segunda-feira, 15 de junho de 2026

O REINO AGATEADO DE LEO CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Na rua tranquila de Niterói onde mora Leonila Murinelly, o tempo parece se derramar em ondas suaves, como se o mar próximo emprestasse seu ritmo às casas alinhadas. As janelas se abrem para o canto dos pássaros, o cheiro de pão fresco vindo da padaria da esquina e o murmúrio distante das crianças indo para a escola. É um cenário comum, mas dentro de uma dessas casas pulsa um reino secreto, invisível aos olhos apressados: o reino agateado de Leo. 

Esse reino não tem muralhas nem bandeiras, mas é marcado por pequenos rituais que se repetem com a solenidade das grandes histórias. No centro dele está Leonila, escritora e professora, que encontra na rotina doméstica a inspiração para suas palavras. Ao seu redor, dois felinos reinam com graça e personalidade: Luigi, o fofoqueiro incansável, e Chiara, a dócil sentinela da paz. Irmãos inseparáveis de quatro anos, eles transformam cada canto da casa em território mágico. 

Mas o reino de Leo também é feito de memórias afetivas e de outras realezas que deixaram pegadas eternas em seu coração e em sua literatura. Antes de Luigi e Chiara, a vida de Leonila foi marcada por Baggio e Francesco, companheiros inesquecíveis que ganharam vida eterna nas páginas do livro O Quarteto Fora de Si, publicado por Leonila em parceria com Márcia Pessanha, Iran Pitthan e Mauro Nolasco. 

Baggio era um belíssimo Siamês que acompanhou Leonila por impressionantes 23 anos. Ele nasceu em 1994, em pleno ano de Copa do Mundo, batizado no exato momento histórico em que o jogador italiano Roberto Baggio isolou a icônica cobrança de pênalti no estádio Rose Bowl, na Califórnia, garantindo o empate de 0x0 nas penalidades e consagrando o tetracampeonato mundial do Brasil. O miniconto que Leonila escreveu em sua homenagem, é intitulado "O Campeão": 

"Nos olhos, a dor do gol desperdiçado. Chora uma “squadra azurra”. Em um campo distante, nasce um campeão - uma homenagem é concedida na espiral do tempo... Abraçados, na madrugada fria, dormem entre pelos, miados e patinhas aconchegantes o Baggio e a sua Dama." 

Havia também o doce Francesco, carinhosamente chamado de Fran, um Persa deslumbrante de pelagem longa, focinho achatado e um temperamento extremamente calmo e dócil. Fran levava uma vida digna de "realeza": profundamente apegado a sua tutora, ele reinava no silêncio, apreciando os momentos de tranquilidade, bem longe de grandes agitações ou escaladas. Sobre ele se destaca o sensível miniconto "Francesco", onde Leonila traduziu com perfeição a alma de seu companheiro de olhar amarelo: 

"É assim todos os dias... Sempre atrás da porta – à espera. De repente, o barulho de chaves... Olhos atenuados... A ausência é sempre justificada. Não houve abandono. Mais tarde, vem a recompensa. Quanta intimidade neste olhar amarelo. Há enigma em seus arranhões macios exigindo carícias. Ah, minha companhia diuturna... Parceiro de voos sobre abismos e de esperanças contidas entre pelos azuis!"

 

Essas lembranças de amor e escrita pavimentaram o caminho para os atuais guardiões do lar. Hoje, Luigi, com sua pelagem laranja e branca, é o vigia do bairro. Seus olhos verdes vigiam o mundo como quem coleciona segredos. Ele sabe quando o vizinho chega, quando o carteiro passa, quando um pássaro ousa jogar-se na janela. Nada escapa ao seu olhar curioso, e Leonila brinca dizendo que ele é o fofoqueiro oficial da rua. 

Chiara, ao contrário, prefere o silêncio. Sua pelagem rajadinha parece feita de nuvens, e seus olhos transmitem uma serenidade que acalma até os dias mais turbulentos. Ela é o custódio do sossego, a que traduz o silêncio em afeto. 

O reino agateado se revela nos detalhes: no rabinho que balança quando Leonila se prepara para sair, no miado que anuncia novidades, no ronronar que embala tardes de escrita. É um espaço onde a rotina se transforma em poesia, onde cada gesto dos gatos é metáfora viva. Luigi ensina que a curiosidade é uma forma de arte; Chiara mostra que a ternura é um caminho de paz. Juntos, eles compõem uma narrativa silenciosa que se renova a cada amanhecer. 

O relógio marca o início da manhã, e a casa desperta lentamente. Luigi e Chiara já estão de pé ou melhor, sentinelas lado a lado, atentos ao ritual diário da dona. Eles conhecem cada movimento: o barulho da xícara pós-pousando no pires, na mesa, o som das chaves tilintando, o leve toque do perfume antes de sair. É o prelúdio da partida, e os dois felinos se preparam para o momento que mais os comove. 

Luigi, o fofoqueiro, é o primeiro a se posicionar diante da porta. Seu rabo se move de um lado para o outro, como se marcasse o compasso de uma música invisível. Chiara se aproxima logo depois, silenciosa, mas com o mesmo gesto, o rabinho erguido, balançando suavemente, como um aceno discreto de quem entende a rotina e aceita o breve afastamento. É uma cena que se repete todos os dias, mas nunca perde o encanto.

Leonila sorri. Abaixa-se, acaricia os dois e fala com a voz doce que só os gatos parecem compreender. Luigi responde com um miado curto, quase uma reclamação, ele não gosta de ver a porta se fechar. Chiara, ao contrário, encosta o focinho na mão da dona e fecha os olhos, como se dissesse: “Vai tranquila, estaremos aqui.” E assim, entre gestos e silêncios, acontece o pequeno ritual da despedida. 

Durante o dia, Luigi ronda a casa, curioso, atento a qualquer som que possa anunciar a chegada de Leonila. Chiara prefere o descanso, mas de tempos em tempos levanta-se e vai até a porta, como se conferisse se tudo está em ordem. E quando o som das chaves volta a ecoar, os dois se transformam. Luigi corre, Chiara se ergue, e o rabinho de ambos começa novamente a balançar, agora em ritmo de festa. É o reencontro, o momento em que o tempo se dobra e tudo volta a ser como antes. 

Leonila entra, cercada por miados e carinhos. Luigi exige atenção imediata, Chiara oferece ternura. A casa se enche de vida, e o dia se encerra com o mesmo encanto com que começou. Para Leonila, não há dúvida: seus gatos são protetores do afeto, zeladores da rotina, poetas silenciosos que transformam cada saída e cada retorno em uma celebração do vínculo. 

Não é por acaso que tantos escritores e pensadores se deixaram seduzir pelos gatos. Guimarães Rosa via nos animais uma poesia silenciosa, capaz de revelar segredos da alma humana. Nise da Silveira, revolucionária da psiquiatria, reconhecia nos felinos uma força terapêutica, presença curadora que devolvia confiança aos pacientes. 

Mas os gatos não inspiraram apenas Guimarães Rosa, com sua poesia silenciosa, ou Nise da Silveira, que os reconhecia como presenças terapêuticas. Ao longo da história, muitos outros autores se deixaram seduzir por esses seres mistérios. 

Ernest Hemingway vivia cercado de gatos polidáctilos, tinha uma grande paixão por gatos com essa característica. Na década de 1930, ele ganhou de um capitão de navio um gato branco de seis dedos chamado Snowball, Branca de Neve. O escritor acolheu o animal, que gerou dezenas de filhotes em sua casa em Key West, hoje transformada em museu, onde ainda habitam dezenas de descendentes felinos. O escritor Julio Cortázar escreveu sobre seus gatos Flanelle e Theodor W. Adorno, transformando-os em personagens literários de contos e ensaios; Mark Twain chegou a conviver com dezenove gatos ao mesmo tempo, afirmando que eram melhores companheiros do que os humanos; Charles Bukowski via nos gatos uma forma de salvação, e dedicou-lhes poemas como My Cats; Patricia Highsmith reuniu em Os Gatos narrativas e reflexões sobre sua convivência com eles; Doris Lessing, Nobel de Literatura, escreveu Sobre Gatos, obra que celebra sua relação íntima com os felinos; Edgar Allan Poe deu ao gato preto um papel central em uma de suas narrativas mais sombrias e simbólicas; Neil Gaiman também se confessa apaixonado por gatos, que aparecem em várias de suas histórias, como em Coraline; Charles Baudelaire os cantou como símbolos de mistério e beleza; Jorge Luis Borges um dos maiores escritores, poetas, ensaístas da literatura universal olhava para eles como criaturas metafísicas, habitantes de um tempo paralelo; T.S. Eliot lhes dedicou versos que inspiraram até o teatro musical. 

No teatro musical, Andrew Lloyd Webber transformou os poemas de T.S. Eliot em Cats, peça que conquistou o mundo com seus felinos Jellicle e a canção ‘Memory’. Assim, Luigi e Chiara, em sua rotina agateada, parecem dialogar com essa tradição: personagens de uma peça íntima e cotidiana, onde cada gesto é cena e cada miado é verso. 

Leonila, ao observar Luigi e Chiara, sente-se parte dessa linhagem. Seus gatos não são apenas companhia: são musos inspiradores, sentinelas de uma literatura íntima e cotidiana. Cada miado de Luigi é uma crônica em potencial; cada ronronar de Chiara é um poema que se escreve no silêncio. 

Assim, o reino agateado de Leo se conecta a uma tradição maior, onde os gatos são não apenas animais, mas metáforas vivas da imaginação. 

Esta crônica nasceu, precisamente, da observação atenta desse convívio cotidiano com seus gatos; mais do que personagens, eles foram a própria inspiração, transformando a rotina de casa na matéria-prima desta narrativa. 

Na casa de Leonila Murinelly, cada dia é uma crônica viva. Luigi e Chiara são os protagonistas silenciosos de uma história que se renova a cada amanhecer. Eles ensinam que o amor pode ser simples, que a curiosidade é uma forma de poesia e que o silêncio, às vezes, diz mais do que mil palavras. E Leonila, com sua sensibilidade de escritora, transforma essas lições em literatura, porque sabe que, no fundo, toda vida compartilhada é uma narrativa. 

Assim, no pequeno reino agateado de Leonila, Luigi e Chiara continuam a espalhar encanto e alegria. O fofoqueiro e a dócil, o inquieto e a serena, o fogo e a brisa, dois gatos que, juntos, revelam o segredo mais bonito da convivência: o equilíbrio entre o olhar curioso e o coração tranquilo. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



 












A UNIÃO DO ENGENHO E DA FORÇA: UM OFÍCIO COMPARTILHADO - AO PROFESSOR MARCO ANTÔNIO MARTINS PEREIRA


Fui marcado pelo Grifo. Receber uma provocação intelectual do professor Marco Antônio Martins Pereira é sempre um convite à reflexão, mas, desta vez, ele me marcou em sua página com algo que ressoa profundamente na trajetória que venho trilhando. Ao me apresentar a representação do Grifo, esse animal fabuloso que harmoniza a águia e o leão, ele não apenas compartilhou uma imagem, mas codificou uma leitura sobre o ofício que exerço e o caminho que escolhi ao lado de pessoas que tanto admiro.

​O Grifo, em sua natureza híbrida, é a metáfora perfeita do trabalho que desenvolvo no portal de cultura. A águia, que domina as alturas e representa a inteligência, espelha a nossa busca constante pelo refinamento do olhar, pela sensibilidade poética, que encontro tanto em Cecília Meireles quanto nas crônicas que escrevo e pela curadoria atenta ao que é universal e, ao mesmo tempo, tipicamente nosso.

O leão, por sua vez, é a força terrena, a persistência necessária para edificar projetos em um país onde a cultura exige, acima de tudo, coragem e tenacidade.

​O professor, com sua genialidade habitual, resgatou o aforismo "Vis ingenio iuncta". Compreendi perfeitamente a mensagem: a inteligência, por si só, pode se perder na abstração, e a força, se desprovida de norte, dispersa-se. É no "juntar-se ao companheiro" que a obra se concretiza.

​Ao longo destes anos em Niterói, aprendi que não se faz nada sozinho. Seja na construção de laços familiares, na dedicação à minha esposa Shirley, ou nas parcerias com mentes brilhantes como a da minha mestra Dalma Nascimento, como as presidentes Matilde Carone Slaibi Conti e Márcia Pessanha, e com o apoio e o carinho constante de Gilda Uzeda, Idalina Andrade Gonçalves, Alice Fontanella,  professor Rivo Giannini,  Maria Otília Camillo, Riva Costa entendi que o "engenho" só floresce quando encontra a "mão direita" que o auxilia a transformar o pensamento em realidade.

​O reconhecimento vindo do professor Marco Antônio não é apenas um elogio; é um espelho. Ele validou a convicção de que o nosso papel, como agentes da cultura, é o de ser esse híbrido: manter os olhos no céu das ideias, mas os pés firmes no solo da ação concreta.

Agradeço profundamente por essa distinção que, mais do que celebrar o passado, renova o meu compromisso com o futuro da nossa cultura. Como bem nos lembra a lição do Grifo, que sigamos sempre unidos pelo intelecto e fortalecidos pela colaboração, pois é assim que se conquistam os horizontes.

​E, para encerrar essa reflexão, não posso deixar de sorrir com a sincronicidade do destino. Nascido no dia 23 de julho, carrego a energia do signo de Leão como parte da minha própria essência. A imagem do Grifo, que porta a força desse felino majestoso em sua composição, torna-se, assim, um espelho ainda mais íntimo da minha trajetória.

É um lembrete de que a força que me rege não é apenas um arquétipo externo, mas algo que procuro honrar diariamente: unindo o ímpeto leonino à clareza mental, para que minha escrita e minha voz continuem a servir ao propósito maior da nossa cultura.

​Obra: Composição digital de Joaquín Huertas (2026).

​Texto: @ Alberto Araújo | Focus Portal Cultural





ENVELHECER JUNTOS - MENSAGEM REFLEXIVA @ ALBERTO ARAÚJO - FOCUS PORTAL CULTURAL



Envelhecer juntos é ver o pôr do sol da vida refletido nos olhos de quem nunca deixou de caminhar ao seu lado.”

© Alberto Araújo – Focus Portal Cultural

 


 

domingo, 14 de junho de 2026

DULCE ROCHA MATTOS — A RAINHA DOS OLHOS AZUIS

A história cultural de uma cidade não se constrói apenas com monumentos, livros ou instituições; ela se edifica sobretudo na presença viva de pessoas que, com delicadeza e força, tornam-se símbolos de convivência e memória. Entre essas presenças, Dulce Rocha Mattos ocupa um lugar singular. Sua trajetória é marcada por uma rara combinação de sensibilidade estética, altruísmo social e compromisso com a cultura, atributos que a transformam em referência incontornável para Niterói e além. 

Em nosso círculo de convivência, no grupo de WhatsApp, Dulce é carinhosamente chamada de “Rainha dos Olhos Azuis”. O título não é mero ornamento: traduz a intensidade de um olhar que acolhe, compreende e transmite serenidade. É um olhar que guarda histórias de alegria, arte e amizade, e que se tornou metáfora de sua própria essência, uma mulher que ilumina os espaços por onde passa. 

Sua atuação em instituições como a ANE (Associação Niteroiense de Escritores), a UBT - Niterói (União Brasileira de Trovadores), o Rotary Club, entre tantas outras, revela uma presença que não se limita à participação formal. Dulce é agente transformadora, capaz de imprimir humanidade em cada gesto. Sua delicadeza não é fragilidade, mas sim força revestida de ternura, uma forma de resistência cultural e afetiva. 

Foi casada com João Mattos, um verdadeiro “gentleman” cuja memória permanece viva. Juntos construíram uma história de parceria que se reflete na forma como Dulce vê o mundo. A ausência física de João não apagou sua influência; ao contrário, Dulce continua a honrar esse legado com gestos de carinho e generosidade, perpetuando uma narrativa de amor e respeito. 

Dulce foi atriz. O palco lhe ensinou a empatia, a escuta e a capacidade de se reinventar. Em uma de suas apresentações, caracterizou-se de palhaço, revelando que o riso e a leveza também fazem parte de sua essência. Essa experiência artística deixou marcas profundas, pois quem se entrega à cena aprende a olhar o outro com compaixão e Dulce leva essa lição para todos os espaços que ocupa, eternizando-a em sua trajetória. 

Além disso, por muitas vezes declamou poesias no palco do Centro Cultural Maria Sabina, sob a direção da saudosa Neide Barros Rego, e realizou performances em diversas instituições, inclusive em sarau da UBT - Niterói e na UPPES – Sindicato, sob a presidência do professor Stelling. Recentemente, foi agraciada pela Academia Fluminense de Letras, presidida por Márcia Pessanha, por sua “performance” poética durante a solenidade de posse da Diretoria da AFL. São tantos momentos que seria necessário reservar uma página inteira para descrever suas atuações.

Também recentemente, foi homenageada pelo Focus Portal Cultural com uma arte belíssima, em que aparece caracterizada como palhaço, homenagem que ela confessou ter amado. Consideramos essa parte merecida, pois sua contribuição à arte e à cultura é fenomenal. Antes disso, o Rotary Club sob a presidência de Riva Costa já havia celebrado seu trabalho de altruísmo e afetividade, duas palavras que definem com precisão sua atuação. Dulce não pratica o bem por obrigação, mas por vocação. Seu olhar atento às pessoas, sua escuta generosa e sua capacidade de perceber o que há de melhor em cada um são dons que distribui com naturalidade. 

Em reuniões, saraus e encontros literários, Dulce é aquela presença que suaviza o ambiente. Sua fala é sempre ponderada, seu sorriso acolhedor, sua postura transmite serenidade. É uma mulher que entende que cultura não é apenas conhecimento, mas convivência, partilha e afeto. 

A convivência com Dulce ensina que a verdadeira elegância está na simplicidade dos gestos: oferecer uma palavra de incentivo, lembrar o nome de cada colega, celebrar as conquistas dos outros como se fossem suas. É transformar cada encontro em um momento de amizade genuína. 

Dulce é também símbolo de continuidade. Em tempos em que tantas relações se tornam superficiais, ela preserva o valor da presença, da conversa, do abraço. Sua vida é uma coleção de histórias que se entrelaçam com as de tantos amigos e colegas, escritores, trovadores, rotarianos, artistas, todos tocados por sua generosidade.

É impossível falar de Dulce sem mencionar o impacto que ela causa. Impacto não pelo volume de suas ações, mas pela profundidade delas. Cada gesto seu tem significado. Cada palavra tem intenção. Cada sorriso tem verdade. 

Por isso, esta homenagem é mais do que reconhecimento: é agradecimento. Agradecimento por ser exemplo de humanidade, por manter viva a chama da cultura niteroiense, por mostrar que a delicadeza é uma forma poderosa de resistência. 

Dulce Rocha Mattos, nossa Rainha dos Olhos Azuis, é, em essência, uma artista da vida, alguém que transforma o cotidiano em poesia, o convívio em arte e a amizade em legado. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


MENSAGENS

Presidente Matilde Carone Slaibi Conti disse: Dulce muito amada, merecedora para todo o sempre de nosso carinho, pelo seu trabalho profícuo e muita gentileza. Muitos abraços.

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Riva Costa disse. Parabéns companheiro Alberto pela magnífica mensagem sobre nossa querida e estima da amiga/companheira Dulce traduzindo em palavras a vida da Rainha dos olhos azuis. Adoreiiiii.

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Maria Otilia Marques Camillo disse: Parabéns à Dulce, “Rainha dos olhos azuis”, pelo prazeroso, momento, de convívio, fraterno, enaltecido à LUZ que, espelha sentimento de Alegria, PAZ e Amor à Vida! 👏👏👏 à sua, “Vida, Feliz”, querida, Dulce!… 🥰😍😘💔️🌹💐🌷Maria Otilia

 




A ESSÊNCIA DE PAUL HARRIS CONTINUA VIVA TEXTO MOTIVACIONAL © ALBERTO ARAÚJO

 

Paul Harris acreditava que o Rotary deveria ser um espaço onde pessoas de diferentes origens se unissem para servir à humanidade. Sua visão não foi apenas o alicerce da organização, mas tornou-se um legado que atravessa gerações. Hoje, esse espírito continua vivo e pulsante, inspirando cada ação e cada projeto que transforma comunidades ao redor do mundo.

Em breve, sob a liderança de Olayinka H. Babalola, o Rotary reafirmará essa essência com o lema: “Criar Impacto Duradouro”. Ele representa a continuidade do sonho de Harris: primeiro unir pessoas em torno do bem comum e, depois, garantir que essa união gere resultados sustentáveis e transformadores. Assim, o Rotary segue firme em sua missão, mostrando que o ideal de servir acima de si mesmo não é apenas uma frase, mas uma prática diária que mantém viva a chama acesa por Paul Harris. Viva o Rotary!





UM DOMINGO DE CELEBRAÇÃO E LEGADO NA IGREJA PRESBITERIANA BETEL


O dia 14 de junho de 2026 ficará gravado na história da Igreja Presbiteriana Betel de Icaraí como uma celebração vibrante de amor, compromisso e continuidade. Em um ambiente de profunda comunhão, a igreja não apenas festejou o passado, mas abençoou as promessas de um futuro promissor, sob a condução pastoral do Reverendo Carlos Henrique Ferreira Gomes. 

O culto foi marcado por momentos de grande emoção. Celebramos, com alegria, as Bodas de Crizopala (33 anos) de Marcos e Adriana Maraga, casal cujo testemunho de fidelidade inspira nossa comunidade. 

No mesmo espírito, o altar tornou-se palco para a oficialização do noivado de Esther Ferreira Gomes, filha do Reverendo Carlos Henrique e de Angela Cavalcante, com Renan Pinheiro Bezerra. Ver essa nova etapa na vida da família pastoral foi um presente para todos os presentes. 

A ocasião foi abrilhantada pela presença de personalidades queridas, como a presidente do Elos Internacional Matilde Slaibi Conti, Mimi Lück e sua filha Esther Lück, a advogada Lillian Santos, a jornalista Gabriela Nasser e a escritora e professora Uyara Schiefer, além de tantos outros membros que formam a alma da Betel. 

A Igreja Presbiteriana Betel, com seus 39 anos de trajetória, tem sido um epicentro de fé em Niterói. Desde 2012, o Reverendo Carlos Henrique conduz o rebanho com zelo e dedicação. Sua jornada ministerial, iniciada com a licenciatura em 2007 e a ordenação em 22 de março de 2008, reflete um chamado de obediência. Após atuar na Igreja Presbiteriana de Vista Alegre e na de Porto Novo, o Reverendo aceitou o desafio de pastorear a Betel, onde completa, com este momento, 14 anos de um ministério marcado pela Palavra e pelo acolhimento. 

Ao olharmos para este domingo, celebramos não apenas eventos isolados, mas o próprio corpo de Cristo. A Betel de Icaraí segue firme em sua missão, sob a liderança de um homem que transformou seu pastoreio em um legado de serviço, sempre amparado pelo amor de sua família e pela dedicação aos membros que hoje, como uma grande família, compartilham as bênçãos de cada nova vitória. Que a caminhada da Betel continue sendo guiada pela mesma luz que iluminou esta inesquecível celebração. 

Créditos das fotos: Compartilhadas gentilmente pelo Pastor Carlos Henrique 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural








O sequencial são pequenos vídeos,
clicar na imagem para assistir 






14 DE JUNHO DE 2026 - 40 ANOS DE SAUDADE E A ETERNIDADE DE JORGE LUIS BORGES - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Há exatos 40 anos, em 14 de junho de 1986, o mundo perdia não apenas um homem, mas um arquiteto de universos. Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo, o titã da literatura argentina, silenciava sua voz em Genebra, deixando para a humanidade um legado que desafia o tempo, a lógica e a própria natureza da realidade. Ao celebrarmos quatro décadas de sua partida, o Focus Portal Cultural rende homenagem à vasta e labiríntica obra daquele que, talvez mais do que qualquer outro escritor do século XX, transformou a literatura em um espelho infinito de nossas inquietações metafísicas. 

Nascido em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, Borges foi um cidadão do mundo muito antes de as fronteiras se tornarem fluidas na era globalizada. Sua formação cosmopolita, passando pelos estudos no Colégio Calvino, na Suíça, e pela influência das vanguardas europeias, moldou uma mente que não reconhecia limites geográficos ou intelectuais. Quando retornou à Argentina em 1921, trazendo na bagagem o vigor das revistas surrealistas e a precisão da crítica ensaística, ele não apenas começou a publicar, mas a fundar uma nova forma de ver a literatura. 

Borges foi poeta, ensaísta, contista e tradutor, mas, acima de tudo, foi um leitor absoluto. Sua trajetória como diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires (1955-1973) não é um detalhe burocrático; é a metáfora perfeita de sua vida. Para Borges, o universo era uma vasta biblioteca, um "labirinto de papel" onde cada livro, real ou fictício, continha o eco de todos os outros. 

Ao longo de sua carreira, Borges explorou os temas que hoje reconhecemos como o selo inconfundível de seu gênio: o tempo circular, a infinitude do cosmos, a natureza de Deus, a duplicidade dos homens e o caráter ilusório da existência. Em obras fundamentais como Ficciones (1944) e O Aleph (1949), ele dissolveu as fronteiras entre o ensaio e a narrativa, criando histórias que não apenas narram fatos, mas interrogam a própria estrutura do pensamento. 

Seus labirintos não são feitos de tijolos, mas de conceitos. Em seus contos, ele construiu enciclopédias de mundos inexistentes e bibliotecas infinitas que contêm tudo o que já foi e tudo o que poderia ser escrito. Como notaram críticos ao redor do globo, a progressiva cegueira que o acompanhou não foi um entrave, mas um catalisador. Ao se retirar do mundo visual, Borges aguçou a visão interior. Como ele mesmo sugeria, os poetas, assim como os cegos, possuem a faculdade de "ver no escuro". 

O reconhecimento internacional, tardio mas avassalador, chegou com o Prêmio Formentor em 1961, compartilhado com Samuel Beckett. A partir dali, a influência de Borges transbordou as fronteiras da América Latina, tornando-se uma força motriz para o chamado "Boom Latino-americano". Gabriel García Márquez, Umberto Eco, que imortalizou a figura de Borges na biblioteca de O Nome da Rosa através do personagem Jorge de Burgos e J.M. Coetzee são apenas alguns dos muitos autores que reconhecem em Borges o homem que renovou a linguagem da ficção e abriu caminhos para que o fantástico se tornasse o território natural da literatura contemporânea. 

Borges dialogou com os grandes vultos da história: Spinoza, Virgílio e Camões foram interlocutores constantes em seus versos finais. Sua obra é um convite permanente à curiosidade intelectual, um chamado para que o leitor perceba que a realidade é, no fundo, uma interpretação muitas vezes, uma leitura bem feita. 

A reverência por Jorge Luis Borges no Brasil suplanta o mero reconhecimento; é um diálogo que se estabeleceu entre o gênio argentino e o solo brasileiro. Desde o pioneirismo de Mário de Andrade, um dos primeiros a identificar a genialidade borgiana em solo nacional, ainda nos anos 1920, até a dedicação inestimável da professora e pesquisadora Bella Jozef, cuja exegese rigorosa foi fundamental para a compreensão de sua obra entre nós, o nome de Borges tornou-se um marco. Muitos de nossos maiores escritores confessaram, em algum momento, o impacto transformador da leitura de seus contos e ensaios, que serviram como bússola para gerações que buscam na literatura o reflexo do infinito. Ao celebrarmos estes 40 anos de saudade, reconhecemos que, para a intelectualidade brasileira, Borges não foi apenas um escritor estrangeiro, mas um mestre familiar: aquele que, com seus labirintos, ensinou-nos a enxergar a universalidade dentro das nossas próprias bibliotecas.

Ao lembrarmo-nos de 14 de junho de 1986, não nos detemos na ausência, mas na presença perene de sua escrita. Quatro décadas após sua morte, os labirintos de Borges continuam a ser explorados, suas bibliotecas continuam a crescer com cada novo leitor, e seu Aleph, aquele ponto onde todos os pontos do universo convergem, continua vibrando em cada página de seus livros. 

Borges nos ensinou que a literatura não é um passatempo, mas a mais alta forma de inteligência e sensibilidade. Ao cerrar os olhos para o mundo físico, ele abriu as portas da percepção para gerações inteiras. Hoje, celebramos não a morte de um homem, mas a imortalidade de um visionário que, com uma caneta e uma biblioteca, tornou-se o próprio guardião dos nossos sonhos mais profundos. Que a sua memória continue a habitar nossas estantes e, sobretudo, nossa imaginação. 

© Alberto Araújo




 

ELOS DE AFETO: A PRESENÇA MARCANTE DE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI EM CELEBRAÇÃO DE COMPROMISSO

A força motriz do Elos Internacional reside, fundamentalmente, na capacidade de sua liderança em cultivar laços genuínos. A presidente Matilde Carone Slaibi Conti personifica, com singular garra e companheirismo, a essência de uma gestão presente e atuante. Seja em eventos de fomento cultural, encontros sociais ou ocasiões que assinalam marcos importantes da vida privada, sua presença é sempre um símbolo de elegância, cordialidade e apreço pelas relações humanas. 

Na manhã deste domingo, 14 de junho, a presidente Matilde estendeu sua habitual dedicação ao prestigiar a celebração de noivado de Esther e Renan. O evento, realizado em um ambiente de notável serenidade em Icaraí, foi marcado pela sofisticação e pelo calor humano, refletindo a harmonia da ocasião. 

A cerimônia foi um momento de indescritível graciosidade, reunindo famílias e amigos para testemunhar a promessa de uma vida a dois. A atmosfera foi marcada pela alegria contida e pelo significado profundo que o compromisso de Esther e Renan representa para seus entes queridos. O pastor Carlos Henrique Ferreira Gomes e sua esposa, Angela Cavalcante, anfitriões de impecável distinção, irradiaram acolhimento, conduzindo o momento com a sobriedade e o carinho que a celebração exigia. A participação do casal reforçou o ambiente de respeito e celebração familiar que permeou todo o encontro. 

Para o Elos Internacional, a presença de nossa presidente nestes eventos não é apenas um gesto de cortesia, mas a reafirmação de que as instituições são construídas, antes de tudo, por pessoas. A Diretoria de Cultura compartilha com entusiasmo este registro, que destaca a vivacidade com que a presidente Matilde transita por diferentes esferas da sociedade, sempre levando consigo a marca do companheirismo que norteia nossa organização.

Entre os registros fotográficos da manhã, que já integram o acervo da Diretoria de Cultura, destaca-se o encontro de Matilde com a advogada Lillian Santos e a acadêmica Uyara Schiefer. Estes registros documentam não apenas a presença institucional, mas a solidez das amizades que se fortalecem fora dos ambientes de trabalho, evidenciando o caráter humano do Elos Internacional. 

Que momentos como o deste domingo sirvam de inspiração para que continuemos a cultivar a união, o respeito e a alegria em nossa caminhada institucional. A Diretoria de Cultura reafirma seu compromisso em registrar e valorizar essas "andanças" que mantêm viva a chama da nossa entidade, celebrando, acima de tudo, o dom das conexões humanas. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 














 

sábado, 13 de junho de 2026

O SANTO DO MUNDO: 795 ANOS DE LEGADO DE SANTO ANTÔNIO

Hoje, 13 de junho de 2026, a cristandade volta seus olhos para uma marca histórica de profunda espiritualidade: completam-se 795 anos do trânsito de Santo Antônio para a eternidade. Mais do que um intercessor popular, ele é um gigante da fé cuja voz, mesmo após quase oito séculos, continua a ecoar com a força de um "Doutor Evangélico". 

A história deste santo universal começa em Lisboa, no dia 13 de setembro de 1191. Nascido Fernando de Bulhões, em uma família de linhagem ilustre, seu berço era um convite ao conforto e ao status. Contudo, desde cedo, o jovem Fernando sentiu o chamado para algo que o mundo material não poderia oferecer. Aos 15 anos, renunciou às conveniências sociais para ingressar na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. 

Sua busca pela contemplação pura o levou ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, centro de saber e fervor religioso na época. Foi ali que, entre a filosofia e a teologia, sua alma foi moldada pela Sagrada Escritura, preparando-o para a missão que, ele ainda não sabia, transformaria o curso da história da Igreja. 

O destino de Fernando mudou drasticamente com a chegada das relíquias dos primeiros mártires franciscanos, que haviam tombado em Marrocos. Ao contemplar o sacrifício daqueles homens, algo despertou no coração de Fernando: o desejo ardente de entregar a vida por Cristo. 

Em 1220, o cônego agostiniano tomou uma decisão radical: ingressou na Ordem dos Frades Menores, adotando o nome de Antônio, em homenagem ao padroeiro da capela onde os mártires haviam sido velados. Partiu para a África, mas a Providência Divina tinha outros planos. Uma grave enfermidade o forçou a retornar, e os ventos, soprando de forma misteriosa, desviaram seu navio para as costas da Itália. 

Após um encontro providencial com São Francisco de Assis no Capítulo Geral de 1221, Antônio revelou-se ao mundo não apenas como um frade humilde, mas como um orador de brilho arrebatador. Sua estreia em Forlì, onde pregou quase por acaso, deixou os teólogos presentes em um estado de assombro: onde estava um homem de tamanha sabedoria? 

Daquele momento em diante, ele se tornou a voz da ortodoxia contra as heresias que assolavam o norte da Itália e o sul da França. Sua pregação era um fogo que consumia as dúvidas; seu conhecimento das Escrituras era tão profundo que ele se tornou conhecido como o "Martelo dos Hereges". Fatos lendários, como a pregação aos peixes em Rimini, quando os homens se recusaram a ouvi-lo, demonstram a autoridade que o Espírito Santo conferia à sua palavra: se o homem não escutava, a criação de Deus inclinava-se diante da Verdade. 

Santo Antônio foi o primeiro mestre de teologia da Ordem Franciscana, nomeado diretamente por São Francisco. No entanto, ele nunca permitiu que o saber acadêmico fosse um muro entre ele e o povo. Em seu apostolado, ele uniu a profundidade doutrinária à caridade prática. 

Foi durante seus anos de pregação incessante, especialmente na quaresma, que ele se tornou um defensor dos pobres, dos oprimidos e das famílias. A tradição de "santo casamenteiro" nasceu de sua compaixão profunda por jovens que, sem recursos para o dote, eram impedidas de realizar o sacramento do matrimônio. Antônio não apenas pregava a caridade; ele a exercia, encontrando meios de dignificar a vida de quem estava à margem. 

Os últimos anos de sua vida, passados em Camposampiero e, finalmente, em Arcella, perto de Pádua, foram marcados por um desgaste físico acentuado. A hidropisia consumia seu corpo, mas seu espírito ardia em devoção. Foi ali, escrevendo sermões de uma beleza teológica ímpar, que ele preparou seu último retorno. 

Na sexta-feira, 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos, Santo Antônio entregou sua alma a Deus. O luto foi coletivo, e os milagres, incontáveis, começaram a ocorrer antes mesmo de seu sepultamento. O povo de Pádua clamava: "O santo morreu!". O reconhecimento de sua santidade foi tão evidente que o Papa Gregório IX o canonizou em tempo recorde, apenas onze meses após sua morte.

Um dos sinais mais fascinantes da santidade de Antônio veio à luz em 1263, durante a exumação de seu corpo, na presença de São Boaventura. Enquanto tudo era pó, sua língua permanecia intacta, corada e fresca, como se ainda estivesse pronta para proclamar as maravilhas de Deus. Aquele órgão, que havia combatido o erro e anunciado a paz, tornava-se o símbolo eterno de sua missão. 

Em 1946, a Igreja consolidou sua importância ao proclamá-lo Doutor da Igreja com o título de Doctor Evangelicus (Doutor Evangélico), reconhecendo que seus escritos e sua vida são pilares fundamentais da fé cristã. 

Ao celebrarmos 795 anos de sua partida para o Céu, Santo Antônio não é apenas um nome do passado. Ele continua presente: 

Na proteção dos que buscam o que foi perdido: Não apenas objetos, mas a esperança, a fé e o sentido da vida. 

Na intercessão pelo amor: Como o santo que abençoa as famílias e os corações que desejam o matrimônio. 

Na inspiração intelectual e espiritual: Como um modelo de quem uniu, com perfeição, a inteligência da mente com o fervor do coração.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, o "santo do mundo todo", permanece como um farol. Que, neste aniversário de quase oito séculos de sua páscoa, possamos reencontrar em seus ensinamentos a coragem de ser, como ele, uma voz viva do Evangelho nos tempos atuais.

SOBRE A PINTURA

O POLÍPTICO DE SANTO ANTÓNIO é um conjunto de nove pinturas a óleo sobre madeira pintadas cerca de 1460-70 pelo pintor italiano do Quattrocento Piero della Francesca que constituía supostamente o elemento central do Retábulo da Igreja de S. António de Perúgia, desconhecida no presente e que se encontra atualmente na Galeria Nacional da Úmbria nesta mesma cidade. 

A obra foi iniciada pouco depois do regresso de Piero della Francesca de Roma, cerca de 1460, e completada cerca de 1470. O único registro documental relativo à encomenda da obra consta da última parcela do pagamento a Marco, irmão de Piero, que agia frequentemente como agente deste, de 15 fiorini em 21 de junho de 1468. 

Tal como o Políptico da Misericórdia, é uma obra de composição arcaica, certamente a pedido dos clientes, com as figuras principais pintadas sobre um precioso fundo de ouro com um motivo que imita tecidos finos talvez inspirado em modelos ibéricos que o pintor possa ter visto durante a sua estada em Roma. 

Decididamente inovadora e típica do estilo do artista é a Anunciação, a parte superior do Políptico, situada num claustro luminoso cuja visão ilusionista é considerada entre as expressões máximas de perspectiva da arte do Renascimento.

A ESTRUTURA ORIGINAL É DIVIDIDA EM TRÊS NÍVEIS PRINCIPAIS:

Registro Central: Apresenta a Virgem com o Menino Jesus, rodeada por São João Baptista e os santos franciscanos: Santo António de Pádua, São Francisco de Assis e Santa Isabel da Turíngia. 

Registro Superior (Cimasa): Destaca-se pelo uso magistral da perspetiva linear, retratando a Anunciação num pórtico clássico. 

Predella e Painéis Inferiores: Contém pequenas cenas noturnas detalhadas, como Os Estigmas de São Francisco e os milagres dos santos, exibindo um virtuosismo no uso da luz.

© Alberto Araújo

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