sexta-feira, 22 de maio de 2026

MARCELO MORAES CAETANO E A PALESTRA “LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: PASSADO E PRESENTE A EXPLICAR A NOSSA (MULTI)CULTURA”


Convite para decifrar o Brasil na Academia Brasileira de Letras 

Imagine cruzar a barreira do tempo, partindo do ano 218 antes de Cristo até desaguar no caótico e fascinante Brasil do século XXI, guiado por uma das mentes mais brilhantes da nossa época. É essa a experiência que está prestes a acontecer no coração cultural do país. 

No próximo dia 28 de maio, quinta-feira, às 17h30min, o Salão da Academia Brasileira de Letras (ABL) transforma-se no ponto de encontro para quem deseja compreender as vísceras da nossa identidade, através da palestra “Língua Portuguesa do Brasil: passado e presente a explicar a nossa (multi)cultura”. 

O evento, que integra a consagrada programação do “Quinta é Cultura” sob a prestigiada coordenação do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, traz ao palco o escritor, filólogo e polímata Marcelo Moraes Caetano. Não se trata de uma mera formalidade acadêmica, mas de um chamado à reflexão sobre como a língua que falamos e escrevemos moldou a nossa formação antropológica multicultural. 

Além de testemunhar uma conferência que promete ser histórica, o público participará do lançamento oficial e da sessão de autógrafos do mais novo rebento literário de Marcelo: o livro “Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente”. Será uma oportunidade singular de obter a assinatura do autor, dialogar com palestrantes e intelectuais presentes e vivenciar a efervescência da inteligência nacional dentro da própria ABL. 

Para compreender o peso desse acontecimento, é preciso descer às fundações do idioma que nos une e, muitas vezes, nos tensiona. A língua falada no Brasil está longe de ser um monumento estático herdado de além-mar; ela é um território de disputas, sincretismos, rasgos e costuras de múltiplos povos. 

Na obra que será lançada, um vigoroso volume de 222 páginas de texto fluído e rigor científico, Marcelo Moraes Caetano realiza uma verdadeira autópsia no tempo. Ele investiga a deriva da língua portuguesa desde o ano de 218 a.C. quando o latim vulgar fincou suas primeiras raízes na Península Ibérica com a expansão romana, caminhando passo a passo até as manifestações contemporâneas do nosso falar. É uma geo-história filológica que desvenda as engrenagens do sincretismo que transformou o português europeu em um idioma antropologicamente multicultural ao tocar o solo americano. 

O prestígio da publicação é referendado pela elite da filologia nacional. O livro traz em si as bênçãos das maiores autoridades vivas da língua: o prefácio é assinado pelo iminente Acadêmico Evanildo Bechara, enquanto o texto de orelha foi confiado ao também Acadêmico e filólogo Ricardo Cavaliere. Ambos os mestres, imortais da Academia Brasileira de Letras, dividem também com Marcelo o assento e a confraria na Academia Brasileira de Filologia, chancelando a envergadura científica e a importância histórica deste lançamento. 

A lente jornalística e filológica de Marcelo Moraes Caetano recusa o academicismo engessado e purista. Para o autor, a palavra escrita ou falada é a própria carne da história e das tensões sociais. Como o próprio escritor destaca: 

"Os pesquisadores de linguagem e língua se deparam com algumas das mais importantes questões que atravessam as sociedades in suas imensas e dinâmicas trilhas. Afinal, história, antropologia e geografia, para citar três ciências humanas, sociais e/ou políticas, são conduzidas intrinsecamente a partir de teias de vozes e de discursos que estão em constante luta de classes, criando a materialidade dialética multicultural."

Sob este prisma, o português do Brasil se revela como uma vibrante costura onde vozes indígenas, africanas e de tantas correntes migratórias guerrearam e se amalgamaram ao tronco latino, erguendo a arquitetura da nossa sociedade. 

MARCELO MORAES CAETANO, UM RENACOCENTISTA NO SÉCULO XXI 

Falar sobre o palestrante e autor da noite exige ir além dos títulos tradicionais. Marcelo Moraes Caetano evoca a presença dos grandes sábios da Renascença, personalidades qual a curiosidade intelectual e capacidade artística recusavam as amarras de uma única especialização, transitando com igual genialidade pelas letras, pelas ciências humanas e pela música universal. 

Doutor em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Marcelo atua como professor associado de Língua Portuguesa e Filologia Românica na mesma universidade, onde também exerce a liderança à frente do tradicional e respeitado Centro Filológico Clóvis Monteiro. Sua inteligência, contudo, há muito tempo ganhou contornos globais.

Como tese de seu pós-doutorado em Cultura Brasileira pela renomada Universidade de Copenhague, na Dinamarca, onde atua orgulhosamente como professor convidado desde o ano de 2018, ele publicou a festejada obra “Platão e Aristóteles na terra do sol” (editada pela Caburé, em Buenos Aires), um instigante ensaio que costura a filosofia grega clássica às luzes e aos paradoxos do cenário brasileiro. 

