domingo, 19 de julho de 2026

O POENTE DE NITERÓI: UMA CRÔNICA DE AFETO, BRISA E MAR - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FOTOGRAFIA POSTADA POR JUNIOR RODRIGUES EM SUA PÁGINA NO INSTAGRAM

 

A fotografia postada pelo advogado, professor e Diretor da ESA-Niterói, Junior Rodrigues, não é apenas um registro visual; é um portal para a alma de Niterói. Capturada em Charitas, sob a luz dourada do fim de tarde, ela ressoa profundamente com quem, como ele e eu, tem o privilégio de chamar esta cidade de "lar". A imagem, com seus barcos silhuetados contra o sol poente que se aninha atrás dos morros, e o mar refletindo o fogo do céu, é um clichê na melhor aceitação da palavra: uma verdade universal e bela que se repete dia após dia, mas que nunca cansa de nos maravilhar. 

Quando Junior escreve: "Nascido e criado em Niterói, tenho o privilégio de viver e trabalhar na cidade que amo. E, quando o dia termina com um pôr do sol como esse em Charitas, sentindo a brisa e o cheiro do mar, tenho ainda mais certeza: não há lugar como o nosso", ele sintetiza um sentimento coletivo. É uma declaração de amor que ecoa nas calçadas de Icaraí, nas areias de Piratininga, nas ladeiras do Barreto e nas praças do Fonseca. Mas há algo de visceralmente especial em observar esse espetáculo da Baía de Guanabara.

Eu, daqui da minha janela em Icaraí, testemunho esse ritual vespertino com a mesma reverência. A praia de Icaraí, com sua orla curva e elegante, emoldura o pôr do sol de forma majestosa. O sol desce majestoso, tingindo as nuvens de tons que variam do rosa suave ao laranja vibrante, incendiando o céu e a água. As silhuetas do MAC, o ícone futurista de Niemeyer, e da Ilha da Boa Viagem, com sua igrejinha histórica, pontuam o horizonte, criando um contraste entre a arquitetura moderna e a paisagem natural, entre o efêmero do céu e o perene do mar. É nesse momento que o caos urbano do dia se dissolve na serenidade da luz. O barulho do trânsito da Rua Ator Paulo Gustavo, antiga Rua Moreira César parece diminuir, abafado pelo som das ondas e pela grandiosidade do espetáculo celeste. A brisa do mar, fresca e salgada, entra pela janela, trazendo consigo o cheiro da Guanabara, um perfume complexo, ancestral, misto de maresia, vida e história. 

Niterói, muitas vezes ofuscada pela grandiosidade da metrópole vizinha, o Rio de Janeiro, guarda uma identidade própria, uma essência mais acolhedora, mais "de bairro", mesmo com seus 516.787 habitantes. E essa identidade está profundamente ligada ao seu litoral. A relação com o mar não é apenas visual; é visceral, cultural, definidora do nosso caráter. O mar de Niterói não é um mero elemento decorativo; é um personagem ativo na nossa história. Ele foi via de transporte para os primeiros habitantes, fonte de sustento para as comunidades pesqueiras que ainda resistem em locais como Jurujuba, e é hoje o palco de lazer, esporte e, acima de tudo, de contemplação. 

A crônica cultural de Niterói se escreve em seus pores do sol. Eles não são apenas um fenômeno atmosférico; são um evento social. Em Charitas, as pessoas se reúnem no calçadão, nas muretas, nos quiosques, não apenas para ver o sol se pôr, mas para compartilhar o momento. É uma celebração silenciosa do fim de um ciclo e da promessa de um novo começo. Em Icaraí, a orla se transforma em um anfiteatro natural. Famílias inteiras, casais, idosos, jovens, todos se voltam para o mar, em um momento de comunhão coletiva. A diversidade da cidade se dissolve na admiração unânime da beleza. 

Essa conexão profunda com a natureza, com a paisagem costeira, molda o espírito niteroiense. Há certa altivez tranquila em quem vive aqui. Amamos nossa cidade não por sua grandiosidade, mas por sua escala humana, por sua beleza acessível, por esse cotidiano que se permite ser pontuado por momentos de pura poesia, como o pôr do sol. 

A fala de Junior Rodrigues ressoa porque é autêntica. Ela vem de alguém que conhece as nuances da cidade, que viveu suas transformações, que compreende o valor de ter a Baía de Guanabara como cenário diário. E, ao mesmo tempo, é uma fala que fala por todos nós. Seja em Charitas, em Icaraí, ou em qualquer outro ponto da nossa costa, a experiência é a mesma: a sensação de estar em casa, em um lugar único, privilegiado pela natureza.

Portanto, a fotografia de Junior não é apenas um registro de um momento. É um espelho da nossa alma niteroiense. Ela reflete nosso amor pela cidade, nossa conexão com o mar, nossa capacidade de encontrar beleza e serenidade na simplicidade do cotidiano. E, acima de tudo, reafirma a certeza que todos nós, que temos o privilégio de viver em Niterói, carregamos no peito: que não há lugar como o nosso. Que a brisa e o cheiro do mar de Niterói nos acompanhem sempre, e que seus pores do sol continuem a nos inspirar e a nos unir. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 




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