sexta-feira, 1 de maio de 2026

A LINHAGEM DO HUMANISMO: DE NITERÓI AO VATICANO, A TRAJETÓRIA DE JEFFERSON TARDINI - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

No coração de Niterói, cidade que ostenta o título de um dos maiores IDHs do Brasil, as histórias de vida muitas vezes se entrelaçam com fios invisíveis que atravessam oceanos e séculos. No entanto, poucas trajetórias são tão singulares e carregadas de simbolismo quanto a de Jefferson Moreira Tardini. Ativista dos Direitos Humanos e presença importante na administração pública, Jefferson é o elo vivo entre a gestão técnica do Estado e uma estirpe de eclesiásticos que moldaram a diplomacia moderna do Vaticano. 

Esposo de Ana Regina Seixas, Jefferson Tardini não é apenas um nome de relevo na Receita Estadual ou no cenário político-social fluminense; ele é o herdeiro de um legado ético que remete ao Cardeal Domenico Tardini, um dos arquitetos da Igreja no século XX. Recentemente, essa conexão histórica deixou de ser apenas uma árvore genealógica para se tornar um diálogo vivo, materializado em uma carta pessoal enviada pelo Cardeal Pietro Parolin, o atual Secretário de Estado da Santa Sé, o "Primeiro-Ministro" do Papa Francisco. 

A diplomacia vaticana é conhecida por seu rigor e discrição. Por isso, a correspondência endereçada pelo Cardeal Parolin a Jefferson Tardini em agosto de 2025 ultrapassa o protocolo. Nela, o Cardeal não apenas agradece os votos de estima de Jefferson, mas reconhece a importância da linhagem que o liga a Domenico Tardini.

"Sinto-me muito pequeno diante de figuras como a do Cardeal Domenico Tardini... Com o Cardeal Tardini, aliás, há um vínculo duplo: como seu sucessor no cargo que ocupo no Vaticano e igualmente como seu sucessor na direção da Vila Nazareth", escreveu Parolin. 

Para entender a dimensão dessa carta, é preciso compreender quem é Pietro Parolin. Considerado o "número dois" da hierarquia católica, Parolin é o mediador de conflitos globais e um dos nomes mais cotados para o próximo papado. Ao trocar correspondência com o niteroiense Jefferson Tardini, Parolin valida a ponte cultural que une o Brasil à tradição humanista europeia.

A história de Jefferson encontra eco na pessoa de seu antepassado, Domenico Tardini. Nomeado Secretário de Estado pelo Papa João XXIII, Tardini foi o braço direito de Pio XII durante os anos tumultuados da Segunda Guerra Mundial. Ao lado de Giovanni Battista Montini, que viria a ser o Papa Paulo VI, Tardini conduziu a Igreja através de um dos períodos mais sombrios da humanidade. 

Mas o que mais aproxima Jefferson de Domenico não é apenas o cargo político-administrativo, mas a vocação social. Domenico fundou a Vila Nazareth, uma obra dedicada a órfãos e filhos de famílias carentes, com o objetivo de transformá-los em "bons cristãos e bons cidadãos". Esse espírito de serviço público e atenção aos menos favorecidos é o que se vê na atuação de Jefferson Tardini em solo brasileiro. 

Se o Cardeal Tardini cuidava das almas e da diplomacia em Roma, Jefferson Moreira Tardini dedica sua vida à justiça tributária e social no Brasil. Natural do Rio de Janeiro, mas profundamente radicado na vida pública de Niterói, Jefferson é um polímata moderno. Sua formação abrange desde o rigor do Direito Tributário até a sensibilidade das Medicinas Asiáticas Tradicionais. 

Sua carreira é um mosaico de competências: Coordenador na Inspetoria Regional da Receita Estadual e Vice-presidente de Finanças do CEFIBRA; Diretor Financeiro da Liga Nacional de Direitos Humanos e atual Vice-presidente do Centro de Estudos Sociais Presidente João Goulart.

Em 2018, foi condecorado pela Câmara Municipal de Niterói com a Medalha João Batista Petersen Mendes, pelas mãos do vereador Leonardo Giordano, um reconhecimento ao seu ativismo incansável. 

Jefferson não é um burocrata comum. Sua visão de mundo foi moldada por experiências internacionais raras, como ter sido Delegado do Brasil no Festival Internacional da Juventude Estudantil na União Soviética, em 1985. Sua formação na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra sobre Poluição Ambiental demonstra uma preocupação com o futuro do planeta que antecede as discussões climáticas atuais. 

A homenagem a Jefferson Tardini Moreira é, em última análise, uma celebração da coerência. Em um mundo onde nomes e heranças são muitas vezes usados apenas como adorno, Jefferson utiliza sua ascendência e suas conexões como um motor para o serviço. 

A resposta carinhosa do Vaticano não é apenas um "obrigado" formal; é o reconhecimento de que o espírito da Vila Nazareth, o de educar para a cidadania e para a fé, permanece vivo em Niterói através de suas ações. Jefferson, o profissional que entende de impostos e de humanidade, carrega no sobrenome a responsabilidade de um cardeal e no coração a vontade de transformar sua cidade. 

Ao lado de Ana Regina Seixas, ele compõe uma história de dedicação mútua e compromisso com o bem comum. Niterói, com seus olhos voltados para o mar e sua alma conectada à história, tem em Jefferson Tardini um de seus mais ilustres guardiões, um homem que, entre as leis fiscais e as orações trocadas com o Vaticano, prova que a verdadeira nobreza reside no serviço ao próximo. 

Um tributo à cultura, à história e à amizade.

Niterói-RJ, 2026. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


A CARTA O CARDEAL PIETRO PAROLIN

Secretário de Estado de Sua Santidade

Cidade do Vaticano, 30 de agosto de 2025 

Prezado Sr. Jefferson,

Muito me alegrou a sua carta, que me chegou no final de agosto, na qual o senhor expressa sentimentos de afetuosa estima para comigo. Receber cartas como a sua constitui um encorajamento a continuar, até quando Deus quiser, a servir com fidelidade e paixão a Igreja e a humanidade. 

Certamente, sinto-me muito pequeno diante de figuras como a do Cardeal Domenico Tardini e de outros grandes Secretários de Estado. Com o Cardeal Tardini, aliás, há um vínculo duplo: como seu sucessor no cargo que ocupo no Vaticano e igualmente como seu sucessor na direção da Vila Nazareth, a obra que ele fundou no pós-guerra para filhos de famílias carentes, a fim de torná-los bons cristãos e bons cidadãos, como diria Dom Bosco; pessoas que, em virtude de sua fé cristã, saibam trazer uma contribuição de crescimento à sociedade. A memória do Cardeal ainda está viva na Vila Nazareth e eu também aprendi sobre ele tantas coisas que, de outra forma, não saberia. 

Agradeço-lhe também pela oração. Continue a fazê-la, pois preciso muito. Eu também rezo pelo senhor. 

Com viva cordialidade, saúdo-o e desejo-lhe todo o bem.

(Assinatura de Pietro Parolin) 

BIOGRAFIA DE PIETRO PAROLIN

O Cardeal Pietro Parolin é o Secretário de Estado da Santa Sé desde 2013, nomeado pelo Papa Francisco. Nascido na Itália em 1955, é um experiente diplomata, frequentemente descrito como o "número dois" ou "vice-papa" do Vaticano.  

Com perfil moderado e conciliador, atua na gestão da Cúria Romana e nas relações internacionais, sendo apontado como um possível sucessor ao papado.

Atuou em representações na Nigéria, México e Venezuela. Destacou-se nas negociações entre o Vaticano e a China, além de mediações no Vietnã e Oriente Médio.

Como Secretário de Estado, é o principal conselheiro do Papa, similar a um primeiro-ministro. Linha de Pensamento: Moderado, equilibra visões reformistas com habilidades de diálogo entre alas conservadoras e progressistas da Igreja. Formação: Ordenado sacerdote em 1980, dedicou a maior parte da carreira ao serviço diplomático da Santa Sé. Parolin integra o conselho de cardeais que assessora o Papa Francisco nas reformas da Cúria Romana. 


BIOGRAFIA DE JEFFERSON TARDINI MOREIRA 

JEFFERSON TARDINI MOREIRA é natural do Rio de Janeiro, possui graduação em Direito Tributário, Medicinas Asiáticas Tradicionais. Coordenador do Grupo Especial junto a Inspetoria Regional da Receita Estadual. Vice-presidente de Finanças do CEFIBRA - Centro dos Fiscais do Brasil. Diretor Financeiro da Lia Nacional de Direito Humano; Secretário da Comissão Organizadora do Simpósio Tributário - CEFIBRA, Segundo Secretário da Comissão Executiva do Simpósio Tributário - CEFIBRA- Centro dos Fiscais do Brasil; Membro da Comissão de Atividades Sociais - 1º Congresso Brasileira de Fiscais Tributários; Diretor de Assuntos Internacionais - CEPAMAT; Representante (Delegado) do Brasil junto à União Soviética no Festival Internacional da Juventude Estudantil (1985); Atual Vice-presidente do Centro de Estudos Sociais Presidente João Goulart. 

Possui os cursos de Especialização e Aperfeiçoamento: Imposto de Renda e Correção Monetária - SENAC; Relações Públicas; Administração Municipal; Fiscalização Tributária; Direito Tributário Municipal; Poluição Ambiental pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. 

No dia 03 de julho de 2018 o Militante e Ativista dos Direitos Humanos Jefferson Tardini Moreira Foi Condecorado Com A Medalha João Batista Petersen Mendes, A Insigne e o Diploma foram entregues pelas mãos do Vereador Leonardo Giordano, na Câmara Municipal de Niterói. 

BIOGRAFIA DE DOMENICO TARDINI 

Domenico Tardini nascido em Roma, 29 de fevereiro de 1888 e falecido em Roma, 30 de julho de 1961 foi um cardeal italiano da Igreja Católica que trabalhou durante muitos anos na Cúria Romana. 

Ele frequentou a Escola Angelo Braschi e entrou no Pontifício Seminário Romano em 1903, onde se formou com honras em filosofia e teologia. 21 de setembro de 1912 foi ordenado sacerdote. Aceitou o chamado para ensinar liturgia e teologia no Seminário Romano e no Colégio Urbano da Propaganda Fide. Em 1923, foi nomeado pelo Papa Pio XI assistente geral da Ação Católica. 

Em 1925, o Papa o nomeou para uma segunda organização, Società della Gioventù Cattolica Italiana. A partir de 1921, trabalhou também na Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Ordinários, onde foi nomeado Sustituto em 1929 e Secretário em 1937. Com Giovanni Battista Montini, mais tarde Papa Paulo VI, foi o principal assistente do Cardeal Secretário de Estado Eugenio Pacelli , mais tarde Papa Pio XII, até 1939. 

Após sua eleição como Papa Pio XII, Pacelli nomeou Luigi Maglione como seu sucessor como Cardeal Secretário de Estado. Maglione não exerceu a influência de seu predecessor, que como Papa continuou sua estreita relação com Monsenhor Giovanni Battista Montini e Tardini. Após a morte de Maglione em 1944, Pio deixou o cargo vago e nomeou Tardini como chefe da seção estrangeira e Montini como chefe da seção interna. Tardini e Montini continuaram servindo lá até 1952, quando Pio XII decidiu elevar ambos ao Colégio dos Cardeais uma honra que ambos recusaram. Quando Tardini agradeceu por não tê-lo nomeado, Pio XII respondeu com um sorriso:

Monsenhor mio, você me agradece por não me deixar fazer o que eu queria fazer. Eu respondi: "Sim, Santo Padre, agradeço por tudo que você fez por mim, mas ainda mais, pelo que você não fez por mim. O Papa sorriu.

