quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O FOCUS PORTAL CULTURAL RENDE HOMENAGENS, CUMPRIMENTOS E FELICITAÇÕES À DRA. RITA RIVELLO


O Focus Portal Cultural apresenta seus cumprimentos e felicitações à Dra. Rita Rivello, personalidade de moral ilibada e sabedoria exemplar, cuja trajetória de dedicação ao Hospital Universitário Antônio Pedro e às causas sociais inspira gerações e engrandece a cultura de Niterói. 

No dia 15 de janeiro de 2026, o Auditório Aloysio de Paula recebeu uma celebração que ficará marcada na memória da cidade: o Jubileu de Diamante do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). Foram 60 anos de história, dedicação e excelência em saúde pública e ensino superior. Entre discursos e aplausos, um nome se destacou com brilho especial: o da Dra. Rita Rivello, homenageada com o Prêmio Destaque Profissional e a Medalha Calixto Khalil.

Fundado em 15 de janeiro de 1951, o então Hospital Antônio Pedro nasceu em homenagem ao médico clínico-geral Antônio Pedro Pimentel, um dos fundadores da Faculdade Fluminense de Medicina. Nos primeiros anos, sua manutenção dependia de verbas municipais e da cobrança de serviços médicos. Em dezembro de 1961, o hospital foi cenário de solidariedade ao socorrer centenas de vítimas do incêndio no Gran Circus Americano, tragédia que deixou cerca de 400 feridos. 

Apesar da dedicação de médicos e estudantes, a falta de equipamentos levou ao fechamento temporário. Foi somente em 1964, após intensa mobilização dos alunos da recém-criada Universidade Federal Fluminense (UFF), que o prédio foi oficialmente cedido à instituição, transformando-se no Hospital Universitário Antônio Pedro. A partir daí, consolidou-se como referência em ensino, pesquisa e assistência dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Hoje, o HUAP é reconhecido como um dos principais centros de atendimento de alta complexidade do país. Sua atuação junto ao SUS garante acesso a serviços especializados, ao mesmo tempo em que forma gerações de profissionais comprometidos com a saúde pública. Para milhares de famílias da Região Metropolitana II do Rio de Janeiro, o hospital é mais do que uma instituição: é parte da vida cotidiana, um espaço de confiança e esperança. 

Celebrar o Jubileu de Diamante é reconhecer não apenas a longevidade da instituição, mas também sua capacidade de se reinventar e superar desafios. Nesse contexto, a homenagem à Dra. Rita Rivello ganha ainda mais significado. 

A Medalha Calixto Khalil, concedida a profissionais que se destacam pela excelência técnica e dedicação incansável, simboliza o legado de quem ajuda a construir a história do HUAP. Receber essa honraria é inscrever-se na memória viva da instituição, como alguém que transforma vidas e inspira colegas. 

A escolha de Rita Rivello como homenageada é um testemunho eloquente de sua trajetória exemplar. Voluntária dedicada, pesquisadora incansável e médica apaixonada, Rita construiu uma carreira marcada por excelência clínica e sensibilidade humana. Reconhecida por sua escuta atenta e olhar acolhedor, ela é descrita por alunos como uma mentora generosa e por colegas como referência ética e profissional.

Ao longo dos anos, Rita participou de projetos de pesquisa inovadores, formou centenas de médicos e esteve na linha de frente em momentos críticos da saúde pública. Sua presença no HUAP tornou-se sinônimo de confiança, respeito e inspiração.

A cerimônia de entrega da Medalha Calixto Khalil foi marcada por emoção. Em meio aos aplausos, Rita recebeu a honraria com humildade e gratidão, reafirmando seu compromisso com a missão do HUAP. Sua homenagem é também um convite à reflexão sobre o papel dos profissionais de saúde na construção de um país mais justo e humano.

Celebrar Rita Rivello é celebrar todos aqueles que fazem da medicina uma vocação de cuidado e transformação. Em tempos de desafios complexos para a saúde pública, sua trajetória ilumina caminhos e renova esperanças.

