quarta-feira, 4 de março de 2026

BRUNA LOMBARDI FALA SOBRE ADÉLIA PRADO

(Clicar na imagem para ver o vídeo)

Eu sou muito fã da Adélia Prado. Gosto demais da poesia dela. A poesia dela foi um acontecimento. É um arrebatamento. E eu tenho o privilégio de ter momentos de intimidade, de amizade com a Adélia de muitos anos atrás. 

Eu nunca falo sobre eles, mas que foram assim um privilégio mesmo e uma alegria tão grande de compartilhar isso. Poesia com essa mulher espetacular. A gente estava... eu fui pra Divinópolis na casa dela. E eu me lembro de uma cena. É íntimo, mas por isso que eu vou contar. Eu acho que é um momento importante na vida dela assim, a gente pode contar memórias. 

Eu estava na casa dela, a gente estava no quarto dela. As duas deitadas na cama lendo poesia. Adélia com os olhos marejados lendo Drummond. E eu assim, me debulhando junto. Mas assim, são momentos da vida que você agradece esse acontecimento. Agradece o prazer dessa companhia. Agradece a emoção de tá junto de uma mulher que escreve tão bem.

E agora gente... olha essa coleção da Adélia Prado. Miserere... olha só. E o melhor, o mais lindo... Filandras. Adélia, esses livros são uma obra de arte. Eu fiquei apaixonada por essas capas. Olha essas capas! A Record, Leonardo Iaccarino. Olha só. Um mais bonito que o outro. Solte os cachorros. Gente, essa coleção é imperdível. 

Obras de Adélia Prado. 

Vou botar as três aqui bonitinho em pé pra vocês terem uma noção de como elas conversam uma com a outra, são tão bonitas. E obviamente. Esse é o último livro que saiu dela. Pra quem ainda não leu, leia: O Jardim das Oliveiras.

ADÉLIA PRADO: A POESIA DO COTIDIANO E DO SAGRADO 

Adélia Prado é uma das vozes mais singulares e potentes da literatura brasileira contemporânea. Nascida em Divinópolis (MG), em 1935, ela transformou o cenário literário nacional ao elevar o cotidiano doméstico, a feminilidade e a religiosidade ao status de alta poesia. 

A história de sua estreia é lendária: em 1976, Adélia enviou seus manuscritos para Carlos Drummond de Andrade, que ficou tão impressionado que afirmou: "Adélia é fenomenal". Com o aval do mestre, ela publicou Bagagem, obra que a catapultou para o reconhecimento crítico imediato. 

A escrita de Adélia é marcada por um dualismo fascinante:

O Sagrado e o Profano: Ela une a fé católica profunda com a sensualidade e o desejo carnal de forma harmoniosa.

O Feminino: Retrata a mulher real — a mãe, a dona de casa, a amante — longe de idealizações, focando na beleza das pequenas coisas. 

Linguagem Coloquial: Sua poesia é acessível, mas carregada de uma metafísica que busca o extraordinário no ordinário. 

PRINCIPAIS OBRAS

Além dos títulos citados por Bruna Lombardi no vídeo, destacam-se:

Bagagem (1976) - O marco inicial.

O Coração Disparado (1978) - Vencedor do Prêmio Jabuti.

Cacos para um Vitral (1980) - Incursão na prosa.

O Jardim das Oliveiras (2024) - Sua obra mais recente, que marca seu retorno após um longo hiato. 

Adélia Prado nos ensina que a vida não precisa de grandes eventos para ser poética; basta um olhar atento para a "cozinha" da existência para encontrar o divino. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 



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