Alberto Albuquerque Silva do Valle ou simplesmente Alberto Valle foi um homem que transformou sua vida em obra. Mestre das artes, da palavra e do pensamento, deixou marcas que permanecem vivas na memória cultural fluminense. Sua trajetória não se resume a títulos ou cargos: ela se revela na generosidade com que ensinava, na paixão com que escrevia e na intensidade com que se dedicava à cultura.
Professor de desenho, artes industriais e educação artística, Alberto formou gerações que aprenderam a enxergar o mundo com sensibilidade. Poeta de alma inquieta, ofereceu versos que celebram a beleza e a harmonia da vida, como no poema Quando Tu Passas, em que a natureza se curva diante da presença humana inspiradora. Jurista, conferencista e homem de letras, foi também cidadão comprometido com sua terra, participando ativamente das academias literárias e culturais de Niterói e Gonçalves.
Sua obra publicada – Mosaico (1975), Decálogo (1983), Coroa de Espinhos – A Via Sacra (1994) e a biografia Lili Leitão – O Poeta de Niterói (1988) – é testemunho de uma mente múltipla, capaz de transitar entre poesia, reflexão e história. Cada livro é um convite à contemplação e à permanência da arte como força vital.
O Focus Portal Cultural, dirigido pelo jornalista Alberto Araújo, ao trazer à tona a série Ecos do Parnaso, reafirma a importância de preservar vozes que não se apagam. E entre essas vozes, a de Alberto do Valle ressoa com intensidade singular. Sua presença continua viva nos versos, nas aulas, nos encontros literários e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Celebrar Alberto do Valle é reconhecer que a cultura é feita de homens que se dedicam a iluminar caminhos. É afirmar que sua voz permanece, ecoando como canto de pássaros, como murmúrio de regatos, como aplauso da natureza. É compreender que sua vida foi, acima de tudo, um gesto de amor à arte e ao conhecimento.
Este quadro ECOS DO PARNASO – VOZES QUE NÃO SE APAGAM presta tributo a um artista que soube transformar sua existência em legado. Alberto do Valle não é apenas lembrança: é presença que se renova a cada leitura, a cada homenagem, a cada memória que o traz de volta.
ALBERTO
ALBUQUERQUE SILVA DO VALLE
UM
ARTISTA MÚLTIPLO DA CULTURA FLUMINENSE
Quando
Tu Passas
Alberto Valle
Quando
tu passas inspirando amores,
Com
teu riso a ecoar pelos caminhos,
Emudecem
os pássaros cantores
E
um súbito silêncio envolve os ninhos.
Quando
tu passas cessam os rumores;
As
roseiras escondem seus espinhos;
Curvam-se
em teu louvor todas as flores
E a leve brisa envolve-te em carinhos.
Quando tu passas ficam murmurando
Os
regatos que vão te acompanhando,
Tua
imagem as águas refletindo.
Quando
tu passas nuvens se diluem;
As
lágrimas aos olhos não mais fluem,
E
a natureza vibra te aplaudindo.
Alberto Albuquerque Silva do Valle nasceu em Niterói, no dia 21 de setembro de 1920. Desde cedo, sua vida esteve marcada pela disciplina e pelo amor ao conhecimento. Cursou o primário no Grupo Escolar Pinto Lima e no Colégio Salesiano Santa Rosa, instituição em que também concluiu o ginasial e se formou em Ciências e Letras. Essa base sólida de educação clássica moldou sua sensibilidade e abriu caminho para uma trajetória intelectual que se estenderia por décadas.
Na Faculdade de Direito de Niterói, colou grau de bacharel, iniciando sua carreira jurídica. Exerceu a advocacia em Niterói e São Gonçalo, demonstrando não apenas competência técnica, mas também profundo senso de justiça e compromisso com sua comunidade.
A vida profissional de Alberto do Valle foi marcada pela diversidade. Trabalhou no Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), atuou como bancário entre 1947 e 1962 e, posteriormente, dedicou-se ao ensino. Lecionou História do Brasil, História Geral e Geografia em instituições como o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o Ginásio Orlando Rangel e o Ginásio Quintino Bocaiúva, todos em São Gonçalo.
Sua vocação como educador, porém, foi além das disciplinas tradicionais. Alberto foi professor de Desenho, Artes, História da Arte, Educação Artística e Artes Industriais, transmitindo aos alunos não apenas técnicas, mas também uma visão estética e cultural ampla. No Instituto Bittencourt Rosas, em São Gonçalo, e no Instituto Abel, em Niterói, deixou marcas profundas como mestre que unia rigor acadêmico e sensibilidade artística.
Se como professor Alberto iluminava mentes, como poeta ele tocava corações. Sua obra literária revela um espírito inquieto e contemplativo. Publicou livros como Mosaico (1975), Decálogo (1983), Coroa de Espinhos – A Via Sacra (1994) e a biografia Lili Leitão – O Poeta de Niterói (1988). Cada obra é testemunho de sua capacidade de transitar entre poesia, reflexão filosófica e narrativa histórica.
No poema Quando Tu Passas, Alberto revela sua sensibilidade ímpar: a natureza se curva diante da presença humana, os pássaros silenciam, as flores se inclinam, os regatos murmuram. É uma poesia que celebra a vida e a beleza, transformando o instante em eternidade.
Alberto do Valle não se limitou ao espaço da sala de aula ou às páginas dos livros. Foi oficial da reserva do Exército, funcionário federal aposentado, chargista e conferencista. Participou ativamente de instituições culturais:
Ocupante da Cadeira 38 da Academia Fluminense de Letras, Classe de Letras – Patrono-Fundador: Lacerda Nogueira. Ocupantes: Godofredo Tinoco, Ayrton Pinto Ribeiro, Luiz Carlos de Albuquerque Santos, o atual é Elias da Rocha Gonçalves. Ocupante da Cadeira 40 da Academia Niteroiense de Letras - Patronímica de Alfredo Gustavo Pujol tendo como ocupantes: Ramon Benito Alonso, Élio Monnerat Solon de Pontes, Hugo Grei Tavares, atual William Douglas Resinete dos Santos e da Cadeira 24 do Cenáculo Fluminense de História e Letras – Patrono Adolfo Warnhagen e atualmente está vaga. Também membro da Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências que foi fundada em 20 de janeiro de 1987.
Recebeu títulos e homenagens, como o de Cidadão Benemérito de Niterói, além de distinções concedidas por entidades culturais e artísticas. Sua atuação como intelectual e cidadão fez dele uma referência na vida cultural fluminense, alguém que soube unir erudição e compromisso social.
A memória de Alberto do Valle não se restringe às homenagens literárias e acadêmicas. Em 2011, a Câmara Municipal de Niterói aprovou a Lei nº 343, sancionada pelo prefeito Jorge Roberto da Silveira, que deu à atual Rua 004, no bairro do Centro, o nome de Rua Alberto Albuquerque Silva do Valle.
Esse gesto simbólico perpetua sua presença na cidade que o viu nascer e crescer. Mais que uma homenagem, é um reconhecimento da importância de sua trajetória para a cultura e a história de Niterói. O projeto de lei, de autoria do vereador Leonardo Giordano, inscreveu seu nome no espaço urbano, garantindo que sua memória continue viva no cotidiano da cidade.
A vida de Alberto do Valle é exemplo de como a cultura se constrói na soma de talentos múltiplos. Ele foi advogado, professor, poeta, desenhista, conferencista, cidadão ativo e intelectual comprometido. Sua obra literária e sua atuação cultural permanecem como testemunho de uma existência dedicada à arte e ao conhecimento.
O quadro Ecos do Parnaso – Vozes que não se Apagam celebra justamente essa permanência. Alberto do Valle não é apenas lembrança: é presença que se renova a cada leitura de seus versos, a cada memória evocada por seus alunos, a cada homenagem que lhe é prestada. Sua voz continua ecoando, como ecoam os pássaros, os regatos e as flores em sua poesia.
Alberto Albuquerque Silva do Valle foi um homem que soube transformar sua vida em legado. Sua trajetória atravessa o tempo e permanece como referência para a cultura fluminense. Ao receber o nome de uma rua em Niterói, sua memória se inscreve no espaço da cidade, tornando-se parte da paisagem urbana e da história coletiva.
Celebrar Alberto do Valle é celebrar a força da cultura como elemento vital da sociedade. É reconhecer que há homens cuja presença não se apaga, porque se renova em cada gesto, em cada palavra, em cada obra. Alberto do Valle é um desses homens.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
MENSAGENS
A Acadêmica e escritora Uyara Schiefer disse: Parabéns, prezado Alberto Araújo pela excelência do texto sobre o intelectual e cidadão niteroiense Alberto Valle. Uma das personalidades mais importantes de nossa cidade. Abraços Uyara.
*****************
Prezada companheira Uyara Schiefer, agradeço imensamente suas palavras generosas sobre meu texto dedicado ao intelectual e cidadão niteroiense Alberto Valle. É sempre motivo de orgulho destacar presenças que marcaram nossa cidade com sua trajetória e legado. Soube, por intermédio do Diretor de Acervo da Câmara Municipal de Niterói, o estimado historiador Rubens Carrilho, que o Salão Nobre daquela Casa Legislativa leva o nome de Alberto Valle, o que reforça a dimensão de sua importância para Niterói. Vale lembrar que ele recebeu o Título de Cidadão Benemérito de Niterói, uma das mais altas honrarias concedidas pela Câmara, reconhecimento que traduz o respeito e a gratidão da cidade por sua contribuição intelectual e cidadã. Alberto Valle permanece como uma personalidade de referência, cuja memória inspira e dignifica nossa história coletiva. Muito obrigado minha adorável amiga. Abraços, Alberto Araújo.

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário