domingo, 18 de janeiro de 2026

A VIDA TECIDA EM ELOS - A RESILIÊNCIA E O PROPÓSITO DE RELIANE DE CARVALHO – HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Existem trajetórias que nos lembram de que a vida não é apenas um caminhar cronológico, mas uma sucessão de renascimentos. Hoje, o Focus Portal Cultural tem o privilégio de compartilhar um relato que transborda humanidade, força e uma dedicação inabalável à cultura e ao próximo. Recebemos, com muita distinção, um vídeo-testemunho de nossa companheira Reliane de Carvalho, Presidente do Elos Clube de Lisboa, que generosamente nos abriu as janelas de sua alma.

A história de Reliane não é feita apenas de títulos ou cargos, mas de uma resiliência rara. Do chão vermelho de Deodápolis, no interior do Mato Grosso do Sul, às históricas calçadas de Lisboa, sua jornada foi marcada por desafios que fariam muitos recuarem. Enfrentar a fragilidade da vida em três momentos de coma profundo não a silenciou; pelo contrário, deu-lhe uma voz que entende o "cuidado" como a maior das artes. 

Como psicóloga, hipnoterapeuta e agora líder de uma das instituições mais nobres da lusofonia, Reliane encarna a essência do Elos Clube. Ela não apenas preside; ela sustenta o sentido de união entre os povos de língua portuguesa, honrando o legado de figuras como o saudoso Dr. Fernando Cardoso e projetando o movimento para um futuro onde a cultura é, acima de tudo, um porto seguro para o humano. 

A editoria do Focus Portal Cultural, gostaria de cumprimentar e felicitar publicamente Reliane de Carvalho. Sua trajetória é um exemplo de que a dor, quando transmutada em propósito, torna-se uma escola de luz. Sua dedicação ao Elos Clube de Lisboa é um presente para todos nós que acreditamos na força dos vínculos e na preservação da nossa identidade cultural. 

Convidamos todos os nossos leitores e amigos a mergulharem no vídeo publicado nesta revista e na transcrição emocionante. É mais do que um depoimento; é uma lição sobre como transformar a existência em uma ponte contínua de fraternidade. 

Reliane, receba o nosso aplauso e a nossa admiração.

© Alberto Araújo

Editor do Focus Portal Cultural

 

(CLICAR NA IMAGEM PARA VER O VÍDEO)

MEMÓRIAS E ELOS - UMA TRAJETÓRIA DE VIDA E PROPÓSITO

(transcrição do vídeo)

 

Não sei exatamente em que momento o Elos começou a existir dentro de mim; talvez porque certos pertencimentos não começam quando chegam, mas começam quando nos reconhecem desde sempre. Nasci em Deodápolis, no interior do Mato Grosso do Sul, uma cidade de horizontes largos, de chão vermelho e de pessoas profundamente ligadas à terra, onde o olhar aprende cedo a reconhecer o outro e o sentido nasce do vínculo, da proximidade e da partilha. Quando menina, deixava muitas vezes as brincadeiras para me sentar com um livro, não por isolamento, mas porque ali, entre letras, algo respirava dentro de mim. Era como se eu soubesse que a palavra podia ser abrigo, que o silêncio podia ser encontro e que a cultura podia ser casa. 

A arte chegou cedo, não como adorno, mas como necessidade: mãos que criavam o que o coração ainda não sabia dizer, roupas, imagens e arranjos que nasciam da alma antes mesmo de haver palavra. E a música? A música já entrava pela janela da minha infância, pela janela da vida: Beethoven, Mozart, Bach, Chopin e a ópera. Eram sons que eu ainda não sabia nomear, mas que o corpo já reconhecia. Depois, ainda criança, descobri a música do Brasil e o fado, ouvidos em silêncio e solitude, como se a saudade fosse um destino pronto a nascer em mim.

A vida cedo me ensinou que existir não é algo garantido. Aos nove anos, entrei em coma profundo devido ao diabetes tipo 1, diagnosticado tardiamente. Com o corpo suspenso e o tempo quieto, vi uma cidade inteira a rezar. Eu voltei sem sequelas visíveis, mas com uma outra forma de olhar o mundo: o mundo como algo que se cuida. Aprendi, então, que a dor sem sentido perde a dignidade, mas a dor como direção torna-se escola, e a vida com propósito chama. Escrevi o meu primeiro livro aos 12 anos e o publiquei aos 15. Nos recortes de jornal da época, não estavam apenas palavras; estava o início de um caminho. 

Aos poucos, a vida foi me conduzindo por projetos diferentes, mas com o mesmo centro: projetos de cuidado, de escuta e de construção. Lugares onde o humano precisava ser visto por inteiro, no corpo, na emoção, na história e no espaço onde vive. Depois, Lisboa chamou. Eu vim e quase não fiquei. Enfrentei outro coma, uma paragem cardiorrespiratória e a desfibrilação. A vida, mais uma vez, disse que ainda não havia acabado. E eu voltei, outra vez. 

Foi em Lisboa que me aproximei da psicologia e do estudo das emoções, esse mundo interno que tantas vezes ignoramos até que ele grite. Durante o mestrado, quando tudo parecia finalmente ganhar forma, o corpo voltou a silenciar-se: uma convulsão prolongada, um terceiro coma e a vida novamente suspensa por um fio invisível. Ainda assim, voltei sozinha e sem sequelas, como quem regressa porque ainda há caminho a percorrer e palavras por dizer. 

Foi também aqui que o Elos entrou definitivamente na minha vida, embora ele já existisse antes de mim. O Elos Internacional nasceu como nascem as ideias necessárias: quando o tempo já não suporta a distância entre povos que partilham a mesma língua e o mesmo sentido de humanidade. Em 8 de agosto de 1959, na praia de São Vicente, diante da enseada onde a memória das caravelas ainda respira, o médico santista Eduardo Dias Coelho, com 12 companheiros, transformou visão em gesto. Ali nasceu o Elos, não como um clube social, mas como um movimento cultural e humanista para aproximar povos, preservar a língua portuguesa e sustentar a fraternidade como valor civilizacional. Chamou-se primeiro "Clube das Oliveiras", símbolo da paz, mas depois encontrou o nome exato: Elos, porque ligar, unir e entrelaçar sempre foi a sua essência. 

O Elos não ficou parado; ele partiu, espalhou-se pelo Brasil, atravessou o Atlântico, chegou a Portugal e continuou seu caminho. Criou raízes em cidades da Europa, estendeu-se à África, alcançou comunidades na América do Norte e chegou à Ásia, sempre onde houvesse uma comunidade lusófona disposta a transformar língua em encontro e cultura em cuidado. O Elos tornou-se presença em muitos lugares do mundo, não como uma imposição ou estrutura rígida, mas como um espaço vivo onde a palavra reúne, a arte aproxima e o humano é o centro. 

Em 1963, o Elos chegou a Lisboa, onde criou raízes e tornou-se casa. O Elos Clube de Lisboa nasceu como um espaço de pensamento, cultura, arte e convivência, feito de encontros que atravessam gerações. Nunca foi apenas um clube; é um movimento humanista onde a palavra cria pontes e o encontro é uma escolha consciente. Por esta casa passaram muitas direções, muitas mãos e muitos nomes,  um trabalho silencioso que, embora nem sempre escrito em listas, permanece no tempo. 

Ao lado do Professor Doutor Fernando Cardoso, aprendi que liderar não é ocupar um lugar, é sustentar um sentido. Quando o Doutor Fernando partiu, em abril de 2025, o Elos ficou mais silencioso, pois algumas presenças são referências fundamentais. Assumi a presidência interinamente com respeito e responsabilidade e, em outubro de 2025, fui eleita Presidente do Elos Clube de Lisboa, não como uma conquista, mas como um compromisso. Hoje, caminho com uma direção que honra essa história e com cada elista que, pela sua presença, mantém essa corrente viva. Afinal, o Elos é feito de quem entra para ouvir, para partilhar e para sentir. 

Atualmente, divido meu tempo entre vários mundos: o Elos, a clínica, a hipnoterapia e uma nova formação em psicologia, transitando entre a Suíça e Viseu. Nesse mesmo gesto de cuidado, acompanho também pessoas em momentos decisivos de suas trajetórias, quando precisam escolher onde "pousar a vida". Trabalho com a compra e venda de casas por compreender que o espaço onde se vive modela silêncios, afetos, rotinas e até a forma como o futuro é imaginado. Uma casa não é apenas paredes; é o cenário onde a história continua a ser escrita. 

Nada disso me afasta do essencial; pelo contrário, ancora-me. Permaneço no cuidado da clínica, na responsabilidade da saúde e na construção diária do Elos, esse lugar onde a cultura também trata, onde a palavra também cuida e onde o humano encontra espaço para ser inteiro. Quando o humano é respeitado, quando a cultura é levada a sério e quando a emoção encontra lugar, a vida responde. O Elos é isso: uma ponte, uma casa, um rito de encontro. Se hoje estou aqui, é porque muitos vieram antes e muitos caminham comigo. Que esta corrente não se rompa; que o Elos continue a ser sentido, presença e humanidade.

 

 











A RESILIÊNCIA E O PROPÓSITO DE RELIANE DE CARVALHO

MONSENHOR JOÃO ALVES GUEDES - UMA VIDA DEDICADA À IGREJA E À CULTURA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Há ocasiões na história em que a consideração pública ultrapassa a formalidade de uma honraria. São momentos em que a sociedade, por meio de suas instituições culturais e acadêmicas, se curva diante de uma trajetória que não apenas se inscreve nos anais da memória coletiva, mas que se torna patrimônio vivo de uma nação. É exatamente isso que se celebra quando falamos de Monsenhor João Alves Guedes, que recebeu o título de Destaque Nacional 2025, concedido pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia. 

Este título não é apenas um diploma ou uma certificação. Ele é a materialização de décadas de dedicação, de uma vida que se fez ponte entre a fé e a cultura, entre o sacerdócio e a educação, entre a espiritualidade e a preservação da identidade brasileira. Monsenhor Guedes, ao longo de sua caminhada, tornou-se mais do que um presbítero: tornou-se um símbolo. Símbolo da resistência cultural, da valorização da palavra, da força da tradição e da beleza da fé que se traduz em ação concreta. 

É raro encontrar personalidades que consigam transitar com naturalidade entre o altar e a tribuna acadêmica, entre a homilia e o discurso literário. Monsenhor Guedes é uma dessas raridades. Sua presença na Academia Niteroiense de Letras e na Academia Fides et Ratio é testemunho de sua capacidade de dialogar com o mundo das ideias, sem jamais perder de vista a essência de sua vocação sacerdotal. 

O reconhecimento da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia não se limita a um gesto protocolar. Ele é, antes de tudo, um ato de justiça cultural. Reconhece-se, assim, que o trabalho de Monsenhor Guedes ultrapassa fronteiras regionais e se projeta em âmbito nacional e internacional. Sua voz ecoa não apenas nos púlpitos, mas também nos círculos intelectuais, nas rodas literárias, nos debates pedagógicos e nas reflexões filosóficas.

Ao receber o título de Patrimônio Cultural Brasileiro, Monsenhor Guedes inscreve seu nome entre aqueles que não apenas viveram sua vocação, mas que a transformaram em legado. Sua vida é testemunho de que a cultura e a fé não são esferas opostas, mas dimensões complementares da existência humana. 

Cada homenagem recebida, seja como cidadão honorário de municípios fluminenses, seja como Capelão Pontifício, é reflexo de uma trajetória que se construiu na humildade e na entrega. E é justamente essa humildade que torna sua figura ainda mais grandiosa. Monsenhor Guedes não reivindica para si a glória das honrarias. Ele as devolve à Igreja, à Mãe e Mestra que o formou, que o sustentou e que lhe deu sentido. 

Ao longo dos anos, Monsenhor Guedes se tornou referência não apenas para os fiéis que o acompanham, mas também para intelectuais, educadores e agentes culturais. Sua atuação pedagógica e acadêmica é marcada pela busca incessante de valorizar a cultura brasileira, de preservar tradições, de incentivar o estudo e de promover o diálogo entre fé e razão. 

Sua caminhada é exemplo de que a verdadeira grandeza não está em títulos ou em cargos, mas na capacidade de servir. Servir à Igreja, servir à cultura, servir à comunidade. É essa dimensão de serviço que o torna digno de cada homenagem recebida. 

O jornalista Alberto Araújo, pelo Focus Portal Cultural, felicita Monsenhor João Alves Guedes com palavras que não são apenas de congratulação, mas de reverência. Reverência a uma vida que se fez testemunho, reverência a uma trajetória que se tornou inspiração, reverência a um sacerdote que se fez patrimônio. 

Monsenhor Guedes, ao receber o título de Destaque Nacional 2025, nos lembra que toda honra deve ser devolvida à Igreja. Sua fala, que transcrevemos a seguir, é a expressão mais pura de sua humildade e de sua fé. É a voz de um homem que, mesmo reconhecido como intelectual e agente cultural, não se vê como protagonista, mas como instrumento.

MENSAGEM DE MONSENHOR JOÃO ALVES GUEDES

“O título, o destaque, a honra conferidos a um presbítero, tudo deve ser direcionado para a Igreja. O homenageado é o padre, mas a honraria, a espetacularidade da homenagem, é para a Igreja. Digo isto porque eu acabo de receber o título dado pela Academia Aldeense de Letras, da qual eu sou membro. É o destaque nacional de dois mil e vinte e cinco. A Igreja é que me proporcionou e proporciona esta, esta alegria. 

Sou da Academia Niteroiense de Letras (ANL) e da Academia Fides et Ratio (AFR – Fé e Razão), com sede no Rio de Janeiro, mas com abrangência internacional. Existem vários membros que são de outros países. 

Como também já recebi vários títulos: de Capelão Pontifício, que me facultou o título de Monsenhor; o título de Cidadão do Estado do Rio e do município de Rio Bonito, de São Pedro da Aldeia, e muitas outras homenagens das várias câmaras. Não só aqui do nosso Estado, mas fora do Estado. A quem eu devo isto? À Igreja. Porque, se eu não fosse padre, se eu não fosse o Monsenhor Guedes que recebeu o que eu tenho da Igreja, porque por mim só eu não conseguiria. 

Eu, neste final de ano, ao ser agraciado com esta homenagem de destaque nacional, do mundo da cultura, duas coisas eu tenho absoluta certeza. 

Não sou o destaque maior do que ninguém. Com certeza, não sou um grande intelectual, mas a minha Igreja é, e, portanto, a grande homenageada é a Mãe Igreja. Com esta pequena reflexão, eu louvo a Deus pela minha existência, pela minha vocação. Sou um cidadão padre muito feliz, mesmo não estando em linha nenhuma ou quase nada nos trabalhos. Meus trabalhos são muito acanhados. Sou feliz e agradeço a Deus.

Portanto, agradeço a distinção enorme pelo título que acabo de receber. Mas louvo ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pela fé que a Trindade Santa me deu. Não é título, é verdade. E à minha Igreja, Mãe e Mestra, meus louvores, meus agradecimentos e a declaração do meu amor.” 

A homenagem ao Monsenhor João Alves Guedes não é apenas o reconhecimento de uma trajetória individual, mas a celebração de um legado coletivo que se confunde com a própria história da Igreja e da cultura brasileira. Sua vida, marcada pela humildade e pela entrega, é testemunho de que o verdadeiro destaque não está em títulos, mas na capacidade de servir e de transformar.

Ao ser elevado à condição de Destaque Nacional 2025, Monsenhor Guedes reafirma que toda honra pertence à Igreja, e que cada conquista é fruto da fé que sustenta sua vocação. Sua palavra, simples e profunda, ecoa como um cântico de gratidão e amor. 

Que esta distinção inspire novas gerações a compreender que a cultura e a fé caminham juntas, e que o sacerdócio, quando vivido com autenticidade, se torna fonte inesgotável de luz para a sociedade. Monsenhor Guedes é, portanto, mais do que um homenageado: é um farol que ilumina caminhos, um patrimônio que transcende fronteiras e um exemplo que permanecerá vivo na memória de todos que reconhecem na Igreja a grande Mãe e Mestra.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 






MATILDE CARONE SLAIBI CONTI – VIAGEM COMO PONTE ENTRE POVOS - O CORAÇÃO CHEIO DE MUNDO, DO LÍBANO A MIAMI, DO CARIBE AO BRASIL: VIAGENS QUE UNEM CULTURAS.


Viajar é um dos gestos mais antigos e universais da humanidade. Desde os primeiros navegadores que se lançaram ao mar em busca de novas terras até os viajantes contemporâneos que percorrem o mundo em busca de conhecimento, cada deslocamento carrega consigo uma essência transformadora. A viagem cultural, em especial, transcende o simples ato de conhecer lugares: ela é um mergulho na alma dos povos, uma oportunidade de compreender tradições, dialogar com histórias e sentir na pele a diversidade que compõe o mosaico humano. 

Ao caminhar por ruas antigas, visitar museus, ouvir músicas locais ou provar sabores típicos, o viajante cultural não apenas observa, mas participa. Ele se torna parte da narrativa de cada lugar, absorve memórias e devolve ao mundo novas perspectivas. É nesse movimento de ida e volta que se constrói a verdadeira ponte entre povos. 

A presidente do Elos Internacional, historiadora e líder cultural Matilde Slaibi Conti, é exemplo vivo dessa vocação. Para ela, viajar é missão: cada jornada é uma oportunidade de fortalecer laços, valorizar a Língua Portuguesa e reafirmar que a cultura é o maior patrimônio da humanidade. Suas viagens não são apenas deslocamentos físicos, mas experiências que se transformam em legado, em inspiração e em compromisso. 

Do Líbano, terra de seus antepassados, às metrópoles vibrantes como Miami, passando pelos portos históricos e paradisíacos do Caribe, Matilde mostra que a viagem cultural é um caminho de aprendizado contínuo. Cada lugar visitado é uma lição de história e humanidade, cada encontro é uma celebração da diversidade, cada retorno é um reencontro com suas raízes. 

Assim, ao narrar suas experiências, Matilde nos convida a refletir sobre o verdadeiro sentido da viagem: não apenas conhecer o mundo, mas deixar-se transformar por ele.

Por isso que desde muito jovem, Matilde compreendeu que o conhecimento não se limita aos livros ou às salas de aula. Ele se expande nas ruas de cidades antigas, nos mercados coloridos, nas músicas que ecoam em praças, nos sabores que revelam tradições. Cada viagem é uma lição viva, uma oportunidade de sentir na pele o que antes era apenas relato ou memória. 

Suas viagens recentes não são isoladas: elas se somam a experiências marcantes, como sua jornada ao Líbano, terra de seus antepassados. Ali, Matilde não apenas conheceu um país, mas reencontrou suas raízes, dialogando com a história e a identidade que moldaram sua própria trajetória. 

Ao lado de seu esposo José França Conti, partiu rumo à Terra dos Cedros. O que encontrou foi um país admirável, berço da cultura e da civilização, generoso e hospitaleiro, pátria das liberdades humanas, aberto a todas as correntes do pensamento. 

Em Beirute, capital vibrante, Matilde contemplou o porto movimentado e os cumes nevados ao fundo. Visitou universidades e foi apresentada como professora brasileira em instituições renomadas. Admirou coleções de moedas antigas, manuscritos árabes raríssimos e joias fenícias. 

Encantou-se com os brocados, mosaicos e artefatos de cobre e couro vendidos nas lojas da capital. Para Matilde, o Líbano é mais do que um país: é uma ponte entre passado e futuro, entre raízes e horizontes. 

Após essa experiência emocionante no Líbano, Matilde seguiu para Miami, acompanhada de seu irmão Nagib Slaibi Filho e de Karin Dias, musa inspiradora de Nagib. A cidade, conhecida por sua energia vibrante e diversidade cultural, foi o ponto de partida para novas descobertas. 

Miami é mais do que uma metrópole moderna. É um espaço de encontro entre culturas, onde o espanhol, o inglês e o português se misturam nas ruas. Para Matilde, caminhar por Miami foi sentir a pulsação de uma cidade que reflete o mundo em miniatura.

De Miami, Matilde embarcou em um cruzeiro da MSC rumo ao Caribe, onde cada porto revelou histórias e culturas únicas. 

Em Roatán, localizada em Honduras, encontrou uma ilha que respira história. Antigo refúgio de piratas, hoje é destino turístico de celebridades e viajantes que buscam águas cristalinas e recifes de coral.

Em Puerto Limón, na Costa Rica, mergulhou na cultura afrodescendente que pulsa nas ruas. A música caribenha, os mercados coloridos e a hospitalidade do povo revelaram a força da diversidade. 

Em Colón, no Panamá, contemplou a grandiosidade do Canal, obra que mudou o curso da história mundial. As fortificações coloniais mostraram a importância estratégica da região ao longo dos séculos. 

Em Ocean Cay, nas Bahamas, testemunhou a transformação de uma antiga mina de areia em reserva ecológica. Hoje, é um santuário de vida marinha e aves tropicais, exemplo de turismo sustentável. 

Cada parada no Caribe foi mais do que um passeio: foi uma lição de história e humanidade. 

Depois de percorrer mares e memórias, Matilde regressa ao Brasil. Esse retorno não é apenas geográfico: é simbólico, espiritual e cultural. 

O Brasil, com sua diversidade e riqueza humana, é o solo que acolhe e inspira Matilde. Cada viagem internacional amplia sua visão de mundo, mas é aqui que ela encontra o ponto de partida e de chegada. Ao voltar, traz na bagagem compromissos renovados: fortalecer a Língua Portuguesa, valorizar o patrimônio histórico e cultural, e unir povos através da diplomacia cultural. 

Para Matilde, o Brasil é mais do que pátria: é coração e raiz. É o espaço onde suas descobertas se tornam projetos, onde suas reflexões se transformam em iniciativas, e onde sua liderança encontra eco em comunidades que compartilham da mesma paixão pela cultura. 

A trajetória de Matilde mostra que viajar é muito mais do que deslocar-se. É um ato de encontro, de diálogo e de construção de pontes entre povos. Do Líbano a Miami, do Caribe ao Brasil, cada passo foi marcado por descobertas que revelam a diversidade como patrimônio da humanidade. 

Assim, como a essência cultural em suas veias e sobretudo reverenciar as suas raízes, publica o relato sobre sua viagem ao Líbano, na Coletânea Sem Fronteiras pelo MundoRede Sem Fronteiras, organizada por Dyandreia Portugal, reafirmando que o tema viagem não é apenas deslocamento físico, mas experiência transformadora. É reconhecer que viajar é viver intensamente, é aprender com o outro, é celebrar a diversidade. 

PALAVRAS DA PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI 

“Cada porto que conheci foi uma lição de história e humanidade.” 

“No Líbano, senti que minhas raízes dialogam com o mundo, unindo passado e futuro.”

“Voltar ao Brasil é como abraçar minhas raízes com o coração cheio de mundo.”

“Viajar é aprender que a cultura é o maior patrimônio da humanidade.”

As palavras da presidente Matilde Slaibi Conti ecoam como um convite à reflexão. Cada viagem narrada não é apenas memória pessoal, mas testemunho coletivo de que o mundo se constrói na diversidade e na troca entre culturas. Do Líbano às águas do Caribe, passando pela energia vibrante de Miami e pelo reencontro com o Brasil, sua trajetória mostra que viajar é aprender, é sentir, é transformar.

Ao unir raízes e horizontes, Matilde reafirma que a verdadeira riqueza da humanidade está na cultura, no diálogo e na capacidade de reconhecer no outro um espelho de nós mesmos. Sua jornada é ponte entre povos, elo entre tempos e inspiração para todos que acreditam que o conhecimento se expande quando cruzamos fronteiras. 

Assim, este relato publicado na Coletânea Sem Fronteiras pelo Mundo – Rede Sem Fronteiras, organizada por Dyandreia Portugal, não é apenas uma história de viagens, mas um manifesto de esperança: que cada passo dado em terras estrangeiras nos aproxime mais da essência universal que nos une como humanidade.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 





sábado, 17 de janeiro de 2026

FOTO-MEMÓRIA ESTÁ DE VOLTA - UM REENCONTRO COM NOSSAS RAÍZES CULTURAIS

O tempo passa, mas há instantes que permanecem vivos na memória coletiva, como se fossem molduras invisíveis penduradas no coração da cidade. É com esse espírito que o Focus Portal Cultural anuncia, com alegria e reverência, o retorno do quadro FOTO-MEMÓRIA, um espaço dedicado a resgatar momentos marcantes da nossa história cultural, social e afetiva. 

E para reinaugurar esse projeto que tanto nos emociona, escolhemos uma imagem compartilhada por Maria Otilia Camillo que fala por si: quatro presenças que, cada uma a seu modo construiu os alicerces da cultura em Niterói. Um retrato que não apenas registra uma ocasião especial, mas eterniza presenças que fizeram e fazem a diferença. 

CARLOS MÔNACO - O GUARDIÃO DAS PALAVRAS 

À esquerda da imagem, com postura serena e olhar atento, está Carlos Mônaco, proprietário da tradicional Livraria Ideal. Mais do que um comerciante de livros, Carlos é um verdadeiro guardador da literatura, um homem que transformou sua livraria em ponto de encontro de intelectuais, poetas, professores e leitores apaixonados. A Livraria Ideal não é apenas um espaço físico é um território simbólico onde ideias circularam e ainda circulam amizades se formam e a cultura se fortalece. Carlos representa a resistência silenciosa dos que acreditam no poder transformador da leitura. Sua presença na FOTO-MEMÓRIA é um tributo àqueles que mantêm acesa a chama do conhecimento, mesmo em tempos difíceis. 

NILDE BARROS DIUANA - A VOZ QUE EMOCIONA 

Ao lado de Carlos, com um sorriso acolhedor e vestida com elegância, está Nilde Barros Diuana, irmã gêmea de Neide Barros Rêgo, é declamadora formada pelo Centro Cultural Maria Sabina. Nilde é daquelas pessoas que não apenas dizem poemas, ela os vive. Sua voz tem o dom de tocar o íntimo, de fazer com que cada verso encontre morada no peito de quem escuta. 

Formada por uma das instituições mais respeitadas da cidade, Nilde carrega consigo a força da oralidade, da tradição falada, da arte que se transmite de boca em boca, de alma em alma. Sua presença na imagem é um lembrete de que a poesia não está apenas nos livros, ela está nas pessoas que a encarnam. 

NEIDE BARROS RÊGO -  A SAUDADE QUE INSPIRA 

Ao centro da imagem, com expressão firme e afetuosa, está a saudosa Neide Barros Rêgo, diretora do Centro Cultural Maria Sabina. Neide foi uma força da natureza: educadora, gestora cultural, incentivadora de talentos e, acima de tudo, uma mulher que acreditava no poder da arte como ferramenta de transformação social. 

Sob sua liderança, o Centro Cultural Maria Sabina se tornou um celeiro de artistas, um espaço de formação e acolhimento, onde jovens e adultos encontraram oportunidade de expressar suas vozes. Neide partiu, mas deixou um legado que continua pulsando em cada projeto, em cada artista que passou por suas mãos generosas. Sua imagem nesta FOTO-MEMÓRIA é mais que uma homenagem é um gesto de gratidão por tudo o que ela construiu e inspirou. 

ALBERTO ARAÚJO – O OLHAR QUE DOCUMENTA

À direita da imagem, estou eu, Alberto Araújo, diretor do Focus Portal Cultural e idealizador do quadro FOTO-MEMÓRIA. Falar de mim nesse contexto é, antes de tudo, reconhecer o papel que escolhi desempenhar: o de quem observa, registra e preserva. 

Não sou protagonista, sou ponte. Meu trabalho à frente do Focus é uma missão que abracei com afeto e responsabilidade: documentar a cultura local, dar visibilidade aos artistas, contar histórias que merecem ser contadas e que, muitas vezes, correm o risco de se perder no tempo. 

Acredito que a memória é um bem coletivo, e que cada gesto, cada encontro, cada expressão artística carrega um valor que precisa ser cuidado. Por isso, o FOTO-MEMÓRIA não é apenas um quadro, é um compromisso com o passado que nos forma e com o presente que nos transforma. 

Essa imagem, por exemplo, é mais do que um registro. É um reencontro com figuras que admiro profundamente: Carlos Mônaco, com sua Livraria Ideal que há décadas alimenta mentes e corações; Nilde Barros Diuana, cuja voz poética ecoa com beleza e força; e a inesquecível Neide Barros Rêgo, que fez do Centro Cultural Maria Sabina um verdadeiro farol para a cultura de Niterói. 

Estar ao lado deles, naquele momento, foi como estar diante de um espelho que reflete não apenas rostos, mas trajetórias. E poder revisitar essa cena agora, através do FOTO-MEMÓRIA, é reafirmar o valor de cada um desses caminhos.

Não me vejo como alguém que transforma, mas como alguém que testemunha. E se meu olhar consegue dar forma às lembranças e às histórias que nos constituem, então sigo em paz com o propósito que escolhi. 

Seguimos juntos, com respeito à memória e com olhos atentos ao que ainda está por vir.

UM CONVITE À MEMÓRIA AFETIVA

O retorno do quadro FOTO-MEMÓRIA é um convite à reflexão, à valorização das trajetórias que moldam nossa identidade cultural. Cada foto será uma janela para o passado, uma ponte para o presente e uma inspiração para o futuro. 

Que essa primeira imagem seja apenas o início de uma série de reencontros com pessoas, lugares e momentos que merecem ser lembrados. Porque lembrar é também resistir, é afirmar que a cultura vive e continuará viva enquanto houver quem a celebre. 

Seja bem-vindo de volta, FOTO-MEMÓRIA. Que sua luz continue iluminando os caminhos da nossa história.

© Alberto Araújo

 

AÇÃO COMUNITÁRIA PELA ÁGUA DOCE - UMA CAMPANHA DO ROTARY INTERNATIONAL

Envolver e capacitar as comunidades para proteger, restaurar e sustentar ecossistemas de água doce. 

A Ação Comunitária pela Água Doce, em inglês, Community Action for Fresh Water - CAFW é uma iniciativa global lançada pelo Rotary International em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA. 

O Rotary compartilha do interesse de proteger o bem que temos em comum: o meio ambiente 

Estamos empenhados em apoiar atividades que reforcem a conservação e proteção dos recursos naturais e promovam a sustentabilidade ecológica. Empoderamos as comunidades para que abracem soluções locais, criem projetos inovadores e acessem subsídios e outros recursos a fim de fomentar a harmonia entre as pessoas e a natureza. 

O objetivo principal é mobilizar clubes de Rotary, Rotaract e Interact para proteger, restaurar e sustentar ecossistemas de água doce (rios, lagos, áreas úmidas) em suas comunidades locais. 

PONTOS CHAVE DA INICIATIVA: 

Parceria PNUMA-Rotary: Lançada em janeiro de 2024, a iniciativa une a experiência técnica do PNUMA com a rede comunitária do Rotary. 

Adoção de Corpos d'Água: Incentiva os clubes a "adotar" um corpo d'água local, realizando limpezas, testes de qualidade da água, reflorestamento de margens (APP) e remoção de espécies invasoras. 

Combate à Poluição: Foca na redução da poluição plástica e de resíduos sólidos nos mananciais.

Sustentabilidade: Visa integrar práticas de conservação do solo e da água, beneficiando a biodiversidade e as comunidades humanas. 

Ações e Impacto: 

Os clubes de Rotary utilizam o mapa da plataforma communityactionforfreshwater.org para registrar seus projetos e compartilhar melhores práticas. 

A iniciativa visa:

Restaurar ecossistemas degradados.

Monitorar a qualidade da água.

Capacitar a comunidade local sobre a importância da preservação.

Esta iniciativa faz parte da área de enfoque do Rotary de Meio Ambiente e está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU

CARTA DE ALBERTO PALOMBO 

“Prezados companheiros rotarianos e rotaractianos,

O Rotary International, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançou uma iniciativa global para fortalecer a ação ambiental, em especial a restauração e proteção dos ecossistemas de água doce, como lagos, rios, córregos, áreas úmidas e bacias hidrográficas  

Essa colaboração oferece uma oportunidade única para que cada clube rotário contribua ativamente com projetos ambientais de grande impacto em suas comunidades, alinhados à área de enfoque ambiental do Rotary. Solicitamos gentilmente o seu apoio para promover essa iniciativa em toda a sua rede rotária: em seu clube, distrito, zona e além.

Incentivamos todos os clubes rotários a se registrarem e fazerem parte desse movimento global. A equipe do Rotary está disponível para apoiar os clubes durante todo o processo e responder a quaisquer dúvidas. Além disso, no próximo mês serão realizados webinars informativos para fornecer mais orientações. Enquanto isso, incentivamos os clubes a darem o primeiro passo e realizarem o registro.


Registre seu clube aqui: 

https://www.communityactionforfreshwater.org/ 


Agradecemos por nos ajudar a divulgar essa importante parceria e por seu contínuo compromisso com a proteção dos recursos hídricos do nosso planeta. Juntos, podemos gerar um impacto ambiental positivo e duradouro em nossa comunidades. 

Alberto Palombo

Chair, ESRAG Brasil

 








MATILDE SLAIBI CONTI JÁ ESTÁ EM TERRAS BRASILEIRAS

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional anuncia com alegria que nossa presidente, historiadora e líder cultural Matilde Slaibi Conti, já se encontra em solo brasileiro após sua marcante jornada pelo Caribe, Honduras, Bahamas e Estados Unidos. 

A imagem publicada que ilustra este momento, representa com sensibilidade o retorno de Matilde: serena, elegante e com o brilho de quem carrega na bagagem encontros culturais inesquecíveis.  

Ao lado de seu irmão Nagib Slaibi Filho e de Karin Dias, musa inspiradora de Nagib, Matilde percorreu mares e memórias, conectando povos e fortalecendo o compromisso com a Língua Portuguesa e o mundo lusófono. 

PALAVRAS DA PRESIDENTE MATILDE 

Voltar ao Brasil é como reencontrar meu chão com o coração cheio de mundo.” 

Cada lugar que conheci me ensinou que a cultura é o elo mais forte entre os povos.” 

@ Alberto Araújo


 

O PORTUGUÊS NA ONU - A VOZ DE 260 MILHÕES DE PESSOAS

 

A língua é mais do que um instrumento de comunicação: é a expressão viva da identidade de um povo, o fio que costura memórias, tradições e visões de mundo. O português, idioma que nasceu na Península Ibérica e se espalhou pelos oceanos durante séculos de navegação e colonização, hoje é falado por mais de 260 milhões de pessoas. Esse número coloca a língua de Camões entre as cinco mais faladas do planeta, ao lado de gigantes como o inglês, o espanhol, o árabe, o chinês e o francês. 

Apesar dessa relevância, o português ainda não figura entre os idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa ausência é sentida como uma lacuna por milhões de falantes que veem sua cultura representada em organismos internacionais, mas não plenamente reconhecida no maior fórum diplomático do mundo. Foi justamente para enfrentar essa questão que, em 27 de maio de 2011, uma delegação de rotarianos brasileiros esteve na sede da ONU, em Nova York, levando consigo um memorial que defendia a inclusão do português como língua oficial da organização. 

O português é idioma oficial em nove países: Brasil e Portugal, além de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Essa comunidade linguística, conhecida como lusofonia, se estende por quatro continentes e carrega consigo uma diversidade cultural impressionante.

Por razões históricas, o idioma também sobrevive em regiões que outrora estiveram sob domínio português, como Goa, Diu e Damão, na Índia; Macau, na China; e Málaca, na Malásia. Essa presença global faz do português uma língua de pontes, capaz de unir povos em torno de valores comuns e de uma herança cultural compartilhada. 

Não por acaso, o português já é reconhecido como língua oficial em organismos multilaterais como a União Europeia, a União Africana e a Organização dos Estados Americanos. A ausência na ONU, portanto, soa como uma contradição diante da importância geopolítica e cultural da língua. 

A iniciativa de levar o pleito à ONU partiu de instituições ligadas ao movimento rotário, que historicamente se dedica a causas humanitárias e culturais. A delegação foi recebida na Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas pelo conselheiro Alan Coêlho Séllos, em nome da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. 

O documento entregue ao secretário-geral Ban Ki-moon foi assinado por lideranças de peso: Ricardo Vieira Lima Magalhães Gondim, presidente da Cooperativa Editora Brasil Rotário; Carlos Henrique de Carvalho Fróes, presidente da Academia Brasileira Rotária de Letras (ABROL); Eduardo de Barros Pimentel, presidente da Fundação de Rotarianos de São Paulo; Carlos Jerônimo da Silva Gueiros, presidente da Comissão Interpaíses Brasil-Portugal e demais Países de Língua Oficial Portuguesa (CIP/PLOP); Maria Inês Botelho, presidente do Elos Internacional, representada por Odilza Vital; além de José Alves Fortes, Waldenir de Bragança, Vicente Herculano da Silva, Henrique Bragança, Zeneida Apolônio Seixas e Dulce Rocha de Mattos. 

A pluralidade dos signatários reforçava a legitimidade da proposta: não se tratava de um pedido isolado, mas de uma demanda coletiva, enraizada em diferentes segmentos da sociedade civil.

Durante a visita, os rotarianos foram acompanhados por funcionários diplomáticos da ONU, como Wagner Santiago, da Biblioteca da ONU na Comissão de Serviço Civil Internacional, e Ivan Cordeiro, da Divisão de Políticas de Recursos Humanos. 

O encontro também foi oportunidade para recordar a trajetória do Brasil na ONU. O conselheiro Alan Séllos destacou a figura do embaixador Oswaldo Aranha, que presidiu a primeira Assembleia Geral da organização em 1946. Desde então, tornou-se tradição que o Brasil seja o país responsável por abrir os debates anuais da Assembleia Geral, gesto que simboliza a relevância histórica da diplomacia brasileira. 

Outro ponto discutido foi o pleito do Brasil para integrar de forma permanente o Conselho de Segurança da ONU. Séllos lembrou que a postura serena e pacífica da diplomacia brasileira, herdeira da tradição portuguesa, confere ao país credenciais sólidas para ocupar esse espaço estratégico. 

A reunião foi considerada altamente significativa. Para os presentes, tratava-se de um passo concreto rumo ao reconhecimento da importância da cultura lusófona no cenário internacional. A inclusão do português entre os idiomas oficiais da ONU seria não apenas um gesto de justiça cultural, mas também uma forma de ampliar a representatividade de milhões de cidadãos que hoje se comunicam nesse idioma. 

Mais do que uma questão linguística, o pedido simbolizava o desejo de ver a diversidade cultural refletida nas instâncias de decisão global. Afinal, a ONU nasceu com o propósito de unir nações em torno da paz e da cooperação, e não há cooperação plena sem o reconhecimento das vozes que compõem esse mosaico humano. 

O português é uma língua de poesia e de diplomacia, de música e de ciência. É o idioma de Camões, de Machado de Assis, de Mia Couto e de José Saramago. É também a língua que embala o samba, a bossa nova, o fado e as mornas cabo-verdianas.

Ao reivindicar seu espaço na ONU, os rotarianos brasileiros não pediam apenas por uma tradução simultânea nos corredores da diplomacia. Pediam pelo reconhecimento de uma história que atravessa séculos e oceanos, e que hoje se manifesta em diferentes sotaques e expressões culturais. 

A visita de 2011 à sede da ONU foi um marco simbólico. Ainda que o português não tenha sido imediatamente incorporado como língua oficial, o gesto abriu caminho para que a discussão ganhasse visibilidade e força.

Mais do que uma reivindicação burocrática, tratava-se de um ato de afirmação cultural. Um lembrete de que a língua é parte essencial da identidade dos povos e que, ao reconhecer o português, a ONU estaria reconhecendo também a contribuição da lusofonia para a construção de um mundo mais plural, democrático e humano. 

© Alberto Araújo

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