quarta-feira, 22 de julho de 2026

CARTA ABERTA DO FOCUS PORTAL CULTURAL À CENTENÁRIA: A POÉTICA DA PERENIDADE E O OFÍCIO DA PALAVRA NA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS POR © ALBERTO ARAÚJO

Niterói respira literatura. Niterói é, em sua tessitura mais íntima e irredutível, um vasto e sagrado santuário de palavras. E no coração pulsante desse santuário, ergue-se com altivez secular a Academia Fluminense de Letras (AFL). Celebrar 109 anos de existência, marco solene festejado em sua sede oficial no dia 18 de julho de 2026, suplanta largamente a fleuma de uma contagem cronológica. Trata-se de um ato supremo de resistência espiritual e civilizatória. É a afirmação categórica e intransigente de que, em eras onde o utilitarismo cego, a pressa tecnológica e a superficialidade tentam atrofiar o pensamento crítico, existem baluartes seculares capazes de manter acesa, com furor e beleza, a tocha milenar do humanismo. Sob a liderança inspiradora, arguta e profundamente dinâmica da presidente Márcia Pessanha, a AFL reafirma a cada aurora que o passado histórico não é um museu estático de cinzas, mas um braseiro vivo, crepitante, destinado a aquecer as urgências do presente e a iluminar, com lucidez, os horizontes do porvir. 

Voltemos os olhos para os recantos do tempo, despindo-nos da nostalgia estéril para vestir a armadura da reverência devida aos demiurgos que ousaram sonhar em 22 de julho de 1917. Em meio às convulsões de um mundo em transição dolorosa, aqueles pioneiros visionários já compreendiam uma verdade fundante: nenhuma nação, nenhum estado e nenhuma cidade se sustentam unicamente sobre o pragmatismo da economia ou a rigidez das leis materiais. Os povos fenecem sem o lirismo que os salve da desinformação; eles necessitam desesperadamente de um eixo ético e estético. Precisam da poesia como quem necessita do pão e do oxigênio para conter o caos inerente à condição humana. 

Ao longo de sua imponente trajetória centenária, a Academia Fluminense de Letras testemunhou o suceder de 18 presidências. Cada gestor, cada espírito iluminado que ocupou suas cadeiras imortais, depositou um tijolo invisível e precioso nessa catedral do pensamento livre. É profundamente simbólico, e carrega consigo uma justiça poética de rara beleza, que esta instituição secular seja conduzida hoje pelas mãos firmes, acolhedoras e visionárias de uma mulher: Márcia Pessanha, apenas a segunda a ocupar a presidência em toda a cronologia da casa, sucedendo com honra a memória indelével de Albertina Fortuna Barros. Sob a batuta de Márcia, o cargo presidencial transborda o rigor burocrático para se converter em um exercício sublime de curadoria de destinos. Ela entende, com admirável clareza intelectual, que a tradição e a inovação não são forças em colisão, mas sim os dois remos harmônicos que permitem ao barco da cultura sulcar os mares revoltos da modernidade com estabilidade, coragem e audácia. 

A consagração oficial recente veio coroar de forma definitiva essa caminhada de luz: a AFL foi erigida ao honroso título de Patrimônio Imaterial Cultural de Niterói. Esta conquista, lapidada pela sensibilidade política e cultural de personalidades como Leonardo Giordano e amparada pelo respaldo indispensável da Câmara Municipal, traduz em linguagem jurídica o que os intelectuais, jornalistas e poetas já sabiam de cor e salteado. A Academia é essencialmente imaterial porque a sua matéria-prima é o pensamento puro, a sonoridade da oratória, o ritmo milenar do verso e o peso transformador do ensaio. Ela é, sem favor algum, a coluna vertebral e o batimento cardíaco da nossa identidade niteroiense e fluminense. 

Naquela manhã memorável de 18 de julho de 2026, a sede oficial da AFL converteu-se no epicentro magnético desse cruzamento plural de saberes. Desde a abertura impecável conduzida pela cerimonialista Patrícia Telles, que reuniu na Mesa Presidencial nomes de proeminência incontestável como Márcia Pessanha, Matilde Carone Slaibi Conti (Cenáculo Fluminense de História e Letras), Luiz Henrique Pinheiro (Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), o brilhante palestrante Marcelo Rollemberg, Erthal Rocha (representando com galhardia a Diretoria da AFL) e Idalina Andrade Gonçalves (Real Gabinete Português de Leitura), tornou-se evidente que a cultura verdadeira jamais germina no isolamento estéril, mas sim na comunhão fraterna e altiva de inteligências associadas. 

Como não se deixar arrebatar pelo desdobrar dessa tapeçaria de fina estilha literária? A programação desdobrou-se em patamares de sublime elevação estética. A poesia, essa força telúrica e indomável que nos resgata salvificamente da banalidade cotidiana, encontrou na voz da acadêmica Lucia Romeu a sua tradução mais cristalina. Conhecida por uma elocução que parece esculpir fisicamente o ar, Lucia declamou sua ode aos 109 anos da AFL com uma maestria que suspendeu literalmente o relógio do mundo. Cada verso ecoou nos silêncios da plateia como um lembrete categórico de que a palavra poética é a forma mais alta de verdade de que dispomos. 

Na sequência, a erudição mais refinada encontrou guarida na sensibilidade analítica de Marcelo Rollemberg, que mergulhou com profundidade cirúrgica e o peito aberto de um poeta no vasto universo de Antônio Cândido, dissecando com maestria a sua “trajetória ao redor da palavra”. Rollemberg nos devolveu a certeza de que a grande literatura não constitui mero passatempo burguês, mas sim um direito humano inalienável à nossa plena humanização.

E o que dizer daquele momento de rigor e altíssima justiça histórica protagonizado pelo jornalista Erthal Rocha? Munido daquela oratória magnética e magnânima que arrebata e comove os auditórios, Erthal prestou uma homenagem de indizível beleza ao Presidente de Honra da AFL, Dr. Waldenir de Bragança, personalidade insubstituível na preservação irrevogável da dignidade e da integridade daquela casa. 

A celebração expandiu suas fronteiras estaduais através do vibrante momento FALERJ, coroado pela apresentação da Coletânea “Poetas Fluminenses” conduzida pelo acadêmico José Huguenin, presidente da Comissão Editorial. Ali, as vozes consagradas das academias de Petrópolis, Volta Redonda, Piraí, Macaé, Maricá, Mangaratiba e Niterói fundiram-se em um coro federativo e imponente da lírica fluminense. A música delicada do grupo Tom Brasileiro e a sofisticação acolhedora do coquetel assinado pela chef Valéria Gervásio  pontuado por um bolo artisticamente personalizado, selaram com perfeição a aliança inquebrantável entre o banquete refinado do espírito e a alegria calorosa do convívio humano. 

Para bem tocar os corações, com brilho a presidente Márcia Pessanha evocou a sabedoria cristalina de Sophia de Mello Breyner em seu pronunciamento, abraçando em espírito os amigos presentes e ausentes: “porque não há nada que possa separar aqueles que estão unidos por uma fé e por uma esperança.” 

Esta, decerto, é a argamassa invisível e indestrutível que sustenta a Academia Fluminense de Letras altiva após 109 primaveras: a fé inabalável no poder redentor da literatura escrita e falada; e a esperança irredutível na perenidade de nossa herança civilizatória. 

Do alto de nosso observatório no Focus Portal Cultural, acompanhando os desígnios da cultura com lentes atentas, rigor crítico e o coração devoto, eternizado com vídeo publicado no Youtube e o primor pelas lentes sensíveis de Alberto Araújo; Christiane Victer; Nina Fernandes e Aldo Pessanha, cujos registros visuais convertem instantes em relíquias, nós reverenciamos este marco histórico de alma lavada.

Que a Academia Fluminense de Letras prossiga sendo o baluarte inextinguível que orienta Niterói através das tormentas dos tempos. Longa vida à centenária AFL! Que suas portas se mantenham sempre escancaradas para o futuro, abraçando firmemente as nossas mais profundas raízes e infundindo asas definitivas aos nossos mais altos horizontes. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 




 

CATORZE ANOS DE HARMONIA: A SAGA DA CIA. CANTATE DIEM E A SUA APRESENTAÇÃO NA SALA NELSON PEREIRA SANTOS


Criada e dirigida pelo Maestro Joabe de Figueiredo Ferreira, a Cia. Artística Cantate Diem celebra 14 anos de uma trajetória dedicada a desenvolver a arte musical e encantar o público de Niterói e outros municípios. Composta por voluntários dedicados ao estudo de obras clássicas, óperas, musicais e sinfônicos, a Companhia vai muito além dos palcos: mantém um importante Projeto Social voltado à formação musical de crianças e jovens, à melhoria da qualidade de vida de idosos por meio da música e à formação de plateias. 

Com passagens por palcos de destaque e espetáculos memoráveis como Carmina Burana, Ópera em Cena e Festivais de Inverno, a Cia. Cantate Diem escreve uma história marcante na cultura.

À frente de tudo isso está o Maestro Joabe de Figueiredo Ferreira, formado em Regência pelo Conservatório Brasileiro de Música, com passagens por instituições internacionais na Alemanha, França e Polônia, e reconhecido por sua intensa atuação como educador e regente.

 

Para celebrar este marco histórico de 14 anos de dedicação à cultura, temos a honra de convidar o público para o espetáculo "Cordis et Anima" – Música para o Coração e a Alma. Um programa grandioso, concebido para tocar as profundezas do ser.

 

SERVIÇO

 

Data: 22 de julho (Quarta-feira)

Horário: 20h

Local: Sala Nelson Pereira Santos (Av. Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos, Niterói - RJ) 

Ingressos: R$ 50 (Inteira) | R$ 25 (Meia) os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria na hora do espetáculo ou pelo link:

https://feverup.com/m/658559?utm_source=fever_app_share&utm_medium=plan_detail&utm_campaign=658559_qnt&ref=MAESTROJ46176

Classificação: Livre

Venha viver essa grande emoção!





ESTELA PRESTES: A ELEGÂNCIA QUE DEU VOZ E AUTOESTIMA A NITERÓI - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Neste 22 de julho, celebramos o aniversário de uma verdadeira lenda viva do colunismo social e da cultura fluminense: Estela Prestes. 

Haverá sempre uma Niterói que só existe porque ela decidiu amá-la primeiro. Campista de berço e niteroiense por inteireza,  chegou à cidade aos 10 anos e adotou a terra com a força de um destino, afirmando com orgulho: “Tenho orgulho de ser niteroiense porque eu me fiz niteroiense”, Estela fez das ruas, dos salões e das páginas dos jornais o espelho de uma cidade que recusou ser sombra. Num tempo em que o outro lado da baía olhava com o canto dos olhos e desdém, foi a elegância firme, o faro cultural e o trânsito impecável de Estela que devolveram a Niterói o brilho de sua própria imagem. 

Formada pela FACHA na mesma e ilustre turma de redação que gerou Ancelmo Góis e Ricardo Boechat, ela soube unir o jornalismo rigoroso à sofisticação. Em um período em que Niterói sofria com a marginalização e o preconceito, o seu trabalho de contato, visibilidade e elegância ajudou a resgatar a autoestima da cidade, que finalmente se viu representada com glamour e prestígio. 

Sua trajetória desdobra-se em marcos inconfundíveis: Do semanário Sete Dias, dirigido ao lado de Milton Rocha e Mauro Costa ao prestígio no caderno de sociedade de O Fluminense, Estela levou muito mais do que crônicas: levou pertencimento. Costurou laços profundos com a grande imprensa, cultivando amizades fraternas com nomes como Jourdan Amora, Edgard Fonseca e Aldírio Carvalho. 

Ela não apenas cobria os acontecimentos, mas os criava. Suas festas, a inesquecível Festa de Outono, marcada pela sofisticação das orquídeas da Florália, ou o pulso fashion do pioneiro Prêmio de Moda do Estado do Rio de Janeiro, que reuniu mais de 3 mil pessoas no lendário Kool Ibiza, eram rituais de uma aristocracia do espírito. 

Como chefe de cerimonial durante os mandatos do prefeito Jorge Roberto Silveira, ao lado de nomes como Haroldo Enéas e Tetê Suzuki, criou o evento anual “Niterói Aplaude”, celebrando as forças vivas do município. 

Condecorada com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Estado do Rio de Janeiro, Estela sempre primou pela apuração rigorosa dos fatos, unindo o rigor da apuração à leveza do bom humor e ao charme de sua pena através do espirituoso personagem ‘Dimas’.

Neste dia especial, celebramos a mulher que olhou para a sua cidade e lhe disse: você é grande, você é bela, você merece ser vista. 

Parabéns, Estela Prestes! Que o seu dia seja tão brilhante e inspirador quanto a marca definitiva que você está deixando na história e no coração de Niterói. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





terça-feira, 21 de julho de 2026

A CELEBRAÇÃO DOS 109 ANOS DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS JÁ ESTÁ NO AR!

 


Reviva cada momento emocionante da solenidade realizada em nossa sede oficial, marcada por discursos inesquecíveis, poesia, erudição e a força viva da cultura fluminense sob a presidência de Márcia Pessanha.

 

Da abertura solene e o legado da nossa centenária instituição até as homenagens históricas, as apresentações literárias e musicais que encantaram a todos.

 

Assista agora mesmo ao vídeo completo em nosso canal no YouTube e sinta a energia de uma noite feita de arte, memória e futuro!

 

Clicar no link: https://www.youtube.com/watch?v=b-IFtFc9DpQ

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


MATILDE CARONE SLAIBI CONTI. UM DIA DE INTENSA DEDICAÇÃO E LIDERANÇA!

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional compartilha a agenda inspiradora da nossa querida presidente, Matilde Carone Slaibi Conti, que demonstra incansavelmente seu compromisso com a sociedade niteroiense em múltiplas frentes. 

Nesta manhã, Matilde cumpriu com maestria seus compromissos institucionais no gabinete da OAB-Niterói, onde atua com excelência como Vice-presidente, garantindo o andamento de pautas essenciais para a advocacia e a cidadania. 

Logo em seguida, marcou presença na importante Reunião Administrativa da Casa da Amizade de Niterói, liderada pela presidente Heliane Abicalil. Na ocasião, Matilde atua de forma brilhante como Assessora Especial da Presidência, somando forças em prol de causas nobres, da união e do desenvolvimento comunitário.

É uma honra para o Elos Internacional caminhar ao lado de uma liderança tão dedicada, cuja trajetória é sinônimo de trabalho sério, representatividade e amor por Niterói. Parabéns, Matilde, por inspirar a todos nós com sua energia e competência! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 









 

EXPANDA O ALCANCE DO SEU CLUBE NO MÊS DO DQA – DESENVOLVIMENTO DO QUADRO ASSOCIATIVO!


Agosto vem aí, faça com que seus contatos nas redes sociais sintam-se convidados para te perguntar sobre o Rotary.

Troque sua foto do perfil do seu WhatsApp e faça parte desta ação conosco.

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A FLOR E A MEMÓRIA: SALVE, LIANE ARÊAS! - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

O sol de Icaraí desdobrou-se em festa e luz para abraçar este 21 de julho, dia em que o mar e a poesia se conjugam para celebrar o aniversário de Liane Arêas, nossa querida confreira, acadêmica incansável e guardiã altiva da memória literária. 

Liane é, por essência, uma força da natureza artística. Nascida no Rio de Janeiro e enraizada na alma fluminense, ela carrega múltiplos ofícios que se fundem na mais pura arte de educar e encantar. Professora, alfabetizadora, pedagoga, poetisa, escritora e fotógrafa com olhar sensível eternizado na Sociedade Fluminense de Fotografia, ela transita com maestria pelos saberes. 

Do rigor humanista de sua passagem pela Universidade de Salamanca à profundidade da Psicopedagogia e da Filosofia da Educação, Liane sempre compreendeu que ensinar é, antes de tudo, um ato de amor profundo. 

Mas é no convívio fraterno e acadêmico que sua alma de eleita se revela por inteiro. Nos recintos das letras, onde o saber acadêmico muitas vezes se veste de rigores distantes, Liane irrompe como uma presença acolhedora e solar. Seu trânsito pelas instituições literárias é marcado pelo respeito profundo à tradição e, ao mesmo tempo, pela jovialidade de quem compreende que a cultura é um organismo vivo, feito de abraços e trocas genuínas. Ela sabe valorizar cada confrade, enxergar o talento alheio com generosidade e transformar reuniões solenes em verdadeiras celebrações da amizade e do pensamento livre.

Dotada de um coração imenso e de uma simpatia contagiante, Liane acolhe a todos com a nobreza dos grandes espíritos. Sua inteligência é viva, perspicaz e, ao mesmo tempo, afetuosa. Quem já teve o privilégio de ouvi-la em palestras e encontros acadêmicos conhece o encanto único de seus apartes: intervenções sempre surpreendentes, lapidadas com a precisão de quem domina as letras e a sensibilidade de quem sente o mundo. Ela consegue, em poucas palavras, iluminar o debate, acrescentar camadas de beleza e arrancar suspiros de admiração.

Especialista renomada na obra do inesquecível B. Lopes e zelosa guardiã do legado de mestres como Pimentel, Liane escreve seu próprio nome na história da cultura com traços de ouro. Ela é a voz da emoção, a flor que enobrece e embeleza a nossa literatura. 

Que este novo ciclo traga a transbordar toda a alegria, a inspiração e o carinho que ela generosamente espalha por onde passa. Parabéns, Liane! Que a sua poesia continue a ser holofote e abraço para todos nós.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


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Liane Arêas disse: Alberto, você tem o carisma da boa e profícua amizade!!!
Obrigada Obrigada… meu bom amigo!!!🌻🌻💝🌻🌻
Hoje, amanheci agradecendo ao Pai do Céu por mais um ano de vida, por todos nós…✨✨🙏✨✨
E, a você, Alberto, por sua generosa alma cristã, por sua índole amorosa e fraterna, que arrebanha todos a sua volta numa corrente de bem-querer… Você é um Ser especial que chegou pra nossa comunidade para unir, e para nos dizer sobre nós próprios o que não sabíamos!
Que o Pai supremo abençoe plenamente a sua vida, junto à querida Shirley, valorosa companheira!🙌🙌💖🙌🙌

Gratidão… Sempre!!!🤗🤗🤗


segunda-feira, 20 de julho de 2026

O RETORNO DO CAMPEÃO: A EPOPEIA DE RAFAEL LEMES SABINO CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

 

No teatro da vida, onde as cortinas se abrem apenas para os heróis de alma vasta, houve um dia em que a luz de Niterói brilhou com intensidade superior. Em 20 de junho de 2026, Rafael Lemes Sabino, esse ser de luz que desafia os horizontes, não apenas caminhou, mas triunfou ao ser laureado com a prestigiosa Comenda Waldenir de Bragança, outorgada pelo Cenáculo Fluminense de História e Letras. Sob o olhar atento da presidente Matilde Carone Slaibi Conti e a chancela do cenaculista Levy de Castro Filho, o jovem escritor teve seu nome gravado, com letras de ouro, na história da cultura fluminense. 

Mas o destino, esse tecelão de enredos inesperados e caprichosos, reservava um desafio à altura de sua coragem indômita. Logo após o brilho da glória, o caminho de Rafael tornou-se um labirinto de corredores hospitalares, onde o tempo parecia suspenso entre o temor e a esperança. Por três longas semanas, a vida conteve a respiração, observando cada batida do coração deste jovem guerreiro. 

No entanto, Rafael, nome de anjo, que ressoa como um hino de força e resiliência nunca esteve só. Como sentinelas da esperança, guardiões de uma chama que nunca vacilou, seus pais, Daniela e Fernando, foram o porto seguro em meio à tormenta. Eles não apenas acompanharam; eles habitaram cada segundo ao seu lado, sendo o alicerce inabalável, a própria definição de um amor que não descansa, não desiste e, acima de tudo, não se ausenta. Em cada olhar trocado e cada cuidado dedicado, reafirmaram o compromisso sagrado de quem protege o maior tesouro do mundo. 

Hoje, 20 de julho, Dia do Amigo, a notícia que ecoa como um cântico de celebração em todos os corações que o amam: o nosso campeão está em casa. A casa, agora, recupera o seu verdadeiro sentido; ela é novamente preenchida pelo riso, pela luz e pela presença magnética de quem transformou o sofrimento em lição de vida. 

Rafael é a antítese absoluta de qualquer limitação. Ele, que transita com desenvoltura entre as batidas envolventes de Blackpink e BTS, que devora livros como quem busca segredos universais e que, com a vivacidade de quem domina mundos digitais, provou que o termo 'Pessoa com Deficiência' é apenas uma moldura terrena, estreita e insuficiente para a vastidão de seu ser.

Ele é o autor do livro: “Era uma vez... 4º ano!” com suas próprias crônicas, o estudante bilíngue de Cambridge, o ilustrador de mundos que ainda não vimos igual. Para Rafael, cada barreira física nunca foi um muro, mas um convite, um degrau, e cada desafio, um combustível puro para sua imaginação indomável. 

Sua história não é apenas uma biografia; é um holofote que ilumina o oceano da existência, mostrando que o impossível é apenas uma opinião de quem não conhece a força de uma alma sonhadora. Rafael não apenas vive; ele ensina a arte de florescer em meio aos solos mais áridos, sob as tempestades mais densas. O retorno ao lar é, portanto, mais do que uma simples alta hospitalar; é a vitória da vida sobre a efemeridade, a confirmação absoluta de que o amor dos seus pais é a cura mais potente e que o espírito de um verdadeiro guerreiro, mesmo aquele que ainda está descobrindo a altura de seu voo, nunca, jamais, se dobra. 

Bem-vindo ao seu reino, Rafael. O mundo é, de fato, pequeno demais para a imensidão do seu coração e a vastidão da sua jornada. Que a sua luz continue a guiar, a inspirar e a transformar. O campeão está em casa, e o dia, hoje, é todo dele, e a vida, por causa dele, é muito mais bonita. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 


O OFÍCIO DE ESTAR JUNTO HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO AO DIA DO AMIGO

O tempo é um rio que corre sem margens definidas, e nós, navegantes incautos, tentamos, por vezes, ancorar a vida em portos que mudam conforme a maré. No entanto, há entre as desordens do existir uma constante, um silêncio que se faz música quando compartilhado: a amizade. 

Diziam os antigos, e com razão, que "a amizade é uma alma com dois corpos", como sabiamente sentenciou Aristóteles. Não é apenas a coincidência de passos ou a partilha de horas mortas; é o reconhecimento, no outro, de uma geografia que também nos habita. É o encontro de duas solidões que, ao se tocarem, não se anulam, mas se expandem, criando um território vasto onde o medo perde a sua eficácia. 

Neste 20 de julho, em que o mundo insiste em nomear o que é, por natureza, inominável, percebo que a amizade é o exercício mais elevado da nossa liberdade. Não se exige, não se prende, não se cobra. Como escreveu Antoine de Saint-Exupéry: "Numa amizade, o que há de mais belo é o que não se diz". E é verdade. Existe um vocabulário invisível entre os amigos verdadeiros, composto por olhares que traduzem o que a língua atropela e por presenças que bastam, sem o ruído das palavras. 

A amizade é, talvez, o único antídoto contra a efemeridade. Somos feitos de instantes, de fragmentos que a memória insiste em colecionar. Contudo, quando estamos com um amigo, o relógio parece esquecer sua função tirânica. O tempo se torna espesso, ganha densidade, deixa de ser uma medida para se transformar em substância. Como bem observou Fernando Pessoa, "a amizade é uma espécie de amor que não precisa de presença constante, mas que sobrevive na saudade e na confiança". 

É curioso como buscamos desesperadamente o sentido da vida em grandes feitos, em construções de pedra ou em legados de papel, esquecendo-nos de que o sentido está no gesto simples de oferecer o ombro, de dividir o riso que nasce sem causa, de caminhar lado a lado na penumbra. O amigo é o espelho onde nos vemos sem os disfarces que o mundo nos obriga a usar. Com ele, não precisamos da armadura; a vulnerabilidade não é uma derrota, é um convite.

Devemos, pois, celebrar o amigo não como um troféu, mas como um caminho. Cecília, se aqui estivesse, talvez dissesse que "a vida só é possível reinventada" e a amizade é a ferramenta mais delicada e potente desta reinvenção diária. É o abraço que nos devolve a nós mesmos quando a dispersão tenta nos fragmentar. 

Neste dia, lembremo-nos de que amigos não são apenas os que nos trazem conforto, mas aqueles que nos impulsionam à nossa própria verdade, ainda que o caminho seja íngreme. Como lembrou Khalil Gibran, "na doçura da amizade, que haja risos e partilha de prazeres. Pois no orvalho das pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e é renovado".

Que o 20 de julho não seja apenas uma data no calendário, mas uma pausa para reconhecer esses seres iluminados que tornam a nossa travessia, por mais breve e misteriosa que seja, uma obra de arte compartilhada. Pois, no fim, o que nos resta é a luz que conseguimos acender uns nos outros, num mundo que tanto insiste em nos entregar ao breu. 

Sejamos, pois, esse fanal e esse porto. Pois, como dizia o poeta, "quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais estará sozinho". 

© Alberto Araújo 






 

A IMORTALIDADE COMO EXERCÍCIO DE MEMÓRIA - 129 ANOS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS



O Focus Portal Cultural, Sob a Curadoria do jornalista Alberto Araújo, Celebra com distinção aos 129 anos da Academia Brasileira De Letras.

 

20 de julho de 2026. Mais do que uma efeméride no calendário, este aniversário marca a solidez de uma instituição que, há mais de um século, atua como guardiã da nossa identidade linguística e literária. Ao longo desta trajetória, a ABL tem se consolidado como um ponto de convergência fundamental para o pensamento brasileiro, promovendo o diálogo entre o passado que nos fundou e o futuro que, constantemente, tentamos decifrar.

 

É com respeito à memória e à produção intelectual que move esta Casa, que o Focus Portal Cultural estende suas congratulações a cada um de seus integrantes. Convidamos nossos leitores a uma reflexão sobre a importância da preservação das letras como um exercício de cidadania e um ato de resistência cultural.

 

A IMORTALIDADE COMO EXERCÍCIO DE MEMÓRIA

129 ANOS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS 

A existência de uma instituição como a Academia Brasileira de Letras (ABL) ao longo de 129 anos não se mede pelo calendário linear, mas pela capacidade de tecer, através dos séculos, o fio que conecta o efêmero à perenidade. Quando Machado de Assis e seus pares idealizaram o Petit Trianon carioca como morada das letras, não buscavam erguer uma fortaleza inabalável contra o tempo, mas sim criar um organismo vivo, capaz de metabolizar as transformações da língua e as metamorfoses da alma brasileira. 

Vivemos em uma era de obsolescência programada, onde a informação se esgota no momento em que é consumida. Diante desse turbilhão, a Academia, com quase um século e três décadas de existência, impõe-se não como um monumento estático, mas como um campo de tensão. Ela é o espaço onde a palavra, essa entidade caprichosa e mutável, encontra um porto de guarda. 

A filosofia da imortalidade, conferida aos seus membros, não deve ser entendida como uma apoteose da vaidade individual, mas como um compromisso com a continuidade do pensamento. A "imortalidade" aqui é um conceito dialético: o acadêmico passa, mas o exercício da reflexão permanece. É a tentativa humana, talvez a mais nobre e desesperada, de deixar marcas na areia do tempo que não sejam imediatamente tragadas pela maré do esquecimento. 

A ABL, ao celebrar seus 129 anos, reafirma um axioma fundamental: a língua portuguesa não é apenas um instrumento de comunicação, mas o próprio alicerce de nossa identidade. Ela é o lugar onde o brasileiro se reconhece, se nomeia e se projeta. 

No seio da Academia, a língua é tratada com um rigor que não deve ser confundido com rigidez. Pelo contrário, trata-se de um respeito visceral pela nossa matéria-prima. Filósofos e escritores que por ali passaram compreenderam que o idioma é uma entidade orgânica; ele cresce, adoece, se cura e se renova. A missão da ABL, nestes quase 130 anos, tem sido a de ser o fiel da balança entre a necessária preservação da estrutura que nos dá inteligibilidade e a abertura urgente às inovações que a vida cotidiana impõe à sintaxe. 

Não há cultura sem arquivo, e não há memória sem o cultivo da palavra. Ao preservar a norma culta, a Academia oferece uma referência, um ponto de ancoragem para que a língua não se disperse em ruído. É um ato de resistência contra a fragmentação do pensamento. 

Completar 129 anos é, acima de tudo, um exercício de humildade perante o fluxo da história. A Academia Brasileira de Letras atravessou regimes políticos, revoluções tecnológicas, mudanças profundas nos costumes e as dores de um país que se refaz constantemente.

O que a mantém relevante? A resposta reside na sua natureza de ser um espaço de mediação. A ABL não é um santuário isolado da realidade, mas um lugar onde a erudição deve, necessariamente, dialogar com o agora. A cultura brasileira é plural, barroca, sincrética e contraditória. O desafio da Academia tem sido, e continua sendo, o de abraçar essa pluralidade sem perder a essência do rigor intelectual. 

O ato de escrever, o foco central da casa é, na sua essência, um ato de solidão. Contudo, ao institucionalizar esse gesto, a ABL transforma a solidão do escritor em um projeto coletivo. É um paradoxo belíssimo: o indivíduo que cria, em diálogo com o coletivo que preserva. 

Ao olharmos para esses 129 anos, não celebramos apenas o acúmulo de obras, mas a persistência de um ideal. Num mundo que valoriza o imediatismo, a ABL representa a "demora", o tempo necessário para pensar, para lapidar o texto, para refletir sobre a condição humana.

A memória não é apenas olhar para trás; é a matéria de que é feito o futuro. Uma nação que não cultiva sua literatura, que não honra seus pensadores, é uma nação que caminha às cegas. A Academia, em sua maturidade centenária, convida-nos a essa lucidez. Ela nos recorda que somos herdeiros de uma vasta biblioteca e que, em cada frase que escrevemos, carregamos a responsabilidade de honrar esse legado. 

A celebração de 129 anos de uma instituição que coloca a palavra como o centro gravitacional de suas preocupações é, fundamentalmente, uma celebração da inteligência humana. É a afirmação de que, apesar da finitude que nos é imposta pela natureza, podemos, através da arte e do pensamento, habitar o tempo de modo mais denso, mais crítico e, finalmente, mais humano. 

A Academia Brasileira de Letras segue o seu curso, navegando não em águas calmas, mas nas correntes agitadas da cultura. Ela não é o ponto final de uma trajetória, mas um eterno devir. 

Ao celebrarmos esta data, não olhamos para a ABL como uma relíquia, mas como um laboratório contínuo de nossa própria identidade. A verdadeira homenagem que podemos prestar a esses 129 anos não é a reverência distanciada, mas a participação ativa no debate sobre o que significa, hoje, ser brasileiro e usar a língua para construir sentido em um mundo que parece, a cada dia, ter perdido o seu.

Que a Academia continue a ser esse espaço de inquietação, de diálogo e, sobretudo, de permanência na mudança. Pois, como nos ensina a própria literatura, a imortalidade é apenas o nome que damos à capacidade das ideias de sobreviverem ao corpo que as concebeu. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



domingo, 19 de julho de 2026

CHÁ DAS 5 COM 5 - GRUPO DE ESTUDOS LITERÁRIOS - MULHERES EXTRAORDINÁRIAS NO DIA 21 DE JULHO DE 2026

Nesta edição especial do Chá das 5 com 5, dentro do Grupo de Estudos Literários, receberemos uma conversa dedicada à obra “Mulheres Extraordinárias – Volume 4”, projeto que valoriza histórias, trajetórias e memórias femininas por meio da palavra escrita. 

Com apresentação de Ana Maria Tourinho, Vice-Presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, o encontro reunirá coautoras da obra para um momento de compartilhamento literário, reflexão e valorização do legado feminino na literatura e cultura lusófona.

Participam desta edição as coautoras:

Aline De Bona

Almerinda Garibaldi

Ofélia G. de Matos

Manuela Bailão 

O programa propõe um diálogo sobre a força das mulheres que escrevem, inspiram, preservam memórias e contribuem para a construção de uma literatura mais plural, sensível e representativa. 

A Rede Sem Fronteiras é uma Organização Cultural Internacional, sediada em Lisboa, Portugal, presente em dezenas de países, dedicada ao fortalecimento, promoção e intercâmbio da língua portuguesa e da cultura lusófona.

Este canal é mais do que um espaço de transmissão. É um ponto de encontro entre povos que compartilham a mesma língua, mas carregam diferentes histórias, sotaques, experiências e riquezas culturais. 

Data: 21 de julho de 2026, terça-feira

Programa: Chá das 5 com 5

Tema: Mulheres Extraordinárias – Volume 4

Apresentação: Ana Maria Tourinho

Transmissão Oficial:

Canal da Rede Sem Fronteiras no YouTube:

https://www.youtube.com/@redesemfronteiras

 

🕓 Horários por país lusófono:

🇧🇷 Brasil – 17h

🇨🇻 Cabo Verde – 19h

🇬🇼 Guiné-Bissau – 20h

🇸🇹 São Tomé e Príncipe – 20h

🇵🇹 Portugal – 21h

🇦🇴 Angola – 21h

🇬🇶 Guiné Equatorial – 21h

🇲🇿 Moçambique – 22h

🇹🇱 Timor-Leste – 06h (+1)









O POENTE DE NITERÓI: UMA CRÔNICA DE AFETO, BRISA E MAR - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FOTOGRAFIA POSTADA POR JUNIOR RODRIGUES EM SUA PÁGINA NO INSTAGRAM

 

A fotografia postada pelo advogado, professor e Diretor da ESA-Niterói, Junior Rodrigues, não é apenas um registro visual; é um portal para a alma de Niterói. Capturada em Charitas, sob a luz dourada do fim de tarde, ela ressoa profundamente com quem, como ele e eu, tem o privilégio de chamar esta cidade de "lar". A imagem, com seus barcos silhuetados contra o sol poente que se aninha atrás dos morros, e o mar refletindo o fogo do céu, é um clichê na melhor aceitação da palavra: uma verdade universal e bela que se repete dia após dia, mas que nunca cansa de nos maravilhar. 

Quando Junior escreve: "Nascido e criado em Niterói, tenho o privilégio de viver e trabalhar na cidade que amo. E, quando o dia termina com um pôr do sol como esse em Charitas, sentindo a brisa e o cheiro do mar, tenho ainda mais certeza: não há lugar como o nosso", ele sintetiza um sentimento coletivo. É uma declaração de amor que ecoa nas calçadas de Icaraí, nas areias de Piratininga, nas ladeiras do Barreto e nas praças do Fonseca. Mas há algo de visceralmente especial em observar esse espetáculo da Baía de Guanabara.

Eu, daqui da minha janela em Icaraí, testemunho esse ritual vespertino com a mesma reverência. A praia de Icaraí, com sua orla curva e elegante, emoldura o pôr do sol de forma majestosa. O sol desce majestoso, tingindo as nuvens de tons que variam do rosa suave ao laranja vibrante, incendiando o céu e a água. As silhuetas do MAC, o ícone futurista de Niemeyer, e da Ilha da Boa Viagem, com sua igrejinha histórica, pontuam o horizonte, criando um contraste entre a arquitetura moderna e a paisagem natural, entre o efêmero do céu e o perene do mar. É nesse momento que o caos urbano do dia se dissolve na serenidade da luz. O barulho do trânsito da Rua Ator Paulo Gustavo, antiga Rua Moreira César parece diminuir, abafado pelo som das ondas e pela grandiosidade do espetáculo celeste. A brisa do mar, fresca e salgada, entra pela janela, trazendo consigo o cheiro da Guanabara, um perfume complexo, ancestral, misto de maresia, vida e história. 

Niterói, muitas vezes ofuscada pela grandiosidade da metrópole vizinha, o Rio de Janeiro, guarda uma identidade própria, uma essência mais acolhedora, mais "de bairro", mesmo com seus 516.787 habitantes. E essa identidade está profundamente ligada ao seu litoral. A relação com o mar não é apenas visual; é visceral, cultural, definidora do nosso caráter. O mar de Niterói não é um mero elemento decorativo; é um personagem ativo na nossa história. Ele foi via de transporte para os primeiros habitantes, fonte de sustento para as comunidades pesqueiras que ainda resistem em locais como Jurujuba, e é hoje o palco de lazer, esporte e, acima de tudo, de contemplação. 

A crônica cultural de Niterói se escreve em seus pores do sol. Eles não são apenas um fenômeno atmosférico; são um evento social. Em Charitas, as pessoas se reúnem no calçadão, nas muretas, nos quiosques, não apenas para ver o sol se pôr, mas para compartilhar o momento. É uma celebração silenciosa do fim de um ciclo e da promessa de um novo começo. Em Icaraí, a orla se transforma em um anfiteatro natural. Famílias inteiras, casais, idosos, jovens, todos se voltam para o mar, em um momento de comunhão coletiva. A diversidade da cidade se dissolve na admiração unânime da beleza. 

Essa conexão profunda com a natureza, com a paisagem costeira, molda o espírito niteroiense. Há certa altivez tranquila em quem vive aqui. Amamos nossa cidade não por sua grandiosidade, mas por sua escala humana, por sua beleza acessível, por esse cotidiano que se permite ser pontuado por momentos de pura poesia, como o pôr do sol. 

A fala de Junior Rodrigues ressoa porque é autêntica. Ela vem de alguém que conhece as nuances da cidade, que viveu suas transformações, que compreende o valor de ter a Baía de Guanabara como cenário diário. E, ao mesmo tempo, é uma fala que fala por todos nós. Seja em Charitas, em Icaraí, ou em qualquer outro ponto da nossa costa, a experiência é a mesma: a sensação de estar em casa, em um lugar único, privilegiado pela natureza.

Portanto, a fotografia de Junior não é apenas um registro de um momento. É um espelho da nossa alma niteroiense. Ela reflete nosso amor pela cidade, nossa conexão com o mar, nossa capacidade de encontrar beleza e serenidade na simplicidade do cotidiano. E, acima de tudo, reafirma a certeza que todos nós, que temos o privilégio de viver em Niterói, carregamos no peito: que não há lugar como o nosso. Que a brisa e o cheiro do mar de Niterói nos acompanhem sempre, e que seus pores do sol continuem a nos inspirar e a nos unir. 

© Alberto Araújo

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