A literatura possui a rara capacidade
de transformar lembranças em permanência, sentimentos em reflexão e
experiências individuais em patrimônio coletivo. É exatamente essa força que
encontramos na participação de nossa presidente do Elos Internacional,
presidente do Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói e outras instituições,
Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, na Coletânea Literária Internacional Lusófona
Sem Fronteiras pelo Mundo, Volume 9, organizada pela escritora e jornalista
Dyandreia Portugal.
Entre coautoras de diferentes países e
culturas, Matilde marca sua presença nas páginas 324 a 327 com o texto “Viagem
ao País dos Cedros”, uma narrativa que transcende o simples relato de viagem
para se transformar em um encontro entre história, ancestralidade e consciência
cultural.
O texto conduz o leitor ao Líbano,
terra de origem de seus antepassados, revelando não apenas um território
geográfico, mas uma paisagem da memória. A autora percorre caminhos onde a
história milenar dialoga com a experiência pessoal, oferecendo uma visão ampla
de um país que, ao longo dos séculos, tornou-se símbolo de resistência,
diversidade e intercâmbio entre civilizações.
Ao narrar sua chegada à Terra dos
Cedros, Matilde resgata uma busca iniciada ainda na juventude, alimentada pelas
histórias ouvidas de familiares e compatriotas. A viagem torna-se, então, uma
jornada de reconhecimento. Não se trata apenas de conhecer um lugar, mas de
compreender as raízes que ajudam a formar a própria identidade. Nesse sentido, sua
escrita revela uma dimensão universal: todos os seres humanos são, em alguma
medida, viajantes em direção às suas origens.
O Líbano apresentado pela autora surge
como um extraordinário mosaico de culturas, religiões e tradições. Berço de
influências que atravessaram continentes, o país é descrito como uma ponte
entre Oriente e Ocidente, um espaço onde pensamentos distintos coexistem e se
enriquecem mutuamente. Tal visão nos convida a refletir sobre o valor do
diálogo entre as diferenças, tema especialmente relevante em um mundo
frequentemente marcado pela fragmentação e pela intolerância.
Em sua abordagem, Matilde demonstra
sensibilidade ao destacar que as grandes civilizações não são construídas pelo
isolamento, mas pelas trocas culturais. O Líbano, voltado para o Mediterrâneo e
historicamente conectado a diferentes povos, simboliza essa vocação para o
encontro. Sua capital, Beirute, aparece como expressão viva dessa
característica: uma cidade que reúne modernidade e tradição, memória e
renovação, Oriente e Ocidente.
Do ponto de vista filosófico, “Viagem
ao País dos Cedros” suscita uma reflexão profunda sobre o significado do
pertencimento. Em um tempo em que fronteiras físicas parecem cada vez mais
permeáveis e identidades tornam-se múltiplas, a autora recorda que conhecer
nossas origens não significa limitar-nos ao passado, mas compreender melhor
quem somos no presente. A memória, longe de ser mera nostalgia, transforma-se
em instrumento de autoconhecimento.
Outro aspecto marcante do texto é sua
valorização do patrimônio histórico e cultural libanês. Museus, bibliotecas,
universidades, monumentos e tradições são apresentados não apenas como
registros de uma época, mas como testemunhos da capacidade humana de criar
conhecimento, arte e beleza. Ao contemplar esses legados, a autora ressalta a
responsabilidade das gerações atuais em preservar aquilo que receberam como
herança.
Especial significado adquire a
referência aos cedros, árvore que se tornou símbolo nacional do Líbano. Mais do
que um elemento da natureza, o cedro representa permanência, força e renovação.
Sua presença atravessa séculos, resistindo ao tempo e às transformações
históricas. Da mesma forma, as raízes culturais permanecem vivas quando
cultivadas pela memória, pelo conhecimento e pela transmissão dos valores entre
gerações.
A contribuição de Matilde Carone
Slaibi Conti para esta importante coletânea internacional reafirma o papel da
literatura como ponte entre povos e culturas. Sua narrativa demonstra que
escrever é também um ato de preservação da identidade e de valorização da
diversidade humana. Ao compartilhar sua experiência e sua herança libanesa, a
autora oferece aos leitores não apenas informações sobre um país admirável, mas
uma reflexão sensível sobre a condição humana, a memória e o pertencimento.
Sua participação na Coletânea
Literária Internacional Lusófona Sem Fronteiras pelo Mundo representa,
portanto, muito mais do que uma contribuição literária. É um testemunho de amor
às origens, de respeito à história e de compromisso com a cultura como
instrumento de aproximação entre os povos. Em tempos que exigem compreensão
mútua e diálogo intercultural, textos como “Viagem ao País dos Cedros” lembram
que as verdadeiras fronteiras não estão nos mapas, mas na capacidade humana de
reconhecer no outro parte de sua própria história.
Assim, ao percorrer as páginas
escritas por Matilde, o leitor também realiza sua própria viagem: uma jornada
através da memória, da cultura e da sabedoria acumulada por civilizações que
continuam a iluminar o presente. E, como os antigos cedros que inspiram
gerações há milênios, permanece a certeza de que as raízes mais profundas são
aquelas que nos permitem alcançar horizontes mais amplos.
SOBRE A OBRA
Matilde Carone Slaibi Conti participa
da Coletânea Literária Internacional Lusófona Sem Fronteiras pelo Mundo, Volume
9, organizada por Dyandreia Portugal, com o texto “Viagem ao País dos Cedros”,
publicado nas páginas 324 a 327, compartilhando este espaço literário com coautores
de diferentes nacionalidades lusófonas e reafirmando os laços entre literatura,
memória e interculturalidade. Temas da escrita: ancestralidade, identidade
cultural, patrimônio histórico, diálogo entre civilizações, memória,
pertencimento e valorização das raízes libanesas.
© Alberto Araújo
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