quarta-feira, 5 de agosto de 2026

HOMENAGEM AO DR. SÍLVIO LESSA - FOCUS PORTAL CULTURAL

Bruno Lessa (filho) e Silvio Lessa (pai)

Na noite de celebração dos 199 anos dos Cursos Jurídicos no Brasil, a OAB-Niterói em 04 de agosto de 2026 prestou uma justa homenagem aos profissionais que dedicaram suas vidas à advocacia. Entre os agraciados com a Medalha Sobral Pinto, a mais alta honraria da instituição, destacou-se o ilustre Dr. Sílvio Lessa, exemplo de ética, dedicação e amor à profissão. Aos 87 anos, com 67 anos de atuação na advocacia trabalhista, Dr. Lessa sempre emociona a todos nós quando afirma: “A política faz parte da minha vida desde criança. Cresci acompanhando o meu pai, vendo de perto o que significa servir à população.” 

Essa frase resume uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça e pelo respeito ao ser humano. Dr. Sílvio Lessa é daqueles homens que transformam o exercício da advocacia em missão de vida, guiado pelo ideal de servir e pela inspiração de seu pai, também advogado. Sua história é um testemunho de perseverança e de amor à causa pública, valores que se refletem em cada gesto e palavra. 

ENTRE OS AGRACIADOS COM A MEDALHA SOBRAL PINTO, DESTACAM-SE: Cléber de Mendonça, Célio Erthal Rocha, Décio Luiz Gomes, Fernando Cartaxo, Getúlio Arruda, Idovan Ferreira, Paulo Ferreira Rodrigues, João Peralta, Luiz Paulino Moreira Leite, Paulo Fernandes Torres Costa, Salomão Nasser e o sempre atuante Dr. Sílvio Lessa, cuja trajetória de 67 anos na advocacia trabalhista é exemplo de perseverança e amor à profissão.

Já as MOÇÕES DE RECONHECIMENTO foram entregues a profissionais que continuam a engrandecer a advocacia com sua atuação: Paulo Ramalho, João Luiz Peralta, Bruna Silva Corrêa, Dulce Angélica Prado, Manoel Felipe Monteiro, Cláudio Vianna, Ralf Andrade e Andréa Souza. 

O Focus Portal Cultural, sob direção do jornalista Alberto Araújo, felicita todos os homenageados, ressaltando que cada nome representa uma história de luta e dedicação à justiça. A Medalha Sobral Pinto, símbolo de coragem e ética, ganha ainda mais significado ao ser entregue a profissionais que, como Sílvio Lessa, transformam o exercício da advocacia em missão de vida. 

Uma noite que reafirma que servir à população e defender direitos é a mais nobre forma de fazer política e justiça. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


(CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO VÍDEO 
Crédito-Instagram de Bruno Lessa)



RESENHA INSTITUCIONAL: A PALAVRA QUE UNE E TRANSFORMA NO COTIDIANO ROTÁRIO - ROTARY CLUB DE NITERÓI

O Boletim Semanal nº 04 do Rotary Club de Niterói consolida-se não apenas como um registro burocrático de atas e avisos de rotina, mas como um autêntico veículo de cultura institucional, formação de lideranças e resgate de valores humanitários. Em um período marcado pelo foco no Desenvolvimento do Quadro Associativo (agosto no calendário rotário), a publicação transborda reflexões sobre a responsabilidade de acolher, reter e engajar membros. 

É exatamente dentro desse cenário de fortalecimento dos laços fraternos que sobressai a página 3 do boletim. Nela, a 1ª Secretária Sylvia Maria Fasciotti assina o instigante texto "Por que ler o Boletim do Clube?", transformando uma questão aparentemente corriqueira em um profundo manifesto sobre o pertencimento, a memória associativa e o valor inestimável da informação partilhada. 

O texto redigido por Sylvia Fasciotti ocupa um espaço de destaque na página 3 e desarma imediatamente qualquer percepção de que os informativos periódicos sejam leituras secundárias. Com uma prosa elegante, acolhedora e altamente persuasiva, a secretária conduz o leitor a uma reflexão sobre a importância de se manter conectado à vida do clube por meio da palavra escrita. 

