niterói viu nascer uma tradição que se tornaria uma das mais significativas expressões de reconhecimento cultural do estado do Rio de Janeiro: o Título de Intelectual do Ano. Criado pelo Grupo Mônaco de Cultura e pela Livraria Ideal, sob a liderança de Carlos Silvestre Mônaco, o prêmio surgiu com o propósito de homenagear personalidades que se destacaram pela contribuição intelectual, artística e social, não apenas na cidade, mas também no cenário nacional. Desde então, a honraria consolidou-se como um marco de valorização da cultura fluminense, atravessando décadas e instituições, sempre mantendo viva a chama do reconhecimento público àqueles que dedicaram suas vidas ao saber e à arte.

O primeiro agraciado foi o jornalista Alberto Francisco Torres, figura de grande relevância na imprensa e na vida cultural brasileira. A escolha não poderia ser mais simbólica: Torres representava o compromisso com a palavra, com a reflexão crítica e com o papel transformador da comunicação. A partir dali, a cada dezembro, uma nova personalidade seria celebrada, reforçando a ideia de que o conhecimento e a cultura são pilares fundamentais da sociedade.

No ano seguinte, em 1988, a escritora Maria Jacintha Trovão da Costa Campos recebeu o título, confirmando a vocação plural da honraria, que não se restringia a uma única área, mas abrangia diferentes manifestações culturais e intelectuais. A cada edição, o prêmio ampliava seu alcance e se tornava mais respeitado, ganhando status de verdadeira instituição cultural. 

Durante 27 anos, de 1987 a 2014, o Grupo Mônaco de Cultura, em parceria com a Livraria Ideal, foi o responsável por organizar e conceder o título. Sob o comando de Carlos Mônaco, o grupo tornou-se referência em iniciativas voltadas para a valorização da produção intelectual e artística de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. A honraria não era apenas uma cerimônia: era um ato de afirmação da identidade cultural fluminense, um gesto que colocava em evidência nomes que, muitas vezes, permaneciam à margem do reconhecimento oficial. 

O Grupo Mônaco de Cultura compreendia que a cultura é um patrimônio coletivo e que o intelectual, seja ele escritor, jornalista, professor, artista ou pesquisador, desempenha um papel essencial na formação da consciência crítica da sociedade. Por isso, o título de Intelectual do Ano tornou-se um símbolo de resistência e de valorização da cultura em tempos de transformações sociais e políticas.

Em 2015, após quase três décadas sob a coordenação do Grupo Mônaco, a honraria passou a ser organizada pelo IFEC – Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciência, sob a liderança do chanceler Raymundo Nery Stelling Junior. O IFEC deu continuidade ao legado, ampliando o alcance da premiação e reforçando sua dimensão internacional, sem perder de vista o compromisso com a cultura fluminense. Entregando o renomado Título e além a Comenda IFEC de Cultura. 

Mais recentemente, a partir de 2025, a responsabilidade pela outorga foi assumida pela Academia Fluminense de Letras sob o comando da presidente Márcia Maria de Jesus Pessanha, instituição que representa a tradição literária e intelectual do estado. Essa transição reafirma o caráter perene da honraria, que se adapta às circunstâncias, mas mantém intacta sua essência: reconhecer e valorizar aqueles que contribuem para a vida cultural da sociedade. 

Receber o título de Intelectual do Ano é mais do que uma distinção honorífica. Para os agraciados, representa o reconhecimento público de uma trajetória dedicada ao saber, à arte e à cultura. É a consagração de um trabalho que, muitas vezes, se desenvolve de forma silenciosa, mas que impacta profundamente a vida coletiva. A honraria confere visibilidade, legitima o esforço intelectual e reforça a importância da cultura como elemento transformador. 

Ser Intelectual do Ano é inscrever-se em uma galeria de nomes que compõem a memória cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. É tornar-se parte de uma tradição que valoriza o pensamento crítico, a criatividade e o compromisso com a sociedade. É, em suma, receber um título que transcende o indivíduo e se projeta como símbolo de uma coletividade que reconhece e celebra seus protagonistas culturais. 

A GALERIA DOS HOMENAGEADOS

Ao longo de quase quatro décadas, a lista de agraciados com o título de Intelectual do Ano revela a diversidade e a riqueza da vida cultural fluminense. Entre jornalistas, escritores, professores, artistas e pesquisadores, cada nome representa uma contribuição singular para o patrimônio cultural da região. 

De 1987 a 2014 – Grupo Mônaco de Cultura 

1987 – Alberto Francisco Torres

1988 – Maria Jacintha L. Trovão de Campos

1989 – Raul de Oliveira Rodrigues

1990 – Ângelo Longo

1991 – Luís Antônio Pimentel

1992 – Lou Pacheco

1993 – Horácio Pacheco

1994 – Lyad Sebastião Guimarães Almeida

1995 – Alaôr Eduardo Scisínio

1996 – Almanir Grego

1997 – Geraldo Mantedônio B. de Meneses

1998 – Carlos Tortely Rodrigues da Costa

1999 – Miguel Coelho da Silva

2000 – Nilo Neves

2001 – Edmo Rodrigues de Lutterbach

2002 – Maria da Conceição Pires de Mello

2003 – Milton Nunes Loureiro

2004 – Wanderlino Teixeira Leite Netto

2005 – Aloysio Tavares Picanço

2006 – Carlos Silvestre Mônaco

2007 – Aníbal Bragança

2008 – Jorge Fernando Loretti

2009 – José Inaldo Alves Alonso

2010 – Neide Barros Rêgo

2011 – Waldenir de Bragança

2012 – Roberto Santos Almeida

2013 – Sávio Soares de Sousa

2014 – Sandro Pereira Rebel

 

De 2015 a 2024 – IFEC

2015 – Márcia Maria de Jesus Pessanha

2016 – Matilde Carone Slaibi Conti

2017 – Maximiano de Carvalho e Silva

2018 – Marco Lucchesi

2019 – Dalma Nascimento

2020 – Não houve solenidade

2021 – Não houve solenidade

2022 – Leda Mendes Jorge

2023 – Alba Helena Corrêa

2024 – Nagib Slaibi Filho

 

A partir de 2025 – Academia Fluminense de Letras

2025 – Célio Erthal Rocha

 

Uma tradição que se renova

O Título de Intelectual do Ano é mais do que uma lista de nomes: é um testemunho da vitalidade cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. É a prova de que, mesmo diante das adversidades, a cultura resiste e se reinventa. A cada novo homenageado, reafirma-se o compromisso com a valorização do saber e da arte, com a preservação da memória e com a construção de um futuro mais consciente e mais humano.

Ao longo de sua trajetória, a honraria tornou-se um espelho da sociedade fluminense, refletindo suas inquietações, suas conquistas e seus sonhos. E, ao projetar o reconhecimento sobre os intelectuais, projeta também a esperança de que a cultura continue a ser o alicerce de uma sociedade mais justa e mais solidária. 

O percurso do Título Intelectual do Ano é, em si, um retrato da resistência e da vitalidade da cultura fluminense. Ao longo de quase quatro décadas, a honraria construiu uma galeria de nomes que representam não apenas trajetórias individuais, mas também o esforço coletivo de manter viva a chama da arte, da literatura, da ciência e da reflexão crítica. Ser agraciado com o título significa inscrever-se em uma tradição que transcende o tempo e reafirma a cultura como patrimônio essencial da sociedade. Mais do que uma distinção, é um chamado à responsabilidade de continuar produzindo, inspirando e transformando. Ao passar pelas mãos do Grupo Mônaco de Cultura, do IFEC e da Academia Fluminense de Letras, o prêmio mostra sua capacidade de se renovar sem perder o vínculo com sua origem. Assim, o Intelectual do Ano permanece como símbolo de reconhecimento e esperança, lembrando-nos que, em cada geração, haverá sempre aqueles que, com sua obra e sua dedicação, iluminam os caminhos da coletividade e reforçam o papel da cultura como fundamento da vida social.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




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