Dia Nacional da Matemática – Uma
Celebração à Ciência que nos ensina a pensar
No dia 6 de maio, o Brasil celebra
oficialmente o Dia Nacional da Matemática, instituído pela Lei nº 12.835/2013
em homenagem ao nascimento de Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido pelo
pseudônimo Malba Tahan.
Escritor, educador e apaixonado pela
arte de ensinar, Malba Tahan transformou a matemática em narrativa, em
aventura, em desafio intelectual. Sua obra mais célebre, O Homem que Calculava,
continua a encantar gerações ao mostrar que números e equações podem ser tão
fascinantes quanto histórias de reis, sábios e viajantes.
A escolha desta data não é apenas uma
lembrança biográfica. É um convite para refletirmos sobre o papel da matemática
em nossas vidas. Ela está presente em cada gesto cotidiano: no cálculo do
tempo, na organização das finanças, na arquitetura das cidades, na música que
nos emociona, na tecnologia que nos conecta. A matemática é, ao mesmo tempo,
linguagem universal e ferramenta de criação. Sem ela, não haveria ciência
moderna, não haveria avanços tecnológicos, não haveria sequer a possibilidade
de compreender o cosmos.
Muitas vezes, a matemática é vista
como uma disciplina árida, difícil, inacessível. Mas essa visão é injusta. A
matemática é também cultura, arte e imaginação. Malba Tahan compreendeu isso ao
criar personagens árabes que resolviam problemas com engenho e poesia. Ele
mostrou que aprender matemática pode ser uma experiência estética, uma jornada
de descobertas. Ao transformar cálculos em histórias, ele aproximou a ciência
das pessoas e revelou sua dimensão humana.
Celebrar o Dia Nacional da Matemática
é reconhecer que essa ciência não pertence apenas às salas de aula ou aos
laboratórios. Ela faz parte da nossa identidade cultural. Está nos mosaicos das
igrejas coloniais, na cadência das escolas de samba, na precisão dos
engenheiros que constroem pontes e edifícios. Está na lógica dos programadores
que desenvolvem softwares e na criatividade dos artistas que exploram simetrias
e proporções.
Nenhuma ciência se sustenta sem
aqueles que a ensinam e a aplicam. Professores, pesquisadores, contadores,
engenheiros, estatísticos, programadores, físicos e tantos outros profissionais
carregam a matemática em suas rotinas. São eles que traduzem números em
soluções, que transformam abstrações em práticas concretas. O Dia Nacional da
Matemática é também um tributo a esses homens e mulheres que dedicam suas vidas
a multiplicar conhecimento.
Cada equação resolvida em sala de
aula, cada gráfico interpretado em uma empresa, cada algoritmo desenvolvido em
um laboratório é parte de uma grande construção coletiva. A matemática é uma
obra humana, feita de esforço, paciência e criatividade. E cada profissional
que a utiliza contribui para que essa obra continue crescendo.
Vivemos em um mundo cada vez mais
orientado por dados e tecnologia. Inteligência artificial, big data, criptografia,
estatística avançada, tudo isso depende da matemática. Mais do que nunca,
precisamos valorizar essa ciência, pois dela depende nossa capacidade de
compreender e transformar a realidade. A matemática nos ensina a pensar de
forma lógica, a buscar soluções criativas, a enfrentar problemas complexos com
rigor e imaginação.
Ao mesmo tempo, ela nos lembra da
humildade. Cada teorema é fruto de séculos de esforço coletivo. Cada descoberta
abre novas perguntas. A matemática é infinita, e por isso nos desafia a nunca
parar de aprender.
UMA HOMENAGEM PESSOAL
Neste 6 de maio, o Focus Portal
Cultural, sob a curadoria do jornalista Alberto Araújo, parabeniza todos os que
trabalham e trabalharam com a matemática. Professores que dedicaram suas vidas
ao ensino, pesquisadores que avançaram fronteiras do conhecimento,
profissionais que aplicaram a ciência em diferentes áreas da sociedade. A
todos, nossa gratidão e reconhecimento.
E aqui cabe uma nota pessoal: eu,
Alberto Araújo, também trilhei esse caminho. Trabalhei por mais de 20 anos com
essa singular ciência, tendo formação técnica em Contabilidade. Sei, pela
experiência, que a matemática é mais do que números, é disciplina, é
raciocínio, é clareza de pensamento. É uma companheira que nos ensina a organizar
o mundo e a compreender sua lógica. Hoje, ao celebrar o Dia Nacional da
Matemática, sinto orgulho de ter feito parte dessa história e de poder
homenagear todos aqueles que, como eu, encontraram na matemática uma forma de
vida e de trabalho.
Que este 6 de maio seja um dia de
celebração, reflexão e inspiração. A matemática é nossa herança e nosso futuro.
Que possamos continuar a valorizá-la, ensiná-la e aplicá-la, para que siga
iluminando caminhos e construindo pontes entre o conhecimento e a vida.
BIOGRAFIA DE MALBA TAHAN
Júlio César de Mello e Souza nasceu no
Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 e faleceu no Recife, 18 de junho de 1974,
mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, foi professor, pedagogo,
conferencista, matemático e escritor do modernismo brasileiro. Através de seus
romances infantojuvenis, tornou-se um dos maiores divulgadores da matemática no
Brasil e no exterior. Viveu quase toda a infância em Queluz (SP). Filho de João
de Deus de Mello e Souza e Carolina de Mello e Souza, ambos professores,
cresceu em uma família numerosa e de recursos modestos. Desde criança
demonstrava imaginação criativa, escrevendo histórias com personagens de nomes
absurdos e sem função no contexto. Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro
(1906–1909) e depois no Colégio Pedro II, onde começou a vender redações aos
colegas por 400 réis, iniciando sua trajetória como escritor.
Em 1912, iniciou sua vida profissional
como auxiliar da Biblioteca Nacional. Concluiu o curso normal na Escola Normal
do Distrito Federal (atual ISERJ). Diplomou-se em Engenharia Civil pela Escola
Politécnica da UFRJ em 1913. Lecionou em diversas instituições e se destacou
como educador inovador, defendendo métodos criativos para o ensino da
matemática.
O pseudônimo Malba Tahan
Criou o personagem Ali Iezid Izz-Edim
ibn Salim Hank Malba Tahan, ou simplesmente Malba Tahan, como heterônimo literário.
Para dar verossimilhança às histórias,
estudou cultura e língua árabes por sete anos (1918–1925). Inventou também um
“tradutor” fictício, o Professor Breno Alencar Bianco, reforçando a ilusão de
que os contos eram árabes autênticos. O nome “Malba Tahan” significa “O Moleiro
de Malba”: Malba era o nome de uma aldeia árabe e Tahan veio do sobrenome de
uma aluna sua.
OBRAS
Publicou mais de 120 livros, sendo
cerca de 50 dedicados à matemática. Seu livro mais famoso, O Homem que
Calculava (1938), apresenta problemas e curiosidades matemáticas em forma de
narrativa, ao estilo das Mil e Uma Noites. Suas obras buscavam ensinar
matemática de forma divertida e diferente, com desafios que estimulavam a
criatividade e a descoberta. Foi pioneiro em métodos didáticos que uniam
literatura, recreação matemática e pedagogia.
RECONHECIMENTO
Ocupou a Cadeira nº 8 da Academia
Pernambucana de Letras. Tornou-se referência internacional em recreação
matemática e literatura infantojuvenil. Faleceu em 1974, aos 79 anos, vítima de
ataque cardíaco, deixando um legado duradouro para a educação e cultura
brasileiras.
© Alberto Araújo
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