PARA
SEMPRE – POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
(POR
ELE MESMO)
Para
sempre.
Por
que Deus permite que as mães vão-se embora?
Mãe
não tem limite, é tempo, é sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e
chuva desaba.
Veludo
escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer
acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.
Mãe,
na sua graça, é eternidade.
Por
que Deus se lembra, mistério profundo, de tirá-la um dia?
Fosse
eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca!
Mãe
ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão
de milho.
******************
DRUMMOND,
O FILHO ETERNO
Poesia
de Alberto Araújo parafraseando “Para Sempre” de Carlos Drummond de Andrade
O
Rei do Mundo teria uma lei,
simples,
clara, definitiva.
Não
haveria partidas,
nem
despedidas amargas,
para
aquelas que moldaram a vida.
Deus,
em seu mistério profundo,
esquece
as regras da terra.
Mas
o filho, em silêncio, insiste:
Mãe
é eternidade,
veludo
em pele enrugada.
Morrer
é coisa de quem passa,
sem
deixar rastro ou herança.
Mãe
é rastro eterno,
na
alma do filho,
na
memória de quem fica.
E
assim, o filho velho,
mesmo
que pareça grande,
será
sempre um menino,
pequenino
feito grão de milho,
ao
lado da mãe que não morre.
Porque
mãe não tem hora,
não
tem tempo, não tem fim.
É
luz que brilha,
no
escuro da alma,
no
vazio do coração.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário