Em uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro do século XIX, um homem na flor da idade, com ares melancólicos e óculos redondos, caminhava pelas ruas de paralelepípedos. Era Machado de Assis, o renomado escritor, mergulhado em seus pensamentos sobre a vida e a natureza humana.
Machado se encontrava em um momento de reflexão profunda, questionando os rumos da sociedade e as complexidades dos relacionamentos. Seus personagens, tão ricos em nuances e contradições, povoavam sua mente, clamando por um desfecho que transcendesse a ironia e o pessimismo que permeavam suas obras.
Ao passar por uma praça, Machado avistou uma jovem mulher, de beleza singela e olhar cativante, sentada em um banco, absorta em seus próprios pensamentos. Intrigado, o escritor aproximou-se e, com sua habitual cortesia, puxou conversa.
A jovem, chamada Carolina, revelou-se uma leitora ávida dos livros de Machado, admiradora de sua perspicácia e sagacidade. Os dois logo se viram envolvidos em uma conversa animada, compartilhando suas visões sobre a vida, a literatura e o amor.
Machado, encantado pela inteligência e sensibilidade de Carolina, sentiu-se revigorado e inspirado. Aos poucos, a melancolia que o consumia foi se dissipando, dando lugar a uma esperança renovada.
Com o passar dos dias, Machado e Carolina se encontravam com frequência, compartilhando suas paixões e sonhos. O escritor, outrora cético em relação ao amor, viu-se cativado pela doçura e sinceridade da jovem.
Em um belo dia ensolarado, Machado declarou seu amor a Carolina, pedindo-a em casamento. A jovem, com um sorriso radiante, aceitou o pedido, selando um amor que parecia improvável, mas que se revelou verdadeiro e transformador.
Machado, inspirado por esse amor, decidiu dar um novo rumo à sua escrita. Seus personagens, antes fadados a destinos trágicos e solitários, encontraram a felicidade e a redenção. A ironia e o pessimismo, marcas registradas de sua obra, deram lugar a um tom mais otimista e esperançoso.
Machado de Assis, o mestre da ironia e do pessimismo, encontrou na figura de Carolina a inspiração para um final feliz, tanto em sua vida quanto em sua obra. E assim, o escritor nos presenteou com histórias de amor, redenção e esperança, mostrando que, mesmo em meio às adversidades da vida, a felicidade é possível.
© Alberto
Araújo
Carolina
Augusta de Novais Machado de Assis. Nascimento, 20 de fevereiro de 1834 ·
Porto, Portugal. Falecimento: 20 de outubro de 1904, Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro.
Joaquim
Maria Machado de Assis. Nascimento: 21 de junho de 1839, Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro. Falecimento: 29 de setembro de 1908, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Machado
de Assis tinha 30 anos quando conheceu sua esposa Carolina, que era 5 anos mais
velha que ele. Os dois se casaram em 1869, mesmo com a reprovação da família de
Carolina, que era portuguesa e preconceituosa, por Machado de Assis ser mulato.
Apesar
de algumas fontes questionarem a intensidade da oposição, é fato que a família
de Carolina, de origem portuguesa, inicialmente não via com bons olhos o
relacionamento dela com Machado, que era mulato e de origem humilde.
Carolina
era uma mulher culta e intelectualmente estimulante, e muitos acreditam que ela
teve uma grande influência no desenvolvimento literário de Machado. Ela o
incentivou a ler clássicos da literatura inglesa, o que contribuiu para a
formação do estilo único do autor.
O
casamento de Machado e Carolina foi marcado por um profundo amor e
companheirismo. Eles foram parceiros por 35 anos, até a morte de Carolina em
1904.
A
morte de Carolina causou grande tristeza em Machado, que expressou sua dor e
saudade em diversos escritos. Ele guardou com carinho as lembranças do
casamento, como cartas, pedaços do véu de noiva e a grinalda de Carolina.
Carolina
é considerada por muitos como a musa inspiradora de Machado de Assis, e sua
presença é sentida em diversas obras do autor.
Carolina
era uma leitora ávida e apreciava a literatura, o que a tornou uma companheira
intelectual para Machado. Ela o incentivou em sua carreira literária, e ele
valorizava muito sua opinião sobre seus escritos. O casal frequentava os
círculos intelectuais do Rio de Janeiro, onde se relacionavam com outros
escritores, artistas e personalidades da época.
Carolina
desempenhou um papel importante no apoio ao seu marido em sua vida social e
profissional.
Após
a morte de Carolina, Machado escreveu o poema "Carolina", considerado
uma de suas obras mais emocionantes, como forma de homenageá-la. Machado de
Assis guardou com carinho as lembranças do casamento, como cartas, pedaços do
véu de noiva e a grinalda de Carolina.
A
história de amor de Machado de Assis e Carolina é considerada um exemplo de companheirismo
e respeito mútuo. A influência de Carolina na vida e obra de Machado de Assis é
reconhecida por muitos estudiosos da literatura brasileira.
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