sábado, 25 de julho de 2026

A SINFONIA DOS UNIVERSOS INVISÍVEIS: O CHAMADO DA TINTA E DA ALMA - UMA HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Em cada recanto do país, nas grandes metrópoles movimentadas ou nas pequenas cidades interioranas onde o tempo parece caminhar mais devagar, existe uma força silenciosa, porém colossal, em constante ebulição. É a força da palavra escrita. Neste 25 de julho, Dia Nacional do Escritor, o Focus Portal Cultural veste-se de gala, abre suas cortinas digitais e estende seus braços em um abraço caloroso, reverente e apaixonado a todos os criadores de mundos, tecelões de sonhos e guardiões da memória humana: os escritores. 

Não importa se você ocupa uma cadeira imponente em uma Academia de Letras, se o seu nome estampa as listas dos livros mais vendidos do país, se as suas obras são estudadas em universidades ou se o seu público se resume aos seus pensamentos mais íntimos guardados em um caderno de capa preta. Para o Focus Portal Cultural, a literatura não se mede pela tiragem, pelo prestígio comercial ou pelas premiações acumuladas em uma estante de carvalho. A literatura se mede pela coragem de mergulhar nas profundezas do próprio ser e trazer à tona a verdade universal que habita em cada um de nós. 

Hoje, celebramos a pluralidade absoluta da escrita. Celebramos o autor consagrado que, com sua pena afiada, desafia estruturas sociais e consolida gerações. Mas celebramos, com a mesma intensidade e um orgulho indisfarçável, o escritor anônimo, o poeta de gaveta, o cronista do cotidiano que escreve nos intervalos do trabalho exaustivo, o blogueiro solitário da madrugada, o estudante que rascunha versos nos margens dos cadernos escolares e o sonhador que ainda tem medo de mostrar o que escreve ao mundo. A todos vocês, o nosso mais profundo reconhecimento: vocês são a alma viva da nossa cultura. 

Existe uma beleza democrática e revolucionária no ato de escrever. Uma folha em branco é o território mais livre que existe. Diante dela, não há hierarquias, não há títulos nobiliárquicos, não há barreiras econômicas ou sociais. O escritor famoso e o escritor anônimo partilham exatamente da mesma angústia sagrada: o parto doloroso e maravilhoso de dar à luz uma ideia que antes não existia no mundo físico. 

O autor best-seller, que arrasta multidões em bienais de livros e cujas palavras viajam traduzidas para dezenas de idiomas, começou exatamente onde muitos estão hoje: olhando para o nada, sentindo o peso e a responsabilidade de organizar o caos do mundo em frases coerentes, bonitas ou cortantes. Por trás de todo grande escritor consagrado, existe um passado de rejeições, de madrugadas mal dormidas, de dúvidas paralisantes e de uma fé inabalável no poder transformador da arte literária. 

Por outro lado, o escritor não famoso, aquele que ainda não encontrou sua editora, que publica de forma independente na internet ou cujos textos circulam apenas entre amigos e familiares, carrega uma pureza ímpar. Ele escreve não pelo aplauso fácil, não pelo contrato editorial milionário ou pelo glamour dos holofotes, mas por uma necessidade orgânica, visceral. Escreve porque, se não o fizer, sufoca com o excesso de mundo que acumulou dentro do peito. 

O Focus Portal Cultural reconhece, enaltece e valida cada uma dessas jornadas. O escritor que vende milhões de exemplares e o escritor que ainda busca o seu primeiro leitor real formam uma única e indivisível irmandade cósmica. Ambos são portadores da tocha milenar que ilumina a condição humana. Sem os famosos, perderíamos os grandes marcos de reflexão coletiva de uma época; sem os anônimos, perderíamos as raízes mais profundas, sinceras e plurais da nossa identidade cultural cotidiana. 

