domingo, 27 de setembro de 2026

O AROMA DOS LIVROS E A GRAÇA DA AMIZADE: O ALMANAQUE BERTRAND COMO DÁDIVA DA ALMA

Certas delicadezas só o afeto e a convivência intelectual sabem lapidar. Quando a estimada confreira Liane Arêas desembarca de Portugal e me traz em mãos a 86ª edição do Almanaque Bertrand, 2026-2027, o tempo parece desacelerar para dar lugar à gratidão. Esta já é a quarta vez que a querida amiga, com seu bom gosto ímpar e sensibilidade de sempre, me presenteia com essa preciosa publicação lusitana. Que presentão! Há gestos que não apenas agradam, mas verdadeiramente adocicam a vida, alimentam a memória e renovam nosso amor pelas artes e pela cultura. 

O Almanaque Bertrand é muito mais do que um anuário; é um fragmento vivo e pulsante da história da Livraria Bertrand, o secular templo das letras no Chiado, em Lisboa, reconhecido como a livraria mais antiga do mundo em funcionamento contínuo. Nascida na primeira metade do século XVIII pelas mãos dos irmãos Bertrand, a casa editorial transformou o seu almanaque em uma verdadeira tradição bibliográfica. 

Editado anualmente entre 1899, na histórica tiragem lançada para o ano de 1900 e 1970, edição de 1971, foram 72 volumes marcantes antes de um hiato de quatro décadas. 

Em 2011, para júbilo dos bibliófilos, a publicação renasceu, firmando-se definitivamente como objeto de culto, memória e afetividade.

Esta edição de 2026-2027 traz uma densidade histórica especial ao celebrar meio século da Constituição Portuguesa sob o mote "À prova do tempo". Revestido por uma capa impactante assinada pelo mestre André Carrilho, o volume combina a profundidade dos ensaios de Maria Inácia Rezola, sobre os bastidores da construção da Carta Magna lusa e de Patrícia Reis, que reflete sobre a inestimável liberdade de escrever conquistada após o 25 de Abril, com a verve sutil das letras contemporâneas. 

Entretanto, o grande encanto do Almanaque Bertrand reside justamente na sua forma única de mesclar erudição e leveza. Percorrer suas páginas é fazer um passeio interior por efemérides literárias, fases da Lua, estações do ano, mapas de fusos horários, poemas, contos, crônicas, caricaturas e adivinhações que desafiam a argúcia do leitor com cálculos e interpretações refinadas, uma tradição centenária que atravessa gerações sem perder o viço.

Ter ao alcance do olhar e do manuseio esse pedaço da memória lusa, trazido pelas mãos generosas de Liane Arêas, é um privilégio que aquece o coração. O Almanaque Bertrand nos lembra de que a vida se torna infinitamente mais saborosa quando celebrada entre páginas bem escritas e amizades que sabem presentear com o que há de mais nobre: a cultura e o afeto. Obrigado! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 


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Liane Arêas disse: Meu Deus, fiquei até sem fôlego para pensar e dizer algo sobre tanta beleza, construída num texto de agradecimento. 

Obrigada, eu, Alberto Araujo, amigo mui estimado nesse multifacetado caminho das letras! Suas mãos fraternas unem com bem-querer todos à sua volta…🌻🙏🌻

Compartilhamos de toda tradição histórica cultural, do gosto pela arte, pela literatura, daí lembrar de você quando entro na Bertrand para passar uns instantes mergulhada nesse mundo das ideias… Uma amiga portuguesa, escreveu-me, numa dedicatória de um livro-presente:

“ … bem-vinda ao Clube dos que amam ler livros!”

   É isso, gosto muito de lembrar dessa frase da amiga

de lá … ✨🇵🇹✨

E desde a primeira vez que lhe falei sobre o Almanaque, que compartilhamos dessa “Dádiva da Alma”, sempre lembro: Preciso ir à Bertrand comprar o presente do Alberto… 

Boa leitura, companheiro do “Clube dos amam ler livros”. 

Seu texto muito alegrou-me! 

Fraterno abraço… 🌻📚🌻 Liane.








 

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