No pulsar verde da Mata Atlântica e sob o embalo ancestral das águas guiadas pelas mãos Guarani, a alma encontra seu prumo. Há vinte e cinco anos, desde o amanhecer de 2001, um fio invisível e indestrutível tece a cumplicidade entre o Elos Clube de Praia Grande, filiado à Federação Internacional Elos da Comunidade Lusíada e o tradicional Colégio França. Mais do que uma aliança institucional, é um casamento de propósitos regido pela sensibilidade de Sidney Cardoso da França e sua esposa, Selma Cristina da França, mantenedores do colégio e artífices incansáveis dessa travessia humana.
Sidney, hoje honrado também como vice-presidente do Elos Internacional, personifica a chama que incendeia nos corações elistas e na sociedade a urgência de abraçar causas com profundidade e verdade.
O caminho até a Aldeia Ara Pyau, berço que guardou o nome de Aldeia Aguapeú, fincado nas terras de Mongaguá, cujo eco indígena traduz-se na poesia da "lama pegajosa" é um convite a desacelerar o passo e abrir os sentidos. A imersão começa no balanço manso do barco conduzido pelos barqueiros nativos, desaguando em uma trilha onde o verde da mata parece respirar junto a quem passa.
Neste mês de julho, enfrentando a aspereza do inverno, a caravana solidária desceu à aldeia revestida de calor humano. A comitiva uniu a força e o afeto do governador do DE-1 Marcos Henrique (Elos São Vicente), da secretária da governadoria Cintia Mafei (Elos Santos), dos diretores internacionais Sidney França e Selma França, ao lado de Matheus Miranda (Elos Praia Grande) e Antonio Mathias (Colégio França). Nos braços e nas mãos, mantas, roupas, agasalhos, calçados e cestas básicas; no peito, a certeza de que a solidariedade genuína é o agasalho mais potente que existe.
O tempo na aldeia e nos corações parceiros não caminha em linha reta, ele dança em ciclos de partilha que pontuam todo o ano: Páscoa Solidária e Campanha Inverno Solidário; Festa das Crianças e Natal Solidário.
Alimentos, brinquedos e sorrisos circulam em uma via de mão dupla onde quem doa recebe a maior de todas as dádivas: a sabedoria do encontro. Sob a liderança firme e acolhedora do Cacique Sérgio (Sérgio Martins da Silva), a Aldeia Ara Pyau ergue-se como um holofote inabalável de resistência cultural, guardando zelosamente a língua ancestral guarani e erguendo-se como guardiã intransigente da biodiversidade da Mata Atlântica. É um verdadeiro santuário vivo de ética, respeito humano e resiliência.
O reconhecimento dessa comunidade transborda através de pilares sólidos que promovem o verdadeiro turismo de base comunitária e a integração social:
Parcerias Escolares: Através de projetos contínuos, como o intercâmbio histórico promovido pelo Colégio França e o Elos Praia Grande, a aldeia transforma-se em sala de aula a céu aberto. Ali, as barreiras do tempo caem: os jovens estudantes encantam com suas músicas, poesias e jograis, enquanto os moradores da aldeia respondem com a pureza e a força de suas danças, cantos e saberes ancestrais.
Turismo Comunitário e Economia Solidária: Por meio de iniciativas como o Projeto Vivenciar e o valioso suporte do Fórum de Economia Solidária, a aldeia abre suas portas generosamente. É um convite para que a sociedade civil caminhe por suas trilhas ecológicas, conheça sua história de luta e valorize o primoroso artesanato local.
Preservação Integral: Cuidar da terra e da palavra é ato contínuo. A comunidade protege o bioma local com o mesmo esmero com que perpetua a oralidade de seus antepassados para as novas gerações.
Aproximar-se da Aldeia Ara Pyau exige mais do que presença física; requer disposição espiritual para a escuta e para o respeito profundo às leis que regem aquela terra.
Quando agendadas previamente, as visitas revelam-se em toda a sua riqueza: palestras esclarecedoras, apresentações culturais marcantes, exibições de arte nativa e uma culinária típica que nutre o corpo e a memória. Para aqueles que desejam somar forças, o gesto de levar alimentos não perecíveis ou frutas frescas transforma-se em um ato genuíno de partilha solidária, desde que alinhado com antecedência.
Visitar a Ara Pyau é um pacto de reverência: é preciso zelar pela natureza, curvar-se diante dos usos, costumes e regras da comunidade, vestir-se com roupas adequadas para a trilha, portar repelente biodegradável e, acima de tudo, carregar na alma a gratidão por pisar em um solo sagrado onde a resistência tem nome, cor e ancestralidade.
Texto © Alberto Araújo
Diretor de Cultura do Elos
Internacional
Editor do Focus Portal Cultural
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)


.jpeg)

.jpeg)


.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)



Nenhum comentário:
Postar um comentário