A vida escorre, grão por grão, na areia,
E o tempo, implacável, não espera;
A mocidade, sonho que incendeia,
Se esvai, deixando a alma mais severa.
Não deixe a dor, em vã e tola teia,
Prender seus dias, em cruel quimera;
Pois cada instante, em rútila centeia,
É um dom divino, que a alma venera.
Aproveite o sol, a brisa e o mar,
O amor, o riso, a doce companhia;
Pois a ampulheta, em seu constante andar,
Lembra-nos que a vida, em melodia,
É breve canção, que devemos amar,
Enquanto a chama, em nós, ainda irradia.
© Alberto Araújo

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