domingo, 8 de março de 2026

HOMENAGEM A CORA CORALINA E ÀS MULHERES NO 8 DE MARÇO

No coração da cidade de Goiás, em 1889, nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que o mundo viria a conhecer como Cora Coralina. Mulher de mãos calejadas pelo trabalho, doceira de ofício, mãe dedicada e poeta por vocação, ela transformou sua vida em um testemunho da força feminina diante das adversidades. Sua trajetória é, por si só, um poema de resistência e esperança. 

Durante décadas, Cora escreveu em silêncio, guardando versos entre tarefas domésticas e tachos de cobre. Só aos 76 anos publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Esse gesto tardio, longe de ser um obstáculo, tornou-se símbolo de que nunca é tarde para florescer. Sua poesia, marcada pela simplicidade e pela profundidade, revela a grandeza escondida nos gestos cotidianos e na dignidade das pessoas comuns. 

Entre seus versos mais célebres está “Aninha e suas pedras”, um convite à reconstrução constante. Nele, Cora nos ensina que as pedras do caminho não são apenas barreiras, mas matéria-prima para erguer jardins, poemas e novas possibilidades. É uma metáfora poderosa para a vida das mulheres, que tantas vezes transformam dor em criação, silêncio em palavra, invisibilidade em presença. 

Homenagear Cora Coralina no Dia Internacional da Mulher é reconhecer que sua vida e obra são espelhos da luta de tantas mulheres: 

Resiliência: Cora enfrentou preconceitos, pobreza e invisibilidade, mas nunca deixou de escrever. 

Criação: Fez da cozinha e da poesia espaços de arte, mostrando que o cotidiano também é lugar de beleza. 

Recomeço: Publicou na velhice, provando que o tempo não limita os sonhos. 

Legado: Sua voz ecoa até hoje, inspirando jovens e adultos a recriar suas vidas diante das dificuldades. 

O POEMA COMO CONVITE

“Aninha e suas pedras” não é apenas um texto literário; é uma filosofia de vida. Ele nos lembra que: As dificuldades podem ser transformadas em força criadora.

A vida, mesmo em sua aparente mesquinhez, pode se tornar poesia.

O gesto de recomeçar é ato de coragem e de esperança. 

Assim como Cora, cada mulher carrega em si a capacidade de reinventar o mundo, de plantar roseiras onde antes havia pedras, de escrever histórias onde antes havia silêncio. 

A circulação de seus poemas em livros didáticos, antologias e redes sociais fez de Cora Coralina uma presença constante na formação de gerações. Sua mensagem ultrapassa fronteiras e se torna universal: a valorização da experiência vivida, da perseverança e da beleza escondida nas coisas simples. 

A estátua em bronze inaugurada em 2021 na cidade de Goiás é mais que uma homenagem: é um marco da memória coletiva, lembrando que a poesia pode nascer das mãos que fazem doces, das ruas estreitas de uma cidade histórica, da vida de uma mulher que ousou escrever contra o esquecimento. 

HOMENAGEM ÀS MULHERES 

No 8 de março, ao celebrarmos o Dia Internacional da Mulher, evocamos Cora Coralina como símbolo da força feminina. Sua vida nos ensina que: 

Cada mulher é poeta de sua própria história.

Cada obstáculo pode ser transformado em caminho.

Cada gesto simples carrega uma grandeza invisível. 

Assim como Cora, as mulheres constroem, recriam e resistem. Elas são fontes de vida, de arte e de esperança. São vozes que, mesmo quando silenciadas, encontram formas de ecoar.

Homenagear Cora Coralina é homenagear todas as mulheres que, com coragem e delicadeza, transformam o mundo. Que neste 8 de março possamos beber da fonte que ela nos ofereceu, uma poesia feita de pedras e roseiras, de doces e recomeços, de memória e futuro. 

Que sua mensagem nos inspire a reconhecer e valorizar a força das mulheres em cada gesto, em cada palavra, em cada vida. 

“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

  

ANINHA E SUAS PEDRAS

 

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

 

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

 

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

 

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.

 

Cora Coralina em Melhores poemas seleção e apresentação Darcy França Denófrio. 3ed. rev. e ampliada – São Paulo: Global, 2008. pg 243.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 

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