O Jubileu de Diamante do HUAP, ao reconhecer Rita, reafirma o compromisso da instituição com a formação de profissionais que honram o passado, enfrentam o presente e constroem o futuro. 

UM POUCO SOBRE RITA RIVELLO 

Nascida em Muriaé e radicada em Niterói, Rita de Barros Rivello construiu uma trajetória marcada por cultura, dedicação e serviço ao próximo. Sua formação acadêmica reflete o espírito inquieto e plural: estudou na Universidade Cândido Mendes, frequentou o tradicional Colégio Pedro II, em São Cristóvão, integrando a primeira turma feminina do externato, e concluiu o curso de Letras – Português/Inglês na Universidade Federal Fluminense (UFF). 

Casada por muitos anos com o Dr. Tarcísio Rivello que presidiu a Instituição até sua partida, Rita consolidou-se como uma personalidade de moral ilibada e sabedoria exemplar, atributos que se tornaram notório saber em sua comunidade. 

À frente da Associação dos Amigos do Hospital Universitário Antônio Pedro (ACHUAP) por mais de uma década, Rita Rivello reuniu voluntários e mobilizou doações que beneficiaram pacientes e familiares do HUAP. Sua liderança não se restringiu ao hospital: presidiu também a Casa da Amizade das Esposas dos Rotarianos e das Rotarianas de Niterói, o Lar da Criança Padre Franz Neumair, e integrou o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Municipal de Direito da Mulher. 

Hoje, segue como inspiração no trabalho voluntário junto ao Rotary Clube Niterói Icaraí, reafirmando sua vocação para o serviço comunitário.

No dia 27 de maio de 2022, no Auditório do Hospital Antônio Pedro, Rita Rivello recebeu homenagem oferecida pelo Reitor da UFF, Prof. Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega, pelo brilhante período em que presidiu a ACHUAP. Durante sua gestão, mobilizou mulheres representativas da cidade de Niterói para atuarem como voluntárias em doações e serviços voltados a pacientes desprovidos de assistência.

Encerrando seu ciclo na presidência em maio de 2022, Rita escreveu em sua página do Facebook: “Agradeço ao Reitor da UFF e aos profissionais de enfermagem do HUAP”, palavras que revelam sua humildade e gratidão. Atualmente, a associação é presidida por Paula Lara, que dá continuidade aos esforços iniciados por Rivello. 

A HISTÓRIA DA ACHUAP

Fundada em 1951 pelo médico cirurgião Mário Duarte Monteiro, da antiga Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (atual UFF), a ACHUAP nasceu do desejo de prestar assistência aos pacientes internados. Inicialmente composta por esposas de médicos, a associação acompanhou as transformações sociais e, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, ampliou seu perfil de colaboradoras. 

Apesar das mudanças, sua missão permanece: promover a melhoria e a reabilitação dos pacientes, apoiando o HUAP dentro de suas possibilidades. 

Hoje, a associação reúne senhoras da ASPI-UFF e de instituições como o BNDES e o Exército Brasileiro, que semanalmente se organizam para arrecadar doações: itens de higiene pessoal, roupas, sapatos, mantas para recém-nascidos, mobílias, eletrodomésticos e outros bens oferecidos por contribuintes, amigos e familiares solidários.

A sede da ACHUAP localiza-se na Rua Marquês de Paraná, 303, 4º andar, Prédio Anexo, Centro, Niterói, um espaço que simboliza a união de esforços em prol da dignidade humana.

 

Texto e pesquisa por

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 


 

TANIA ZAGURY - A VIDA COMO OBRA, A OBRA COMO VIDA


 

Hoje, 15 de janeiro, celebramos não apenas o aniversário de Tania Zagury, mas a celebração da vida em sua forma mais plena. Professora, filósofa, escritora e acadêmica, ela nos ensina que viver é também educar, escrever, pensar e amar. Sua trajetória é marcada por coragem intelectual e ternura humana. Desde a infância, quando alfabetizou a irmã com apenas onze anos, já se revelava a vocação que a acompanharia por toda a vida: a de iluminar caminhos. 

