quarta-feira, 18 de março de 2026

DRUMMOND, O FILHO ETERNO - POESIA DE ALBERTO ARAÚJO PARAFRASEANDO “PARA SEMPRE” DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



PARA SEMPRE – POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

(POR ELE MESMO)

 

Para sempre.


Por que Deus permite que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite, é tempo, é sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba.

Veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.

Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça, é eternidade.

Por que Deus se lembra, mistério profundo, de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca!

Mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.

 

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DRUMMOND, O FILHO ETERNO

Poesia de Alberto Araújo parafraseando “Para Sempre” de Carlos Drummond de Andrade

 

O Rei do Mundo teria uma lei,

simples, clara, definitiva.

Não haveria partidas,

nem despedidas amargas,

para aquelas que moldaram a vida.

 

Deus, em seu mistério profundo,

esquece as regras da terra.

Mas o filho, em silêncio, insiste:

Mãe é eternidade,

veludo em pele enrugada.

 

Morrer é coisa de quem passa,

sem deixar rastro ou herança.

Mãe é rastro eterno,

na alma do filho,

na memória de quem fica.

 

E assim, o filho velho,

mesmo que pareça grande,

será sempre um menino,

pequenino feito grão de milho,

ao lado da mãe que não morre.

 

Porque mãe não tem hora,

não tem tempo, não tem fim.

É luz que brilha,

no escuro da alma,

no vazio do coração.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 

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