Nas
margens do Rio Maiauatá, no município de Igarapé-Miri, no Pará, afluente do Rio
Tocantins, onde as águas cristalinas refletiam a luz do sol, vivia uma jovem
chamada Yara. Com seus cabelos longos e negros, olhos castanhos brilhantes e
pele morena como a terra, Yara era uma verdadeira filha da natureza.
Todos os dias, Yara se sentava à beira
do rio, fascinada pela beleza dos peixes que nadavam em suas águas.
Observava-os com admiração, encantada com suas cores vibrantes e movimentos
graciosos.
Um
dia, enquanto Yara contemplava os peixes, notou um rapaz de cabelos escuros e
olhos azuis que a observava de dentro do rio. Ele estava vestido de branco,
como a lua que brilhava no céu noturno. Yara ficou surpresa e encantada com sua
beleza, mas não teve tempo de dizer nada, pois o rapaz desapareceu nas
profundezas do rio.
A
partir daquele dia, Yara passava horas à beira do rio, esperando o rapaz
reaparecer. Ela se apaixonou por ele, sem nunca ter trocado uma palavra.
Um
dia, enquanto Yara estava sentada à beira do rio, o rapaz emergiu das águas,
vestido de branco como sempre. Ele se aproximou dela e estendeu a mão,
convidando-a a mergulhar com ele.
Yara hesitou, mas a atração pelo rapaz
era mais forte do que qualquer medo. Ela segurou sua mão e mergulhou nas águas
profundas do rio. O rio era um mundo mágico, cheio de cores e sons que Yara
nunca havia experimentado antes. O rapaz a guiou por entre os recifes de coral,
mostrando-lhe peixes e plantas que ela nunca havia visto.
Yara se sentiu em casa naquele mundo
subaquático, como se finalmente tivesse encontrado seu lugar no mundo. Ela e o
rapaz se apaixonaram profundamente, e sua vida juntos era um conto de fadas.
Mas um dia, o rapaz, o qual se chamava
Aruanã, revelou a Yara que era um espírito das águas, um ser livre que precisava
navegar por outros rios e oceanos. Ele disse que precisava partir, mas prometeu
que um dia voltaria para ela.
Yara, com o coração apertado,
compreendeu a natureza de Aruanã e o deixou partir, guardando a esperança de
seu retorno.
Os
dias se transformaram em meses, e os meses em anos. Yara nunca perdeu a
esperança, mantendo vivo o amor que sentia por Aruanã. Ela se tornou a guardiã
do rio, protegendo suas águas e seus habitantes, esperando pacientemente pelo
dia em que seu amado retornaria.
E então, em uma noite de lua cheia,
quando o rio brilhava como um espelho prateado, Aruanã emergiu das águas. Ele
havia cumprido sua jornada e retornado para sua amada Yara.
A
alegria de Yara era imensa, um rio de emoções que transbordava em lágrimas de
felicidade. Aruanã a abraçou, e juntos, eles mergulharam nas profundezas do
rio, onde seu amor floresceu para sempre.
A
partir daquele dia, Yara e Aruanã viveram juntos no Rio Maiauatá , um casal que
unia a terra e a água, a natureza e o espírito. Seu amor se tornou uma lenda,
um conto de esperança e felicidade que ecoava nas margens do rio, inspirando
todos que o ouviam.
© Alberto Araújo
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