25 de março de 2026. No pulsar do Rio de Janeiro, onde o asfalto encontra a solenidade da história, a Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Letras (ADABL) abriu as portas de seu ano de 2026. O cenário não poderia ser outro senão a Sala José de Alencar, situada no coração da "Casa de Machado de Assis". No Palácio Austregésilo de Athayde, o tempo parece curvar-se diante da estante de livros, e o ar carrega o perfume doce do papel e do pensamento imortalizado.
Desde 1963, a ADABL atua como a resguardadora das chamas que iluminam o vernáculo e a cultura pátria. Mas esta manhã de 25 de março de 2026 não era apenas mais um início de calendário; era um portal de gratidão. Sob a égide da Presidente Zélia Fernandes, a reunião de abertura transbordou o protocolo para tornar-se um rito de celebração à resistência do espírito humano.
Há dez anos, um novo capítulo começou a ser escrito na ADABL. Zélia Fernandes assumiu o leme em 2016 e, desde então, tem conduzido a instituição por mares às vezes turbulentos, mas sempre sob a estrela-guia da excelência. Sua gestão, que agora completa uma década, é um testemunho de liderança empática e vigorosa.
Zélia não apenas preservou a tradição; ela a oxigenou. Ao longo desses dez anos, sua presença foi o fio de seda que uniu as gerações de diplomatas da ABL, garantindo que a memória literária brasileira não fosse um arquivo estático, mas um organismo vivo e pulsante. Celebrar sua presidência é reconhecer que a cultura precisa de operários que amem a luz, e Zélia é, sem dúvida, uma arquiteta da claridade.
Na postagem especial, no centro das homenagens, um nome ecoou com a reverência devida aos grandes mestres: Dalma Nascimento. Falar de Dalma é evocar a profundidade de uma escrita que viaja pelos séculos. Professora e ensaísta de fôlego raro, ela é a nossa guia pelos labirintos da Idade Média, período que ela desbrava não como um tempo de trevas, mas como uma era de símbolos, de cavaleiros e de uma espiritualidade que moldou o Ocidente.
Sua escrita possui o rigor do acadêmico e ao mesmo tempo a alma trovadoresca. Dalma compreende que o medieval está em nós, nas nossas buscas, nos nossos mitos e na nossa língua. No entanto, sua maestria não se encerra no passado remoto. Ela é, por excelência, a grande intérprete da escritora de "República dos Sonhos" e de mais 25 obras, a acadêmica Nélida Piñon.
A amizade e o estudo que Dalma dedicou
à obra de Nélida criaram um espelhamento literário único. Dalma decifrou os
códigos da escrita épica de Nélida Piñon, analisando como a "Grande Dama
das Letras" teceu a ancestralidade galega com o barroco brasileiro. Em
Dalma, a escrita de Nélida encontrou seu porto seguro e sua mais arguta
exegese. Ela nos ensinou a ler Nélida como quem lê um mapa de afetos e
conquistas territoriais da alma.
Pelas imposições da saúde, Dalma não pôde estar presente, mas sua essência preenchia cada canto da sala. A honraria foi recebida, em seu nome, pela acadêmica Angela Guerra, recentemente empossada Presidente do Núcleo da Rede Sem Fronteiras no Rio de Janeiro. Em um gesto de sororidade e admiração, Angela tornou-se o braço estendido de Dalma, unindo duas mulheres de fibra e intelecto em um único abraço simbólico. Durante o momento Angela Guerra recebeu um Diploma, Medalha e uma linda rosa e leu o texto de Ana Maria Tourinho publicado na Coletânea “Mulheres Extraordinárias” obra organizada por Dyandreia Portugal e coordenada por Ana Maria Tourinho.
A entrega da Medalha Coruja D’Ouro foi o ápice da manhã. A coruja, ave de Minerva, símbolo da sabedoria que enxerga através da noite, pousou no peito de personalidades que fazem da cultura sua missão de vida.
Em consonância com o mês de março, a ADABL reafirmou seu compromisso com a voz feminina. Diplomas alusivos ao Dia da Mulher foram entregues, reconhecendo que a força da nossa literatura muitas vezes reside na sensibilidade e na resiliência das mulheres. A "Hora de Arte" que se seguiu foi um banquete lírico: poesias foram declamadas, reflexões foram lançadas ao vento e a figura da mulher foi celebrada em sua totalidade como criadora, como musa e, sobretudo, como protagonista de sua própria história.
O evento encerrou-se com o tradicional café da manhã. Mas não era apenas alimento para o corpo; era o reforço dos laços de amizade que sustentam a comunidade da ADABL. Foi uma celebração memorável. Um dia onde a tradição não foi um peso, mas uma asa. Sob a liderança de Zélia Fernandes a homenagem da ADABL provou que, enquanto houver alguém disposto a escrever e a honrar quem escreveu antes, a cultura brasileira permanecerá imortal.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
MENSAGEM
Cláudio Nascimento filho de Dalma Nascimento disse: Querido Alberto, Ficou simplesmente lindo. Só você tem esse faro, esse instinto de jornalista e de esteta, aliado a esse espírito grandioso que não cabe em você e transborda em tudo o que faz. Muito obrigado, meu querido. Mamãe fica tão feliz com todo esse carinho que você dedica a nós. É emocionante ver a forma como você transforma cada gesto em algo especial. Poderia até reunir todas essas matérias que fez envolvendo mamãe e nossa família em um livro maravilhoso, seria um tesouro para todos nós. Mais uma vez, muito obrigado, Alberto. Só você para criar algo tão lindo. Claudio Nascimento.


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