sábado, 3 de outubro de 2026

PERMANECER É UMA FORMA DE LINGUAGEM - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Permanecer é uma forma de linguagem. 

As árvores a praticam. O mar a desafia. As montanhas a aperfeiçoam. As pedras, contudo, parecem dominá-la.

Entre Icaraí e Ingá, localização exata, no trecho de transição da orla entre os dois bairros, a Pedra de Itapuca fala esse idioma silencioso há séculos. Enquanto a cidade escreve e reescreve a própria história, ela continua ali, traduzindo o tempo em matéria. 

Poucos símbolos urbanos carregam uma eloquência semelhante. Não porque sejam grandiosos, mas porque sobreviveram. A pedra que hoje emerge solitária das águas da Baía de Guanabara é mais do que uma formação geológica ou um cartão-postal de Niterói. É um fragmento da duração.

Seu nome já conta uma história. "Itapuca", palavra de origem tupi, significa "pedra fendida". A expressão fazia referência à forma original da rocha. Muito antes de os bairros de Icaraí e Ingá receberem seus contornos atuais, a pedra formava um arco natural ligado ao continente. O mar passava por baixo dela. A paisagem possuía uma arquitetura esculpida pela natureza ao longo de milhares de anos. 

Era uma obra sem arquiteto. 

Uma ponte de pedra construída pela lenta engenharia do tempo. 

A antiga Itapuca não separava terra e mar. Unia-os. Funcionava como um portal natural através do qual a água, a luz e os ventos circulavam livremente. Os indígenas que habitavam a região deram-lhe um nome que descrevia precisamente aquilo que viam: uma pedra aberta, partida, fendida pela própria geografia.

Muito antes de se tornar símbolo urbano, ela já era paisagem. Muito antes de figurar em fotografias, cartões-postais e brasões, já fazia parte do horizonte daqueles que habitavam a enseada. E talvez resida aí uma das razões de sua permanência afetiva: ela antecede a cidade que hoje a contempla. 

Em 1840, porém, a paisagem foi convocada a servir a outro projeto. 

O século XIX acreditava profundamente na ideia de progresso. Ruas precisavam ser abertas, caminhos precisavam ser traçados, obstáculos precisavam ser removidos. Para permitir o arruamento da região, o arco natural foi implodido. A pedra perdeu a forma que, durante séculos, justificara seu nome. 

O curioso é que o nome sobreviveu à forma. 

A fenda desapareceu. 

A memória da fenda permaneceu.

Talvez nenhuma imagem represente tão bem a relação entre tempo e civilização. Os homens alteraram a paisagem, mas não conseguiram apagar completamente sua história. O que restou da antiga estrutura transformou-se em algo novo: um monumento involuntário àquilo que deixou de existir. 

A Itapuca tornou-se um fragmento carregando a memória de um todo. 

Talvez por isso sua presença provoque uma espécie de fascínio silencioso.

Não é a maior pedra da costa fluminense. Não é a mais imponente. Não é a mais célebre. Ainda assim, tornou-se um dos principais símbolos de Niterói, figurando inclusive no brasão da cidade. Em 1985, foi tombada pelo patrimônio estadual, como se o poder público reconhecesse oficialmente aquilo que a população já sabia havia muito tempo: certas paisagens também merecem ser preservadas porque guardam parte da alma de uma cidade.

Símbolos raramente são escolhidos por acaso. 

Eles condensam significados que muitas vezes escapam à consciência coletiva. 

No caso da Itapuca, talvez o símbolo resida justamente em sua sobrevivência. A cidade mudou inúmeras vezes ao seu redor. A antiga vila transformou-se em município. O município transformou-se em cidade moderna. A linha da orla foi alterada. Novos bairros surgiram. Casas deram lugar a edifícios. Bondes desapareceram. Automóveis multiplicaram-se. O horizonte foi redesenhado por dezenas de gerações. 

A pedra assistiu a tudo. 

E continuou ali. 