Em novembro de 1952, foi nomeado Pró-Secretário de Estado para Assuntos Eclesiásticos Extraordinários pelo Papa Pio XII, essencialmente co-servindo como Secretário de Estado funcional com Giovanni Battista Montini, que se tornou Pró-Secretário de Estado para Assuntos Eclesiásticos Ordinários. Além disso, eles receberam o privilégio de usar a insígnia episcopal. Tardini continuou nessa posição até a morte de Pio XII. 

Tardini adorava crianças e "adotava" os órfãos de Villa Nazareth, para os quais organizava reconhecimento e assistência. Audiências televisionadas com o Papa Pio XII e visitas do Papa João XXIII e de altos dignitários estrangeiros, tudo organizado por Tardini, facilitou a arrecadação de fundos para as crianças carentes.

 

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural













EFEMÉRIDE DO FOCUS PORTAL CULTURAL 01 DE MAIO DE 2026 CELEBRAMOS OS 197 ANOS DO NASCIMENTO DE JOSÉ DE ALENCAR

Em 1º de maio de 1829, na então vila de Messejana, hoje parte de Fortaleza, nascia José de Alencar, uma das figuras mais decisivas para a formação da identidade literária do Brasil. Ao completar 197 anos de seu nascimento, sua obra permanece viva, pulsando entre páginas que ajudaram a imaginar, narrar e consolidar um país em construção. 

Filho de uma família influente ligada, inclusive, aos movimentos revolucionários pernambucanos de 1817. Alencar cresceu em meio a debates políticos, ideias libertárias e efervescência intelectual. Essa formação não apenas moldou o homem público que viria a ser, mas também o escritor que transformaria a literatura brasileira ao dar-lhe um rosto próprio, nacional, distante das imitações europeias que dominavam o cenário cultural da época. 

Advogado por formação, jornalista por vocação e político por circunstância histórica, Alencar construiu uma trajetória multifacetada. Atuou como deputado do Império e ocupou o cargo de Ministro da Justiça em 1868, durante o Gabinete Itaboraí. No campo político, destacou-se por posições que, embora inseridas no contexto de seu tempo, revelavam certa sensibilidade progressista, como a defesa da abolição gradual da escravidão e a participação feminina na vida política ideias ainda embrionárias no Brasil do século XIX.

Mas foi na literatura que seu nome se eternizou. 

Considerado o principal expoente do romantismo brasileiro, Alencar foi um dos pioneiros na construção do romance de temática nacional. Em suas obras, o Brasil deixou de ser apenas cenário para se tornar protagonista. Seus textos exploram paisagens, costumes, conflitos e personagens genuinamente brasileiros, contribuindo para a consolidação de uma identidade cultural própria. 

Entre suas obras mais emblemáticas estão Iracema, O Guarani e Senhora. Em Iracema, por exemplo, o autor recria poeticamente a formação do povo brasileiro, unindo elementos indígenas e coloniais em uma narrativa simbólica e lírica. Já em O Guarani, constrói um épico nacional com forte carga idealista, enquanto Senhora mergulha nas relações sociais e econômicas da elite urbana, revelando as tensões do casamento e do dinheiro na sociedade imperial. 

Seu estilo combina lirismo, descrição detalhada e forte carga emocional, características marcantes do romantismo. No entanto, mais do que seguir uma escola literária, Alencar ajudou a moldá-la no Brasil. Por isso, não é exagero que tenha sido popularmente chamado de “pai da literatura brasileira”. 

Além do romancista, havia também o polemista. Alencar participou ativamente dos debates intelectuais de seu tempo, escrevendo artigos e críticas em jornais do Império. Sua atuação nos periódicos evidencia um intelectual engajado, disposto a discutir os rumos políticos, culturais e sociais do país.

Seu reconhecimento veio ainda em vida, embora não sem controvérsias. Admirado por muitos e criticado por outros, Alencar manteve-se como figura central no cenário cultural brasileiro. Entre seus contemporâneos estava Machado de Assis, que mais tarde o homenagearia ao torná-lo Patrono de uma das Cadeiras da Academia Brasileira de Letras, gesto que simboliza o respeito e a importância de sua contribuição à literatura nacional.

José de Alencar faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos. Sua morte precoce não impediu que deixasse um legado robusto e duradouro. Pelo contrário: sua obra continuou a influenciar gerações de escritores, críticos e leitores, consolidando-se como referência fundamental para a compreensão do Brasil. 

Celebrar os 197 anos de seu nascimento é, portanto, mais do que revisitar a biografia de um grande escritor. É reconhecer o papel da literatura na construção de uma nação, na valorização de suas raízes e na interpretação de suas contradições. 

No tempo presente, em que o Brasil segue em constante reinvenção, a leitura de Alencar oferece não apenas um olhar para o passado, mas também uma reflexão sobre identidade, pertencimento e memória. Seus personagens, cenários e conflitos continuam ecoando, lembrando-nos de que a literatura é uma das formas mais profundas de compreender quem fomos e quem ainda somos.

O Focus Portal Cultural presta, assim, sua homenagem a José de Alencar, cuja pena ajudou a desenhar o imaginário brasileiro e cuja voz permanece viva, atravessando séculos como um rio de palavras que ainda nos nomeia. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




Casa de José de Alencar em Messejana, hoje um distrito de Fortaleza.


Monumento a José de Alencar na Praça José de Alencar, no Rio de Janeiro.












A MÃO QUE DESPERTA O MUNDO POEMA DE © ALBERTO ARAÚJO - HOMENAGEM AO TRABALHADOR

Ele olhou para as próprias mãos e, pela primeira vez, não enxergou apenas calos ou poeira. Enxergou o mapa de uma vida que se faz útil. Aquelas mãos, rudes pelo esforço, eram na verdade ferramentas de precisão divina, capazes de transformar o vazio em abrigo e o silêncio em cidade. 

Antes, ele via o tijolo como argila cozida. Hoje, ele entende que cada bloco é um pedaço de segurança, o alicerce onde uma família guardará seus sonhos. Ele não apenas empilha materiais; ele organiza o caos, dando forma ao que antes era apenas pensamento e chão bruto. 

Há uma beleza solene no ato de erguer.

Não é a beleza efêmera das coisas que brilham, mas a beleza sólida da permanência.

O operário percebeu que, ao construir a casa, ele se construía.

Ao nivelar a viga, ele equilibrava a própria existência.

Cada gota de suor vertida no cimento não se perdia na terra, mas se tornava parte da liga invisível que mantém os homens unidos em sociedade. 

Ele compreendeu que sua missão é sagrada.

Que o seu ofício é o elo entre a necessidade e a realização.

Se a mesa está posta, foi porque sua mão forjou o caminho.

Se a luz se acende, foi porque seu passo desbravou a escuridão.

Se a nação caminha, é porque seus pés, firmes e cansados, sustentam o peso do progresso. 

O operário agora sabe: ele não é um acessório da máquina, mas o coração que a faz pulsar.

Ele descobriu que a verdadeira poesia não está apenas nos livros de rimas ricas, mas na curva perfeita de um arco bem feito, na precisão de um encaixe, na honestidade de um telhado que protege contra a chuva.

Sua dignidade não vem do que ele possui, mas da consciência do que ele é capaz de criar.

Ele olha para a cidade ao entardecer e, em cada janela iluminada, ele vê um reflexo de si mesmo.

Ele é o autor anônimo de uma obra monumental chamada realidade.

E, nesse instante de clareza, ele sorri.

Pois sabe que, enquanto houver um homem disposto a transformar o mundo com o trabalho, o mundo nunca deixará de ser novo. 

