sexta-feira, 6 de março de 2026

O SABER COMO MISSÃO: UM OLHAR SOBRE A MINHA PRÓPRIA JORNADA - TEXTO INSPIRADO EM UM VÍDEO DO PROFESSOR MATEUS SALVADORI

 

Sempre que vejo alguém dizer "se eu fosse rico, nunca mais estudava", sinto um aperto no peito, acompanhado de uma profunda reflexão. Para muitos, o estudo é um fardo, uma obrigação para alcançar um fim. Para mim, é exatamente o oposto. Se a vida me desse toda a fortuna do mundo, meu primeiro passo seria o que já faço hoje: me cercar de livros e passar meus dias mergulhado neles. No meu escritório, entre as estantes que guardam inúmeras vozes, é onde sinto que o meu mundo finalmente se completa. 

Escrevo e produzo conteúdo não por vaidade intelectual, mas por um dever de honestidade. Como jornalista e escritor, carrego a responsabilidade de informar o que é original e o que tem fundamento. Meus leitores chegam ao meu portal cultural em busca da cultura brasileira e universal, e eu não teria a coragem de lhes entregar nada menos que a verdade atualizada. Por isso, leio todos os dias; não por status, mas para não falhar com quem me lê e, ao mesmo tempo, para conhecer e entender o poder da linguagem e a expressividade do outro. 

Para Jorge Luis Borges, o paraíso era uma espécie de biblioteca. Filosoficamente, isso significa que o espaço físico dos livros deixa de ser apenas uma sala e torna-se um espaço ontológico. Ali, o tempo não é o cronológico, aquele do relógio e da produtividade desenfreada, mas Kairós: o tempo da qualidade e da revelação. Neste contexto, o estudo diário cumpre duas funções essenciais: 

A Atualização, o Devir: O mundo muda a cada instante. Estudar é acompanhar o fluxo da vida para não oferecer ao leitor uma visão obsoleta da realidade.

A Permanência, o Ser: Através dos clássicos em minha biblioteca, mantenho os pés no que é perene. É essa base sólida que me permite interpretar a cultura popular e a educação sem cair no superficialismo das "trends" passageiras. 

No entanto, houve algo que demorei a perceber sozinho. Durante muito tempo, apenas segui minha intuição de buscar o saber. Foi preciso que a minha mestra, a professora e escritora Dalma Nascimento, me mostrasse algo que eu ainda não tinha enxergado sobre o meu próprio caminho. Ela me disse, com aquela sabedoria que lhe é própria, que eu "passeio em todos os universos, do lírico ao popular, da cultura à educação".

Eu não percebia essa minha transição entre mundos até ela verbalizá-la. Foi um verdadeiro despertar de humildade. Entendi que o meu papel não é estar "acima" do conhecimento, mas ser um eterno aprendiz que transita entre a poesia mais refinada e a cultura do povo, tentando ser a ponte que une esses dois extremos. 

Hoje, quando me sento para escrever para o portal, sinto o peso e a leveza desse aprendizado. Humildemente, reconheço que sei muito pouco diante da imensidão dos livros que me cercam, mas é justamente essa "falta" que me move. Continuo estudando, me atualizando e lendo, porque só assim posso honrar a confiança de quem busca no meu trabalho um reflexo fiel da nossa imensa cultura. Como bem disse Mateus Salvadori, o estudo não é o que nos cansa; é o que nos liberta para sermos quem realmente somos.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


(VÍDEO  PROFESSOR MATEUS SALVADORI)

A provocação de Mateus Salvadori, que ecoa na sua rotina cercada de livros, toca no nervo exposto da nossa sociedade contemporânea: a confusão entre o estudo como instrumento de ascensão econômica e o estudo como exercício de liberdade. Quando alguém diz que "se fosse rico, não estudaria mais", essa pessoa revela que enxerga o conhecimento apenas como um "pedágio" necessário para o conforto material. No entanto, para o intelectual, para o jornalista e para o escritor, a riqueza não é o que nos afasta dos livros, mas o que deveria nos permitir mergulhar neles sem as interrupções do utilitarismo pragmático.


MENSAGEM DAPROFESSORA DALMA NASCIMENTO

Querido amigo Alberto, que papel importante você está fazendo à Cultura em quaisquer horizontes em que ela se manifeste. Vai do mundo erudito ao popular. Parabéns pelo seu grandioso trajeto. Dalma.





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