quinta-feira, 20 de agosto de 2026

ESCOLA MUNICIPAL SANTOS ANJOS RECEBE EXPOSIÇÃO BRASILIDADES, COM FOTOGRAFIAS DE IMPORTANTES ARTISTAS BRASILEIROS

Realizada pela ArtRio em parceria com o Shopping Leblon e com a ONG Parceiros da Educação Rio, ação quer levar para os alunos a diversidade da produção artística brasileira

Democratizar o acesso à arte, levando conhecimento e informações sobre o trabalho de grandes artistas a novos públicos, em especial crianças e adolescentes. Essa é a essência do ArtRio Educação, que em 2026 traz a mostra Brasilidades. A primeira parada é na Escola Municipal Santos Anjos, no Leblon. 

Com curadoria de Domi Valansi, essa mostra traz fotografias produzidas por importantes artistas visuais que refletem diferentes aspectos do Brasil: suas múltiplas paisagens, as vivências, os encontros e as relações entre seus habitantes. O Rio de Janeiro tem lugar de destaque em algumas dessas narrativas, em razão de sua histórica influência na formação cultural do país. 

O conceito de brasilidade engloba um conjunto de características que definem a identidade cultural, os costumes, o jeito de ser e a essência de quem nasce ou vive no país. Diante de um Brasil marcado por tantas diferenças, o que nos aproxima? Como nos relacionamos com o que nos é pouco ou nada conhecido? De que maneira podemos construir pontes entre experiências, perspectivas e modos de vida distintos? 

Domi Valansi selecionou obras de sete artistas de gerações, origens e trajetórias distintas, que, em comum, lançam seu olhar crítico e poético sobre o Brasil. São eles: Anna Bella Geiger, Fernando Young, Joelington Rios, Luiz Braga, Maria Baigur, Miguel Rio Branco e Vik Muniz. 

A exposição Brasilidades, parte do projeto ArtRio Educação, é realizada pela ArtRio em parceria com o Shopping Leblon e apoio da ONG Parceiros da Educação Rio. A mostra permanece na Escola até o dia 25 de agosto. 

CONHEÇA OS ARTISTAS DA MOSTRA BRASILIDADES 

Anna Bella Geiger

Como foi escrita a nossa história? A chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 ainda é contada como uma “descoberta”, como era há algumas décadas? Filha de imigrantes poloneses, a artista Anna Bella Geiger questiona, neste trabalho, nossas origens e as narrativas que construímos sobre elas. Como saber se o que ouvimos é verdadeiro? E, se nem tudo é o que parece, será que podemos julgar alguém apenas pela primeira impressão? 

"Eu gostei de brincar com a ideia de dois Brasis: o nativo, onde viviam e ainda vivem os povos indígenas, os primeiros habitantes do nosso país; e o alienígena, palavra que significa alguém que não é originalmente daquele lugar. E que somos nós, que viemos viver nesta terra desde o século XVI, vindos de Portugal e de outros países da Europa, e nos tornamos também brasileiros. Também criei essas imagens para mostrar que elas nem sempre contam toda a verdade. Quando me visto como uma guerreira, fingindo ser uma indígena, quero mostrar que não podemos saber quem uma pessoa é, apenas olhando para sua aparência ou para a roupa que ela veste. As pessoas são diferentes e não cabem em rótulos ou estereótipos." - Anna Bella Geiger 

Fernando Young 

Quais festas populares você conhece e frequenta? Já pensou sobre a origem delas, suas músicas, fantasias, máscaras e significados? Neste trabalho, o fotógrafo Fernando Young viajou até uma cidadezinha em Goiás para registrar uma celebração que remonta a fatos históricos de mais de 800 anos. Vale também refletir sobre como narrativas históricas e religiosas foram construídas e transmitidas ao longo do tempo.

Todos os anos, centenas de pessoas mascaradas percorrem as ruas da cidade de Pirenópolis, montadas em cavalos, como parte de um festejo popular chamado de Cavalhadas. Parte da Festa do Divino Espírito Santo, elas encenam, de forma teatral, as batalhas entre cristãos e mouros ocorridas durante a Idade Média na Península Ibérica. Nos três dias de encenações, dois grupos distintos, um representando os mouros (vestidos de vermelho), o outro os cristãos (vestidos de azul) encenam repetidamente as batalhas sobre seus cavalos. Nos intervalos, um terceiro grupo, os mascarados, também chamados de cucurucus, anima o público com máscaras divertidas e roupas coloridas, destoando, com seu comportamento irreverente, do gestual solene da encenação das batalhas. 

Joelington Rios

Ao longo de sua história, o Rio de Janeiro recebeu povos de diferentes origens. Muitos chegaram por vontade própria, enquanto outros foram trazidos à força durante o período colonial. Como o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas, a cidade recebeu cerca de dois milhões de pessoas entre os séculos XVI e XIX. Você conhece o Cais do Valongo? Localizado na Zona Portuária, o sítio ganhou o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017, por ser o único vestígio material desta chegada na América e um marco fundamental para a preservação da memória desse período da história. 

Nascido no quilombo Jamary dos Pretos, no Maranhão, Joelington Rios chega também ao Rio de Janeiro, mas, a partir de sua arte, passa a criar novas narrativas da história e a relação de pessoas racializadas com a cidade. Sua pesquisa tem como objetivo revelar outras corporalidades, criar significado, ressignificar memórias e elaborar outras formas de existência. 

Luiz Braga 

O cotidiano pode ser poético? O que merece ser registrado em imagens? Você tem o hábito de tirar fotos de coisas e das pessoas do seu cotidiano? O premiado fotógrafo Luiz Braga nasceu em Belém do Pará, e aos 11 anos começou a fotografar. Durante muito tempo, suas imagens foram principalmente em preto e branco. Até que ele descobriu as cores da visualidade popular amazônica e sua fotografia ficou ainda mais vibrante. Um dado interessante é que ele tem uma relação de proximidade com seus fotografados: mantém com eles um contato constante ao longo dos anos. 

“A obra “A Preferida” retrata uma cena comum na periferia ribeirinha de Belém (Pará), vemos a cena sendo iluminada pelas diversas cores. Na cena onde a família está reunida em frente a sua casa podemos observar vários cenários, no centro vemos o churrasquinho posto à mesa, ao fundo vemos uma caixa de som que toca enquanto as pessoas conversam, a luz vermelha a direita sinaliza que ainda tem o açaí, fruto típico da região amazônica, para vender na barraquinha A Preferida. A imagem é subvertida pelas cores e a luz artificial dando movimento a vida que pulsa no ambiente, um povo singelo que tem a cor como identidade é um retrato rico da nossa Brasilidade” - Luiz Braga 

Maria Baigur 

Quanto vale uma vista para o mar? No Rio de Janeiro, muitas das áreas mais valorizadas estão localizadas ao longo da orla, onde a paisagem se transforma em um símbolo de status. Ao mesmo tempo, há um contraste marcante: diversas favelas também ocupam morros com vistas privilegiadas, mas seus moradores convivem diariamente com a falta de infraestrutura, serviços públicos e oportunidades. A mesma paisagem que representa luxo para alguns é apenas o cenário de uma vida marcada por desigualdades para outros. 

Nesta imagem de Maria Baigur, a cidade ainda não é ocupada por personagens, ela é a própria paisagem que se torna personagem. Não se trata de uma imagem sobre arquitetura, trata de estados de passagem. O muro não separa apenas um dentro e um fora; ele interrompe a visão e, ao mesmo tempo, a projeta para um horizonte sem medida. A parabólica aponta para um céu vazio. É nesse deslocamento do olhar que a paisagem deixa de funcionar como cenário e passa a existir como personagem, revelando uma dimensão metafísica escondida nas formas mais comuns da cidade. Quais são os limites e quais deles podemos ultrapassar? 

Miguel Rio Branco 

No Brasil do começo do século XX, o banho de mar deixou de ser apenas um ato terapêutico, indicado para tratar doenças, e passou a ser visto como uma atividade de lazer e convivência social. Todo mundo se encontra lá. O que você acha bonito em uma visita à praia e o que não gosta? 

Miguel Rio Branco é um dos nomes mais importantes da fotografia contemporânea brasileira, com grande projeção internacional. Ele também atua como pintor e diretor de cinema. É neto do cartunista J. Carlos, bisneto do Barão do Rio Branco e tataraneto do Visconde de Rio Branco. Você conhece esses nomes? Suas obras são marcadas por cores fortes e intensas e registram momentos da vida cotidiana de maneira muito poética. Esta imagem única se cria a partir da junção de nove fotos. Como um filme é feito de vários pedacinhos. Misturando diferentes momentos, ele cria um grande quebra-cabeça de lembranças e ideias que nos convidam a olhar com atenção e imaginar nossas próprias histórias. 

Vik Muniz 

Quando não havia ainda e-mail, aplicativo de mensagens ou redes sociais, quando as pessoas viajavam, elas mandavam pelo correio um cartão-postal. Um pedaço de papel com uma foto de uma paisagem ou um ponto turístico de um lado e do outro um espaço para escrever uma mensagem rápida e enviar, sem a necessidade de um envelope. Você já enviou uma carta ou um cartão postal?

Nesta série, o artista Vik Muniz recria paisagens icônicas globais utilizando colagens gigantescas feitas exclusivamente a partir de fragmentos de cartões-postais antigos que ele coleciona. Em vez de utilizá-los prontos, ele os corta em pequenos fragmentos e monta grandes colagens. Mas será que o mundo não é mais ou menos assim? De quantos lugares é feita a nossa cidade? Quantas construções, pessoas, veículos, coisas? Tudo isso não está junto, ao mesmo tempo? Este trabalho também brinca com a percepção visual: de longe, as obras parecem fotografias nítidas. Quando nos aproximamos, a imagem revelando a infinidade de pequenos pedaços sobrepostos. 

Fonte: Ipê Amarelo Comunicação








 

Nenhum comentário:

Postar um comentário