O Rotary Club Niterói, o primeiro e mais tradicional clube rotário do município, fundado em 4 de setembro de 1928, tem 97 anos de história. Verdadeiro pilar de serviços humanitários na cidade, reafirmou seu compromisso com a igualdade de gênero e a valorização histórica durante um encontro memorável realizado em 13 de agosto de 2026. A reunião, que ocorreu na Casa da Amizade, ambiente de celebração e aprendizado, destacou a trajetória das mulheres na organização e o impacto contínuo do movimento "Mulher em Rotary".
Um dos pontos alto da programação de 13 de agosto foi a palestra ministrada pela Acadêmica Maria Panait, que conduziu os presentes por uma jornada histórica e reflexiva. A conferência dedicou um capítulo especial à memória de Jean Harris, precursora cujos esforços foram cruciais para a abertura de novos caminhos dentro do Rotary. Harris não apenas desafiou as normas de sua época, mas deixou um alicerce sólido sobre o qual o movimento "Mulher em Rotary" pôde florescer.
A profundidade das informações apresentadas pela Acadêmica Maria Panait sobre o legado de Jean Harris. Trata-se de um conteúdo raro, fruto de uma pesquisa minuciosa e inédita, não disponível em registros públicos de internet. O trabalho de Panait traz à luz detalhes preciosos e pouco explorados, enriquecendo o movimento "Mulher em Rotary" com uma base histórica sólida e singular. Este resgate documental representa um contributo inestimável para a memória da organização, destacando-se como um momento de valor cultural e acadêmico sem precedentes para o Rotary Club Niterói.
Maria Panait, com sua oratória inspiradora, revisitou as conquistas dessa líder, analisando como a presença feminina transformou a estrutura da organização, trazendo novas perspectivas para o voluntariado e para a resolução de desafios comunitários. A "palestra luminosa", como foi definida pelos presentes, não serviu apenas para rememorar o passado, mas para iluminar o futuro, reforçando que o papel da mulher no Rotary é, hoje, central para a inovação e o alcance dos projetos sociais.
O evento no Rotary Club Niterói sublinhou um conceito essencial: o legado de liderança não é algo estático; ele é renovado a cada geração de associados que, como a 1ª Diretora de Protocolo, dedicam seu tempo, talento e recursos ao bem comum.
A revista Rotary Brasil de agosto atua como este elo, contando as histórias de quem faz a diferença, desde a proteção das populações vulneráveis durante o inverno até a promoção da cultura e da arte.
Ao registrar este momento, o Focus Portal Cultural não apenas documenta uma reunião de clube, mas celebra a cultura da liderança, do serviço e da história que se escreve diariamente. O encontro do dia 13 de agosto consolida a posição do Rotary Club Niterói como um espaço onde a tradição se encontra com o dinamismo, e onde cada mulher rotariana, através de seu empenho, continua a escrever capítulos fundamentais da história humanitária de nossa cidade.
A 1ª Diretora de Protocolo do Rotary Club Niterói posa segurando a edição de agosto de 2026 da revista Rotary Brasil. Membro reconhecidamente ativo e pilar fundamental da organização local, a diretora personifica a energia renovada da instituição. Ao exibir a publicação que, neste mês, traz em suas páginas o compromisso com o servir ela reforça a importância da comunicação e da disseminação dos valores rotários, conectando os sócios ao propósito global da organização.
O Focus Portal Cultural cumprimenta e a felicita por tão brilhante exposição. Que o exemplo da Diretora de Protocolo e as lições trazidas pela Acadêmica Maria Panait sirvam de inspiração para que novos capítulos de impacto duradouro sejam escritos em nossa sociedade.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
O PROTAGONISMO ROTÁRIO DE JEAN
THOMPSON HARRIS
Maria Panait
Prezado Presidente do RC Niterói, companheiro Paulo
Belchior Prezada Presidente da ABROL/RS, companheira e acadêmica Matilde Carone
Slaibi Conti Prezados componentes da mesa, demais companheiros rotarianos e
acadêmicos, ilustres convidados. Boa noite.
É com muita honra que venho a esta tribuna prestar
homenagem à escocesa Jean Thompson Harris, esposa do fundador do Rotary Internacional,
Paul Percy Harris.
Jean é sempre lembrada como uma personagem
importante na história do Rotary Club, e sempre associada ao trabalho de seu
ilustre esposo. Entretanto, a sua vida e o seu legado são pouco documentados em
detalhes biográficos, enfatizando o impacto duradouro que esta grande mulher
causou dentro e fora do ambiente rotário.
Jean Thompson Harris não foi rotariana. Como
sabemos, a participação feminina em Rotary como associadas só foi permitida em
1989, ou seja, 23 anos após o falecimento de Jean Harris, ocorrido em 1963.
Cabe aqui lembrar que o ingresso das mulheres ocorreu quando esteve à frente,
na presidência do Rotary Internacional, o brasileiro rotariano Paulo Costa.
Jean Thompson Harris nasceu em Edimburgo (Escócia),
no seio de uma humilde família. Seu pai trabalhava como embalador de móveis e
tornou-se ministro de uma igreja escocesa. Com a mãe e a irmã, Jean trabalhou
como criada em diversas famílias de Edimburgo para ajudar no sustento familiar.
Em 1892, a família conseguiu mudar da zona rural
para um pequeno apartamento na Avenida Comely Bank, cujo nome marcou a memória
afetiva de Jean.
Anos se passaram e os Thompson migraram para os
Estados Unidos, em busca de uma vida melhor. Em Chicago, Jean trabalhou como
babá. Foi nesta cidade que ela conheceu Paul Harris.
Eles se casaram no dia 2 de julho de 1910, cinco
anos após a fundação do Rotary (1905). O casal comprou uma casa no subúrbio de
Chicago, e Jean Harris fez questão de batizá-la com o nome Comely Bank,
em homenagem à avenida em que viveu na Escócia com seus familiares.
Esta casa, construída por Paul Harris próxima a uma
colina chamada The Ridge, tornou-se um verdadeiro refúgio de amizade,
onde o casal recebeu incontáveis líderes e membros do Rotary em visitas
informais. Sempre havia um prato de sopa na mesa de jantar em Comely Bank.
Simbolicamente, no local, Jean e Paul cultivaram o “jardim da amizade”, com
plantas e árvores trazidas de diversas partes do mundo, refletindo o espírito
global de união e paz que Paul Harris idealizou para o movimento rotário.
Diferente das demais esposas de rotarianos, que não
desempenhavam papéis relevantes nas reuniões, Jean Harris abraçou a causa ao
lado de Paul, acolhendo rotarianos do mundo todo até o falecimento de seu
esposo, com total hospitalidade.
Jean e Paul não tiveram filhos, mas a impressão que
se tem é que adotaram o movimento rotário como um filho, a quem dedicaram apoio
incondicional.
Jean acompanhou o esposo em todas as viagens para
promover o movimento rotário ao redor do mundo. Não foi uma mera figurante, mas
uma presença ativa e participativa, dedicada ao serviço comunitário e ao
fortalecimento da organização.
Este engajamento consolidou Jean Harris como figura
histórica na trajetória do Rotary. Mais do que isso, ela marcou um ponto de
virada na percepção do talento das mulheres dentro de clubes de serviço.
Sua atuação como defensora da paz, sua capacidade
de reconhecer, respeitar e valorizar as diferenças entre várias culturas, seu
senso de inclusão e igualdade, tudo isso foi fundamental para que, no futuro,
as portas dos Rotarys Clubs fossem abertas para que nós, mulheres,
ingressássemos como associadas em pé de igualdade com os homens.
Entre várias passagens, selecionei duas que revelam
o seu protagonismo:
Em 1934, quando o RC de Edimburgo convidou o casal
para uma visita, o Lord Provost, autoridade cívica máxima da cidade, concedeu a
Paul Harris a honraria de discursar perante a assembleia dos Lords, como forma
de homenagear a ilustre conterrânea Jean Thompson Harris.
Numa visita ao Rotary Club de Melbourne, na
Austrália, Paul Harris estava muito cansado e solicitou a Jean que falasse na
tribuna em seu nome. Ela aceitou o encargo e fez um discurso brilhante,
aplaudida com louvor. Isso é empoderamento feminino se solidificando.
Em 1924, Margaret Golding, esposa de um rotariano
de Manchester, teve a iniciativa de fundar na Inglaterra uma organização
internacional de mulheres filiada ao Rotary: o clube Inner Wheel. Jean
Harris foi membro do Inner Wheel. Em 1946, um ano antes do falecimento de seu
esposo, ela foi nomeada como primeira membro honorária do Clube Inner Wheel de
Edimburgo.
Em 1947, faleceu Paul Harris. Jean permaneceu por
alguns meses na residência Comely Bank, mas resolveu vendê-la e retornou à sua
cidade, Edimburgo, na Escócia. Lá, viveu mais 16 anos, vindo a falecer com 83
anos.
Em Edimburgo existem dois memoriais em sua
homenagem:
Uma placa erguida no local de seu nascimento, pelo
RC de Saint Louis, no Missouri.
Outra no portão do cemitério de Newington, onde foi
sepultada.
Concluo esta fala afirmando que o legado de Jean
Thompson Harris continua vivo em todos nós rotarianos, principalmente em nós,
mulheres rotarianas. Jean Harris continua inspirando novas gerações a se
engajarem em causas humanitárias, a trabalhar por um mundo mais inclusivo e
saudável.
Companheiros, isso sim é criar impacto duradouro! Muito obrigada.
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Prezados companheiro Alberto Araújo, suas palavras de incentivo aquecem o meu coração. Somos testemunhas de que o legado de Jean Thompson Harris é exemplo de impacto duradouro, eis que continua a impulsionar a roda rotaria na direção do voluntariado, daliderança e da ética.
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