domingo, 13 de setembro de 2026

GILDA UZEDA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA - A ACADÊMICA E ESCRITORA CONVERSA COM O FOCUS PORTAL CULTURAL

Com reverência à arte, à beleza e às manifestações mais nobres do espírito humano, o Focus Portal Cultural tem o privilégio de apresentar uma entrevista exclusiva com a eminente escritora, acadêmica e artista plástica Gilda Pinheiro Guedes de Uzeda. Presença muito importante no cenário intelectual e cultural brasileiro, Gilda é a viva personificação do encontro perfeito entre o rigor da razão e a sublime delicadeza do fazer poético. 

Graduada e licenciada pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), com pós-graduação em Educação e uma impecável trajetória como docente da mesma instituição, Gilda construiu uma caminhada na qual a Ciência e a Arte caminham lado a lado. Ao ocupar com brilho a Cadeira nº 05 da Academia Niteroiense de Letras, sob o honroso patronato de Euclides da Cunha, ela reafirma diariamente o poder da palavra como instrumento sagrado de transformação, reflexão e resgate do humanismo.

Sua contribuição para a cultura e para a Humanidade ultrapassa as fronteiras da escrita tradicional. Gilda Uzeda é uma investigadora da alma, dedicada ao estudo minucioso da Natureza, da Literatura, das Artes Visuais e da Ciência Espiritual. Com quase duas dezenas de livros publicados, entre os quais se destacam pérolas como Mundo de Dentro, Rastros e Palavras, O Vento Sopra Onde Quer, Alma e Raiz e Seiva da Terra, a autora nos presenteia com uma obra vasta e multifacetada. Em suas páginas, a simplicidade do cotidiano adquire contornos de eternidade, revelando a seiva invisível que conecta o ser humano ao cosmos. 

Mas a sua vertente criativa não se limita à palavra impressa. Como artista plástica de sensibilidade singular, Gilda ilustra suas próprias obras e dialoga com os grandes mestres da história da arte mundial. Prova viva e retumbante dessa capacidade de ponte atemporal foi a criação e o lançamento da aclamada obra Carta a Vincent: A Alma e a Humanidade de um Artista, publicada em parceria pela POD Editora e a Fundação Cultural Avatar.

Nesse trabalho primoroso, que arrebatou o público e teve sua primeira tiragem esgotada em tempo recorde, Gilda Uzeda realiza um gesto de coragem e amor: escreve uma carta poética e imaginária ao mestre pós-impressionista holandês Vincent van Gogh. Indo além do estigma reducionista do "gênio atormentado", a autora desvela um Van Gogh profundamente lúcido, generoso e imbuído de uma espiritualidade vibrante. O livro ganha ainda mais força ao reunir releituras pictóricas marcantes concebidas pela própria Gilda, como Visita ao Pôr do Sol de Van Gogh, Araucária na Noite Estrelada e Visita à Mesa de Vincent, estabelecendo um diálogo estético e afetuoso entre o pincel do mestre e a paleta da escritora. 

O impacto dessa obra ultrapassou as páginas do livro, desdobrando-se em emocionantes palestras, exposições e leituras dramatizadas memoráveis, a exemplo dos eventos marcantes promovidos na Fundação Cultural Avatar e na Loja Rosacruz de Niterói, nos quais o público foi convidado a sentir a força de céus estrelados, campos de trigo e girassóis sob uma nova e iluminada perspectiva. 

Para além de sua erudição e de suas conquistas estéticas, Gilda Uzeda possui o dom mais raro de todos: a capacidade de ser presença. Quem acompanha seus passos e suas reflexões, como nós, no Focus Portal Cultural, sabe que cada comentário seu é um feixe de luz, uma palavra de encorajamento, um abraço fraterno tecido em linguagem. Gilda vive a cultura como respiração e necessidade vital, lembrando-nos a todo instante de que a arte é, em sua essência mais pura, um ato supremo de partilha e amor.

É com essa imensa admiração por sua trajetória, por sua generosidade e por sua inestimável contribuição ao patrimônio cultural do nosso país que abrimos as portas do nosso portal para este diálogo singular. Convidamos nossos leitores a adentrar esta conversa envolvente, em que a sabedoria e a ternura de Gilda Uzeda nos guiam por caminhos de reflexão, beleza e inspiração.

 A ENTREVISTA

1. Escritora, você é niteroiense e construiu toda a sua vida acadêmica e artística ligada a esta cidade. Como ser de Niterói molda seu olhar para o mundo e para a arte? 

Resposta: Sim, nasci em Niterói e toda minha realização em família, na profissão, na arte e na literatura foram aqui construídas. Sem dúvida, a beleza natural e paisagística da cidade sensibiliza aqueles que amam a natureza, e isso acaba por motivar a criatividade em muita gente. 

2. Sua formação inicial é em Geografia pela UFF, onde você também atuou como professora. De que maneira o estudo da Terra e do espaço geográfico influenciou a sua escrita e as suas artes plásticas? 

Resposta: A Geografia me abriu as portas para o estudo das paisagens naturais, da natureza e dinâmica da Terra como corpo planetário, da leitura dos mapas e compreensão das convenções cartográficas, da mesma forma que me levou também ao estudo da Cosmografia com a visão, descrição e composição do Espaço Sideral. Tais áreas de estudo me encantavam e atraíam desde muito cedo e, depois, me influenciaram na profissão que me conduziu a trinta anos como professora na UFF. E os mesmos temas continuam na arte e na escrita. 

3. Como foi o processo de transição ou de integração entre o pensamento acadêmico-científico da Geografia e a sensibilidade poética da Literatura? 

Resposta: Não houve transição. Desde o início houve uma integração espontânea. A interação entre algum jeito para desenhar e pintar, o gosto de ler, escrever e de estudar a Natureza terrestre e sideral se deu de forma natural. 

4. Sua obra traz uma forte presença da Ciência Espiritual e do estudo da Natureza. Onde a ciência formal encontra a espiritualidade nos seus livros? 

Resposta: Em tudo que estudo e faço, acabo buscando algum vestígio de espiritualidade. Respeito o olhar da ciência que pesquisa, desvenda, estuda e explica os campos da vida. Não vejo conflito nisso. Também creio em intuição e esta visão conjunta me ajudou na vida acadêmica como em tudo mais. Quando se olha a espiritualidade, não com a limitação dos rótulos, preceitos e conceitos rígidos, mas como a presença da beleza, bondade, acolhimento e harmonia, aí a compreensão fica mais perto do ser humano.

5. Você ocupa a Cadeira 05 da Academia Niteroiense de Letras, cujo Patrono é Euclides da Cunha, um autor que também reuniu geografia, literatura e denúncia humana. Qual é o significado desse assento para você?

Resposta: No tempo do autor de Os Sertões, a Geografia era como uma especialidade na Engenharia. Euclides da Cunha era, pois, engenheiro-geógrafo. Quem leu a sua obra nela encontra a evidência do repórter, do grande escritor e do conhecedor e técnico nas ciências da geografia e engenharia. Acontece que, sendo eu geógrafa e tendo a geografia e a engenharia como marcas na história de antepassados próximos, foi uma significativa surpresa ter como Patrono da Cadeira 05 da ANL um nome ligado, justamente, a essas profissões. 

6. Com quase duas dezenas de livros publicados, você transita entre a prosa e a poesia. Como nasce uma obra na sua mente: pela imagem, pela palavra ou por uma reflexão filosófica? 

Resposta: É um processo em que imagem, reflexão e palavra costumam se complementar. Do princípio ao fim, a reflexão permeia tudo. Já a imagem traz o gostinho da arte e é motivadora, enquanto a palavra vai dando substância e expressão ao pensamento que rege o todo. 

7. Em títulos como Mundo de Dentro, Seiva da Terra, O Vento Sopra Onde Quer e Rastros e Palavras, a natureza sobressai. Qual é a mensagem central que você busca transmitir sobre a conexão entre o ser humano e o meio ambiente? 

Resposta: A conexão entre o ser humano, o meio ambiente, a espiritualidade e a arte são intenções presentes, ou como tema principal ou como pano de fundo, em tudo que escrevo. Transmitir uma mensagem que reforce o olhar de respeito, amor e cuidado para com tudo que envolve a natureza e estimular o sentimento no olhar fazem parte da finalidade dos meus trabalhos. 

8. Além de escrever, você ilustra suas próprias obras com traços simples e expressivos. Como funciona esse diálogo entre a sua mão que escreve e a sua mão que pinta? 

Resposta: Creio na arte como um vetor de encantamento que auxilia na comunicação. A imagem adoça, amacia, convida o olhar. A ilustração, em desenho ou pintura, traz leveza a quem lê e a quem escreve. E a mão é o veículo que dá forma e aproxima o traço da palavra num diálogo contemplativo e complementar. 

9. Em O Lampião do Eremita e Alma e Raiz, notamos uma busca pelo autoconhecimento. O ato de escrever para você é uma forma de oração ou de meditação? 

Resposta: Entendo a meditação e a oração como conversas profundas, íntimas e amigas com a Presença Espiritual dentro de nós. O ato de escrever organiza a conversa e, no meu caso, passa a participar da meditação.

10. Como você enxerga o papel da simplicidade na arte e na literatura contemporânea? 

Resposta: Assim como em todos os setores da vida, a Simplicidade é fundamental na arte e literatura de qualquer tempo. Quando a arte e a literatura se perdem da simplicidade e complicam a linguagem, elas se afastam dos seus mais importantes propósitos: chamar, encantar, transmitir, comunicar. 

11. Como e quando surgiu a ideia de escrever Carta a Vincent: A Alma e a Humanidade de um Artista? Qual foi o "estalo" inicial? 

Resposta: Surgiu a partir do tanto que aprecio a arte de Vincent van Gogh. Então a ideia foi surgindo e tomando forma, motivada pela gratidão diante do tanto que esse mestre da pintura me encantou, influenciou e inspirou no caminho da arte. 

12. Por que escolher a estrutura de uma carta dirigida diretamente a Vincent van Gogh, tratando-o como um interlocutor presente? 

Resposta: Na verdade, eu só queria poder dizer a ele tudo que penso sobre ele e sua arte. Talvez tenha sido a única maneira possível para fazer isso. 

13. Van Gogh é frequentemente rotulado apenas como o "gênio atormentado". O seu livro busca resgatar outro lado desse artista? Que lado é esse? 

Resposta: Não há dúvida de que Vincent era um gênio e tinha um temperamento forte. Porém, era incompreendido porque pensava à frente do seu tempo. Mas não era atormentado do jeito que dizem. Sua emoção à flor da pele foi chamada de tormento por quem não percebeu e respeitou a grandeza e intensidade que o habitavam. Era tão generoso que, ao ser ferido acidentalmente, ele não acusou o autor do disparo por ser ainda um menino; daí, deixou que pensassem que ele mesmo se ferira... E contaram que foi suicídio. Tudo que o livro conta sobre este episódio foi baseado no livro Van Gogh: A Vida, biografia premiada dos escritores Steven Naifeh e Gregory White Smith. O resto ficou por conta de quem quis fazer dele um pintor atormentado. Mas o que importa é que Vincent, além de ser um artista fantástico, era um homem lúcido, bondoso e inteligente.

14. O livro é dividido em duas partes: um perfil biográfico focado na alma-humanidade de Vincent e a carta fantasiosa. Como foi estruturar essas duas dimensões?

Resposta: A carta que chamo de imaginária foi se formando pela vontade de dizer a Vincent o que sinto pela sua arte. A ideia foi surgindo e tudo foi acontecendo na medida em que o sentimento comandava e o lado intelectual se metia pouco. 

15. Durante as suas pesquisas para o livro, o que mais a surpreendeu nas cartas reais de Van Gogh para seu irmão Theo?

Resposta: Chamou minha atenção a delicadeza interior de Vincent, sua necessidade e alegria em descrever para o irmão amado o que ele sentia enquanto pintava a natureza e via tudo à sua volta, como se tocava com as cores, as paisagens, o céu estrelado. Sua alma transbordava enquanto escrevia sobre as coisas e pessoas que ele pintava. De fato, hoje, as cartas se tornaram testemunho e registro da maneira de ser de Vincent van Gogh: sua espiritualidade, sensibilidade, simplicidade, seu genial, diferenciado e indiscutível talento. 

16. Em sua análise, qual é a principal lição espiritual ou humana que a vida de Van Gogh deixa para nós no século XXI? 

Resposta: A lição de que a emoção que envolve alguém que quer significar a própria vida, que quer, desesperadamente, amar e ser amado, que sofre em busca de compreensão e de abrigo, que esse alguém, ainda assim, pode encontrar um consolo na contemplação da natureza e do Divino que nela se revela, e pode fazer isso através da expressão da Arte. Vincent rezava diante das estrelas. 

17. O livro foi publicado em parceria pela POD Editora e a Fundação Cultural Avatar. Como se deu essa união editorial? 

Resposta: A união da POD Editora e a Fundação Cultural Avatar existe há muitos anos e não sei como começou. O fato de editarem alguns dos meus livros foi uma grande e boa oportunidade que me chegou através do convite da então Presidente da FCA, Ana Maria Caldeira, a quem sou imensamente grata. 

18. No livro e na exposição, você apresenta releituras de telas icônicas de Van Gogh. Qual foi o critério para escolher as 10 obras do mestre holandês a serem trabalhadas? 

Resposta: Foram dois os critérios. O primeiro foi só uma questão de escolha pessoal e que tivessem alguma relação com alguma parte do texto. O segundo foi que as imagens escolhidas estivessem em domínio público. 

19. Como foi o processo criativo de obras suas como Visita ao Pôr do Sol de Van Gogh, Araucária na Noite Estrelada ou Saco de Farinha em Contexto de Vincent? Como colocar a sua identidade sem perder a essência dele? 

Resposta: A releitura é uma aula de arte. São muitos os artistas que fizeram releituras. O próprio Van Gogh fez muitas. Mas para reler é preciso respeitar a obra que vai ser relida e saber que você não é o protagonista; o autor da obra original é o protagonista. À medida que o trabalho avança, nota-se que cresce a intimidade com a obra. Com a simplicidade presente, portanto, saber que releitura não é cópia e não pretende alcançar a beleza do original. Quem pinta a partir de uma obra já existente se deixa contagiar pela emoção que o original produz em seu olhar para que a arte seja condutora. Então, sem fugir ao tema, a releitura ganhará a expressão de quem a pinta sem ferir o original.

20. Telas como Noite Estrelada sobre o Ródano, O Semeador, Os Comedores de Batatas e Girassóis possuem energias muito distintas. Qual delas exigiu mais de você emocionalmente? 

Resposta: São energias distintas que retratam diferentes circunstâncias em diferentes momentos da vida de Vincent. Cada uma delas nos envia impressões marcantes. A meu ver, dentre elas, Noite Estrelada sobre o Ródano revela alguma coisa mais leve. Talvez seja a paz da noite estrelada e das luzes da cidade refletidas no rio. Na verdade, todas elas são maravilhosas. 

21. Em Araucária na Noite Estrelada, você insere um elemento tipicamente brasileiro-sul-americano em um cenário vangoghiano. Qual é o simbolismo desse encontro cultural? 

Resposta: Não sei se há um simbolismo, mas, para mim, significa o encontro de duas belezas que eu amo: o quadro Noite Estrelada e a árvore Araucária. Quem sabe possa simbolizar um momento de aproximação entre Van Gogh e a árvore que, entre outros nomes, também chamam de Pinho Brasileiro? No mais, talvez tenha sido só um ato atrevido de quem fez a releitura. 

22. Na apresentação multimídia da Fundação Avatar, a qual tivemos o privilégio de fazer a cobertura completa, as imagens das suas obras dialogavam com os originais e com frases de Van Gogh. Como foi ver essa fusão visual e literária tomar vida? 

Resposta: Tem coisas que não se explicam pelo lado racional, como no caso da união das partes visual e literária na montagem do trabalho. Porque ali a arte tomou as rédeas, as coisas fluíram e a fusão aconteceu. 

23. O professor Luiz Renato Vallejo ficou encarregado da apresentação dos slides no evento. Como a parceria com outros intelectuais enriquece um projeto dessa magnitude? 

Resposta: As parcerias, às vezes, são providenciais. Luiz Renato Vallejo, Professor da UFF e atual Diretor Cultural da Fundação Cultural Avatar, com conhecimento tecnológico, inteligência, sensibilidade artística e incansável boa vontade, foi um parceiro providencial e fundamental na montagem e apresentação do trabalho. Sou muito grata a ele e à Fundação. 

24. Uma maravilha! No dia 19 de fevereiro de 2024, a Fundação Cultural Avatar recebeu a palestra e o lançamento do livro. Qual foi a sensação de ver o espaço no Ingá lotado de admiradores da arte? 

Resposta: Foi muito gratificante. Fiquei imensamente feliz e até surpresa ao ver a casa lotada de amigos e pessoas interessadas no assunto. Van Gogh continua atraindo os amantes da arte. 

25. A abertura do evento foi feita por Ana Caldeira, presidente da Fundação. Como a Avatar tem contribuído para a difusão da arte e da espiritualidade em Niterói?

Resposta: Professora com grande boa vontade, competência administrativa, cultural e espiritual, Ana Maria Caldeira abriu portas e janelas para a edição e lançamento do livro. Esta é sempre a sua atitude diante dos eventos culturais que acontecem naquela casa. A instituição, certamente, agradece sua inestimável contribuição no campo da arte e dos encontros que ali acontecem. 

A Fundação Cultural Avatar, criada pelo saudoso médico Jayme Treiger no início dos anos setenta do século XX, é uma instituição sem vínculo religioso e tem, entre seus objetivos, a busca e prática de valores pelos quais viver, o discernimento e ampliação da consciência através do estudo das religiões comparadas, da arte, da ciência e da espiritualidade. Tem portas abertas a todos que queiram participar de seus objetivos e atividades. 

26. O evento contou com a presença de lideranças culturais da cidade, como Márcia Pessanha, presidente da AFL; Matilde Carone Slaibi Conti, do Elos Internacional; e Leda Mendes Jorge, da ANE. Como você avalia a união da comunidade literária niteroiense? 

Resposta: Agradeço de coração a presença de tão ilustres e queridas pessoas que, com sua presença, enriqueceram a tarde e trouxeram luz ao evento. Da mesma forma, agradeço a todos mais que lá estiveram e participaram do momento. Quanto à união da comunidade literária niteroiense, creio no provérbio que diz que "A união faz a força". Portanto, no meu ponto de vista, a união no campo da literatura será sempre bem-vinda. 

27. Estar cercada por seus familiares no evento, como Maria Cláudia, Marcelo José, Luiz André e sua neta Ana Helena, trouxe que tipo de emoção ao momento do autógrafo? 

Resposta: Para mim, eles representam a presença do amor. Então, estarem ali naquele momento significou tranquilidade, proteção, segurança e abrigo. 

28. Ver a primeira tiragem do livro esgotar rapidamente após o lançamento foi uma surpresa ou uma confirmação do poder da mensagem de Van Gogh ressignificada por você? 

Resposta: Vi com alegre surpresa que a abordagem afetiva sobre figuras humanas extraordinárias é sempre atraente e até necessária. Tenho certeza de que o ponto de atração do evento foi o nome da estrela de primeira magnitude que brilha nos céus da História da Arte: Vincent van Gogh. 

29. Em 31 de outubro de 2025, o livro ganhou uma nova dimensão com a Leitura Dramatizada na Loja Rosacruz, em Icaraí. Como foi ver suas palavras adaptadas para o teatro? 

Resposta: Foi algo totalmente novo e emocionante. Foi como se eu conhecesse o texto sem ser a autora do mesmo. Na magia do teatro tudo ganha nova roupagem e um misterioso encantamento. A mesma representação também aconteceu na Fundação e novamente a magia aconteceu.

30. A dramaturgia uniu trechos do livro, cartas a Theo, literatura, teatro e artes visuais. Que novidades emocionais o palco trouxe para a leitura da sua obra? 

Resposta: Trouxe revelações, pelos motivos comentados na resposta anterior. O palco é lugar de despertar histórias e dar vida a cenas. E assim aconteceu com a montagem teatral de passagens do livro, na adaptação de Jurandi Siqueira. 

31. O ambiente da Loja Rosacruz carrega uma atmosfera de busca espiritual e reflexão. De que maneira esse local dialogou com a proposta da noite "Entre cartas, tintas e girassóis"?

 

Resposta: Não posso responder pela Instituição. Mas, entre os participantes da apresentação e os frequentadores da casa que estavam presentes, tenho a impressão de que houve um diálogo muito harmonioso. 

32. Para esse evento, uma nova edição do livro foi impressa. Como é saber que a obra continua viva e gerando novos desdobramentos performáticos? 

Resposta: Para um autor, uma nova edição vale como uma resposta a dizer que o trabalho valeu a pena. E isso é bom demais. Quanto aos desdobramentos performáticos, eles são uma boa consequência e, quando se mantêm na intenção e no contexto da obra, são sempre bem-vindos. 

33. No grupo de WhatsApp Foculistas, você é reconhecida como "Geógrafa de Almas" e pela generosidade de seus comentários e "recadinhos" afetuosos. Qual a importância do afeto e da partilha diária na construção da cultura? 

Resposta: Na construção de tudo na vida, é bom que haja gentileza, caso contrário, a construção desaba. Não só na cultura, como nas coisas comuns do dia a dia, é preciso atitudes afetuosas. Quanto à partilha, ela é como um chamado para o dever. Porque o Bem, quando engavetado, não traz benefício para ninguém. Afinal, o egoísmo é algo a ser vencido para que o coração humano seja de fato humano. 

34. Alberto Araújo escreveu sobre você: "Gilda é raiz e é vento. É seiva e é chama". Como você recebe essa homenagem e esse reconhecimento dos seus pares? 

Resposta: Há generosidade e poesia em tais palavras, então as recebo como um presente precioso e bondoso pelo qual expresso total Gratidão. 

35. Para você, a literatura e a pintura são exercícios estéticos ou modos essenciais de estar no mundo com mais humanidade? 

Resposta: Vejo-as como atividades e serviços essenciais à vida. Sendo estéticas, podem e devem também ser éticas. Havendo compromisso e entendimento nesse sentido, tanto a pintura como a literatura são agentes da maior importância para se estar no mundo com mais humanidade. 

36. Van Gogh vendeu apenas um quadro em vida e enfrentou muita incompreensão. O que a história dele ensina aos artistas e escritores contemporâneos que lutam por espaço?

Resposta: Ensina que o valor de uma pessoa nem sempre está ligado ao sucesso imediato. Ensina a não desistir. O que se passou com Van Gogh é fortemente injusto, mas acontece. Muita coisa depende de nós, mas nem tudo. Vários fatores contribuem para vitórias e fracassos; desconhecemos as circunstâncias que envolvem as pessoas com suas histórias e bagagens. Então, o melhor é ouvir e cantar músicas como "Tocando em Frente" e "Segura na Mão de Deus, e vai". E, de fato, tocar em frente com esperança e fé. 

37. Voltando ao passado: Se você pudesse entregar fisicamente sua "Carta a Vincent" nas mãos dele em Arles ou Saint-Rémy, o que diria a ele olhando em seus olhos? 

Resposta: Talvez dissesse: "Você não me conhece, mas, quando puder, peço que leia esta carta. É uma mensagem de reconhecimento por você ter trazido tantas cores à Arte. Posso afirmar que a História da Arte seria bem menos apaixonante se nela faltasse você. Por sua vida doada à Beleza, receba a minha Admiração e Gratidão. Que a Paz e o Amor o envolvam." 

38. Como você avalia o cenário cultural atual de Niterói e o papel de portais como o Focus Portal Cultural na difusão da arte local? 

Resposta: A cidade tem uma grande vocação cultural impregnando sua atmosfera. Quanto ao Focus Portal Cultural, ele é um belo agente neste processo e contribui para a divulgação e avivamento das manifestações culturais. A cidade e os participantes da sua vida cultural agradecem e, ao Focus Portal Cultural, desejam vida longa. 

39. Após viajar pelo universo de Van Gogh e publicar 19 obras, quais são os próximos cenários, temas ou projetos que estão germinando na sua mente? 

Resposta: Por enquanto, posso dizer que tem dois livros chegando. Se Deus quiser, para antes do fim do ano.

40. Para encerrar: que conselho ou mensagem de esperança Gilda Uzeda deixa para os leitores que buscam encontrar beleza e sentido em meio às dores da vida? 

Resposta: Não seria um conselho, apenas uma breve mensagem para dizer que o lado espiritual permeia a existência, então não convém deixá-lo de lado como algo irreal, abstrato e distante. Acrescentaria que a falta de bondade e de gentileza leva a conflitos e aumenta as dores da vida. Lembraria da frase que ensina que a vida nos chama ao cuidado diante dos sentimentos, ao dizer que "O Sentimento prevalece sobre o Intelecto" (M. Morya / H. Roerich no livro Coração, Série Agni Yoga). Por fim, lembraria que é muito bom saber ouvir e dialogar, porque ninguém é dono da verdade nem mora num pedestal. Então a beleza ganharia melhor sentido e traria mais espaço para a Paz. 

Com emoção e dever cumprido, o Focus Portal Cultural, pela voz de seu diretor, jornalista e escritor Alberto Araújo, expressa a sua mais sincera gratidão à proeminente escritora, acadêmica e artista plástica Gilda Uzeda por conceder esta entrevista memorável.

Ouvir e registrar as palavras de Gilda Uzeda não é apenas um exercício de jornalismo cultural; é um banquete para a alma e uma aula magistral sobre como habitar o mundo com poesia, sabedoria e generosidade. Ao longo de cada resposta, Gilda desvelou a essência de quem faz da literatura e das artes plásticas um serviço diário à Humanidade. Sua capacidade única de integrar o rigor da análise geográfica à imensidão do pensamento espiritual nos lembra que a verdadeira cultura não divide acolhe, sintetiza e ilumina.

Como bem destacou ao longo deste diálogo enriquecedor, a arte e a literatura só cumprem seu propósito mais elevado quando mantêm os pés fincados na simplicidade, no afeto e na capacidade de encantar. A forma como ressignificou a trajetória de Vincent van Gogh, libertando o mestre holandês dos rótulos simplistas para resgatar sua profunda humanidade, bondade e sensibilidade, reflete com exatidão o próprio olhar de Gilda sobre a vida: um olhar que busca incansavelmente a luz, a beleza e a seiva criadora mesmo diante das complexidades da existência.

Para nós, que acompanhamos de perto sua caminhada e temos a honra de vivenciar sua presença constante em nossas jornadas culturais, reiteramos que Gilda é verdadeiramente raiz e vento, seiva e chama. Raiz que sustenta a tradição literária de Niterói e honra a Academia Niteroiense de Letras; vento que espalha reflexão e ternura; seiva que nutre os corações sedentos de arte; e chama que aquece nossos dias com seus recados afetuosos, suas análises profundas e seu compromisso inabalável com a gentileza.

Reconhecer sua contribuição é celebrar a própria história da cultura de nossa cidade e do nosso país. Gilda Uzeda nos ensina que o conhecimento sem amor é estéril, e que a palavra escrita, quando nascida do sentimento genuíno, tem a força atemporal de atravessar séculos e tocar corações, assim como os céus estrelados que ela tão criteriosamente contempla e pinta.

O Focus Portal Cultural reafirma sua missão de ser morada e palco para vozes dessa envergadura. Agradecemos imensamente a Gilda Uzeda pela dádiva de suas reflexões, pela confiança em nosso trabalho e por continuar a nos presentear com sua obra viva. Desejamos que os próximos frutos literários que já germinam em seu horizonte venham banhados pela mesma luz e inspiração que sempre a acompanharam.

Com admiração fraterna, respeito intelectual e a mais viva gratidão,

 © Alberto Araújo

Jornalista, Escritor e Diretor do Focus Portal Cultural



BIOGRAFIA DE GILDA UZEDA

Gilda Pinheiro Guedes de Uzeda, nascida em Niterói, é uma destacada escritora, artista plástica e geógrafa brasileira, cuja trajetória une com sensibilidade a ciência, a literatura e a espiritualidade. Formada com licenciatura e bacharelado em Geografia pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde também atuou como professora docente aposentada, Gilda construiu uma sólida base acadêmica que fundamenta seu olhar atento e profundo sobre o mundo e a natureza.

Como acadêmica, ocupa com brilho a Cadeira 05 da Academia Niteroiense de Letras, tendo como patrono o ilustre escritor Euclides da Cunha, reafirmando o papel da palavra como instrumento transformador. Sua vasta produção literária conta com dezenove livros publicados, entre eles obras marcantes como Mundo de Dentro, Rastros e Palavras, O vento sopra onde quer, Seiva da Terra, O Lampião do Eremita e Alma e Raiz. Seus textos, costurados por prosa e poesia, exploram temas como a ecologia humana, o autoconhecimento e a contemplação, estabelecendo uma conexão visceral entre o ser humano e o meio ambiente.

Além da literatura, Gilda expressa sua genialidade nas artes plásticas, ilustrando suas próprias publicações e criando releituras magistrais que dialogam com grandes mestres da história da arte. Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira recente é o lançamento da obra Carta a Vincent: A Alma e a Humanidade de um Artista, publicada pela POD Editora em parceria com a Fundação Cultural Avatar. O livro propõe um mergulho inovador na mente de Vincent van Gogh, dividido entre um perfil biográfico sensível e uma carta imaginária e poética endereçada ao pintor holandês, acompanhada por releituras visuais exclusivas criadas por Gilda. A obra gerou grande repercussão cultural, desdobrando-se em palestras magnas e leituras dramatizadas de grande sucesso em espaços culturais de Niterói.

Reconhecida por sua erudição, generosidade intelectual e profunda delicadeza humana, Gilda Uzeda é uma presença viva e inspiradora no cenário cultural fluminense. Sua vida e obra configuram um verdadeiro manifesto poético, lembrando-nos constantemente de que a arte e a literatura exercem papéis vitais na ampliação da nossa humanidade.


Palestra Gilda no Avatar

Gilda e Liane Arêas







Márcia Pessanha e Gilda Uzeda


Alberto Araújo e Gilda Uzeda



(Vídeo do Lançamento de Cartas a Vincent
de Gilda Uzeda no Avatar - Niterói - 2024




CONVITE PARA A SOLENIDADE DE ENTREGA DOS PRÊMIOS DO CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA – UBE – RIO DE JANEIRO

Chegou o momento tão esperado de celebrar o talento, a sensibilidade e a excelência que superam fronteiras através da palavra escrita. A União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, sob a liderança da acadêmica Luiza Lobo, convida autores, leitores e entusiastas das letras para uma tarde de gala inesquecível, dedicada a coroar os grandes vencedores do Concurso Internacional de Literatura. Com a Organização e Coordenação do Concurso a cargo da acadêmica Isis Proença.

Toda a diretoria da instituição sente-se profundamente honrada e regozijada com este momento histórico, que reúne vozes brilhantes do cenário literário contemporâneo. Este evento não representa apenas a entrega de troféus e prêmios, mas a consagração da arte como vetor de transformação humana e cultural. 

Convidamos você a fazer parte desta celebração solene, onde aplaudiremos de pé aqueles que enriquecem o nosso patrimônio cultural e mantêm viva a chama da literatura. Sua presença abrilhantará ainda mais esta festividade memorável. 

Data: 21 de setembro de 2026, segunda-feira

Horário: às 15h

Local: Academia Brasileira de Letras — Auditório Magalhães Júnior

Endereço: Av. Presidente Wilson, 203 — Castelo, Rio de Janeiro - RJ

 


ELOS CLUBE DE SANTOS CELEBRA 67 ANOS DE HISTÓRIA, FRATERNIDADE E PRESERVAÇÃO DA CULTURA LUSÓFONA

No dia 29 de agosto de 2026, o Elos Clube de Santos – Célula Matter vivenciou uma data de profunda significação histórica e institucional ao celebrar, sob a presidência de Melissa Figueira Caetano, o sexagésimo sétimo aniversário de fundação da entidade. A solenidade festiva reafirmou a vitalidade do movimento e contou com a ilustre presença de lideranças de clubes irmãos da região, consolidando os laços de cooperação e amizade que caracterizam a rede elista. 

Estiveram presentes o presidente do Elos Clube de São Vicente, Celestino Domingues, acompanhado de sua esposa Mara, e a presidente do Elos Clube de Praia Grande, Maria Goretti Rocha, junto ao seu esposo Claudio, José Roberto Frutuoso do Elos Clube de São Vicente e sua esposa Suzel Frutuoso cuja participação abrilhantou o encontro e simbolizou a união regional em torno de ideais comuns e muitos outros elistas importantes.

Mais do que um marco cronológico, a comemoração dos 67 anos representa um momento singular de orgulho coletivo e de renovação de votos com os princípios basilares que sustentam o elismo desde a sua gênese. Nascido da visão inspiradora de Eduardo Dias Coelho e originalmente idealizado sob a denominação de "Clube das Oliveiras", o Elos Clube consolidou-se ao longo das décadas como um guardião incansável da herança luso-brasileira. A instituição assumiu, desde o primeiro instante, a honrosa missão de defender e difundir a língua portuguesa, as tradições lusíadas, os valores humanistas e a integração fraternal entre todos os povos de fala portuguesa espalhados pelo mundo. 

Neste significativo jubileu, é imperativo volver o olhar com gratidão e reverência ao passado, prestando uma justa e eterna homenagem aos pioneiros que ousaram transformar esse ideal em realidade. Lembramos com honra de cada um dos fundadores que participaram da criação desta casa: Manoel Antonio Marçal, Hermes Barsotti, José de Souza, Mario de Almeida Nunes, Manuel Antonio Gomes, Joaquim da Rocha Brittes, Arimondi Falconi, Aires Pedro dos Santos, Adelino Migués Picado, Waldemar da Cruz, Luiz Espinha e Henrique Martins. O legado deixado por esses homens estende-se a todos os presidentes que, ao longo de sucessivas gestões, dedicaram tempo, talento e visão estratégica para impulsionar o desenvolvimento e a relevância do clube na sociedade.  

Igualmente fundamentais para esta trajetória de sucesso são os associados o coração pulsante da instituição, cuja dedicação diária e o entusiasmo constante fortalecem os laços de solidariedade e fraternidade. Que esta data festiva sirva de inspiração para renovarmos nossas energias. Que possamos seguir firmes, unidos e guiados pela sabedoria e pela união, honrando o passado e construindo, com o mesmo brilho nos olhos dos fundadores, um futuro próspero para o nosso amado Elos Clube. 

Ao longo de toda a sua trajetória, o Elos Clube de Santos tem se mantido permanentemente ativo, atuando de forma ininterrupta durante todos estes anos como um verdadeiro baluarte na preservação, valorização e difusão da Língua Portuguesa e dos valores lusófonos. Essa atuação perene é reflexo de uma rede sólida e organizada que ultrapassa fronteiras locais. O Elos de Santos orgulhosamente integra o Elos Internacional, uma estrutura que atualmente está sob a liderança inspiradora e dedicada da presidente Matilde Carone Slaibi Conti, contando sempre com o firme e constante apoio do vice-presidente da instituição, Sidney Cardoso da França, bem como de toda a diretoria. É com essa união entre passado, presente, clubes irmãos e liderança internacional que seguimos escrevendo esta bela história de fraternidade e cultura. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional
























 

sábado, 12 de setembro de 2026

A DIVINA IDADE DE LUZILÂNDIA-PI - O BRILHO DA SABEDORIA NAS RUAS - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Luzilândia, no Piauí vestiu-se de gala e emoção no sete de setembro, quando as ruas da nossa terra natal foram pisadas não apenas pela marcha compassada da juventude, mas pela presença soberana, vibrante e luminosa dos grupos de idosos "Divina Idade" e "Melhor Idade". Ver a ala da "Divina Idade" desfilar é testemunhar a própria história em movimento, revestida de uma beleza que desafia o tempo e ressoa profundamente na alma de quem tem o privilégio de pertencer a este chão.

 

Chamar essa etapa da existência de "Divina Idade" é um ato de profunda justiça poética e espiritual. Durante muito tempo, os calendários tentaram reduzir a maturidade ao declínio, como se a vida fosse uma curva que apenas ascende para depois desabar no esquecimento. Mas o que vimos em Luzilândia desmentiu essa narrativa fria. A Divina Idade não é o ocaso; é o zênite. É o momento em que a existência humana alcança sua maturação mais rica, tal qual o vinho que guarda nos anos o segredo do seu melhor sabor, ou a árvore frondosa que, de tanto resistir aos ventos, oferece as sombras mais generosas e os frutos mais doces.

 

Nesse desfile cívico, a energia, a alegria e a disposição transbordantes de cada participante mostraram ao mundo que a vitalidade não tem data de validade. Cada passo dado na avenida era uma afirmação de pertença, um lembrete vivo de que não existe idade para fazer parte, participar e deixar a nossa marca na tapeçaria do mundo. Os rostos sulcados por rugas não exibiam o peso dos anos, mas sim os mapas de uma jornada repleta de lutas, superações, sorrisos e afetos. Cada linha na pele é um verso da biografia de quem aprendeu a arte de viver.

 

Refletir sobre a sabedoria dos idosos é compreender que eles guardam a memória viva da nossa comunidade. Luzilândia não seria o que é sem as raízes fincadas por essas mãos que hoje desfilam com tanto orgulho. Eles são os pilares invisíveis que sustentam a nossa identidade, os guardiões das tradições, dos causos, das dores superadas e das alegrias coletivas.

 

No grupo "Divina Idade", a convivência e a participação social ganham um contorno sagrado, transformando o envelhecimento em um ato coletivo de celebração à vida. Não se trata apenas de envelhecer no corpo, mas de expandir o espírito, de cultivar a alma com a leveza de quem já entendeu o que realmente importa.

 

Haverá algo mais belo do que essa permanência? Estar na Divina Idade é habitar o tempo com maestria. É o privilégio de olhar para trás e ver uma história construída com suor e amor, e olhar para o presente com a coragem de quem ainda quer ocupar o seu espaço na praça pública, na festa da pátria, no coração da cidade. Eles nos ensinam que a juventude é um estado de espírito, e que a maturidade é a liberdade de ser plenamente quem se é, sem as pressas da ânsia, mas com a urgência de quem sabe saborear cada instante.

Concluir essa celebração é render o mais profundo preito de reverência à imensurável resiliência e sabedoria que habitam a Divina Idade. Os nossos idosos são luzes de resistência, almas que atravessaram tempestades e, ainda assim, escolheram florescer, colorindo as ruas de Luzilândia com um entusiasmo contagiante. Eles carregam no peito o fogo sagrado da experiência e nos provam que cada ruga é um troféu conquistado na arena da vida. Que possamos sempre honrar essa herança viva, aprendendo com sua paciência, aplaudindo sua inesgotável alegria e compreendendo que a verdadeira grandeza de uma terra reside na dignidade com que ela acolhe, exalta e reverencia os seus mais sábios filhos.


Que Luzilândia continue a aplaudir de pé, não apenas no Sete de Setembro, mas em todos os dias do ano, essa força indomável que brota da Divina Idade. Que saibamos olhar para os nossos idosos não com a condescendência de quem vê o passado, mas com a reverência de quem enxerga o futuro. Porque envelhecer com dignidade, alegria e brilho nos olhos é a maior vitória que um ser humano pode alcançar. E os nossos queridos conterrâneos deram, na avenida, uma verdadeira aula magna de como se vive com divindade.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural