domingo, 1 de novembro de 2026

UM PEDAÇO DE GIZ PARA MARCAR O MUNDO - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Antes de habitar livros, observatórios e satélites, muitas das ideias que mudaram nossa compreensão do cosmos surgiram como marcas brancas sobre um quadro escuro. Atrás delas estava Albert Einstein. À frente delas, um simples pedaço de giz. 

É curioso pensar nisso. A humanidade costuma imaginar os grandes gênios cercados de máquinas extraordinárias, instrumentos sofisticados e laboratórios futuristas. No entanto, boa parte das ideias que transformaram a ciência moderna nasceu do encontro entre uma mente inquieta e um objeto tão comum que qualquer professor poderia carregar no bolso. 

O quadro-negro era seu território. 

Ali, o mundo perdia suas aparências. O que para a maioria das pessoas era apenas rotina, para Einstein transformava-se em pergunta. Por que a luz se comportava daquela forma? O que era, afinal, a gravidade? O tempo corria igualmente para todos? O universo possuía limites? Entre uma questão e outra, o giz avançava. 

Traços rápidos. Equações. Setas. Correções. Linhas apagadas antes mesmo de serem concluídas. O quadro tornava-se uma espécie de mapa provisório de um território ainda desconhecido. Cada símbolo representava uma tentativa de enxergar além do horizonte das certezas. 

Quem entrasse numa sala depois de uma de suas aulas talvez encontrasse apenas um emaranhado de números e fórmulas. Nada particularmente impressionante aos olhos de um leigo. Mas a história costuma esconder seus momentos decisivos atrás de aparências modestas. Nem toda revolução veste uniforme. Nem toda descoberta anuncia a chegada com fanfarras. 

Algumas começam no silêncio. 

O giz que riscava o quadro era o mesmo utilizado por milhares de professores em escolas espalhadas pelo mundo. A diferença não estava no instrumento, mas na inquietação de quem o segurava. Einstein desconfiava das respostas definitivas. Quando uma ideia parecia encerrada, ele encontrava uma nova pergunta para abri-la novamente. 

Talvez por isso suas descobertas continuem fascinando tantas gerações. A ciência não avançou porque ele aceitava o mundo como era. Avançou porque ele insistia em perguntar se o mundo poderia ser diferente. 

Foi dessa desconfiança criativa que nasceram conclusões surpreendentes. O espaço deixou de ser uma espécie de palco imóvel. O tempo deixou de fluir como um rio igual para todos. Ambos tornaram-se partes de uma mesma realidade dinâmica, capaz de se deformar e influenciar tudo o que existe. 

Hoje essas ideias parecem familiares. Estão em documentários, livros didáticos e reportagens científicas. Mas, quando surgiram, desafiaram séculos de compreensão acumulada. O universo precisou ser redesenhado. 

E foi. 

Primeiro em traços de giz. 

Depois na mente dos cientistas. 

Por fim, na forma como a humanidade passou a olhar para o céu.

O mais interessante, porém, não é apenas o que Einstein descobriu. É a maneira como descobriu. Cada teoria carregava as marcas de inúmeras tentativas fracassadas. O pó branco espalhado sobre o quadro era também o vestígio dos erros. Equações abandonadas. Hipóteses corrigidas. Caminhos que não levavam a lugar algum. 

Costumamos admirar os resultados e ignorar os rascunhos. Fotografamos o momento da vitória, mas raramente prestamos atenção aos dias de dúvida que a antecederam. Admiramos a teoria pronta e esquecemos a folha amassada. Celebramos a conquista e ignoramos as horas de incerteza. 

O giz nos lembra justamente disso. 

Sua função não era escrever verdades eternas. Era permitir tentativas. Uma linha podia ser apagada. Outra poderia surgir logo ao lado. Nada era definitivo. Nada estava protegido da revisão. O conhecimento avançava porque alguém tinha coragem de admitir que talvez estivesse errado. 

Essa é uma das virtudes mais raras do ser humano. Reconhecer limites não reduz a inteligência. Ao contrário. Muitas vezes é o primeiro passo para ampliá-la. Einstein compreendia isso. Sua genialidade não estava apenas em formular respostas revolucionárias, mas em fazer perguntas que quase ninguém cogitava fazer. 

Num tempo em que tantas opiniões se apresentam como certezas absolutas, essa postura continua necessária. O progresso humano sempre dependeu de indivíduos capazes de olhar para aquilo que todos consideravam resolvido e perguntar, sem receio: "E se não for bem assim?" 

Einstein fez isso durante toda a vida.

Questionou o espaço.

Questionou o tempo.

Questionou as leis aparentemente imutáveis da natureza.

E cada novo questionamento deixava uma marca branca sobre o quadro-negro. 

No final do dia, o giz diminuía de tamanho. Tornava-se um fragmento cada vez menor entre os dedos. Bastava um movimento mais brusco para quebrá-lo. Sua existência era breve, quase insignificante. 

As ideias, porém, permaneciam. 

Continuavam viajando por laboratórios, universidades, observatórios e centros de pesquisa. Atravessavam fronteiras, idiomas e gerações. Inspiravam outros cientistas. Alimentavam novas descobertas. Produziam perguntas que conduziriam a outras respostas, e respostas que abririam espaço para novas perguntas. 

O pequeno pedaço de giz desaparecia.

A marca que deixava, não.

Talvez seja essa a beleza escondida nos objetos simples. Eles nos recordam que a grandeza raramente depende da grandiosidade dos meios. Uma ferramenta modesta pode participar de feitos extraordinários quando encontra uma mente capaz de enxergar além do óbvio. 

Nas mãos de Einstein, um pedaço de giz tornou-se muito mais que um instrumento de escrita. Transformou-se numa ponte entre a curiosidade humana e os mistérios do universo. 

E enquanto aquelas linhas brancas surgiam sobre o fundo escuro do quadro, algo muito maior estava sendo desenhado. 

Não eram apenas equações.

Era uma nova maneira de compreender o mundo. E talvez seja por isso que, mesmo depois de apagado o quadro, gasto o giz e encerrada a aula, aquelas marcas continuem visíveis. Não nos olhos, mas na história. Porque certas ideias deixam de pertencer ao seu tempo e passam a iluminar todos os tempos que vêm depois. E poucas foram tão luminosas quanto as que um dia nasceram de um simples pedaço de giz.

© Alberto Araújo




GUARDADOS NA MEMÓRIA DO TEMPO - TEXTO DE ALBERTO ARAÚJO

Crescer é um percurso inevitável, mas há um território no peito que a poeira dos anos não consegue cobrir: a infância. Aquela época luminosa trazia uma sabedoria límpida, em que os dias não eram medidos pelas horas do relógio, mas pela intensidade das descobertas. Tudo era vasto e pleno de sentido. O cheiro de terra molhada anunciando a chuva, a corrida descalça pelos caminhos de terra, o vento no rosto ao acompanhar o voo solto dos papagaios no horizonte e a risada franca ecoando pelo quintal desenhavam a arquitetura da nossa mais pura felicidade. 

Naquele tempo, os pequenos detalhes guardavam mistérios extraordinários. Uma pedra no chão virava tesouro, uma árvore antiga era fortaleza e o céu, ao entardecer, parecia pintado à mão só para nos fazer sonhar. Não existia a pressa de amanhã, apenas a urgência de viver o presente com o coração inteiro e a alma despida de qualquer peso. 

A infância tinha o dom raro de transformar o comum em extraordinário. Bastava um pedaço de madeira para se tornar espada, barco ou cavalo; uma caixa vazia podia ser castelo, nave espacial ou esconderijo secreto. A imaginação era a grande arquiteta daquele universo sem fronteiras, onde tudo era possível e os limites do mundo terminavam apenas onde a fantasia alcançava. Não precisávamos de muito para sermos felizes. A riqueza estava na capacidade de enxergar encanto onde os adultos viam apenas simplicidade. 

As tardes pareciam infinitas. O sol demorava a se despedir e cada minuto trazia uma nova aventura. Havia sempre um amigo chamando do outro lado do muro, uma brincadeira improvisada na rua, um desafio inventado na hora ou uma história fantasiada para preencher o tempo. O mundo era uma descoberta contínua. Cada canto escondia uma possibilidade e cada dia carregava a promessa de algo surpreendente.

Também eram preciosos os refúgios silenciosos. Sentar-se à sombra de uma árvore, observar as nuvens mudando de forma no céu ou ouvir o canto distante de um pássaro despertava sentimentos que ainda não sabíamos nomear. Existia uma conexão intuitiva com a natureza, uma proximidade espontânea com a beleza simples da vida. As estações do ano tinham personalidade própria, e cada uma delas deixava marcas afetivas guardadas para sempre na memória. 

As vozes daqueles que cuidavam de nós também permanecem vivas. O chamado carinhoso vindo da cozinha, as histórias contadas antes de dormir, os conselhos simples e os gestos de proteção foram construindo silenciosamente quem nos tornaríamos no futuro. Muitas vezes, só compreendemos a profundidade desses momentos quando o tempo passa e a saudade lhes confere um brilho ainda mais especial.

Com o avanço dos anos, aprendemos responsabilidades, enfrentamos desafios e acumulamos experiências. Ganhamos maturidade, mas também carregamos o risco de perder a capacidade de nos maravilhar. A rotina, os compromissos e as preocupações frequentemente erguem muros onde antes existiam horizontes. Sem perceber, deixamos de observar o pôr do sol, de contemplar a chuva caindo sobre os telhados ou de celebrar as pequenas alegrias que ainda visitam nossos dias. 

Entretanto, a criança que fomos nunca desaparece por completo. Ela permanece em algum lugar da memória, guardando os valores mais puros que possuímos. É ela quem nos lembra da importância da curiosidade, da espontaneidade e da esperança. É ela que nos convida a acreditar novamente quando a vida parece excessivamente dura, a sorrir sem motivo aparente e a encontrar beleza nas coisas mais simples. 

Revisitar essa essência não significa viver preso ao passado nem alimentar um saudosismo estéril. Significa reconhecer que, por trás das camadas de obrigações e experiências, existe um núcleo de autenticidade que continua pulsando. A infância não é apenas uma fase distante; é uma fonte permanente de sensibilidade, imaginação e verdade. Quando nos reconectamos com ela, recuperamos parte da nossa humanidade mais genuína. 

Talvez a grande lição guardada na memória do tempo seja justamente essa: a felicidade raramente mora nos grandes acontecimentos. Ela costuma habitar os instantes discretos, os encontros sinceros, os afetos compartilhados e as emoções simples que muitas vezes passam despercebidas. Aquilo que nos encantava quando crianças continua existindo ao nosso redor; o que muda é a forma como olhamos para o mundo.

Por isso, mesmo quando os compromissos nos exigem passos firmes e decisões sérias, vale a pena preservar o brilho daquela criança interior. Ela nos recorda que a vida ainda pede encantamento, simplicidade e a coragem de sonhar. E enquanto conservarmos essa chama acesa, nenhum tempo será capaz de apagar completamente a beleza dos dias que ficaram guardados para sempre na memória do coração. 

© Alberto Araújo





 

sábado, 31 de outubro de 2026

O PULSO DO VERSO: CELEBRAR A POESIA É MANTER O MUNDO HABITÁVEL - CELEBRANDO O DIA NACIONAL DA POESIA



Celebrando o Dia Nacional da Poesia – 31 de outubro

Silêncios pesam como ferro e palavras desatam nós na garganta, redefinindo o contorno exato da nossa humanidade. Neste 31 de outubro, data em que o Brasil consagra o seu Dia Nacional da Poesia, em honra perpétua à genialidade de Carlos Drummond de Andrade, somos convidados a parar o passo e escutar o ritmo secreto que pulsa sob a casca dura dos dias. 

Para nós, do Focus Portal Cultural, e para quem caminha pelas veredas da escrita e do jornalismo literário, a poesia não é um ornamento distante, um luxo reservado às estantes empoeiradas. Ela é pulso vivo. É a respiração de quem recusa a banalidade do mundo e decide, com a coragem dos artesãos da alma, esculpir sentido no efêmero. Fazer poesia, ou dedicar a vida a registrar o seu eco, é um ato de resistência poética e cívica; é compreender que a linguagem, quando tocada pela beleza e pela verdade, tem o poder indomável de salvar o homem de si mesmo. 

Olhar para a poesia é lembrar que viemos de raízes profundas, do canto dos rios e do chão fértil da nossa memória, mas é também erguer os olhos para o horizonte, seja do alto de uma varanda debruçada sobre a baía ou na quietude de um gabinete de trabalho onde os livros conversam em segredo. É nessa intersecção entre o cotidiano e o sublime que a arte poética se instala e nos transforma por dentro. 

Por isso, o nosso mais profundo e emocionado cumprimento a todos os poetas e poetisas. A vocês que, com mãos delicadas e coragem intransigente, continuam a rasgar o véu do óbvio para nos mostrar o indizível. Cada verso lançado ao vento é uma semente de esperança plantada na terra árida do tempo presente. 

E a você, jovem talento, que guarda no peito o fogo sagrado da criação e hesita diante da folha em branco: escreva. Não temas o peso da página nem o julgamento do mundo. O mundo precisa, hoje mais do que nunca, da sua voz inconfundível, do seu olhar único sobre as coisas, da sua coragem de nomear o amor, a dor, a esperança e o espanto. O verso que habita em ti é urgente e necessário. Pegue a pena, o teclado ou a voz e deixe o poema acontecer. 

Porque, enquanto houver quem escreva poesia, o ser humano continuará a ter onde morar. 

© Alberto Araújo

Diretor e Editor do Focus Portal Cultural


 

 

ONDE O SER HUMANO HABITA - POESIA DE ALBERTO ARAÚJO - HOMENAGEM AO DIA NACIONAL DA POESIA EM 31 DE OUTUBRO


Silêncios pesam como ferro.
Mas há palavras que cortam o ar,
que rasgam o óbvio
e devolvem o contorno exato à nossa humanidade.

Neste 31 de outubro,
consagramos o verso que respira.
Não como enfeite de estante,
mas como pulso vivo.

Para quem caminha na corda bamba da escrita,
escrever é recusar a banalidade do mundo.
É desatar o nó na garganta
e esculpir sentido no que passa rápido.

Um brinde aos que mantêm a escuta aberta.
E um chamado urgente a você,
que guarda um grito preso no peito
e olha para a página em branco com temor:

escreva.

O mundo precisa da sua voz exata,
sem disfarces.
Diga o nome do amor,
aponte a ferida,
mostre o espanto.

Enquanto houver alguém disposto a nomear o vento,
o ser humano terá onde morar.


© Alberto Araújo


 

EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, LIVRO EXPLORA O PODER DA INTUIÇÃO, DA CRIATIVIDADE E DO BOM SENSO

O avanço da inteligência artificial coloca em discussão as habilidades necessárias para trabalhar, criar e tomar decisões em um cenário de rápidas mudanças. É nesse debate que se insere O poder da inteligência humana, de Angus Fletcher, lançamento do selo Principium, da Globo Livros. A obra investiga como a intuição, a imaginação, a inteligência emocional e o bom senso podem ajudar a enfrentar problemas para os quais a lógica e as informações disponíveis nem sempre oferecem uma resposta suficiente. 

Doutor em Neurociência pela Universidade de Michigan e em Literatura por Yale, Fletcher aproxima os dois campos para explicar o papel do pensamento narrativo na maneira como compreendemos experiências, imaginamos possibilidades e encontramos soluções. Sua proposta é mostrar como as capacidades que fazem parte da natureza humana podem ser desenvolvidas e aplicadas diante da incerteza. 

Com exemplos de artistas, cientistas, atletas, generais e CEOs, o autor aborda questões ligadas à inovação, à resiliência, à comunicação e à liderança. Ao longo do livro, apresenta práticas para exercitar essas habilidades, aprender com experiências e ampliar as possibilidades de ação em situações imprevisíveis. 

Organizada em três partes: Ativação, Aplicação e Ciência Primais, a obra retoma capacidades que foram fundamentais para a sobrevivência humana e discute sua relevância no presente. Em meio às transformações impulsionadas pela inteligência artificial, Fletcher propõe um olhar sobre os recursos humanos que ajudam a criar, adaptar-se ao inesperado e tomar decisões quando não há um caminho previamente traçado. 

SOBRE O AUTOR: 

Angus Fletcher é graduado e doutor em Neurociência pela Universidade de Michigan e doutor em Literatura por Yale. Atualmente é professor de Literatura Inglesa e Cinema na Universidade Estadual de Ohio. 

Título: O poder da inteligência humana

Autor: Angus Fletcher | Tradução: Gabriela Peres Gomes | Páginas: 336 | Formato: 14X21cm | Lançamento: 14/10/2026 

ISBN:  9786588132852 | Preço: R$ 64,90 | Preço e-book: R$ 49,90 

Assessoria de imprensa

Mariana Keller



 

FOCUS PORTAL CULTURAL


 

FAZER VALER A VIDA: A INSPIRADORA REFLEXÃO DE RICARDO FRANCO TEIXEIRA - RESENHA DA MATÉRIA: VOCÊ ACHA QUE O ANO PASSA RÁPIDO? TENHO UMA TEORIA... PUBLICADA NA EDIÇÃO: 1253 – NOVEMBRO 2026

 

A edição de novembro da revista Rotary Brasil traz, na mensagem do presidente Ricardo Franco Teixeira na pagina 17, uma reflexão inspiradora sobre a percepção do tempo e o verdadeiro significado da realização pessoal. Segundo o presidente, a sensação de que os anos passam cada vez mais rápido não está relacionada à duração do tempo em si, mas ao volume de objetivos que estabelecemos, às conquistas que alcançamos e ao entusiasmo com que encaramos a vida. Quanto maior é nosso envolvimento com causas, projetos e propósitos, mais intensa se torna a vontade de realizar, gerando a impressão de que o tempo é curto diante de tantas oportunidades de servir e construir algo relevante. 

A partir dessa reflexão, o texto conduz o leitor por uma rica apresentação dos principais temas da edição, evidenciando o dinamismo e a capacidade transformadora do Rotary. O presidente destaca a justa homenagem ao rotariano Henrique Vasconcelos, indicado para atuar como curador da Fundação Rotária no período de 2027 a 2031, reconhecimento que demonstra sua trajetória de liderança e dedicação ao ideal rotário. Também registra votos de sucesso ao casal Renata e Henrique Vasconcelos, ressaltando a importância de seu trabalho para a organização. 

Outro destaque é a matéria de capa sobre a Associação Brasileira da The Rotary Foundation (ABTRF), apresentada como uma das mais brilhantes iniciativas do Rotary brasileiro. O presidente relembra a visão de José Alfredo Pretoni, responsável por conceber uma estrutura transparente, ética e organizada para a captação de recursos destinados a projetos sociais. O texto também reconhece o trabalho de sucessivos líderes que deram continuidade a esse legado e enfatiza a gestão atual de Cláudio Takata, voltada para resultados, planejamento e expansão da atuação da entidade. 

A mensagem ainda evidencia o compromisso do Rotary com seu crescimento institucional, destacando iniciativas inovadoras para ampliação do quadro associativo, incluindo o uso de tecnologia para identificar milhares de potenciais novos integrantes. O autor também chama atenção para experiências bem-sucedidas, como o Rotary Club de Curitiba Corporativo Sanepar, exemplo de como modelos diferenciados podem fortalecer o serviço comunitário e a preservação ambiental. 

Especial destaque é dado ao protagonismo dos jovens do Rotaract, especialmente em projetos de alcance internacional. Entre os exemplos apresentados está uma iniciativa que uniu clubes de diferentes países para levar água limpa e saneamento a milhares de pessoas em Gana, demonstrando a força transformadora da cooperação global e o compromisso das novas gerações com o ideal de servir.

Ao final, Ricardo Franco Teixeira reforça uma mensagem de orgulho e pertencimento, lembrando que todas as ações apresentadas na revista têm um objetivo em comum: transformar vidas e beneficiar pessoas fora do movimento rotário. Trata-se de um convite à reflexão sobre o valor do serviço voluntário e sobre o impacto positivo que cada rotariano pode gerar na sociedade. 

Mais uma vez, a coluna do presidente se destaca pela qualidade de seu conteúdo, pela profundidade das reflexões e pela capacidade de conectar temas institucionais a valores humanos universais. Mês após mês, Ricardo Franco Teixeira oferece aos leitores artigos de excelência, bem escritos, motivadores e inspiradores, que valorizam o trabalho rotário e estimulam o engajamento em favor de uma sociedade melhor. Sua mensagem é sempre uma leitura enriquecedora, capaz de informar, emocionar e fortalecer o orgulho de pertencer à grande família do Rotary.

© Alberto Araújo

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NOVEMBRO, MÊS DA FUNDAÇÃO ROTÁRIA: MAIS DE UM SÉCULO TRANSFORMANDO VIDAS POR MEIO DO SERVIR - CELEBRANDO OS 109 ANOS DA FUNDAÇÃO ROTÁRIA

Novembro ocupa um lugar especial no calendário rotário mundial. Reconhecido oficialmente como o Mês da Fundação Rotária, este período é dedicado à celebração de uma das mais importantes organizações filantrópicas do planeta, responsável por apoiar milhares de projetos humanitários, educacionais e de desenvolvimento comunitário em todos os continentes. Mais do que uma data comemorativa, novembro é um convite para refletir sobre o impacto que a solidariedade organizada pode gerar quando pessoas comprometidas se unem em torno do ideal de servir.

A história da Fundação Rotária começou em novembro de 1917, quando Arch C. Klumph, então presidente do Rotary International, propôs a criação de um fundo destinado a fazer o bem no mundo. A ideia era simples, mas revolucionária: reunir contribuições voluntárias de rotarianos para financiar ações capazes de melhorar a vida das pessoas. Com o passar das décadas, aquele fundo inicial transformou-se em uma das mais respeitadas fundações humanitárias internacionais, tornando realidade projetos que alcançam comunidades em situação de vulnerabilidade nos mais diversos países. 

A missão da Fundação Rotária sempre esteve alinhada ao lema que inspirou sua criação: “Fazer o Bem no Mundo”. Graças a essa visão, milhões de pessoas foram beneficiadas por iniciativas voltadas à saúde, educação, acesso à água potável, saneamento básico, proteção ambiental, desenvolvimento econômico e promoção da paz. A Fundação tornou-se o principal instrumento pelo qual os Rotary Clubs conseguem ampliar seu alcance e transformar boas intenções em resultados concretos e duradouros. 

Ao longo de sua trajetória, a atuação da Fundação evoluiu para atender desafios cada vez mais complexos. Inicialmente concentrada em programas educacionais, a instituição expandiu suas ações para projetos humanitários a partir do final da década de 1960. Posteriormente surgiram iniciativas que marcaram a história do Rotary, como os programas de bolsas de estudo internacionais, os Centros Rotary pela Paz e, especialmente, o PolioPlus, considerado um dos maiores esforços de saúde pública já liderados por uma organização não governamental. 

O programa PolioPlus representa um dos maiores orgulhos do Rotary. Desde seu lançamento, mobilizou voluntários, governos e parceiros internacionais em uma campanha global para erradicar a poliomielite. O resultado desse trabalho é extraordinário: a doença foi reduzida em praticamente todo o mundo, aproximando a humanidade de um objetivo histórico que parecia impossível há algumas décadas. Além dos recursos financeiros investidos, milhões de horas de trabalho voluntário foram dedicadas à imunização infantil e à conscientização das comunidades. 

Outro aspecto fundamental da Fundação Rotária é seu compromisso com a construção da paz. Por meio de centros especializados e programas de formação de líderes, o Rotary investe na capacitação de profissionais capazes de atuar em mediação de conflitos, cooperação internacional e desenvolvimento social. A crença de que a paz é construída por meio da educação, do diálogo e do entendimento mútuo continua sendo uma das bases da organização. 

Durante o mês de novembro, clubes rotários de todo o mundo realizam campanhas de conscientização, eventos comemorativos, palestras e iniciativas de arrecadação de recursos destinados à Fundação. É também um momento para reconhecer os doadores, celebrar conquistas e reforçar o compromisso coletivo com os ideais rotários. Tradicionalmente, a terceira semana de novembro também é marcada pelas celebrações da Semana da Fundação Rotária, fortalecendo ainda mais o espírito de gratidão e serviço. 

Em 2026, o Rotary International vive um momento histórico sob a liderança de Olayinka Hakeem Babalola, da Nigéria, que assumiu a presidência mundial da organização em 1º de julho. Tornando-se apenas o segundo africano a ocupar o cargo, Babalola simboliza o caráter verdadeiramente global do Rotary e a crescente participação do continente africano nas decisões que moldam o futuro da instituição. 

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento comunitário, a saúde pública e a promoção da paz, Babalola traz para sua gestão uma visão focada na geração de impacto duradouro. Sua mensagem destaca a importância de fortalecer comunidades locais, ampliar oportunidades de crescimento humano e incentivar a compreensão entre povos e culturas. Para ele, o Rotary possui um papel essencial em um mundo marcado por desafios sociais, econômicos e humanitários cada vez mais complexos. 

Engenheiro de formação e líder empresarial com décadas de experiência no setor de petróleo e gás, Babalola iniciou sua caminhada rotária ainda na juventude, por meio do Rotaract. Desde então, dedicou mais de quatro décadas ao ideal rotário, ocupando cargos de liderança e apoiando importantes iniciativas internacionais. Seu envolvimento com os programas de erradicação da poliomielite e com os Centros Rotary pela Paz demonstra sua convicção de que o serviço voluntário pode gerar transformações profundas e permanentes. 

Atualmente, o Rotary reúne cerca de 1,2 milhão de associados distribuídos em mais de 45 mil clubes ao redor do mundo. Apesar de sua dimensão global, a essência da organização permanece a mesma desde sua fundação: unir pessoas de diferentes profissões, culturas e nacionalidades em torno do propósito de servir. Essa capacidade de conectar indivíduos e transformar a boa vontade em ação concreta é o que mantém viva a relevância do Rotary ao longo de mais de um século.

Celebrar o Mês da Fundação Rotária é reconhecer a força da generosidade, da cooperação e da liderança servidora. É recordar que grandes mudanças começam com pequenas ações e que, quando homens e mulheres colocam em prática o lema “Dar de Si Antes de Pensar em Si”, comunidades inteiras podem prosperar. Novembro, portanto, é mais do que uma homenagem à Fundação Rotária. É uma celebração de todos aqueles que acreditam que servir é, acima de tudo, uma das formas mais nobres de transformar o mundo. 

O rotariano Henrique Vasconcelos, indicado para atuar como curador da Fundação Rotária no período de 2027 a 2031, reconhecimento que demonstra sua trajetória de liderança e dedicação ao ideal rotário. Também registra votos de sucesso ao casal Renata e Henrique Vasconcelos, ressaltando a importância de seu trabalho para a organização.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 











 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

AOS 9 ANOS, LAURA VOIGT CONQUISTA TÍTULO DO GUINNESS WORLD RECORDS™ DE “A SKATISTA MAIS NOVA DO MUNDO A DESCER A MEGARAMPA”

Brasileira completou a descida na Megarampa da Greenbox, em Curitiba; cerimônia de entrega do certificado aconteceu nesta sexta-feira (30) com a presença de representantes do Guinness World Records e de nomes do skate nacional 

Nesta sexta-feira (30), a skatista Laura Voigt recebeu o certificado oficial do GUINNESS WORLD RECORDS™ pelo título de “Skatista mais nova do mundo a descer a megarampa”. A brasileira realizou o feito aos 9 anos e 305 dias, ao completar uma descida vertical na Megarampa da Greenbox, em Curitiba (PR). A cerimônia de certificação aconteceu na própria estrutura onde a conquista foi registrada, com a presença de uma representante do Guinness World Records, responsável pela entrega oficial do certificado à atleta. 

A descida que garantiu o recorde mundial aconteceu em 18 de janeiro de 2026, quando Laura tinha apenas 9 anos. Com mais de 9 metros de altura, a estrutura foi o cenário da conquista, reconhecida a partir da idade da skatista na data da manobra. A categoria considera a idade da atleta, calculada em anos e dias, e estabelece critérios técnicos específicos para a realização da descida vertical. 

Para a homologação, o Guinness World Records estabeleceu exigências relacionadas à estrutura, aos equipamentos utilizados e à execução da descida. Entre os critérios estavam a realização da manobra sem auxílio externo, a permanência da atleta sobre o skate durante todo o percurso e a conclusão controlada da atividade. O processo de verificação também incluiu registros audiovisuais, documentação técnica da rampa, declarações de testemunhas independentes e avaliações de especialistas, além da comprovação da idade de Laura na data do feito. 

A cerimônia de entrega do certificado reuniu familiares, convidados especiais e nomes de destaque do skate brasileiro, como Gui Khury, dono da megarampa e detentor de três recordes no Guinness World Records, Luigi Cini e Augusto Akio. Os três atletas, que acumulam conquistas em competições internacionais e participações nos Jogos Olímpicos, estiveram presentes para prestigiar Laura e celebrar esse momento de sua trajetória no esporte. 

Sobre Laura Voigt 

Laura Voigt é uma skatista brasileira nascida em Curitiba (PR), que começou a andar de skate aos 5 anos de idade, inspirada também pela convivência com Gui Khury e sua família. Aos 8 anos, tornou-se a menina mais jovem a dropar do quarter da megarampa da Greenbox, em Curitiba, e passou a se dedicar aos desafios em estruturas de grande porte. Em 2024, foi vice-campeã brasileira e campeã paranaense de skate na categoria infantil. Após uma temporada de seis meses na Califórnia, em 2025, intensificou sua preparação para encarar a megarampa. Em janeiro de 2026, aos 9 anos, Laura entrou para a história ao se tornar a skatista mais jovem do mundo a descer a megarampa da Greenbox, estrutura de 10 metros de altura e 67 metros de comprimento. O feito foi certificado pelo Guinness World Records em outubro deste ano. Estudante do quinto ano, Laura sonha em disputar campeonatos mundiais nos próximos anos e, futuramente, representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. 

Fonte: Assessoria de Imprensa | Melina Tavares Comunicação 

© Alberto Araújo



 

COLÉGIO FRANÇA E ALDEIA ARA PYAU: QUANDO A EDUCAÇÃO ULTRAPASSA OS MUROS DA ESCOLA E TRANSFORMA VIDAS

Em um tempo em que a educação é constantemente desafiada a ir além da transmissão de conteúdos, iniciativas que promovem o encontro entre diferentes culturas, o respeito à diversidade e a solidariedade se tornam exemplos concretos de como a formação humana deve acontecer. É exatamente nesse contexto que o Colégio França, sob a liderança visionária do professor Sidney Cardoso da França, o nosso admirável Vice-presidente do Elos Internacional constrói uma trajetória marcada pelo compromisso social, pela cidadania e pelo fortalecimento dos valores que verdadeiramente transformam uma sociedade. 

A história dessa relação entre o Colégio França e as comunidades indígenas da região não começou agora. Ela possui raízes profundas, construídas ao longo de décadas por meio de ações permanentes, visitas educativas, campanhas solidárias e experiências de intercâmbio cultural que marcaram gerações de estudantes. 

Um importante registro dessa trajetória pode ser encontrado em uma reportagem publicada pelo Jornal Oficial de Praia Grande, em agosto de 2001. Na ocasião, uma comitiva formada por alunos do Colégio França visitou a aldeia Guarani, em Mongaguá, levando roupas e calçados arrecadados durante uma campanha de voluntariado. A ação beneficiou dezenas de famílias indígenas e foi muito além da simples entrega de doações. Representou um encontro de realidades, saberes e experiências, permitindo que os estudantes conhecessem de perto uma cultura rica e ancestral, baseada no respeito à natureza, à coletividade e às tradições. 

A reportagem destacava ainda que os alunos retornariam à aldeia para novas ações, levando materiais de higiene, alimentos não perecíveis e promovendo atividades recreativas para as crianças. Esse compromisso já evidenciava a filosofia educacional do Colégio França: formar cidadãos conscientes, capazes de compreender seu papel na construção de um mundo mais justo, inclusivo e solidário. 

Passadas mais de duas décadas, essa missão permanece viva e ainda mais fortalecida. A celebração do DIA DAS CRIANÇAS na Aldeia Indígena Ara Pyau demonstra que a solidariedade, quando cultivada como valor institucional, atravessa gerações. O evento reúne importantes organizações da sociedade civil e parceiros comprometidos com causas sociais, entre elas a ONG Confraria das Rosas, Elos Internacional, Elos Praia Grande, Home Care, Anjos de Lázaro, Colégio França, Governadoria DE-1, Grupo de Jovens do Colégio França- integrantes do Elos Jovens de Praia Grande e Núcleo Jovem Acadêmico formando uma ampla rede de apoio dedicada a proporcionar momentos de alegria, acolhimento e integração às crianças indígenas. 

Mais do que uma comemoração, ações como essa representam uma poderosa ferramenta de inclusão social e valorização cultural. Elas permitem que diferentes comunidades se aproximem, dialoguem e construam relações baseadas no respeito mútuo. Ao mesmo tempo, oferecem às crianças experiências afetivas positivas que fortalecem sua autoestima, seu sentimento de pertencimento e sua confiança no futuro. 

A Aldeia Ara Pyau, antiga Aldeia Aguapeú, localizada em Mongaguá, é hoje um dos mais importantes espaços de preservação da cultura Guarani no litoral paulista. Sob a liderança do Cacique Sérgio Martins da Silva, a comunidade desempenha um papel fundamental na proteção dos saberes ancestrais, na manutenção de suas tradições e na promoção da educação intercultural. O local tornou-se referência para visitantes, pesquisadores, estudantes e instituições que desejam compreender melhor a riqueza da cultura indígena brasileira. 

A experiência proporcionada pela aldeia é transformadora. Quem visita o local tem a oportunidade de vivenciar aspectos da cultura Guarani por meio do contato com o artesanato, da convivência comunitária, das trilhas pela Mata Atlântica, das narrativas tradicionais e da observação da relação harmoniosa que o povo indígena mantém com a natureza. São lições que dificilmente podem ser aprendidas apenas nos livros. 

Nesse sentido, o papel desempenhado pelo professor Sidney Cardoso da França merece especial reconhecimento. Ao longo dos anos, sua liderança consolidou uma proposta educacional que compreende a formação dos estudantes como um processo amplo, que envolve conhecimento acadêmico, consciência social, responsabilidade cidadã e sensibilidade humana. Sob sua direção, o Colégio França tem incentivado projetos que conectam os alunos às necessidades reais da sociedade, estimulando o protagonismo juvenil, a empatia e a prática da solidariedade. 

Essa visão educacional faz com que cada ação social se transforme em uma verdadeira sala de aula a céu aberto. Os estudantes aprendem, na prática, o valor do respeito às diferenças, da colaboração e da construção coletiva de soluções para os desafios sociais. Aprendem também que ajudar não significa apenas doar recursos materiais, mas, sobretudo compartilhar tempo, escuta, atenção e afeto. 

O impacto dessas iniciativas ultrapassa os limites do presente. Cada criança atendida, cada estudante participante e cada família envolvida leva consigo experiências que permanecem para toda a vida. São sementes de cidadania plantadas hoje e que produzirão frutos nas próximas gerações.

Em um mundo que frequentemente valoriza a competição acima da cooperação, projetos como os desenvolvidos pelo Colégio França mostram que a educação pode ser um poderoso instrumento de transformação social. Ao fortalecer os laços entre escolas, organizações sociais e comunidades indígenas, a instituição contribui para a construção de uma sociedade mais humana, mais consciente e mais conectada aos princípios da solidariedade. 

A trajetória construída entre o Colégio França e a comunidade indígena de Mongaguá é um exemplo inspirador de continuidade, compromisso e responsabilidade social. É a demonstração de que educar vai muito além do ensino formal. Educar é formar seres humanos capazes de compreender a diversidade, respeitar a história dos povos, valorizar suas culturas e agir para tornar o mundo um lugar melhor. 

E é justamente essa missão que o Colégio França, conduzido pelo professor Sidney Cardoso da França, vem realizando com excelência há décadas: unir educação, cidadania e solidariedade em uma mesma jornada de transformação, onde todos aprendem, todos ensinam e todos crescem juntos. 

© Alberto Araújo

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Reportagem publicada pelo Jornal Oficial de Praia Grande, em agosto de 2001.