quinta-feira, 24 de setembro de 2026

CICLO “CARTAS NA MESA” ENCERRA COM CORRESPONDÊNCIAS DE GRACILIANO RAMOS

Na conferência que encerra o ciclo “Cartas na Mesa”, dedicado a correspondências de escritores como Mário de Andrade, Clarice Lispector, Monteiro Lobato e Machado de Assis, o professor da USP e pesquisador Thiago Mio Salla analisará as realizações literárias de Graciliano Ramos. Para isso, recorrerá ao livro Correspondência[no prelo], resultado de um esforço de pesquisa de mais de dez anos em diferentes acervos brasileiros. 

A conferência “Correspondência de Graciliano Ramos” será no dia 29 de setembro, às 16h, com entrada franca. A coordenação é do Acadêmico Godofredo de Oliveira Neto e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/correspondencia-de-graciliano-ramos-774765/ 

A palestra também será transmitida pelo canal de Youtube da ABL: https://www.youtube.com/live/r_dyQ7WmoXA?si=OXrSPZaFfQ04aNYj

O pesquisador discorrerá sobre as circunstâncias histórias em que Graciliano viveu, suas relações afetivas e intelectuais, sem deixar de lado a análise do estilo a um só tempo terno e autoirônico consagrado por ele nesses textos que revelam o rigor ético e estético de sua prosa consagrada.

Segundo Thiago, em 1980, foi publicado o volume Cartas, contendo correspondências enviadas por Graciliano Ramos (1892-1953) para um amigo e para diversos familiares, sobretudo para Heloísa, inicialmente sua noiva e depois sua segunda esposa. Apenas em 2008, veio a público a edição das cartas do autor de Vidas Secas a seus tradutores argentinos Benjamín de Garay e Raúl Navarro. 

“Ambos os volumes somados reúnem cerca de 133 documentos, mas deixam de fora um conjunto numericamente equivalente expressivo de cartas e telegramas inéditos, trocados por Graciliano com escritores, críticos, artistas, editores, burocratas. Assim como as correspondências trocadas com outros tradutores de sua obra e ainda com pessoas de seu círculo mais íntimo”, destacou. 

SOBRE THIAGO MIO SALLA 

Bacharel e doutor em Ciências da Comunicação e em Letras pela USP. Enquanto docente e pesquisador da Escola de Comunicações e Artes da USP e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, dedica-se às áreas de Literatura Brasileira, Teorias e Práticas da Leitura e Editoração. 

Entre outros trabalhos, publicou os livros Garranchos – Textos inéditos de Graciliano Ramos (Record, 2012), Graciliano Ramos e a Cultura Política (Edusp, 2016; vencedor do prêmio ABEU na categoria Ciências Sociais e da Expressão e finalista, nesse mesmo ano, dos prêmios da Biblioteca Nacional e Jabuti), bem como, em parceria com Ieda Lebensztayn, as obras Cangaços (Record, 2014), Conversas (Record, 2014) e O Antimodernista (Record, 2022).

Em 2022, esteve à frente da publicação de Naturalistas (Edusp), segundo volume da coleção Multiclássicos, obra monumental que reúne seis romances enquadrados na estética que nomeia o conjunto. No momento, coordena a edição da obra completa de Graciliano Ramos pela editora paulistana Todavia.

 

© Alberto Araújo

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ALIANZA CEIBO VENCE O PRÊMIO GULBENKIAN PARA A HUMANIDADE 2026


A Alianza Ceibo é a grande vencedora do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade 2026. Formada pela união das nações indígenas A’i Kofán, Siekopai, Siona e Waorani, a organização atua há mais de dez anos na linha de frente da preservação ambiental, defendendo os territórios ancestrais da Amazônia, a justiça climática e os direitos fundamentais dos Povos Indígenas.

 

Contemplada com a honraria no valor de um milhão de euros, a iniciativa utilizará os recursos para consolidar e expandir suas ações estratégicas na América do Sul. A meta central é reforçar a proteção de mais de dois milhões de hectares de floresta tropical de altíssima biodiversidade, distribuídos entre o Equador, o Peru e a Colômbia.

 

Além de combater frontalmente o avanço da desflorestação e a exploração predatória de recursos naturais, a Alianza Ceibo investirá no bem-estar direto de suas populações. Os fundos serão aplicados em projetos essenciais de infraestrutura comunitária, garantindo o acesso contínuo à água potável e a implementação de sistemas de energia renovável para as comunidades locais.

 

© Alberto Araújo

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CONCERTO ROMÂNTICO DE CHOPIN


CONCERTO ROMÂNTICO DE CHOPIN

Uma noite inesquecível de pura emoção e alta arte ao piano solo. 

O pianista Júlio Enrique Gomez convida você para embelezar a sua noite com as melodias marcantes e a sensibilidade única das obras de Frédéric Chopin. Deixe-se levar pela música em uma atmosfera intimista e acolhedora. 

Data: Hoje, 23 de Setembro de 2026

Horário: 20h30min

Local: Palco dos 5 Sentidos (Rua Barão do Rio Branco, 438 - Centro, Curitiba - PR)

Couvert / Valor: R$ 35,00 por pessoa

Ingressos e Reservas: Acesse o site oficial do Palco dos 5 Sentidos e garanta o seu lugar!

 

Abraços musicais,

Júlio Enrique Gomez 


 

TRAILER DE “ELZA” REVELA ELZA SOARES NARRANDO A PRÓPRIA HISTÓRIA EM NOVO DOCUMENTÁRIO DIRIGIDO POR ERYK ROCHA

Filme percorre trajetória da cantora a partir de arquivos raros e registros feitos ao longo de oito anos; produção terá estreia mundial no Festival do Rio. 

É a voz de Elza Soares quem conta a própria história em “ELZA”, novo documentário dirigido por Eryk Rocha. O trailer, inédito, antecipa o tom do longa-metragem: inteiramente narrado na primeira pessoa. Com estreia prevista para os cinemas brasileiros ainda em 2026, o filme revisita a trajetória de uma das maiores artistas da música brasileira a partir de imagens inéditas, arquivos raros e conversas realizadas entre a cantora e o diretor ao longo de oito anos de filmagens. 

Elza revisita momentos marcantes de sua trajetória, revelando, com sua voz marcante, as diferentes fases de uma vida que atravessa quase um século e suas quase sete décadas dedicadas à música. O documentário parte da artista consagrada para chegar também à mulher por trás do ícone, acompanhando suas transformações, desafios, perdas, conquistas e reinvenções. 

A voz de Elza Soares é elemento central de “ELZA”. Ao longo do processo de filmagem, Eryk Rocha acompanhou a cantora durante seus últimos anos de vida e registrou conversas que agora se somam a materiais de arquivo para construir um retrato íntimo e profundo de Elza Soares, tendo a música como fio condutor. 

O documentário terá sua estreia mundial na Première Brasil do Festival do Rio, no próximo mês. 

“ELZA” é uma produção da Aruac Filmes e Maria Farinha Filmes, com coprodução Globo Filmes e GloboNews. A distribuição é da Gullane+ e da Maria Farinha Filmes. O filme conta com o apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da Spcine, e Itaú Cultural e foi realizado com recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), em articulação com o Sistema Nacional de Cultura, e com investimento do Fundo Setorial Audiovisual e apoio institucional do Ministério da Cultura e da ANCINE. 

Sobre “ELZA” 

Com sua voz radical, improvisação visceral e rouquidão inconfundível, Elza Soares criou uma linguagem única e atravessou gerações se reinventando como uma das maiores artistas do Brasil. No documentário que carrega seu nome, Elza é narradora de si mesma, tecendo um diário que une memórias, desejos e reflexões a partir da música, em confluência com filmes brasileiros históricos. Através de Elza e seu quase um século de vida, o filme revela a radiografia de um país em ebulição. A mulher do fim do mundo cantou até o fim.

Sobre Aruac Filmes

A ARUAC FILMES, fundada em 2002, uma produtora independente brasileira que atua em obras performáticas e cinematográficas com foco em narrativas autorais, decoloniais e indígenas. Reconhecida por excelência artística e compromisso com questões sociais urgentes, Aruac produz as obras de realizadores renomados como Eryk Rocha, Paula Gaitán e Gabriela Carneiro da Cunha.

Com uma longa e consistente atuação no mercado audiovisual, teve seus filmes distribuídos comercialmente em cinemas do Brasil e outros países. Além dos principais festivais de cinema do Brasil, teve seus filmes selecionados em festivais internacionais de grande importância, como Cannes, Berlinale, Veneza, Telluride, IDFA e Rotterdam, Sundance, BAFICI, Locarno, New Directors/New Movies, MoMA, e Tribeca, Guadalajara, CPH:DOX, Havana, DMZ Docs, Doc NY e recebeu mais de 200 prêmios ao longo dessa trajetória, entre eles o prêmio de "L'oeil d'Or" de melhor documentário no Festival de Cannes com o filme “CINEMA NOVO” (2016). 

Em 2024, a “A Queda do Céu” teve sua estreia mundial em Cannes na Quinzaine dos Realizadores - uma coprodução com França e Itália', filme baseado na obra literária homônima do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, e do antropólogo francês Bruce Albert e com direção de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha. O filme circulou mundialmente recebendo mais de 30 prêmios internacionais. 

Em produção para TV, já realizou séries e programas em parceria com o Canal Brasil, Canal Curta!, GloboNews, TV SESC e CineBrasil TV. Seus filmes também estão presentes nas principais plataformas de streaming, como Netflix, Amazon Prime Video, Dafilms e GloboPlay.

Sobre Maria Farinha Filmes 

A Maria Farinha Filmes é uma empresa líder em entretenimento de impacto na América Latina, focada em criar histórias inspiradoras que emocionam e engajam grandes audiências. Com mais de 50 produções e 18 anos de experiência, a produtora com sede no Brasil, se destaca por produções aclamadas, como a série “Aruanas” (Globo), vista por 35 milhões de pessoas por episódio, e a franquia de documentários “O Começo da Vida 1 e 2″ (lançada globalmente no Netflix), que desencadeou um movimento envolvendo mais de 100 parceiros ao redor do mundo, juntando organizações e marcas. 

Em 2024, a Maria Farinha Filmes expandiu sua atuação global com a criação da MFF & CO, um estúdio internacional de entretenimento com sede em Los Angeles. Miura Kite, ex-Participant Media, atua como Presidente de Conteúdo Global da MFF & CO. No mesmo ano, a MFF & CO adquiriu uma participação na Violet Films, produtora sediada em Londres e quatro vezes indicada ao Oscar®, fundada pela cineasta vencedora do Oscar® Joanna Natasegara.



terça-feira, 22 de setembro de 2026

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS RECEBE A CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO DO CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA DA UBE-RJ

No dia 21 de setembro de 2026, segunda-feira, a histórica sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, foi palco de mais uma celebração da literatura nacional e internacional com a realização da cerimônia de premiação do Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ). 

A mesa de honra da solenidade foi composta por expressivas personalidades do meio literário e cultural: a Vice-Presidente da UBE-RJ e Vice-Presidente Mundial Cultural da Rede Sem Fronteiras, Ana Maria Tourinho; a coordenadora do concurso, Professora Isis Proença; a Diretora Jurídica da Instituição Matilde Carone Slaibi Conti; além das ilustres Eurídice Hespanhol e Ângela Guerra. A presença das consagradas líderes conferiu ainda mais prestígio e brilho à cerimônia na Academia Brasileira de Letras. 

O evento foi brilhantemente coordenado e organizado pela Diretora de Concursos Isis Proença, acompanhada pela secretária Vera Regina, Eurídice Hespanhol e pela Vice-presidente da Instituição, Ana Maria Tourinho. 

A solenidade teve início com um minuto de silêncio em respeito e homenagem à escritora e colaboradora dos concursos Jaci Leonor Simões de Castro e à poeta Thereza Christina Rocque da Motta.

A condução dos trabalhos ficou a cargo da Vice-Presidente da UBE-RJ e Vice-Presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, Ana Maria Tourinho. Com sua “finesse” habitual, postura refinada e delicadeza marcante, virtudes que a têm feito se destacar amplamente no meio cultural, presidiu a cerimônia com impecável elegância e maestria. 

Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, a abertura destacou a relevância histórica do Concurso Internacional de Literatura, promovido anualmente pela UBE-RJ, alternando a avaliação entre obras inéditas e publicadas. 

Nesta edição, foram analisados livros editados nos anos de 2024 e 2025, submetidos ao criterioso julgamento de uma comissão composta pelos escritores Sonia Plácido, Marcella Giannini, Maria Helena Nina, Nádia Farage, Ivan C. Proença e Roberto Petti Pinheiro, aos quais a instituição registrou especial agradecimento pelo rigoroso trabalho realizado. 

A premiação contemplou diversos gêneros literários, reafirmando a pluralidade da produção contemporânea: 

Crônicas - Prêmio Maria Heloísa Penteado: O primeiro lugar foi concedido a Viviane Ferreira Santiago pela obra Espaços que Contam Histórias: Crônicas do Largo da Sé. Regina Guimarães conquistou o segundo lugar com A Folha da Samambaia, enquanto Perpétua Amorim recebeu a terceira colocação por Falas Azuis. A Menção Honrosa foi entregue a Ronaldo Dória Júnior por Martírio Diário. 

Ensaio  - Prêmio Paulo Freire: Teve como vencedor Edson Iura, autor de Em Volta do Lago: Antologia de Haicais Japoneses Comentados. Em segundo lugar ficaram Andrei Cunha e Meiko Shimon, com História da Literatura Clássica Japonesa, e em terceiro, Neide Hissae Nagae e Fernando Carlos Chamas com Tosa Nikki: O Diário de Tosa. Receberam Menções Honrosas Patrícia Neves, Eliana Bueno Ribeiro, Mabel Knust Pedra e Fábio Akamine. 

Contos - Prêmio Mário de Andrade: Gustavo Alkmim foi o grande vencedor com A Culpa Deve Ser do Sol. A Menção Honrosa coube a Sylvio Massa de Campos pela obra Des~contos Bem Contados. 

Infantil - Prêmio Stella Leonardos: Distinguiu O Vendedor de Palavras, de Luiz Otávio Oliani, com o primeiro lugar. Pedro Peloso conquistou a segunda posição com O Sapo-Foguetinho, seguido de Bebel Ritzmann, terceira colocada com A Família Arretada da Mel, Tchê!. 

Infantojuvenil - Prêmio Professora Maria Antonia da Costa Lobo: Tatiana Alves recebeu o primeiro lugar por Sob a Bênção da Lua. André Kondo obteve o segundo lugar com O Silêncio de Kazuki e José Alexandro de Araújo Nascimento o terceiro com O Coelho da Colina. Foram concedidas Menções Honrosas a Liniane Haag Brum, Thoshio Katsurayama e Henriette Effenberger.

Infantojuvenil - 12 a 18 anos – Poesia - Prêmio Cecília Meireles: A jovem escritora Isabela Daher Marques recebeu Menção Especial com o livro Faces de Mim. 

Poesia - Prêmio Marcus Vinicius Quiroga: André Kondo conquistou mais uma distinção, garantindo o primeiro lugar com Cantigas de Ninar Pedras. Marcelo Mourão ficou em segundo lugar com Union, e Reneu do Amaral Berni em terceiro com Haicais Sazonais Brasileiros Ilustrados. Ascensión Chanqués recebeu Menção Especial, enquanto Júlio Polidoro e Eliana Zandonade foram agraciados com Menções Honrosas. 

Romance - Prêmio Júlia Lopes de Almeida: Consagrou Bebel Ritzmann com a obra A Vida em Ponto Cruz Contado. Otacílio Monteiro conquistou o segundo lugar com Pau Para Toda Obra, seguido de Simone Athayde, terceira colocada por O Chão Sobre as Águas. Renato Moura recebeu Menção Especial, e Paulo Azevedo, Geny Teodoro de Assis e Cris Dakinis foram reconhecidos com Menções Honrosas.

Trova - Prêmio Luiz Otávio: Foi concedida Menção Especial a Abílio Kac pela obra Trovamando Lírica e Filosoficamente. Impossibilitado de comparecer, o escritor foi representado na cerimônia pela acadêmica Nina Fernandes, convidada especialmente para receber a homenagem em seu nome. 

Ao final da solenidade, ficou evidente que a literatura continua sendo um espaço de encontro entre diferentes culturas, gerações e olhares. Os livros premiados demonstraram a riqueza temática da produção contemporânea, conduzindo os presentes por paisagens brasileiras e japonesas, reflexões sociais urgentes, universos poéticos, narrativas infantis imaginativas e romances profundamente humanos. 

Eventos como este ultrapassam o significado de uma simples cerimônia de entrega de prêmios. São, sobretudo, espaços de legitimação da produção literária, de encontro entre gerações de escritores, de fortalecimento da cultura e de preservação da memória intelectual brasileira. Ao reunir autores, acadêmicos, críticos, jurados e representantes das mais diversas instituições culturais, o Concurso Internacional de Literatura da UBE-RJ reafirma sua importância como uma das mais significativas iniciativas de valorização da escrita e do pensamento em língua portuguesa.

O êxito desta edição refletiu também o trabalho criterioso de sua coordenadora e organizadora, a Professora Isis Proença, cuja reconhecida competência, sensibilidade cultural e dedicação permitiram a realização de uma solenidade marcada pela excelência. Com habilidade singular na condução dos preparativos e na articulação de cada etapa do evento, Isis Proença reuniu um seleto grupo de personalidades das letras e da cultura, escolhidas com rigor e elevado senso institucional, contribuindo para que a programação transcorresse de forma harmoniosa, elegante e plenamente exitosa. 

Em uma tarde dedicada à celebração da literatura, a Academia Brasileira de Letras transformou-se em um verdadeiro palco de reconhecimento, onde o talento encontrou acolhida, a cultura encontrou voz e os livros encontraram seus merecidos protagonistas. Ao final da cerimônia, permaneceu entre todos a certeza de que investir na literatura é investir na formação humana, na preservação da identidade cultural e na construção de um futuro mais sensível, crítico e consciente.

Assim, a UBE-RJ cumpre, mais uma vez, sua missão de estimular, difundir e honrar a produção literária, mantendo viva a chama da criação artística e fortalecendo os laços que unem escritores e leitores em torno da palavra. E, como tão bem expressou o espírito desta celebração, que a escrita continue sendo, para todos nós, o chão sobre as águas. 

Créditos das fotos: Marcos Alves

© Alberto Araújo

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(vídeo das fotos)



VIA-LÁCTEA – OLAVO BILAC - DECLAMAÇÃO: SITE MUNDO DOS POEMAS



 

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...

 

 E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 

                                                     (Poesias, Via Láctea, 1888.)




 

O DESPERTAR DA VARANDA: A PRIMAVERA QUE CHEGA AO TERCEIRO ANDAR - CRÔNICA © ALBERTO ARAÚJO

 

Há na arquitetura do tempo certas fronteiras invisíveis que nos interpelam sobre a efemeridade e a insistência do ser. O equinócio não é mera cifra astronômica ou dado de calendário; é o exato ponto de inflexão em que o cosmos redimensiona a luz e a sombra, suspendendo o mundo por um breve instante de balanço ontológico. Hoje, dia 22 de setembro, às 21h05min, a estação mais colorida do ano cruza oficialmente esse limiar temporal. Mas aqui do alto do meu terceiro andar em Icaraí, a promessa da primavera recusa a subordinação ao relógio. Ela se antecipa como uma intuição metafísica, anunciando-se na consistência morna do ar, na modulação oblíqua da luz sobre a alvenaria e, sobretudo, nessa persistência irredutível da physis que teima em brotar, desafiando a lógica estéril do asfalto e do concreto.

 

Mirando a rua lá embaixo, a perspectiva se transfigura em cartografia urbana e existencial. Icaraí pulsa com seu ritmo sincopado, uma sinfonia metropolitana embalada pelo trânsito da Ary Parreiras e da Avenida Alberto Francisco Torres, pontuada pelo murmúrio atemporal das ondas que lambem a orla. Contudo, contemplada desta altura intermediária, a calçada redime-se em poesia. Os ipês e as amendoeiras que estruturam o relevo do bairro ensaiam uma coreografia silenciosa, preparando suas copas para a eclosão cromática que converterá o cinismo do cinza em texturas impressionistas de amarelo, roxo e rosa.

 

A primavera que se instaura nesta noite transcende o fito puramente estacional; constitui-se como um imperativo categórico à alegria. Se o inverno atua como força centrípeta, encolhendo os corpos, amortecendo os passos e sepultando os sorrisos sob a rigidez dos casacos e o sopro gélido do oceano, a primavera opera como abertura irrestrita. Foi esse chamamento que me compeliu a escancarei a varanda. Deixei que a brisa vespertina invadisse o espaço trazendo consigo o hibridismo olfativo da terra úmida e da maresia visceral de Niterói.

 

Olhando para o jardim da Shirley na varanda, contemplo o milagre cotidiano em sua manifestação mais sincera. Ali, o vaso de primavera, a bougainville que parecia adormecida em seu silêncio invernal, ostenta agora suas primeiras brácteas vibrantes, quais estandartes coloridos a saudar a festa iminente. A natureza desconhece a pressa, mas jamais abdica de seu desígnio. Ela nos legado a mais bela lição filosófica: por mais rigoroso, austero e aparentemente infindável que tenha sido o inverno, seja ele climático ou existencial, subsiste em nós uma força interior irredutível que nos impele inexoravelmente ao recomeço.

 

Festejar a primavera a partir do terceiro andar é exercitar uma fenomenologia da esperança. É reconhecer que, mesmo sob o império da técnica, dos prédios espelhados e da urgência contemporânea, a beleza nos intercepta à revelia. Basta o refinamento do olhar para flagrar a renovação nos interstícios do real: no sobressalto límpido do canto dos bem-te-vis ao alvorecer, na cadência cromática das vestes de quem caminha apressado no plano térreo, na respiração que subitamente se desata e se faz leve.

 

Quando o relógio marcar 21h05min e o equinócio se consumar no zênite, farei um brinde silencioso ao alto, ao asfalto e a este mirante particular. Que venha a estação das flores, da dilatação dos dias, da porosidade dos afetos e da alegria irrefreável. O concreto ao redor impõe sua dureza, mas a vida,  ah, a vida, persiste em sua insubstituível teimosia de florir.

 

© Alberto Araújo

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