Algumas
conversas acontecem. Outras permanecem. O encontro do Focus Portal Cultural com
o professor Dr. Raymundo Nery Stelling Junior pertence a esta segunda
categoria. Não apenas pela extensão de sua trajetória ou pela relevância dos
cargos que ocupou ao longo de décadas de dedicação à educação e à cultura, mas
pela rara oportunidade de ouvir alguém que transformou conhecimento em serviço,
convivência em aprendizado e experiência em sabedoria.
Em uma
época marcada pela velocidade das opiniões e pela efemeridade das referências, o
professor Stelling surge como uma presença singular no cenário fluminense.
Educador, gestor, historiador, jornalista, dirigente de instituições
representativas, incentivador da cultura, defensor da inclusão e dos direitos
humanos, ele reúne atributos que dificilmente se encontram em uma única personalidade
pública.
Sua
trajetória é marcada pela competência intelectual, mas também por algo que os
currículos não registram: a elegância do espírito. Há em sua forma de dialogar
uma distinção natural, uma gentileza cultivada ao longo da vida e uma capacidade
de ouvir que remetem à melhor tradição humanista. Trata-se de uma presença cuja
formação acadêmica é vasta, mas cuja dimensão humana talvez seja ainda maior.
Ao longo
dos anos, o professor Raymundo Stelling consolidou-se como uma das vozes mais
respeitadas da educação fluminense. Sua atuação atravessa instituições de
ensino, conselhos, movimentos educacionais, entidades culturais e espaços de
formulação de políticas públicas. Em todos eles deixou marcas de equilíbrio,
responsabilidade, profundo senso ético e permanente disposição para construir
pontes.
Não por
acaso, tornou-se referência para diferentes gerações de educadores. Seu
pensamento dialoga simultaneamente com a tradição e com os desafios
contemporâneos. Fala da valorização do magistério sem perder de vista a
inovação. Defende a inclusão sem abrir mão da excelência. Reflete sobre
inteligência artificial, tecnologia e futuro sem abandonar os valores humanos
que considera indispensáveis para a construção da família e uma sociedade mais
justa.
Nesta
entrevista exclusiva, os leitores encontrarão muito mais do que opiniões sobre
educação. Encontrarão a visão de um intelectual que compreende a cultura como
instrumento de transformação, a escola como espaço de construção da cidadania e
o conhecimento como uma das mais nobres formas de serviço à coletividade.
Receber o
professor Raymundo Stelling foi, para o Focus Portal Cultural, uma experiência
enriquecedora. Suas respostas revelam a maturidade de quem dedicou a vida ao
ensino, a sensibilidade de quem compreende a importância da cultura e a
serenidade de quem jamais perdeu a confiança no ser humano.
Convidamos
nossos leitores a conhecer, nas páginas a seguir, o pensamento de uma
personalidade que honra a vida intelectual fluminense e que continua a exercer,
com notável discrição, refinamento e grandeza, sua missão de educar, inspirar e
servir.
Com vocês,
o professor Dr. Raymundo Nery Stelling Junior.
ENTREVISTA
1 - Sua trajetória reúne formação
em Educação, Administração, Gestão da Qualidade e Science Education. Como essas
diferentes áreas dialogam em sua atuação profissional?
Resposta: Elas propiciam abrangência de avaliação e,
consequentemente, maior pertinência para os devidos encaminhamentos
necessários.
2 - O que o motivou a dedicar sua
vida à educação pública e às causas educacionais?
Resposta: Sou grato a Deus por, desde jovem, sentir esta
vocação, reforçada pelo exemplo de minha mãe, professora Maria de Lourdes
Calheiros Stelling, e pelos bons mestres que tive durante minha formação.
3 - Ao longo de décadas de
atuação, quais foram os momentos mais marcantes de sua carreira?
Resposta: Aqueles nos quais pude efetivamente colaborar para
que diversos alunos conseguissem superar dificuldades acadêmicas.
4 - Quais mestres ou referências
intelectuais mais influenciaram sua visão sobre educação e sociedade?
Resposta: Minha mãe, professora Maria de Lourdes Calheiros
Stelling, bons mestres e minha ligação com os valores católicos romanos.
5 - Como o historiador, o
jornalista e o educador convivem dentro de Raymundo Stelling?
Resposta: Complementam-se e somam-se para a definição de meus
conceitos e metas de vida.
6 – Como você avalia o atual
cenário da educação pública brasileira?
Resposta: Extremamente desafiador, exigindo imensa
responsabilidade de todos os agentes que nela atuam.
7 - Quais são hoje os maiores
desafios enfrentados pelos professores nas redes públicas de ensino?
Resposta: Entre tantos, ressalto a falta de reconhecimento
financeiro desta estratégica carreira, bem como a violência que envolve a
sociedade.
8 - O Brasil tem conseguido
avançar na valorização do magistério?
Resposta: Infelizmente não, embora haja a séria luta de
diversas forças e representações, como a UPPES (União dos Professores Públicos
- Sindicato), posto que muito se fala, muito se debate, mas os resultados
presentes bem demonstram o quadro caótico existente.
9 - Que mudanças você considera
urgentes para melhorar a qualidade da educação básica?
Resposta: Prioritariamente, resgatar a dignidade da carreira
do magistério.
10 - Em sua avaliação, como a
tecnologia pode contribuir para reduzir desigualdades educacionais?
Resposta: Se utilizada com planejamento e seriedade,
possibilita diversas vantagens, como o acesso muito maior a fontes de
informação, por exemplo. Ressalto, porém, que deve ser aplicada com ética.
11 - O que ainda falta para que a
educação seja realmente tratada como prioridade nacional?
Resposta: Que as autoridades, em todos os níveis, e a
própria sociedade como um todo entendam que os recursos destinados à área
educacional devem ser entendidos como investimentos, e não custos.
12 - Como você vê os impactos da
inteligência artificial no ambiente escolar?
Resposta: Muito desafiadores, se tal temática não for
encarada com a devida preparação, ética e entendimento por parte daqueles que
irão utilizá-la.
13 - Como Presidente da Comissão
de Inclusão e Diversidade do Conselho Estadual de Educação, quais têm sido suas
principais bandeiras?
Resposta: A inclusão e o respeito à diversidade.
14 - O que significa, na prática,
construir uma escola inclusiva?
Resposta: Construir um ambiente real no qual todos se sintam
incluídos, respeitando-se toda a diversidade de situações.
15 - As redes de ensino estão
preparadas para atender estudantes com necessidades específicas?
Resposta: Encontram-se aquém dessa capacidade, infelizmente.
16 - Como a tecnologia pode
auxiliar os processos de inclusão educacional?
Resposta: Colaborando para que o acesso aos saberes atenda
às especificidades dos alunos, que possuem o pleno direito de se sentirem
incluídos.
17 - Quais avanços você
identifica nos últimos anos em relação à educação inclusiva?
Resposta: Um maior movimento por parte da sociedade e de
políticas norteadoras.
18 - Que mensagem você deixaria
para gestores públicos que ainda enxergam a inclusão apenas como obrigação
legal?
Resposta: Lidamos com seres humanos que merecem nossa
absoluta atenção, sobretudo de nós, educadores.
19 – Você está há mais de 35 anos
atuando na UPPES. O que mudou no movimento sindical dos professores nesse período?
Resposta: A compreensão de que a luta política, no sentido
institucional, deve passar pelo acesso aos saberes, ao pleno diálogo e ao firme
e qualitativo planejamento de ações em prol da carreira e da educação.
20 - Qual é a importância de um
sindicato para o fortalecimento da educação pública?
Resposta: Muito grande, posto os permanentes desafios pelos
quais historicamente a carreira, que deveria ser a mais valorizada da
sociedade, passa, sobretudo lembrando que a escola pública possui, em sua
missão e alma, a universalidade de acesso.
21 - Como avalia os desafios
atuais enfrentados pelas entidades representativas dos trabalhadores da
educação?
Resposta: O empobrecimento da categoria, que obriga os
docentes a uma pesada carga de trabalho e, portanto, por vezes os impede de uma
participação mais ampla, bem como de perseguirem firmemente seus objetivos sem
a intromissão de interesses externos, como os político-partidários, entre
outros.
22 - Qual é o legado que pretende
construir à frente da UPPES durante a gestão 2024-2028?
Resposta: O de efetivo fortalecimento da nossa representação
sindical, da maior cobertura assistencial aos nossos filiados e seus familiares
e da promoção de qualificadas iniciativas educacionais.
23 - A UPPES vem ampliando sua
atuação para além da defesa corporativa. Como surgiu essa visão mais integrada?
Resposta: Da compreensão plena da importância da entidade no
universo educacional ao longo de mais de oito décadas de atuação compromissada
com a defesa da categoria e a promoção de uma educação séria e contemporânea ao
seu tempo.
24 - O que representa a criação
do Centro Integrado de Educação e Cultura para a categoria?
Resposta: Importantíssimo passo para a oferta, aberta à
categoria e à sociedade em geral, de um espaço no qual, com produção própria de
cursos, de parceiros ou mediante locação a terceiros, disponha de salas de aula
modernas, bem localizadas e equipadas, constituindo-se como opção para
iniciativas de formação, qualificação e capacitação.
25 - Qual a importância de
iniciativas como a Casa do Professor para o acolhimento dos educadores?
Resposta: Significa ofertarmos um espaço múltiplo, com
segurança, opções e ambiência de qualidade, colaborando para a qualidade de
vida de nossos filiados e seus familiares, bem como de seus convidados, nossos
parceiros e da sociedade em geral.
26 - Como sua experiência em
diferentes conselhos influenciou sua visão sobre políticas públicas
educacionais?
Resposta: O espaço dos coletivos nos permite debater, ouvir,
expor, dialogar e aprender, objetivando os melhores resultados em prol da
educação.
27 – Quando integrante do Comitê
Nacional de Educação em Direitos Humanos da Presidência da República (onde
representava a ABE - Associação Brasileira de Educação em Brasília por quatro
anos), qual o papel da escola na formação cidadã?
Resposta: Uma frase, creio, traduz a universalidade que a
temática nos reporta: "Respeito igual para todos!"
28 - Como a educação pode
combater a intolerância, a violência e a exclusão social?
Resposta: O conhecimento é transformador. Portanto, se for
disponibilizado de forma igualitária para todos, esses atos de violência à vida
não serão tolerados pelo conjunto da sociedade.
29 - O que significa promover os
direitos humanos dentro das salas de aula?
Resposta: Significa propiciar a todos os alunos igualdade de
oportunidades de acesso aos saberes e ao pleno diálogo na construção dos
mesmos.
30 - O Brasil precisa de um novo
pacto nacional pela educação?
Resposta: Precisa que a educação seja entendida como
investimento, e não como custo, por parte de todas as autoridades.
31 – Você também construiu uma
trajetória ligada à cultura, à literatura e às academias de letras. Como a
cultura transforma a educação?
Resposta: Durante oito anos fui Conselheiro Estadual de Cultura
do Rio de Janeiro e, nesse coletivo, presidia a Comissão de Educação Cultural,
percebendo cada vez mais a importância estratégica da cultura para o
enriquecimento dos processos formais e informais dos alunos e da sociedade.
32 - Qual a importância da leitura
na formação das novas gerações?
Resposta: Essencial, pois quem lê escreve e interpreta
melhor e "viaja" por um rico universo de narrativas e conhecimentos.
33 - O que o motivou a organizar
a Antologia IFEC de Poesias?
Resposta: A importância de colaborar, quando fui presidente
dessa referencial instituição, com o registro da rica produção literária
existente.
34 - Como você avalia o espaço
destinado à produção cultural nas escolas brasileiras?
Resposta: Educação e cultura são indissociáveis; portanto,
trata-se de espaço privilegiado no processo educacional.
35 - A poesia ainda pode ser uma
ferramenta de transformação social?
Resposta: Sem dúvida, pois colabora efetivamente para que a
dimensão do sentimento seja renovada e fortalecida constantemente na sociedade.
36 - Como foi sua experiência à
frente do IFEC e das homenagens concedidas a importantes intelectuais
brasileiros?
Resposta: Riquíssima, pois me senti honrado por poder, em
mais de duas décadas, homenagear personalidades, incentivar valores e promover
momentos de convivência cultural ímpares.
37 - Em recente palestra no
Rotary de Icaraí, presidido por Felipe Carvalho, você falou sobre "O
Resgate do Valor Humano". Por que esse tema é tão urgente nos dias atuais?
Resposta: Não podemos permitir que a humanidade se esqueça
de que a tecnologia, tão essencial e cada vez mais presente na atualidade,
possa superar aquilo que temos de maior valor, dado por Deus: o valor humano,
que nos torna dignos de nos identificarmos como humanidade.
38 - Que valores você considera
essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e solidária?
Resposta: Entre outros, ressalto: fraternidade, tolerância,
amor, serviço ao próximo e espiritualidade.
39 - O que ainda sonha realizar
em favor da educação e da cultura brasileiras?
Resposta: Peço a Deus que possa continuar, enquanto Ele
assim o permitir, a colaborar, ainda que modestamente, nessas duas áreas pelas
quais agradeço a Ele ter me permitido nascer e atuar de forma tão apaixonada.
40 - Se pudesse reunir em uma
única sala Darcy Ribeiro, Antonieta de Barros, Paulo Freire, Anísio Teixeira,
Maria Nilde Mascellani, Dermeval Saviani, José Carlos Libâneo, Fernando de
Azevedo, Florestan Fernandes e os educadores do século XXI, qual seria a principal
conversa que gostaria de promover entre eles sobre o futuro do Brasil?
Resposta: Como a escola pode, de fato, encontrar-se
plenamente capacitada para nossa missão de bem educar, participando da
construção de vidas.
41 - Durante sua presidência no
IFEC, você participou da consolidação do Título de Intelectual do Ano e da
Comenda IFEC de Cultura. Como nasceu essa iniciativa?
Resposta: O Título de Intelectual do Ano, que herdamos,
visava dar continuidade ao trabalho do Grupo Mônaco de Cultura, presidido pelo
nosso tão querido livreiro Carlos Mônaco. Acrescentamos a Comenda Cultural para
o fortalecimento e a justa e nobre homenagem a tão distintas personalidades.
42 - Qual era a sua principal
missão no IFEC ao promover homenagens a intelectuais, educadores, juristas,
artistas e personalidades da cultura brasileira?
Resposta: Colaborar para reforçar a importância do
reconhecimento de valores que nos exaltam enquanto sociedade e que, sobretudo,
servem como exemplos às novas gerações.
43 - Em sua opinião, por que a
sociedade precisa reconhecer e celebrar seus intelectuais em vida?
Resposta: Para que assim estejamos demonstrando quantos
exemplos altivos existem, permitindo à sociedade manter acesa a luz da
esperança em dias melhores para todos.
44 - O que representou para o
senhor a última edição do prêmio, realizada no Museu da Justiça de Niterói, em
dezembro de 2024?
Resposta: Representou a importância do reconhecimento do
trabalho empreendido por essa e nessa instância pública.
45 - O desembargador Nagib Slaibi
Filho foi o último agraciado com o Título de Intelectual do Ano concedido pelo
IFEC. Quais critérios levaram à sua escolha?
Resposta: O desembargador traz em sua história de vida três
vertentes excepcionais: a jurídica, a educacional e a cultural, razão pela qual
é digno de nosso reconhecimento.
46 - Como você avalia a
contribuição do desembargador Nagib Slaibi Filho para a vida intelectual,
jurídica e acadêmica do Brasil?
Resposta: Como salientei na resposta anterior, trata-se de
um digno representante que merece ser referenciado e que muito nos honrou ao
estar recentemente presente, juntamente com as igualmente reconhecidas
presidentes Matilde Conti e Márcia Pessanha, na inauguração do CIEC - Centro
Integrado de Educação e Cultura da UPPES.
47 - A partir de agora, a
honraria está sendo conduzida pela Academia Fluminense de Letras. Como você vê
essa transição?
Resposta: Mais que justa, posto ser uma centenária
instituição devotada à cultura e muito bem presidida pela presidente Márcia
Pessanha.
48 - Você acredita que
instituições culturais têm a responsabilidade de preservar a memória dos
grandes pensadores brasileiros?
Resposta: Com toda certeza. São verdadeiros e valiosos
"faróis" da preservação dessa memória rumo ao futuro.
49 - Como você gostaria que o
legado do IFEC fosse lembrado pelas futuras gerações?
Resposta: Com o compromisso ético e humanitário que gerou
sua fundação e o levou a ser oficialmente afiliado à ONU - Organização das
Nações Unidas.
50 - Você dedicou sua vida à
educação, à cultura, à produção intelectual e à valorização do conhecimento.
Quando olha para essa trajetória, qual legado espera deixar para os
professores, estudantes, pesquisadores e intelectuais brasileiros?
Resposta: O exemplo de um modesto professor que acredita em
Deus, na humanidade e na educação.
51 - Para encerrar, qual mensagem
você gostaria de deixar aos professores, estudantes e gestores educacionais que
acompanham o Focus Portal Cultural?
Resposta: A importância de seguirmos nossos objetivos e
sonhos de vida, pois, à margem de todas as naturais dificuldades que ocorrem em
qualquer processo existencial, quando amamos o que fazemos, devemos sempre
agradecer a Deus e a todos que nos ajudaram e/ou ajudam nesta caminhada.
AGRADECIMENTO
DO FOCUS PORTAL CULTURAL
Ao
concluir esta entrevista, permanece a sensação de que algumas trajetórias
profissionais não podem ser medidas apenas pelos cargos ocupados, pelos títulos
acadêmicos conquistados ou pelas funções públicas exercidas. Existem vidas que
se transformam em testemunhos. Caminhadas que, pela coerência de seus princípios
e pela permanência de seus compromissos, convertem-se em referências para toda
uma geração.
Ao
longo desta conversa, o professor Raymundo Nery Stelling Junior nos permitiu
percorrer diferentes dimensões de sua extensa atuação na educação, na cultura,
nos movimentos representativos do magistério, nos espaços de formulação de
políticas públicas e na defesa permanente dos valores humanos. Entretanto, por
trás de cada resposta, de cada reflexão e de cada posicionamento apresentado,
percebemos algo ainda mais significativo: a presença de um educador que nunca
deixou de acreditar na capacidade transformadora da educação.
Em
um tempo marcado por incertezas, conflitos e profundas mudanças sociais e
tecnológicas, ouvir alguém que continua defendendo o conhecimento, o diálogo, a
ética, a valorização dos professores e o respeito à dignidade humana torna-se
um exercício não apenas de reflexão, mas de esperança.
As
palavras do professor Stelling revelam uma compreensão ampla das necessidades
do presente, sem perder de vista os ensinamentos do passado. Sua visão sobre
educação, inclusão, cultura, cidadania e direitos humanos demonstra maturidade
intelectual e, ao mesmo tempo, uma rara sensibilidade diante das questões que
afetam a vida das pessoas. É a voz de quem conhece profundamente a realidade
educacional brasileira, mas que se recusa a abandonar a crença de que é
possível construir caminhos melhores.
Talvez
seja justamente essa combinação de experiência, serenidade e compromisso
público que explique o respeito conquistado ao longo de sua trajetória. Não se
trata apenas de reconhecimento institucional. Trata-se da admiração construída
por décadas de convivência, de trabalho coletivo, de escuta, de acolhimento e
de dedicação às causas que escolheu abraçar.
Ao
longo dos anos, o professor Raymundo Stelling ajudou a formar alunos, inspirar
educadores, fortalecer instituições, incentivar iniciativas culturais, defender
a valorização profissional do magistério e promover reflexões fundamentais para
a sociedade. Sua atuação atravessa diferentes áreas do conhecimento, mas
encontra unidade em um mesmo princípio: a convicção de que a educação é um
instrumento de transformação humana e social.
Em
suas palavras, percebemos também a influência de valores que sustentam sua
caminhada: a fé, a gratidão, o respeito ao próximo, a fraternidade, a
valorização da cultura e a permanente disposição para servir. São elementos que
ajudam a compreender por que sua presença se tornou tão significativa nos
ambientes em que atua e por que sua voz continua encontrando escuta entre
diferentes gerações.
Para
o Focus Portal Cultural, esta entrevista representa mais do que o registro de ideias
e opiniões. Constitui a oportunidade de apresentar aos leitores uma
personalidade que integra, de forma exemplar, inteligência, cultura,
sensibilidade e compromisso público. Em uma sociedade frequentemente voltada
para o imediato, conhecer a trajetória de alguém que dedicou sua vida à
construção paciente do conhecimento é um convite à reflexão sobre aquilo que
realmente possui valor duradouro.
Nosso
agradecimento ao professor Raymundo Nery Stelling Junior transcende a gentileza
de ter aceitado este convite. Agradecemos pela generosidade de compartilhar
suas experiências, suas convicções e sua visão de mundo. Agradecemos pela
atenção dispensada ao nosso trabalho, pela cordialidade de sua acolhida e pela
riqueza das reflexões que agora passam a integrar a memória editorial do Focus
Portal Cultural.
Agradecemos,
igualmente, por sua contribuição permanente à educação fluminense e brasileira,
à promoção da cultura, à valorização dos educadores e ao fortalecimento dos
princípios humanistas que tanto necessitamos preservar. Em um cenário que
frequentemente valoriza o ruído em detrimento do conteúdo, sua trajetória
reafirma a importância do pensamento, do estudo, da ética e do diálogo.
Que
esta entrevista permaneça como um registro de seu tempo, de sua missão e de seu
legado. E que as futuras gerações possam encontrar, em exemplos como o seu,
inspiração para compreender que a verdadeira grandeza não está na visibilidade
dos cargos ou das honrarias, mas na capacidade de servir, educar, construir
pontes e deixar marcas positivas na vida das pessoas.
Em
nome de toda a equipe do Focus Portal Cultural, registramos nossa admiração,
nosso respeito e nossa gratidão ao professor Raymundo Nery Stelling Junior, uma
das mais distintas expressões da vida educacional e cultural fluminense, cuja
elegância intelectual, gentileza no trato humano e dedicação ao bem comum
seguem inspirando aqueles que acreditam que a educação e a cultura continuam
sendo os pilares indispensáveis para a construção de um Brasil melhor.
Muito
obrigado, Professor Stelling. Sua trajetória honra a educação, enriquece a
cultura e dignifica a missão de ensinar. Que sua voz continue ecoando,
inspirando e iluminando caminhos por muitos e muitos anos.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
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BIOGRAFIA
PROFESSOR DOUTOR RAYMUNDO NERY STELLING JUNIOR
O
Professor Doutor Raymundo Nery Stelling Junior é uma das mais destacadas
lideranças educacionais do Estado do Rio de Janeiro, reunindo sólida formação
acadêmica, ampla experiência em gestão educacional e uma trajetória marcada
pelo compromisso com a defesa da educação pública, da inclusão social e da
cidadania. Ao longo de décadas de atuação profissional, consolidou-se como referência
nacional nos campos da educação, das políticas públicas, da gestão
institucional e da promoção dos direitos humanos.
Sua
formação acadêmica é multidisciplinar e orientada para a excelência. É PhD em
Science Education, possui Master in Administration, com especialização em Total
Quality Management, além de ser Mestre em Educação. Essa robusta qualificação
permitiu-lhe desenvolver uma visão abrangente sobre os desafios contemporâneos
da educação, integrando fundamentos científicos, gestão estratégica e inovação
educacional em sua atuação profissional.
Ao
longo de sua carreira, tem dedicado esforços à construção de uma educação
democrática, inclusiva e voltada para o desenvolvimento humano e social. Sua
atuação é pautada pela valorização do magistério, pela defesa da escola pública
de qualidade e pela promoção de políticas educacionais comprometidas com a
equidade, a diversidade e o respeito aos direitos fundamentais.
Na
área sindical, possui uma trajetória de mais de 35 anos de dedicação à União
dos Professores Públicos no Estado do Rio de Janeiro. Nesse período, exerceu
importantes funções de liderança na UPPES, atuando como Diretor de Comunicação,
Diretor da Subsede Casa do Professor e, atualmente, como Presidente da
instituição. Sob sua liderança, a entidade tem fortalecido seu papel histórico
na defesa dos interesses dos profissionais da educação e na promoção de
iniciativas voltadas para a formação, valorização e proteção da categoria.
Atualmente,
exerce os cargos de Presidente da UPPES – União dos Professores Públicos no
Estado, Sindicato; Presidente da SOBRAHSP – Sociedade Brasileira de Higiene e
Saúde Pública; Conselheiro Estadual de Educação do Rio de Janeiro, onde preside
a Comissão de Inclusão e Diversidade; e Conselheiro da Associação Brasileira de
Educação (ABE).
Sua
experiência institucional também inclui relevantes funções exercidas em
diferentes organismos educacionais e culturais. Foi Presidente do Instituto
Interamericano de Fomento à Educação (IFEC), Conselheiro Estadual de Cultura do
Rio de Janeiro, Conselheiro Municipal de Educação de Niterói, membro do Comitê
Nacional de Educação em Direitos Humanos da Presidência da República e
Diretor-Geral das Faculdades Integradas Maria Thereza (FAMATH).
Ao
longo de sua trajetória, o Professor Doutor Raymundo Nery Stelling Junior tem
se destacado pela capacidade de articular conhecimento acadêmico, gestão
eficiente e compromisso social. Sua atuação reúne educação, ciência, cultura,
saúde pública e direitos humanos, contribuindo para a construção de políticas e
projetos voltados ao desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.
Reconhecido
por sua liderança, visão estratégica e dedicação às causas educacionais,
continua atuando de forma ativa na promoção de iniciativas que ampliem o acesso
à educação de qualidade, fortaleçam a inclusão e valorizem a diversidade,
contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa, democrática e
comprometida com o desenvolvimento humano e social do Brasil.