Inspirado na pintura St Francis with an Angel Playing Violin, de Giovanni Francesco Barbieri, conhecido como Guercino, mestre do barroco italiano.
Sentado entre as pedras, São Francisco parecia sozinho. Tinha nos braços a lembrança da fragilidade humana, simbolizada pela caveira, e diante dos olhos a cruz que lhe apontava o caminho. O mundo seguia lá fora, com seus ruídos, suas disputas e suas pressas.
Mas a solidão nem sempre é silêncio.
Do alto, um anjo inclinava-se sobre a cena e fazia soar um violino invisível aos distraídos. Não era música para os ouvidos. Era música para a alma. Uma melodia capaz de alcançar quem escolheu calar para escutar algo maior do que si mesmo.
Talvez seja essa a maior lição da pintura: quando o barulho do mundo diminui, algo começa a falar dentro de nós. São Francisco não conversa com o anjo, não faz gestos grandiosos, não busca aplausos. Apenas escuta.
Em tempos em que todos querem ser ouvidos, o santo nos recorda a arte esquecida de prestar atenção. E quem sabe o céu ainda toque seu violino sobre nossas vidas. O problema é que quase sempre estamos ocupados demais para perceber a música.
Obra: St Francis with an Angel Playing Violin
Autor:
Giovanni Francesco Barbieri (Guercino)
Estilo: Barroco Italiano, século XVII.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural

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