Sempre que vejo alguém dizer "se eu fosse rico, nunca mais estudava", sinto um aperto no peito, acompanhado de uma profunda reflexão. Para muitos, o estudo é um fardo, uma obrigação para alcançar um fim. Para mim, é exatamente o oposto. Se a vida me desse toda a fortuna do mundo, meu primeiro passo seria o que já faço hoje: me cercar de livros e passar meus dias mergulhado neles. No meu escritório, entre as estantes que guardam inúmeras vozes, é onde sinto que o meu mundo finalmente se completa.
Escrevo e produzo conteúdo não por vaidade intelectual, mas por um dever de honestidade. Como jornalista e escritor, carrego a responsabilidade de informar o que é original e o que tem fundamento. Meus leitores chegam ao meu portal cultural em busca da cultura brasileira e universal, e eu não teria a coragem de lhes entregar nada menos que a verdade atualizada. Por isso, leio todos os dias; não por status, mas para não falhar com quem me lê e, ao mesmo tempo, para conhecer e entender o poder da linguagem e a expressividade do outro.
Para Jorge Luis Borges, o paraíso era uma espécie de biblioteca. Filosoficamente, isso significa que o espaço físico dos livros deixa de ser apenas uma sala e torna-se um espaço ontológico. Ali, o tempo não é o cronológico, aquele do relógio e da produtividade desenfreada, mas Kairós: o tempo da qualidade e da revelação. Neste contexto, o estudo diário cumpre duas funções essenciais:
A Atualização, o Devir: O mundo muda a cada instante. Estudar é acompanhar o fluxo da vida para não oferecer ao leitor uma visão obsoleta da realidade.
A Permanência, o Ser: Através dos clássicos em minha biblioteca, mantenho os pés no que é perene. É essa base sólida que me permite interpretar a cultura popular e a educação sem cair no superficialismo das "trends" passageiras.
No entanto, houve algo que demorei a perceber sozinho. Durante muito tempo, apenas segui minha intuição de buscar o saber. Foi preciso que a minha mestra, a professora e escritora Dalma Nascimento, me mostrasse algo que eu ainda não tinha enxergado sobre o meu próprio caminho. Ela me disse, com aquela sabedoria que lhe é própria, que eu "passeio em todos os universos, do lírico ao popular, da cultura à educação".
Eu não percebia essa minha transição entre mundos até ela verbalizá-la. Foi um verdadeiro despertar de humildade. Entendi que o meu papel não é estar "acima" do conhecimento, mas ser um eterno aprendiz que transita entre a poesia mais refinada e a cultura do povo, tentando ser a ponte que une esses dois extremos.
Hoje, quando me sento para escrever para o portal, sinto o peso e a leveza desse aprendizado. Humildemente, reconheço que sei muito pouco diante da imensidão dos livros que me cercam, mas é justamente essa "falta" que me move. Continuo estudando, me atualizando e lendo, porque só assim posso honrar a confiança de quem busca no meu trabalho um reflexo fiel da nossa imensa cultura. Como bem disse Mateus Salvadori, o estudo não é o que nos cansa; é o que nos liberta para sermos quem realmente somos.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
Querido amigo Alberto, que papel
importante você está fazendo à Cultura em quaisquer horizontes em que ela se
manifeste. Vai do mundo erudito ao popular. Parabéns pelo seu grandioso
trajeto. Dalma.

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