sábado, 31 de janeiro de 2026

ORGULHO DE NORDESTINO


O presente vídeo diz: o poeta Antônio Mesquita diz que o sotaque é o rebolado da voz. E já que o cordel é a expressão viva da cultura nordestina, vamos expressar o nosso orgulho de ser nordestino através de um cordel de Bráulio Bessa que diz assim:

Sou gibão do vaqueiro, sou cuscuz, sou rapadura.

Sou vida difícil e dura, sou nordeste brasileiro.

Sou cantador violeiro, sou alegria onde chover.

Sou doutor sem saber ler. Sou rico sem ser granfino.

Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser.

 

Da minha cabeça chata, do meu sotaque arrastado,

do nosso solo rachado, dessa gente maltratada,

quase sempre injustiada, acostumada a sofrer.

Mas mesmo nesse padecer, eu sou feliz desde menino.

Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser.

 

Terra de cultura viva, Chico Anysio, Gonzagão,

de Renato Aragão, Ariano e Patativa.

Gente boa, criativa. Isso só me dá prazer.

E hoje, mais uma vez, eu quero dizer muito obrigada ao destino.

Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser.

 

E aí a gente encerra com uma frase célebre do grande Ariano Suassuna que diz: "Eu não troco o meu oxente pelo ok de ninguém, né?" Então, viva a expressão nordestina, viva o rebolar da nossa identidade cultural, viva o nosso sotaque, viva o nosso nordeste!

 

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No rebolado da voz, como disse o poeta Antônio Mesquita, pulsa o coração do Nordeste – terra de gibão vaqueiro, cuscuz quente e rapadura doce, onde a vida é dura como o solo rachado, mas fértil em alegrias que chovem mesmo na seca. Bráulio Bessa nos embala nesse cordel vivo: sou cantador de viola, doutor do saber popular, cabeça chata e sotaque arrastado que não troco pelo "ok" de ninguém, ecoando Ariano Suassuna em seu oxente eterno. 

Aqui, entre Patativa do Assaré e Gonzagão, Renato e Chico, floresce uma gente criativa, injustiçada mas resiliente, feliz no padecer, obrigada ao destino por esse orgulho que cresce quanto mais se é nordestino. É o cordel da alma, o rebolar da identidade, viva o nosso sotaque que dança no peito de quem carrega o Brasil no sangue!

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

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