POR QUE ESCREVEMOS? A URGÊNCIA DE DEIXAR MARCAS NA ETERNIDADE 

Escrever é um ato de resistência contra o esquecimento. O tempo é uma engrenagem implacável que consome cidades, apaga pegadas e dissolve impérios. As civilizações ruem, as modas passam, as memórias individuais se desfazem como fumaça ao vento. Mas a palavra escrita... ah, a palavra escrita permanece.

Quando pegamos um livro milenar ou lemos um manuscrito esquecido em uma caixa de poeira, nós ouvimos a voz de alguém que já se foi há séculos. Isso é pura e simples magia. É a única forma real de vencer a morte, de burlar a finitude da nossa breve passagem terrena. O escritor desafia o relógio cósmico ao registrar o amor que sentiu, a dor que sofreu, a injustiça que presenciou e a beleza efêmera de um pôr do sol visto da janela do trem. 

Escrevemos porque precisamos dar sentido ao caos. O mundo real é frequentemente brutal, confuso, barulhento e sem lógica aparente. A literatura surge como o refúgio onde podemos reorganizar a realidade, criando um universo onde a justiça triunfa, onde os sentimentos encontram nomes adequados e onde a solidão se transforma em companhia para quem lê. 

Para o Focus Portal Cultural, incentivar a escrita é, antes de tudo, defender a humanidade em sua forma mais sensível. Em uma era digital marcada pela pressa, por mensagens fragmentadas de poucos caracteres, por resumos automáticos e pela superficialidade algorítmica, o escritor é o farol da profundidade. O escritor nos obriga a parar, a respirar, a mergulhar para dentro e a refletir sobre quem somos e para onde vamos. 

Um Chamado Urgente: Para Você Que Escreve (ou Tem Vontade de Escrever)

Se você chegou até aqui lendo estas linhas e carrega dentro de si o desejo secreto, reprimido ou pulsante de escrever, preste muita atenção no que o Focus Portal Cultural tem para lhe dizer agora: 

Não espere ter tempo livre sobrando, porque ele nunca sobra. Não espere dominar todas as técnicas narrativas do mundo, não espere a aprovação alheia e, acima de tudo, não espere perder o medo. O medo é apenas o sinal de que você está prestes a fazer algo que realmente importa. 

Muitos aspirantes a escritores guardam seus textos na gaveta da alma porque acreditam que não são "bons o suficiente". Quem define o que é bom o suficiente? A literatura não é uma ciência exata regulada por fórmulas matemáticas; ela é a expressão viva de uma perspectiva única. A sua voz, com todas as suas marcas, suas cicatrizes, suas manias de linguagem e sua bagagem de vida, é a única coisa no universo que ninguém mais pode replicar. Se você não contar a sua história, ela simplesmente permanecerá inédita e perdida para sempre. 

Escreva sobre o que dói. Escreva sobre o que alegra. Escreva sobre a folha seca que caiu na calçada, sobre o café amargo da manhã, sobre o amor que não deu certo, sobre a revolta social, sobre mundos fantásticos onde dragões voam ou sobre a melancolia silenciosa de uma tarde de chuva. 

Escreva mal, se for preciso, mas escreva. O rascunho imperfeito pode ser corrigido amanhã; a página em branco que continua em branco para sempre é a única derrota definitiva. 

Dê vazão aos seus “eus” múltiplos. Permita-se errar no papel. Deixe a tinta escorrer e as ideias transbordarem. O mundo precisa urgentemente da sua visão particular da realidade.

A CELEBRAÇÃO CONTINUA: O FUTURO PERTENCE AOS QUE CRIAM MUNDOS 

Neste 25 de julho, olhe para a sua própria estante, para o seu bloco de notas digital, para o seu caderno de rascunhos ou simplesmente para a sua imaginação. Reconheça-se como parte dessa engrenagem sagrada da cultura. Você, escritor famoso que inspira multidões, e você, escritor anônimo que escreve à luz de uma lâmpada fraca na calada da noite, têm o mesmo valor essencial na tapeçaria da nossa história intelectual.

O Focus Portal Cultural renova hoje o seu compromisso inegociável com a difusão da arte, da literatura, do pensamento livre e da valorização de todas as formas de expressão intelectual. Continuaremos sendo a casa aberta, o palco democrático e o porto seguro para acolher as suas palavras, dar visibilidade aos seus livros, aplaudir os seus versos e ecoar a sua voz por todos os cantos onde a cultura mereça ser honrada.

PARABÉNS PELO SEU DIA, ESCRITOR!

Pegue a sua caneta, destrave o seu teclado, respire fundo e volte a escrever. O universo está esperando para ser contado através dos seus olhos. Não pare nunca de criar, pois enquanto houver um escritor escrevendo, a esperança na humanidade continuará viva, pulsante e eterna.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

NITERÓI UNIDA PELA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL. ROTARY DE NITERÓI MARCA PRESENÇA


Um Dia Inesquecível de Cidadania, Cultura e Alegria na Casa da Amizade.  

Neste dia 25 de julho, das 9h às 12h, a Rua Murilo Portugal, 1130, em Charitas, transformou-se no verdadeiro coração pulsante da solidariedade em Niterói. A Casa da Amizade de Niterói acolhe uma grandiosa Ação Social, um evento vibrante que une saúde, cidadania, cultura e, acima de tudo, muita alegria para toda a comunidade. 

Entre os grandes destaques desta corrente do bem, o Rotary Club de Niterói marca presença de forma exemplar, reafirmando sua missão histórica de servir ao próximo e transformar realidades. Conhecido por sua atuação incansável, o Rotary de Niterói é muito mais do que uma instituição: é uma verdadeira força viva de transformação social, movida pela energia de voluntários apaixonados por fazer o bem, sempre com um sorriso no rosto e uma dedicação inspiradora. 

"O evento de hoje é um verdadeiro mosaico de oportunidades: saúde preventiva, cidadania, balcão de empregos, cuidado com a autoestima, além de uma deliciosa exposição e doação de livros que encanta todas as idades." 

A programação oferece uma gama impressionante de serviços essenciais gratuitos para a população: aferição de pressão e glicose, atendimento clínico, eletrocardiograma, fonoaudiologia, agendamento oftalmológico, auriculoterapia, orientação nutricional e suporte com assistentes sociais. Na área de empregabilidade e cidadania, destacam-se o balcão de emprego, a emissão de carteira de trabalho digital, isenção de documentos, habilitação para casamento, emissão e agendamento de identidade, além de orientação jurídica e especializada para famílias atípicas. O cuidado com a autoestima também tem espaço garantido com serviços de barbearia, corte de cabelo feminino e esmaltação. 

E a alegria transborda ainda mais com a especial exposição e doação de livros, um convite irresistível para viajar pelo universo do conhecimento e da imaginação, incentivando a leitura e a cultura para todas as idades. Para coroar essa manhã de festa e união, o evento conta com o emocionante sorteio de brindes do Projeto Respeitar e Amar. 

Participar ou apoiar iniciativas como esta é testemunhar a força da união entre cidadãos, parceiros dedicados e instituições de excelência. O Rotary Club de Niterói nos lembra, a cada gesto, que a felicidade genuína reside no ato de compartilhar esperança e construir, juntos, uma sociedade mais justa, acolhedora e feliz! As fotos e vídeo foram compartilhados pelos companheiros: Sylvinha Fasciotti e Joel Coelho. 

© Alberto Araújo 


 










É muito orgulho e alegria em ver a presença dos companheiros do Rotary Club de Niterói! Saber que a instituição tão querida e ativa está ao lado desta ação torna este evento um verdadeiro marco de transformação para a comunidade. O Rotary de Niterói é muito mais do que um clube de serviços: é uma força viva e incansável de amor ao próximo, unindo voluntários dedicados que demonstram, em cada abraço, em cada sorriso e em cada gesto de solidariedade, o verdadeiro significado da amizade e da cidadania ativa. Ver a união de tantos parceiros em prol de uma manhã tão rica em saúde, cidadania, cultura, com a inspiradora exposição e doação de livros, e muita alegria na Casa da Amizade nos prova que o impacto social genuíno acontece quando caminhamos juntos. Parabéns, companheiros do Rotary de Niterói! A energia contagiante de vocês transforma vidas e deixa um legado inestimável de esperança e felicidade em nossa cidade! Alberto Araújo 