A mensagem é clara: o conhecimento rotário não se restringe ao tempo físico da reunião semanal; ele se expande e se enraíza por meio do hábito da leitura, da troca de experiências e da reflexão íntima sobre os ideais da organização. 

Em seu parágrafo conclusivo, Fasciotti adota um tom de genuíno afeto institucional. Ela revela o cuidado e a dedicação com que cada boletim é preparado pela equipe responsável e convida os associados a reservarem alguns minutos de suas semanas para mergulhar nas páginas do informativo.

A promessa contida no texto é reconfortante: quem se dispõe a ler certamente encontrará informações úteis, aprenderá algo novo e, acima de tudo, fortalecerá de maneira indelével o seu vínculo com o clube e com a grande rede humanitária do Rotary. Ler o boletim é retratado, portanto, como uma forma simples, elegante e eficaz de praticar o Ideal de Servir.

 

O Desafio de Receber Novos Associados: A matéria de abertura da publicação aborda a importância estratégica e o cuidado necessário na admissão de novos membros, ressaltando que trazer alguém para o Rotary vai muito além de preencher vagas: exige identificar pessoas que compartilhem dos valores da instituição, tenham conduta ética exemplar, espírito de equipe e disposição genuína para servir ao próximo.

 

Agosto - Mês do Desenvolvimento do Quadro Associativo: O texto contextualiza que o mês de agosto no calendário rotário é dedicado a fortalecer os clubes por meio da integração, retenção e admissão, lembrando que o crescimento se mede pelo compromisso com a ética e a amizade.

 

Aniversariantes do Mês de Agosto: A página 2 registra as felicitações aos aniversariantes do período: Luiza (filha de José e Sabrina Fasciotti Torres), o Governador de Distrito (GD) Justiniano Conhasca e Elizabeth de Almeida Santos.

 

Seção "Um Minuto de Rotary": Traz uma reflexão esclarecedora sobre o motivo de o Rotary ser considerado uma organização de líderes desde 1905. A publicação destaca que liderar na instituição não significa ocupar cargos empresariais ou diretivos, mas sim colocar talentos e conhecimentos a serviço do próximo pelo exemplo, ecoando a visão de Paul Harris de que a amizade e o serviço caminham lado a lado.

 

Homenagem ao Dia dos Pais: Dividindo espaço com o artigo de Sylvia Fasciotti, esta seção traz um apanhado histórico sobre a origem da data, criada em 1909 nos Estados Unidos por Sonora Smart Dodd e introduzida no Brasil em 1953 por Sylvio Bhering, estendendo o reconhecimento a todos os pais, avôs, padrastos e tutores que inspiram suas famílias com princípios de honestidade e solidariedade.

 

Registros da 3ª Reunião: Esta página é integralmente dedicada a uma rica galeria de fotografias que ilustram os momentos marcantes da 3ª reunião ordinária.

 

As imagens capturam a alegria do companheirismo, a celebração da amizade, momentos de descontração com música ao vivo (violão e percussão), a entrega de certificados e a forte união entre os associados, traduzindo visualmente o espírito de acolhimento do clube.

 

Ata da 3ª Reunião Ordinária: Lavrada pela 1ª Secretária Sylvia Maria Fasciotti, a ata documenta os acontecimentos do dia 23 de julho de 2026, sob a presidência de Paulo Corrêa Belchior.

 

Comemorações e Avisos: O registro destaca a celebração conjunta do Dia do Amigo e do Dia dos Avós, os convites para ações sociais e eventos da Casa da Amizade, além de parcerias com outros clubes.

 

Homenagens e Novas Admissões: Apresenta a entrega do certificado de "Amigo do Rotary" a Carlos Alberto de Paula Chagas (Carlinhos), o reconhecimento ao GD Justiniano Conhasca pelo apoio jurídico e a calorosa recepção à nova associada Rita Nery, afilhada de Marcelo Guedes Turbae Miguel.

 

Mudança na Governança: A ata registra um ponto administrativo crucial: devido a motivos particulares, o companheiro Vinícius Baptista Ferreira Argento precisou renunciar à indicação para a presidência do período 2027/2028. O Conselho de Ex-Presidentes reuniu-se e indicou por unanimidade o companheiro Gustavo Pinto Poeys para assumir a função.

 

Solidariedade: O documento encerra detalhando o sucesso da tradicional Noite de Prêmios, coordenada por Regina Lúcia Almeida Coelho dos Santos de Pinho, cuja arrecadação de R$ 320,00 foi integralmente destinada à Fundação Rotária. O encontro contou com a presença de 26 associados, 2 convidados e 2 visitantes.

 

© Alberto Araújo

Jornalista, escritor, acadêmico.

 









terça-feira, 4 de agosto de 2026

CELEBRAÇÃO AOS 199 ANOS DA CRIAÇÃO DOS CURSOS JURÍDICOS NO BRASIL E NOSSA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI MARCA PRESENÇA


 

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional destaca com orgulho a marcante presença da nossa presidente, Matilde Carone Slaibi Conti, que também atua com excelência como Vice-presidente da OAB-Niterói, na grandiosa solenidade realizada terça-feira, 04 de agosto, em celebração aos 199 anos da criação dos cursos jurídicos no Brasil.

 

O evento, que aconteceu na Sala Nelson Pereira dos Santos  em São Domingos, Niterói, foi uma emocionante "Homenagem à Advocacia" promovida pela Comissão Artística e Cultural da OAB-Niterói. A solenidade contou com a ilustre presença da presidente da OAB - Rio de Janeiro, Ana Tereza Basilio, do presidente da OAB-Niterói, Dr. Pedro Gomes, e de diversos membros da diretoria da instituição.

 

A programação da noite foi repleta de significado cultural e institucional, destacando-se a entrega de Moções de Reconhecimento, a emocionante outorga da Medalha Sobral Pinto a advogados e advogadas com mais de 50 anos dedicados à profissão, além de inspiradoras apresentações de Música, Teatro e Poesia, dentre tantos os amigos: Célio Erthal Rocha; Geraldo Bezerra de Menezes, Sylvio Lessa e muitos outros.

 

Essa vivência reafirma o forte compromisso do Elos Internacional com a cultura, a valorização profissional e a integração institucional.

 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 

Focus Portal Cultural














LUZILÂNDIA, TERRA DE ÁGUA E BRONZE - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

 

O rio Parnaíba corre como uma veia aberta no coração de Luzilândia, levando consigo histórias, murmúrios e lembranças de um povo que aprendeu a viver entre o trabalho e a poesia. Às suas margens, o tempo parece se deter diante da arte,  e é ali, onde o sol se debruça sobre as águas, que duas esculturas se erguem como testemunhas da alma da cidade: A Lavandeira e O Pescador, obras do artista Hostyano Machado. 

Essas figuras de ferro e sonho não são apenas monumentos; são fragmentos de vida, moldados pela memória coletiva e pela sensibilidade de um artista que soube transformar o cotidiano em eternidade. 

A LAVANDEIRA 

Na orla de Luzilândia, o vento sopra sobre o corpo metálico da Lavandeira, e o rio parece reconhecer nela uma antiga companheira. Hostyano Machado, com sua arte vigorosa e delicada, deu forma à mulher que lavava roupas nas águas do Parnaíba, mas também lavava o tempo, as dores e os dias. 

A Lavandeira é um tributo à força feminina, à cultura das mulheres que transformaram o trabalho em canto. Suas mãos, agora de ferro, parecem ainda mergulhar nas águas, como se buscassem o reflexo das que vieram antes. O monumento é uma celebração da resistência e da beleza simples, da dignidade que nasce do esforço. 

O sol, ao tocar o metal, faz brilhar o suor imaginário dessas mulheres. E o rio, cúmplice, devolve o brilho em ondas suaves. A Lavandeira é mais que uma escultura, é uma oração silenciosa, um gesto de gratidão àquelas que, entre sabão e espuma, lavaram também os sonhos da cidade. 

O PESCADOR 

No Porto das Pedras, o Pescador lança sua rede ao infinito. A obra, inaugurada em 10 de abril de 2011, homenageia os pescadores locais e o senhor Antonio Paulo Pereira Oliveira, ex-presidente da Colônia de Pescadores Z-12. Hostyano Machado, novamente, fez do ferro um corpo vivo, capaz de narrar a saga dos homens que enfrentam o rio com coragem e fé.

A rede, feita de arame e imaginação, parece capturar o próprio vento. Cada nó é uma história, cada curva um destino. O Pescador não está apenas à beira do rio, ele está à beira do tempo. Representa todos os que acordam antes do sol, que conhecem o silêncio das águas e o peso da espera. 

O monumento é uma metáfora da vida: lançar a rede é acreditar, mesmo sem saber o que virá. É um gesto de esperança, repetido geração após geração. E quando o sol se põe sobre o Parnaíba, o Pescador parece mover-se, como se o ferro respirasse. 

RIO PARNAÍBA 

Entre a Lavandeira e o Pescador, o rio é o fio que une as duas histórias. Ele corre como um poema líquido, levando consigo o reflexo das esculturas e o murmúrio das lembranças. O Parnaíba é testemunha e protagonista, viu nascer a cidade, viu crescer seus filhos, viu o trabalho transformar-se em arte.

Nas margens do rio, o tempo se dissolve. As águas carregam o perfume do sabão e o sal do suor. O Parnaíba é espelho e memória, é o coração pulsante de Luzilândia. 

HOSTYANO MACHADO 

O artista que deu forma a essas obras é um alquimista do ferro. Hostyano Machado soube enxergar poesia onde muitos viam apenas rotina. Suas esculturas não são frias, são quentes de humanidade. Ele moldou o ferro como quem escreve versos, transformando o trabalho em símbolo, o gesto em eternidade. 

Em Luzilândia, suas obras não apenas decoram o espaço: elas o definem. São marcos de identidade, pontos de encontro entre o passado e o presente. 

LUZILÂNDIA 

Minha terra natal, onde o sol parece nascer com saudade e o vento sopra lembranças. Luzilândia é feita de gente que trabalha, canta e sonha. É uma cidade que aprendeu a transformar o esforço em beleza, o cotidiano em arte. 

Entre o brilho do rio e o som das cigarras, as esculturas se tornam parte da paisagem, como se sempre tivessem estado ali, guardando o segredo das águas. 

A Lavandeira e o Pescador são mais que monumentos: são símbolos de uma identidade. Representam o elo entre o passado e o presente, entre o ferro e a carne, entre o rio e o coração.

Quando o sol se põe sobre o Parnaíba, as duas figuras parecem conversar. A Lavandeira fala de esforço e pureza; o Pescador responde com paciência e fé. Entre eles, o rio murmura histórias que só a arte sabe ouvir. 

Luzilândia, com suas margens e seus monumentos, é um poema que o tempo não apaga. E cada visitante que passa pela orla leva consigo um pouco dessa poesia, o brilho do ferro, o perfume da água, o eco do trabalho transformado em eternidade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 










A POÉTICA DA TERRA E DA COR: 117 ANOS DE ROBERTO BURLE MARX

Falar de Roberto Burle Marx é adentrar um território onde a arte deixa de ser apenas contemplação para se tornar matéria viva, pulsante e enraizada no solo da pátria. Nascido em 04 de agosto de 1909, o mestre do paisagismo moderno, artista plástico, pintor, escultor, tapeceiro e ecologista completaria hoje 117 anos. Mais do que celebrar uma data no calendário, revisitar o legado de Burle Marx é compreender como a identidade visual, cultural e ambiental do Brasil foi profundamente transformada por um olhar que soube ver na nossa própria flora a verdadeira expressão da nossa alma. 

A trajetória de Burle Marx é repleta de ironias poéticas e belas sincronicidades. Embora seja o grande sinônimo da tropicalidade brasileira, o estopim de sua paixão pela nossa flora não aconteceu sob o sol do Rio de Janeiro ou nos trópicos da Amazônia, mas sim a milhares de quilômetros de distância, no frio de Berlim. 

Em 1928, devido a um problema nos olhos, jovem ainda, Burle Marx viajou com a família para a Alemanha. Foi ali, visitando o Jardim Botânico de Berlim, que ele se deparou com estufas repletas de plantas tropicais brasileiras. Vendo de perto espécimes que cresciam livremente em sua terra natal, muitas vezes ignoradas ou desprezadas pela elite brasileira da época, que preferia copiar o modelo europeu de jardins, o jovem artista sentiu uma espécie de epifania. 

Como bem recordam aqueles que estudaram sua obra, aquela experiência operou uma catarse em sua sensibilidade. Burle Marx percebeu que a riqueza de nossa biodiversidade era um patrimônio estético inigualável. Ele se tornou, nas palavras de seus contemporâneos, "mais brasileiro mesmo longe do Brasil". Essa revelação mudou o rumo da sua vida e, por conseguinte, a história da arquitetura paisagística mundial. 

De volta ao Brasil, Burle Marx ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde conviveu com grandes nomes da vanguarda, como Cândido Portinari e, posteriormente, com arquitetos modernistas do porte de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Foi com Lúcio Costa que realizou seu primeiro grande projeto público em 1934: a Praça de Casa Forte, no Recife. Ali, utilizou corajosamente plantas da Mata Atlântica e da Amazônia, incluindo a imponente vitória-régia, rompendo de vez com os cânones tradicionais importados. 

A genialidade de Burle Marx consistia em tratar o jardim como uma verdadeira tela de pintura abstrata. Suas plantas não eram dispostas ao acaso; elas obedeciam a rigorosos estudos de cores, volumes, texturas e ritmos sazonais. Para ele, o piso, os espelhos d'água, as pedras e as massas vegetais compunham uma sinfonia visual. O famoso calçadão de Copacabana, o Parque do Ibirapuera em São Paulo, os jardins do Aterro do Flamengo e do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro são provas irrefutáveis de que sua arte era indissociável da arquitetura e do urbanismo. 

Muito antes de o debate ambiental ocupar o centro das agendas políticas globais, Burle Marx já levantava a bandeira da conservação das florestas tropicais. Suas expedições pelos biomas brasileiros em busca de novas espécies, muitas das quais hoje levam seu nome científico, não tinham apenas um objetivo estético ou botânico, mas um profundo caráter de resgate e proteção. 

Ele denunciava a destruição da natureza, alertava sobre a perda de espécies nativas e entendia que devastar a flora equivalia a apagar a memória do próprio povo. O seu célebre Sítio Santo Antônio da Bica (hoje Sítio Roberto Burle Marx), em Guaratiba, no Rio de Janeiro, transformou-se em um laboratório vivo e num santuário de preservação, doado por ele próprio ao IPHAN para garantir que as futuras gerações pudessem contemplar a grandeza da biodiversidade brasileira. 

Embora o mundo o reconheça primordialmente como paisagista, reduzir Burle Marx a essa única faceta é diminuir um gênio renascentista. Ele era um artista completo. Pintava telas vibrantes influenciadas pelo cubismo e pelo abstracionismo, criava tapeçarias monumentais que adornavam edifícios públicos, desenhava joias exclusivas com pedras brasileiras e metais nobres, e surpreendia a todos com seu talento vocal, cantando com a mesma paixão com que desenhava uma praça. 

Essa versatilidade vinha de berço, estimulada por sua mãe, Cecília Burle, exímia pianista que lhe ensinou a amar a música e o cultivo da terra simultaneamente. Para Burle Marx, todas as formas de arte convergiam para um único ponto: a exaltação da beleza e da vida. 

Neste 4 de agosto de 2026, ao completarem-se 117 anos de seu nascimento, o legado de Roberto Burle Marx permanece vivo em cada traço sinuoso de suas praças, na sombra fresca de suas árvores nativas espalhadas por mais de vinte países, e na consciência ecológica que ajudou a despertar no coração do Brasil.

Ele não foi apenas um homem que plantou árvores; foi um semeador de ideias, um visionário que ensinou os brasileiros a olharem para o próprio quintal com orgulho e reverência. Que a celebração de sua data natalícia sirva para renovar o nosso compromisso com a beleza, com a conservação da natureza e com a coragem de sermos genuinamente fiéis às nossas raízes, tal como ele nos ensinou com a força inesgotável da sua arte. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 









CARTA ABERTA À UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF) - ASSUNTO: A CELEBRAÇÃO DA EXCELÊNCIA, DA CULTURA E DA CIÊNCIA E A HOMENAGEM À DRA. MÁRCIA PESSANHA NO III ENCONTRO DE MENINAS PESQUISADORAS E MULHERES EMPREENDEDORAS.

À Universidade Federal Fluminense (UFF), à comunidade acadêmica, científica e a toda a sociedade fluminense e brasileira, 

É com alegria e estima cultural que o Focus Portal Cultural, sob a curadoria atenta e sensível do jornalista Alberto Araújo, espaço dedicado a registrar os grandes movimentos da nossa arte, da nossa história e do pensamento crítico, abre suas páginas e ecoa esta Carta Aberta. Fazemo-lo para aplaudir, exaltar e registrar a grandiosa iniciativa da Universidade Federal Fluminense ao promover o III Encontro de Meninas Pesquisadoras e Mulheres Empreendedoras. Realizado em parceria com a FAPERJ e a Prefeitura de Niterói, este evento se consolida não apenas como um espaço de debate científico e tecnológico, mas como um marco civilizatório na valorização da presença feminina nos mais altos postos do saber, da gestão e da cultura de nosso país. 

Dentro dessa programação de imensa relevância, que acontece em 5 de agosto, às 10h30min, no Instituto de Biologia da UFF (Campus do Gragoatá), destaca-se a justa e comovente homenagem concedida à Dra. Márcia Pessanha, laureada como grande referência na área de Ciências Humanas. Ao prestar esta honraria, a UFF reverencia uma trajetória de vida que se confunde com a própria defesa intransigente da inteligência, da sensibilidade e da soberania intelectual brasileira. 

Falar da Dra. Márcia Pessanha é falar sobre a sinergia viva entre a tradição e a vanguarda. À frente da centenária Academia Fluminense de Letras (AFL), instituição secular de imensurável valor histórico para o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil, a Presidente Márcia Pessanha tem exercido uma gestão marcada pela inovação humanística, pela abertura institucional e pelo resgate altivo do papel social da literatura e da cultura. 

Sob sua batuta inspiradora, a AFL deixou de ser apenas um templo de guardas mnemônicas para se transformar em um espaço dinâmico, pulsante e integrado aos grandes debates contemporâneos. A presidência de Márcia Pessanha na centenária Academia demonstra que as letras e as humanidades não caminham dissociadas da ciência, mas que, ao contrário, são a alma e a bússola ética de qualquer avanço tecnológico ou social. Sua liderança resgata a memória dos grandes imortais do passado ao mesmo tempo em que projeta a instituição para o futuro, acolhendo novas vozes, dialogando com as universidades e fincando as bases de uma cidadania cultural sólida e inclusiva. 

O reconhecimento que a UFF agora consagra à Dra. Márcia Pessanha ganha ainda mais densidade quando olhamos para a sua projeção para além das fronteiras estaduais e nacionais. Na qualidade de Governadora do D-8 do Elos Internacional, com atuação destacada nos pilares de Ciência, Letras e Liderança, Márcia Pessanha projeta o nome do Rio de Janeiro e do Brasil em redes internacionais de cooperação intelectual e humanitária. 

O movimento Elos Internacional, que articula lideranças comprometidas com o desenvolvimento humano sustentável, encontra na presença de Márcia Pessanha uma gestora de pulso firme, visão global e sensibilidade ímpar. Ela compreende que o fomento à ciência, às letras e à liderança feminina não é uma pauta isolada, mas uma urgência geopolítica e social. Sua atuação internacional demonstra que o talento fluminense dialoga de igual para igual com o que há de mais avançado no pensamento global, unindo pontes entre saberes ancestrais e as demandas do século XXI. 

A homenagem prestada pela UFF à Presidente Márcia Pessanha insere-se em um contexto de profunda sinergia com o propósito do III Encontro de Meninas Pesquisadoras e Mulheres Empreendedoras. O evento coroa a excelência feminina dividida nas três grandes áreas do conhecimento, unindo Márcia Pessanha (Ciências Humanas) à brilhante Dra. Izabel Paixão (Ciências da Vida, renomada Pesquisadora de Virologia do Instituto de Biologia da UFF) e à eminente Dra. Renata Angeli (Ciências Exatas e da Terra, representante da INOVAHUPE - UERJ e da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ). Juntas, essas três mulheres formam a tríade perfeita da potência intelectual feminina em nosso Estado. 

A programação do encontro é um testemunho da vitalidade desta edição. A emocionante exposição da visão da Inteligência Artificial sobre a direção do Instituto de Biologia, instigantemente intitulada "Diretoras e pesquisadoras: as potências do Instituto de Biologia", dialoga perfeitamente com o lançamento da revistinha Luxuzinha e Gumozinho, fruto do valioso projeto de extensão Ciências sob Tendas. Soma-se a isso o imperdível bate-papo com pesquisadoras premiadas em 2025 pelo Grupo L’Oréal no Brasil, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a UNESCO no Brasil, reafirmando que o lugar da mulher é na vanguarda da descoberta científica. 

Esta Carta Aberta é, portanto, um ato de louvor à Universidade Federal Fluminense por enxergar e honrar quem faz a diferença. A trajetória de Márcia Pessanha, seja conduzindo com maestria a centenária Academia Fluminense de Letras, seja desbravando fronteiras como Presidente da Federação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro (que tem como Fundador e Presidente de Honra o Dr. Waldenir de Bragança), seja atuando como Governadora do D-8 do Elos Internacional, seja inspirando diariamente novas gerações, é um holofote que brilha intensamente.

Que a homenagem à Presidente Márcia Pessanha sirva de eco para que cada menina, jovem pesquisadora e mulher empreendedora saiba que a ciência, as letras e a liderança pertencem a quem tem a coragem de transformar o mundo. 

Nossa profunda homenagem e carinho à Presidente Márcia Pessanha pela sua dedicação e interação sempre constantes em nossas páginas e grupos de WhatsApp. 

Com admiração e respeito,

© Alberto Araújo — Focus Portal Cultural



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O BANCO NA PRAÇA, O TEMPO E A SÉTIMA ARTE CRÔNICA DE UMA SAUDADE FELIZ EM NITERÓI - A WILMA MARTINS TEIXEIRA COUTINHO E SÁVIO SOARES DE SOUSA (IN MEMORIAM) © ALBERTO ARAÚJO

A tela do celular, computador acende numa claridade súbita, dessas que o algoritmo engendra com sua implacável mania de arbitrar o tempo. É o Facebook, com a sua cirurgia estética da memória, trazendo à tona uma daquelas fotografias que parecem desafiar a própria efemeridade dos dias. Ali estão eles, sentados placidamente no banco verde da Praça de Icaraí, tendo como testemunhas mudas as palmeiras imperiais, o vai-e-vem da gente niteroiense e o salitre brando da baía. Na imagem, que respira uma calmaria solar, a companheira Wilma Martins Teixeira sorri com a leveza de quem carrega a juventude na alma, exibindo o livro Ressurreição do Soneto. Ao lado dela, compondo um quadro de rara simbiose intelectual e humana, está o meu saudoso mestre, Sávio Soares de Sousa Procurador de justiça, advogado, jornalista, poeta de ofício, prosador de escol, guardião altivo da palavra e, acima de tudo, um inesgotável oráculo da sétima arte. 

Contemplar essa lembrança digital não provoca em mim a picada lancinante da dor absoluta, mas sim um sortilégio agridoce: uma saudade feliz. É feliz porque Sávio, embora tenha partido para o invisível e definitivo palco em 25 de maio de 2022, aos 97 anos deixou sua marca cravada a ferro e fogo na arquitetura do meu pensamento. E é imensamente feliz porque Wilma continua aqui, altaneira e luminosa, escrevendo suas poesias, caminhando firme pelos seus noventa e nove anos recém-completados no último dia 31 de maio de 2026. Quase um século de pulsação, de lucidez e de um humor refinado que desafia os calendários, abrigando em seu olhar a sabedoria dos que viram o mundo mudar sem perder a capacidade de se encantar com o essencial. 

A Praça de Icaraí, pano de fundo deste meu registro inesquecível, evoca o clima festivo do projeto dos Escritores ao Ar Livre, evento que sacudiu a cultura de Niterói ao ocupar os espaços públicos com o sopro democrático dos livros. Estar ali ao lado de Sávio e Wilma era habitar o centro exato do mundo. Sávio tinha essa rara propriedade: onde quer que estivesse, criava um fuso horário próprio, feito de silêncios respeitosos, tiradas espirituosas e uma erudição que nunca pesava nos ombros, antes parecendo um manto diáfano e acolhedor. 

Foi com Sávio Soares de Sousa que aprendi a olhar para uma tela de cinema não como um mero passatempo de fim de semana, mas como um templo de epifanias. Antes dele, eu assistia a filmes; depois dele, passei a habitá-los. Sávio falava de John Ford, de Ingmar Bergman, de Federico Fellini, de François Truffaut e dos clássicos da era de ouro de Hollywood com a mesma devoção com que um teólogo comenta os textos sagrados. Ele destrinchava os planos-sequência, o silêncio expressivo de um close, a melancolia de um contrassutil e a poesia escondida na montagem como quem revela segredos de um universo paralelo.

Lembro-me das manhãs-tardes em que nos perdíamos em infindáveis diálogos sobre a estética do olhar. Sávio não ensinava apenas a técnica ou a história do cinema; ele moldava uma sensibilidade. Ensinou-me a decodificar as sombras, a escutar a respiração dos atores na penumbra da sala escura e a compreender que a vida, afinal, é uma imensa película em permanente projeção. Por causa dele, tornei-me cinéfilo de carteirinha e de coração. Cada vez que apagam as luzes de uma sala de cinema e o feixe de luz corta a poeira em suspensão até bater na tela branca, sinto a presença tutelar de Sávio sentado na poltrona ao lado, pronto para sussurrar um comentário definitivo e genial. O cinema é a arte de esculpir o tempo com luz e sombra; Sávio esculpia a amizade com a mesma paciência de um deus, fazendo do verbo e da película a pátria definitiva dos poetas.

E há Wilma, nessa equação perfeita entre o passado que reverenciamos e o presente que celebramos com fervor. Chegar aos 99 anos com a vivacidade que ela ostenta é um manifesto poético contra a tirania do tempo. Wilma é a própria encarnação da resistência afetuosa. Na foto na Praça de Icaraí, segurando o exemplar de “Ressurreição do Soneto” obra que sintetiza a maestria lírica de Sávio, ela abençoa o instante, fixando-o na eternidade. O livro em suas mãos não é apenas papel e tinta; é o símbolo de uma aliança indissolúvel entre a literatura, a amizade e a cidade de Niterói, que abriga em suas esquinas tantas histórias não ditas.

Pensar em Sávio, ausente desde maio de 2022, e em Wilma, celebrando sua 99ª primavera em maio de 2026, é perceber que o tempo cronológico é apenas uma convenção burocrática dos relógios. Na dimensão da arte e da memória afetiva, todos coexistem no mesmo plano eterno. Sávio continua vivo nas páginas de seus sonetos, na cinefilia que plantou no peito dos discípulos e na saudade que nos reconcilia com o belo. Wilma continua viva no passo firme, no sorriso cúmplice e na coragem de quem atravessou um século colecionando instantes de rara beleza.

Quando o Facebook joga na nossa cara essa lembrança digital, ele não faz mais do que nos lembrar de quem realmente somos: seres feitos de tempo, mas habitados pelo eterno. Naquele banco de praça, sob o sol generoso de Icaraí, a poesia e o cinema deram as mãos. E enquanto eu olhar para essa fotografia, saberei que o mestre Sávio continua a acender as luzes da sala escura, e a querida Wilma continua a segurar, com firmeza e graça, o livro da nossa própria história. 

Niterói, 04 agosto de 2026

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural