terça-feira, 12 de maio de 2026

35 - O SERMÃO DA MONTANHA: CULTURA, ESPIRITUALIDADE E REFLEXÃO - ENSAIO CULTURAL E ESPIRITUAL © ALBERTO ARAÚJO

O Sermão da Montanha, registrado no Evangelho de Mateus (capítulos 5 a 7), é uma das passagens mais reflexivas da vida de Cristo. Nele, Jesus apresenta um conjunto de ensinamentos que se tornaram pilares da ética cristã e, ao mesmo tempo, transcendem fronteiras religiosas, inspirando filósofos, líderes e movimentos sociais ao longo da história. Mais do que um discurso religioso, trata-se de um manifesto espiritual e cultural que continua a ecoar no coração da humanidade. 

Contexto histórico e cultural 

Jesus viveu em um período de intensas tensões políticas e sociais. A Palestina estava sob domínio romano, e o povo judeu sofria com opressão, desigualdade e expectativas messiânicas. Nesse cenário, o Sermão da Montanha surge como uma resposta radical: em vez de propor revolta armada ou poder político, Cristo oferece uma revolução interior, baseada na humildade, na misericórdia e na justiça espiritual. É um convite para transformar o mundo começando pelo coração humano. 

As Bem-aventuranças

O discurso inicia com as Bem-aventuranças, uma série de declarações paradoxais que exaltam os pobres, os mansos, os que choram, os perseguidos. Culturalmente, isso subverte a lógica da época e ainda hoje desafia a lógica do poder e da riqueza. Jesus redefine o conceito de felicidade, deslocando-o do acúmulo material para a vivência de valores espirituais. Essa inversão cultural é tão poderosa que influenciou desde movimentos de direitos civis até reflexões filosóficas sobre justiça social. 

Ética radical 

Outro ponto central é a ética proposta por Cristo. Ele não apenas reafirma a Lei judaica, mas a aprofunda. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém, vos digo...” essa fórmula mostra que Jesus não destrói a tradição, mas a leva a um nível mais profundo. Não basta evitar o homicídio; é preciso controlar a ira. Não basta evitar o adultério; é preciso purificar o olhar. Essa ética radical exige uma transformação interior que vai além das aparências e das normas externas.

Oração e espiritualidade 

O Sermão também introduz o Pai Nosso, oração que se tornou universal. Mais do que palavras, é um modelo de espiritualidade: simplicidade, confiança e centralidade no Reino de Deus. Culturalmente, essa oração atravessou séculos e idiomas, tornando-se um elo entre diferentes povos e tradições cristãs. É um exemplo de como a mensagem de Cristo se enraizou na cultura global. 

Justiça e misericórdia 

Cristo insiste na necessidade de não julgar, de perdoar, de amar até os inimigos. Essa proposta é culturalmente revolucionária: em sociedades marcadas por vingança e retribuição, Jesus propõe a misericórdia como caminho. Essa ideia influenciou práticas de reconciliação, movimentos pacifistas e até sistemas jurídicos que buscam restaurar em vez de punir. 

Reflexão existencial 

O Sermão da Montanha não é apenas um código ético; é um convite existencial. Ele nos obriga a perguntar: o que significa ser feliz? O que é justiça? Como viver em um mundo marcado por desigualdade e violência sem perder a esperança? Ao propor que o Reino de Deus começa dentro de nós, Cristo desloca o eixo da transformação: não é apenas sobre mudar estruturas externas, mas sobre mudar o coração humano.

Impacto cultural

Ao longo da história, o Sermão inspirou presenças importantes como Gandhi, Martin Luther King Jr. e Madre Teresa. Ele foi interpretado como um manifesto de não-violência, como uma ética de resistência e como um chamado à santidade. Sua influência cultural é tão vasta que se tornou referência não apenas religiosa, mas também filosófica e política.

Conclusão 

O Sermão da Montanha é uma passagem que transcende o tempo. Ele nos lembra que a verdadeira revolução começa no interior, que a felicidade não está no poder ou na riqueza, mas na humildade e na misericórdia. Culturalmente, é um texto que moldou civilizações; espiritualmente, é um convite eterno à transformação. Refletir sobre ele é refletir sobre o próprio sentido da vida.

 

SOBRE A IMAGEM: "Sermão da Montanha" é a obra de Carl Heinrich Bloch, datada de 1877. Esta pintura a óleo, estilo academicismo, retrata Jesus pregando a uma grande multidão e é amplamente reconhecida por seu uso em materiais religiosos. Ela se encontra no Museu de História Nacional, no Castelo de Frederiksborg.

 

REFERÊNCIAS EM ABNT

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução Almeida Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

BONHOEFFER, Dietrich. O Sermão da Montanha. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

STOTT, John. O Cristão Contemporâneo: O Sermão da Montanha. São Paulo: ABU Editora, 2001.

LUZ, Ulrich. Matthew 1–7: A Commentary. Minneapolis: Fortress Press, 2007.

GANDHI, Mahatma. Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade. São Paulo: Palas Athena, 2002.

GRACIANI, Juliana Santos; ROHREGGER, Roberto. A importância do Sermão da Montanha e sua relação com as Metas do Milênio da ONU. Revista UNINTER de Comunicação, Curitiba, v. 2, n. 3, p. 45-60, 2015.

© Alberto Araújo

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MAIS DE CEM ARTISTAS EM CENA PARA BACH

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), junto ao seu Coro Sinfônico, apresenta ao público gaúcho uma das obras mais marcantes da música sacra: A Paixão Segundo São João, de Johann Sebastian Bach. Serão dois concertos gratuitos, dia 15 de maio, às 19h30, na Igreja da Reconciliação, em Porto Alegre, e dia 16 de maio, às 18h, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Novo Hamburgo. A entrada é franca, por ordem de chegada, com sugestão de doação de alimentos, e a primeira apresentação terá transmissão ao vivo pelo canal da OSPA no YouTube. 

Solistas e regência  

O tenor Jabez Lima assume o papel do Evangelista, narrador da obra. Os baixos Ricardo Barpp e Norbert Steidl interpretam Jesus e Pilatos, respectivamente. As vozes femininas ficam a cargo da soprano Maria Carla Pino e da mezzo-soprano Carol Braga. A condução musical é do maestro Diego Schuck Biasibetti, que também tocará viola da gamba em uma das árias mais emocionantes da peça.

A obra  

Composta em 1724, a Paixão de Bach é uma dramatização musical do Evangelho de João. Alternando momentos intensos e reflexivos, a obra envolve o público em uma narrativa que mistura coro, solistas e orquestra. O Coro Sinfônico da OSPA, com cerca de 70 integrantes, dá vida à multidão que participa da história, mas também assume a função de voz meditativa nos corais luteranos. 

Programa 

Johann Sebastian Bach | Paixão Segundo São João, BWV 245



 

34 - ZORBA, O GREGO: FILME GRECO–ESTADUNIDENSE DE 1964, BASEADO NO ROMANCE HOMÔNIMO DE NIKOS KAZANTZAKIS - ENSAIO ACADÊMICO-CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

Zorba, o Grego - filme foi dirigido por Michael Cacoyannis e o personagem-título foi interpretado por Anthony Quinn que não era grego, mas mexicano. O elenco incluiu Alan Bates como um visitante britânico. O tema, "Sirtaki", de Mikis Theodorakis, tornou-se famoso e popular como canção e dança, especialmente em festas. 

O filme foi rodado na ilha grega de Creta. Lugares específicos incluem a cidade de Chania, a região de Apocórona, nomeadamente na península de Drápano, e a península de Acrotíri. A famosa cena onde o personagem interpretado por Quinn dança o Sirtaki foi rodada na praia do vilarejo de Stavros.

Produção baseada no romance homônimo de Nikos Kazantzakis. Mais do que uma adaptação cinematográfica, trata-se de uma obra que se consolidou como referência cultural e filosófica, capaz de traduzir para a tela a complexidade da visão de mundo de Kazantzakis. Ambientado na ilha de Creta, o filme explora o contraste entre Basil, um escritor greco-britânico em crise criativa, e Alexis Zorba, um homem simples, expansivo e apaixonado pela vida. Essa oposição entre racionalidade e instinto, entre cálculo e entrega, constitui o núcleo da obra e reflete dilemas existenciais universais.

Anthony Quinn, ator mexicano que interpretou Zorba, tornou-se mundialmente associado ao personagem, encarnando o arquétipo do “grego vitalista” que vive intensamente cada momento. Alan Bates, como Basil, representa o intelectual introspectivo, dividido entre tradição e modernidade. Irene Pappás, no papel da viúva, simboliza a tragédia e a repressão social, enquanto Líla Kédrova, premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, dá vida à Madame Hortense, figura que mistura decadência e ternura. O elenco, que inclui ainda Sotíris Moustákas e outros nomes, contribui para a densidade dramática e para a multiplicidade de perspectivas que o filme oferece.

A direção de Cacoyannis é marcada por um equilíbrio entre realismo e lirismo. A fotografia em preto e branco, premiada pela Academia, reforça os contrastes visuais e emocionais, transformando a paisagem de Creta em personagem vivo. As cenas filmadas em Chania, Apocórona, Drápano, Acrotíri e especialmente na praia de Stavros, onde ocorre a célebre dança final, conferem autenticidade e força simbólica à narrativa. O espaço físico não é apenas cenário, mas elemento constitutivo da experiência estética e existencial que o filme propõe.

A música de Mikis Theodorakis, especialmente o tema do Sirtaki, tornou-se um ícone cultural. Criada para o filme, a dança não era tradicional, mas acabou incorporada à identidade grega contemporânea. A cena em que Zorba ensina Basil a dançar sintetiza a filosofia da obra: diante do fracasso e da ruína, resta a celebração da vida. Essa mensagem ecoa o pensamento de Kazantzakis, que via na liberdade e na intensidade da experiência humana o verdadeiro sentido da existência. A dança final é, portanto, mais do que um clímax narrativo: é uma metáfora existencial que afirma a possibilidade de rir e dançar diante da adversidade.

O filme aborda temas centrais da condição humana. O existencialismo está presente na busca de sentido em meio ao caos e na tensão entre espírito e carne. A tragédia grega ressurge na violência contra a viúva, lembrando os mitos antigos de punição e destino. O choque de culturas aparece na relação entre Basil, representante da racionalidade ocidental, e Zorba, expressão do instinto mediterrâneo. A liberdade é encarnada na figura de Zorba, que vive sem amarras, guiado pelo prazer e pela coragem. O fracasso, por sua vez, é simbolizado pelo teleférico que desmorona, mas também pela capacidade de resiliência que se manifesta na dança.

A recepção internacional foi marcada por reconhecimento crítico e popular. Zorba, o Grego venceu três Oscars em 1965, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, além de ter sido indicado a Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Recebeu ainda indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA, consolidando-se como obra-prima do cinema mundial. Mais do que os prêmios, o impacto cultural foi profundo: Anthony Quinn passou a ser identificado com o personagem, e o Sirtaki tornou-se símbolo da Grécia moderna, presente em festas e celebrações ao redor do mundo.

Do ponto de vista acadêmico, Zorba, o Grego pode ser analisado como uma obra que articula literatura, filosofia e cinema. A adaptação de Cacoyannis preserva a essência do romance de Kazantzakis, mas também cria uma linguagem própria, visual e musical, que amplia o alcance da mensagem. O filme dialoga com tradições da tragédia grega, com o existencialismo europeu e com a cultura popular mediterrânea, oferecendo uma síntese única. Sua relevância não se limita ao contexto histórico dos anos 1960, mas permanece atual porque aborda questões universais: como enfrentar o fracasso, como conciliar razão e instinto, como viver plenamente diante da inevitabilidade da morte.

Em termos culturais, a obra contribuiu para a projeção internacional da Grécia, reforçando uma imagem de país marcado pela paixão, pela música e pela tragédia. Ao mesmo tempo, influenciou a percepção global da dança e da celebração como formas de resistência existencial. A filosofia da dança final, que afirma a vida diante da ruína, tornou-se metáfora poderosa e inspiradora, capaz de transcender fronteiras e épocas.

Em conclusão, Zorba, o Grego é um filme que permanece como referência cultural e acadêmica porque une diferentes dimensões da experiência humana. Ele mostra que, mesmo diante da tragédia e do fracasso, é possível escolher a dança como resposta. Essa mensagem, ao mesmo tempo simples e profunda, explica por que a obra continua a tocar espectadores de diferentes culturas e gerações. Ao transformar literatura em cinema e filosofia em estética, Cacoyannis e Kazantzakis criaram um mosaico inesquecível que sintetiza a condição humana em sua plenitude.

Zorba the Greek quase foi nomeado para o Oscar de melhor ator coadjuvante para o ator Sotiris Moustakas, mas acabou sendo rejeitado devido à sua participação curta demais. Na Grécia, o ator é felicitado pelo seu desempenho como o bobo da cidade. O filme foi distribuído pela 20th Century Fox.

ELENCO

Anthony Quinn .... Alexis Zorba

Alan Bates .... Basil

Irene Pappás .... a viúva

Líla Kédrova .... Madame Hortense

Sotíris Moustákas .... Mimithos

Ánna Kyriákou .... Soul

Eléni Anousáki .... Lola

Yórgo Voyágis .... Pavlo

Tákis Emmanuel .... Manolakas

George Foundas .... Mavrandoni

 

REFERÊNCIAS

 

CACOYANNIS, Michael. Zorba, o Grego. 20th Century Fox, 1964. Filme.

KAZANTZAKIS, Nikos. Zorba, o Grego. Atenas: Difícil, 1946.

THEODORAKIS, Mikis. Sirtaki. Trilha sonora de Zorba, o Grego. Atenas: EMI, 1964.

PAPPÁS, Irene. Entrevista sobre Zorba, o Grego. Revista Cine Ellada, Atenas, 1970.

QUINN, Anthony. One Man Tango. Nova Iorque: HarperCollins, 1995.

 



















 

PRIMEIRO CENTRO CULTURAL TURCO DO BRASIL É INAUGURADO EM SÃO PAULO

São Paulo, cidade que respira diversidade e acolhe tradições de todos os cantos do mundo, acaba de ganhar um novo espaço dedicado à cultura internacional: o Centro Cultural Turco, inaugurado pelo Instituto Yunus Emre. Localizado no Jardim Europa, o centro é o primeiro do Brasil e o terceiro da América do Sul, somando-se a uma rede mundial de 95 unidades presentes em 71 países. 

O objetivo é claro, aproximar Brasil e Turquia por meio da arte, da língua e das tradições, criando pontes culturais que ultrapassam fronteiras geográficas e políticas.

O Instituto Yunus Emre, fundado em 2007, leva o nome de um dos maiores poetas e filósofos da Turquia, símbolo de espiritualidade e humanismo. Sua missão é difundir a língua turca, promover o patrimônio artístico e incentivar o intercâmbio cultural. 

Com presença em diversos continentes, o instituto já se consolidou como referência em diplomacia cultural, oferecendo cursos, oficinas e eventos que revelam a riqueza da cultura turca ao mundo. 

O espaço em São Paulo foi pensado para ser um ponto de encontro entre culturas. Entre as atividades previstas estão: 

Cursos de língua turca, para quem deseja aprender o idioma e se aproximar da literatura e da música do país. 

Oficinas artísticas, explorando técnicas tradicionais como caligrafia, cerâmica e artesanato. 

Exposições culturais, trazendo obras de artistas contemporâneos e clássicos. 

Sessões de cinema, apresentando produções premiadas e séries que conquistaram o público brasileiro. 

Eventos gastronômicos, com degustações de pratos típicos como kebab, baklava e café turco. 

Essas iniciativas reforçam a ideia de que a cultura é uma linguagem universal, capaz de unir povos e criar novas formas de convivência.

A escolha de São Paulo não foi por acaso. Cerca de 80% dos turcos residentes no Brasil vivem na cidade, que é reconhecida como o maior polo cultural e econômico do país.

Além disso, Brasil e Turquia mantêm uma relação estratégica: o comércio entre os dois países já movimenta US$ 5 bilhões, com a meta de chegar a US$ 10 bilhões nos próximos anos. O turismo também é um elo importante, em 2023, 120 mil brasileiros viajaram para a Turquia, impulsionados pelos 13 voos semanais da Turkish Airlines entre Istambul e São Paulo. 

Essa conexão vai além da economia: futebol, novelas e séries criaram uma identificação cultural que aproxima ainda mais os dois povos.

A Turquia é um país que une Oriente e Ocidente, carregando séculos de história e diversidade. Sua cultura é marcada por:

Música tradicional, com instrumentos como o saz e o ney.

Dança folclórica, que expressa a identidade das diferentes regiões.

Literatura clássica, com nomes como Orhan Pamuk, Nobel de Literatura.

Culinária rica, que mistura sabores mediterrâneos, árabes e balcânicos. 

Arquitetura histórica, representada por mesquitas, palácios e bazares que encantam visitantes.

Trazer essa diversidade para São Paulo é abrir uma janela para o mundo, permitindo que brasileiros conheçam e vivenciem tradições milenares. 

O Centro Cultural Turco de São Paulo é mais do que um espaço físico: é um símbolo de amizade e cooperação entre Brasil e Turquia. Ao promover cursos, oficinas, exposições e eventos, ele reforça a ideia de que a cultura é uma ponte capaz de unir povos e enriquecer sociedades. 

Em tempos de globalização, iniciativas como essa mostram que o verdadeiro diálogo entre nações acontece através da arte, da língua e da convivência. São Paulo, mais uma vez, se consolida como capital da diversidade, acolhendo o mundo em suas ruas e agora também em seu calendário cultural. 


O Instituto Yunus Emre inaugurou em 07 de maio de 2026 o primeiro Centro Cultural Turco oficial no Brasil, localizado no Jardim Europa, São Paulo. O espaço promove a língua, arte e cultura turcas. Outra instituição atuante é o Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT).

Yunus Emre Türk Kültür Merkezi: Inaugurado com apoio do consulado, foca em intercâmbio cultural, cursos de língua, cinema e tradições, localizado no Jardim Europa. 

Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT): Oferece cursos de culinária turca, turco, e organiza feiras culturais e gastronômicas na cidade.

Experiências Gastronômicas: Locais como a Casa Turca e o Restaurante Capadócia oferecem culinária tradicional, incluindo café turco, baklava e pratos típicos no Campo Belo.

 







© Alberto Araújo

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PRESENÇA CONFIRMADA - MATILDE CARONE SLAIBI CONTI, VICE-PRESIDENTE DA OAB NITERÓI, ESTARÁ CONOSCO NO AB2L LAWTECH EXPERIENCE 2026

A Matilde Carone Slaibi Conti, vice-presidente da OAB Niterói, estará conosco no AB2L Lawtech Experience 2026, o maior encontro de inovação jurídica da América Latina!

Dias 13 e 14 de maio  de 2026.

Píer Mauá – Rio de Janeiro 

O AB2L Lawtech Experience 2026 vai muito além de um congresso, é uma imersão nas transformações que a tecnologia e a inovação estão promovendo no direito e na justiça. Reunimos nomes de peso do setor público e privado, cases inspiradores e talentos que estão moldando o futuro da advocacia e da resolução de conflitos. 

Ao participar, você terá acesso a conteúdos de alto impacto, conexões com profissionais de destaque e experiências que vão transformar sua visão sobre o ecossistema jurídico. Essa é a chance de dar o próximo passo na sua carreira, não fique de fora! 

Perguntas Frequentes 

1 - Quando e onde acontecerá o evento? 

Dias 13 e 14 de maio de 2026, no Rio de Janeiro. Credenciamento a partir das 07h30 e encerramento previsto para 20h30 (horários sujeitos a alteração). 

2 - Terá programação online? 

Este ano, a experiência será totalmente presencial. As palestras ficarão disponíveis no AB2L Play, plataforma exclusiva para associados AB2L.

3 - Como faço para me associar à AB2L? 

Acesse: www.ab2l.org.br/associe-se 

4 - O que está incluso no ingresso? 

Acesso a todas as áreas e atividades, participação nas palestras e Happy Hour de encerramento.

5 - O evento terá certificado? 

Sim! Enviado por e-mail até 20 dias úteis após o evento. 

6 - É possível emitir nota fiscal? 

A AB2L é isenta de emissão de nota fiscal, mas fornece recibo mediante solicitação pelo e-mail:

assistente@ab2l.org.br  

7 - Posso emitir o recibo em nome da minha empresa? 

Sim, basta preencher o campo “Dados do Tomador” ao finalizar sua inscrição.

8 - Preciso imprimir meu ingresso? 

Não. Basta apresentar o QR Code no celular ou informar seu nome completo no credenciamento. 

9 - Cancelamentos ou transferências 

Aceitos em até 7 dias corridos após a compra e com pelo menos 48h de antecedência do evento. 

Ainda com dúvidas? 

Fale com a equipe: ab2l.lex2025@ab2l.org.br

Assunto do e-mail: “Dúvidas sobre o evento - AB2L LEX 2026”




 

SEMANA DO DIREITO 2026: CONSTRUINDO O FUTURO DA CARREIRA JURÍDICA

A Universidade Universo Niterói tem a honra de convidar alunos, profissionais e entusiastas da área jurídica para um dos eventos mais aguardados do ano: a Semana do Direito 2026. Em um cenário de constantes transformações sociais e tecnológicas, discutir os rumos da nossa profissão é mais do que uma escolha, é uma necessidade para quem busca destaque e excelência no mercado. 

No dia 12 de maio, o campus Itaipu será o palco de um debate essencial sobre o mercado de trabalho contemporâneo. 

Detalhes do Evento

Data: 12/05/2026

Local: Unidade Itaipu

Horário: 19h30min

Tema Central: Empregabilidade no Direito: Horizontes e Oportunidades na Carreira Jurídica. 

PALESTRANTES CONFIRMADOS

Para enriquecer nossa noite, contaremos com a presença de referências da OAB Niterói, trazendo uma visão prática e estratégica sobre o setor:

1 01 - Dr. Pedro Gomes de Oliveira (Abertura) Presidente da OAB Niterói. Com uma trajetória sólida, o Dr. Pedro é graduado pela Universidade Salgado de Oliveira e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho. É o fundador da Confraria dos Advogados e atua como Diretor da Associação Brasileira dos Advogados, sendo uma voz ativa na defesa da classe.

2. Dra. Matilde Slaibi Conti Vice-Presidente da OAB Niterói. Uma acadêmica e profissional de renome, Dra. Matilde possui Pós-Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais. Além de sua atuação na OAB, preside a Federação Elos Internacional da Comunidade Lusíada, o Cenáculo Fluminense de História e Letras e a Academia Brasileira Rotária de Letras do Estado do Rio de Janeiro. 

3. Dr. Junior Rodrigues Advogado e peça fundamental na estrutura da OAB Niterói, onde atua como Diretor da ESA (Escola Superior de Advocacia), Tesoureiro e Diretor de Eventos. Sua experiência na gestão da Ordem traz insights valiosos sobre a educação continuada e o associativismo.

Por que participar? 

O Direito não se limita mais apenas aos tribunais. A palestra focará nas novas frentes de trabalho, nas competências mais valorizadas pelos grandes escritórios e na importância do networking institucional. É a sua chance de ouvir quem está na linha de frente das decisões que moldam a advocacia em Niterói e região.

Diferencial: O evento garante 5 horas de atividades complementares para os estudantes! 

Realização: Universidade Universo Niterói e Itaipu. Para mais informações, acesse universo.edu.br 

Prepare-se para o mercado. O seu futuro jurídico começa aqui!




 

CHÁ DAS 5 COM 5: ENCONTRO LITERÁRIO CELEBRA O LEGADO DAS "MULHERES EXTRAORDINÁRIAS" COM ANA MARIA TOURINHO

A Rede Sem Fronteiras promove, nesta terça-feira, dia 12 de maio, mais uma edição especial do projeto "Chá das 5 com 5". Sob a apresentação de Ana Maria Tourinho, Vice-Presidente Cultural Mundial da RSF, o encontro será dedicado ao grupo de estudo literário da coletânea: Mulheres Extraordinárias - Volume 4. 

O evento contará com a participação de quatro coautoras da obra, que debaterão o resgate histórico e o legado da escrita feminina:

Carla De Sà Morais

Brenda Mar(que)s Pena

Girlane Florindo

Elinalva Oliveira 

O Chá das 5h com 5 – Grupo de Estudos Literários é um espaço de encontro criado para celebrar a força, a memória e o legado das mulheres que marcaram a história. O projeto nasce como uma extensão cultural da coletânea internacional Mulheres Extraordinárias – O resgate histórico do legado, pela palavra escrita, reunindo escritoras lusófonas de diferentes países em torno da literatura e do protagonismo feminino. 

Ao longo dos encontros, as coautoras compartilham as trajetórias das homenageadas em seus capítulos, promovendo diálogos enriquecedores sobre ancestralidade, memória, resistência e o papel da mulher na construção do mundo contemporâneo. Mais do que um grupo de estudos, este projeto transforma a palavra escrita em ponte entre gerações e experiências, fortalecendo a valorização da língua portuguesa. 

SOBRE A OBRA

O Volume 4 de Mulheres Extraordinárias reúne 104 coautoras de diversas nacionalidades. Com lançamento oficial durante a 95.ª Feira do Livro de Lisboa, a obra integra um importante movimento internacional de preservação da memória histórica feminina desenvolvido pela Rede Sem Fronteiras.

SERVIÇO 

Data: 12 de maio de 2026 (terça-feira)

Onde: Transmissão ao vivo pelo YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=A9WfmKA-6sU

@redesemfronteiras: https://www.instagram.com/redesemfronteiras/

 

Horário: 17h (Horário de Brasília)

Nota: Consulte o cartaz para horários em Portugal, Cabo Verde, Angola e outros países.

Acessibilidade: Evento com tradução em Libras.



33 - A INSURGÊNCIA DA BONDADE O BEM COMO RESISTÊNCIA À INSOLÊNCIA CONTEMPORÂNEA - ENSAIO REFLEXIVO-FILOSÓFICO © ALBERTO ARAÚJO

 

Vivemos em uma era de saturação visual e moral. Entre o brilho das telas e o ruído das opiniões efêmeras, a essência do "fazer o bem" muitas vezes acaba confinada ao sentimentalismo ou ao espaço sagrado dos templos.

No entanto, ao olharmos para as recentes movimentações do pensamento humanista e para as exortações que ecoam da tradição cristã, de Gálatas 6,9 às mensagens pontifícias de 2026, percebemos que a bondade não é um estado passivo. Pelo contrário: ela se revela como um ato de insurgência contra a insolência que marca a modernidade. 

A frase "Nunca se canse de fazer o bem" não é apenas um slogan de conforto ou uma pílula de otimismo para dias difíceis. Sua raiz em Gálatas é, fundamentalmente, um chamado contra a lassidão existencial. No grego original, a expressão sugere um "não desfalecer", um não se deixar abater pelo peso de um mundo que tantas vezes premia o egoísmo e a velocidade em detrimento da profundidade e da empatia. 

O Magistério da Igreja, refletido nas mensagens do Papa Francisco e agora consolidado sob o olhar atento de Leão XIV, recontextualizou essa máxima para o nosso tempo. Não se trata apenas de caridade assistencialista, mas de protagonismo ético. Em uma sociedade onde a insolência gera engajamento e a tragédia é consumida como espetáculo, sustentar a narrativa do bem é um ato de resistência. O bem é a única força capaz de desarmar a arrogância contemporânea. 

O ponto de ruptura que precisamos enfrentar é a falácia da neutralidade. Não basta "não fazer o mal". A ética exige uma postura ativa e, por vezes, confrontadora: 

"Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, devemos orar pelos inimigos." (Mateus 5,44) 

Essa afirmação desloca o indivíduo da posição de espectador para a de arquiteto social. As grandes crises de solidariedade não nascem de vilões caricatos, mas da indiferença confortável. O bem-estar, quando anestesia, transforma a dor do outro em ruído de fundo. A insolência moderna reside exatamente nessa indiferença dourada. 

Outro desafio é nossa incapacidade crônica de lidar com o tempo. Vivemos sob o despotismo do imediato, desejando que o bem produza frutos na mesma velocidade de uma notificação digital. A exortação cristã, porém, resgata a metáfora agrícola: a recompensa virá "a seu tempo". Fazer o bem aos marginalizados e invisíveis é um exercício de perseverança que não oferece retorno imediato de imagem ou lucro. É um trabalho silencioso, muitas vezes solitário, mas essencial.

Para que o texto da fé se torne texto da vida, é necessária uma conversão do olhar que dialogue com a realidade das ruas. A prática do bem não é um escudo contra as tempestades; é a força que nos impede de naufragar nelas. 

Hoje, insistir no bem é uma ferramenta de sanidade social. Recusar-se ao cansaço moral e à insolência que degrada as relações humanas é interromper o ciclo de ódio que domina o debate público. Fazer o bem se torna, então, o método mais eficaz de manter a lucidez em um mundo em transe. 

Ao final, "nunca se cansar de fazer o bem" é um convite à rebeldia. Em um cenário que nos convida a desistir do próximo ao primeiro sinal de ingratidão, continuar estendendo a mão é o ato mais vanguardista que se pode realizar. 

Fazer o bem sem olhar a quem é a síntese dessa insurgência. Como nos recorda Lucas 6,35: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar nada em troca.” O bem não escolhe destinatário; ele se oferece como graça, mesmo quando não há reciprocidade. É nesse gesto desarmado que reside a verdadeira força da resistência. 

A bondade é um músculo que se fortalece na repetição. Não é um evento isolado; é um hábito de resistência. Que o cansaço, quando vier e ele virá  nos encontre em movimento, porque a inércia é o único pecado que a história e a alma dificilmente perdoam. Em tempos de insolência, ser bom não é apenas uma escolha religiosa; é a nossa última e mais poderosa forma de insurgência. 

© Alberto Araújo

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