sábado, 23 de maio de 2026

23 DE MAIO DE 2026 - CELEBRANDO OS 145 ANOS DO NASCIMENTO DE SACADURA CABRAL: A EPOPEIA DOS CÉUS E A MEMÓRIA DE PEDRA NA PRAIA DE ICARAÍ - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL.

Sob a curadoria do jornalista e escritor Alberto Araújo, trazemos a lume, no quadro EFEMÉRIDES do Focus Portal Cultural, uma homenagem solene neste dia 23 de maio de 2026. Celebramos hoje o transcurso dos exatos 145 anos do nascimento de uma das presenças mais intrépidas, audaciosas e brilhantes da história da aviação mundial: Artur de Sacadura Freire Cabral, universalmente conhecido como Sacadura Cabral. Este espaço, dedicado ao resgate e à preservação da memória histórica, cultural e literária, convida o leitor a uma viagem no tempo, unindo continentes, cruzando oceanos e desaguando no Rio de Janeiro, em um rincão muito especial do município de Niterói, onde a eternidade do feito deste herói dos céus e de seu inseparável companheiro, Gago Coutinho, se materializou na pedra e no bronze de um obelisco imponente, situado na Praça Lusitânia, na Praia de Icaraí. 

Para compreender a magnitude da efeméride que hoje assinalamos, é imperioso voltarmos às páginas da história para o dia 23 de maio de 1881, na antiga e nobre freguesia de São Pedro, em Celorico da Beira, Portugal. Foi ali, entre as paisagens austeras e carregadas de história da Beira Alta, que nasceu Sacadura Cabral. Desde a sua juventude, o destino parecia apontá-lo para os grandes horizontes. Ingressando na Marinha Portuguesa em 1897 como aluno da Escola Naval, cedo demonstrou uma inteligência fulgurante, uma precisão matemática incomum e uma determinação férrea. Seus primeiros passos profissionais foram dados na hidrografia e na cartografia, ciências que exigiam um rigor milimétrico e que, mais tarde, seriam fundamentais para as suas incursões aéreas. 

O início do século XX testemunhava o nascimento da aviação, e Sacadura Cabral percebeu, de imediato, que o futuro da soberania e da ligação entre as nações passaria por aquela nova e perigosa fronteira: o céu. Enviado a França para obter o diploma de piloto aviador, ele não apenas se tornou um dos primeiros instrutores da Escola Militar de Aviação, mas também assumiu um papel de liderança institucional indispensável, tornando-se diretor dos serviços de Aeronáutica Naval e comandante de esquadrilha na Base Naval de Lisboa. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, sua atuação nas ex-colônias africanas de Portugal foi marcante. Foi exatamente nesse cenário ultramarino, em meio às vastidões da África, que os caminhos de Sacadura Cabral e de Carlos Viegas Gago Coutinho se cruzaram. Gago Coutinho, também oficial da Marinha, era um geógrafo e cartógrafo de mente brilhante. Da união entre a destreza técnica de pilotagem e visão estratégica de Sacadura com o gênio matemático e astronômico de Gago Coutinho, nasceu uma das duplas mais famosas da história da ciência aplicada à navegação global. 

A grande consagração internacional da dupla ocorreria no ano de 1922, em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil. Sacadura Cabral concebeu um plano que muitos consideravam uma loucura suicida: realizar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, unindo Lisboa ao Rio de Janeiro. A epopeia protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral foi, em todos os sentidos, um teste supremo de limites humanos e tecnológicos. A bordo do hidroavião batizado apropriadamente de "Lusitânia", um aparelho monomotor Fairey III-D modificado, os aeronautas iniciaram sua jornada em 30 de março de 1922. 

A travessia foi uma sucessão de atos de bravura e perícia sem precedentes. No total, os aeronautas percorreram mais de 8 mil quilômetros em uma jornada que durou 79 dias. O que hoje o homem moderno faz confortavelmente em poucas horas dentro de jatos comerciais de última geração, na época exigiu impressionantes 62 horas de voo efetivo sobre o oceano desconhecido, enfrentando contratempos técnicos severos, tempestades, a perda de aeronaves consecutivas e a imensidão assustadora do horizonte marítimo. Quando o "Lusitânia" original sofreu uma avaria irreparável em um pouso forçado perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo, o governo português enviou outros aparelhos para que a missão continuasse, demonstrando que o orgulho de uma nação estava em jogo. 

O grande triunfo científico da viagem residiu na genialidade de Gago Coutinho, que utilizou um sextante clássico de marinha adaptado com um horizonte artificial de bolha de água, desenvolvido em parceria com o próprio Sacadura Cabral. Essa invenção revolucionária permitiu que a aeronave encontrasse com precisão cirúrgica os minúsculos pontos de terra no meio do Atlântico após escalas estratégicas, como em Cabo Verde e em Fernando de Noronha, provando ao mundo que a navegação aérea astronômica era perfeitamente viável. Ao chegarem finalmente ao Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil, a apoteose foi indescritível. Após a monumental travessia, Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram aclamados de forma febril e apaixonada tanto em Portugal quanto no Brasil. Eles foram recebidos como verdadeiros deuses do ar, símbolos vivos da fraternidade luso-brasileira, unindo os dois lados do oceano não mais pelas caravelas de Pedro Álvares Cabral, mas pelas asas da modernidade.

Contudo, a tragédia costuma andar de mãos dadas com os heróis românticos. Apenas dois anos após a glória absoluta, o destino ceifou a vida de Sacadura Cabral de forma prematura e misteriosa. No dia 15 de novembro de 1924, enquanto realizava o voo de transporte de um avião Fokker recém-adquirido de Amsterdã para Lisboa, Sacadura desapareceu sobre as águas gélidas e turbulentas do Mar do Norte. O corpo do intrépido aviador nunca foi encontrado pelas equipes de resgate; do aparelho sinistrado, foi recolhido apenas um único flutuador. O mar, que ele tanto desafiara a partir dos céus, recolheu seu corpo para a eternidade, deixando órfã uma nação e transformando o herói em mito imperecível.

Mas a história não se apaga com as brumas do Mar do Norte. Ela permanece viva nos monumentos e no tecido urbano das cidades que testemunharam a passagem e a consagração desses homens. E é aqui que a narrativa desta efeméride se aproxima fisicamente de nós, descendo dos céus e das páginas biográficas diretamente para o solo fluminense, mais especificamente para a bela Niterói, a nossa "Cidade Sorriso".

Existem lugares que parecem pequenos demais para conter a grandeza da história, mas que, justamente por isso, se tornam resguardadores silenciosos de feitos imensos. A Praça Lusitânia, em Niterói, é um desses lugares. 

Discreta, quase escondida no final da Praia de Icaraí, diante do mar que se abre em azul e espuma, ela abriga um monumento que não é apenas pedra e bronze: é memória condensada em forma de obelisco. 

A história da aviação mundial não é feita apenas de hangares e pistas de asfalto, mas também de símbolos que resistem ao tempo em nossas praças. Em Niterói, a Praia de Icaraí guarda um desses marcos silenciosos: a Praça Lusitânia. O nome, que evoca as raízes portuguesas, é a moldura para um obelisco histórico que celebra um dos maiores feitos do século XX: a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, realizada em 1922. 

A epopeia protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral foi um teste de limites. A bordo do hidroavião Lusitânia, os aeronautas percorreram mais de 8 mil quilômetros em uma jornada que durou 79 dias. O que hoje fazemos em poucas horas, na época exigiu 62 horas de voo sobre o oceano desconhecido, enfrentando contratempos técnicos e a imensidão do horizonte. A precisão de Coutinho, com seu sextante modificado, garantiu que a aeronave encontrasse o Brasil após escalas estratégicas. 

A relação dessa dupla com a "Cidade Sorriso" foi consolidada cinco anos após o feito. Em 1927, os próprios heróis do ar cruzaram a baía para inaugurar o monumento em Icaraí. Naquela ocasião, Niterói vestiu-se de gala. Os aviadores foram recebidos com honras de Estado no Palácio Arariboia, então sede do governo municipal, onde a diplomacia e a admiração popular se encontraram.

Hoje, o obelisco da Praça Lusitânia é mais do que um marco geográfico; é um lembrete da audácia humana. Situado próximo à Igreja de São Judas Tadeu, o monumento convida moradores e turistas a olharem para o céu e recordarem que, sob aquelas mesmas estrelas, Gago Coutinho traçou o caminho que uniu definitivamente os continentes pelo ar. 

Inaugurada em 1923, a praça assinala a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. O feito, que uniu Portugal e Brasil pelos céus, encontra ali sua tradução simbólica: uma escadaria de granito que conduz a uma esfera coroada pela cruz de malta. O desenho é simples, mas carrega uma densidade cultural que ultrapassa a estética. É como se cada degrau fosse uma metáfora da ascensão humana rumo ao desconhecido, e cada face do monumento fosse uma página escrita no livro da coragem.

A placa de bronze, com sua inscrição solene, não é apenas explicativa; é testemunho. Ela lembra que, em tempos em que voar era quase um ato de fé, dois portugueses ousaram transformar o céu em estrada. E Niterói, cidade voltada para o mar e para o horizonte, tornou-se guardadora desse gesto. A Praça Lusitânia não é monumental pela escala, mas pela ideia: ali se celebra a união de povos através da ciência e da audácia. 

As comemorações de sua inauguração, com sessão solene no Teatro Municipal João Caetano e aclamação popular nas ruas, revelam o quanto o feito foi sentido como patrimônio coletivo. Não se tratava apenas de celebrar aviadores, mas de afirmar que o Atlântico, tantas vezes palco de travessias coloniais, podia agora ser ponte de fraternidade. O obelisco de Icaraí é, nesse sentido, um contra-discurso ao esquecimento: ele inscreve no espaço urbano a memória de que o céu também pode ser navegável.

Hoje, quem passa pela praça talvez veja apenas um jardim modesto, um monumento antigo, uma referência geográfica. Mas quem se detém percebe que ali repousa uma narrativa maior: a de que a cidade guarda, em sua paisagem, um pedaço dessa epopeia lusitana. A Praça Lusitânia é, portanto, mais do que um ponto de encontro; é um lugar de memória, onde o Atlântico se faz presente não como barreira, mas como caminho. 

Celebrar seus 103 anos, em 2026, é celebrar também a permanência da história nos interstícios da vida urbana. É reconhecer que, entre prédios, restaurantes e igrejas, há um obelisco que nos lembra de que o céu já foi conquistado por mãos que sabiam unir cálculo e coragem. E que, mesmo em uma pequena praça, cabe o infinito. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural










sexta-feira, 22 de maio de 2026

A NOITE LITERÁRIA CARIOCA E O LANÇAMENTO DE "POETANDO" COM A PRESENÇA DA PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI

INFORMATIVO DO ELOS INTERNACIONAL 

Niterói 22 de Maio de 2026. A noite desta sexta-feira reservou um capítulo de extrema elegância, amizade e efervescência lírica para o cenário cultural do Rio de Janeiro. Em uma demonstração admirável de dinamismo, vitalidade e profundo amor à arte, a nossa incansável Presidente e Elista-mor, Matilde Carone Slaibi Conti, realizou uma verdadeira jornada dupla em prol das letras nacionais. Após participar ativamente e iluminar a emocionante solenidade da Rede Sem Fronteiras na Igreja Presbiteriana, Matilde deslocou-se diretamente de lá para prestigiar outro grande momento cultural no bairro de Botafogo: o lançamento do livro "Poetando". 

O ponto de encontro foi a charmosa Livraria Blooks, localizada na Praia de Botafogo, nº 316. A partir das 19h, o espaço transformou-se no epicentro da poesia contemporânea carioca, reunindo uma legião de intelectuais, acadêmicos, leitores ávidos e figuras ilustres do universo das artes. O motivo de tanta celebração foi a apresentação oficial da coletânea de poemas escrita a quatro mãos pelos talentosos autores Chris Fernandes e Luiz Barros, uma obra que já nasce sob o signo do sucesso e que conta com as belíssimas e expressivas ilustrações assinadas por Wil Catarina e o selo da editora Top Top Top Editora de Chris Fuscaldo. 

Demonstrando o seu compromisso inabalável com o incentivo aos escritores e à difusão da boa literatura, a chegada da Presidente Matilde Slaibi Conti à Livraria Blooks foi um dos momentos mais festejados da noite. Sua capacidade de transitar entre os principais eventos culturais da cidade com o mesmo sorriso, carisma e elegância é motivo de orgulho para todos nós. Ao abraçar os autores e parabenizá-los pelo novo rebento literário, Matilde não apenas honrou o convite, mas chancelou o lançamento com o prestígio e a nobreza de espírito que lhe são tão característicos, transformando o ambiente em um espaço ainda mais acolhedor e distinto.

A obra "Poetando" destaca-se no mercado editorial por sua sensibilidade ímpar, unindo a força das palavras de Chris Fernandes e Luiz Barros ao traço artístico e sofisticado de Wil Catarina. Durante o evento, os autores autografaram exemplares e receberam o carinho do público em meio a brindes e conversas animadas sobre o futuro da poesia. 

O duplo roteiro cultural lindamente cumprido por nossa querida Presidente Matilde Slaibi Conti nesta memorável sexta-feira reflete o pulsar vibrante da cultura carioca, que se mantém forte, unida e grandiosa através do encontro de corações dedicados ao infinito universo das palavras.

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional

Editor do Focus Portal Cultural














MÁRCIA PESSANHA ESCREVEU: “MINHAS PALAVRAS CAMINHANTES AO ENCONTRO DE EUCLIDES DA CUNHA: UM LEGADO VIVO NA CULTURA BRASILEIRA DE ALBERTO ARAÚJO”


Em nosso percurso de contínua aprendizagem “somos eternos aprendizes,” pois as boas leituras que fazemos ao longo de nossas vidas enriquecem nosso acervo cognitivo e nos encorajam a escrever sobre o que sentimos, estudamos e pesquisamos. Neste sentido, antes de entrar em Os Sertões de Euclides da Cunha, cito outro escritor também envolvido com esta temática - Guimarães Rosa, que nos diz em sua monumental obra “Grande Sertão Veredas”: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

Assim, movido pela inquietude e “coragem de criar” segundo Rollo May, o acadêmico, jornalista e diretor do Focus Portal Cultural Alberto Araújo nos convida para uma caminhada ensaística pela vida e obra de Euclides da Cunha. Neste caminhar cuidadoso, imerso em suas opiniões, estudo crítico e considerações, Alberto pontua os principais eixos da obra euclidiana, compartilhados com outros escritores, pesquisadores, que também já se embrenharam pelas veredas dos sertões, encontrando clareiras referenciais, onde puderam abastecer seus conhecimentos e continuar a caminhada cognitiva. E mais uma vez vale o diálogo com Guimarães Rosa de que “o real não está no início, nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia.

Por isso é importante investir na travessia, que retroalimenta a percepção do que nos cerca, partindo do que já foi visto, apresentado por outros e continuar em busca de outros atalhos, com a inquietude e coragem criativa. Daí, Alberto seguir o caminho da escrita do gênero ensaio, que se define como um texto opinativo e reflexivo, que explora um tema, a partir da perspectiva do autor, combinando análise, argumentação e subjetividade. 

Desse modo, Alberto fez uma travessia na vida e obra do autor em pauta, com o título de “ Euclides da Cunha: um legado vivo na cultura brasileira ”em que expôs dados de sua pesquisa, ressaltando características da escrita euclidiana, de sua importância em estudos das disciplinas : literatura, sociologia, geografia, história, antropologia, meio ambiente, ou seja sua dimensão interdisciplinar. Entrelaçou ciência com literatura, produzindo uma obra híbrida.

Do ponto de vista do conteúdo, enredo de Os Sertões, e do perfil biográfico de Euclides da Cunha, Alberto Araújo já nos apresentou como atento caminhante no ato de escrever, no desenvolvimento de seu ensaio e a acadêmica Gilda Uzeda elogiou o trabalho e fez elucidativo comentário sobre o tema. E quem quiser saber mais e se aprofundar no assunto leia o ensaio de Alberto “ com olhos de lince” como ele costuma dizer...

E dentro desta travessia, da leitura do texto de Alberto, repito as palavras do já citado escritor Guimarães Rosa : “ Mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas -mas que elas vão sempre mudando. Afinam-se ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.” 

Alberto, que os ensinamentos da vida sejam e continuem afinados com seu viver, que sua escrita seja reveladora de seus próprios pensamentos, pois a travessia continua... continua... 

Professora Doutora Márcia Pessanha – Presidente da Academia Fluminense de Letras

Niterói, 22 de maio de 2026

 

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A TRAVESSIA COMPARTILHADA: UMA RESPOSTA À PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA

 

Escrever é, por excelência, um ato de solidão que só se completa no encontro com o outro. Quando essa resposta vem da sensibilidade e da erudição da Professora Doutora Márcia Pessanha, nossa estimada Presidente da Academia Fluminense de Letras, o ensaio original sobre Euclides da Cunha deixa de ser um ponto final e torna-se, verdadeiramente, uma travessia compartilhada. 

Recebo suas palavras não apenas como um afago generoso ao meu espírito de eterno aprendiz, mas como uma bússola que me guia pelas veredas que decidi trilhar. Ao resgatar Guimarães Rosa para dialogar com o meu olhar sobre Euclides, Márcia Pessanha tocou no cerne do fazer literário: a coragem. É preciso coragem para mergulhar na densidade de Os Sertões, uma obra cuja hibridez entre a ciência e a literatura ainda hoje desafia nossas fronteiras cognitivas e interdisciplinares. 

Agradeço imensamente a leitura atenta e as ponderações da Presidente, bem como o comentário elucidativo da querida acadêmica Gilda Uzeda. Saber que o ensaio despertou esse eco demonstra que Euclides da Cunha permanece como um legado vivo, um espelho incômodo e necessário para a compreensão do Brasil profundo. 

Se o real, como bem lembrou a Presidente através de Rosa, "se mostra pra gente é no meio da travessia", sinto-me revigorado para continuar marchando. O ensaio, com sua carga de subjetividade e argumentação, foi apenas um atalho. A caminhada pela cultura, pelo jornalismo e pela pesquisa ganha um novo fôlego quando validada por quem compreende que a vida e a escrita exige afinação constante. 

Minhas palavras caminham agora mais enriquecidas. Sigamos, portanto, com os "olhos de lince" aguçados e o coração aberto para as mudanças que o mundo nos impõe, sabendo que, na literatura como na vida, o mais bonito é que ainda não fomos terminados. A travessia continua, de fato, e é uma honra trilhá-la ao lado de mentes tão brilhantes.


Alberto Araújo

Jornalista, Escritor

Diretor do Focus Portal Cultural





UNIÃO DE CULTURAS E EMOÇÕES: NÚCLEO DA REDE SEM FRONTEIRAS NO RIO CELEBRA OS LAÇOS ENTRE PORTUGAL, BRASIL E AS MÃES EM TARDE EMOCIONANTE NO RIO

 


INFORMATIVO DO ELOS INTERNACIONAL 

Niterói, 22 de maio de 2026. Na tarde de sexta-feira, as linhas invisíveis da arte, da história e do afeto uniram, mais uma vez, as nações irmãs de Portugal e do Brasil em uma celebração memorável. Realizado no acolhedor e prestigiado espaço da Igreja Presbiteriana de Botafogo, na Zona Sul carioca, o evento promovido pelo Núcleo Regional no Rio da prestigiada Rede Sem Fronteiras consagrou-se como um marco de exaltação à literatura, à música e aos laços afetivos intercontinentais. Sob a condução cuidadosa da Presidente do Núcleo, Angela Guerra, a celebração reuniu acadêmicos, intelectuais e amantes da cultura em uma atmosfera de profundo respeito e sensibilidade. 

É imperativo sublinhar e celebrar, com máxima distinção, a presença magnífica de nossa Presidente e Elista-mor, Matilde Carone Slaibi Conti. Com sua aura de inabalável dedicação e elegância intelectual, Matilde prestigia, enobrece e coroa cada manifestação realizada no universo cultural. Sua presença contínua, entusiasmada e fiel em todos os eventos não se traduz apenas como um ato de liderança oficial, mas ergue-se como um verdadeiro baluarte de inspiração para toda a comunidade acadêmica. Onde pulsa a arte, a poesia e o saber, ali está Matilde Slaibi Conti, chancelando com seu carisma, generosidade e nobreza de espírito as mais belas páginas da nossa história cultural, transformando cada simples encontro em um acontecimento de máxima relevância e dignidade. 

A pátria portuguesa foi calorosamente reverenciada em um momento de raro brilho conduzido pela ilustre acadêmica Idalina Andrade Gonçalves. Com palavras tocantes e absoluto rigor poético, Idalina resgatou a herança lusitana que pulsa na identidade brasileira, despertando no público um sentimento de terna nostalgia e mútua admiração. Na ocasião, o público foi profundamente tocado pela participação do amigo e exímio declamador Valentim Fernandes, que encantou a todos ao dar voz e alma a poemas imortais de Florbela Espanca e Fernando Pessoa.

A tarde ganhou contornos de pura magia com o aguardado Momento Musical, protagonizado pela própria presidente do Núcleo, Angela Guerra. Dotada de uma sensibilidade vocal impressionante e profundo domínio de palco, Angela transportou os presentes diretamente para as ruelas históricas de Lisboa ao interpretar clássicos imortais do cancioneiro português, acompanhada pelo talentoso violonista Antônio Moreira, que abrilhantou os arranjos da tarde. O público foi embalado por execuções viscerais que arrancaram aplausos calorosos e uníssonos. O repertório, escolhido a dedo, evocou a mais profunda alma lusitana através de canções consagradas: 

“De quem eu gosto, nem as paredes confesso”: uma interpretação carregada do clássico mistério e melancolia fadista; 

“Lisboa, velha cidade”: um tributo nostálgico, lírico e comovente à capital portuguesa e seus encantos seculares; 

“Uma Casa Portuguesa”: que celebrou com alegria a hospitalidade, a simplicidade e o aconchego típicos do povo irmão. 

Após a entrega dos devidos certificados aos participantes da primeira parte, as atenções voltaram-se para a homenagem ao Brasil. Coordenado por Vera Gonzales, o momento trouxe as preciosas poesias de Cecília Meireles e Manuel Bandeira. Os versos foram lidos com extrema sensibilidade por Angela Guerra, que assumiu a leitura em um gesto de carinho e profissionalismo, uma vez que a declamadora convidada, Lúcia Regina de Lucena, infelizmente encontrava-se acamada devido a uma forte crise de coluna. 

Para fechar com chave de ouro as exaltações à terra brasileira, Nina Fernandes encantou o recinto interpretando clássicos da nossa música popular, seguida pela entrega dos certificados de agradecimento a ela e ao violonista Antônio Moreira. Essa consagração mútua entre Portugal e Brasil ecoou no salão como um lembrete da atemporalidade da nossa língua partilhada e das tradições que se renovam através das gerações. 

Na sequência, aproveitando a atmosfera de terna sensibilidade que se instalou no recinto, e em justa alusão ao mês de maio, foi prestada uma emocionante homenagem às mães. O tributo uniu o Momento Poesia a mensagens de admiração, celebrando a figura materna como o pilar da vida e o primeiro elo de transmissão dos valores culturais mais nobres. A exaltação foi celebrada através da leitura de poemas por vários dos autores e poetas presentes no salão.

Antes do encerramento oficial, a diretoria aproveitou o momento de união para anunciar a abertura, em breve, das inscrições para uma nova coletânea literária do grupo. 

O encerramento do encontro deu-se com o tradicional Coquetel dos Aniversariantes, um caloroso brinde à vida e à convivência fraterna que tanto caracteriza o espírito da Rede Sem Fronteiras. Entre conversas amigáveis, abraços e o sentimento de absoluto sucesso, os convidados celebraram uma tarde que uniu o rigor acadêmico ao calor dos corações, sob a liderança firme, apaixonada e exemplar de suas grandes mentoras. 

Para encerrar o dia de festa com chave de ouro, uma calorosa confraternização regada a legítimo vinho do Porto, acompanhado de bolo e deliciosos docinhos brasileiros, celebrou a vida e o talento das aniversariantes do mês de maio: Angela Guerra, Fernanda Lessa e Zezé Barcelos, selando de vez a tarde sob o signo da amizade e da união cultural. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 














MARCELO MORAES CAETANO E A PALESTRA “LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: PASSADO E PRESENTE A EXPLICAR A NOSSA (MULTI)CULTURA”


Convite para decifrar o Brasil na Academia Brasileira de Letras 

Imagine cruzar a barreira do tempo, partindo do ano 218 antes de Cristo até desaguar no caótico e fascinante Brasil do século XXI, guiado por uma das mentes mais brilhantes da nossa época. É essa a experiência que está prestes a acontecer no coração cultural do país. 

No próximo dia 28 de maio, quinta-feira, às 17h30min, o Salão da Academia Brasileira de Letras (ABL) transforma-se no ponto de encontro para quem deseja compreender as vísceras da nossa identidade, através da palestra “Língua Portuguesa do Brasil: passado e presente a explicar a nossa (multi)cultura”. 

O evento, que integra a consagrada programação do “Quinta é Cultura” sob a prestigiada coordenação do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, traz ao palco o escritor, filólogo e polímata Marcelo Moraes Caetano. Não se trata de uma mera formalidade acadêmica, mas de um chamado à reflexão sobre como a língua que falamos e escrevemos moldou a nossa formação antropológica multicultural. 

Além de testemunhar uma conferência que promete ser histórica, o público participará do lançamento oficial e da sessão de autógrafos do mais novo rebento literário de Marcelo: o livro “Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente”. Será uma oportunidade singular de obter a assinatura do autor, dialogar com palestrantes e intelectuais presentes e vivenciar a efervescência da inteligência nacional dentro da própria ABL. 

Para compreender o peso desse acontecimento, é preciso descer às fundações do idioma que nos une e, muitas vezes, nos tensiona. A língua falada no Brasil está longe de ser um monumento estático herdado de além-mar; ela é um território de disputas, sincretismos, rasgos e costuras de múltiplos povos. 

Na obra que será lançada, um vigoroso volume de 222 páginas de texto fluído e rigor científico, Marcelo Moraes Caetano realiza uma verdadeira autópsia no tempo. Ele investiga a deriva da língua portuguesa desde o ano de 218 a.C. quando o latim vulgar fincou suas primeiras raízes na Península Ibérica com a expansão romana, caminhando passo a passo até as manifestações contemporâneas do nosso falar. É uma geo-história filológica que desvenda as engrenagens do sincretismo que transformou o português europeu em um idioma antropologicamente multicultural ao tocar o solo americano. 

O prestígio da publicação é referendado pela elite da filologia nacional. O livro traz em si as bênçãos das maiores autoridades vivas da língua: o prefácio é assinado pelo iminente Acadêmico Evanildo Bechara, enquanto o texto de orelha foi confiado ao também Acadêmico e filólogo Ricardo Cavaliere. Ambos os mestres, imortais da Academia Brasileira de Letras, dividem também com Marcelo o assento e a confraria na Academia Brasileira de Filologia, chancelando a envergadura científica e a importância histórica deste lançamento. 

A lente jornalística e filológica de Marcelo Moraes Caetano recusa o academicismo engessado e purista. Para o autor, a palavra escrita ou falada é a própria carne da história e das tensões sociais. Como o próprio escritor destaca: 

"Os pesquisadores de linguagem e língua se deparam com algumas das mais importantes questões que atravessam as sociedades in suas imensas e dinâmicas trilhas. Afinal, história, antropologia e geografia, para citar três ciências humanas, sociais e/ou políticas, são conduzidas intrinsecamente a partir de teias de vozes e de discursos que estão em constante luta de classes, criando a materialidade dialética multicultural."

Sob este prisma, o português do Brasil se revela como uma vibrante costura onde vozes indígenas, africanas e de tantas correntes migratórias guerrearam e se amalgamaram ao tronco latino, erguendo a arquitetura da nossa sociedade. 

MARCELO MORAES CAETANO, UM RENACOCENTISTA NO SÉCULO XXI 

Falar sobre o palestrante e autor da noite exige ir além dos títulos tradicionais. Marcelo Moraes Caetano evoca a presença dos grandes sábios da Renascença, personalidades qual a curiosidade intelectual e capacidade artística recusavam as amarras de uma única especialização, transitando com igual genialidade pelas letras, pelas ciências humanas e pela música universal. 

Doutor em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Marcelo atua como professor associado de Língua Portuguesa e Filologia Românica na mesma universidade, onde também exerce a liderança à frente do tradicional e respeitado Centro Filológico Clóvis Monteiro. Sua inteligência, contudo, há muito tempo ganhou contornos globais.

Como tese de seu pós-doutorado em Cultura Brasileira pela renomada Universidade de Copenhague, na Dinamarca, onde atua orgulhosamente como professor convidado desde o ano de 2018, ele publicou a festejada obra “Platão e Aristóteles na terra do sol” (editada pela Caburé, em Buenos Aires), um instigante ensaio que costura a filosofia grega clássica às luzes e aos paradoxos do cenário brasileiro. 

Sua disciplina criativa impressiona: Marcelo é autor de mais de 60 livros publicados no Brasil e no exterior. Essa vasta produção literária e ensaística foi reconhecida com láureas de peso internacional, concedidas por organizações máximas como a ONU e a UNESCO. No front nacional, o escritor acumula distinções outorgadas pela própria Academia Brasileira de Letras, além dos cobiçados prêmios Paulo Henriques Brito e Claudio de Sousa, complementados pela condecoração europeia Médaille de Vermeil. 

Esse estofo intelectual o transformou em presença central de algumas das agremiações e arcádias mais importantes do país, sendo membro efetivo da Academia Fluminense de Letras, da Academia Brasileira de Filologia e do PEN Clube do Brasil, uma rede global de escritores dedicada à defesa da livre expressão e da literatura como ferramenta de união entre os povos.

Se a prosa de Marcelo possui uma cadência quase melódica, a explicação reside em suas mãos. Ele é um talentoso pianista clássico, tendo conquistado prêmios em exigentes concursos internacionais de piano em capitais de imensa tradição artística, como São Paulo, Córdoba, Paris e Viena. A mesma precisão exigida pelas partituras traduz-se em sua capacidade filológica. 

Para além disso, sua mente opera em uma frequência poliglota rara. Marcelo realiza traduções fluentes de idiomas como o inglês, o francês, o espanhol, o italiano e o alemão, além de dominar com maestria as complexas estruturas filológicas do russo, do mandarim e do sânscrito. É este oceano de referências que o público terá à disposição no dia 28 de maio.

A palestra de Marcelo Moraes Caetano insere-se em um esforço contínuo da ABL de oxigenar o debate público. Sob a batuta de Antonio Carlos Secchin, as tardes de quinta-feira convertem-se em um fanal de resistência cultural e de pensamento crítico na cidade do Rio de Janeiro. 

GUIA PRÁTICO DO ENCONTRO

Palestra “Língua Portuguesa do Brasil: passado e presente a explicar a nossa (multi)cultura” e sessão de autógrafos do livro “Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente” (222 páginas, com prefácio de Evanildo Bechara e orelha de Ricardo Cavaliere).

Palestrante e autor Marcelo Moraes Caetano.

Coordenação do Ciclo: Antonio Carlos Secchin.

Data: 28 de maio de 2026, quinta-feira, pontualmente às 17h30min.

Local: Academia Brasileira de Letras (ABL), Rio de Janeiro.   







BIODIVERSIDADE E LÍNGUA PORTUGUESA: UM PATRIMÔNIO VIVO

22 de maio celebramos o Dia Internacional da Biodiversidade, no entanto, não celebra apenas a riqueza natural do planeta. Ele também nos lembra de que a diversidade cultural e linguística é parte essencial desse patrimônio imaterial. A língua portuguesa, falada por mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes, é um exemplo vivo dessa conexão: une ecossistemas, tradições e culturas que, embora distantes, compartilham um mesmo idioma.

Mais do que um código de comunicação, o português é território de afeto e resistência. Ele se reinventa em cada país da lusofonia, misturando-se a línguas locais e criando novas sonoridades. Essa metamorfose mostra que o idioma não pertence a um centro único, mas a todos que o falam, escrevem e recriam.

A literatura é a bússola dessa travessia. Autores como Cecília Meireles, Guimarães Rosa e Clarice Lispector revelaram que a língua é rio profundo, silêncio revelado e música eterna. Hoje, novas vozes em Angola, Moçambique e Brasil continuam a expandir esse horizonte, transformando o português em ferramenta de identidade e libertação.

No século XXI, o desafio é preservar essa riqueza na era digital. A velocidade das redes sociais e a padronização algorítmica ameaçam a diversidade dos sotaques e o pensamento crítico. É nesse cenário que o jornalismo cultural ganha relevância: registrar não apenas fatos, mas também a evolução estética e linguística de uma sociedade.

Celebrar o português é celebrar a biodiversidade cultural. Cada variante regional guarda saberes ancestrais sobre ecossistemas e modos de vida. Proteger a língua significa, em última análise, proteger formas únicas de interpretar e cuidar do planeta.

O português é, essencialmente, uma língua de travessia. Nasceu do mar, alimentou-se das navegações e continua a navegar nas águas da globalização. Enquanto houver quem escreva uma frase e quem se emocione ao lê-la, o idioma seguirá sendo o horizonte onde todas as nossas asas se encontram.

© Alberto Araújo

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CASA DO PROFESSOR RECEBE A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS EM EVENTO DE CELEBRAÇÃO CULTURAL

 

No cenário cultural de Niterói, poucos encontros são tão potentes quanto aquele que une o rigor das letras à prática transformadora da educação. Foi sob essa tônica que a Casa do Professor, em Pendotiba, tornou-se palco de uma tarde de efervescência intelectual ao receber, no dia 21 de maio de 2026 em encontro no projeto "Chá da Tarde", uma comitiva da Academia Fluminense de Letras (AFL). O evento, mais do que uma agenda social, consolidou-se como um momento de diálogo entre duas instituições que, ao longo das décadas, têm servido como resguardadoras da memória e do desenvolvimento social fluminense. 

A recepção foi conduzida pelo professor Raimundo Nery Stelling Júnior, presidente da UPPES (União dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro-Sindicato). Em um gesto que alia a sofisticação da fidalguia à sobriedade que exige a condução de uma instituição octogenária, Stelling transformou a solenidade em um ambiente de hospitalidade rara. Ao celebrar 80 anos de uma trajetória marcada por lutas sindicais e conquistas pedagógicas, a UPPES demonstrou, sob a batuta de seu presidente, que a gestão educacional também se nutre da sensibilidade artística e do intercâmbio com o pensamento acadêmico. 

A abertura do encontro foi marcada por um gesto de gratidão e reconhecimento. A professora Márcia Pessanha, representando a Academia Fluminense de Letras, procedeu à entrega de uma Moção ao presidente da UPPES. O documento, mais do que uma formalidade, ecoa o respeito da classe acadêmica pela trajetória de vida do professor Stelling, qual a carreira é indissociável da defesa intransigente da educação pública e de qualidade. 

O ambiente, impregnado de história, serviu de palco para que memórias fossem resgatadas. O acadêmico Erthal Rocha, com a precisão de quem conhece a genealogia das instituições, relembrou a contribuição histórica de Alberto Francisco Torres, seu antecessor na Cadeira da AFL, para a edificação da sede oficial da UPPES, um elo de geração e tijolos que une as duas casas. Em um momento de profunda delicadeza, a acadêmica Regina Coeli Silveira e Silva rendeu tributo aos professores na pessoa da colega Eneida Fortuna Barros, símbolo da resiliência e da vocação docente. 

Se as palavras guiaram a primeira parte do encontro, a música foi a encarregada de elevar o espírito. O ápice do evento ocorreu com a apresentação de um grupo de gaita de fole, vinculado a um projeto educacional de inclusão que atende jovens em São Gonçalo. 

O som ancestral das gaitas, reverberando entre as paredes da Casa do Professor, transportou os presentes para as charnecas da Escócia e da Irlanda. Os músicos, trajando os tradicionais kilts com elegância e orgulho, ofereceram uma performance que uniu impacto estético e precisão técnica.

É importante notar que Niterói detém uma tradição notável no ensino desse instrumento, sendo a Brazilian Piper (Associação de Músicos Brasil-Escócia) a maior referência local. Nascida sob a égide do Instituto Vieira Brum e idealizada pelo maestro J. Paulo, a associação elevou a gaita de fole a um patamar de projeção internacional a partir de solo niteroiense, demonstrando que a cultura, quando bem semeada, rompe qualquer fronteira geográfica. 

Ao tomar a palavra para agradecer a Moção e a visita da AFL, o professor Stelling traçou uma ponte entre o passado glorioso da UPPES e a sua atuação contemporânea. Ele detalhou os novos desdobramentos da entidade, que hoje se ramifica em projetos educacionais de vanguarda, reafirmando que o sindicato é, acima de tudo, um organismo vivo e em constante evolução. 

O sucesso da tarde também se deve à cautelosa coordenação da Casa do Professor, capitaneada pela coordenadora Adriana Moreno e sua equipe, que garantiram que cada detalhada da hospitalidade ao acolhimento dos convidados transcorresse com a harmonia que a ocasião exigia. 

A importância do evento foi confirmada por uma lista de convidados que representam a elite cultural de Niterói e do estado. Estiveram presentes, entre outros, Matilde Carone Slaibi Conti, presidente do Elos Internacional, do Cenáculo Fluminense de História e Letras, da Academia Brasileira Rotária de Letras (Estado do Rio) e do Núcleo da Rede Sem Fronteiras de Niterói; Leda Mendes Jorge, presidente da ANE; Antônio Machado, presidente da Sociedade Fluminense de Fotografia; e Jordão Pablo Pão, coordenador da Niterói Livros. 

O encontro encerrou-se sob a promessa de continuidade desta parceria. Quando a educação e as letras se encontram em um clima de confraternização e respeito mútuo, a sociedade fluminense ganha um reforço inestimável: o da memória, da arte e da esperança, elementos fundamentais para o fortalecimento da nossa identidade. 

Este encontro reafirma a UPPES e a AFL não como torres de marfim isoladas, mas como instituições pulsantes, fundamentais para a coesão social e a preservação do legado intelectual que define o povo fluminense.


Créditos das Fotos:  © Christiane Victer 

Editorial

© Alberto Araújo

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21 de maio de 2026.