© Alberto Araújo

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01 DE MAIO: CELEBRANDO A FORÇA QUE MOVE O MUNDO E A CULTURA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Hoje, o Focus Portal Cultural faz uma especial. Neste 1º de maio, celebramos não apenas uma data no calendário, mas a essência que constrói a sociedade: o trabalho. 

O Dia do Trabalhador é, historicamente, um marco de resistência e conquista. Recordamos as lutas por direitos, por jornadas justas e por condições dignas. Mas, para além da história, olhamos para o presente. Olhamos para cada brasileiro e brasileira que, com suor e talento, transforma a realidade ao seu redor. 

No Focus, acreditamos que todo trabalho carrega em si uma centelha cultural. Do operário que ergue monumentos ao intelectual que molda o pensamento; do agricultor que alimenta a nação ao artista que alimenta a alma. Trabalhar é uma forma de expressão. É o modo como deixamos nossa marca no tempo e contribuímos para o mosaico da civilização. 

Neste dia, queremos parabenizar especialmente:

Os profissionais da educação e saúde, pilares de um futuro possível; Os trabalhadores do setor de serviços e comércio, que mantêm o pulsar das nossas cidades; Os artistas, produtores e fazedores de cultura, que muitas vezes enfrentam a invisibilidade para colorir nossos dias com reflexão e beleza.

Sabemos que os desafios contemporâneos são imensos. A tecnologia muda as relações laborais e a economia exige constante reinvenção. No entanto, o valor humano permanece insubstituível. O compromisso do Focus Portal Cultural é continuar sendo uma vitrine para essas trajetórias, denunciando as precarizações e aplaudindo as excelências. 

Feliz Dia do Trabalhador! Que este descanso seja merecido e que a jornada de amanhã seja repleta de propósito, respeito e valorização. Pois, no fim das contas, a maior obra de arte de uma nação é o bem-estar do seu povo.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

Compromisso com a informação,

respeito pelo seu esforço.

 

ANA MARIA TOURINHO EM DESTAQUE NO JUBILEU DA ORDEM DOS ARTILHEIROS DA CULTURA - POSTAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Niterói, 2026 – O Auditório do Forte de Copacabana consolidou-se, mais uma vez, como o epicentro da intelectualidade e do civismo fluminense. No dia 20 de abril de 2026, durante a celebração do jubileu de 20 anos da Ordem dos Artilheiros da Cultura, um nome brilhou com especial intensidade entre as agraciadas: Ana Maria Tourinho, a Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, Ana Maria Tourinho foi condecorada com a Medalha do Mérito à Mulher Brasileira, uma honraria que faz justiça à sua incansável trajetória de fomento às artes e à diplomacia cultural. Ao compartilhar conosco registros fotográficos desse momento singular, Ana Maria não apenas eternizou sua premiação, mas também a força de um movimento que une o Brasil ao mundo através da palavra escrita e do intercâmbio de saberes. 

Falar de Ana Maria Tourinho é referenciar uma gestora cultural cuja visão não conhece limites geográficos. Sua atuação na Rede Sem Fronteiras tem sido fundamental para a projeção da literatura lusófona em patamares internacionais. O reconhecimento recebido no Forte de Copacabana é o coroamento de um trabalho que alia elegância, rigor ético e uma capacidade ímpar de articulação institucional. 

Como Vice-presidente Cultural Mundial, ao lado da Presidente Mundial da Rede Sem Fronteiras Dyandreia Portugal, a Ana Maria tem sido a arquiteta de pontes literárias, permitindo que vozes brasileiras alcancem novos horizontes. Sua presença no evento, documentada em fotos que transbordam alegria e solenidade, reflete a dignidade de quem entende a cultura como o principal pilar de soberania de um povo.

O jubileu da Ordem dos Artilheiros da Cultura foi marcado por um protocolo rigoroso e emocionante. A abertura contou com o Hino do Centro de Literatura do Forte, composição de Abílio Kac, seguida pela brilhante palestra de Maria Amélia Palladino - Presidente da Academia Luso-Brasileira de Letras sobre o legado de Jorge Amado. 

Neste ambiente de alta voltagem intelectual, a homenagem a Ana Maria Tourinho destacou-se como um dos momentos de maior prestígio. Ela representa a "Artilheira da Cultura" em sua essência: aquela que utiliza a inteligência como munição para desarmar a ignorância e promover o progresso humano.

Ana Maria Tourinho é detentora de um magnetismo pessoal que inspira seus pares. Sua dedicação não é apenas burocrática; é uma entrega de alma. Ao lado de nomes como a presidente Matilde Carone Slaibi Conti, Angela Guerra Maria Amélia Palladino Ana Maria forma a vanguarda das mulheres que sustentam as instituições culturais do Rio de Janeiro. 

As imagens compartilhadas por Ana Maria mostram mais do que uma premiação; revelam o brilho nos olhos de quem mantém viva a chama do idealismo. Sua trajetória na Rede Sem Fronteiras é um mosaico de sucessos, onde cada projeto assinado por ela carrega o selo da excelência e do compromisso com o próximo. 

Por fim, o tempo é o senhor da razão e o guardião das memórias mais preciosas. Entre os registros fotográficos desse encontro histórico no Forte de Copacabana, dois em particular nos convidam à reflexão e à reverência: as imagens que trazem a presença de Dalva Borges. 

Falar de Dalva é retornar às origens da Ordem dos Artilheiros da Cultura. Ela é uma das ilustres pioneiras que participou do histórico 1º volume da Antologia Verso e Prosa do Forte de Copacabana, lançado em 2006. Naquela época, lançavam-se as sementes de um movimento que hoje completa seu jubileu de duas décadas de resistência e brilho intelectual.

Hoje, quando olhamos para essa trajetória de 20 anos, o valor de Regina torna-se ainda mais inestimável. Ela representa um grupo seleto e heroico; afinal, são poucos os participantes daquela edição inaugural que ainda estão entre nós para testemunhar a maturidade desta Ordem. Sua presença no evento de 2026 é um elo vivo entre o passado de fundação e o presente de glória. 

Ao lado de nomes como Ana Maria Tourinho e Matilde Carone Slaibi Conti, Regina personifica a continuidade do saber. Estas fotos não registram apenas um evento social, mas a vitória da literatura sobre o esquecimento. Regina é a prova de que a "Artilharia da Cultura" cumpre sua missão: imortalizar através da escrita aqueles que dedicam a vida à elevação do espírito humano. 

Este reconhecimento no Forte de Copacabana serve de preâmbulo para as futuras ações culturais, onde o espírito de união e valorização da mulher brasileira continuará a ser celebrado. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural























MAIO EM ICARAÍ: UM CALEIDOSCÓPIO DE FLORES, MATERNIDADE E MÚSICA EFEMÉRIDE ESPECIAL NO MÊS DAS FLORES - CRÔNICA LITERÁRIO-JORNALÍSTICA © ALBERTO ARAÚJO

Maio desperta em Niterói com um perfume diferente. Não é apenas a mudança da brisa que sopra da Baía de Guanabara, mas uma transformação sensorial que invade nossas ruas, nossos lares e nossos corações. Iniciamos o Mês das Flores e o Mês das Mães com uma alegria renovada, trazendo a essência da renovação para o centro da nossa convivência. Como bem disse o poeta Victor Hugo: "A vida é a flor da qual o amor é o mel". E em maio, esse mel transborda em cada esquina de Icaraí. 

Caminhar por Icaraí nestes dias é testemunhar uma coreografia de cores. A animação é palpável. Onde antes víamos apenas o movimento cotidiano, agora vemos a preparação para o afeto. Os quiosques de flores, verdadeiros guardadores da primavera fora de época, já estão prontos. 

Na Rua Presidente Backer, a vida desabrocha em pétalas; ali, o colorido vibrante das orquídeas e a elegância atemporal das rosas não apenas decoram a calçada, mas parecem saudar, com uma reverência perfumada, cada passante que se permite a pausa. Já na Rua Belisário Augusto, o ar se torna uma prece suave, onde o aroma etéreo dos jardins suspensos, que escorrem das varandas como cascatas de afeto, enlaça-se ao perfume terroso e doce das florarias: Estela Flores, na Rua Visconde de Sepetiba, Luxo Natural Niterói, na Rua Paulo Gustavo; Giuliana Flores, no Ingá e muitos outros lugares florais.

É um cenário que nos devolve a pureza da infância e a força da gratidão, evocando a máxima de Ralph Waldo Emerson: "A terra ri através das flores". E se Niterói ostenta com orgulho o título de Cidade Sorriso, tem sentido, em maio suas ruas não apenas sorriem, elas gargalham em tons de carmim, âmbar e violeta. É um riso que nasce no solo, floresce nos quiosques e culmina no olhar de cada mãe niteroiense, confirmando que, por aqui, a felicidade é uma estação que insiste em florescer em cada esquina de Icaraí e toda Niterói. 

Essa efervescência floral não se limita apenas às bancas tradicionais. Há uma integração vibrante com o nosso cotidiano. Ao entrar em espaços como o Prezunic ou o Pão de Açúcar, somos imediatamente recebidos por seções florais que se expandiram, preparadas para as homenagens que estão por vir. A Casa Fruta e outras casas do gênero transformam-se em extensões de jardins particulares, onde a busca pelo arranjo perfeito é, na verdade, a busca por uma tradução visual do amor. 

Se as flores dão o tom visual, a música e o espírito festivo dão o ritmo. Ainda sob o impacto das notas do Dia Internacional do Jazz, maio entra com uma programação que entrelaça o erudito e o popular, o teatro e a vida. A alma de Icaraí se torna um palco vivo. 

A música, neste contexto, funciona como o elo entre gerações. "A música exprime o que não pode ser dito e sobre o qual é impossível calar", dizia Victor Hugo. Em cada ponto de encontro do bairro, o som se faz presente, celebrando a identidade niteroiense, uma mistura de sofisticação e acolhimento. A alegria é o nosso norte, e o humor, essa ferramenta tão nobre de resiliência, leveza e inteligência, pontua nossas conversas nas calçadas, nos cafés e nos centros culturais. 

No centro de toda essa celebração, reina a figura materna. Maio é o mês que nos convida a pausar e reconhecer aquela que, segundo Honoré de Balzac, "tem o coração como um abismo profundo no fundo do qual sempre se encontra o perdão". 

Enobrecer as mães é enobrecer a própria vida. Em Niterói, essa homenagem ganha contornos de gratidão pública. Elas são as primeiras educadoras, as primeiras ouvintes da nossa música interna e as que mais apreciam o gesto simples de uma flor colhida no caminho. Este texto é um tributo a essa força silenciosa que move as engrenagens de Icaraí e de toda a nossa sociedade. 

Este início de maio não é apenas uma data no calendário; é um estado de espírito. É o momento de mergulhar na autenticidade de nossa cultura regional, valorizando o comércio local que se veste de gala para nos atender. Cada quiosque preparado na Paulo Gustavo, cada arranjo montado nas proximidades da praia, é um convite para descobrirmos a beleza no detalhe.

Unimos, assim, a delicadeza das pétalas, a leveza do sorriso e o ritmo envolvente das melodias que ecoam pelo bairro. Convidamos todos os residentes e visitantes a se deixarem contagiar por este ambiente festivo. Que o mês de maio seja como um jardim bem cuidado: que floresça com paciência, que vibre com música e que seja regado com o amor incomensurável das mães. 

Que este maio seja, acima de tudo, um mês de encontros,  entre as pessoas, entre as artes e entre as flores. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

Niterói, 01 de maio de 2026.