domingo, 30 de março de 2025

YARA E O ENCANTADO RIO MINICONTO DE ALBERTO ARAÚJO


       

Nas margens do Rio Maiauatá, no município de Igarapé-Miri, no Pará, afluente do Rio Tocantins, onde as águas cristalinas refletiam a luz do sol, vivia uma jovem chamada Yara. Com seus cabelos longos e negros, olhos castanhos brilhantes e pele morena como a terra, Yara era uma verdadeira filha da natureza.

 

Todos os dias, Yara se sentava à beira do rio, fascinada pela beleza dos peixes que nadavam em suas águas. Observava-os com admiração, encantada com suas cores vibrantes e movimentos graciosos.

 

Um dia, enquanto Yara contemplava os peixes, notou um rapaz de cabelos escuros e olhos azuis que a observava de dentro do rio. Ele estava vestido de branco, como a lua que brilhava no céu noturno. Yara ficou surpresa e encantada com sua beleza, mas não teve tempo de dizer nada, pois o rapaz desapareceu nas profundezas do rio.

 

A partir daquele dia, Yara passava horas à beira do rio, esperando o rapaz reaparecer. Ela se apaixonou por ele, sem nunca ter trocado uma palavra.

 

Um dia, enquanto Yara estava sentada à beira do rio, o rapaz emergiu das águas, vestido de branco como sempre. Ele se aproximou dela e estendeu a mão, convidando-a a mergulhar com ele.

 

Yara hesitou, mas a atração pelo rapaz era mais forte do que qualquer medo. Ela segurou sua mão e mergulhou nas águas profundas do rio. O rio era um mundo mágico, cheio de cores e sons que Yara nunca havia experimentado antes. O rapaz a guiou por entre os recifes de coral, mostrando-lhe peixes e plantas que ela nunca havia visto.

 

Yara se sentiu em casa naquele mundo subaquático, como se finalmente tivesse encontrado seu lugar no mundo. Ela e o rapaz se apaixonaram profundamente, e sua vida juntos era um conto de fadas.

 

Mas um dia, o rapaz, o qual se chamava Aruanã, revelou a Yara que era um espírito das águas, um ser livre que precisava navegar por outros rios e oceanos. Ele disse que precisava partir, mas prometeu que um dia voltaria para ela.

 

Yara, com o coração apertado, compreendeu a natureza de Aruanã e o deixou partir, guardando a esperança de seu retorno.

 

Os dias se transformaram em meses, e os meses em anos. Yara nunca perdeu a esperança, mantendo vivo o amor que sentia por Aruanã. Ela se tornou a guardiã do rio, protegendo suas águas e seus habitantes, esperando pacientemente pelo dia em que seu amado retornaria.

 

E então, em uma noite de lua cheia, quando o rio brilhava como um espelho prateado, Aruanã emergiu das águas. Ele havia cumprido sua jornada e retornado para sua amada Yara.

 

A alegria de Yara era imensa, um rio de emoções que transbordava em lágrimas de felicidade. Aruanã a abraçou, e juntos, eles mergulharam nas profundezas do rio, onde seu amor floresceu para sempre.

 

A partir daquele dia, Yara e Aruanã viveram juntos no Rio Maiauatá , um casal que unia a terra e a água, a natureza e o espírito. Seu amor se tornou uma lenda, um conto de esperança e felicidade que ecoava nas margens do rio, inspirando todos que o ouviam.

 

© Alberto Araújo






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