Na sala de aula, Tania não apenas transmitia conteúdos, mas despertava consciências. Sua presença era firme, mas sempre envolta em delicadeza. Cada aluno era visto como um ser único, digno de atenção e respeito. Essa amabilidade se tornou sua marca registrada, fazendo dela não apenas uma mestra, mas uma referência de humanidade. 

Ao longo de décadas, sua prática pedagógica foi marcada pela convicção de que educar é libertar. 

Tania Zagury é autora de mais de 34 livros, muitos deles traduzidos para outros idiomas e publicados em países como França, Itália, Espanha, Canadá, México, Argentina, Cuba e República Dominicana. 

ENTRE SUAS OBRAS MAIS CONHECIDAS ESTÃO: 

“Limites sem trauma” – um clássico da educação brasileira, que revolucionou a forma de pensar disciplina e afeto.

“O professor refém” – reflexão sobre os desafios da docência em tempos de crise de autoridade.

“Educação: a solução está no afeto” – obra que reafirma sua crença de que o amor e o respeito são pilares da aprendizagem. 

“O desafio de educar” – livro que se tornou referência para pais e educadores em todo o país.

Dez de seus livros foram indicados ao Prêmio Jabuti, confirmando a relevância de sua produção literária.

O impacto de sua obra ultrapassa os muros da academia. Em sete municípios brasileiros, no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, existem salas de leitura que levam seu nome. Esses espaços são mais do que homenagens: são sementes de futuro, lugares onde crianças e jovens podem descobrir o poder transformador da palavra. 

O que torna Tania inesquecível não é apenas sua produção intelectual, mas sua humanidade. Ela é lembrada por sua capacidade de escuta, por sua delicadeza no trato com alunos e leitores, por sua firmeza em defender valores éticos e humanistas.

Ao lado de Tania, está Leão Zagury, seu “muso”, como gostamos de dizer. Um verdadeiro gentleman, Leão é presença discreta e elegante, mas fundamental na trajetória da escritora. O convívio deles é marcado por cumplicidade, respeito e afeto. Juntos, cultivaram uma família sólida, marcada por valores éticos e pelo amor à cultura. O convívio com os filhos e amigos é lembrado pela hospitalidade, pela generosidade e pela alegria de compartilhar momentos. A casa dos Zagury é espaço de encontros, conversas e afetos um prolongamento daquilo que Tania defende em sua obra: que o conhecimento só tem sentido quando se traduz em humanidade.

Hoje, ao celebrarmos sua vida, celebramos também o legado que construiu. Um legado feito de livros, de ideias, de gestos e de afetos. Um legado que nos inspira a acreditar que a educação pode transformar, que a literatura pode libertar, que a filosofia pode iluminar.

Tania Zagury é, acima de tudo, uma presença que nos lembra de que viver é um ato de coragem e de amor. 

Que este 15 de janeiro seja um marco de gratidão. Gratidão por sua vida, por sua obra, por sua amabilidade. Gratidão por nos mostrar que a verdadeira grandeza está em unir conhecimento e humanidade. 

Hoje, celebramos Tania Zagury, e celebramos a vida que ela tão generosamente compartilha conosco.

 

BIOGRAFIA DE TANIA ZAGURY

produzida exclusivamente para essa postagem 

Tania Zagury nasceu no Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1949. Desde cedo revelou sua inclinação para o magistério: aos 11 anos elaborou uma cartilha para alfabetizar a irmã caçula. Essa experiência precoce foi o prenúncio de uma vida dedicada à educação. 

Formou-se professora do ensino fundamental na Escola Normal Carmela Dutra e, aos 17 anos, já lecionava. Em 1968 ingressou na Faculdade de Filosofia da UERJ, onde se graduou em Filosofia, habilitando-se a lecionar Filosofia, Psicologia e Sociologia.

Mestre em Educação pela UFRJ, onde também frequentou disciplinas do doutorado. 

Professora adjunta da Faculdade de Educação da UFRJ, atuando nos departamentos de Psicologia e Didática. 

Criadora da Central de Estágios, que aproximou licenciandos da realidade da sala de aula. 

Supervisora educacional do Município do Rio de Janeiro entre 1971 e 1981. 

Sua grande paixão sempre foi o ensino público e gratuito, especialmente a sala de aula. 

Autora de mais 34 livros, muitos traduzidos e publicados em países como França, Itália, Espanha, Canadá, México, Argentina, Cuba e República Dominicana. Dez deles foram indicados ao Prêmio Jabuti de Literatura.

Entre suas obras mais marcantes: 

Sem padecer no paraíso (1991) – crítica à ausência de limites na educação. 

Educar sem culpa (1994) – reflexão sobre ética e formação de caráter. 

Rampa (1996) – ficção realista sobre exclusão social. 

Limites sem trauma (2000) – traduzido em diversos países, tornou-se referência internacional. 

O professor refém (2006) – estudo sobre a crise de autoridade docente.

O adolescente por ele mesmo (2013) – pesquisa com quase mil jovens brasileiros.

Filhos adultos mimados, pais negligenciados (2015) – análise da geração educada com excesso de liberdade. 

Pensando Educação com os Pés no Chão (2018) – balanço crítico das políticas educacionais brasileiras. 

Além disso, criou a Coleção Ecológica para crianças, com histórias que unem literatura e consciência ambiental. Em parceria com seu companheiro Leão Zagury, publicou livros infantis como O jacaré que comeu a noite e O menino e o macaco Caco. 

Membro da Academia Carioca de Letras (Cadeira nº 30).

Membro do PEN Clube do Brasil e da Associação Brasileira de Educação.

Eleita Personalidade Educacional 2014 pela ABI e pelo jornal Folha Dirigida.

Recebeu a Comenda da Ordem da Educação pelo conjunto da obra. 

Sete salas de leitura em municípios do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo levam seu nome. 

Até 2018, concedeu inúmeras entrevistas em programas de TV, rádio e jornais. Participou diversas vezes do Fantástico, Programa do Jô, Sem Censura e Programa Silvia Poppovic. Foi colunista de revistas como Crescer e Pais & Filhos, além de articulista em jornais como O Globo, Jornal do Brasil e Tribuna do Espírito Santo.

Celebrar Tania Zagury é celebrar: 

A educadora que iluminou gerações.

A escritora que construiu pontes entre filosofia e cotidiano.

A acadêmica que ocupa lugar de destaque nas letras brasileiras.

A mulher que, com amabilidade e firmeza, transformou vidas. 

Hoje, 15 de janeiro, celebramos Tania Zagury, sua vida, sua obra, sua amabilidade. Celebramos também Leão Zagury, companheiro e coautor, e a família que juntos construíram. Gratidão por nos mostrar que a verdadeira grandeza está em unir conhecimento e humanidade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







Outubro de 2001: Tania com Rubem Alves no 9º Encontro Nacional de Educação em Diabetes, no Rio de Janeiro. Fizemos, ambos, parte de mesas de debates sobre o papel da Educação como parte do tratamento do Diabetes
















MEMÓRIAS DE LUZILÂNDIA © ALBERTO ARAÚJO

A minha infância nasceu entre o pó vermelho da terra e o brilho das águas do Rio Parnaíba. Luzilândia, pequena cidade do Piauí, guardava em cada esquina uma história, em cada rosto uma fé, e em cada gesto uma simplicidade que moldou quem eu sou. Era ali, sob o olhar protetor de Santa Luzia, padroeira que iluminava nossas esperanças, que cresci menino, correndo descalço, com o vento quente do sertão atravessando meu corpo e a alma leve como o canto dos pássaros ao amanhecer. 

Minha mãe, mulher de fé inabalável, tinha o terço sempre entre os dedos. Devota da Virgem Maria ajoelhava-se diante de seu pequeno altar de madeira, onde flores improvisadas e velas acesas criavam um cenário de devoção. Às seis da tarde, quando o sino da igreja anunciava o Ângelus, o silêncio se espalhava pelas casas. Eu a via rezar, com os olhos fechados e a voz baixa, como se conversasse diretamente com o céu. Aquele momento era sagrado: a cidade inteira parecia se recolher, e até o rio diminuía seu rumor para ouvir as preces que subiam. 

O Rio Parnaíba era mais que paisagem: era vida. Os pescadores, com suas canoas estreitas e redes gastas, deslizavam sobre suas águas como sombras que conheciam cada correnteza. Eu os observava, fascinado, enquanto puxavam peixes prateados que brilhavam sob o sol. O rio era generoso, mas também exigia respeito. Havia dias em que a correnteza parecia querer engolir tudo, e outros em que se tornava espelho do céu, refletindo nuvens preguiçosas que se arrastavam sobre nós. Para mim, menino, o Parnaíba era aventura: mergulhava em suas águas, sentia o frescor que quebrava o calor da tarde, e emergia rindo, com os cabelos grudados na testa e o coração batendo forte.

As mangueiras eram minhas fortalezas. Eu subia nos galhos grossos, sentindo a casca áspera sob as mãos, e lá de cima via o mundo se abrir em horizontes largos. O cheiro doce das mangas maduras misturava-se ao pó da terra vermelha, e eu me sentia dono de um reino secreto. Muitas vezes, ficava ali escondido, ouvindo ao longe o chamado da minha mãe, que me procurava para a reza ou para ajudar nos afazeres. Mas o desejo de liberdade era maior: eu queria voar, queria ser parte do vento que atravessava os quintais e se perdia nas margens do rio. 

As festas de Santa Luzia eram o auge da nossa fé e da nossa alegria. A cidade se enfeitava com bandeirolas coloridas, e o som dos fogos anunciava a novena. As pessoas se reuniam na praça, trazendo promessas, agradecimentos e esperanças. Eu me lembro da procissão, das velas acesas que iluminavam os rostos cansados, mas cheios de devoção. Era como se toda Luzilândia se transformasse em um só coração, pulsando ao ritmo das ladainhas e dos cânticos. A fé era o fio que nos unia, e eu, menino, sentia que havia algo maior nos protegendo, algo que não se via, mas que se sentia em cada gesto de devoção. 

As manhãs começavam cedo. O sol nascia com força, tingindo o céu de vermelho e dourado, e o cheiro da terra aquecida se espalhava pelo ar. Eu corria pelos quintais, os pés cobertos de pó, e o riso ecoava como música. O mundo era simples: brincar de roda, soltar balões improvisados, caçar passarinhos com estilingue, ou apenas deitar na sombra das árvores e inventar histórias. A vida era feita de pequenos milagres: o café fervendo no fogão de lenha, o cheiro do beiju assado, o som das galinhas ciscando no terreiro. Tudo tinha um ritmo próprio, lento e eterno, como se o tempo não tivesse pressa em passar. 

À tarde, o calor se deitava sobre nós como um manto pesado. As sombras se alongavam, e o rio chamava com sua promessa de frescor. Eu mergulhava, sentia a água me envolver, e ficava ali, boiando, olhando o céu que se tingia de laranja. Era nesse instante que a infância se tornava infinita: o silêncio do rio, o canto distante dos pescadores, o som das rezas que começavam nas casas. O Ângelus voltava a marcar o tempo, e eu sabia que minha mãe estaria ajoelhada, com o terço entre os dedos, pedindo proteção para nós.

Luzilândia era mais que cidade: era memória viva. Cada rua de terra, cada pedra da igreja, cada árvore carregava histórias que se misturavam às nossas. O Parnaíba, com sua força e sua beleza, era testemunha de tudo: das brincadeiras, das rezas, das lutas e das esperanças. Santa Luzia, com seu olhar sereno, era o farol que guiava nossas vidas. E eu, menino, correndo pela terra vermelha, subindo nas mangueiras e mergulhando no rio, guardo até hoje a certeza de que ali, naquele pedaço de mundo, encontrei a essência da vida: simplicidade, fé e liberdade. 

Hoje, quando fecho os olhos, ainda sinto o cheiro da terra quente, o gosto doce das mangas, o frescor do rio. Ainda ouço a voz da minha mãe rezando, ainda vejo os pescadores puxando suas redes, ainda sinto o calor das festas de Santa Luzia. Essas memórias não são apenas lembranças: são raízes que me sustentam, são luzes que me guiam, são pedaços de eternidade que vivem dentro de mim.

© Alberto Araújo



 











quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

CARTA ABERTA DO FOCUS PORTAL CULTURAL AO REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA E AO SEU PRESIDENTE, DR. FRANCISCO GOMES DA COSTA

O Real Gabinete Português de Leitura, situado no coração do Rio de Janeiro, é mais do que uma biblioteca monumental: é um templo da memória, da cultura e da língua portuguesa. Desde sua fundação em 1837, por imigrantes portugueses que buscavam preservar e difundir o legado literário de sua pátria, o Gabinete tornou-se um dos mais importantes símbolos da presença cultural lusa fora de Portugal. Hoje, quase dois séculos depois, a instituição reafirma sua relevância ao ser agraciada com a Ordem de Camões, no grau de Membro Honorário, uma distinção raríssima, concedida pelo Governo de Portugal a pouquíssimas instituições no mundo. 

Este reconhecimento não é apenas uma homenagem protocolar. É o coroamento de uma trajetória marcada pela dedicação à salvaguarda da língua portuguesa, pela preservação de um acervo único e pela promoção de atividades culturais que projetam o idioma como patrimônio imaterial global. O Real Gabinete, com sua arquitetura neomanuelina e sua biblioteca que abriga mais de 350 mil volumes, é um espaço onde o passado dialoga com o presente e inspira o futuro. 

Luís de Camões, o poeta maior da literatura portuguesa, está impregnado na identidade do Gabinete. Sua imagem se revela nos bustos, nos quadros, nas obras raras e até na pedra fundamental do edifício, lançada em 1880, no tricentenário de sua morte. Camões é mais do que uma figura histórica: é o elo que une os falantes da língua portuguesa em todos os continentes. 

Ao receber a Ordem que leva seu nome, o Real Gabinete reafirma essa ligação profunda e simbólica, tornando-se guardião oficial de um legado que transcende fronteiras. 

Desde 2016, o Real Gabinete é presidido pelo Dr. Francisco Gomes da Costa, cuja gestão se destaca pela seriedade, pela visão cultural e pela capacidade de projetar a instituição para além de seus muros históricos. Reconhecido pela mídia e por publicações do próprio Gabinete, o presidente tem conduzido uma administração que alia tradição e inovação, preservando o patrimônio material e imaterial da instituição e, ao mesmo tempo, ampliando sua presença no cenário cultural contemporâneo. 

Sob sua liderança, o Gabinete intensificou sua programação cultural, promovendo conferências, exposições, lançamentos literários e parcerias que reforçam o papel da instituição como espaço de encontro e diálogo entre Brasil, Portugal e a comunidade lusófona. A honraria recebida é também um reconhecimento à sua gestão, que soube valorizar a história sem perder de vista os desafios do presente. 

No dia 15 de janeiro de 2026, no Palácio de São Clemente, sede do Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, será realizada a cerimônia oficial de imposição da Ordem de Camões, conduzida pelo Embaixador Luis Faro Ramos. Este ato solene não é apenas um protocolo diplomático: é um gesto que simboliza a união de dois países irmãos e a valorização de uma instituição que se tornou referência mundial na preservação da língua portuguesa. 

Ao ser distinguido como Membro Honorário da Ordem de Camões, o Real Gabinete inscreve seu nome em uma galeria restrita e prestigiosa, reforçando sua posição como farol cultural e literário. 

Num mundo marcado pela diversidade cultural e pela multiplicidade de idiomas, a língua portuguesa se afirma como uma das mais faladas do planeta, presente em quatro continentes e em comunidades que compartilham uma história comum. O Real Gabinete, ao longo de sua trajetória, tem desempenhado um papel essencial na projeção dessa língua, oferecendo acesso a obras raras, incentivando a pesquisa acadêmica e promovendo eventos que celebram a literatura e a cultura lusófona.

Mais do que um espaço físico, o Gabinete é um símbolo de resistência cultural. Em tempos de globalização acelerada, onde identidades muitas vezes se diluem, a instituição reafirma a importância de preservar raízes, memórias e tradições. Sua biblioteca é um tesouro que guarda não apenas livros, mas também a alma de um povo. 

Receber a Ordem de Camões é, ao mesmo tempo, celebração e responsabilidade. Celebração de um legado construído ao longo de quase dois séculos e responsabilidade de continuar irradiando conhecimento, promovendo encontros e fortalecendo os laços entre os povos que compartilham a língua portuguesa. 

O Real Gabinete, sob a presidência do Dr. Francisco Gomes da Costa, assume este compromisso com vigor renovado. A honraria é a confirmação de que sua missão transcende o espaço físico da biblioteca: é um chamado para continuar sendo referência cultural, intelectual e simbólica para milhões de falantes da língua portuguesa ao redor do mundo. 

O Focus Portal Cultural, por meio desta Carta Aberta, celebra junto ao Real Gabinete Português de Leitura e ao seu presidente esta conquista histórica. A Ordem de Camões não é apenas uma medalha ou um título honorífico: é o reconhecimento de que o Gabinete é guardião de uma herança que une nações, inspira gerações e projeta o futuro da língua portuguesa. 

Que esta homenagem sirva de inspiração para que novas iniciativas culturais floresçam, para que a memória seja sempre preservada e para que a palavra escrita continue a ser instrumento de união, identidade e transformação. 

O Real Gabinete Português de Leitura é, hoje e sempre, um farol que ilumina o caminho da cultura lusófona.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA RECEBE A ORDEM DE CAMÕES


Há lugares que não apenas guardam livros, mas também histórias, memórias e identidades. O Real Gabinete Português de Leitura é um desses raros espaços onde a arquitetura fala, os acervos respiram e a língua portuguesa se projeta como ponte entre continentes. Fundado em 1837 por imigrantes portugueses, tornou-se um dos maiores símbolos da presença cultural lusa no Brasil, abrigando um dos mais preciosos acervos de literatura portuguesa fora de Portugal. 

No coração do Rio de Janeiro, entre estantes centenárias e salões que preservam séculos de tradição, o Gabinete reafirma sua posição como guardião da língua e da cultura lusófona. Mais que uma biblioteca, é um monumento vivo à memória literária, artística e intelectual que une Portugal e Brasil. 

A presença de Luís de Camões, símbolo maior da literatura portuguesa, é sentida em cada detalhe: nos bustos, nos quadros, nas obras raras e até na pedra fundamental lançada em 1880, no tricentenário da morte do poeta. Essa ligação histórica se fortalece agora com uma distinção inédita.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à projeção da Língua Portuguesa no mundo, o Governo de Portugal agraciou o Real Gabinete com a Ordem de Camões, no grau de Membro Honorário, honraria concedida a pouquíssimas instituições fora de Portugal. A cerimônia oficial acontecerá em 15 de janeiro de 2026, no Palácio de São Clemente, sede do Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, conduzida pelo Embaixador Luis Faro Ramos. 

Este gesto não apenas celebra o passado, mas projeta o futuro. Receber a Ordem de Camões é a confirmação de um legado e a renovação de um compromisso: o de irradiar conhecimento, promover encontros e fortalecer os laços entre os povos que compartilham a língua portuguesa. Que esta homenagem inspire novas gerações a reconhecer na palavra escrita um instrumento de união, memória e transformação.

© Alberto Araújo

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MATILDE SLAIBI CONTI EM OCEAN CAY MSC MARINE RESERVE - A ILHA PARTICULAR DA MSC CRUZEIROS NAS BAHAMAS

No dia 14 de janeiro de 2026, a presidente do Elos Internacional, historiadora e líder cultural Matilde Slaibi Conti, esteve em Ocean Cay MSC Marine Reserve, nas Bahamas. Acompanhada de seu irmão Nagib Slaibi Filho e de Karin Dias, musa inspiradora de Nagib, Matilde prossegue sua viagem em cruzeiro pelo Caribe, Honduras e Bahamas, revelando cidades históricas e paisagens culturais de grande relevância. 

Localizada a pouco mais de 100 km de Miami, Ocean Cay é uma ilha singular. Antes degradada pela exploração de areia, foi adquirida pela MSC Cruzeiros e transformada em um verdadeiro santuário ecológico. Onde havia sucata e resíduos industriais, hoje há praias de areia branca, águas cristalinas e uma infraestrutura pensada para receber visitantes em busca de sol, relaxamento e contato com a natureza. 

A revitalização foi profunda: mais de 7.500 toneladas de sucata e 500 toneladas de resíduos industriais foram removidas, substituídas por 500.000 toneladas de areia e solo limpo. Em seguida, vieram as árvores, mais de 4 mil palmeiras e espécies endêmicas do Caribe, que devolveram vida ao cenário. Desde 2019, todos os navios da MSC que partem de Miami fazem escala na ilha, consolidando-a como uma das experiências mais exclusivas do Caribe. 

As praias de Ocean Cay São mais de 2 km de areia branca e 8 praias distintas, cada uma com sua personalidade:

North Beach: perfeita para contemplação e descanso.

Family Lagoon: águas calmas e seguras para famílias.

Sunset Beach: o lugar ideal para ver o pôr do sol.

Lighthouse Bay Beach: com vista privilegiada para o farol icônico.

Bimini Beach: tranquila e reservada.

Praia exclusiva Yacht Club: destinada aos passageiros da classe mais sofisticada da MSC. 

Além das praias, há atividades como snorkel, caiaque, stand-up paddle, mergulho, excursões guiadas e até tratamentos de spa. A ilha funciona como uma extensão do navio: pacotes de bebidas e internet valem em terra, e a alimentação é servida em buffets e food trucks, muitas vezes pelos mesmos funcionários que atendem a bordo. 

O farol da ilha é um dos símbolos mais marcantes, oferecendo entretenimento noturno e vistas inesquecíveis. Poucos imaginariam que o paraíso atual já foi uma mina de areia. Hoje, Ocean Cay é referência em ecoturismo, habitat de corais revitalizados, aves tropicais e vida marinha abundante. 

Em 2023, a MSC Cruzeiros estimou que a ilha receberia mais de 900 mil visitantes, consolidando-se como um dos destinos mais procurados do Caribe. A pandemia interrompeu temporariamente as visitas, mas não o cuidado com o local, que continuou sendo preservado e melhorado.

Ocean Cay não é apenas um destino turístico: é um símbolo de como o turismo pode ser aliado da preservação ambiental. A ilha mostra que é possível transformar um espaço degradado em um santuário ecológico, sem perder o encanto cultural das Bahamas. 

Para Matilde Slaibi Conti, historiadora e presidente do Elos Internacional, a visita representa mais do que lazer: é um encontro com a memória ambiental e um diálogo com a cultura caribenha, somando-se ao compromisso de preservar e valorizar o mundo lusófono. 

PALAVRAS DE MATILDE SLAIBI CONTI 

Durante sua visita, Matilde destacou o valor cultural e ambiental da ilha com frases de impacto: 

Ocean Cay é a prova viva de que a humanidade pode transformar destruição em beleza e esperança.

Ao caminhar por estas praias de areia branca, sinto que a natureza renasce em cada detalhe.”

“O mar das Bahamas, com sua transparência infinita, é um espelho daquilo que devemos preservar para o futuro.”

“Ocean Cay não é apenas uma ilha: é um manifesto ecológico, um hino à vida e à cultura caribenha.”

Não se trata de um diário de bordo, mas de um acompanhamento institucional das ações culturais de nossa presidente. A Diretoria de Cultura do Elos Internacional registra e divulga suas andanças porque cada passo é um elo entre culturas, um gesto de diplomacia e uma extensão do compromisso com a Língua Portuguesa e o mundo lusófono. 

Ocean Cay, com sua história de revitalização, suas praias deslumbrantes e sua vocação ecológica, foi palco da presença de Matilde Slaibi Conti, que certamente trará relatos enriquecedores sobre esta etapa de sua missão cultural. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional