No coração de Niterói, onde o vento da Baía de Guanabara parece sussurrar versos antigos, ergue-se a Academia Fluminense de Letras, chamada carinhosamente de AFL. Mais do que um edifício ou uma reunião de intelectuais, a AFL é um organismo vivo, uma resguardadora da memória. Centenária, ela carrega em suas vigas o peso e o brilho da história literária do Rio de Janeiro. Recentemente reconhecida como Patrimônio Imaterial Cultural de Niterói, honraria nascida da sensibilidade do vereador Leonardo Giordano e chancelada pela Câmara Municipal, a instituição reafirma-se como o epicentro do pensamento crítico e da sensibilidade artística fluminense.
Ali, o tempo não passa; ele se transmuta em verbo. A Academia é o solo onde o passado dialoga com o futuro, garantindo que a identidade coletiva de um povo não se perca no esquecimento, mas se fortaleça na tinta das canetas e na voz dos seus acadêmicos.
O sábado, 28 de março de 2026, amanheceu com uma claridade que certamente previa o rito que estava por vir. O calor da manhã niteroiense encontrou eco no calor humano que preencheu o salão nobre para a Cerimônia de Posse da Nova Diretoria. O ar estava impregnado de uma solenidade alegre: era o momento de renovar os votos com a cultura para o biênio 2026-2028.
No centro da instituição, a personalidade que sintetiza a resiliência e a elegância intelectual da casa: a acadêmica, professora, doutora Márcia Maria de Jesus Pessanha. Reeleita por unanimidade, ela não apenas inicia um terceiro mandato; ela consolida uma era de dinamismo e acolhimento na AFL.
A composição da mesa diretora desenhou um mapa da intelectualidade fluminense e carioca. Ao lado da Presidente, personalidades de proa como o Vice-Presidente Eduardo Antônio Klausner, o decano e tesoureiro Célio Erthal Rocha, a secretária Lucia Maria Barbosa Romeu, o 2º Secretário José Áttila Valente; o Diretor de Acervo Documental e Bibliotecas Marcelo Moraes Caetano. A presença de autoridades como Paulo Alonso o Reitor da Santa Úrsula e Vice-presidente da Academia Carioca de Letras; Rujany Martins o presidente da Academia Gonçalense de Letras; Nina Fernandes a Vice-presidente da UBT Rio; Dulce Mattos que estava Representando a ANE, UBT- Niterói conferiu ao evento uma aura de conclave das artes.
O Hino Nacional Brasileiro, reproduzido sob a técnica zelosa do rotariano Carlinhos, preencheu o espaço, unindo o civismo à estética, preparando o espírito dos presentes para o que se seguiria.
Sob a leitura atenta de Lucia Romeu, o
Termo de Posse foi proclamado, selando o compromisso da Direção administrativa:
Presidente: Márcia Maria de Jesus
Pessanha
Vice-Presidente: Eduardo Antônio
Klausner
1ª Secretária: Lucia Maria Barbosa
Romeu
2º Secretário: José Áttila Valente
1º Tesoureiro: Célio Erthal Rocha
2º Tesoureiro: Cleber Francisco Alves
Diretor de Acervo Documental e Bibliotecas: Marcelo Moraes Caetano
Mas a poder categórico na Academia, é sempre atravessado pelo lírico. A Presidente Márcia Pessanha, em um gesto de profunda reverência literária, deu voz a um soneto de Alba Helena Corrêa. As rimas de Alba desenharam a essência do que é ser acadêmico: ser ponte, ser luz. A tradição da trova, essa "joia da síntese", foi honrada pelas vozes de Dulce Mattos e Maria Otilia Camillo, cujos versos celebraram a liderança feminina e a amizade literária, incluindo uma homenagem que tocou a alma deste jornalista.
Um dos momentos mais densos da manhã ocorreu quando Gracinha Rego ocupou o salão. Ao declamar uma poesia da saudosa, Neide Barros Rêgo, dedicada ao "Poeta", a atmosfera foi invadida por uma nostalgia sublime. A execução da trilha sonora de "Em Algum Lugar do Passado" criou uma moldura cinematográfica; não houve quem não sentisse o arrepio da beleza que sobrevive à ausência física.
O acadêmico Célio Erthal Rocha trouxe a força do discurso humanista. Em pleno mês das mulheres, Erthal teceu um elogio à feminilidade e à memória, recordando com ternura o pai da presidente, Reinaldo Ribeiro de Jesus, e rendendo loas à sua própria companheira, Mânia Erthal. Foi uma aula de como a vida privada e a vida pública se entrelaçam através do afeto.
O evento também abriu espaço para o reconhecimento político-cultural. O acadêmico Waldeck Carneiro, cuja trajetória é marcada pela defesa da educação, foi lembrado como o proponente do título de "Oficial do Estado" à Academia, reforçando que a política, quando nobre, serve de alicerce para a imortalidade das letras.
A gratidão foi a nota tônica das Moções de Homenagem e Reconhecimento. Sob o teto sagrado da imortalidade, a gratidão floresceu como a nota mais alta e límpida de uma sinfonia celestial. Em um gesto de rara nobreza e profunda humildade institucional, a Presidente Márcia Pessanha não apenas cumpriu um rito; ela oficiou uma prece de justiça ao dar voz e rosto ao 'coração invisível' da Academia. Ao homenagear as auxiliares Cleide Villela Abib e Christiane Victer, a leitura das moções rompeu a fleuma do papel para se tornar um abraço público. Foi o reconhecimento sagrado de que o brilho dos intelectuais só reluz porque mãos zelosas e corações devotos sustentam, no silêncio do cotidiano, os pilares da Casa. Não era apenas um ato formal, mas a celebração da dignidade que mora no servir.
Nessa mesma atmosfera de luz, as honrarias estenderam seus braços a personalidades que são baluartes da nossa arte. Nomes como a soprano Magda Belloti, a acadêmica Gisela Peçanha, a escritora Sol de Paula e este editor, Alberto Araújo, foram envolvidos por uma aura de pertencimento. Naquele instante, as distinções entre quem escreve, quem canta e quem divulga desvaneceram-se, dando lugar a uma unidade maior: um único e vibrante braço da cultura, unido em um abraço fraterno que ecoará além das paredes centenárias. Ali, a gratidão não foi apenas um sentimento; foi a prova viva de que a cultura, antes de ser palavra escrita, é o encontro de almas que vibram na mesma e inabalável luz da fraternidade.
Para encerrar a manhã com a grandiosidade que o momento exigia, as vozes do Coral Cantate Diem, sob a batuta do maestro Joabe Ferreira, elevaram os pensamentos ao sublime. O repertório, executado com maestria técnica e entrega emocional, foi o fecho de ouro de uma cerimônia irretocável.
Após a fotografia oficial esse registro que congela o instante para a posteridade, os convidados foram conduzidos ao coquetel assinado pela Chef Valéria Gervásio. Se a manhã foi um banquete para o intelecto, o encerramento foi uma celebração dos sentidos. Valéria não apenas serviu iguarias; ela traduziu em sabores a doçura daquele encontro. Cada detalhe, do salgado ao doce, carregava o tempero da hospitalidade que é marca registrada da gestão de Márcia Pessanha.
A Academia Fluminense de Letras segue, assim, para mais um biênio. Sob a égide de uma mulher que lidera com o coração e a mente em sintonia, a casa permanece aberta, pulsante e, acima de tudo, necessária. Esta revista cultural, que teve a honra de realizar a cobertura completa, despede-se desta resenha com a certeza de que, enquanto houver a AFL, a luz da cultura fluminense jamais se apagará.
Créditos das Fotos
Alberto Araújo
Aldo da Silva Pessanha
Maria Otília Camillo
Nina Fernandes
Shirley Araújo
© Alberto Araújo
Jornalista e escritor
Diretor e editor do Focus Portal Cultural
Quero deixar aqui o meu
reconhecimento ao talento, à responsabilidade, à firmeza, à beleza de tudo o
que ela faz: nossa Presidente querida, MÁRCIA PESSANHA! Quanta disponibilidade
para gerir com grandeza a nossa AFL! Parabéns, amiga!!!!
Parabéns a todos que participaram da belíssima manhã do dia 28 de março na Casa que excede em Cultura na nossa Cidade!!!!🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰 Gracinha.
Olá, Gracinha, recebo suas palavras com muita emoção. O seu momento naquela manhã na AFL foi, sem dúvida, memorável. Quando você trouxe à tona a voz da nossa eterna diva Neide Barros Rêgo, o tempo pareceu parar. Foi uma homenagem impecável, carregada de um sentimento que transbordou para todos nós, atingindo um ápice de felicidade e saudade iluminada. Mesmo com a sua saída antecipada por uma razão tão nobre e familiar, a sua presença e a força daquele "Cavaleiro do Sonho" permaneceram vibrando no salão. A Presidente Márcia Pessanha, com sua maestria habitual, conduziu tudo com a grandeza que a Casa merece, mas o seu tributo foi o coração pulsante daquela solenidade. Seguimos celebrando a cultura e os afetos que nos unem. Que a sua irmã receba as melhores energias e plena recuperação. Obrigado pelo carinho de sempre. Abraços do Alberto Araújo.

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