No dia 04 de março de 2026, quarta-feira o Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi palco de uma cerimônia que uniu tradição e renovação: a posse da nova diretoria da Academia Carioca de Letras (ACL). O evento, marcado por música, poesia e celebração, inscreveu-se na história cultural da cidade do Rio de Janeiro como um prelúdio das comemorações do centenário da instituição, fundada em 1926 e hoje consolidada como uma das mais importantes casas literárias do país.
A cerimônia não se limitou ao protocolo. Houve recital de música popular, dirigido pelo historiador e músico Leonardo Santana, seguido de um coquetel que reforçou o caráter de confraternização entre escritores, professores, críticos e intelectuais. A nova diretoria, que conduzirá a ACL em seu ano centenário, é presidida pelo poeta e professor Adriano Espínola, tendo como vice-presidente o professor Paulo Alonso. Os historiadores Paulo Roberto Pereira e Leonardo Santana assumem a secretaria, enquanto a escritora e professora Luiza Lobo dirige a biblioteca. A revista da Academia passa a ser conduzida pelo professor Eduardo Coutinho.
A Academia Carioca de Letras chega ao seu centenário com uma nova diretoria liderada por Adriano Espínola, poeta e professor cuja trajetória literária e acadêmica reflete o espírito da instituição. A solenidade de posse, marcada por música e confraternização, simbolizou a continuidade de uma tradição que, desde 1926, vem fortalecendo a cultura literária nacional.
A Academia Carioca de Letras nasceu em 08 de abril de 1926, inicialmente sob o nome de Academia Pedro II, e em 1929 adotou sua denominação atual. Desde então, tornou-se referência na preservação e difusão da literatura nacional. Sua sede, localizada na Avenida Augusto Severo, no centro do Rio de Janeiro, abriga uma biblioteca de relevância histórica e cultural. Entre seus membros, figuraram nomes que também se tornaram imortais da Academia Brasileira de Letras, como o jurista Pontes de Miranda. A ACL concede ainda o Prêmio Raul de Leoni, que já distinguiu escritores de grande expressão, como o poeta Camillo de Jesus Lima.
O centenário da instituição, a ser celebrado em abril de 2026, não é apenas uma efeméride: é a reafirmação de um compromisso com a cultura literária carioca e brasileira. A ACL, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de diálogo entre tradição e modernidade, entre o cânone e a experimentação.
A escolha de Adriano Espínola para presidir a ACL em seu centenário é simbólica. Nascido em Fortaleza, em 1952, Espínola construiu uma trajetória marcada pela poesia, pela crítica literária e pelo magistério. Desde os primeiros versos publicados sob o pseudônimo Pedro Gaia, passando por obras como Fala, favela (1981), Trapézio (1984), Táxi (1986) e Beira-Sol (1997), sua produção revela uma busca constante por uma linguagem que una rigor estético e sensibilidade social.
Professor em universidades brasileiras e estrangeiras, Espínola também se destacou como pesquisador de Gregório de Matos, tema de sua tese de doutorado e do livro As artes de enganar (2000). Sua obra circula internacionalmente, com traduções para o inglês e o francês, e já foi premiada pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Academia Brasileira de Letras. Em 2011, ingressou na própria ACL, onde agora assume a presidência.
A posse de Espínola representa mais do que uma mudança administrativa: é a reafirmação da vocação da ACL como espaço de resistência cultural em tempos de transformações sociais e tecnológicas. Ao unir tradição e inovação, a Academia reafirma seu papel de resguardadora da língua e da literatura, mas também de promotora de novos debates e perspectivas.
O centenário da ACL, sob a liderança de
Adriano Espínola, promete ser um marco não apenas para a instituição, mas para
a vida cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. A cerimônia de março foi apenas
o início de um ciclo que se estenderá ao longo de 2026, com eventos,
publicações e atividades que celebrarão cem anos de história e projetarão a
Academia para o futuro.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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