É impossível olhar essa imagem e não sentir o sopro suave da saudade. Daqui do terceiro andar, observo o mar lá fora, e ele parece murmurar o nome de Maria Amélia Palladino, como se cada onda trouxesse de volta um fragmento de sua voz firme e acolhedora. O horizonte se abre em azul profundo, e nele repousa a lembrança de sua presença, como um canto que nunca se cala.
As ondas se erguem e se desfazem em espuma, lembrando o ritmo de sua fala, ora serena, ora vibrante, sempre carregada de paixão pela cultura. Cada brisa que atravessa a janela traz consigo a sensação de que Maria Amélia ainda nos guia, soprando coragem e ternura em nossos corações. Na luz que invade o espaço, há algo de sua energia, aquela força tranquila que unia pessoas, ideias e sonhos em torno da cultura luso-brasileira. É como se o sol, ao se debruçar sobre o mar, revelasse o brilho de seu sorriso, e cada raio fosse um gesto de afeto que ela deixou espalhado entre nós.
A fotografia, postada por Wylma Guimarães no grupo da Rede Sem Fronteiras, é um gesto de carinho e reverência. Nela, Maria Amélia surge sorridente, diante do horizonte azul, como quem contempla o infinito e o transforma em poesia. Sua expressão traduz serenidade e sabedoria, marcas de quem viveu para servir à arte, à literatura e à amizade.
Como eterno discípulo de Maria Amélia, confesso que fiquei profundamente comovido ao ver essa imagem. Ela não é apenas uma lembrança; é um convite à reflexão sobre o legado que permanece. A ausência física se dissolve diante da presença espiritual que ainda guia tantos de nós.
Maria Amélia era a alma da Academia Luso-Brasileira, não apenas por sua liderança competente, mas por sua capacidade de fazer da simplicidade um instrumento de grandeza. Com amor e dedicação, ela transformava encontros em pontes, palavras em abraços, e projetos em sementes de cultura entre Brasil e Portugal.
Hoje, ao ver os acadêmicos unidos, dando continuidade aos trabalhos, sinto que sua missão segue viva. Cada texto, cada evento, cada diálogo é uma forma de manter acesa a chama que ela acendeu. A presença ausente de Maria Amélia é, paradoxalmente, o que mais nos une, porque sua essência permanece impregnada em cada gesto de quem acredita na força da cultura e da amizade.
O mar, testemunha silenciosa de tantas histórias, parece guardar o eco de sua risada. E nós, que seguimos seus passos, aprendemos que a verdadeira eternidade não está no tempo, mas na memória que se renova a cada lembrança.
Parabéns a todos os acadêmicos que
continuam realizando os propósitos de contribuir para a cultura de Brasil e
Portugal. Que essa foto, compartilhada com tanto afeto por Wylma, seja um
símbolo de continuidade, um lembrete de que a saudade também pode ser uma forma
de presença.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural



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