terça-feira, 29 de setembro de 2026

29 DE SETEMBRO DE 2026 – CELEBRAMOS OS 479 ANOS DO NASCIMENTO DE MIGUEL DE CERVANTES - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL


MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA nasceu em Alcalá de Henares, c. no dia 29 de setembro de 1547 e faleceu em Madrid, no dia 22 de abril de 1616. 

Antes de dar ao mundo a maior obra-prima do romance ocidental, Miguel de Cervantes Saavedra foi um homem marcado pelo chumbo, pelo ferro e pelo mofo das prisões. Não há romantismo de gabinete na gênese de Dom Quixote: o homem que batizou para sempre o espanhol como "a língua de Cervantes" escreveu suas páginas mais imortais não com a comodidade dos afortunados, mas com a fúria e a resiliência de quem conheceu os porões do mundo. 

Nascido sob o céu incerto de Alcalá de Henares no fim de setembro de 1547, o segundo filho do modesto cirurgião-barbeiro Rodrigo de Cervantes e da destemida Leonor de Cortinas cresceu no ritmo sobressaltado das dívidas da família, aprendendo desde cedo a marchar entre a escassez e a incerteza. 

A juventude de Cervantes não foi escrita sobre papel de seda, mas a ferro e fogo. Em 1569, fugindo de Madrid após um duelo que lhe rendeu um mandado de prisão, encontrou abrigo em Roma e, logo depois, na infantaria da Marinha Espanhola. A bordo da galé Marquesa, em meio ao estrondo de canhões na Batalha de Lepanto (1571), o jovem soldado enfrentou a febre e as arcabuzadas otomanas. O saldo daquele combate marcaria seu corpo para sempre: duas feridas no peito e a inutilização definitiva do braço esquerdo. Nascia o "Manco de Lepanto", uma alcunha que carregaria não com pesar, mas com orgulho mítico

Contudo, a tragédia ainda reservava novos capítulos. Em 1575, a caminho de casa, sua embarcação foi aprisionada por corsários berberes. Arrastado para Argel, viveu cinco longos anos como escravo. Esboçou quatro tentativas de fuga cinematográficas, mantendo a altivez e a liderança entre os cativos até ser finalmente resgatado pela ordem dos padres Trinitários em 1580. 

De volta a uma Espanha sufocada por crises econômicas, Cervantes viveu o cotidiano duro de quem precisava recolher grãos e impostos para a Coroa. Ironicamente, foram os infortúnios financeiros e uma breve prisão por irregularidades contábeis que abriram as portas da imortalidade: reza a tradição que foi na escuridão da Caverna de Medrano, em Argamasilla de Alba, que sua mente genial começou a tecer as loucuras e verdades de Dom Quixote.

Publicado em duas partes (1605 e 1615), o livro rompeu as estruturas da literatura ao reinventar a arte de narrar. Ao lado de tesouros como as Novelas Exemplares, o poema Viagem do Parnaso e o romance pósfumo Os Trabalhos de Persiles e Sigismunda (1617), Cervantes fincou a pedra fundamental da ficção moderna.

Nos seus últimos dias, amparado pela Ordem Terceira Franciscana e pelo mecenato do Conde de Lemos, o mestre residiu em Madrid. Partiu em 22 de abril de 1616, vitimado pelo diabetes. Seu sepultamento, ocorrido no dia seguinte no Convento das Monjas Trinitárias Descalças, eternizou o 23 de abril como o Dia Mundial do Livro. 

Quase quatro séculos depois, em 2015, a antropologia forense resgatou seus fragmentos ósseos do esquecimento, devolvendo às honras de Estado o homem que, mesmo ferido e empobrecido, deu ao mundo a eterna lição de que o espírito humano é invencível diante do tempo.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


A história do engenhoso fidalgo Dom Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Pança conquista leitores geração após geração. O clássico de Miguel de Cervantes é considerado o expoente máximo da literatura espanhola e, em 2002, foi eleito por uma comissão de escritores de 54 países o melhor livro de ficção de todos os tempos. Em homenagem aos 400 anos de morte de Miguel de Cervantes, a Nova Fronteira traz ao público esta edição especial, com a obra integral em dois volumes. O texto de Cervantes é acompanhado das belíssimas ilustrações do francês Gustave Doré, um dos mais fantásticos artistas do século XIX.

 

As aventuras do Cavaleiro da Triste Figura e de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, são recontadas por meio de um texto dinâmico e acessível, nenhum moinho de vento a ser enfrentado. As ilustrações contribuem para o caráter clássico do livro, e há um apêndice sobre o autor e Quixote na literatura, pintura e cinema.

 

Obra precursora do romance moderno, o primeiro volume de Dom Quixote é publicado pela Antofágica com artes que representaram o livro desde o século 17 até ilustrações inéditas dos dias de hoje. Com tradução de Paula Renata de Araújo e Silvia Massimini Felix, o livro é vertido do idioma original por mulheres pela primeira vez no Brasil. Publicado em 1605, Dom Quixote é considerado o grande clássico da literatura espanhola e uma das principais obras da literatura mundial. Ao narrar a vida de um admirador de romances de cavalaria que resolve se tornar ele próprio um cavaleiro andante, Miguel de Cervantes escreveu um livro rico em perspectivas e que traz reflexões para o leitor a cada causo. Uma obra que ultrapassa a sátira de histórias medievais e narra acontecimentos tanto divertidos quanto trágicos, passando também pelos grandes dilemas universais da existência humana: amor, medo, orgulho, vaidade e loucura. Louco, porém nem tanto. Quando acompanha as aventuras do cavaleiro gentil ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, o leitor nota que suas fantasias, como a cena dos gigantes moinhos de vento, acabam sendo desmentidas por uma realidade dura, às vezes violenta. Assim, nestas incursões idealistas, que dissolvem as fronteiras entre vida e literatura, o leitor pode se identificar com o protagonista e entender que podemos não estar tão distantes assim do famoso Quixote. Esta edição é a primeira do mundo a contar com uma pesquisa de imagens que representam o livro desde o século 17, além de trazer pinturas de uma gama seleta de artistas atuais. A seleção de imagens proporciona ao leitor um passeio por representações de Dom Quixote ao longo de diferentes tempos e geografias, e conta com nomes como Portinari, Doré, Dalí, Cézanne, Daumier, Goya, Romanelli e muitos outros, em quase 100 artes. A apresentação é assinada especialmente por Sergio Drummond, fundador da Antofágica, que convida, com emoção, o leitor para a história que o fez amar literatura e arte. Nos posfácios, o psicanalista Christian Dunker disserta sobre a tão famosa loucura quixotesca, a pesquisadora Maria Augusta da Costa Vieira (USP) faz uma análise sobre o leitor e a leitura em Dom Quixote, o acadêmico espanhol José Manuel Lucía Megías (Universidade Complutense de Madri) comenta a pesquisa iconográfica e as representações visuais do cavaleiro, e as tradutoras Paula Renata de Araújo e Silvia Massimini Felix escrevem um testemunho sobre a árdua e prazerosa tarefa de tradução. O QR Code na cinta direciona a duas videoaulas sobre o livro, disponíveis no YouTube, com Maria Augusta da Costa Vieira, Professora Titular de Literatura Espanhola da Universidade de São Paulo e a maior especialista em Cervantes no Brasil.

 




Morte de Miguel de Cervantes


O ECO DO TEMPO: TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO SINO ROTÁRIO

 

O eco do sino rotário vai muito além de um simples toque metálico: ele é a batida que sincroniza propósitos, acende a atenção e confere solenidade aos encontros.

Em uma época marcada pela velocidade digital e pela informalidade cotidiana, símbolos tradicionais como este frequentemente provocam reflexões sobre o equilíbrio entre a identidade institucional e a modernidade.

No entanto, a sonoridade do sino permanece como um convite à presença e à escuta coletiva, transformando o ritual em um elo vivo de união, respeito e continuidade histórica. 

@ Alberto Araújo




segunda-feira, 28 de setembro de 2026

GRANADA - JUAN DIEGO FLÓREZ

 

A SINCRONIA DA ALTA ARTE: ALICE FONTANELLA E A MAGIA DE JUAN DIEGO FLÓREZ E VINCENZO SCALERA

 

A contemplação estética é, como diria Schiller, o refúgio onde o espírito humano se eleva à sua mais alta liberdade. É essa intelectualidade viva que transparece neste belo retrato de Alice Fontanella. Sorridente, elegante e com um olhar que reflete a profundidade de quem cultiva o espírito pelas sendas da cultura, ela segura o livreto de programação que anuncia um dos momentos mais arrebatadores da temporada lírica: o recital do incomparável tenor Juan Diego Flórez ao lado do brilhante pianista Vincenzo Scalera no prestigiado Teatro Cultura Artística. 

O encarte em suas mãos, que traz nas capas as datas de quinta-feira, 24, e domingo, 27 revela um programa primoroso, costurado com obras-primas de mestres consagrados como Mozart, Rossini, Donizetti, Édouard Lalo e Verdi.

É o tipo de repertório que exige técnica impecável e entrega absoluta, qualidades que Flórez e Scalera entregam com maestria aos amantes da boa música.

 

Toda a composição da imagem parece em perfeita harmonia. A blusa preta com leves brilhos assemelha-se a um céu estrelado de gala, combinando perfeitamente com o fundo abstrato em tons de azul e com a atmosfera de sofisticação que a ópera evoca. A elegante bolsa preta com detalhes dourados arremata um visual que une sobriedade e charme. 

Alice, com sua paixão contagiante pela música clássica e pelas grandes emoções do palco, personifica o espírito do verdadeiro apreciador da arte. Ela não apenas observa a cultura; ela a abraça, faz parte dela e nos convida a celebrar a beleza dessas noites inesquecíveis. Que Alice continue a nos inspirar com sua luz e seu refinado entusiasmo, sempre sintonizada com as mais belas melodias da vida! 

©  Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


Granada - Juan Diego Flórez



UBE-RJ PROMOVE BRILHANTE PALESTRA SOBRE A ODISSEIA COM TERESA CRISTINA MEIRELES DE OLIVEIRA

 

Com uma plateia concorridíssima, a União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ), sob a presidência de Luiza Lobo e a vice-presidência de Ana Maria Tourinho, realizou, em 28 de setembro de 2026, mais um importante encontro literário em sua sede, na Lapa, reunindo expressivo público e destacadas personalidades do universo cultural. 

A palestra "Periplo: a Odisseia revisitada", ministrada por Teresa Cristina Meireles de Oliveira, foi recebida com grande entusiasmo pelos presentes. Demonstrando rara erudição, profundo domínio dos clássicos e notável capacidade de comunicação, a palestrante conduziu uma reflexão rica e envolvente sobre a obra atribuída a Homero. Com segurança, clareza e entusiasmo contagiante, Teresa Cristina apresentou novas perspectivas sobre a jornada de Odisseu, evidenciando a atualidade e a força simbólica de uma das mais importantes narrativas da tradição ocidental. 

O evento destacou-se pelo elevado nível intelectual dos debates e pela significativa presença de escritores, pesquisadores, artistas e representantes de diversas instituições culturais. Além da presidente Luiza Lobo, da vice-presidente Ana Maria Tourinho e da própria palestrante, estiveram presentes inúmeras personalidades do meio cultural. Entre os convidados ilustres, registrou-se a presença do acadêmico Acmeno Bastos – membro da Academia Carioca de Letras;  Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras, Ana Cristina Campelo – CEO do Jornal DR1; escritores e acadêmicos:  Zara Paim; Chaja Freida Finkelsztain, Tchello d’Barros cujas participações conferiram ainda maior relevância ao encontro e muitos outros.

Ao final, uma concorrida sessão de autógrafos proporcionou momentos de diálogo, confraternização e troca de experiências entre a palestrante e o público. A UBE-RJ reafirma, assim, sua missão de promover a literatura, a cultura e o intercâmbio de ideias, consolidando-se como um dos mais importantes espaços de reflexão intelectual e artística do Rio de Janeiro. 

© Alberto Araújo

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MEMÓRIA, ARTE E OLHAR: O ENCONTRO COM TONINHO MACHADO NA SOCIEDADE FLUMINENSE DE FOTOGRAFIA - © ALBERTO ARAÚJO

Fotografar quem fotografa carrega sempre uma camada extra de significado. É um exercício de espelhamento, um reconhecimento mútuo entre quem observa o mundo através de lentes e quem decide registrar esse observador. Foi com essa sensibilidade que capturei a imagem de Antonio Machado, o querido e respeitado Toninho, presidente da octogenária Sociedade Fluminense de Fotografia (SFF), na aconchegante Galeria Jayme Moreira de Luna, fundador da SFF, situado no coração da instituição. 

No dia 12 de outubro de 2026, a Sociedade Fluminense de Fotografia (SFF) celebra seus 82 anos de fundação, data originada em 12 de outubro de 1944. Ao longo de mais de oito décadas, a instituição tem sido o coração pulsante da cultura, da preservação visual e do ensino fotográfico em Niterói. Passado e futuro se encontram em seus espaços, onde a tradição de grandes mestres da imagem continua a inspirar novas gerações de fotógrafos e apaixonados pela arte.

O ambiente da SFF transborda história em cada canto, respirando a sétima arte e a fotografia em sua essência mais pura. No momento em que fiz o registro, Toninho estava posicionado ao lado de uma verdadeira relíquia visual: uma fotografia impressionante de Heitor Villa-Lobos, Stefan Rosenbauer foi um prestigiado fotógrafo alemão e medalhista olímpico de esgrima que imigrou para o Brasil, onde fez história nos anos 1940 e 1950. Seu estúdio no Centro do Rio de Janeiro era frequentado por grandes personalidades brasileiras, incluindo o compositor Heitor Villa-Lobos, de quem era vizinho e amigo próximo. O trabalho de Rosenbauer ficou muito conhecido pelo uso marcante de luz e sombra, sendo comparado a um "Rembrandt moderno" e pela expressividade que capturava nos olhos dos retratados. 

Contemplar aquela obra ao lado de Toninho foi uma experiência magnética. Ele falava daquela imagem com um orgulho legítimo, daqueles que iluminam o rosto e entregam a paixão genuína pela cultura e pela memória artística do nosso país. A fotografia de Villa-Lobos, capturada em um clássico e atemporal preto e branco, impressiona pela força. Nela, o maestro brasileiro aparece segurando um cigarro entre os dedos, enquanto direciona um olhar profundamente fixo, penetrante e intenso diretamente para a câmera de Stefan Rosenbauer. 

A peça é imponente, emoldurada em uma arte de proporções generosas, estimo que alcance cerca de 1 metro por 80 centímetros, dominando o espaço com uma presença quase viva, como se o próprio maestro estivesse ali, vigiando e inspirando todos os frequentadores daquele salão. 

Esse encontro marcante aconteceu durante a realização do inspirador evento “Artistas da ANE”, um projeto cultural vibrante lindamente coordenado e apresentado com maestria por Leda Mendes Jorge. 

O evento trouxe à tona a força da diversidade artística, transformando o espaço da SFF em um ponto de convergência para criadores, pensadores e admiradores da arte em suas múltiplas formas. A energia do encontro era palpável, unindo gerações e consolidando a fotografia e a cultura como pontes essenciais de diálogo humano. 

A atmosfera de sensibilidade daquele dia foi potencializada por outra atração imperdível que movimenta os corredores da instituição: a exposição "Caminhos do Afeto", inaugurada no dia 29 de agosto de 2026, às 15h, na sede da Sociedade Fluminense de Fotografia na Rua Dr. Celestino, 115, Centro, Niterói. 

A mostra exibe um conjunto tocante de fotografias que revelam a sensibilidade e o olhar único de seus talentosos artistas: Betina Longi da Silva, Bruno de Almeida Fonseca, Camila Caldas Coutinho, Clézio de Menezes, Davi Schiavoni Machado, Giselle Souza do Espirito Santo, Higor Pires de Sousa, Jacy Therezinha Caldas Coutinho, José Antonio de Souza Amador, Jullyana de Souza Oliveira, Laura de Araújo Ferreira Braz, Leticia dos Santos Coelho, Liana Sales Ferreira, Ligia Ferreira Rocha, Lucas Figueiras de Mendonça Valente, Luiz Alexandre Bragança dos Santos, Luiz Andre de Souza Amador, Marcia Abdalla Ramos, Maria das Graças Infante Pereira, Matheus Ribeiro Habib da Fonseca, Olivia Shiavoni Machado, Patricia Mendes da Silva, Phillipy Raphael Pereira dos Santos, Renato Moreira de Oliveira, Sophia do Nascimento Gomes e Wanilda do Socorro Lopes. 

Ver esses trabalhos é um lembrete urgente e poético sobre o poder democratizante da fotografia. A câmara, nas mãos desses alunos e criadores, transforma-se em um canal autêntico de expressão, provando que a arte não conhece barreiras físicas ou sensoriais. Cada enquadramento exposto revela perspectivas únicas, mundos particulares que merecem ser vistos, aplaudidos e integrados ao debate cultural contemporâneo. A iniciativa reforça o papel da SFF não apenas como um reduto de preservação histórica, mas como um espaço vivo, inclusivo e voltado para o futuro. 

Estar ali, registrando Toninho Machado diante da imponente imagem de Villa-Lobos, em meio a um evento tão pulsante e a uma exposição tão significativa, fez-me refletir sobre o papel da nossa própria memória. A fotografia é, antes de tudo, uma forma de resistir ao esquecimento. 

Toninho, com sua dedicação incansável à SFF, é parte vital dessa resistência cultural em Niterói. Ao congelar aquele instante, quis guardar não apenas a sua figura sorridente e orgulhosa, mas toda a atmosfera de um dia em que a arte se fez presente em sua totalidade: na história contada por Stephen Rosembaum, na música eterna de Villa-Lobos, na curadoria afetiva de Leda Mendes Jorge e na pureza do olhar dos fotógrafos da exposição Caminhos do Afeto. Um verdadeiro mosaico de afetos, capturado para a posteridade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

 

UM POUCO SOBRE STEFAN ROSENBAUER

Stefan Rosenbauer foi um dos mais importantes nomes da fotografia e da esgrima no Brasil do século XX. Nascido em 24 de março de 1896, na cidade de Biberach an der Riß, na Alemanha, construiu uma trajetória marcada pela excelência esportiva e artística, deixando um legado reconhecido tanto na Europa quanto no Brasil. 

Antes de se destacar como fotógrafo, Rosenbauer alcançou projeção internacional na esgrima. Integrante do tradicional Fechtclub Hermannia Frankfurt, foi campeão alemão de espada em 1931 e 1932, além de conquistar o título nacional de florete em 1933. Sua habilidade o levou a representar a Alemanha em importantes competições internacionais, incluindo o Campeonato Mundial de 1934, em Varsóvia, onde conquistou a medalha de bronze por equipes. Dois anos depois, integrou a seleção alemã que obteve a medalha de bronze no florete por equipes nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. 

Em 1939, diante das transformações políticas da Europa, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Naturalizou-se brasileiro e passou a defender o Fluminense Football Club, tornando-se uma das figuras de destaque da esgrima nacional. Competiu nas três armas da modalidade, florete, espada e sabre, acumulando títulos individuais e por equipes até encerrar sua carreira competitiva em 1954.

Paralelamente à vida esportiva, Rosenbauer desenvolveu uma notável carreira na fotografia. Formado na Alemanha, recebeu o título de Mestre da Arte Fotográfica em 1921, distinção que o habilitava a formar novos profissionais. Reconhecido desde jovem por sua competência técnica, obteve premiações importantes ainda em seu país de origem, consolidando reputação como retratista de excelência. 

Ao chegar ao Brasil, reabriu seu estúdio fotográfico no Rio de Janeiro e introduziu técnicas modernas de iluminação, composição e retrato artístico que contribuíram significativamente para a evolução da fotografia brasileira. Seu trabalho destacou-se especialmente pelo refinado domínio da luz e sombra e pela produção de retratos clássicos que influenciaram gerações de fotógrafos. 

Rosenbauer participou ativamente do movimento fotográfico brasileiro. Foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF), atuou como consultor técnico do Photo Club Brasileiro e desempenhou papel relevante na Sociedade Fluminense de Fotografia. Como mestre e orientador, formou diversos profissionais que mais tarde se tornariam referências na fotografia nacional, entre eles Chico Albuquerque e Heinz Förtmann. 

Seu estúdio tornou-se ponto de referência para artistas, intelectuais e personalidades da época. Retratou figuras como Heitor Villa-Lobos, Marechal Rondon e integrantes da histórica companhia teatral Os Artistas Unidos, liderada por Henriette Morineau. Seus retratos foram publicados em livros, jornais e revistas, transformando-se em registros valiosos da vida cultural brasileira. 

O reconhecimento internacional veio também por meio da Fédération Internationale de l'Art Photographique (FIAP), que lhe concedeu, em 1957, o título de Artiste FIAP (AFIAP), em homenagem à qualidade de sua produção e aos serviços prestados à fotografia mundial. 

Stefan Rosenbauer faleceu em 18 de agosto de 1967, no Rio de Janeiro. Seu legado permanece vivo tanto no esporte quanto na fotografia. Considerado um dos grandes retratistas de sua geração, deixou uma extensa galeria de imagens que documenta com sensibilidade, elegância e rigor artístico importantes personagens da sociedade brasileira do século XX.















Dia 2 de setembro de 2006

Festividades em homenagem ao dia mundial da fotografia com a inauguração da galeria Jayme Moreira de Luna e das salas Cesar Salamonde, Chakib Jabor, Luis Antonio Pimentel, Nair Avellar Nunes e Walter Fialho Bittencourt. A abertura aconteceu no salão Octávio do Prado. Neste dia também foram inauguradas duas exposições coletivas: "A Alma do Vidro" e "Nós estávamos aqui nos anos 70".







AS TECEDURAS DO TEMPO E DO AFETO: A TRAJETÓRIA DE SYLVIA MARIA FASCIOTTI - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Neste momento em que o Focus Portal Cultural celebra com orgulho esta trajetória, a homenagem ganha voz e alma na presença inspiradora de Sylvia Maria Fasciotti. Na tradição e na essência do seu nome, associado à serenidade, à resiliência e à nobreza de Santa Sílvia, Sylvinha humaniza-se num perfil bondoso, acolhedor e genuinamente feliz de quem transforma o zelo institucional numa verdadeira arte de cuidar. A sua presença no Rotary Club de Niterói é uma marca viva de honra e dedicação que ilumina e enriquece a todos.

Com maestria e elegância, é ela quem nos apresenta habitualmente o Informativo da instituição ao lado da Ata da celebração, enriquecendo o dinâmico informativo com uma precisão impecável. Nas suas páginas, Sylvinha presenteia-nos com textos primorosos de incentivo e renovação que tocam o coração da comunidade.

A sua dedicação vai além do protocolo: expressa-se no abraço caloroso, no sorriso largo ao receber os companheiros e no afeto traduzido nos seus famosos dotes culinários, do arroz com brócolis ao requinte do camarão, passando pelo strogonoff, pelo fricassê de frango e pela batata dourada. É a perfeita representatividade da secretária dedicada: guardiã da memória, ponte de afeto e símbolo de um servir que renova a esperança.

SYLVINHA: UM NOME DE HONRA, AFETO E SABOR NO ROTARY

Sob a brisa suave de Niterói, onde a luz do contorno da baía inspira o acolhimento e o civismo, desabrocha a história de Sylvia Maria Fasciotti. Nascida a 29 de março de 1947, trouxe no olhar o dom da sensibilidade e na alma o compromisso de fazer da própria vida um campo fertilizado pelo conhecimento, pela elegância e pela vocação de servir.

Educadora por essência e vocação, Sylvia compreendeu desde cedo que ensinar é, antes de tudo, um ato de profundo afeto e cidadania. Essa visão generosa do mundo naturalmente a conduziu ao universo do voluntariado, onde a solidariedade deixa de ser uma abstração para se tornar gesto concreto, abraço fraterno e transformação social.

A sua história junto da família rotária começou a desenhar capítulos de refinamento e liderança no Rio de Janeiro. Acompanhando com entusiasmo o trabalho comunitário em Ramos, expressou a sua vocação liderante ao assumir a presidência da Casa da Amizade da Família Rotária do Rio de Janeiro na gestão 1981–1982. Com altivez e sensibilidade humana, conduziu a instituição com a dignidade que lhe é própria, deixando uma marca inabalável de realizações.

O tempo, contudo, guardava um marco histórico para quem nasceu para protagonizar. Quando o Rotary Internacional abriu formalmente as suas portas para reconhecer e integrar a força e a sabedoria femininas nos seus quadros de associados, o destino de Sylvia encontrou o seu chamado definitivo. Em 1991, acolhendo o honroso convite do Governador Omar Silva Araújo, ingressou no Rotary Club de Niterói, dando início a uma jornada extraordinária que ultrapassa três décadas e meia de dedicação ininterrupta.

Dentro do Distrito, a sua presença tornou-se sinônimo de excelência e tato institucional. Com postura irretocável, desempenhou por quatro períodos a função de Diretora de Protocolo, conduzindo solenidades com a maestria de quem domina a arte do bem-receber. A sua vocação para a organização e a sua memória viva da governadoria fizeram dela uma personalidade fundamental: por 13 períodos esteve à frente da Primeira-Secretaria da Governadoria, exercendo um trabalho silencioso, impecável e admirado por sucessivas gerações de lideranças rotárias.

Com a leveza de quem transforma o servir em arte, a presença de Sylvia Maria Fasciotti, carinhosamente chamada por todos de Sylvinha, é um verdadeiro patrimônio de carinho, dedicação e liderança. O nome Sylvinha carrega honra, história e um valor imensurável. A sua essência luminosa é indispensável em cada encontro: recebe companheiros e convidados sempre de braços abertos e com um sorriso largo, feliz e genuíno, tornando qualquer recepção um momento de pura celebração e fraternidade.

Essa vocação singular para o acolhimento ganha vida e sabor nas grandes festividades rotarianas. A assinatura inconfundível de Sylvinha está presente na maioria dos jantares e momentos comemorativos do distrito, onde o seu talento culinário encanta todos os paladares com sabor e apuro impecáveis.

Paralelamente ao compromisso comunitário, Sylvia imprimiu a sua vivacidade no cenário comercial. Durante 23 anos, a sua loja, a icônica Bem Brasil, no Trade Center, foi muito mais do que um espaço empresarial; foi um ponto de encontro de estética, bom gosto e valorização cultural, onde cada cliente e amigo era recebido com a simpatia radiante que sempre caracterizou a sua personalidade.

Entretanto, é no jardim mais íntimo do seu lar que repousa a sua obra-prima. A caminhada construída ao longo dos anos, ao lado do recordado Luiz Antonio Fasciotti, empresário de destaque e proprietário da tradicional Sapataria Elite em Bonsucesso, frutificou na bênção da maternidade. Sylvia é a matriz amorosa de dois filhos, Bruno e Sabrina, que herdaram dos seus gestos a nobreza de caráter, o respeito ao próximo e o amor às tradições da família.

E como na composição de uma linda melodia o movimento final é o que nos comove a alma, a vida presenteou Sylvia com a doçura suprema de ver o tempo renovar-se. O olhar de mãe desdobrou-se na ternura de avó, e o seu coração encontrou uma morada infinita nos sorrisos dos seus quatro netos: Bernardo, Luiza, Thiago e Bruna. Neles, Sylvia contempla o futuro a florir, a continuidade do seu legado e a certeza de uma trajetória pautada pela luz, pela generosidade e pelo amor incondicional.

Sylvinha é, assim, a síntese do amor em servir: uma mulher amada por todos, que nutre a comunidade rotária e a cultura fluminense tanto pelo zelo e rigor da sua atuação institucional quanto pelo afeto que coloca em cada registro, em cada prato e em cada sorriso.

Por tudo isto, e por tanto carinho a nós dispensado ao longo de inúmeros encontros, festividades e jornadas comunitárias, temos a imensa honra e a mais profunda gratidão de homenagear esta inestimável companheira. Trazer o nome e a trajetória de Sylvia Maria Fasciotti ao centro da nossa atenção é um ato de inteira justiça: a sua vida sintetiza o rigor, a elegância e a doação que definem a nobre arte de organizar, acolher e secretariar.

Sylvinha ensina-nos diariamente que secretariar é muito mais do que registrar atas, organizar protocolos ou conduzir informativos com precisão impecável; é a arte de cuidar, de pontuar o tempo com zelo, de guardar a memória e de edificar pontes humanas de confiança e afeto. Em cada texto de incentivo publicado, em cada recepção calorosa adornada pelo seu sorriso largo, e na generosidade dos seus gestos, que confortam o espírito e alimentam a amizade, ela eleva o servir à sua máxima dignidade expressiva.

A ela, que se tornou referência inabalável de nobreza institucional e amor ao próximo, o Focus Portal Cultural estende este tributo de admiração e reconhecimento. Que o seu exemplo continue a iluminar, inspirar e representar dignamente todos aqueles que, com idêntica devoção, fazem do zelo diário uma sublime vocação de servir.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

28 de setembro de 2026

 

ESPECIAIS MOMENTOS DA TRAJETÓRIA

DE SYLVIA FASCIOTTI

 






























(Mini Vídeo - Clicar na imagem para assistir)


Sylvia Fasciotti disse: Alberto, bom dia! Quero agradecer de coração pela biografia e, principalmente, pelo carinho e pela generosidade das suas palavras.
Confesso que fiquei até sem graça com tantos elogios! Você conseguiu me apresentar de uma maneira tão bonita que, por alguns momentos, até eu mesma me perguntei: “Será que sou tudo isso?” 
Brincadeiras à parte, fiquei muito feliz e profundamente agradecida pela delicadeza com que contou um pouco da minha trajetória. Receber esse reconhecimento de um jornalista como você é, para mim, uma honra e uma grande alegria. Muito obrigada pelo carinho e pela sensibilidade. Vou guardar essa homenagem com muito amor.  Sylvinha.