O PESO DE UMA PALAVRA INESPERADA - CRÔNICA DO ELOGIO ANTOLÓGICO - POR © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FRASE DA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI

Receber um elogio é sempre um bálsamo para quem escreve, mas há adjetivos que parecem carregar o peso de séculos. Quando a presidente Matilde cravou seu veredito em meu texto feito para celebrar o meu aniversário no dia 23 de julho: A TRAVESSIA DAS ÁGUAS E DAS LETRAS: SOB O OLHAR DO VELHO MONGE de: "Texto antológico. Parabéns para todo o sempre nosso querido jornalista", a primeira reação foi a alacridade. O que faz um texto comum, nascido da urgência do cotidiano, atravessar a fronteira do efêmero e ser alçado a essa dimensão quase mítica? 

Na raiz da palavra, antologia remete à colheita de flores. Na Grécia Antiga, era o termo usado para reunir as melhores poesias, aquelas que resistiam ao tempo e mereciam ser preservadas em um só jardim literário. Quando Matilde utilizou o termo, ela não estava apenas elogiando uma boa tirada ou uma estrutura gramatical correta; ela falava da eternização do efêmero.

A grandiosidade do que a presidente quis dizer reside na capacidade que a escrita tem de capturar o indizível. No jornalismo do dia a dia, escrevemos sobre o agora: o fato que estampa a manchete, a reclamação da rua, o calor do momento. É uma literatura de relógio, feita para expirar com o sol do dia seguinte.

Porém, quando um texto atinge a categoria "antológica", ele deixa de ser sobre o hoje e passa a ser sobre a condição humana. Matilde enxergou ali algo que transcende a notícia. Percebeu que a crônica havia tocado em uma corda sensível, universal, capaz de fazer o leitor de amanhã se reconhecer nas mesmas angústias e alegrias do leitor de hoje.

Dizer "para todo o sempre" é um ato de ousadia poética em um mundo obcecado pelo descarte imediato. As redes sociais rolam a tela em segundos; os artigos de opinião viram estatísticas de visualizações. Contudo, o elogio institucional e afetuoso da presidente resgatou o valor perene da palavra impressa ou lida com alma.

No fim das contas, a dimensão do texto antológico não pertence apenas a quem o escreve, mas a quem o lê com generosidade. Matilde não estava apenas avaliando parágrafos; ela estava celebrando o instante raro em que a literatura cumpre o seu pacto mais sagrado: transformar o pó dos dias em algo digno de ser lembrado para sempre.

© Alberto Araújo

 



sexta-feira, 24 de julho de 2026

O NORDESTE É UM HINO DE AMOR CRÔNICA CULTURAL DE © ALBERTO ARAÚJO

Dizem que o Brasil começou pelo mar, mas a alma brasileira, essa nasceu no sertão. Ela não brotou das caravelas com seus panos rasgados pelo vento do Atlântico; ela ganhou forma e fôlego na terra vermelha, no calhau esturricado, na poeira fina que sobe aos céus quando o vento passa assobiando. O Nordeste não é apenas uma região geográfica delimitada por paralelos, mapas e divisas políticas. O Nordeste é, antes de tudo, um sentimento. Um estado de espírito que transborda, uma liturgia diária de resistência, uma poesia sem métrica estrita, mas de compasso perfeito. O Nordeste é um hino de amor. 

Um hino cantado em tom maior e menor, na mesma toada. Começa logo cedo, antes mesmo de o sol rasgar o horizonte com suas lâminas de fogo. O dia no Nordeste não amanhece manso; ele desponta com uma urgência luminosa. O galo canta no terreiro e a vida já se põe de pé, saudando a claridade com a mesma reverência com que o devoto saúda o altar. 

A neblina matinal que teima em cobrir os campos de cana na Zona da Mata ou a caatinga cinzenta do sertão profundo logo se dissipa, dando lugar a um azul do céu que parece não ter fim. É o primeiro verso dessa canção diária: a certeza de que, apesar da lida dura, o dia traz consigo a promessa de reinvenção. 

Haverá quem olhe para a secura do chão nordestino e enxergue apenas a ausência. Erro crassíssimo de quem só sabe amar o que é fácil, o que vem pronto e regado a abundância. O sertanejo, esse poeta de enxada e calo na mão, sabe que o amor verdadeiro não é aquele que encontra tudo pronto, mas aquele que constrói a beleza a partir do nada. Quando a seca aperta, quando os açudes descem ao fundo e a terra racha como a pele de um ancião sábio, é que o hino ganha seus acordes mais profundos. Não é um hino de desespero; é um canto de obstinação. É a prece silenciosa que sobe da terra em direção a São José, pedindo a graça da primeira chuva. E quando a chuva finalmente desponta, ah, quando o primeiro trovão ronca lá no alto e o cheiro da terra molhada sobe como incenso sagrado, o Nordeste inteiro se ajoelha em gratidão. A lama vira festa, o riacho vira canto, e a caatinga, antes cinza e austera, veste-se de um verde esplendoroso, numa ressurreição que desafia a própria morte. Se isso não é amor à vida, o que mais seria? 

Mas o Nordeste tem muitas caras, muitas vozes, muitas cores que se fundem num caleidoscópio fascinante. O amor aqui se manifesta de maneiras infinitas, mudando de sotaque e de paisagem a cada légua percorrida. 

Vá ao litoral e sinta o abraço do mar. Não é um mar qualquer; é o mar de águas mornas, esverdeadas e transparentes que banham recifes de corais seculares. É o mar das jangadas que cortam as ondas como grandes gaivotas de pano branco, levando o pescador para o seu romance diário com as profundezas. Nas praias de Pernambuco, do Ceará, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Alagoas, de Sergipe, do Piauí e da Bahia, o vento alísio sopra histórias de navegantes, de lendas de Iemanjá, de promessas cumpridas na areia. As mulheres dos pescadores ficam na beira da praia, fitando o horizonte com os olhos cheios de esperança, tecendo redes e guardando saudades. O amor, ali, tem o sal da maresia e o ritmo compassado das ondas que vêm e vão, num eterno ciclo de partida e regresso. 

Entre na mata, embrenhe-se pelos tabuleiros, sinta o cheiro doce da umidade e da jaqueira madura. A Zona da Mata é o lado verde e farto dessa história, onde os canaviais balançam ao vento como um mar de esmeraldas. É a terra dos engenhos antigos, das usinas que cospem fumaça no céu, mas também é o berço do maracatu, do coco de roda, das festas de terreiro que misturam o sagrado e o profano numa comunhão única. Ali, o hino ganha o batuque pesado do alfaiá, o som estridente da cuíca, o brilho das lantejoulas nos trajes reais. É a alegria que transborda, o grito de liberdade que ecoa desde os tempos em que a senzala resistia sonhando com a aurora. 

E vá ao sertão. Ah, o sertão... O coração pulsante e indomável do Nordeste. É no sertão que o hino de amor atinge o seu tom mais dramático e sublime. É a terra de Antônio Conselheiro e de Lampião, de Padre Cícero e de tantos anônimos que fizeram da coragem a sua segunda pele. No sertão, o tempo parece caminhar mais devagar, obedecendo ao ritmo do sol e da lua. As casas coloridas de caiadura nas vilas poeirentas parecem sorrir para quem passa. E a hospitalidade? Ah, a hospitalidade do sertanejo é um monumento à dignidade humana. Por mais pobre que seja a mesa, há sempre um lugar para o forasteiro. O café quente servido numa xícara esmaltada, o pedaço de queijo coalho tostado na chapa, a rapadura doce que desmancha na boca, tudo é oferecido com uma generosidade que desarma qualquer desconfiança. "Sente-se, puxe um banquinho, puxe uma prosa", diz o anfitrião, como se o visitante fosse da família desde sempre. 

O Nordeste é uma terra que pensa em versos. Seria impossível separar a identidade nordestina da sua literatura oral e escrita, da sua música que embala o Brasil inteiro. O cancioneiro nordestino é a partitura oficial desse hino de amor. 

Pense no fole de oito baixos de uma sanfona chorosa. Quando o sanfoneiro aperta o fole e tira dali os primeiros acordes de um xote, de um baião ou de um xaxado, o chão parece tremer de emoção. É a voz de Luiz Gonzaga, o eterno Lua, que continua ecoando nos terreiros, nas feiras livres, nos corações de quem ama a boa terra. "O gibão do vaqueiro", "A Volta do Asa Branca", "Xote das Meninas", não são apenas canções; são crônicas afetivas de um povo que aprendeu a transformar a dor em beleza. A sanfona chora, mas o povo dança. O fole ronca, mas o pé arrasta o chão com alegria. É a resiliência transformada em arte. 

E o que dizer dos repentistas e violeiros que duelam com versos de improviso sob a sombra de uma juazeiro? Duas violas afinadas, duas mentes brilhantes que criam rimas ricas e métricas perfeitas na velocidade do pensamento. Eles falam de amor, de política, de seca, de fé, de saudade. O desafio na viola é um ato de amor à palavra, um duelo onde o vencedor é sempre a poesia.

Nas feiras livres, verdadeiros corações pulsantes das cidades nordestinas, esse hino se materializa em cores e cheiros. Lá estão os cordéis pendurados em cordadores de barbante, com suas xilogravuras rústicas contando histórias de milagres, de assombrações, de valentões e de amores impossíveis. Ao lado, as barracas de ervas medicinais, de farinha d'água crocante, de carne de sol, de rapadura e de artesanato em barro feito pelas mãos mágicas do Alto do Moura ou de Juazeiro do Norte. Cada boneco de barro modelado por Mestre Vitalino e seus seguidores carrega um pedaço da alma do povo: o trabalhador na lida, a rendeira debruçada sobre o bilro, a mãe embalando o filho, o violeiro cantando ao luar. 

Amar o Nordeste exige coragem, porque a história desta região também foi escrita com sangue, suor e lágrimas. O Brasil deve ao Nordeste a sua fundação econômica, cultural e espiritual, mas muitas vezes pagou essa dívida com o esquecimento, com o preconceito, com a seca tratada com descaso político. 

Milhares de filhos desta terra tiveram que arrumar suas vidas em malas de papelão e pegar o pau-de-arara rumo ao Sul e ao Sudeste, empurrados pela fome e pela falta de oportunidades. Quantas "Asas Brancas" não voaram chorando, deixando para trás o terreiro, a mãe idosa, o amor da juventude? A saudade, essa palavra que só o português traduz com tanta precisão, mas que no Nordeste ganha um peso físico, virou companheira inseparável de milhões de retirantes. 

No entanto, mesmo na distância, o amor pelo Nordeste não esmaece; pelo contrário, agiganta-se. O nordestino na diáspora guarda o sotaque como um tesouro sagrado, cultiva a culinária na panela de barro improvisada na metrópole fria, e sonha com o dia do retorno. E quando volta, seja nas férias de fim de ano, seja na aposentadoria, beija o chão de sua terra natal com a mesma devoção de um peregrino que chega a Jerusalém. A terra natal o acolhe de volta, porque o Nordeste nunca esquece os seus filhos. Ele é uma mãe generosa que abre os braços largos e diz: "Ainda bem que você voltou, meu filho".

O Nordeste é um hino de amor porque ele nos ensina que a alegria não depende da fartura material, mas da intensidade com que se vive cada instante. Ensina que um prato de pirão com carne de sol partilhado entre amigos tem mais valor do que qualquer banquete solitário. Ensina que a música pode nascer do choro e que a esperança é uma planta que brota mesmo na pedra mais dura. 

Olhar para o Nordeste é olhar para o melhor de nós mesmos. É redescobrir a capacidade de se encantar com um pôr do sol dourado sobre o Rio São Francisco, de se emocionar com a procissão de velas na festa da padroeira, de gargalhar com as piadas contadas na calçada ao frescor da brisa da noite. 

Que este hino continue a ser entoado por gerações e gerações, nas vozes dos poetas, no toque das sanfonas, no pisar firme dos dançarinos de frevo, no silêncio contemplativo do sertanejo ao entardecer. Porque enquanto houver um coração que ame esta terra vermelha e azul, o Nordeste continuará a ser o que sempre foi e sempre será: a mais bela, vibrante e eterna declaração de amor escrita na história do Brasil.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


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Gilda Uzeda disse: Alberto. Impressionante e bela esta crônica que nos traz o Nordeste, não somente como uma região geográfica mas como porção profunda e afetiva deste nosso chão brasileiro. Não dá para escolher frases porque o texto inteiro é tocante e bonito. Salve a beleza do chão onde chove poesia! Salve os cantadores,  sanfoneiros e poetas! Salve o coração sertanejo, da caatinga, da mata, dos verdes mares! Abraço 🌸Gilda

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Gilda, muito obrigado pelas palavras tão cheias de afeto! E você tem toda razão, a nossa geografia é, antes de tudo, uma geografia de almas. Tudo o que escrevemos já carrega, nas entrelinhas, essa mesma doçura e sensibilidade com que você sempre interpreta a nossa arte. O importante é a sagrada interação. Salve o seu coração generoso! Abraços do Alberto Araújo.

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Mimi Lück disse: Caro Alberto, essa é a maior declaração de amor ao Nordeste que se pode conceber ! Você transformou a seca e a dor do nordestino em um maravilhoso poema ! Parabéns!!!

 

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Mimi, muito obrigado pelo carinho imenso! Saber que você enxergou a minha crônica como uma declaração de amor ao Nordeste é a maior recompensa para quem escreve. Verdade, o nosso sertão tem suas dores, mas transborda uma beleza e uma força que merecem ser cantadas e celebradas sempre. Abraços do Alberto Araújo.

 


 

 



 

MEMÓRIAS DA FLIP 2026: ENCONTROS, LETRAS E AFETOS - PRESIDENTES LUIZA LOBO E MÁRCIA SCHWEIZER


A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) suplanta o formato tradicional de um evento literário: ela se consolida, ano após ano, como o maior território de encontro, escuta e resistência da comunidade cultural brasileira. Entre os casarões coloniais, as ladeiras de pedra pé-de-moleque e o balé suave das marés, o tempo parece desacelerar para dar lugar à palavra viva e pulsante. Mais do que os debates acadêmicos nas mesas oficiais, a verdadeira magia de Paraty acontece nas esquinas, nos abraços apertados e nas trocas genuínas entre quem cria, edita, publica e vive a literatura em sua essência mais profunda.

Neste cenário de celebração das artes e das ideias, reunir em um mesmo registro a sensibilidade e a força literária de Luiza Lobo, Márcia Schweizer, Regina Guimmaraes, Edir Meirelles, Tchello d'Barros, Fernanda Lessa e Eduardo Lacerda, editor à frente da infatigável Editora Patuá, é coroar a vitalidade da nossa literatura contemporânea. Cada um desses nomes carrega, em suas trajetórias ímpares, um pedaço precioso da alma desta festa. Seja na poesia que transborda em versos livres, na prosa que desafia o cotidiano, na crítica arguta ou na coragem incansável de abrir espaço para novas vozes no cenário editorial independente, eles traduzem a multiplicidade do Brasil criativo.

Para a nossa comunidade cultural, a presença e a comunhão desses autores e editores em Paraty reafirmam que a literatura não é apenas um objeto de consumo, mas um pacto social de afeto e memória. Escrever pode até parecer um ato solitário no silêncio do gabinete, mas é nos encontros vibrantes como a FLIP que compreendemos a sua verdadeira dimensão: a literatura é, acima de tudo, um abraço coletivo que nos mantém vivos e unidos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural
























Fernanda Lessa, o editor da Patuá Eduardo Lacerda e a presidente da UBE RJ Luiza Lobo.
Dia 24 de julho de 2026.



 

TRANSFORME SUA PAIXÃO EM IMPACTO COM O RAISE FOR ROTARY!

Já pensou em usar aquela data especial ou um desafio pessoal para mudar vidas ao redor do planeta? Com o Raise for Rotary, a ferramenta oficial de captação de recursos entre pares da Fundação Rotária, isso é totalmente possível. 

Desde o seu lançamento, a comunidade rotária já mobilizou mais de 4.000 campanhas para celebrar aniversários, maratonas, conquistas e momentos marcantes. Juntos, esses esforços coletivos ultrapassaram a marca de US$ 3,5 milhões, fortalecendo frentes vitais como: 

O Fundo PolioPlus, na reta final para a erradicação da poliomielite. 

O Fundo Mundial e as Áreas de Enfoque, que financiam projetos sustentáveis de longo prazo. 

O Fundo de Assistência em Casos de Desastres, oferecendo socorro imediato a comunidades atingidas por tragédias. 

Quer saber como participar? 

Criar sua própria página de arrecadação é simples e rápido. Para tirar dúvidas ou conhecer o passo a passo, acesse a seção de perguntas frequentes da plataforma ou entre em contato diretamente com a equipe pelo e-mail raise@rotary.org 

O Raise for Rotary (Arrecade para o Rotary) é uma ferramenta oficial e legítima da Fundação Rotária.

Trata-se de uma plataforma oficial de captação de recursos entre pares (peer-to-peer), desenvolvida para que associados, clubes e apoiadores possam criar campanhas de arrecadação personalizadas para apoiar as iniciativas da organização em ocasiões especiais, como aniversários, conquistas pessoais, desafios esportivos ou homenagens. 

Gestão Institucional: A plataforma é mantida e monitorada diretamente pelo Rotary International, contando com páginas dedicadas no site oficial da organização e canais de atendimento próprios, como o e-mail institucional raise@rotary.org. 

Destino dos Recursos: Todo o montante arrecadado através das páginas criadas pelos usuários é direcionado integralmente para os fundos oficiais da Fundação, como o Fundo PolioPlus, o Fundo Mundial e o Fundo de Assistência em Casos de Desastres.

Uso Global: É amplamente utilizada por rotarianos ao redor do mundo para mobilizar suas redes de amigos e familiares em prol de causas humanitárias. 

Não importa a causa ou a ocasião que você escolha celebrar: cada contribuição captada é um passo a mais para ampliarmos o nosso legado de transformação global.




 

A LITERATURA BRASILEIRA BRILHA INTENSAMENTE NA FLIP 2026!

 

Nesta sexta-feira, 24 de julho, a Casa Gueto da Editora Patuá, localizada na Rua Benedito Telmo Coupê, 277 (Rua Fresca), em Paraty é o palco de um encontro literário imperdível promovido pela UBE-RJ.

 

A programação reúne autores de grande talento em sessões de autógrafos que celebram a diversidade da nossa cultura.

 

Às 14h, o público confere os lançamentos de Tchello d'Barros, Edir Meirelles e Fernanda Lessa Pereira.

 

Logo depois, às 15h, a festa literária continua com as obras de Luiza Lobo, Marcia Schweizer e Regina Guimmarães.

 

E as boas notícias não param por aí! Anote na agenda: no dia 27 de agosto, das 16h às 19h, teremos um instigante seminário na Casa Dirce da UERJ, abordando temas fascinantes como ficção científica, a obra de Jorge Luis Borges e a superação da teoria do Big Bang.

 

Venha prestigiar esses encontros que unem a força da palavra, a ciência e a arte. Sua presença é fundamental para celebrar a cultura brasileira em grande estilo!

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural