A verdadeira erudição nunca
é estática; ela pulsa como uma ponte viva entre o passado clássico e os abismos
do presente. Marcelo Moraes Caetano pertence a essa estirpe rara de
intelectuais que transitam pelos nossos dias com a profundidade dos humanistas
renascentistas, desafiando a velocidade efêmera e superficial da modernidade.
Escritor, filólogo e pianista erudito, ele habita o território exato onde o
rigor acadêmico se funde à mais pura sensibilidade artística.
Às vésperas de sua aguardada
preleção no prestigioso ciclo "Quinta é Cultura" da Academia
Brasileira de Letras, sob a sofisticada coordenação do acadêmico Antonio Carlos
Secchin, Marcelo abriu as portas de seu pensamento ao Focus Portal Cultural. O
resultado é um diálogo denso, que foge do comum para tocar as frestas da alma e
do intelecto.
Neste encontro memorável,
descemos às fundações da nossa identidade para desvelar a arquitetura de sua
mais recente e vigorosa obra: “Língua Portuguesa: geo-história filológica do
latim ao presente”. Contudo, os caminhos da conversa nos levaram muito além da
técnica. Percorremos as teias sociais, os clamores históricos e as tensões que
moldam a nossa herança oral; investigamos a secreta e íntima influência da
música erudita na precisão rítmica das palavras; e lançamos o olhar sobre o
porvir do idioma diante do crepúsculo tecnológico da Inteligência Artificial.
Chancelado por baluartes do
nosso pensamento gramatical, como o saudoso mestre Evanildo Bechara e o
acadêmico Ricardo Cavaliere, Marcelo Moraes Caetano não nos oferece apenas
respostas cartesianas. Ele nos entrega uma partitura do tempo e um espelho da
nossa própria travessia cultural.
Acompanhe, a seguir, as
dezesseis questões que compõem esta cartografia da linguagem uma imersão
profunda na arqueologia do verbo e na trajetória de um dos mais fascinantes
pensadores contemporâneos.
ENTREVISTA
1. Pergunta: Professor
Marcelo, sua obra realiza uma verdadeira "autópsia no tempo" ao
recuar até 218 a.C., momento da expansão romana na Península Ibérica. Como as
pressões sociais e o "latim vulgar" daquela época ainda ecoam na
sintaxe e na organicidade do português que o brasileiro comum fala hoje nas
ruas?
Resposta: Em vários
aspectos. Por exemplo, o latim vulgar foi perdendo as declinações do latim
clássico (sintetismo) e substituindo-as por formas preposicionadas
(analitismo). O português hoje precisa de preposições para marcar certas
funções sintáticas, como o objeto indireto. Isso é herança do latim vulgar.
Também no léxico temos várias palavras que o latim clássico reprovava, por
exemplo no Appendix Probi, que mostrava as formas “erradas”, as quais são
exatamente as que usamos. Por exemplo, usamos “gato”, quando Marco Valério
Probo, o autor do Apêndice, mandava que usássemos “felix”. Outras formas que
ele reprovava no latim vulgar, mas que ficaram na nossa deriva são “autor”, “murta”, “casa”, “cavalo”,
“fogo”.
2. Pergunta: O subtítulo do
seu livro utiliza o termo "geo-história filológica". De que maneira a
geografia física e as fronteiras geopolíticas atuaram não apenas como limites,
mas como agentes modeladores das mutações da língua desde a Europa até a sua
fixação na América?
Resposta: Sigo a premissa do
nosso grande geógrafo Milton Santos, para quem, aqui parafraseado, a cultura é
sinônimo da territorialidade. O estudo do espaço físico é fundamental para se
compreenderem movimentações culturais. Não é fortuito o interesse, a partir do
século XIX, de Humboldt e Ritter, na Alemanha, ou de La Blache, na França, em
moldar uma disciplina que descrevesse a Terra, literalmente a Geo-Grafia. A
filologia, nascida, a propósito, muito próxima a essa necessidade de dominar o
conhecimento sobre a territorialidade, teve, desde seu nascimento, preocupação
também com as línguas ou dialetos falados no espectro dos espaços geográficos.
“A Grammatik der romanischen Sprachen”, “Gramática das línguas românicas”, de
Meyer-Lübke, publicada em 1890, é um marco fundamental da filologia, e, em seu
primeiro volume, falava de pronúncias ou sotaques, pois se debruçou sobre a
fonética, nos moldes filológicos, que viriam a ganhar outros contornos no
início dos anos 1920, com Mathesius, Trubetzkoy e Jakobson. Também Hugo
Schuchardt escreveu sua obra pioneira atentando à fonética do latim vulgar.
Tratava-se, no caso da filologia, da dialetologia, que foi precursora, como
explicito em meu livro, das sociolinguísticas, como a conceberiam Hymes, Labov,
Herzog, Weinreich. A língua que chegou à América já não era o latim vulgar nem
o romanço galego-português, mas a língua portuguesa, obviamente numa fase
arcaica, por exemplo, se seguirmos as balizas de Serafim da Silva Neto e
Bechara. Aqui, do ponto de vista geopolítico, essa língua chegou à condição de
colonizadora, porta-voz da metrópole, como superestrato, e encontrou falantes
nativos em nosso território que viria a ser o Brasil, como substratos. Desse
contato, nasceram os adstratos, que se somaram às demais influências também
encontradas, posteriormente, no território brasileiro, como os negros, que
vieram em condição de escravizados, mas trouxeram consigo a riqueza e a
pluralidade das suas culturas linguísticas. Na Península Ibérica, os africanos
também já haviam exercido influências no português ibérico, por exemplo, com os
moçárabes de Magrebe a partir do século VIII, que conquistaram parte de
Portugal e deixaram suas influências, que também foram trasladadas para a
América. Muito do “pretuguês” de que nos fala Lélia Gonzales veio não apenas
dos negros que chegaram ao Brasil, mas também de africanos que já estavam em
território ibérico há séculos. Todo esse caldeamento sociocultural influenciou
a língua portuguesa do Brasil, ao mesmo tempo em que foi influenciado por ela.
As línguas moldam culturas. Bakhtin aponta que se trata do mais sensível
indicador das mudanças sociais. Eu digo que a língua é a ponta de lança da
cultura.
3. Pergunta: Ao analisar a
deriva do português, como o senhor enxerga o eterno dilema entre a manutenção
de uma unidade linguística mútua entre os países lusófonos e a inevitável
fragmentação gerada pelos regionalismos e sotaques?
Resposta: A realidade empírica e material das línguas é a mudança contínua, não a estaticidade. Saussure já nos ensinava que “o rio da língua flui sem interrupção: que seu curso seja lento ou de torrente, é de importância secundária”. No entanto, dentro dessa diversidade, há uma unidade subjacente, que é positivada em compêndios formais do idioma, como o dicionário e a gramática normativa, a que Auroux chamava de “instrumentos de gramatização”, Faraco de “instrumentos normativos” e Orlandi de “instrumentos linguísticos”. Esses compêndios registram a norma culta e a norma-padrão da língua, prescrevem usos adequados para situações em que a formalidade e o registro tenso são exigidos, tanto na língua falada quanto na língua escrita, como, por exemplo, em gêneros, discursos e textos acadêmicos, diplomáticos, jurídicos, críticos, filosóficos, científicos, ensaísticos etc. A discursividade está sujeita aos fatores condicionadores que levam às variações e, dessas, em alguns casos (não em todos), à mudança. Existem infinitas variantes dentro do que convencionamos chamar no singular de língua portuguesa. A gramática normativa é uma das variantes dessa língua, e é heterônoma, monitorada, obedece a fins de políticas de língua. Já a pluralidade sociodiscursiva está à mercê dos usos e fazeres constitutivos das formações culturais em seus nascedouros, sendo esses usos e fazeres, por isso, autônomos, livres de coerções da norma-padrão, e obedecem às necessidades, desejos, anseios e esperanças dos povos e comunidades que os falam e escrevem. Ou seja, sempre haverá unidade na diversidade e diversidade na unidade, em sociedades multiculturais e complexas como as nossas, clivadas por estruturas de poder, atravessadas por várias revoluções industriais, por imperativos do neoliberalismo, por reações do proletariado e do Estado Social Democrático de Direito, pelas transformações do capitalismo ao longo dos séculos, pela passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo, pela pulverização dos poderes em grupos e assim por diante. Só se pode entender esse enigma da unidade e da diversidade em convívio na língua a partir das dialéticas, que não buscam reconciliar fatos equipolentes, mas extrair-lhes uma síntese, sempre provisória, pois as variações e mudanças continuam ininterruptamente, criando novas dialéticas necessárias com novas sínteses sucessivamente.
4. Pergunta: O senhor afirma
que a história, a antropologia e a geografia são conduzidas por discursos em
constante "luta de classes". Como o português do Brasil reflete textualmente
as vitórias, derrotas e resistências das classes subalternizadas ao longo dos
séculos?
Resposta: Eu observo os
fenômenos de língua e linguagem com a metodologia e teoria das dialéticas,
especialmente as de Hegel e de Marx. Sem me aprofundar nas duas dialéticas, que
se intercruzam (até porque Marx admite verbalmente ter sido motivado pela
dialética hegeliana), Hegel e Marx viam no contraste constante de opostos
conflitivos (uma tese e uma antítese) o fenômeno da ascensão de um liame entre
estes (uma síntese), e concordavam em que esse processo de conflitos gerando
“resoluções” temporárias é o motor da história humana. Apesar dessa
concordância, em Hegel a ideia é a de que essa dialética leva à evolução da
humanidade para um “Espírito do Mundo” (por isso sua obra se chama
“Fenomenologia do espírito”), dotado de uma razão universal: trata-se do famoso
idealismo hegeliano. Marx não acompanha esse idealismo, embora, como eu disse,
admita que sua visão de dialética não existiria se não fosse Hegel. A dialética
produz conhecimento a partir da correlação de elementos opostos, sem preconizar
a eliminação do conflito. Como lembra Hannah Arendt, a dialética não destrói a
doxa (o acúmulo de obras de reconhecido valor para o pensamento e o
conhecimento), mas, pelo contrário, revela a doxa em sua complexidade e
pluralidade. Então, as classes oprimidas, como diria Paulo Freire, ou
subalternizadas, como você pontua, sempre estarão em contradição com as
oligarquias detentoras do poder sociopolítico e socioeconômico. Interessante
observar que, ao menos na realidade empírica material e histórica do Brasil,
quem detém o poder sociocultural são justamente as classes oprimidas. Vejam-se
as grandes manifestações culturais do Brasil e onde elas se situam: o carnaval,
a música brasileira em geral, o nosso cinema, o nosso teatro, a literatura,
quase sempre retratando as agruras do homem e da mulher do povo (ainda quando
aparecem como burgueses ou pequeno-burgueses no romance de certas épocas e
autores). Então, há sempre derrotas e vitórias, como teses e antíteses, que
encontram sínteses provisórias e empurram as sociedades para outros níveis,
mesmo que, eventualmente, cíclicos.
5. Pergunta: No texto,
menciona-se que vozes indígenas, africanas e migrantes "guerrearam e se
amalgamaram ao tronco latino". Como a filologia pode ajudar a resgatar
essas vozes que muitas vezes foram gramaticalmente silenciadas ou
marginalizadas pela norma culta tradicional?
Resposta: A filologia sempre
se preocupou com os falantes nativos dos territórios posteriormente ocupados
por falantes colonizadores. O próprio indo-europeísmo é um campo de estudos que
busca resgatar as línguas faladas na Europa antes do advento de idiomas da
chamada Antiguidade Clássica e, portanto, centralizadores, como o grego e o
latim. A germanística, por exemplo, busca os troncos linguísticos que não
recebem influências tão fortes das línguas soberanas como o grego e,
principalmente, o latim. As três grandes famílias linguísticas europeias
(“germes”, como diz Darcy Ribeiro) são a românica, a anglo-saxônica e a eslava.
É claro que há muitas outras, mas essas são as que contemplam a maioria das
línguas do continente europeu. Todas as línguas oriundas dessas famílias foram,
em algum momento histórico, produtos de vozes silenciadas. Mas as línguas não
se curvam a nenhum tipo de dogmatismo heterônomo. Elas escapolem das amarras
que alguns lhes querem impor, e seguem suas derivas. No Brasil, muitos de
nossos filólogos se preocuparam com as vozes que não estão na gramática
normativa. Essa é uma tradição forte na filologia nacional. Nomes como Said
Ali, Amadeu Amaral, Clóvis Monteiro, Mario Marroquim, Antenor Nascentes e
muitos outros foram buscar a fala dos excluídos dos muros acadêmicos,
marginalizados, periféricos, levando-os ao centro desses estudos e tornando-os
hegemônicos.
6. Pergunta: Sua postura
intelectual recusa abertamente o "academicismo engessado e purista".
Onde reside o limite ético e científico do filólogo entre preservar a memória e
a estrutura histórica da língua e aceitar a soberania da fala popular
contemporânea?
Resposta: Nós, acadêmicos, precisamos nos lembrar sempre de que fazemos parte de uma elite privilegiada no Brasil. Darcy Ribeiro fazia questão de recordar sempre isso. Quando falo contra o academicismo purista, quero dizer exatamente isso. O acadêmico, sobretudo o de ciências humanas, não pode se perder em castelos e torres de marfim enquanto a realidade fática do povo “é o beco”, rememorando nosso Manuel Bandeira. O filólogo deve ser, antes de um técnico, um humanista. A sua ética deve ter como farol exatamente esse parâmetro. Se sua pesquisa, baseada em textos e documentos, esbarra com evidências que desabonam parte do que até ali ele supunha uma conclusão filológica ou linguística, ele precisa ter a modéstia acadêmica, fundamental às ciências em geral, e reformular suas hipóteses. No direito, fala-se no princípio da primazia da realidade. Ele significa que, se a realidade foi contra a sua tese, refaça o seu caminho. O filólogo tem de fato o dever de guardar a memória escrita de um povo. Por isso a filologia e a gramaticologia são irmãs gêmeas. Eu só me considero gramático não porque publiquei três gramáticas, com edições desde 2007, mas porque sou antes disso um filólogo. Gramáticos e filólogos têm como objeto de estudo o texto escrito. Devemos, nesse ofício, preservar, sim, a memória, a língua padrão, a norma culta. Mas, voltando ao que eu disse no início, não podemos abstrair a realidade concreta do cotidiano sociodiscursivo, onde a língua falada corre nas bocas de todas as pessoas que compõem o imenso caleidoscópio brasileiro.
7.Pergunta: Como pianista
clássico premiado internacionalmente, o senhor lida com a matemática e a
sensibilidade das partituras de Viena ou Paris. De que forma a estrutura do pensamento
musical influencia o ritmo da sua prosa literária e o rigor da sua pesquisa
filológica?
Resposta: A música, como
você lembra, possui uma estrutura matemática implacável. O piano é um
instrumento em que cada mão possui vozes, ritmos, melodias e harmonias
distintos, o que o torna especialmente difícil. Eu estudo piano desde os 5
anos, e sempre em nível elevado. Às vésperas de concursos internacionais, entre
os 13 e os 17 anos, eu chegava a estudar dezesseis horas por dia. E, para além
desse domínio técnico, a música exige domínio emocional, expressivo,
interpretativo, exige maturidade, calma, respiração, inspiração. Sem nenhuma
dúvida eu sou influenciado pela música em geral, e pelo piano em particular, em
absolutamente todas as tarefas a quem me dedico. Eu, diante do espelho,
sozinho, na meditação das horas, sei que eu sou, no centro de tudo, um músico,
um pianista. Tudo o que faço, penso, reflito orbita essa essência musical que
me determina. E, numa confissão, considero-me privilegiadíssimo e muito
bem-aventurado por ter nascido com a vocação que eu tenho para a música, porque
ela é a forma mais perfeita de comunicação que as criaturas podem ter com a
criação. Na música os mistérios se dissolvem, os véus dos enigmas se desfazem,
todas as filosofias se respondem. A propósito, lembrei que Machado de Assis, em
“Esaú e Jacó”, põe a personagem Flora tocando piano no momento em que se
anuncia a proclamação da república, e diz que, ao que me lembro, a música
apresenta a “vantagem de não ser presente, passado ou futuro”. Essa possível
ironia machadiana pode perfeitamente ser lida como um exame verdadeiro da boa e
grande qualidade da música, que é atravessar o campo efêmero e temporal das
trações e contrações da comunicação verbal com uma visão simultaneamente mais
distante e mais íntima, permitindo enxergar o que as entrelinhas do texto
sozinhas não permitem.
8. Pergunta: Em sua tese de
pós-doutorado na Dinamarca, o senhor publicou “Platão e Aristóteles na terra do
sol”. Como o rigor racionalista da filosofia grega clássica sobrevive ou se
ressignifica quando confrontado com o sincretismo, o calor e os paradoxos da
cultura brasileira?
Resposta: Uso Platão e
Aristóteles como metonímias respectivamente do intelectual que se coloca à
distância da realidade (Platão) e aquele que vai ao encontro dessa realidade
como ela é (Aristóteles). É uma crítica ao academicismo, num modelo um pouco
nietzschiano, exatamente retornando àquele ponto em que mostro que o
academicismo tem uma tendência de se insular, alheando-se à realidade das
classes trabalhadoras, operárias, proletárias, mesmo quando se trata de
pesquisadores de ciências humanas. É preciso ser humanista, repito. E o
platonismo é a vertente que retira parcela do humanismo dos estudiosos de
humanidade. Lembremos que a Academia foi a instituição fundada por Platão. Ela
segue, ainda, em muitos casos, seu fundador, distanciando-se do plano das
“coisas”, pois são consideradas degenerações das “ideias”, e distanciando-se
ainda mais do plano da representação das coisas, que são o que Platão chamou de
“simulacro”. Whitehead diz que toda a filosofia ocidental não passa de notas de
rodapé de Platão. É sobre isso que falo neste livro. Numa realidade
policromática como a brasileira, ser platônico equivale a sonegar totalmente a
realidade dos fatos da vida como ela é. Veja bem, não é uma crítica à filosofia
de Platão em si, muito menos à Academia em si, cujas funções são cada vez mais
indispensáveis como contraponto à loucura da vida estilhaçada da
pós-modernidade. E também é preciso lembrar que o par Sócrates-Platão fundou,
por muitos ângulos, a dialética de que Hegel e Marx se valeram, que
intelectuais importantes usam como método e teoria. O que critico sobre Platão
é a aplicação que se lhe deu a partir de leituras exatamente puristas e
engessadas, como eu critico, por parte de alguns acadêmicos, que preferem
manter-se confortável e assepticamente distantes dos ruídos, manchas e
fragmentos que compõem, como um mosaico, a realidade concreta. Aristóteles se
dissociou de seu Mestre Platão, a quem seguiu por décadas, principalmente por
discordar dele justamente nesse ponto. Para Aristóteles, por exemplo, a
representação da realidade, que Platão refutava como simulacro, está descrita
na Arte Poética. Ao estender o Logos platônico ao Ethos e ao Pathos, totalmente
ligados à materialidade das pessoas em coletividades ou subjetividades,
Aristóteles se consagrou como um dos pais das ciências, interessando-se por
aquilo que Platão repudiava. Essa dialética existe na cultura brasileira desde as
suas fundações, antes mesmo de os portugueses chegarem. Somos sincréticos,
platônicos e aristotélicos, sagrados e profanos, urbanos e rurais, eruditos e
populares, chiques e cafonas, cosmopolitas e regionais.
9. Pergunta: O senhor
transita do alemão e francês até as filologias do russo, mandarim e sânscrito.
Dominar estruturas de pensamento tão radicalmente distintas altera a sua
percepção sobre as potências e as limitações específicas da língua portuguesa?
Resposta: Sim, muito. Cada
língua possui categorias próprias, como diriam Aristóteles, Sapir,
Wittgenstein, Coseriu, Mattoso Câmara Jr. Em linhas muito simples, posso dizer
que uma categoria linguística é algum conteúdo cuja expressão (para usar o
binômio de Hjelmslev) é necessária e possível. O dúplice critério de
necessidade e possibilidade perfaz uma categoria. Às vezes, o conteúdo do
sistema de uma língua (ou seu paradigma, para recorrer agora a Saussure)
necessita expressar algo, mas não encontra meios ou possibilidades. Às vezes,
ao contrário, é possível expressar algo, mas algo que não se mostra necessário
naquela língua. Assim, ao conhecer outras línguas, de famílias e procedências
tão díspares, eu consigo entender que as categorias de uma língua não
necessariamente possuem correlatos com outras línguas. Em inglês, por exemplo,
o gênero só precisa ser mostrado por um único artigo (“the”), já em português
possuímos um artigo masculino e um feminino. Em alemão, além de haver também um
artigo neutro (”das”), os gêneros das palavras não coincidem, quase nunca, com
os das palavras em português. Este é, sem dúvida, um dos problemas dos
tradutores: levar ao plano da expressão de uma língua, categorias que, nos
planos do conteúdo e expressão de outra língua, não encontram correspondências
com a língua vertida ou traduzida. Em resumo, conhecer línguas e filologias
distintas permite, sim, observar a língua portuguesa com seus limites e
potências, Érgon e Enérgon, como diria Humboldt.
10. Pergunta: Escrever mais
de 60 obras e receber o reconhecimento da ONU, UNESCO e ABL exige uma
disciplina criativa quase ascética. Qual é o seu método de organização mental
para fazer dialogar o Marcelo cientista da linguagem com o Marcelo artista da
ficção e da música?
Resposta: É preciso ter
muito foco para se fazerem muitas coisas com algum nível de qualidade. Eu
talvez tenha tido uma educação formal muito rígida, porque estudei no Brasil e
na Bélgica em escolas muito rigorosas. No meu caso, considero excelente essa
formação, porque me obrigou, desde muito cedo, a saber, gerenciar meu tempo.
Além disso, minha dedicação ao piano desde muito criança exigiu toda a minha
disciplina. Eu, além disso, estudava idiomas, como alemão, inglês, francês,
espanhol. Meus pais sempre foram primorosos em me oferecer toda essa sorte de conteúdos.
Talvez meu único mérito tenha sido saber aproveitar. Na época de faculdade, eu
comecei letras e, depois, comecei direito. E psicanálise. E à medida que eu ia
entrando nessas atividades, eu não ia deixando nada para trás. Nunca deixei o
piano, sempre me mantive ativo em recitais e assim por diante. Eu atribuo a
esses fatores a minha organização para lidar com tantas esferas tão exigentes
sem precisar deixar de viver uma vida feliz, prazerosa, leve.
11. Pergunta: Seu livro
conta com o prefácio do professora Evanildo Bechara e orelha do professor
Ricardo Cavaliere, seus confrades na Academia Brasileira de Filologia. Como foi
o processo de debate intelectual com esses dois gigantes da nossa língua durante
a gestação desta obra?
Resposta: Eu fui aluno do
professor Cavaliere no doutorado da UERJ e do professor Bechara no mestrado
também na UERJ (na época, como ouvinte), e de filologia portuguesa na mesma
UERJ. Bechara foi minha inspiração para escrever as gramáticas que publiquei.
Li as obras dele várias vezes, do início ao fim, como se fosse um romance. As
obras de Cavaliere são também importantíssimas. Tive o privilégio de dividir
capítulos em livros com ambos, mais de uma vez. Também tivemos sempre uma ótima
convivência na Academia Brasileira de Filologia e nos eventos acadêmicos.
Recentemente, Cavaliere e eu demos palestras em parceria na UERJ e UFF sobre
obra de Said Ali organizada por Thaís de Araujo Costa, da UERJ. Especificamente
quanto a este livro, assim que eu o terminei, a primeira pessoa que procurei
foi o Bechara, para saber sua opinião. Ele recebeu o manuscrito e em apenas uma
semana me respondeu com sua generosidade de sempre endossando a obra e
elogiando-a muito pelo meu método pancrônico de abordar o tema e por eu ter
escolhido a morfologia, sobretudo a verbal, para descrever a geo-história da
língua. O prefácio, ele escreveu espontaneamente. Bechara foi, como ele mesmo
diz no prefácio, o primeiro leitor do livro. O Cavaliere viu a obra depois de
pronta e também lhe endereçou elogios, que ele registrou na orelha do livro,
compondo a sua fortuna-crítica.
12. Pergunta: Em uma era de
comunicação hiperveloz, fragmentada e dominada por algoritmos, qual deve ser o
papel de instituições como a Academia Brasileira de Letras e a Academia
Brasileira de Filologia para garantir que a profundidade do pensamento crítico
não se perca?
Resposta: As Academias são
verdadeiros templos de humanismo em tempos em que a humanidade vem sendo cada
vez mais precificada por imensos conglomerados econômicos cuja comunicação se
dá exatamente do modo hiperveloz que você menciona. Assim como a língua é a
síntese da diversidade na unidade e da unidade na diversidade, a Academia
desempenha o papel de servir como contraponto dialético á lógica neoliberal de
consumo que tomou conta de nossa sociedade, sequestrando esse mesmo pensamento
dialético, reflexivo, crítico, humanista, empático, que não pode se dar na
hipervelocidade, mas, ao contrário, necessita de tempo de amadurecimento e
germinação. As Academias, seguindo o lado excelente de que Platão, seu
fundador, dispunha, como um dos fundadores da dialética como forma de produzir
conhecimento vigoroso e perene, é a grande assembleia dos diálogos, da
dialética, do debate qualificado, do respeito à tradição, no sentido de lastro
ancestral para quaisquer culturas, erudita ou popular. A Academia é a chama
acesa de Voltaire, D´Alembert, Diderot, Montesquieu, Rousseau, Da Vinci,
Mirandola.
13. Pergunta: O título da
sua palestra fala em passado e presente para explicar a nossa
"(multi)cultura". O sincretismo brasileiro é uma obra inacabada ou o
senhor acredita que já temos uma identidade linguística e antropológica madura
e consolidada?
Resposta: A cultura sempre
será uma obra inacabada, porque parte de dialéticas entre teses e antíteses que
geram sínteses sempre transitórias. Por isso as culturas se movimentam e por
isso são multifacetadas. O sincretismo brasileiro, que eu abordo neste livro
com o conceito que cunhei de “sincretismo filológico”, é consequência daquele
caudal de influências, subjetividades, poderes, políticas, relações discursivas
que nos formam e que nós próprios, como coletividade, ajudamos a formar. A
nossa identidade está justamente nesse processo, nesse caminhar constante, que
são causa da nossa imensa maturidade antropológica enquanto nação, povo,
coletividade.
14. Pergunta: O ciclo
"Quinta é Cultura" fará uma transição da sua palestra filológica para
uma análise de “Morte e Vida Severina” no Pará. Como a secura e a precisão da
linguagem de João Cabral de Melo Neto conversam com a sua tese de que a
geografia e a antropologia moldam o dizer brasileiro?
Resposta: João Cabral é um
dos meus poetas favoritos, justamente porque soube traduzir em palavras as
vicissitudes de seu território natal, sem enfeites. Volto a Milton Santos,
nosso genial intelectual, para quem cultura e territorialidade são sinônimos.
Na Comunidade Europeia, há 24 línguas oficiais, sem contar as variantes,
dialetos etc. O alemão oficial da Áustria, da Suíça, da Alemanha e da Bélgica é
diferente um do outro. Como o Brasil, com a dimensão que o caracteriza, seria
uniforme em suas expressões da mesma língua portuguesa? Seria um contrassenso.
A filologia tem como fato consensual, sem grandes controvérsias, que a
antropologia e a geografia participam ativamente dos processos de variações e
mudanças nas línguas.
15 - Pergunta: Ao final da
leitura de “Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente”,
qual é a principal provocação ou inquietação que o senhor espera ter plantado
na mente dos estudantes e pesquisadores que forem lhe ouvir na ABL?
Resposta: Creio que é
preciso compreender que a filologia e a gramática não são “inimigas” do falar
popular e de suas manifestações espontâneas. São apenas dois lados da mesma
moeda chamada língua. Os estudos de discursividade e os estudos
gramaticológicos e filológicos oferecem ao estudioso de língua e linguagem
mananciais riquíssimos de material teórico, empírico, metodológico e prático. A
filologia e as atividades sociodiscursivas sincrônicas andam de mãos dadas,
porque tratam como objeto ulterior do mesmo fenômeno: a língua. Disputas entre
defensores puristas de língua oral, de um lado, ou de língua escrita, de outro,
parecem alheios à realidade material concreta das línguas. A união dessas duas
perspectivas básicas é o objetivo deste meu livro, para mostrar que
geo-história se casa perfeitamente com prismas sincrônicos e diacrônicos,
formais e funcionais.
16- Pergunta: Sua trajetória evoca o humanismo clássico: são mais de 60 livros, prêmios internacionais de piano, o domínio de línguas ancestrais como o sânscrito. Olhando para trás, onde nasceram as raízes dessa curiosidade universal? Foi a música que te levou à filologia, ou foi o encanto pelas palavras que te abriu as portas dos palcos do mundo?
Resposta: Como eu disse, se
há uma única qualificação que me atribuo é a de músico, ou melhor ainda,
pianista. Foi a música que sempre me guiou para buscar além do tangível. Tenho
também um trajeto no direito e na psicanálise, também eternos works in
progress, campos com que eu sempre busco dialogar em minhas pesquisas sobre
língua, linguagem, literatura. Além disso, sou romancista e poeta, com prêmios
bastante importantes, se me permite pôr a modéstia à parte, como o prêmio de
poesia Paulo Henriques Brito, da PUC-Rio, Globo Universidade, Editora Record, o
prêmio de poesia do Patrimônio Fluminense, da Fundação Biblioteca Nacional,
Fundação Osvaldo Cruz, Jardim Botânico do Rio, Museu Imperial de Petrópolis, o
prêmio de poesia da Fundação Guttemberg, SESI, FIRJAN, da Bienal Internacional
de Literatura do Rio de Janeiro, o de melhor obra acadêmica, com uma das
edições da minha gramática, no prêmio Claudio de Sousa, acadêmico da Academia
Brasileira de Letras e fundador do PEN Clube do Brasil, do qual sou membro,
recebi por dois anos consecutivos o prêmio de melhor ensaio promovido pela
Academia Brasileira de Letras, ONU e UNESCO, recebi a Médaille de Vermeil do
governo francês, por minha atuação como escritor e pianista.
No piano, fui vencedor de concursos internacionais em São Paulo, Córdoba, Paris e Viena. Digo isso para mencionar que eu sempre mergulhei com imensa profundidade em todas as atividades em que laboro. E, voltando à pergunta, sim, foi a música que abriu para mim um horizonte infinito de possibilidades que eu, com a curiosidade que você menciona, decidi velejar para sempre. Estudar e escrever são as duas atividades que mais me completam, porque aprender é a maior entre as graças universais. Como dizia Paulo Freire, até o último dia de nossas vidas, continuamos nos alfabetizando.
O ECO DO VERBO E A PERENIDADE DO SABER
Ao término desta jornada intelectual, o sentimento que prevalece não é o de um ponto final, mas o de uma abertura para o infinito. Ler Marcelo Moraes Caetano é compreender que a erudição, quando genuína, deságua em generosidade. Suas respostas não se encerram na rigidez dos conceitos; antes, expandem-se como ondas sonoras, onde a exatidão do filólogo se submete à sensibilidade do pianista e à escuta atenta do psicanalista. Diante de nós, o que se revelou não foi apenas o retrato de um polímata contemporâneo, mas a certeza de que o humanismo permanece vivo, pulsante e necessário como um farol contra a dispersão dos nossos dias.
Neste crepúsculo tecnológico, onde a pressa muitas vezes ameaça a profundidade do pensamento e a Inteligência Artificial tensiona as fronteiras da linguagem, a trajetória de Marcelo nos recorda as nossas raízes mais profundas. Sua obra e sua vida testemunham que a palavra humana carrega uma arqueologia sagrada, moldada por dores, lutas, ritmos e afetos que máquina alguma é capaz de replicar. O idioma, sob a sua ótica filológica, é um organismo vivo que respira a nossa própria história.
Terminamos este encontro com o olhar voltado para o horizonte que ele insiste em desbravar. Marcelo Moraes Caetano continua a içar suas velas, movido por aquela curiosidade universal que transforma o ato de aprender na maior das graças. Ele nos deixa uma partitura de esperança e rigor: a de que o intelecto e a arte, quando unidos em profundidade vertical, são as ferramentas mais nobres que possuímos para compreender quem fomos, decifrar quem somos e desenhar, com precisão e poesia, o amanhã. Fica o convite ao leitor para que revisite estas linhas não como respostas definitivas, mas como um mapa para as suas próprias travessias culturais.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
BIOGRAFIA DE MARCELO MORAES CAETANO
Navegar pela imensidão do
saber humano não é um acúmulo de títulos, mas um estado de espírito. Para
Marcelo Moraes Caetano, o estudo e a escrita não se dividem em gavetas
acadêmicas; são as duas atividades vitais que se completam na busca pela maior
entre as graças universais: o ato de aprender. Psicanalista, filólogo, escritor
e pianista clássico, ele escolheu velejar para sempre em um oceano onde a
ciência da linguagem, as profundezas da mente e o rigor da harmonia musical são
correntes que se alimentam mutuamente. Afastando-se da pressa e da fragmentação
contemporâneas, sua trajetória se define pelo mergulho vertical. Nela, decifrar
o verbo, escutar o inconsciente e dedilhar o marfim não são ofícios distintos,
mas a tradução de uma mesma e inesgotável curiosidade universal.
No cerne de sua produção
acadêmica habita uma devoção inabalável à memória e à evolução das línguas.
Como Professor Associado de Língua Portuguesa e Filologia Românica da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Centro
Filológico Clovis Monteiro (CEFIL-UERJ), Marcelo atua na vanguarda da
preservação e do estudo científico do idioma. Sua trajetória na docência também
registrou sua passagem como professor adjunto do Instituto de Aplicação
Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-UERJ), espaço vocacionado à excelência
pedagógica de onde posteriormente pediu exoneração para se dedicar inteiramente
aos novos horizontes de sua pesquisa.
Sua autoridade no campo da
linguística e da filologia é referendada por sua presença em algumas das mais
prestigiosas instituições do país e do exterior. Ele ocupa a Cadeira 38 como
membro efetivo da Academia Brasileira de Filologia, além de integrar o PEN
Clube do Brasil (Rio-Londres) e a tradicional Academia Fluminense de Letras,
onde é o titular da Cadeira 18. O reconhecimento de seu papel como guardião da
herança humanística atravessou fronteiras, conferindo-lhe assento na Académie
des Arts, Sciences et Lettres de Paris e na Academia de Letras y Artes de
Chile.
A produção escrita de
Marcelo no campo da linguística e do direito é vasta e pedagógica, buscando
desmistificar o idioma sem subtrair sua erudição. Em sua bibliografia técnica,
destacam-se os volumes de Morfologia da Língua Portuguesa, o celebrado tratado
Uma gramática normativa - sem preconceito e sem trauma, e suas incursões na
intersecção entre o discurso e a lei, expressas nas obras Princípios de
argumentação jurídica: A Lógica e a Retórica e Argumentação jurídica: indo além
das palavras (esta em coautoria com Alexandre Chini). Por esses e outros
estudos, recebeu o Prêmio Claudio de Sousa, outorgado por acadêmicos da Academia
Brasileira de Letras, na categoria de melhor obra acadêmica por uma das edições
de sua gramática.
Se a palavra escrita confere
contorno ao pensamento de Marcelo Moraes Caetano, foi a música clássica que
abriu para sua vida um horizonte infinito de possibilidades. É no piano que o
rigor matemático da métrica encontra o lirismo mais puro. Vencedor de concursos
internacionais de piano desde os 14 anos de idade, sua técnica e sensibilidade
interpretativa o levaram a palcos das Américas e da Europa.
Seu nome inscreveu-se na
história da música instrumental ao vencer o renomado Concurso Internacional
Solistas Instrumentistas Ciudad de Cordoba em 1989, e ao conquistar o exigente
2º lugar no Concurso para Solistas da Orquestra Sinfônica de Viena, na Áustria,
em 2010, além de premiações em certames de São Paulo e Paris. A música,
portanto, não surge em sua biografia como um adorno estético, mas como a chave
mestra que afinou seu ouvido para a precisão rítmica das palavras e para as
sutilezas do silêncio.
Autor prolífico com mais de
60 livros publicados no Brasil e no exterior, Marcelo Moraes Caetano transita
livremente entre a prosa ficcional de fôlego e a poesia de alta voltagem
lírica. No romance Os arcanjos, o autor demonstra seu domínio da tessitura
narrativa; já na coletânea Silêncio, ele depura a linguagem até encontrar a
essência poética do intangível. Essa faceta literária foi amplamente coroada
por importantes láureas nacionais, incluindo o Prêmio de Poesia Paulo Henriques
Brito da PUC-Rio, o Prêmio Globo Universidade, distinções da Editora Record, o
Prêmio de Poesia do Patrimônio Fluminense, e reconhecimentos concedidos pela
Fundação Biblioteca Nacional, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, SESI, FIRJAN e
pela Bienal Internacional de Literatura do Rio de Janeiro.
Paralelamente, a busca de
Marcelo pela compreensão do humano o conduziu à clínica e à teoria
psicanalítica. Como psicanalista, dedica-se a decifrar o sofrimento e as
complexidades da vida contemporânea. Essa intersecção entre mente, sociedade e
comportamento gerou obras seminais como Freud e psicanálise: primeiros contatos
com a teoria e a prática clínica e o instigante livro Em busca do novo normal:
Reflexões sobre a normose em um mundo diferente, onde investiga a patologia da
normalidade rígida em uma sociedade em constante mutação.
O ecletismo de sua
genialidade, que abarca também a atuação como roteirista e tradutor fluente de
sete idiomas clássicos e modernos (inglês, francês, alemão, espanhol, italiano,
latim e grego), além de investigador das filologias russa, mandarim e galega,
rendeu-lhe consagrações de alcance global. Suas obras foram premiadas e
reconhecidas por organismos internacionais como a ONU e a UNESCO, além de
receber por dois anos consecutivos o prêmio de melhor ensaio promovido por
essas entidades em parceria com a Academia Brasileira de Letras. Suas teses e
criações receberam distinções de universidades e centros de pesquisa de grande
prestígio, tais como a UFRJ, PUC-Rio, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação
Casa de Rui Barbosa, Museu Imperial de Petrópolis, Museu Nacional e o Kendall
College Chicago.
Em 2011, o conjunto de sua atuação luso-brasileira e sua projeção na Europa foram celebrados pelo governo francês com a concessão da Médaille e da distinta Comenda de Vermeil de Paris, selando em definitivo seu nome entre os grandes polímatas e humanistas do nosso tempo. Marcelo Moraes Caetano permanece, assim, içando velas rumo ao desconhecido, movido pela certeza de que escrever, tocar e compreender são as formas mais nobres de perenizar a travessia humana.
ALGUMAS
DE SUAS OBRAS DE DESTAQUE INCLUEM:
Obras
de Linguística, Filologia e Argumentação
Morfologia
da Língua Portuguesa – Volume 1 e 2
Princípios
de argumentação jurídica: A Lógica e a Retórica
Uma
gramática normativa - sem preconceito e sem trauma
Argumentação
jurídica: indo além das palavras (com Alexandre Chini)
Psicanálise
e Comportamento
Freud
e psicanálise: primeiros contatos com a teoria e a prática clínica
Em
busca do novo normal: Reflexões sobre a normose em um mundo diferente
Literatura,
Poesia e Ficção
Os
arcanjos (romance)
Silêncio (poesia)
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Biografia de Marcelo Moraes Caetano
feita exclusivamente para essa postagem
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
ALGUNS MOMENTOS DE MARCELO MORAES CAETANO
NO CENÁRIO CULTURAL
Carlos Nejar e Marcelo Caetano
Com a Nélida Piñon, em 2005, na Academia Brasileira de Letras. Em 2005 e 2006 foi um dos vencedores, duas vezes consecutivas, do concurso de ensaios da ONU-UNESCO e ABL. Nas ocasiões, como parte do prêmio, foi a Paris, à sede da UNESCO. Os dois ensaios que escreveu nessas épocas foram traduzidos para o inglês e o francês, e distribuídos em centenas de bibliotecas da ONU e da UNESCO pelo mundo.
Marcelo com Ana Maria Machado, quando ingressou no PEN Clube do Brasil, em 2000, levado pelo Mestre Antonio Carlos Secchin.
Com o João Portinari, filho único do gênio Candido Portinari
Quando o seu ingresso e atual professor associado UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Com o Mauro Villar, coautor do "Grande dicionário Houaiss", junto com o próprio Antonio Houaiss,
Com o José Roberto de Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras, seu colega da PUC-RIO e da UERJ, editor de várias obras que escreveu com o Alexandre Chini publicadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Federal, Instituto Justiça e Cidadania.
Com a Myrian Dauelsberg, sua eterna Professora de piano.
Durante a XXXV Conferência do Elos Internacional 2025
Com a soprano Magda Belloti, sua confreira da Academia Fluminense de Letras, cantando para homenagear Maria Lucia Godoy, que aconheceu quando tinha aulas de piano com a Myrian Dauelsberg, Um passeio por Edino Krieger, Francisco Mignone (conheceu tanto os dois em sua infância), além de Lorenzo Fernandez, Villa-Lobos e verdadeiros diamantes do cancioneiro popular brasileiro.
O SEQUENCIAL DE IMAGENS SÃO LIVROS DE MARCELO CAETANO
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