quinta-feira, 3 de abril de 2025

O DEFEITO INESPERADO DO RETRATO MINICONTO DE ALBERTO ARAÚJO

 



A casa de Dona Eudóxia respirava ares de antiguidade e um certo melancólico requinte. Viúva há anos, encontrava consolo na companhia de seus objetos, testemunhas silenciosas de um passado mais vívido. Entre eles, um retrato a óleo de seu falecido esposo, Coronel Agripino, ocupava lugar de destaque na sala de visitas.

A tela capturava o Coronel em seus anos de maior vigor, o olhar firme e o bigode bem aparado, transmitindo a autoridade e a respeitabilidade que lhe eram peculiares. Dona Eudóxia admirava o retrato diariamente, encontrando ali uma espécie de presença constante, uma lembrança tangível de um tempo que não voltava mais. 

Certo dia, recebeu a visita de um velho amigo da família, Dr. Fausto, um homem de olhar perspicaz e comentários sempre carregados de uma fina ironia, traços que o diferenciavam da maioria dos frequentadores da casa. Após os cumprimentos de praxe e as conversas amenas sobre a saúde e os acontecimentos da cidade, Dr. Fausto deteve-se diante do retrato. 

"Belo trabalho," comentou, a voz carregada de uma entonação difícil de decifrar. "Captura bem a... solidez do Coronel." 

Dona Eudóxia sorriu levemente, acostumada ao jeito peculiar do amigo. "Sim, foi pintado pouco antes de sua partida. Considero-o uma representação fiel." 

Dr. Fausto aproximou-se mais, franzindo ligeiramente a testa. "Fiel... talvez. Mas há algo... singular. Um pequeno detalhe que sempre me chamou a atenção." 

Dona Eudóxia, curiosa, aproximou-se também, observando a tela com mais atenção do que de costume. "Um detalhe? Nunca percebi nada de extraordinário." 

Dr. Fausto apontou para a mão direita do Coronel, que repousava sobre o punho de uma bengala. "Veja bem os dedos. O anelar... não lhe parece um pouco... alongado demais? Desproporcional ao restante da mão?" 

Dona Eudóxia examinou detidamente. De fato, o dedo anelar parecia ligeiramente mais comprido do que seria esperado, uma pequena anomalia em meio à representação impecável. Nunca havia notado tal detalhe antes. 

"Bem," disse ela, um tanto intrigada, "talvez fosse uma peculiaridade do Coronel. Nunca reparei em suas mãos de maneira tão específica." 

Dr. Fausto sorriu de um jeito enigmático. "Ah, Dona Eudóxia, duvido muito. Conheci bem o Coronel, e suas mãos eram de um homem prático, sem dedos excessivamente longos. Creio que o pintor, talvez por um descuido ou uma estranha licença artística, cometeu essa pequena... imprecisão." 

A conversa seguiu por outros rumos, mas a observação de Dr. Fausto plantou uma semente de dúvida na mente de Dona Eudóxia. Nos dias seguintes, passou a observar o retrato com uma atenção obsessiva, focando naquele dedo anelar alongado. Quanto mais olhava, mais aquele pequeno "defeito" parecia destoar da imagem imponente do Coronel. 

Começou a recordar-se de detalhes esquecidos, de comentários passageiros. Lembrou-se de uma ocasião em que uma amiga, observando uma fotografia do Coronel, havia feito uma observação sobre a delicadeza de seus dedos, algo que na época lhe parecera um tanto deslocado para um homem de sua posição.

A dúvida transformou-se em uma leve perturbação, que logo evoluiu para uma crescente angústia. Aquele pequeno detalhe no retrato parecia desvelar algo mais, uma incongruência sutil que a impedia de ver a imagem do marido com a mesma devoção de antes. 

Em uma tarde chuvosa, enquanto contemplava o retrato sob a luz sombria, Dona Eudóxia teve um insight perturbador. Lembrou-se de uma história antiga, um boato que circulava na sociedade anos atrás, antes de seu casamento com o Coronel. Falava-se de um pintor talentoso, mas de vida boêmia e pouco afeito aos compromissos, que havia tido um caso amoroso breve e intenso com uma dama da alta sociedade. O nome do pintor havia se perdido na névoa do tempo, mas a descrição física... guardava certas semelhanças com o artista que pintara o retrato do Coronel. 

Uma ideia sombria começou a tomar forma em sua mente. E se aquele pequeno defeito no dedo não fosse um erro, mas sim uma assinatura sutil, uma lembrança codificada de um segredo? E se a mão retratada não fosse inteiramente a do Coronel? 

Movida por uma angústia crescente, Dona Eudóxia procurou o ateliê do pintor, um senhor já idoso e de memória falha. Inicialmente, ele não se lembrava do retrato do Coronel Agripino. Mas, ao ver uma fotografia da obra, seus olhos se iluminaram com uma vaga nostalgia.

"Ah, sim... o Coronel. Um homem de posses. Lembro-me da encomenda. Mas houve... uma pequena complicação." 

Hesitante, o pintor revelou que, durante a execução do retrato, o Coronel havia se ausentado por um período inesperado. Para não atrasar a entrega, e pressionado por suas próprias dificuldades financeiras, o pintor havia recorrido a um modelo substituto para posar para alguns detalhes, especialmente as mãos. O modelo, um jovem músico de dedos longos e elegantes, havia sido contratado às pressas. 

A revelação atingiu Dona Eudóxia como um raio. O defeito no retrato não era um erro, mas sim a marca indelével de uma substituição, a prova silenciosa de uma ausência, de um lapso no tempo em que outro homem, com mãos diferentes, havia ocupado o lugar de seu esposo sob o olhar do pintor. 

O final surpreendente não residia em um grande escândalo ou em uma traição flagrante. Era algo mais sutil e perturbador: a constatação de que a imagem que ela venerava, a representação de seu marido, continha um fragmento de outro homem, uma pequena intrusão que desfigurava a totalidade da lembrança. Aquele dedo anelar alongado, antes um detalhe insignificante, tornava-se agora um símbolo de uma verdade oculta, um lembrete de que mesmo as representações mais solenes podem carregar em si as marcas inesperadas do acaso e do segredo. E Dona Eudóxia, diante daquele retrato agora irremediavelmente alterado em sua percepção, compreendeu a fragilidade das imagens e a persistente ironia do destino.

 

© Alberto Araújo





O ECO DE VERLAINE: QUANDO A MÚSICA SE TRANSFORMA EM VERSO CRÔNICA DE ALBERTO ARAÚJO DEDICADA AO LITERATA FRANCISCO DACUNHA


As palavras do meu companheiro de letras, qual orquestra invisível, reverberaram em minha alma, despertando acordes há muito silenciados. "De la musique avant toute chose", declamou ele, e o nome de Verlaine iluminou a sala como um holofote sobre um palco em penumbra. Transportado pelas ondas sonoras daquela frase, mergulhei nas profundezas do Simbolismo, onde a poesia e a música se fundem em um bailado etéreo.

"Art Poétique", esse manifesto que pulsa em nossos corações como uma sinfonia secreta, é um convite à entrega à sonoridade, à busca pela melodia que habita as entrelinhas das palavras. Verlaine, o bardo que amava a vida em sua plenitude, nos ensinou a escutar a música que pulsa em cada verso, a sentir a cadência que embala a alma em um ritmo hipnótico.

E como não evocar "Chanson d'Automne", essa sinfonia melancólica que nos transporta para um outono de cores e emoções? Os violinos que choram, as folhas que caem em espiral, a nostalgia que invade a alma como uma névoa densa... tudo se funde em uma melodia que nos arrebata, que nos faz sentir a beleza e a efemeridade da vida em sua plenitude.

DaCunha, meu amigo, uma seta no coração da emoção, por me lembrar da importância da música na poesia, por me convidar a ouvir a melodia que habita em cada palavra como um segredo sussurrado. Que possamos, juntos, continuar a desvendar os mistérios da arte, a celebrar a beleza da vida e a eternizar nossos sentimentos em versos que ecoem como canções, transcendendo o tempo e o espaço.

 





 

O ENIGMA DA BIBLIOTECA ESQUECIDA MINICONTO DE ALBERTO ARAÚJO

 


O burburinho da Rua do Ouvidor mal chegava aos ouvidos do velho bibliotecário, Senhor Antunes. Enclausurado entre estantes empoeiradas e o cheiro inconfundível de papel antigo, ele se sentia mais à vontade do que em qualquer salão da corte. Há décadas dedicava-se àquela biblioteca particular, um verdadeiro labirinto de sabedoria acumulada por gerações de uma mesma família. 

Um dia, porém, algo quebrou a monotonia de sua existência. Dona Adelaide, a última herdeira da linhagem, uma senhora de saúde frágil e olhar melancólico, chamou-o ao seu gabinete. 

"Senhor Antunes," começou ela, a voz um fio de seda, "encontrei algo... peculiar. Algo que me deixou deveras perturbada." 

Sobre a mesa de mogno, repousava um caderno de capa simples, quase desbotada. Dona Adelaide hesitou antes de abri-lo, como se temesse o que suas páginas pudessem revelar. 

"Estava guardado em um cofre antigo, no sótão. Nunca o vi antes. A caligrafia... parece familiar, mas não consigo precisar de quem seja."

Senhor Antunes pegou o caderno com cuidado. As páginas amareladas rangiam levemente sob seus dedos. A caligrafia era elegante, cursiva, com um toque de formalidade que lhe era vagamente conhecido. Começou a ler a primeira frase, e um arrepio percorreu sua espinha.

"Confesso, sob o véu da mais profunda discrição, que fui o algoz da própria felicidade."

As palavras seguintes descreviam uma história intrincada de amores proibidos, ambições secretas e escolhas tortuosas, tudo narrado com a maestria de um observador arguto e uma ironia sutil que lhe eram inconfundíveis. Os personagens, embora fictícios, pareciam ganhar vida sob a pena daquele escritor anônimo, com suas fraquezas expostas e suas motivações dissecadas com uma precisão quase cirúrgica.

Quanto mais Senhor Antunes lia, mais a certeza o invadia: aquela era a mão de Machado de Assis. Mas como? O caderno não continha datas, mas o estilo, a cadência das frases, a profundidade psicológica dos personagens... tudo gritava o nome do Bruxo do Cosme Velho.

A surpresa não residia apenas na descoberta de um texto inédito do mestre. O verdadeiro enigma estava em como aquele caderno fora parar naquele cofre esquecido. A família de Dona Adelaide não possuía nenhuma ligação conhecida com Machado de Assis. Senhor Antunes, um estudioso da obra machadiana, jamais ouvira falar de qualquer manuscrito perdido com aquelas características.

Dona Adelaide observava o bibliotecário com apreensão. "O que pensa, Senhor Antunes? Quem poderia ter escrito isso?" 

Ele ergueu os olhos, perplexo. "Dona Adelaide, com quase toda a certeza... este é um trabalho de Machado de Assis." 

Um silêncio denso se instalou no gabinete. A incredulidade estampada no rosto de Dona Adelaide era o reflexo da confusão que tomava conta de Senhor Antunes. Como um texto tão característico, tão imbuído do espírito machadiano, poderia ter permanecido oculto por tanto tempo, em um lugar tão improvável? 

Nos dias que se seguiram, Senhor Antunes mergulhou em pesquisas frenéticas. Consultou biografias, correspondências, artigos acadêmicos. Nada. Nenhuma menção àquele caderno, àquela história. A caligrafia, comparada com fac-símiles de manuscritos de Machado, apresentava semelhanças inegáveis, mas a ausência de qualquer registro era um mistério desconcertante. 

A hipótese mais plausível, embora ainda surpreendente, era que Machado de Assis, em algum momento desconhecido, tivesse tido algum contato com a família de Dona Adelaide – talvez através de algum amigo em comum, ou em alguma ocasião social discreta – e por alguma razão obscura, aquele caderno tivesse sido deixado para trás, esquecido no labirinto do tempo.

O enigma da biblioteca esquecida ecoava na mente de Senhor Antunes. Aquele caderno, com suas páginas carregadas de um talento inconfundível, era uma janela inesperada para a genialidade de Machado de Assis, um lembrete de que mesmo o mestre mais estudado ainda podia reservar surpresas, escondidas nos recantos mais inesperados da história. E para Senhor Antunes, o velho bibliotecário, aquela descoberta improvável era a prova de que o universo da literatura, assim como a vida, era capaz de tecer tramas surpreendentes, onde o acaso e o gênio se encontravam de maneiras absolutamente inesperadas. 

A pergunta ecoou no gabinete de Dona Adelaide, pairando sobre o caderno de capa desbotada: de quem era, afinal, aquele tesouro literário?

Senhor Antunes, após dias de pesquisa infrutífera nos registros oficiais e na história pública de Machado de Assis, decidiu mudar a abordagem. Começou a mergulhar na história da própria família de Dona Adelaide. Revirou árvores genealógicas empoeiradas, analisou correspondências antigas guardadas em caixas empoeiradas no sótão – o mesmo sótão onde o caderno fora encontrado. 

A chave para o mistério surgiu de um lugar inesperado: um retrato a óleo, pendurado em um corredor pouco iluminado da mansão. A figura retratada era um homem de olhar melancólico e bigodes finos, com uma semelhança vaga, mas perturbadora, com algumas fotografias mais jovens de Machado de Assis.

Intrigado, Senhor Antunes questionou Dona Adelaide sobre a identidade do homem. Ela hesitou, lembrando-se vagamente de histórias de família sobre um tio-avô excêntrico, um intelectual recluso que havia vivido na propriedade no final do século XIX. Seu nome era Alberto de Sá. 

Com essa nova pista, Senhor Antunes intensificou a busca nos arquivos da família. Encontrou cartas trocadas entre Alberto de Sá e outros membros da família, revelando um homem de grande erudição e sensibilidade, mas também de saúde frágil e vida solitária. Em uma dessas cartas, endereçada a um primo distante que vivia no Rio de Janeiro, uma frase chamou a atenção de Senhor Antunes:

"Tenho me dedicado à escrita, prezado primo, encontrando nas palavras um refúgio para as agruras da alma. Admiro profundamente o trabalho de um certo Machado, cuja pena perspicaz e ironia fina me causam tanto deleite quanto inveja."

A menção a "Machado" era um indício, mas não a prova definitiva. A confirmação veio de um achado ainda mais surpreendente: um pequeno diário, escondido dentro de uma edição antiga de poemas franceses que pertencera a Alberto de Sá. Nele, em meio a reflexões pessoais e citações literárias, havia esboços de personagens, fragmentos de diálogos e anotações que guardavam uma semelhança impressionante com a narrativa encontrada no caderno misterioso. 

A caligrafia do diário, embora um pouco menos formal que a do caderno, apresentava as mesmas características distintivas. E, crucialmente, em uma das últimas páginas, havia uma anotação rabiscada a lápis: 

"A história de meu desengano... talvez um dia encontre um leitor compreensivo. Por ora, repousa segura, como um segredo bem guardado."

A verdade, então, começou a se desenhar. Alberto de Sá, o tio-avô esquecido, era o autor do surpreendente manuscrito. A admiração por Machado de Assis era evidente em seu estilo e na profundidade de suas observações sobre a natureza humana. O caderno, encontrado no cofre, era o fruto de sua paixão pela escrita, um segredo guardado por décadas. 

A surpresa, portanto, não era a descoberta de um Machado inédito, mas sim a revelação de um talento adormecido dentro da própria família de Dona Adelaide, profundamente influenciado pelo mestre. O "enigma da biblioteca esquecida" desvendava a história de um homem que, à sombra de um grande gênio, também havia encontrado na escrita uma forma de dar voz aos seus sentimentos e reflexões. 

Dona Adelaide, emocionada com a descoberta, decidiu que o caderno e o diário de seu tio-avô deveriam ser preservados e estudados, revelando ao mundo a história surpreendente de um escritor até então desconhecido, cuja obra ecoava, de maneira fascinante, a genialidade de Machado de Assis. A descoberta de uma nova voz literária, um tributo silencioso ao Bruxo do Cosme Velho, escondido nas páginas empoeiradas de uma biblioteca esquecida.