Sua disciplina criativa impressiona: Marcelo é autor de mais de 60 livros publicados no Brasil e no exterior. Essa vasta produção literária e ensaística foi reconhecida com láureas de peso internacional, concedidas por organizações máximas como a ONU e a UNESCO. No front nacional, o escritor acumula distinções outorgadas pela própria Academia Brasileira de Letras, além dos cobiçados prêmios Paulo Henriques Brito e Claudio de Sousa, complementados pela condecoração europeia Médaille de Vermeil. 

Esse estofo intelectual o transformou em presença central de algumas das agremiações e arcádias mais importantes do país, sendo membro efetivo da Academia Fluminense de Letras, da Academia Brasileira de Filologia e do PEN Clube do Brasil, uma rede global de escritores dedicada à defesa da livre expressão e da literatura como ferramenta de união entre os povos.

Se a prosa de Marcelo possui uma cadência quase melódica, a explicação reside em suas mãos. Ele é um talentoso pianista clássico, tendo conquistado prêmios em exigentes concursos internacionais de piano em capitais de imensa tradição artística, como São Paulo, Córdoba, Paris e Viena. A mesma precisão exigida pelas partituras traduz-se em sua capacidade filológica. 

Para além disso, sua mente opera em uma frequência poliglota rara. Marcelo realiza traduções fluentes de idiomas como o inglês, o francês, o espanhol, o italiano e o alemão, além de dominar com maestria as complexas estruturas filológicas do russo, do mandarim e do sânscrito. É este oceano de referências que o público terá à disposição no dia 28 de maio.

A palestra de Marcelo Moraes Caetano insere-se em um esforço contínuo da ABL de oxigenar o debate público. Sob a batuta de Antonio Carlos Secchin, as tardes de quinta-feira convertem-se em um fanal de resistência cultural e de pensamento crítico na cidade do Rio de Janeiro. 

GUIA PRÁTICO DO ENCONTRO

Palestra “Língua Portuguesa do Brasil: passado e presente a explicar a nossa (multi)cultura” e sessão de autógrafos do livro “Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente” (222 páginas, com prefácio de Evanildo Bechara e orelha de Ricardo Cavaliere).

Palestrante e autor Marcelo Moraes Caetano.

Coordenação do Ciclo: Antonio Carlos Secchin.

Data: 28 de maio de 2026, quinta-feira, pontualmente às 17h30min.

Local: Academia Brasileira de Letras (ABL), Rio de Janeiro.   







BIODIVERSIDADE E LÍNGUA PORTUGUESA: UM PATRIMÔNIO VIVO

22 de maio celebramos o Dia Internacional da Biodiversidade, no entanto, não celebra apenas a riqueza natural do planeta. Ele também nos lembra de que a diversidade cultural e linguística é parte essencial desse patrimônio imaterial. A língua portuguesa, falada por mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes, é um exemplo vivo dessa conexão: une ecossistemas, tradições e culturas que, embora distantes, compartilham um mesmo idioma.

Mais do que um código de comunicação, o português é território de afeto e resistência. Ele se reinventa em cada país da lusofonia, misturando-se a línguas locais e criando novas sonoridades. Essa metamorfose mostra que o idioma não pertence a um centro único, mas a todos que o falam, escrevem e recriam.

A literatura é a bússola dessa travessia. Autores como Cecília Meireles, Guimarães Rosa e Clarice Lispector revelaram que a língua é rio profundo, silêncio revelado e música eterna. Hoje, novas vozes em Angola, Moçambique e Brasil continuam a expandir esse horizonte, transformando o português em ferramenta de identidade e libertação.

No século XXI, o desafio é preservar essa riqueza na era digital. A velocidade das redes sociais e a padronização algorítmica ameaçam a diversidade dos sotaques e o pensamento crítico. É nesse cenário que o jornalismo cultural ganha relevância: registrar não apenas fatos, mas também a evolução estética e linguística de uma sociedade.

Celebrar o português é celebrar a biodiversidade cultural. Cada variante regional guarda saberes ancestrais sobre ecossistemas e modos de vida. Proteger a língua significa, em última análise, proteger formas únicas de interpretar e cuidar do planeta.

O português é, essencialmente, uma língua de travessia. Nasceu do mar, alimentou-se das navegações e continua a navegar nas águas da globalização. Enquanto houver quem escreva uma frase e quem se emocione ao lê-la, o idioma seguirá sendo o horizonte onde todas as nossas asas se encontram.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



CASA DO PROFESSOR RECEBE A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS EM EVENTO DE CELEBRAÇÃO CULTURAL

 

No cenário cultural de Niterói, poucos encontros são tão potentes quanto aquele que une o rigor das letras à prática transformadora da educação. Foi sob essa tônica que a Casa do Professor, em Pendotiba, tornou-se palco de uma tarde de efervescência intelectual ao receber, no dia 21 de maio de 2026 em encontro no projeto "Chá da Tarde", uma comitiva da Academia Fluminense de Letras (AFL). O evento, mais do que uma agenda social, consolidou-se como um momento de diálogo entre duas instituições que, ao longo das décadas, têm servido como resguardadoras da memória e do desenvolvimento social fluminense. 

A recepção foi conduzida pelo professor Raimundo Nery Stelling Júnior, presidente da UPPES (União dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro-Sindicato). Em um gesto que alia a sofisticação da fidalguia à sobriedade que exige a condução de uma instituição octogenária, Stelling transformou a solenidade em um ambiente de hospitalidade rara. Ao celebrar 80 anos de uma trajetória marcada por lutas sindicais e conquistas pedagógicas, a UPPES demonstrou, sob a batuta de seu presidente, que a gestão educacional também se nutre da sensibilidade artística e do intercâmbio com o pensamento acadêmico. 

A abertura do encontro foi marcada por um gesto de gratidão e reconhecimento. A professora Márcia Pessanha, representando a Academia Fluminense de Letras, procedeu à entrega de uma Moção ao presidente da UPPES. O documento, mais do que uma formalidade, ecoa o respeito da classe acadêmica pela trajetória de vida do professor Stelling, qual a carreira é indissociável da defesa intransigente da educação pública e de qualidade. 

O ambiente, impregnado de história, serviu de palco para que memórias fossem resgatadas. O acadêmico Erthal Rocha, com a precisão de quem conhece a genealogia das instituições, relembrou a contribuição histórica de Alberto Francisco Torres, seu antecessor na Cadeira da AFL, para a edificação da sede oficial da UPPES, um elo de geração e tijolos que une as duas casas. Em um momento de profunda delicadeza, a acadêmica Regina Coeli Silveira e Silva rendeu tributo aos professores na pessoa da colega Eneida Fortuna Barros, símbolo da resiliência e da vocação docente. 

Se as palavras guiaram a primeira parte do encontro, a música foi a encarregada de elevar o espírito. O ápice do evento ocorreu com a apresentação de um grupo de gaita de fole, vinculado a um projeto educacional de inclusão que atende jovens em São Gonçalo. 

O som ancestral das gaitas, reverberando entre as paredes da Casa do Professor, transportou os presentes para as charnecas da Escócia e da Irlanda. Os músicos, trajando os tradicionais kilts com elegância e orgulho, ofereceram uma performance que uniu impacto estético e precisão técnica.

É importante notar que Niterói detém uma tradição notável no ensino desse instrumento, sendo a Brazilian Piper (Associação de Músicos Brasil-Escócia) a maior referência local. Nascida sob a égide do Instituto Vieira Brum e idealizada pelo maestro J. Paulo, a associação elevou a gaita de fole a um patamar de projeção internacional a partir de solo niteroiense, demonstrando que a cultura, quando bem semeada, rompe qualquer fronteira geográfica. 

Ao tomar a palavra para agradecer a Moção e a visita da AFL, o professor Stelling traçou uma ponte entre o passado glorioso da UPPES e a sua atuação contemporânea. Ele detalhou os novos desdobramentos da entidade, que hoje se ramifica em projetos educacionais de vanguarda, reafirmando que o sindicato é, acima de tudo, um organismo vivo e em constante evolução. 

O sucesso da tarde também se deve à cautelosa coordenação da Casa do Professor, capitaneada pela coordenadora Adriana Moreno e sua equipe, que garantiram que cada detalhada da hospitalidade ao acolhimento dos convidados transcorresse com a harmonia que a ocasião exigia. 

A importância do evento foi confirmada por uma lista de convidados que representam a elite cultural de Niterói e do estado. Estiveram presentes, entre outros, Matilde Carone Slaibi Conti, presidente do Elos Internacional, do Cenáculo Fluminense de História e Letras, da Academia Brasileira Rotária de Letras (Estado do Rio) e do Núcleo da Rede Sem Fronteiras de Niterói; Leda Mendes Jorge, presidente da ANE; Antônio Machado, presidente da Sociedade Fluminense de Fotografia; e Jordão Pablo Pão, coordenador da Niterói Livros. 

O encontro encerrou-se sob a promessa de continuidade desta parceria. Quando a educação e as letras se encontram em um clima de confraternização e respeito mútuo, a sociedade fluminense ganha um reforço inestimável: o da memória, da arte e da esperança, elementos fundamentais para o fortalecimento da nossa identidade. 

Este encontro reafirma a UPPES e a AFL não como torres de marfim isoladas, mas como instituições pulsantes, fundamentais para a coesão social e a preservação do legado intelectual que define o povo fluminense.


Créditos das Fotos:  © Christiane Victer 

Editorial

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

21 de maio de 2026.





















FELIZ ANIVERSÁRIO, LÚCIA MOTTA!