Talvez o tempo não deva ser imaginado como um rio, mas como um escultor. Um escultor paciente, obstinado e invisível. Seu material não é apenas a rocha. São também as cidades, as instituições, os costumes e as pessoas. 

Tudo o que existe está sendo esculpido. 

A Pedra de Itapuca carrega as marcas desse trabalho. O sal a desgasta. O vento a corrói. As ondas retornam diariamente para continuar uma tarefa iniciada muito antes de qualquer mapa registrar a Baía de Guanabara. 

Entretanto, cada golpe das águas parece apenas reforçar aquilo que ela simboliza. 

A permanência. 

Não a permanência da imobilidade. 

A permanência da identidade. 

Porque permanecer não significa conservar intacta uma forma original. Significa atravessar mudanças sem perder completamente aquilo que se é. 

Nesse sentido, a Itapuca possui algo profundamente humano. 

Todos somos pedras fendidas. 

Em algum momento da vida perdemos partes de nós mesmos. Perdemos pessoas, lugares, certezas e versões antigas da nossa própria identidade. As experiências nos modificam continuamente. Ao final de muitos anos, já não somos os mesmos de antes. 

E, contudo, continuamos sendo nós. 

A pedra ensina essa lição sem palavras. 

Aquilo que lhe dava a forma original desapareceu. O arco deixou de existir. O continente afastou-se. O mundo ao redor mudou. Ainda assim, quando alguém pronuncia "Pedra de Itapuca", todos sabem exatamente do que se trata. 

A essência sobreviveu à transformação. 

Mas talvez a verdadeira razão de seu poder simbólico não esteja apenas naquilo que ela preservou. Esteja também naquilo que perdeu. 

Porque a Pedra de Itapuca não é apenas uma sobrevivente da paisagem. 

É também uma sobrevivente da memória. 

Toda cidade é construída duas vezes. 

Primeiro na matéria. 

Depois na lembrança. 

A primeira pertence à história. A segunda pertence à memória. 

A história registra datas, acontecimentos, obras e transformações. A memória guarda aquilo que os fatos, sozinhos, não conseguem explicar. Ela preserva afetos, significados e ausências.

No caso da Itapuca, as duas dimensões convivem sobre a mesma pedra.

A história informa que, em 1840, o arco natural foi destruído para permitir o arruamento da região. O registro é objetivo. Está nos arquivos. Nos estudos. Nos documentos. 

A memória opera de forma diferente. 

Ela continua procurando o arco onde já não existe arco. 

Continua enxergando, na pedra isolada que emerge das águas, a sombra daquilo que desapareceu. 

Talvez por isso a Itapuca desperte uma emoção difícil de definir. Seu valor não está apenas no que ela é. Está também naquilo que deixou de ser.

A presença da pedra carrega a ausência do arco. 

E poucas coisas falam tão profundamente à condição humana quanto as ausências. 

As cidades também são feitas delas. 

Sob cada avenida existe uma paisagem anterior. Sob cada edifício repousa uma versão desaparecida da cidade. Os mapas registram as mudanças. A memória insiste em conservar os vestígios.

A Pedra de Itapuca parece concentrar essa tensão entre o que foi perdido e o que permaneceu. Ela não testemunha apenas acontecimentos. Testemunha transformações. Não guarda apenas uma forma geológica. Guarda uma narrativa. 

Nesse sentido, aproxima-se mais de uma ruína do que de um monumento. 

Os monumentos celebram certezas. 

As ruínas provocam perguntas.

Diante de uma ruína, o olhar nunca repousa apenas sobre o que resta. Ele procura imaginar aquilo que falta. 

É exatamente esse movimento que a Itapuca produz.

Seu nome continua contando a história de uma pedra fendida. De uma abertura. De uma passagem entre a terra e o mar. Mas nossos olhos encontram apenas um fragmento isolado diante da baía. 

Entre a palavra e a paisagem existe uma lacuna. 

E é dentro dessa lacuna que a memória trabalha. 

Porque recordar não significa reconstruir o passado. 

Significa dialogar com aquilo que o tempo recusou preservar por inteiro.

Ao cair da tarde, especialmente nos dias em que a luz dourada repousa sobre a Baía de Guanabara e os edifícios de Icaraí começam a acender suas primeiras janelas, a pedra parece assumir outra dimensão. Deixa de ser apenas um elemento da paisagem e transforma-se em presença.

Uma presença antiga. 

Quase filosófica. 

À sua volta, a cidade acelera. Pessoas caminham pelo calçadão. Corredores passam apressados. Veículos percorrem a avenida. Novas fotografias são tiradas. Novas histórias começam. 

A pedra permanece.

Não como quem resiste ao tempo.

Mas como quem aprendeu a conviver com ele. 

Talvez seja essa a razão de ela continuar provocando admiração depois de tantos anos. Não porque represente o passado, mas porque revela uma verdade permanente sobre a condição humana. 

Tudo muda. 

Quase nada permanece inteiro.

E, ainda assim, certas coisas atravessam os séculos carregando consigo uma identidade que nem o mar, nem o vento, nem a intervenção dos homens conseguem apagar completamente. 

A antiga Itapuca desapareceu. 

A atual continua presente. 

E, paradoxalmente, ambas habitam a paisagem de Niterói. 

Uma pertence à história.

A outra pertence à memória. 

Entre Icaraí e o Ingá, diante das águas da baía, a velha pedra continua sustentando esse diálogo silencioso entre aquilo que foi e aquilo que permanece. 

E toda cidade precisa desses lugares. 

Porque uma cidade não é feita apenas de ruas, edifícios e infraestrutura. Uma cidade é feita das lembranças que seus habitantes compartilham. É feita das histórias que contam a si mesmos para compreender quem são.

A Pedra de Itapuca ocupa um lugar privilegiado nessa narrativa. Funciona como uma âncora lançada nas profundezas da memória niteroiense. Enquanto o tempo transforma a cidade, ela continua lembrando que toda identidade nasce do encontro entre presença e ausência, entre permanência e perda, entre história e lembrança. 

Assim, a velha pedra diante da Baía de Guanabara deixa de ser apenas paisagem.

Torna-se metáfora. 

A metáfora de que nada permanece exatamente como era.

Mas algumas coisas permanecem o suficiente para que não esqueçamos quem fomos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




CARTA ABERTA DO FOCUS PORTAL CULTURAL O FUTURO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA JÁ É REALIDADE


Rubén Darío Argüelles Sánchez - cônsul-geral da República do Panamá no Rio de Janeiro; Dr. Raymundo Stelling – Presidente da UPPES; Andréa de Fátima da Paz Pereira Barcala - presidente do Instituto Cultural Marinha Mercante.

Um marco histórico da UPPES-Sindicato 

para o magistério, a cultura e a sociedade brasileira


Ao Presidente da UPPES-Sindicato, Professor Doutor Raymundo Nery Stelling Junior, às Diretorias Executiva e Regional, aos Conselhos da entidade, aos educadores filiados e à sociedade fluminense. 

O Focus Portal Cultural registra publicamente sua admiração e reconhecimento pela inauguração do Centro Integrado de Educação e Cultura (CIEC), realizada na sede estadual da UPPES-Sindicato, no dia 24 de setembro de 2026, em Niterói, um acontecimento que suplanta as dimensões de uma simples obra física para se consolidar como um gesto concreto de compromisso com o conhecimento, a cidadania, a cultura e o futuro da educação. 

Vivemos uma época marcada por profundas transformações tecnológicas, sociais e culturais. Em meio a tantos desafios que cercam a educação brasileira, especialmente o magistério público, iniciativas capazes de fortalecer a formação permanente dos profissionais da educação representam verdadeiros investimentos no patrimônio humano de nossa nação. 

É nesse contexto que o novo Centro Integrado de Educação e Cultura surge como uma resposta moderna, sensível e visionária às demandas do presente e às necessidades das futuras gerações.

Ao inaugurar um espaço equipado com recursos tecnológicos avançados, salas de aula modernas, lousas interativas, climatização, acessibilidade e estrutura adequada para cursos, palestras, seminários e eventos culturais, a UPPES-Sindicato demonstra que continua fiel à sua trajetória histórica de defesa dos professores públicos do Estado do Rio de Janeiro. 

Não se trata apenas de instalar equipamentos ou ampliar dependências institucionais. Trata-se de criar um ambiente destinado à construção do conhecimento, ao intercâmbio de saberes e à valorização daqueles que dedicam suas vidas à formação de cidadãos. 

Durante a solenidade, o presidente da entidade, Professor Doutor Raymundo Nery Stelling Junior, definiu com clareza a essência desse novo momento ao afirmar que o espaço representa mais uma oportunidade de interação da UPPES com a sociedade. 

Ao longo de seus mais de oitenta anos de história, a UPPES consolidou-se como uma das mais importantes entidades representativas do magistério fluminense. Agora, ao investir simultaneamente em educação, cultura e integração social, reafirma seu papel como instituição promotora de cidadania e desenvolvimento humano. 

O significado simbólico do CIEC torna-se ainda maior quando observamos a diversidade de presenças que prestigiaram a inauguração. 

Representantes sindicais, dirigentes educacionais, autoridades civis, parceiros institucionais, personalidades da área da cultura, integrantes da diplomacia internacional e lideranças da sociedade civil estiveram reunidos em torno de um mesmo propósito: celebrar a educação como instrumento de transformação social. 

A presença do cônsul-geral da República do Panamá no Rio de Janeiro Rubén Darío Argüelles Sánchez confere ao evento uma dimensão internacional que merece destaque. 

A educação e a cultura são linguagens universais capazes de aproximar povos, estabelecer pontes de cooperação e promover intercâmbios que beneficiam comunidades inteiras. Ao receber autoridades estrangeiras em um evento dessa natureza, a UPPES fortalece sua vocação de diálogo e sua capacidade de construir relações institucionais que ultrapassam fronteiras. 

Da mesma forma, merece especial reconhecimento a participação da comandante Andréa de Fátima da Paz Pereira Barcala - Capitão de Longo Curso da Marinha Mercante brasileira, presidente do Instituto Cultural Marinha Mercante. 

A parceria estabelecida entre as instituições evidencia um importante encontro de valores: a formação humana, a qualificação profissional e a construção de oportunidades por meio do conhecimento. 

A aproximação entre educação, cultura e economia do mar demonstra uma visão contemporânea e estratégica do desenvolvimento nacional, na qual diferentes áreas atuam de forma integrada para produzir avanços sociais e econômicos.

Outro momento de grande significado foi a inauguração da Galeria de Arte Maria Francisca Pereira Marinho, uma homenagem à professora presidente fundadora da UPPES, que esteve à frente da entidade em sua fundação na década de 1940. Ao homenagear sua fundadora, a UPPES presta tributo não apenas a uma personalidade histórica, mas também às raízes que sustentam sua identidade institucional.

A preservação da memória é um dos pilares fundamentais da cultura. Nenhuma sociedade pode construir o futuro sem valorizar as histórias, os desafios e as conquistas daqueles que vieram antes.

A galeria representa justamente esse reencontro entre passado e presente. As fotografias, documentos e registros históricos expostos ali constituem um patrimônio cultural que narra décadas de lutas em defesa da educação pública, das condições de trabalho dos professores e dos direitos conquistados pelo magistério fluminense.

Ao percorrer esse espaço, visitantes poderão compreender melhor a relevância da atuação da entidade desde a década de 1940 e sua contribuição para importantes avanços sociais. 

A cerimônia também foi marcada por homenagens que reforçam a importância do reconhecimento público. 

A entrega da medalha comemorativa dos cinco anos do ecossistema Vem Pra Bordo, idealizado por Bruno Silva, chefe de Máquinas da Marinha Mercante, simbolizou o respeito às ações que promovem a educação, valorizam profissionais e contribuem para o desenvolvimento da economia do mar. 

Ao ser agraciado, o Professor Doutor Stelling destacou que a homenagem pertencia à UPPES como um todo, recordando que sua gestão é resultado de um trabalho coletivo desenvolvido por diretores, conselheiros e educadores.

Essa declaração sintetiza um princípio essencial das instituições sólidas: as conquistas individuais somente se tornam relevantes quando representam realizações coletivas. 

Cabe destacar ainda a presença de importantes lideranças institucionais, entre elas a presidente do Elos Internacional, Núcleo da Rede Sem Fronteiras de Niterói, Cenáculo Fluminense de História e Letras, Academia Brasileira Rotária de Letras do Estado do Rio de Janeiro, Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, acompanhada do diretor jurídico da entidade, presidente da Academia Brasileira de Letras da Magistratura o desembargador Dr. Nagib Slaibi Filho e o Professor Claudio Joaquim – Coordenador do Núcleo de Ensino da UPPES. 

A participação dessas personalidades reafirma a relevância do evento e demonstra o reconhecimento conquistado pela UPPES junto a diferentes segmentos da sociedade.

O encontro foi abrilhantado por apresentações culturais que enriqueceram a programação e deram ao momento uma atmosfera de integração entre povos e expressões artísticas. 

As manifestações folclóricas panamenhas com artista em trajes típicos da nação e o recital de violino da violinista Leide Hotz lembraram aos presentes que a cultura continua sendo uma das formas mais poderosas de promover diálogo, sensibilidade e pertencimento. A arte, assim como a educação, aproxima indivíduos e fortalece laços sociais. 

O Focus Portal Cultural compreende que o valor do Centro Integrado de Educação e Cultura não será medido apenas pela sua arquitetura ou pelos equipamentos disponíveis. Sua verdadeira grandeza estará nas experiências que ali serão construídas. 

Estará nos cursos ministrados, nas pesquisas incentivadas, nos encontros realizados, nos projetos culturais desenvolvidos, nos debates promovidos e nas oportunidades que surgirão para milhares de educadores e cidadãos.

Cada palestra oferecida, cada atividade formativa realizada e cada manifestação artística acolhida pelo CIEC ampliará o alcance desse legado.

O novo centro nasce em um momento histórico no qual a sociedade necessita urgentemente de espaços capazes de estimular pensamento crítico, conhecimento qualificado e convivência democrática.

Por isso, sua inauguração representa uma conquista que ultrapassa os limites institucionais da UPPES para beneficiar toda a comunidade educacional fluminense. 

Ao Presidente Raymundo Nery Stelling Junior, às diretoras regionais e executivas, aos conselhos da entidade, aos parceiros institucionais e a todos aqueles que contribuíram para transformar esse sonho em realidade, registramos nosso reconhecimento. 

Que o Centro Integrado de Educação e Cultura torne-se uma referência nacional na promoção do saber, da arte, da memória e da cidadania.

Que suas portas permaneçam sempre abertas à inovação, à diversidade de ideias, à valorização dos educadores e à construção de um país mais preparado para os desafios do futuro. 

Porque quando educação e cultura caminham juntas, o futuro deixa de ser promessa e passa a ser realidade.

© Alberto Araújo

Jornalista e Escritor

Diretor do Focus Portal Cultural

Niterói - Rio de Janeiro

24 de setembro de 2026


Placa do Centro Integrado de Educação e Cultura - UPPES

Matilde Carone Slaibi Conti; Rubén Darío Argüelles Sánchez; 
Raymundo Stelling Junior;
Andréa de Fátima e Nagib Slaibi Filho. 


Dr. Raymundo Stelling Junior - Pres. UPPES




Vídeo - clicar na imagem



QUANDO VIER A PRIMAVERA - ALBERTO CAEIRO, HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA



Quando vier a primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

 

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

 

Se soubesse que amanhã morria

E a primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.

 

****** 

O poema "Quando vier a Primavera" é de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, escrito em 7 de novembro de 1915 e publicado nos Poemas Inconjuntos.

O poema completo reflete sobre a indiferença da natureza perante a mortalidade humana e a aceitação serena da realidade, com versos como "Quando vier a Primavera, / Se eu já estiver morto, / As flores florirão da mesma maneira", concluindo com a aceitação do ciclo natural e do destino sem preferências ou lamentações ("O que for, quando for, é que será o que é"). Você pode encontrar a letra completa do poema na referência.




 

PEQUENO VÍDEO COM IMAGENS DO FILME MANHATTAN MELODRAMA DE 1934


O vídeo exibe uma atmosfera nostálgica e intimista, recriando a experiência de assistir a uma sessão de cinema clássica em preto e branco. 

Na tela, surgem imagens que evocam um dos grandes marcos da Era de Ouro de Hollywood: o drama policial "Manhattan Melodrama" (1934).

Dirigido por W. S. Van Dyke e produzido pela MGM, o longa reúne um trio lendário de estrelas: Clark Gable, William Powell e Myrna Loy. A trama acompanha dois amigos de infância cujos destinos seguem rumos opostos. 

Enquanto um se torna um criminoso carismático, interpretado por Gable, o outro alcança prestígio como promotor público, dando origem a um conflito marcado por lealdade, ambição e tragédia. 

Além de seus méritos artísticos, Manhattan Melodrama entrou para a história por uma curiosidade sombria: foi o filme assistido pelo famoso criminoso John Dillinger no Biograph Theater, em Chicago, pouco antes de ser emboscado e morto pelo FBI em 1934.

O vídeo traduz com perfeição a magia e o mistério associados ao cinema da época. Sentar-se em uma sala escura, envolto pela fumaça de um cigarro e pelo feixe de luz do projetor, é o convite nostálgico que a obra oferece ao espectador. Entre cenas do filme e fotografias promocionais, desfilam rostos icônicos de Hollywood, revelando todo o glamour dos anos 1930. 

Assim, a produção combina a elegância atemporal da Era de Ouro com uma aura de fascínio e suspense, resgatando o encanto de uma época em que o cinema era pura sedução e mistério.

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

AS CORES E A VIDA NO JARDIM DA SHIRLEY IV

Sejam bem-vindos a mais um capítulo do espetáculo verde no Jardim da Shirley, um santuário de tranquilidade onde a natureza floresce com vigor, ritmo e elegância. Entre a claridade envolvente da varanda iluminada, com a sua belíssima vista para a praia e para a baía e a leveza dos cantos internos adornados com quadros e telas, cada arranjo reflete o afeto, a dedicação e o zelo minucioso da Shirley no cuidado diário com suas plantas.

 

Nesta edição especial, ganham o protagonismo espécies marcantes e cheias de presença. Sobressaem-se as magníficas folhagens das begônias-rex sobre a marcante faixa com as cores de Portugal, a sofisticação atemporal da orquídea, a delicadeza dos lírios brancos em destaque, a singularidade da espada-de-são-jorge trançada e a presença soberana da costela-de-adão, perfeitamente acompanhada por plantas tropicais e o caimento gracioso das samambaias pendentes.

 

Muito além de um simples recanto botânico, o Jardim da Shirley é uma obra viva esculpida com carinho, paciência e equilíbrio. Um convite permanente para admirar a renovação constante da vida, preenchendo a casa de serenidade, cor e inspiração.

 

© Alberto Araújo

02 de outubro de 2026


 

RICARDO FRANCO TEIXEIRA: O PRESIDENTE QUE TRANSFORMA RELATOS EM INSPIRAÇÃO - RESENHA DA SUA MATÉRIA: "RECIFE CHAMOU... EU FUI. E VOCÊ?" PÁGINA 17

Ao longo dos anos, os leitores da revista Rotary Brasil acostumaram-se a encontrar, na mensagem de seu presidente, muito mais do que um simples registro institucional dos acontecimentos rotários. Nas palavras de Ricardo Franco Teixeira, cada artigo se transforma em uma oportunidade de reflexão, reconhecimento e celebração dos valores que sustentam o Rotary. Sua escrita combina informação, entusiasmo e sensibilidade humana, tornando a leitura agradável e enriquecedora. 

Na mensagem publicada na edição de outubro de 2026, o presidente relata sua experiência no Instituto Rotary realizado em Recife. Desde o título, "Recife chamou... eu fui. E você?" página 17, percebe-se um texto construído com proximidade e entusiasmo, convidando o leitor a reviver um dos momentos mais marcantes do calendário rotário brasileiro. Em vez de uma narrativa meramente protocolar, o artigo apresenta um testemunho caloroso, que transmite a grandiosidade do evento e, principalmente, o espírito de companheirismo que nele esteve presente. 

Um dos aspectos mais interessantes da escrita de Ricardo Franco Teixeira é sua capacidade de valorizar pessoas. O presidente não concentra sua atenção apenas nos resultados do encontro, mas faz questão de reconhecer aqueles que trabalharam nos bastidores para que tudo acontecesse. Ao destacar o diretor regional César Luis Scherer, sua esposa Sônia Scherer, o chairman Leandro Araújo e tantos voluntários envolvidos na organização, ele reforça uma característica fundamental da cultura rotária: o reconhecimento do trabalho em equipe. 

O texto também revela uma habilidade narrativa rara em comunicações institucionais. Em uma passagem particularmente feliz, o presidente compara o trabalho da organização do evento ao ritmo do frevo que, apesar de toda sua energia, produziu a sensação de uma elegante valsa. A imagem é simples, mas extremamente eficaz, pois transmite a ideia de eficiência, leveza e harmonia. É justamente esse tipo de construção literária que torna seus artigos mais humanos e agradáveis de ler. 

Outro ponto marcante é a forma como ele presta homenagem ao rotariano José Ubiracy Silva, carinhosamente conhecido como "Diretor Bira". Em vez de enumerar cargos e conquistas, o presidente desenvolve uma reflexão sobre pessoas que se tornam maiores que seus próprios títulos. A homenagem ultrapassa o reconhecimento protocolar e alcança uma dimensão afetiva, demonstrando respeito, amizade e admiração genuína. Trata-se de um dos momentos mais emocionantes do texto, pois evidencia que o Rotary é feito, acima de tudo, de pessoas e de relacionamentos construídos ao longo da vida.

A presença do presidente do Rotary International, Olayinka Babalola, também recebe destaque especial. Ricardo Franco Teixeira descreve o dirigente internacional como alguém simpático, bem informado e capaz de dialogar com diferentes públicos. O relato não se limita a registrar sua participação; procura mostrar o impacto das suas mensagens e sua capacidade de inspirar rotarianos e rotaractianos. Mais uma vez, o presidente da revista demonstra atenção aos exemplos positivos de liderança, apontando características que servem de inspiração para toda a comunidade rotária. 

Outro elemento constante em seus artigos é o equilíbrio entre seriedade e leveza. Quando menciona os companheiros do Distrito 4420, como Ronaldo Yuzo Ogasawara e Hiroshi Shimuta, ele utiliza observações bem-humoradas, aproximando-se do leitor de forma espontânea. Esse recurso torna a leitura mais agradável e transmite a ideia de que o Rotary é uma organização de serviço, mas também de amizade e convivência fraterna. 

A mensagem ganha ainda mais relevância ao abordar o legado ambiental deixado pelo Instituto Rotary do Brasil. O plantio de mudas no Monte dos Guararapes, liderado por César Luis Scherer, demonstra que eventos rotários podem transcender os encontros e gerar benefícios concretos para as comunidades. Ao destacar essa iniciativa, o presidente reforça a importância da sustentabilidade e do compromisso com as futuras gerações. 

Em síntese, a mensagem de Ricardo Franco Teixeira confirma uma característica já reconhecida pelos leitores da revista Rotary Brasil: sua capacidade de transformar acontecimentos em inspiração. Seus artigos não apenas informam, mas também valorizam pessoas, preservam memórias e fortalecem o sentimento de pertencimento à família rotária. Há sempre algo interessante, positivo e motivador em suas palavras, seja uma reflexão sobre liderança, um gesto de amizade, uma homenagem sincera ou uma ação em benefício da sociedade. 

Por isso, sua coluna tornou-se uma das leituras mais aguardadas da revista. Ela representa a voz de um líder que compreende que os grandes acontecimentos são construídos por pessoas comuns movidas por ideais extraordinários. E é justamente essa combinação de reconhecimento, otimismo e humanidade que faz de seus textos uma leitura feliz e inspiradora para todos os que acreditam no poder transformador do Rotary. 

Este resenhista há anos, desde que o conheceu em um evento no Rio de Janeiro nutre profunda admiração pelo trabalho desenvolvido pelo presidente da Revista Rotary Brasil, Ricardo Franco Teixeira. A cada nova edição, renova-se a expectativa de encontrar reflexões inspiradoras, relatos marcantes e mensagens capazes de evidenciar o que há de mais nobre no ideal rotário. 

Sempre aguardo, com entusiasmo e sincera curiosidade, a chegada das próximas revistas e, em especial, dos seus artigos. Neles, encontro não apenas informação de qualidade, mas também sensibilidade, reconhecimento às pessoas e um constante convite à reflexão e ao serviço. 

Escrever sobre suas mensagens tornou-se um prazer especial. Muitas vezes, a interação com seus textos avança pela noite e, por vezes, adentra a madrugada, enquanto procuro registrar impressões e compartilhar percepções sobre aquilo que foi lido. Longe de representar esforço ou obrigação, trata-se de uma atividade realizada com verdadeira satisfação, motivada pelo respeito ao autor e pela riqueza de conteúdo que seus artigos sempre oferecem. 

Que venham as próximas edições, os próximos relatos e as próximas inspirações. Para este resenhista, será sempre uma alegria acompanhar suas publicações e dialogar, por meio das palavras, com ideias que tanto contribuem para fortalecer os valores do Rotary e do companheirismo. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



CONVITE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS PARA PALESTRA “RIO – CIDADE MACHADIANA”


A PALESTRA "RIO – CIDADE MACHADIANA", APRESENTADA POR NIREU CAVALCANTI, é inspirada no livro de sua autoria, recém-lançado: Machado de Assis, caminhos de suas moradias no Rio de Janeiro. A palestra será realizada no dia 6 de outubro, às 17h30, com entrada franca. A coordenação é do Acadêmico Antonio Carlos Secchin. 

A edição do livro é resultado de uma pesquisa inédita, consagrada à vida do maior escritor brasileiro, o carioca Machado de Assis, apontando de modo inequívoco, suas nove moradias, desde seu nascimento no Morro do Livramento até sua morte no chalé de Cosme Velho. 

O livro é um levantamento documental e iconográfico de todos os locais onde residiu,  com base em documentos da imprensa da época, depoimentos textuais, mapas e fotografias, nunca antes realizado e que dissolve de modo definitivo todas as dúvidas sobre o tema controverso dos vários endereços de Machado de Assis no Rio de Janeiro, apontando inclusive, alguns erros. 

Nireu também propõe que sejam instaladas placas informativas nas fachadas destas nove moradias, mostrando inclusive, quais teriam capacidade para se transformar em casa-museu. 

Clicar no link para se inscrever:

https://www.even3.com.br/rio-cidade-machadiana-788333/