sábado, 25 de julho de 2026

O PESO DE UMA PALAVRA INESPERADA - CRÔNICA DO ELOGIO ANTOLÓGICO - POR © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FRASE DA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI

Receber um elogio é sempre um bálsamo para quem escreve, mas há adjetivos que parecem carregar o peso de séculos. Quando a presidente Matilde cravou seu veredito em meu texto feito para celebrar o meu aniversário no dia 23 de julho: A TRAVESSIA DAS ÁGUAS E DAS LETRAS: SOB O OLHAR DO VELHO MONGE de: "Texto antológico. Parabéns para todo o sempre nosso querido jornalista", a primeira reação foi a alacridade. O que faz um texto comum, nascido da urgência do cotidiano, atravessar a fronteira do efêmero e ser alçado a essa dimensão quase mítica? 

Na raiz da palavra, antologia remete à colheita de flores. Na Grécia Antiga, era o termo usado para reunir as melhores poesias, aquelas que resistiam ao tempo e mereciam ser preservadas em um só jardim literário. Quando Matilde utilizou o termo, ela não estava apenas elogiando uma boa tirada ou uma estrutura gramatical correta; ela falava da eternização do efêmero.

A grandiosidade do que a presidente quis dizer reside na capacidade que a escrita tem de capturar o indizível. No jornalismo do dia a dia, escrevemos sobre o agora: o fato que estampa a manchete, a reclamação da rua, o calor do momento. É uma literatura de relógio, feita para expirar com o sol do dia seguinte.

Porém, quando um texto atinge a categoria "antológica", ele deixa de ser sobre o hoje e passa a ser sobre a condição humana. Matilde enxergou ali algo que transcende a notícia. Percebeu que a crônica havia tocado em uma corda sensível, universal, capaz de fazer o leitor de amanhã se reconhecer nas mesmas angústias e alegrias do leitor de hoje.

Dizer "para todo o sempre" é um ato de ousadia poética em um mundo obcecado pelo descarte imediato. As redes sociais rolam a tela em segundos; os artigos de opinião viram estatísticas de visualizações. Contudo, o elogio institucional e afetuoso da presidente resgatou o valor perene da palavra impressa ou lida com alma.

No fim das contas, a dimensão do texto antológico não pertence apenas a quem o escreve, mas a quem o lê com generosidade. Matilde não estava apenas avaliando parágrafos; ela estava celebrando o instante raro em que a literatura cumpre o seu pacto mais sagrado: transformar o pó dos dias em algo digno de ser lembrado para sempre.

© Alberto Araújo

 



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