O tempo, esse mestre invisível que esculpe as nossas existências, tem uma maneira muito própria de consagrar os encontros verdadeiros. Há vidas que se cruzam de forma geométrica e fria, mas há outras que se enlaçam através da própria matéria de que é feita a arte. A sua presença em nossas vidas, Lúcia, pertence a essa segunda categoria, uma tessitura de sensibilidade, intelecto e luz que o tempo só faz refinar. Hoje, ao celebrarmos o seu aniversário, não fazemos apenas uma pausa no calendário; fazemos um brinde à permanência da beleza e do afeto em um mundo que tanto precisa deles. 

Nossa memória afetiva guarda com precisão o cenário onde essa história começou: o palco vibrante do Centro Cultural Maria Sabina, sob a condução eterna e generosa da nossa saudosa Neide Barros Rego. Ali, entre o magnetismo das apresentações e o pulsar da criação artística, fomos arrebatados pela sua energia. Ver você em cena era compreender, na prática, que a arte não é um adorno, mas uma forma de traduzir a alma. Desde aqueles dias inaugurais no palco do Centro Cultural, os laços que nos uniram estreitaram-se de forma irreversível. O que nasceu sob a égide da admiração mútua transformou-se em uma amizade profunda, dessas que se alimentam do respeito intelectual e do carinho mais sincero.

Sua digníssima ocupação na Classe de Belas Artes é a moldura perfeita para quem você é. Afinal, as Belas Artes em você não são um título acadêmico ou um conceito estático; são a sua própria assinatura cotidiana. Você personifica uma intelectualidade rara, daquelas que não se isolam em torres de marfim, mas que se comunicam através de uma alegria contagiante e de uma doçura que desarma qualquer rigidez. É fascinante notar como a sua erudição caminha de mãos dadas com o seu sorriso largo, provando que a profundidade do pensamento pode e deve ser acompanhada pela leveza do espírito. Você é, genuinamente, uma pessoa adorável. 

Essa sua vibração luminosa e alegre estende-se para além dos salões físicos e alcança a nossa convivência diária apesar da distância de territórios. No microcosmo do nosso grupo de WhatsApp, a sua presença é uma luz de calor humano. Em meio ao fluxo rápido de informações da vida moderna, ver as suas manifestações e o seu constante apoio às nossas publicações, sempre que o tempo lhe permite, é um lembrete constante de sua generosidade. Você humaniza as telas frias com o seu olhar atento e as suas palavras de incentivo, demonstrando que a verdadeira cumplicidade intelectual ignora distâncias. 

Por tudo isso, este texto recusa o papel de uma felicitação comum. Ele é um manifesto de gratidão e carinho. Obrigado, Lúcia, por sua fidelidade aos nossos laços, por sua dedicação à cultura e por nos dar o privilégio de partilhar da sua caminhada. Sua amizade é uma herança viva daquele Centro Cultural que nos uniu e que continua a frutificar no presente.

Que este novo ciclo que hoje se descortina traga saúde plena, inspiração inabalável e a continuidade dessa alegria que nos contagia. Que a sua "Cadeira 04" da Academia Fluminense de Letras e os seus dias continuem sendo iluminados pela poesia e pelas cores das Belas Artes. 

Com profunda admiração, respeito e todo o carinho do mundo, 

Feliz Aniversário! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 


Carla Camuratti, Lucia Motta, Alberto Araújo


quinta-feira, 21 de maio de 2026

ORQUESTRA DA GROTA APRESENTA ‘GRANDES COMPOSITORES’ EM NITERÓI

Espetáculo reúne Telemann, Grieg, Mendelssohn, Mozart e Nepomuceno, com obras ligadas ao universo lúdico e à tradição sinfônica. 

A Orquestra da Grota realiza, no dia 26 de maio, às 19h, um concerto da série “Grandes Compositores”, na Sala Nelson Pereira dos Santos, em Niterói. A apresentação reúne obras de diferentes períodos e estilos, transitando entre o repertório clássico europeu e composições que dialogam com o imaginário e a formação musical. 

O programa inclui a Suite Dom Quixote, de Georg Philipp Telemann, que retrata em música episódios da obra literária de Miguel de Cervantes; as Two Elegiac Melodies, de Edvard Grieg, marcadas por lirismo e atmosfera introspectiva; e a Sinfonia nº 10 em si menor, de Felix Mendelssohn, escrita ainda na juventude do autor.

O repertório também contempla a Sinfonia dos Brinquedos, tradicionalmente atribuída a Leopold Mozart, que incorpora efeitos sonoros inspirados no universo infantil, e a Serenata para Cordas, de Alberto Nepomuceno, uma das referências da música de concerto no Brasil. 

A proposta do espetáculo é aproximar o público de diferentes narrativas musicais, explorando contrastes entre fantasia, memória e elementos lúdicos, ao mesmo tempo em que valoriza a formação de jovens músicos em repertório orquestral. 

A Sala Nelson Pereira dos Santos fica na Av. Visconde do Rio Branco, 800 – São Domingos – Niterói. 

Mantida pelo Espaço Cultural da Grota, a Orquestra da Grota integra um projeto social com mais de três décadas de atuação em Niterói. A iniciativa atende cerca de mil alunos por ano, oferecendo formação gratuita em música e outras atividades educacionais, com impacto direto na inclusão social e no acesso à cultura.

 

SERVIÇO

Orquestra da Grota – Grandes Compositores

Data: 26 de maio de 2026, terça-feira

Horário: 19h

Local: Sala Nelson Pereira dos Santos

Duração: 60 minutos

Classificação: Livre

Ingressos: Site feverup - R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)

Assessoria de imprensa

Paulo Marcio Vaz / Papel Cultural Comunicação




 

CONFRATERNIZAÇÃO E RESGATE HISTÓRICO NO CHÁ DA TARDE DA CASA DO PROFESSOR – PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI E A GOVERNADORA MÁRCIA PESSANHA MARCAM PRESENÇA

No dia 21 de maio, o Elos Internacional reafirmou seu compromisso com a valorização cultural e a integração comunitária ao registrar uma presença de destaque em um dos eventos mais prestigiados do calendário institucional de Niterói. A nossa Presidente do Elos Internacional, Dra. Matilde Slaibi Conti, ladeada pela dinâmica Governadora do Distrito 8, Márcia Pessanha, marcaram presença marcante durante o requintado Chá da Tarde realizado na Casa do Professor, situada na Estrada Caetano Monteiro, no 4550, no acolhedor bairro de Pendotiba, em Niterói. 

Na ocasião, o requintado Chá da Tarde ganhou um contorno solene e prestigioso ao ser oficialmente oferecido aos membros da Academia Fluminense de Letras (AFL). A ilustre escritora Márcia Pessanha marcou uma presença de altíssimo significado institucional ao representar oficialmente a Academia, da qual é a digníssima Presidente, tendo sido recentemente reeleita com grande aclamação para o seu segundo mandato consecutivo. Com a sua elocução encantatória e singular de sempre, fez um brilhante discurso de agradecimento em nome de todos os presentes.

Essa feliz convergência de lideranças intelectuais reforçou os profundos laços culturais que unem a UPPES, o Elos Internacional e a Academia Fluminense de Letras no cenário fluminense.

O encontro, caracterizado por uma atmosfera de profundo respeito intelectual e celebração, reuniu expressivas lideranças, escritoras e educadoras de renome, consolidando os laços entre a centenária tradição elista e as grandes forças da educação fluminense. 

A solenidade e a recepção foram calorosamente presididas pelo Dr. Stelling, Presidente da UPPES (União dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro-Sindicato), uma instituição de magnitude incontestável que já celebra uma trajetória de 80 anos de lutas, conquistas e dedicação integral à categoria em todo o território estadual. Presença de proeminência no cenário educacional e cultural, o Dr. Stelling revelou-se, mais uma vez, um excelente anfitrião, um verdadeiro gentleman cuja fidalguia e delicadeza no trato sempre encantam a todos. Com uma cortesia rara e um olhar atencioso a cada detalhe, ele conduziu o encontro com a maestria de quem sabe aliar a seriedade institucional à mais calorosa hospitalidade. 

Sob sua liderança firme e humanizada, a UPPES atua de forma capilarizada, possuindo diversas subsedes distribuídas estrategicamente pelo Estado do Rio de Janeiro para amparar e promover o bem-estar dos educadores. Entre essas unidades, destaca-se de forma muito especial a subsede da Casa do Professor em Pendotiba, um verdadeiro refúgio de hospedagem, cultura, lazer e saúde, cuja eficiente administração e gerência estão sob a responsabilidade de Adriana Moreno, que espelha em sua gestão o mesmo padrão de excelência e acolhimento preconizado pelo presidente.

Durante o evento, a Presidente Matilde Slaibi Conti fez questão de posar ao lado da administradora Adriana Moreno, registrando em imagens a mútua admiração e o espírito de cooperação entre as entidades. Ao produzir essa matéria e captar informações, o Dr. Stelling aproveitou a oportunidade para descortinar a grandiosa estrutura que a UPPES mantém no município. Além da aprazível Casa do Professor em Pendotiba, a instituição conta com uma segunda e imponente unidade em Niterói: um edifício de quatro andares localizado no coração do Centro da cidade. É nesse complexo central que se situam o Gabinete da Presidência, a moderna estrutura da TV UPPES e um esplêndido Teatro em estilo clássico, com capacidade para 110 espectadores, além de abrigar diversos outros departamentos técnicos e núcleos de múltiplos segmentos voltados ao suporte dos filiados. 

A presença da comitiva do Elos Internacional nesse cenário ressalta a importância de conectar a diplomacia cultural elista com os centros difusores de educação e arte locais. 

Um dos momentos mais enriquecedores e aplaudidos da tarde literária e social adveio da brilhante intervenção do intelectual Erthal Rocha. Ao pedir a palavra, o renomado jornalista e acadêmico participante surpreendeu e encantou a todos os presentes ao compartilhar os frutos de uma profunda e minuciosa pesquisa histórica dedicada à gênese da UPPES, às origens do movimento sindical docente e à evolução conceitual da própria Casa do Professor. Munido de um arsenal substancial de dados cronológicos, marcos legais e memórias resgatadas, Erthal Rocha proferiu uma verdadeira aula magna, costurando fatos ano a ano. Em sua narrativa histórica de fôlego, trouxe à luz a emblemática presença do saudoso pensador, jornalista e estadista Alberto Torres, relembrando seu legado e sua influência fundamental nas bases da educação e do desenvolvimento regional. A profundidade dos dados apresentados por Erthal, que compareceu ao evento acompanhado de sua esposa, a estimada Mânia, conferiu ao encontro um alto teor acadêmico, transformando o chá em um fórum de resgate da memória social de Niterói. 

Os debates e conversas foram enriquecidos ainda pela presença de outras personalidades exponenciais da cultura e do magistério, como a eminente escritora e professora Lucia Romeu, Verônica Martins de Oliveira e outros. 

O Chá da Tarde, classificado pelos presentes como uma reunião de extrema fineza e bom gosto, reservou momentos de pura magia e superação. Inicialmente, um inesperado apagão deixou as dependências temporariamente sem energia elétrica. Longe de ofuscar o brilho da tarde, o contratempo foi contornado com imensa elegância pela organização, que dispôs velas acesas pelas mesas. Essa iluminação improvisada acabou dando um charme intimista, poético e quase cenográfico ao espaço, realçando a beleza arquitetônica da Casa do Professor. Posteriormente, com o restabelecimento da luz, o ambiente revelou em plenitude o seu esplendor, com mesas fartas e meticulosamente decoradas com uma enorme variedade de guloseimas, pães, bolos artesanais e doces finos, oferecendo um deleite visual e gastronômico que emoldurou o bate-papo fraterno das lideranças elistas e dos membros da UPPES.

A tarde cultural atingiu seu ápice artístico com um momento musical inesquecível, marcado pelas notas poderosas e ancestrais das gaitas de fole. A apresentação evocou as ricas tradições musicais de terras celtas, remetendo os ouvintes às paisagens da Escócia e da Irlanda. Os músicos, portando com orgulho e garbo os tradicionais saiotes (kilts), trouxeram para o coração de Pendotiba uma performance de forte impacto estético e sonoro. Vale destacar que a cena das gaitas de fole é fortemente consolidada em Niterói. O grupo é célebre e premiado do município, a Brazilian Piper, legalmente constituída como Associação de Músicos Brasil-Escócia, uma iniciativa de projeção internacional que nasceu sob a égide do saudoso Instituto Vieira Brum e foi idealizada e fundada pelo genial Maestro J. Paulo. 

Paralelamente, o município se orgulha de abrigar a Banda de Gaitas de Fole Vieira Brum, outro projeto local de sólida reputação, que perpetua o ensino desse instrumento singular e garante a manutenção dessa ponte cultural transatlântica, encantando a plateia presente com um repertório vibrante. 

Além do congraçamento e do resgate histórico, os participantes puderam conhecer de perto as modernas e completas instalações oferecidas pela Casa do Professor em sua ampla sede campestre. Conforme detalhado nos informativos da instituição, o espaço funciona como um centro integrado de hospedagem, cultura, lazer e bem-estar. A estrutura dispõe de café da manhã em estilo americano, serviço de hotelaria de alta qualidade voltado para o atendimento individual ou de grupos familiares, e conexão wi-fi de alta velocidade em todos os seus ambientes.

No quesito lazer, saúde e eventos, o complexo é dotado de uma generosa piscina, sauna a vapor, espaço de spa, churrasqueiras estruturadas, salão nobre para eventos de grande porte, área kids para recreação infantil, campo de futebol gramado e amplo estacionamento privativo. Adicionalmente, a unidade promove ativamente a saúde preventiva por meio do seu renomado Curso de Longevidade Saudável e de espaços planejados para a prática esportiva ao ar livre. A Casa do Professor também se consolida no mercado de eventos corporativos e sociais, disponibilizando a locação de seus espaços diferenciados para a realização de formaturas e convenções empresariais. O compromisso com o cuidado integral aos associados expande-se de forma notável através do projeto "Cuide do seu Sorriso com a UPPES". O Núcleo de Odontologia da instituição oferece uma infraestrutura de ponta composta por dois consultórios odontológicos perfeitamente equipados para prestar serviços de excelência. O atendimento é destinado não apenas aos professores filiados e seus respectivos familiares, mas também se estende de forma altruísta aos moradores de Niterói e municípios vizinhos. Entre as especialidades cobertas pelo núcleo clínico, destacam-se os procedimentos de profilaxia e limpeza profunda, confecção e ajuste de próteses dentárias, tratamentos de endodontia (canal) e acompanhamento em periodontia básica. Para maior comodidade da comunidade local, os agendamentos e consultas de informações podem ser realizados diretamente pelos canais telefônicos oficiais (21) 2717-6025 e (21) 97878-6004. 

Dessa forma, o encontro entre o Elos Internacional e a UPPES celebrou muito mais do que um momento social: testemunhou o vigor de uma instituição octogenária que une memória, assistência, arte e dedicação à sociedade fluminense.

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional

Editor do Focus Portal Cultural 











A FORÇA DA PALAVRA: UMA HOMENAGEM AO DIA DO PROFISSIONAL DE LETRAS


Homenagem do Focus Portal Cultural 

ao Profissional de Letras no Brasil 

Há sentimentos que as estatísticas não explicam e que a pressa do cotidiano teima em tentar apagar, mas que encontram abrigo seguro na solidez de uma página escrita. Hoje, 21 de maio, o Brasil interrompe o ruído mecânico de seus dias para celebrar uma das funções mais nobres, antigas e vitais da civilização: o Dia do Profissional de Letras. Como jornalista, escritor e alguém que traz na alma a essência nordestina, onde a palavra é simultaneamente compromisso, melodia e sobrevivência, sinto um orgulho profundo e inabalável de pertencer a esta linhagem de resguardador da linguagem. 

Celebrar esta data nas páginas do Focus Portal Cultural não é apenas cumprir um calendário formal; é realizar um ato de fé na capacidade humana de se reinventar através do verbo. O letrólogo, o professor, o revisor, o tradutor, o crítico e o escritor não lidam apenas com regras gramaticais ou estruturas sintáticas. O que fazemos, na verdade, é moldar a argila do pensamento humano, transformando o silêncio do mundo em pontes de comunicação, beleza e reflexão. 

"A palavra escrita é o fio que une o passado ao futuro, o cinzel que esculpe a identidade de um povo. Alberto Araújo" 

Para compreender a magnitude desta profissão, basta olhar para a história do Brasil através do prisma de suas letras. Nossa identidade nacional não foi construída apenas por tratados políticos ou delimitações geográficas, mas sim pela ponta da pena de homens e mulheres que ousaram traduzir o sentimento de ser brasileiro. 

Muitas vezes, o senso comum reduz o profissional de letras à figura do professor em sala de aula. Embora a docência seja uma das missões mais sagradas e urgentes do nosso país, a atuação daquele que se forma em Letras explode em múltiplos e ricos horizontes. 

O Professor é aquele que abre as cortinas do mundo para o estudante, ensinando-o não apenas a decodificar símbolos, mas a interpretar a realidade, a questionar as entrelinhas e a se expressar com clareza e autonomia. 

O Revisor e o Editor, são os artesãos invisíveis. Aqueles que limpam as arestas do texto, garantindo que o brilho da ideia original não se perca na escuridão do erro ou da ambiguidade. Eles lapidam o diamante bruto entregue pelo autor. 

O Tradutor, é o verdadeiro construtor de pontes universais. Sem o tradutor, as fronteiras geográficas seriam também barreiras mentais intransponíveis. É ele quem permite que Homero, Shakespeare, Cervantes ou Virgínia Woolf falem fluentemente o português de nossos dias. 

O Escritor e o Cronista, ah! Aqueles que capturam o efêmero, transformando o cotidiano banal em patrimônio eterno da humanidade.

Pertencer a esse universo é compreender que a língua portuguesa é um território vasto, dinâmico e generoso. Um idioma que acolhe desde o lirismo mais erudito até a riqueza das expressões populares e das variantes regionais que tornam o Brasil esse mosaico cultural inigualável. 

Quando celebramos os profissionais de letras, estamos homenageando a espinha dorsal da nossa cultura. São eles que mantêm viva a chama da nossa memória coletiva. Pensar nas letras brasileiras é evocar as estruturas monumentais que sustentam nossa sensibilidade. É impossível caminhar por essa estrada sem reverenciar as instituições e os líderes que guiam nossos passos intelectuais. 

A Academia Brasileira de Letras (ABL) surge como o fanal maior dessa salvaguarda. Ao olharmos para a Casa de Machado de Assis, nosso bruxo do Cosme Velho, que com sua ironia fina e domínio cirúrgico do idioma fundou os alicerces da nossa literatura, enxergamos a própria consagração do profissional de letras. Ao longo de mais de um século, a ABL tem sido o espaço onde a tradição e a inovação dialogam, abrigando mentes brilhantes que moldaram o nosso modo de ver o mundo. 

Olhamos também para a força descentralizada que ecoa em cada estado, como a aguerrida e centenária Academia Fluminense de Letras (AFL). Sediada com orgulho em nossa Niterói. A AFL cumpre no Rio de Janeiro o papel fundamental de interiorizar, defender e oxigenar a produção literária regional, provando que a literatura é um organismo vivo, pulsante e acessível a todas as franjas da sociedade. 

Mais do que um baluarte das tradições, a AFL teve sua relevância eternizada ao receber o justo título de Patrimônio Cultural Imaterial de Niterói. Essa honraria máxima chancela o valor de cada palestra, de cada posse, de cada debate e de cada moção de reconhecimento que emana de seus salões, mostrando que a história niteroiense e a literatura fluminense caminham de mãos dadas.

No vasto mosaico cultural que define a nossa "Cidade Sorriso", poucas instituições traduzem tão bem o espírito de união e preservação identitária quanto o Elos Clube de Niterói. Parte de uma comunidade internacional que cruza oceanos para conectar os povos de língua portuguesa, o Elos ultrapassa o papel de um clube de convivência: ele é uma verdadeira fortaleza de fomento às artes, à literatura e à cidadania.

O reconhecimento máximo dessa trajetória veio de forma meritória, ao ser agraciado com o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Essa chancela oficial não é apenas uma homenagem ao passado glorioso da instituição, mas o reconhecimento vivo de sua relevância no presente. Significa que os encontros literários, as celebrações e as pontes afetivas construídas pelo clube são essenciais para a própria alma fluminense.

Mas este texto, além de um abraço fraterno de parabéns aos meus pares, deseja ser um manifesto, um clamor direcionado a você, leitor. Quero usar o espaço desta curadoria para fazer um convite urgente: escreva.

Vivemos em uma era marcada pela velocidade avassaladora das telas, pela efemeridade das mensagens que se apagam em vinte e quatro horas e pela superficialidade das interações digitais. Nesse cenário de pressa e dispersão, o ato de sentar e escrever torna-se uma revolução silenciosa.

Por que você deve escrever? 

Porque a escrita tem o poder mágico de organizar o caos que carregamos dentro de nós. Quando colocamos uma ideia no papel, nós a tiramos do plano abstrato da angústia ou do desejo e a transformamos em realidade concreta. Escrever é um exercício de autoconhecimento, de coragem e, acima de tudo, de generosidade. 

Não se intimide pela busca de uma perfeição inexistente. A literatura não pertence apenas aos imortais das academias; ela nasce no peito de qualquer um que sinta a necessidade de registrar sua própria verdade. Escreva uma crônica sobre o entardecer que você observa da sua janela, um poema de amor para quem ilumina seus dias, um diário com suas memórias de infância, ou um manifesto sobre as injustiças que machucam seus olhos. 

Ao escrever, você deixa de ser uma mera testemunha passiva da história para se tornar narrador do seu próprio tempo. Suas palavras podem ser o consolo, a inspiração ou o estalo de lucidez que alguém do outro lado do mundo, ou do outro lado do tempo precisava encontrar. 

Neste dia de festa, é fundamental evocarmos os nomes daqueles que transformaram as letras brasileiras em uma luz de sensibilidade e técnica. Beber na fonte dos grandes mestres é o que nos mantém firmes no propósito de continuar produzindo cultura. 

Como esquecer a profundidade de Cecília Meireles, que com seu lirismo melancólico e preciso nos ensinou sobre a impermanência das coisas? Ler Cecília é compreender que a poesia é a música que a alma faz sem precisar de instrumentos. Como esquecer a mineiridade universal de Carlos Drummond de Andrade, que de sua pedra no caminho construiu um monumento de questionamento existencial e social? 

Devemos saudar a ousadia mística de Clarice Lispector, que levou a língua portuguesa a lugares psicológicos nunca antes visitados, e a grandiosidade de João Guimarães Rosa, que reinventou o próprio idioma para dar voz à imensidão do sertão e à alma humana.

Olhando para a nossa história literária, percebemos que o profissional de letras é, antes de tudo, um apaixonado pela humanidade. E essa paixão precisa ser alimentada diariamente por novas vozes que se somem a esse coro monumental.

No Focus Portal Cultural, renovamos diariamente o compromisso de ser uma vitrine democrática e vigorosa para a cultura brasileira e universal. Entendemos que apoiar o profissional de letras é apoiar a própria educação e o senso crítico do nosso povo. Um país que não valoriza seus escritores, seus professores de literatura e seus linguistas é um país condenado a falar a língua da ignorância e do esquecimento.

Neste 21 de maio, meu peito se enche de gratidão por cada colega de profissão que, em escritórios silenciosos, em salas de aula barulhentas, nas redações de jornais ou nas editoras independentes, continua acreditando no poder transformador da palavra. Nós somos os tecelões da realidade. Enquanto houver uma mente disposta a pensar e uma mão disposta a escrever, a barbárie não vencerá. 

Aos meus irmãos de ofício, aos mestres que me guiaram e continuam guiando, aos acadêmicos que sustentam nossas instituições com dignidade e a cada novo escritor que digita timidamente suas primeiras linhas: os meus mais sinceros e calorosos parabéns. 

Que continuemos espalhando asas através das palavras, fincando nossas raízes na rica herança que recebemos e mirando os horizontes infinitos que a literatura sempre nos proporciona. Viva o Profissional de Letras! Viva a Língua Portuguesa!

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural