quinta-feira, 12 de março de 2026

LUZILÂNDIA: 136 ANOS DE LUZ ÀS MARGENS DO VELHO MONGE - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Luzilândia não nasceu como tantas cidades que brotam da poeira das estradas: ela surgiu como uma estrela que se desprendeu do céu e repousou às margens do Velho Monge. Desde então, sua claridade não se apagou. Cada aniversário é como o reacender de uma constelação, lembrando que a cidade é feita de fé, de rio e de povo, e que sua origem, na Fazenda Estreito de João Bernardino de Souto Vasconcelos, foi apenas o primeiro lampejo de uma chama que cresceria até se tornar rainha do Piauí. 

O Parnaíba, chamado carinhosamente de Velho Monge, é o guardião silencioso dessa estrela. Suas águas viram nascer a fazenda de gado, viram erguer-se as primeiras casas, viram a devoção a Santa Luzia transformar-se em templo e em nome. O rio não é apenas geografia: é memória líquida, é espelho da cidade que se reflete em suas margens e se reconhece no seu curso.

Na noite de 10 de março de 2026, quando Luzilândia celebrou seus 136 anos de emancipação política, o céu parecia cúmplice da festa. As ruas se tornaram constelações humanas: crianças como estrelas cadentes, idosos como luas cheias de lembranças, jovens como cometas em movimento. A prefeita Fernanda Marques conduziu a celebração como quem segura uma tocha herdada de gerações, mas era o povo quem realmente iluminava a noite. O hino de Luzilândia, com versos de Raimundo Nonato Vale, ecoa como epígrafe de orgulho coletivo, reafirma o título de “Rainha do Piauí”. 

Cada aniversário é também um rito de memória. Lembrar João Bernardino de Souto Vasconcelos é lembrar que a cidade nasceu de trabalho e fé. Lembrar Santa Luzia é lembrar que a luz não é apenas metáfora, mas destino. Lembrar o Velho Monge é lembrar que o rio é testemunha e promessa. A história não é apenas passado: é chama que se reacende em cada geração. 

Mas Luzilândia não é apenas raiz: é horizonte. O futuro se desenha nas escolas, nos projetos culturais, na preservação do rio e da fé. Cada criança que aprende a ler é uma estrela nova no céu da cidade. Cada jovem que dança ou canta é uma constelação que se forma. Cada gesto de cuidado com o Parnaíba é um pacto de eternidade. A luz que deu nome à cidade é também farol para o amanhã. 

E se a crônica pede lirismo, basta olhar para o céu de Luzilândia. As estrelas parecem dialogar com o nome da cidade, como se Santa Luzia tivesse acendido cada uma delas para lembrar que há claridade mesmo nas noites mais escuras. O Velho Monge, silencioso, carrega em suas águas a memória dos que vieram antes, e devolve ao povo a certeza de que a cidade é eterna. Luzilândia é estrela caída do céu, mas também estrela que se levanta todos os dias, iluminando o Piauí.

Cumprimento, assim, meus conterrâneos: Luzilândia é mais que terra natal, é raiz e horizonte. São 136 anos de história, de fé e de cultura, celebrados com o brilho de quem sabe que a luz não se apaga. Que cada aniversário seja também um renascimento, e que o Velho Monge continue a embalar nossas memórias, enquanto Santa Luzia guia nossos passos. 

Luzilândia nasceu de uma fazenda de gado às  margens do Velho Monge, o Rio Parnaíba. Desde então, sua claridade não se apagou. Cada aniversário é como o reacender de uma constelação, lembrando que a cidade é feita de fé, de rio e de povo. 

O português João Bernardino Souto Vasconcelos fundou, em 1890, a Fazenda Estreito, origem da povoação que cresceria até se tornar município. Por influência política do coronel José Francisco de Carvalho e de Augusto Gonçalves do Vale, a vila foi elevada à categoria de sede municipal, com o nome de Porto Alegre. 

No local onde hoje se ergue a Igreja Matriz, construiu-se um pequeno templo em homenagem a Santa Luzia, padroeira que daria destino e nome à cidade. Em 1931, a vila passou a chamar-se Joaquim Távora, mas em 1935 voltou a ser Porto Alegre. Elevada à categoria de cidade em 1938, instalou-se em 1939. A legislação federal proibia duplicidade de nomes, e em 1943, finalmente, Porto Alegre tornou-se Luzilândia,  homenagem definitiva à santa que ilumina os caminhos.

Localizada a 03º27'28" sul e 42º22'13" oeste, a 30 metros de altitude, Luzilândia tem área de 735,90 km². Limita-se ao norte com o Maranhão e Joca Marques; ao sul com Morro do Chapéu e São João do Arraial; a oeste com Madeiro e Matias Olímpio. 

O Rio Parnaíba é sua espinha dorsal. Uma ponte de concreto e ferro permite a travessia para o Maranhão, mas o rio continua sendo mais que fronteira: é memória líquida, guardião da cidade que se reflete em suas águas. 

O clima é quente e úmido, com chuvas concentradas nos primeiros meses do ano. A média anual de precipitação é de 1.400 mm, e a temperatura média gira em torno de 28 °C. O sol brilha por cerca de 2.750 horas anuais, como se reforçasse o destino luminoso da cidade.

Há registros extremos: 16 °C em 1998 e 1999, e 41,6 °C em novembro de 2005. O maior acumulado de chuva em 24 horas foi de 126,8 mm em março de 1996. Março de 2003, com 451,4 mm, foi o mês mais chuvoso da história registrada. O céu de Luzilândia é, portanto, palco de contrastes: ora fogo, ora água, mas sempre luz. 

O hino de Luzilândia, com epígrafe do poeta Raimundo Nonato Vale, ecoa como orgulho coletivo. “Rainha do Piauí”, dizem os que conhecem sua beleza. A fé em Santa Luzia, a música das festas, o encontro das gerações nas ruas: tudo compõe uma constelação cultural que se reacende a cada março.

© Alberto Araújo

 




 

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