“Que Deus o pague, querido amigo
Alberto. Só Ele, na sua infinita grandiosidade, pode, na verdade, aquilatar o
meu reconhecimento para com você, nesta magnitude esplendorosa de seu coração,
tão acarinhador e magnânimo. É conhecido um velho ditado, lá pelas plagas
mineiras: 'Quem beija o meu filho, adoça a minha boca'. Assim seja para todo o
sempre. 'Deo Gratias'. Matilde."
A gratidão, para mim, nunca foi um
protocolo de boas maneiras; sempre a entendi como um acontecimento que, por
vezes, consegue transpassar o plano do cotidiano para tocar algo sagrado.
Recentemente, ao dedicar minhas palavras e meu olhar de jornalista ao Dr.
Carlos Eduardo Slaibi Conti, eu não buscava nada além de registrar a
importância de sua trajetória. No entanto, o retorno que recebi da Dra. Matilde
Carone Slaibi Conti não foi apenas um agradecimento; foi uma lição de alma que
ainda ecoa em meu escritório, aqui no terceiro andar em Icaraí.
Ao me
escrever, ela não poupou na intensidade da gratidão. Entre palavras que
emanavam uma sabedoria ancestral, ela resgatou um ditado que me marcou profundamente:
"Quem beija o meu filho, adoça a minha boca". Ao ler a frase, parei o
que estava fazendo. O café, que já esfriava à mesa, perdeu o protagonismo
diante da verdade contida naquelas palavras vindas das plagas mineiras.
Compreendi, naquele exato instante, que a escrita não é um ato solitário; ela é
uma ponte.
Para uma
mãe, o filho é a extensão mais pura de sua própria existência. Quando eu honro
o Dr. Carlos Eduardo, não estou apenas fazendo um elogio público a um homem de
valor; estou celebrando, ainda que de forma indireta, a própria essência de sua
mãe. O "beijo" que ela menciona, traduzido aqui pelo meu esforço em
registrar sua história, é o que adoça a sua boca, dissipando qualquer amargor
que o tempo possa trazer. Percebi, então, que meu ofício, esse desejo constante
de informar, de fotografar a luz de Niterói e de registrar as efemérides do
mundo, serve, no fim das contas, para tornar a vida um pouco mais doce para
quem a cerca.
Ela me disse
que "só Deus, na sua infinita grandiosidade, pode aquilatar" a
magnitude do que sentia pelo meu gesto. Aquilo me comoveu. Em um mundo onde o
reconhecimento se tornou moeda de troca apressada e, por vezes, superficial,
receber uma resposta que me coloca sob o olhar da transcendência é um
privilégio. Senti, naquele momento, que todo o caminho percorrido desde a minha
querida Luzilândia até o meu porto seguro em Niterói, converge para esses
instantes de troca.
Ao concluir
sua mensagem com um "Deo Gratias", Matilde selou um pacto de afeto.
Sinto que, ao homenagear o filho, recebi de volta uma bênção que ilumina a minha
própria jornada como escritor. Eu, que me perco em livros de Cecília Meireles e
busco sempre uma nova crônica para o meu portal, percebi que a verdadeira
crônica da vida é escrita com gestos.
Hoje, ao
contemplar o pôr do sol na baía, entendo melhor a minha missão. A escrita é o
meu instrumento, mas a conexão humana é o meu destino. Como acadêmico e cronista,
entendo que a vida me deu a chance de ser, através das palavras, um agente de
doçura. E, ao final, essa doçura acaba por inundar também a minha própria boca,
provando que, na complexa e bela teia das relações humanas, dar é a forma mais
sublime de receber.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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