terça-feira, 2 de junho de 2026

VANESSA FALABELLA REVISITA O “CLUBE DA ESQUINA” NO SESC 24 DE MAIO COM TONINHO HORTA

 

Cantora apresenta o projeto Goldmine ao lado de um dos nomes originais do movimento em dois shows na unidade. 

O SESC 24 DE MAIO recebe a cantora Vanessa Falabella em shows nos dias 6 e 7 de junho. No palco, ela apresenta Goldmine, projeto que revisita o movimento Clube da Esquina e conta com a participação de Toninho Horta, músico que integrou as gravações do álbum Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges. 

Vanessa Falabella é atriz, dubladora, locutora e cantora, nascida em Belo Horizonte. Radicada nos Estados Unidos, propõe uma nova abordagem ao repertório do Clube da Esquina, movimento surgido na década de 1960, no bairro de Santa Tereza (BH), que revolucionou a MPB ao mesclar ritmos folclóricos regionais com influências do rock e do jazz.

Em seus shows, interpreta canções de compositores mineiros como Fernando Brant, Márcio Borges e o próprio Toninho Horta, que a acompanha no palco. O guitarrista e compositor, vencedor do Grammy Latino e com cerca de 30 discos solo gravados, celebra a herança musical do Clube da Esquina e reafirma sua relevância para novas gerações de ouvintes. 

Serviço 

Vanessa Falabella part. Toninho Horta

IG Vanessa | IG Toninho

Datas: 06/06 (sábado) às 20h e 07/06 (domingo) às 18h

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô

Classificação: 12 anos

 

Ingressos: disponíveis no site sescsp.org.br/24demaio  ou através do aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades Sesc SP - R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc). 

Duração do show: 90 minutos 

Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

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Sesc 24 de Maio

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo 

350 metros do metrô República 

Fone: (11) 3350-6300

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Meyre Vitorino | Telefone: 11 3350 6449 / 91168 3180 

Thamires Aguiar | Telefone: 11 3350 6449 

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O LEGADO DO BRUXO - A ATUALIDADE ATEMPORAL DE MACHADO DE ASSIS - RÉPLICA CULTURAL AO POST DO PROFESSOR MARCO ANTÔNIO MARTINS PEREIRA © ALBERTO ARAÚJO - FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Por intermédio da postagem do professor Marco Antônio Martins Pereira em sua página no Facebook, somos convidados a uma reflexão necessária sobre um pilar da nossa cultura: Joaquim Maria Machado de Assis. Em suas palavras, o professor estabelece uma distinção cirúrgica e fundamental: "Machado de Assis não é um escritor contemporâneo, mas é um escritor atual". 

Essa provocação inicial serve como um portal para compreendermos que a obra do "Bruxo do Cosme Velho" não se submete às veleidades das modas literárias ou às efemeridades dos calendários. Enquanto o contemporâneo, por vezes, busca o frescor da novidade imediata, o atual, na acepção machadiana, é aquilo que, mesmo vindo do século XIX, permanece pulsante, inquietante e revelador sobre a condição humana em qualquer tempo. 

O professor Marco Antônio aponta, com precisão, que o lugar de Machado na literatura brasileira norteia o que ele chama de "a convergência na divergência". Machado é o ponto onde todas as tensões da literatura brasileira se encontram e, simultaneamente, se dispersam.

Verdade, O professor Marco Antônio quer dizer que Machado não tentou resolver as contradições do Brasil. Ele não finge que o país é coeso ou simples. Ele coloca essas contradições na mesa, de forma brilhante, fazendo com que a obra dele seja um espelho fiel de um país, e de um ser humano, que nunca é uma coisa só. Ele é, ao mesmo tempo, o ápice do realismo e o prenúncio de uma modernidade que só viria a ser plenamente compreendida décadas após sua morte. 

Em sua escrita, o clássico e o inovador convergem. Sua prosa, lapidada com a precisão de um ourives, permite a divergência de interpretações: o leitor que busca o entretenimento encontrará o sarcasmo fino; o crítico que busca a análise sociológica encontrará a denúncia das entranhas do Segundo Reinado; o filósofo que busca o sentido da existência encontrará o vazio niilista de um Brás Cubas. 

Ao citar o "anacronismo do crítico", o professor nos lembra de um perigo constante: tentar reduzir Machado às pautas urgentes do presente sem observar a arquitetura complexa de seu tempo. Contudo, ele é assertivo ao destacar a significação do primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. 

A "significação" de Machado não vem de uma leitura superficial que tenta torná-lo um contemporâneo nosso, como se ele fosse um autor do século XXI escrevendo sobre as nossas redes sociais. A grandeza dele está justamente em ter sido tão profundamente fiel ao seu próprio tempo que, ao dissecar aquele mundo, ele acabou descobrindo as leis universais que regem a alma humana em qualquer era. 

O professor, portanto, nos dá uma aula de humildade intelectual: certamente nos convida a ler Machado com o respeito que se deve a um gigante, sem tentar adaptá-lo ao seu tamanho, mas permitindo que ele aumente o tamanho da sua visão sobre a vida. 

Machado não foi apenas um observador; ele foi o arquiteto de uma identidade literária nacional que não se curvava ao servilismo colonial, mas que dialogava, de igual para igual, com os gigantes do cânone europeu. A relevância da sua obra reside justamente em sua recusa em ser apenas um espelho do seu tempo. 

Ao ser o "Bruxo do Cosme Velho", Machado operou um feitiço literário onde o particular, o Rio de Janeiro da escravidão, das casas burguesas, das repartições públicas se tornava o universa, a vaidade, a luxúria, o cinismo, a dúvida. 

A permanência de Machado no Brasil e no exterior, como bem pontuou o professor, não é obra do acaso. Ela repousa sobre dois pilares, conforme destaca a postagem: a universalidade e a multi-significação. 

Machado entendeu, antes de muitos, que o Brasil não era um exótico apêndice do mundo, mas um laboratório da alma humana. Suas feridas eram as mesmas de Shakespeare, de Cervantes, de Dante. Ao escrever sobre as relações de poder, ele descreveu a natureza humana em toda a sua crueza.

A obra machadiana é uma cebola de significados. Você retira uma camada e encontra uma crítica social; retira outra, e encontra um estudo psicológico profundo sobre a negação do eu; retira mais uma, e encontra uma estrutura narrativa lúdica que desafia o leitor a ser, ele mesmo, um coautor do texto. 

Dizer que Machado de Assis é atual é reconhecer que, sempre que abrirmos Dom Casmurro, seremos confrontados com a dúvida, a nossa própria dúvida. Sempre que lermos Memórias Póstumas de Brás Cubas, seremos espelhados pela ironia do "defunto autor". Sempre que percorrermos as páginas de Quincas Borba, veremos a luta inglória entre o "vencido e o vencedor" que rege as relações humanas até hoje. 

O professor Marco Antônio Pereira, em sua análise, não nos entrega apenas um elogio a um autor clássico; ele nos entrega um roteiro de leitura. Machado é o escritor que sobrevive ao tempo justamente porque nunca tentou ser "do tempo". Ele foi do tempo da alma, e é por isso que, enquanto houver humanos capazes de olhar para si mesmos e, em um momento de honestidade, reconhecer o seu próprio ridículo e a sua própria glória, haverá sempre um livro de Machado de Assis à espera. 

Como bem encerra a reflexão, Machado é, ao mesmo tempo, respeitado e contraditório. É essa contradição que nos mantém vivos enquanto leitores, que nos impede de fechar o livro com a certeza de quem compreendeu tudo, forçando-nos a retornar à leitura, repetidas vezes, em busca daquele detalhe que escapou e que, talvez, seja a chave para nos entendermos um pouco melhor.

Esta análise baseia-se na provocação intelectual do professor Marco Antônio Pereira, cujo olhar sobre a obra de Machado de Assis reafirma que a literatura, quando é arte, não envelhece: ela simplesmente aguarda o leitor certo, na hora certa, para revelar o que sempre esteve lá. 


MACHADO DE ASSIS 

Escritor, jornalista, tipógrafo, abolicionista, funcionário público, fundador da Academia Brasileira de Letras. 

Filho do pintor e decorador Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado da Câmara, ambos negros livres, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no dia 21 de junho de 1839, em uma chácara no Morro do Livramento. Seus padrinhos foram Joaquim Alberto de Sousa da Silveira e dona Maria José de Mendonça Barroso, os proprietários do imóvel. Seus pais eram agregados na chácara e moravam nos limites do terreno. Machado de Assis passou toda sua infância na região do Livramento e teria sido alfabetizado nesse período por sua própria mãe. 

Maria Leopoldina, no entanto, faleceu em 1849, quando Machado tinha apenas 10 anos, provavelmente vítima da tuberculose. Seu pai, então, casou-se novamente com Maria Inês da Silva e mudou-se com Machado para um sobrado localizado na rua São Luiz Gonzaga, no bairro de São Cristóvão (RJ). Entre 1854 e 1855, quando tinha 15 anos, Machado se mudou para o Centro da cidade e já assegurava seu próprio sustento. Nesses anos o jovem publicou seus primeiros textos: o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.” no Periódico dos Pobres, os poemas “A palmeira” e “Ela”, no periódico Marmota Fluminense e o conto “Três tesouros perdidos”. 

Em 1856, se tornou tipógrafo na Imprensa Nacional e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, escritor que se tornaria seu protetor e amigo. Por intermédio de Almeida, Machado passou a atuar como revisor e colaborador do periódico Correio Mercantil. Nesse período, ele também teria aprofundado uma relação de amizade com o padre-mestre Silveira Sarmento. Para alguns biógrafos, Silveira Sarmento teria sido uma espécie de tutor de Machado, dando ao jovem lições de português e francês. Em 1859, o jovem escritor publica os textos “O jornal e o livro”, “Aquarelas” e “A reforma pelo jornal”. 

Através da relação com Manuel Antônio de Almeida, Machado construiu forte amizade com Quintino Bocaiúva e Francisco Octaviano. Em março de 1860, Machado passou a fazer parte da redação do Diário do Rio de Janeiro, que tinha Bocaiúva como redator. Na época, o escritor também colaborava com periódicos como Correio Mercantil, Semana Illustrada, Jornal das Famílias, O Futuro e a revista O Espelho – onde escrevia como crítico teatral. O primeiro livro de Machado foi publicado em 1861 e consistiu na tradução de “Queda que as mulheres têm para os tolos”, do belga Victor Hénaux. Entre este ano e 1862, Machado participou de disputas eleitorais. E, em 1864, publicou “Crisálidas”. Em 1867 – durante a Guerra do Paraguai, foi ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. E dois anos depois, em 1869, Machado casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais – portuguesa e irmã de seu amigo Faustino Xavier Novais. 

Em 1870, Machado publicou “Falenas” e Contos fluminenses. Dois anos depois, em 1872, Machado publicou o romance Ressurreição. Em 1873, foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Neste mesmo ano publicou Histórias da meia-noite. Em 1874, tem o seu romance A mão e a luva publicado em folhetins no periódico O Globo e também atua como colaborador nos periódicos O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira. Em 1875, publicou a poesia indianista “Americanas”. E nos anos de 1876 e 1878, publicou os romances Helena e Iaiá Garcia. É neste período, igualmente, que apresentou os primeiros sintomas da epilepsia e passou uma temporada em Nova Friburgo por recomendação médica. Em 1880, recebeu o convite de Pedro Luís Pereira de Sousa, ministro interino da Agricultura, Comércio e Obras Públicas para assumir o cargo de oficial de gabinete. Já no ano seguinte, publicou o afamado Memórias póstumas de Brás Cubas, que esteve nas páginas da Revista Brasileira entre março e dezembro de 1880. Em 1882, produziu Papéis avulsos e outras coletâneas de contos. 

Das trocas estabelecidas entre os membros da Revista Brasileira, nasceu a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras. Expressivo nome na concepção de criação da Academia, quando de sua criação, em 1881, Machado foi eleito presidente da instituição. Nesse período, as crônicas de Machado eram recorrentes na Gazeta de Notícias. Em 1884, se mudou juntamente com sua família, para a Rua Cosme Velho, no bairro das Laranjeiras. No ano seguinte, foi promovido à Diretoria do Comércio no Ministério da Agricultura. Em 1892, recebeu mais uma promoção, se tornando diretor-geral da Viação da Secretaria da Indústria e Obras Públicas. Em 1899, publicou Dom Casmurro e, em 1904, Esaú e Jacó. Nesse mesmo ano, falece sua esposa, o que agravou a situação de saúde do escritor. 

Machado faleceu em 29 de setembro de 1908 em sua residência, na Rua Cosme Velho, amparado pelos amigos Graça Aranha, Mario de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Corrêa, Coelho Neto, Rodrigo Otavio e Euclides da Cunha. É considerado um dos maiores escritores de toda literatura portuguesa. 

PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES

Obras e publicações ver:

https://machado.mec.gov.br/#obraCompleta

“O passado, o presente e o futuro da literatura” (1858)

“Aquarelas” (1859)

“Revista dos teatros” (1859)

“Ideias sobre teatro” (1859)

A reforma pelo jornal (1859)

“O jornal e o livro” (1859)

“A crítica teatral. José de Alencar: Mãe” (1860)

Revista Dramática (1860)

“Hoje avental, amanhã luva” (1860)

“Desencantos” (1861)

“Flores e frutos, de Bruno Seabra” (1862)

“Pareceres – Conservatório Dramático” (1862-1864)

“Revelações, poesias de A. E. Zaluar” (1863)

“O caminho da porta/O protocolo” (1863)

“Quase ministro” (1864)

“Crisálidas” (1864)

“O ideal do crítico” (1865)

“Os deuses de casaca” (1866)

Cartas fluminenses (1867)

“Falenas” (1870)

Badaladas (1871-1873)

Ressureição (1872)

Contos Fluminenses (1873)

 Histórias da meia-noite (1873)

A mão e a luva (1874)

“Americanas” (1875)

Visconde de Castilho (1875)

Helena (1876)

História de quinze dias (1876-1877)

“O bote de rapé” (1878)

Iaiá Garcia (1878)

“Notas semanais” (1878)

“Tu, só tu, puro amor” (1880)

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)

Papéis avulsos (1882)

Histórias sem data (1884)

Casa Velha (1885)

Quincas Borba (1891)

Várias histórias (1896)

Páginas recolhidas (1899)

“Não consultes médico” (1899)

Dom Casmurro (1899)

Esaú e Jacó (1904)

 “Ocidentais” (1901)

Relíquias de Casa Velha (1906)

“Lição de botânica” (1906)

“O Almada” (1908)

Memorial de Aires (1908)

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



LEONARDO É A PRIMEIRA ATRAÇÃO CONFIRMADA NO BUTECO GOIÂNIA 2026

Festival idealizado por Gusttavo Lima retorna dia 12 de setembro de 2026, no Estacionamento do Estádio Serra Dourada 

Após um ano de pausa, o Buteco, festival criado pelo cantor Gusttavo Lima, está de volta em 2026! Considerado um dos mais importantes eventos de música pelo público e pela crítica, o projeto anuncia duas edições para este ano: Goiânia (GO), no dia 12 de setembro, no Estacionamento do Estádio Serra Dourada; e São Paulo, dia 12 de dezembro. 

Aguardadas com muita expectativa pelo público, as edições que abrem a nova temporada prometem surpresas, além de uma estrutura diferenciada e line-ups de peso. Para o evento em Goiânia, por exemplo, o primeiro nome já anunciado é o do cantor Leonardo. 

"Para essa volta do Buteco, quero ao meu lado grandes amigos e atrações que tenham a essência do festival. Em Goiânia, é claro, o Leonardo não poderia ficar de fora! Vai ser uma volta memorável, no meu Goiás! Espero todos vocês dia 12 de setembro!", convida o Embaixador e anfitrião da festa, Gusttavo Lima, que em breve vai anunciar as demais atrações.

Vale ressaltar que o conceito do "Buteco" surgiu a partir do DVD "Buteco do Gusttavo Lima" (2014), onde a intenção era produzir um álbum que reunisse grandes clássicos do sertanejo romântico e de raiz, além de muita moda de viola. O álbum ganhou uma segunda edição em 2017 que deu origem a uma turnê e, posteriormente, ao formato festival, que já reuniu mais de dois milhões de pessoas por todo o país e pelos EUA. 

Os últimos ingressos para as edições de Goiânia (GO) e São Paulo (SP) estão disponíveis no @baladapp (site e aplicativo).

 

Para saber mais, acesse: 

Site: www.gusttavolima.com.br  

/ www.butecooficial.com.br

Facebook:/gusttavolimaoficial/buteco

Instagram: @gusttavolima @buteco

YouTube: gusttavolimaoficial 




segunda-feira, 1 de junho de 2026

48 - O VERBO FEITO SOM: A TRANSFIGURAÇÃO DA EUCARISTIA NA MÚSICA SACRA ENSAIO SOBRE MÚSICA SACRA © ALBERTO ARAÚJO

Um ensaio sobre o Mistério: a interseção entre o Barroco colonial, a liturgia clássica e a alma do Brasil.

A história da música ocidental é, em grande medida, uma crônica da tentativa humana de traduzir o inefável em vibração. Entre todos os mistérios que a teologia cristã propôs à arte, nenhum foi tão fértil, tão persistente e tão profundamente inspirador quanto a Eucaristia.

O Corpus Christi, o Corpo de Cristo, não é apenas um dogma central; é uma ponte entre o infinito e o finito, entre o altar e o cotidiano. A solenidade que celebra este sacramento, transbordando o interior das catedrais para as ruas em procissões solenes, encontrou na música o seu veículo de expressão mais autêntico. A música para o Corpus Christi não serve meramente como acompanhamento litúrgico; ela é a própria materialização sonora do Mistério, uma oferenda onde o som torna-se o próprio Pão. 

Não se pode compreender a música eucarística sem retornar ao século XIII, à presença intelectual e espiritual de São Tomás de Aquino. Por ordem do Papa Urbano IV, Aquino compôs o ofício para a recém-instituída festa de Corpus Christi. Dele brotaram pérolas como o Pange Lingua, cujas estrofes finais, o Tantum Ergo, tornaram-se o alicerce harmônico e melódico de séculos de devoção.

O Tantum Ergo não é apenas uma letra; é uma fórmula de adoração que atravessou eras, moldando o pensamento musical de compositores tão diversos quanto Palestrina, Bruckner e Fauré. A estrutura do texto, com sua solenidade austera, impõe uma disciplina ao compositor: é um convite à reverência. Quando a voz humana entoa "veneremur cernui" (adoremos prostrados), a música deixa de ser um objeto estético e transforma-se em um ato de prosternação intelectual e espiritual. 

Chegando ao crepúsculo do século XVIII, encontramos o *1 - Ave Verum Corpus de Wolfgang Amadeus Mozart. Composto em 1791, meses antes da morte do autor, este pequeno moteto é um paradoxo da simplicidade. Enquanto a maioria das obras desse período buscava a grandiloquência sinfônica, Mozart aqui retira os ornamentos desnecessários. 

A obra respira um equilíbrio clássico que mascara uma profundidade abissal. A letra, meditativa, contempla o corpo de Cristo "nascido de Maria, verdadeiramente ferido na cruz". Mozart não tenta descrever o sacrifício com artifícios dramáticos; ele o envolve em uma transparência harmônica que parece vir de outro mundo. É a obra de um homem que, diante da finitude, reconhece a eternidade. Ouvir o Ave Verum é sentir uma luz que, embora suave, é capaz de revelar as dores e esperanças mais profundas da alma humana. 

O século XIX trouxe a expansão da paleta emocional, o * 2 - Panis Angelicus de César Franck, encontrou seu lugar na intimidade devocional. Extraído de outro hino de Aquino, o Sacris Solemniis, a peça de Franck é um exercício de submissão. O diálogo entre o tenor e o órgão não é uma exibição de técnica, mas uma oração prolongada. A melodia ascende com uma doçura quase tangível, sugerindo que o "Pão dos Anjos" não é apenas um símbolo, mas um sustento vital.

 

Já no século XX, Olivier Messiaen, talvez o maior teólogo-compositor da era moderna, elevou o O Sacrum Convivium a um patamar de misticismo sem precedentes. Para Messiaen, o som tinha cor. Sua escrita coral, densa e luminosa, tenta capturar a "garantia da glória futura" mencionada na antífona. Diferente da sobriedade de Mozart, a música de Messiaen é um convite ao êxtase. É a celebração do banquete não como um memorial estático, mas como um evento presente, onde o tempo é suspenso para que a graça possa inundar o espaço.

Talvez a mais fascinante incursão neste tema seja a Corpus Christi Carol. Ao contrário dos hinos latinos de teólogos, esta canção é um enigma medieval, uma "falcon carol" que sobreviveu à passagem dos séculos. Benjamin Britten, ao integrá-la em A Boy was Born, resgatou a atmosfera sombria, arcaica e profundamente humana da lenda do cavaleiro ferido. 

A letra, com sua imagem do cavaleiro, da donzela chorando e da pedra que sangra, escapa à exegese fácil. Ela é uma alegoria da Paixão, sim, mas também um grito de angústia sobre a condição humana. É a prova de que a Eucaristia não é um rito distante de nossa humanidade sofrida; pelo contrário, ela se encontra exatamente onde a ferida está exposta. Britten, com sua sensibilidade ímpar para o isolamento e o desamparo, transforma essa carola em um momento de beleza assombrosa, onde a dor não é negada, mas transfigurada pela devoção. 

A música escrita para o Corpus Christi revela algo essencial sobre a nossa natureza. Somos seres feitos de carne e tempo, ansiosos por tocar o eterno. Ao celebrarmos o Corpo de Cristo, estamos, na verdade, celebrando a dignidade da matéria: a ideia de que um pedaço de pão, um momento de silêncio, uma nota musical, podem ser habitados pelo Sagrado. 

Estes compositores, cada um a seu modo, não criaram apenas entretenimento religioso. Eles construíram catedrais sonoras. Quer seja na clareza absoluta de Mozart, no ardor romântico de Franck, na luz mística de Messiaen ou na melancolia ancestral de Britten, a música cumpre sua função mais nobre: ela nos lembra que, embora o nosso corpo seja frágil e a nossa vida curta, temos a capacidade de participar de algo que nos transcende. A música para o Corpus Christi é, em última análise, a voz da humanidade que, reconhecendo seu próprio vazio, convida o Absoluto para sentar-se à mesa. É o som do convite que nunca cessa, ecoando através dos séculos, ressoando em cada nota, transformando o silêncio em adoração. 

O que esses compositores nos ensinam é que a celebração do mistério eucarístico não é um exercício de repetição histórica, mas um ato criativo contínuo. Enquanto houver compositores capazes de olhar para a dor e para a esperança e transformá-las em beleza, o Corpus Christi continuará sendo, mais do que uma data no calendário, uma experiência vibrante e necessária na alma humana. 

Embora o Tantum Ergo seja a parte mais conhecida, o coração musical e teológico da festa é a Sequência,  o Lauda Sion Salvatorem (Louva, Sião, o Salvador). Escrito também por Tomás de Aquino, ele é uma "aula de teologia cantada". A melodia gregoriana original é uma das mais longas e complexas do repertório, exigindo dos coros não apenas precisão, mas uma resistência e fôlego que simulam a "proclamação" de uma verdade doutrinária. É fascinante notar como compositores barrocos e clássicos frequentemente usavam a melodia desta sequência como base (o cantus firmus) para suas peças polifônicas, como se estivessem construindo uma arquitetura moderna sobre a fundação de pedra de Aquino. 

A instituição da festa em 1264 não foi apenas um ato burocrático de Urbano IV, mas uma resposta direta ao Milagre de Bolsena (1263), onde uma hóstia teria sangrado sobre o corporal durante a missa de um padre que duvidava da transubstanciação. Essa atmosfera de "susto e revelação" influenciou a música sacra, conferindo-lhe uma dramaticidade que, antes, era mais contida. A música de Corpus Christi passou a ter uma função de testemunho: ela deveria "provar" com sua beleza o que o milagre "provou" com o sangue. 

Há uma analogia teológica interessante: a polifonia. No período renascentista, quando compositores como Palestrina elevavam a polifonia ao seu ápice, o próprio estilo musical tornou-se uma metáfora da Eucaristia. Assim como muitos fiéis se tornam um só corpo ao receber a comunhão, muitas vozes independentes (soprano, contralto, tenor, baixo) se fundem em uma única harmonia perfeita. É o som da unidade na diversidade, o espelho sonoro do Corpus Christi. 

É impossível falar de Corpus Christi sem lembrar de como a celebração foi vivida no Brasil colonial. Aqui, a festa ganhou cores, sabores e sons que misturavam o gregoriano europeu com a inventividade das nossas irmandades. Em cidades como Ouro Preto ou Mariana, as procissões eram o momento de maior exibição da música local. Compositores como Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia escreveram obras que são a nossa própria interpretação do sacramento: uma música que, mantendo o rigor litúrgico, traz a luz e o calor tropical. 

Na liturgia tradicional, o momento mais solene do Corpus Christi não é o canto, mas o silêncio que ocorre durante a elevação da hóstia. Muitos compositores, como o próprio Messiaen ou os polifonistas flamengos, compunham suas obras como um "cercamento" desse silêncio. A música é, paradoxalmente, um mecanismo para que o ouvinte chegue à fronteira do inaudível, onde o rito se torna um encontro pessoal. 

Sugestão de "audição ativa" para um escritor: Se você for escrever sobre o tema, sugiro que tente ouvir o Lauda Sion em uma versão de monodia gregoriana (sem acompanhamento) e, logo depois, uma versão polifônica renascentista. O contraste entre a unidade de uma só voz (a Igreja universal) e a complexidade de muitas vozes (a comunidade humana) oferece uma metáfora perfeita para o mistério que você está explorando.

A integração entre a tradição universal da música sacra e o brilho singular do nosso Barroco Colonial brasileiro é, talvez, o capítulo mais comovente da história da música no Brasil. Ao unirmos o rigor litúrgico que atravessou séculos, desde as antífonas de Tomás de Aquino até as harmonias de Messiaen,  à inventividade de nomes como José Maurício Nunes Garcia e Lobo de Mesquita, percebemos que o Corpus Christi no Brasil não foi apenas uma liturgia importada, mas uma celebração que assimilou o calor, a luz e o espírito de nossa terra.

Quando José Maurício Nunes Garcia, o mestre da Capela Real no Rio de Janeiro, compunha suas obras para o culto, ele não estava apenas seguindo modelos europeus de Haydn ou Mozart. Ele estava conferindo à liturgia uma dignidade que emanava de uma nova realidade. Em suas composições, há uma melodia que parece respirar a mesma liberdade que se observa nas paisagens brasileiras. Ele, que foi um dos maiores compositores do seu tempo, compreendeu que o Corpus Christi exigia uma música que fosse, simultaneamente, imperial em sua estrutura e profundamente humana em sua voz. 

Da mesma forma, Lobo de Mesquita, em Minas Gerais, elevou o Barroco Colonial a patamares de rara beleza. Suas obras, muitas vezes interpretadas por músicos locais em procissões que subiam e desciam as ladeiras de Ouro Preto ou Mariana, transformaram a rua em uma extensão do presbitério. Para um cronista como você, que valoriza a memória e o registro da cultura, é fascinante notar como essa música servia de espinha dorsal para a vida comunitária: 

A música funcionava como um elemento de união social, congregando artesãos, escravizados e a elite em torno da mesma celebração. 

A inventividade melódica desses compositores brasileiros trouxe uma expressividade mais calorosa e emotiva, distanciando-se um pouco da sobriedade austera das catedrais europeias.

A história da música ocidental não é apenas uma sucessão de estilos, mas uma crônica da tentativa humana de dar corpo ao inefável. Dentre os mistérios que a teologia cristã ofereceu à arte, nenhum foi tão fértil e persistente quanto o da Eucaristia. O Corpus Christi, o Corpo de Cristo, é o ponto em que o infinito se faz presente no cotidiano, transformando o altar em uma ponte entre o tempo e a eternidade. Mas essa celebração, que na Idade Média floresceu sob o rigor intelectual das catedrais europeias, encontrou, em solo brasileiro, um sotaque novo, uma luminosidade própria que merece ser revisitada por quem, como você, cultiva a memória através das letras.

Não se pode compreender a música eucarística sem retornar ao século XIII, à figura intelectual de São Tomás de Aquino. Por ordem do Papa Urbano IV, Aquino compôs o ofício para a recém-instituída festa. Dele brotaram pérolas como o Pange Lingua, cujas estrofes finais, o Tantum Ergo, tornaram-se o alicerce melódico de séculos de devoção. 

Essa fórmula de adoração atravessou eras, moldando o pensamento de compositores tão diversos quanto Palestrina, Bruckner e Fauré. A estrutura do texto impõe uma disciplina ao compositor: é um convite à reverência. Quando a voz humana entoa "veneremur cernui", adoremos prostrados, a música deixa de ser um objeto estético e transforma-se em um ato de prosternação intelectual e espiritual. É a música que não quer se impor, mas se entregar.

No crepúsculo do século XVIII, o Ave Verum Corpus de Mozart nos ensina que a perfeição reside na simplicidade. Composto em 1791, meses antes de sua morte, este moteto é um paradoxo: enquanto a música de sua época buscava a grandiloquência sinfônica, Mozart aqui retira os ornamentos. A obra respira um equilíbrio clássico que mascara uma profundidade abissal, contemplando o corpo de Cristo “verdadeiramente ferido”. 

Séculos depois, Olivier Messiaen, o grande teólogo-compositor, elevaria o O Sacrum Convivium a um patamar de misticismo sem precedentes. Para ele, o som tinha cor. Sua escrita coral, densa e luminosa, tenta capturar a “garantia da glória futura”. Diferente da sobriedade de Mozart, a música de Messiaen é um convite ao êxtase; a celebração do banquete não como um memorial estático, mas como um evento vivo que suspende o tempo para que a graça inunde o espaço. 

Ao atravessarmos o Atlântico, a música de Corpus Christi ganha uma nova vida. O Brasil colonial, com suas irmandades e sua fervorosa vida cultural, não apenas absorveu a liturgia europeia; nós a vestimos com a nossa própria luz. Compositores como José Maurício Nunes Garcia e Lobo de Mesquita são os artífices dessa tradução. 

O Padre José Maurício, mestre da Capela Real no Rio de Janeiro, compreendeu que o Corpus Christi exigia uma música que fosse, simultaneamente, imperial em sua estrutura e profundamente humana em sua voz. Em suas obras, há uma melodia que respira a liberdade das nossas terras, uma elegância que não desmerece a Europa, mas que a completa com um calor que apenas o sol tropical poderia conferir. 

Lobo de Mesquita, por sua vez, levou essa tradição para as ladeiras das Minas Gerais. Suas procissões, que subiam e desciam as ruas de pedra de Ouro Preto e Mariana, transformavam a geografia urbana em um presbitério a céu aberto. Ali, a música servia de espinha dorsal para a coesão social: congregava o mestre de obras, o artesão, a poetisa e o povo, todos unidos pela mesma harmonia. É nessa polifonia barroca, onde vozes diversas se unem num só corpo, que encontramos a metáfora perfeita do próprio rito da Eucaristia. 

A música Corpus Christi Carol, resgatada por Benjamin Britten, é um lembrete de que o mistério também habita a dor. Com sua imagem do cavaleiro ferido e da pedra que sangra, ela escapa à exegese fácil. É a prova de que o rito não é um distante ato cerimonial, mas algo que se encontra exatamente onde a ferida está exposta. Britten transforma essa carola medieval em um momento de beleza assombrosa, onde a dor não é negada, mas transfigurada pela devoção.

Estes compositores não criaram entretenimento; criaram catedrais sonoras. Eles nos recordam que, embora o nosso corpo seja frágil, possuímos a capacidade de participar de algo que nos transcende. A celebração do mistério eucarístico não é um exercício de repetição histórica, mas um ato criativo contínuo. 

A música, afinal, é o convite que nunca cessa, ecoando através dos séculos, ressoando em cada nota, transformando o silêncio do mundo na adoração da beleza. É o Verbo, que na arte, torna-se, finalmente, som. 

PARA SABER MAIS 

REFERÊNCIAS: BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 

Hoppin, Richard H. Panorama da Música Medieval. Editora Martins Fontes. (Essencial para compreender o contexto do Pange Lingua e a transição para a polifonia). 

Grout, Donald J. & Palisca, Claude V. História da Música Ocidental. Editora Gradiva. (Uma obra de referência completa que situa o Ave Verum de Mozart e a evolução da música sacra).

Baggio, Robert. A Estética da Música Sacra. (Foca na relação entre o rito litúrgico e a forma musical). 

Sales, Alberto (org.). A Música nas Irmandades do Brasil Colonial. (Excelente para conectar o trabalho de Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia com o cotidiano das procissões brasileiras).

Messiaen, Olivier. A Minha Linguagem Musical. (Para entender a filosofia de composição de quem escreveu O Sacrum Convivium). 

REFERÊNCIAS DIGITAIS (SITES E PORTAIS) 

Academia Brasileira de Letras (ABL): Consultar os verbetes sobre literatura e cultura ajuda a contextualizar a influência dos poetas na música sacra, um tema que você domina bem ao citar seus poetas preferidos.

IMS (Instituto Moreira Salles) - Acervo de Música: O portal do IMS possui um acervo rico sobre a música no Brasil, com artigos excelentes sobre o Barroco Mineiro e a obra de José Maurício Nunes Garcia. 

CPDL (Choral Public Domain Library): É a maior biblioteca online de música coral do mundo. Se você quiser buscar partituras ou o contexto histórico de peças como o Tantum Ergo de vários compositores, este é o site definitivo. 

YouTube - Canal "The Polyphonists": Uma fonte fantástica para ouvir interpretações de alta qualidade de obras renascentistas e modernas. Clicar no link:

https://www.youtube.com/@thepolyphonists

Enciclopédia Itaú Cultural: A seção de música da enciclopédia é um guia seguro e profundo para pesquisar compositores brasileiros e o contexto histórico do nosso período colonial.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

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1 - AVE VERUM CORPUS 

WOLFGANG AMADEUS MOZART

Fundação Romena para a Excelência em Música

Festival Internacional de Música de Sibiu/Hermannstadt 2014

MOZART KAMMERPHILHARMONIE

Coral do Festival - Iosif Ion Prunner, diretor

Christian Badea - maestro

https://www.youtube.com/watch?v=gDKCK_6WLTg&list=RDgDKCK_6WLTg&start_radio=1


2 –  PANIS ANGELICUS (MISSA, OP. 12)  – CAESAR FRANCK - Por Andrew Bearden Brown, tenor 

e Christian Lane, órgão

https://www.youtube.com/watch?v=kKUU7zJpP5M&list=RDkKUU7zJpP5M&start_radio=1 

3 - O SACRUM CONVIVIUM, OLIVIER MESSIAEN para coro misto de quatro vozes (1937) - Conjunto Aedes - Maestro: Mathieu Romano - Gravado ao vivo, 6 de abril de 2013, Théâtre Impérial de Compiègne.

https://www.youtube.com/watch?v=sI4yCdNeikY&list=RDsI4yCdNeikY&start_radio=1 

4 – CORPUS CHRISTI CAROL - BENJAMIN BRITTEN

O Coral Infantil do Texas se apresentando no Concerto de Natal de 2015 na OLLU, em San Antonio, Texas. Andrea Walker, soprano e ex-aluna do Coral Infantil do Texas, cantando a Terceira Variação de "Nasceu um Menino", Opus 3, de Benjamin Britten.

https://www.youtube.com/watch?v=Y22lObMqB48&list=RDY22lObMqB48&start_radio=1

 











domingo, 31 de maio de 2026

FELIZ 99 ANOS, WILMA MARTINS TEIXEIRA COUTINHO - UMA CENTENÁRIA JORNADA DE LUZ E INSPIRAÇÃO

Neste 31 de maio, o sol parece brilhar com uma intensidade especial, celebrando a vida de uma mulher cuja existência é um verdadeiro hino de resiliência, sabedoria e amor. Hoje, celebramos com imensa alegria os 99 anos de uma trajetória que atravessa quase um século de memórias, conquistas e um espírito indomável que continua a nos encantar.

Nascida em São Sebastião do Alto em 1927, nossa querida aniversariante trilhou um caminho marcado pela superação e por uma ética de trabalho inabalável. Caçula entre treze irmãos, ela aprendeu cedo o valor da força interior, transformando cada desafio em degrau para o crescimento. De seus passos iniciais na Secretaria de Educação e Cultura até a atuação marcante no Palácio do Ingá, ela não apenas testemunhou momentos históricos, mas deixou sua marca de disciplina e dedicação por onde passou.  O que mais nos inspira, contudo, é a sua capacidade inesgotável de conciliar os papéis da vida com maestria. 

Esposa dedicada por 48 anos, mãe amorosa e profissional obstinada, ela provou que não existem limites quando o coração é guiado pela paixão pelo Direito. Formar-se aos 50 anos e exercer a advocacia com brilhantismo até os 88 anos é um feito que nos convida a repensar o que chamamos de "limites".

 Ela realizou, com honra, os três grandes marcos da vida: plantou uma árvore, teve uma filha e escreveu sua própria história, literalmente, nas páginas de sua obra literária que celebra os caminhos percorridos. E é através da poesia, esse dom herdado e cultivado, que ela transforma a rotina em arte e espanta qualquer sombra, mantendo o coração sempre aberto para ajudar o próximo.  Aos 99 anos, ela nos ensina que a verdadeira felicidade reside no servir e na gratidão por cada novo dia. 

Sua vida é o maior testamento de que, quando se vive com propósito, cada década é uma vitória e cada momento é uma poesia.  Hoje, queremos abraçá-la com todo o carinho e gratidão. Que o seu novo ano seja repleto da mesma luz que você irradia. Parabéns por uma vida magnífica! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural