O tempo, esse tecelão de histórias, bordou sobre o calendário de Niterói, neste 18 de julho de 2026, uma marca indelével: cento e seis anos de um pulsar que ultrapassa o concreto. O Clube Central não é apenas um espaço de encontros; é o próprio coração da cidade que, na varanda de sua existência, viu a história passar, desfilar e, por fim, criar raízes.
Sob a égide de um sol que reverenciou a celebração, o hasteamento das bandeiras encontrou na música da Banda do Exército o eco de um passado glorioso. O ar, rarefeito pela emoção e pela solenidade, tornou-se o altar das palavras de Dom Alano Maria Pena. Ao proclamar que ali reside uma família, e que a fraternidade é o idioma de quem cruza aquele limiar, ele tocou a essência do que significa pertencer. Nas mãos do Presidente Fernando Tinoco, a Moção de Aplausos a Dom Alano foi mais que um gesto; foi o reconhecimento de que, em meio à agitação mundana, a paz ainda encontra morada no Central.
A solenidade, contudo, também foi feita de silêncio e respeito. Ao honrar a memória de José Pereira de Freitas, o inesquecível Tude, a reunião do Conselho Deliberativo curvou-se diante do legado. A saudade, contudo, não paralisou a celebração; ela a tornou mais profunda. Marco Aurélio Peralta e Fernando Tinoco, conduzindo as honrarias, não apenas entregaram medalhas; eles condecoraram trajetórias.
A medalha Almirante Gustavo Gurgulino de Souza, outorgada ao Almirante de Esquadra Wladimilson Borges de Aguiar, brilhou como um fanal de bravura. Da mesma forma, o reconhecimento a José Roberto Leite de Lima, através da Medalha Dr. Ivan Galindo, entregue por Beth Galindo, transmutou o dever cumprido em gratidão eterna. Paulo Hage e Roberto Ricão, novos sócios honorários, levam agora no peito o título que, na verdade, já possuíam no afeto da comunidade. E, enquanto aguardamos o abraço aos ausentes, Cesar Maia, Alexander Sá Vilela e Estela Prestes, o sentimento que paira é de um círculo que se expande, sem nunca perder sua unidade.
Entre o corte do bolo, que adoçou o espírito, e a promessa do Baile de Gala que virá, o que fica é a certeza de que o Central é um organismo vivo. Amanhã, a festa mudará o cenário para a pérgula da piscina, mas a alma será a mesma. Cem anos e seis voltas ao sol depois, o Clube Central continua sendo o cais onde a história de Niterói atraca para descansar, festejar e sonhar o futuro.
Que estas notas, registradas pelo Focus Portal Cultural de Alberto Araújo, sirvam de testemunho: o tempo passa, mas a fraternidade é perene.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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