 

© Alberto Araújo 





quarta-feira, 2 de abril de 2025

UM TRIBUTO DE RECONHECIMENTO. HOMENAGEM AO DESEMBARGADOR NAGIB SLAIBI FILHO

 

Dra. Ivone Caetano, Dra. Matilde Slaibi Conti, Dra. Karen Rangel
e Desembargador e homenageado Nagib Slaibi Filho.

Na tarde de 02 de abril de 2025, quarta-feira marcada por emoção e reconhecimento, o Desembargador Nagib Slaibi Filho foi homenageado pela Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A solenidade, realizada na Sala Nobre do Fórum Central, celebrou a trajetória exemplar e a significativa contribuição do magistrado à justiça fluminense.

A solenidade realizada pela Câmara de Direito Público do TJRJ reconheceu o legado duradouro do Desembargador para o judiciário do Rio de Janeiro.

Nagib Slaibi Filho, renomado Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, construiu uma carreira marcada por um profundo compromisso com a ética e a justiça. Sua liderança como Presidente da 3ª Câmara de Direito Público desde 2011, seu trabalho incansável e suas contribuições foram amplamente reconhecidas, culminando em diversas homenagens. 

A homenagem foi marcada por momentos de emoção e carinho. A irmã do Desembargador, Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, proferiu palavras emocionadas, relembrando a trajetória de ambos, mineiros de Visconde do Rio Branco, que se destacaram no cenário da justiça e cultura do estado do Rio de Janeiro.

A solenidade contou com a presença de inúmeros desembargadores, advogados e amigos, e foi embalada por músicas do Coral dos Amigos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que é regido pelo maestro Wellington Ferreira, que interpretou canções como "Tocando em Frente", "Eu quero apenas" e "Como é grande o meu amor por você". A emoção tomou conta da Sala Nobre quando o coral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro presenteou o homenageado com belas canções. O maestro, em um gesto de carinho e admiração, revelou que o grupo se chama 'Coro NS', uma homenagem ao Dr. Nagib Slaibi Filho, cujos integrantes são amigos ou funcionários do desembargador. Essa demonstração de afeto reforça o respeito e a admiração que o Dr. Nagib Slaibi Filho conquistou ao longo de sua carreira, não apenas como magistrado, mas também como amigo e líder.  O Desembargador, visivelmente emocionado, agradeceu a todos os presentes. O Desembargador, visivelmente emocionado, agradeceu a todos os presentes.

Também pelos registros fotográficos gentilmente compartilhados estamos observando a Dra. Ivone Caetano que alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira mulher negra a ocupar o cargo de desembargadora da Justiça estadual. Sua promoção, após 10 anos de dedicação à frente da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital, é um marco importante na luta pela igualdade racial e na representatividade de mulheres negras no judiciário. Um feito notável em sua carreira. 

A solenidade em homenagem ao Dr. Nagib Slaibi Filho foi marcada pela presença de amigos queridos e colegas de profissão, que estiveram prestigiando o momento especial. Entre eles, destacamos o Desembargador e Juiz de Direito, Dr. Eduardo Antônio Klausner, e a advogada Dra. Karen Rangel, cuja amizade e apoio foram fundamentais na trajetória do homenageado. A presença de ambos reforça o carinho e o respeito que o Dr. Nagib Slaibi Filho conquistou ao longo de sua carreira, tanto no âmbito profissional quanto pessoal.

O Desembargador foi homenageado com um retrato na Galeria de Conferencistas Eméritos da EMERJ, Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, onde sua dedicação e contribuições foram muito apreciadas.

A aposentadoria do Desembargador Nagib Slaibi Filho marca o encerramento de um ciclo brilhante, mas seu legado permanecerá vivo no judiciário do Rio de Janeiro. 

Em 2024, Nagib Slaibi Filho recebeu o título de "Intelectual do Ano", escolhido por um colégio eleitoral que envolve diversas instituições acadêmicas e culturais do estado do Rio de Janeiro. Sua dedicação, ética e compromisso com a justiça servirão de inspiração para as futuras gerações de magistrados.

O Desembargador Nagib Slaibi Filho possui uma trajetória rica e multifacetada, com contribuições que transcendem o âmbito jurídico. Além de sua atuação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele também se destaca em diversas outras áreas: 

É professor da Universidade Universo Niterói, onde compartilha seu conhecimento e experiência com as novas gerações de juristas. 

Participa ativamente da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, EMERJ, onde é coordenador e professor de Direito Constitucional. É orientador de monografias pela Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro e pela Universidade Salgado de Oliveira, entre outras instituições. 

É membro ativo de diversas instituições culturais, como a Academia Niteroiense de Letras e o Cenáculo Fluminense de História e Letras. Foi homenageado com a Comenda IFEC de Cultura e com o título de Intelectual do ano. É Diretor Jurídico do Elos Internacional, Vice-presidente do Elos de Niterói. É Primeiro Vice-Presidente do Instituto dos Magistrados do Brasil, IMB.

Diretor-Adjunto da Escola Nacional da Magistratura Estadual ENAME. Membro do Conselho Fiscal da Associação Cultural do Arquivo Nacional, ACAN. 

Ao longo da carreira, teve publicados mais de 130 artigos, além de prefácios, decisões e pareceres. Como conferencista, palestrante e debatedor, já atuou em mais de 800 eventos.

 

Editorial

Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 


Dra. Matilde Slaibi Conti profere algumas palavras.


Dra. Matilde Slaibi Conti e Dra. Karen Rangel 

Dra. Matilde Slaibi Conti e Dr. Eduardo Klausner

Coral do Tribunal de Justiça do Rio.

Desembargador Nagib ao lado da Desembargadora Inês.


MENSAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Dr. Nagib Slaibi Filho, o Focus Portal Cultural se une às vozes que celebram sua trajetória exemplar e a merecida homenagem da Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Sua dedicação à justiça, aliada ao seu notável intelecto e paixão pela cultura, o tornam um farol para as futuras gerações. Sua atuação como magistrado, professor e intelectual transcende os limites do judiciário, enriquecendo o cenário cultural e jurídico do nosso estado. Suas contribuições à EMERJ, à Academia Niteroiense de Letras e a tantas outras instituições são um testemunho do seu compromisso com a excelência e o conhecimento. Neste momento de reconhecimento, o Focus Portal Cultural em nome do jornalista e escritor Alberto Araújo expressa sua admiração e gratidão por seu legado duradouro. Que sua trajetória continue a inspirar e iluminar os caminhos da justiça e da cultura. Alberto Araújo - editor




terça-feira, 1 de abril de 2025

JORGE FERNANDO LORETTI: UM LEGADO DE JUSTIÇA E SABER - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL


A CHAMA DA JUSTIÇA: JORGE FERNANDO LORETTI

 

Em Niterói, a luz primeira,

Em vinte e quatro, o sol nascia.

Jorge Fernando Loretti, a quimera,

No direito, a alma que se guia.

 

Nos bancos da faculdade, a lei abraçou,

Em quarenta e sete, o diploma a brilhar.

Na OAB e IAB, a ética selou,

A justiça, seu farol a guiar.

 

Desembargador, em setenta e nove, ascendeu,

No TJ-RJ, a toga vestiu.

Câmaras cíveis, com zelo regeu,

Seu legado, na história se esculpiu.

 

No biênio noventa e um, a liderança,

No Conselho, a voz ecoou.

Na AMAERJ, a esperança,

No judiciário, a chama que restou.

 

No TRE-RJ, a democracia,

Com lisura, a eleição a guiar.

Professor, a sabedoria,

Na UFF, o saber a semear.

 

Nas letras, a paixão floresceu,

Na AFL e ANL, a cultura a exaltar.

Em dois mil e vinte e quatro, o céu se abriu,

"Cem anos Loretti", a memória a honrar.

 

No TJ-RJ e EMERJ, a homenagem,

Livros e exposição, a vida a contar.

Jorge Loretti, a eterna mensagem,

Justiça, sabedoria, a inspirar.

 

© Alberto Araújo

 

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A trajetória de JORGE FERNANDO LORETTI, um homem que suplantou as fronteiras do Direito e da Justiça, é um legado de sabedoria, integridade e paixão pelo conhecimento. 

Nascido em 25 de agosto de 1924, sua vida foi marcada por uma dedicação incansável ao serviço público e à busca pela excelência. 

Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói em 1947, Loretti trilhou um caminho de notável relevância no cenário jurídico brasileiro. Sua atuação como membro do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) demonstrava seu compromisso com a defesa dos princípios da justiça e da ética profissional.

Sua ascensão ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro em 1979 foi um reconhecimento de sua competência e idoneidade. Ao longo de 17 anos, presidiu a 5ª Câmara Cível e o 4º Grupo de Câmaras Cíveis, além de integrar o Conselho da Magistratura, deixando sua marca na história do Judiciário fluminense. 

A presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro no biênio 1991-1992 e sua participação no Conselho Nacional dos Presidentes dos Tribunais de Justiça e na Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ) evidenciam sua liderança e capacidade de articulação em prol da melhoria do sistema judiciário. 

Sua atuação no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, onde exerceu a presidência de 1989 a 1991, demonstra seu compromisso com a democracia e a lisura dos processos eleitorais. 

Além de sua atuação no Judiciário, Loretti dedicou-se ao ensino como professor titular do Departamento de Direito Público da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, transmitindo seu conhecimento e inspirando futuras gerações de juristas. 

Sua paixão pela cultura e pelo saber o levou a integrar a Academia Fluminense de Letras (AFL) e a Academia Niteroiense de Letras, nessa Instituição ocupou a Cadeia 10 patronímica de Oscar de Macedo Soares enriquecendo o cenário intelectual do estado sucedendo o acadêmico Guaracy de Albuquerque Souto Mayor. 

SUA TRAJETÓRIA É MARCADA POR UMA SÉRIE DE CONQUISTAS NOTÁVEIS 

Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói em 1947, integrou o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). Alçado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro em 1979, presidiu a 5ª Câmara Cível e o 4º Grupo de Câmaras Cíveis, além de integrar o Conselho da Magistratura.

Presidiu o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) no biênio 1991-1992, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) de 1989 a 1991 e a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ) de 1994 a 1995. 

Foi professor titular do Departamento de Direito Público da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), membro do Conselho Universitário de Ensino e Pesquisa e diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados da UFF.

Integrou a Academia Fluminense de Letras (AFL) e a Academia Niteroiense de Letras, demonstrando seu apreço pela cultura e pelo conhecimento. 

Loretti dedicou sua vida ao serviço público, à educação e à cultura, falecendo em 13 de maio de 2016. 

A Praça César Tinoco, localizada no bairro do Ingá, em Niterói, foi palco de um evento histórico em 05 de março de 2020, a inauguração de um monumento em homenagem ao jurista, acadêmico e desembargador Jorge Fernando Loretti. A iniciativa, promovida pela Prefeitura de Niterói, busca eternizar a memória de um homem que, apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, escolheu Niterói como lar e onde faleceu em 13 de maio de 2016, aos 91 anos. O busto de bronze, esculpido pelo renomado artista plástico niteroiense Rodrigo Pedrosa, foi encomendado pela Fundação de Arte de Niterói (FAN) e instalado na praça como um tributo à sua trajetória e legado. 

Em 2024, ano em que completaria 100 anos, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e a Escola da Magistratura do Estado (EMERJ) homenagearam sua memória com a inauguração de uma coleção de livros que pertenceu ao magistrado e uma exposição sobre sua vida, intitulada "100 anos Loretti: o homem dos Três Poderes". 

O legado de Jorge Fernando Loretti transcende o tempo, inspirando a todos que buscam a justiça, a sabedoria e a excelência no serviço público. 

Jorge Fernando Loretti foi um homem que dedicou sua vida à justiça, à educação e à cultura, deixando um legado que continua a inspirar e a iluminar o caminho para as futuras gerações.


Editorial

Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 


 

ECOS DA ALMA FLUMINENSE: O BOLETRAS E A CELEBRAÇÃO DA MULHER - RESENHA SOBRE O BOLETRAS, EDIÇÃO Nº 40 POR ALBERTO ARAÚJO

O Boletim da Academia Fluminense de Letras (AFL) chega à sua 40ª edição em fevereiro/março de 2025, um marco significativo que coincide com o Mês da Mulher. Sob a liderança da presidente Márcia Pessanha e com a colaboração de Christiane Victer na redação e diagramação, esta edição especial celebra a força e a beleza da alma feminina, destacando a importância da mulher na literatura e na sociedade através de uma série de eventos e homenagens. 

A reabertura da sede da AFL e da Biblioteca Parque de Niterói, espaços de saber e cultura, simboliza o renascimento da chama literária fluminense. A Sessão Literomusical, em celebração à mulher, harmoniza a poesia e a música, unindo duas formas de arte que expressam a sensibilidade e a força do feminino. 

A homenagem da Câmara Municipal de Niterói à presidente Márcia Pessanha, personalidade central da AFL, destaca sua liderança e dedicação à cultura. O reconhecimento do Rotary Club Niterói-Norte aos intelectuais do ano, em especial à presidente Márcia Pessanha, sublinha a importância da intelectualidade na construção de uma sociedade mais justa e culta. 

O bate-papo e lançamento da Imprensa Fluminense, com Guto Mello, e a posse do acadêmico Waldeck Carneiro no Fórum de Educação RJ, celebram a palavra escrita e o poder da educação na transformação social. A posse de Peterson Simão na presidência do TRE e a homenagem à acadêmica Verônica Oliveira, agraciada com o Prêmio Mulher Destaque 2025, ressaltam o papel da mulher em diversas esferas da sociedade. 

A reunião festiva do Rotary Niterói Novos Tempos, com palestra da acadêmica Matilde Slaibi Conti sobre "Vozes Femininas que Ecoaram na História", e a palestra de Márcia Pessanha sobre Casimiro de Abreu, demonstram o compromisso da AFL com a memória e a valorização da literatura fluminense. 

O Boletras, em sua 40ª edição, é um testemunho da vitalidade da Academia Fluminense de Letras e da força da mulher na literatura e na sociedade. A edição celebra a mulher em sua plenitude, em sua capacidade de criar, liderar e transformar o mundo com sua sensibilidade e inteligência. 

A SINFONIA OUTONAL DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS: UM EDITORIAL DE RENASCIMENTO E MEMÓRIA 

No editorial da edição nº 40 do Boletras, a presidente Márcia Pessanha nos convida a contemplar a beleza melancólica e inspiradora do outono, utilizando a estação como metáfora para o momento da Academia Fluminense de Letras (AFL). Através de uma prosa poética, ela tece um paralelo entre a natureza e a vida acadêmica, convidando os leitores a refletirem sobre a memória, a tradição e o futuro da instituição. 

A abertura do texto nos transporta para a contemplação das "tardes outonais", com suas cores vibrantes e a melancolia dos versos de Miguel Torga. Essa imagem evoca a beleza efêmera da vida e a importância de valorizar cada momento. Márcia Pessanha, ao mencionar o pôr do sol na praia de Icaraí, traz a reflexão para o contexto local, conectando a natureza com a identidade da AFL, sediada em Niterói.

A presidente destaca a fecundidade do outono, estação de colheita e inspiração para artistas de diversas áreas. Essa fertilidade se reflete na produção intelectual dos acadêmicos, que enriquecem o patrimônio cultural da instituição. A metáfora das "folhas outonais" que caem e são levadas pelo vento representa a transitoriedade da vida e o desejo de revisitar o passado para encontrar inspiração. 

A memória, tema central do editorial, é apresentada como fonte de inspiração e continuidade histórica. Márcia Pessanha evoca a figura de Waldenir de Bragança, Presidente de Honra da AFL, e a importância de revisitar a história dos patronos e antecessores. Essa conexão entre passado e presente é fundamental para construir um futuro promissor para os novos acadêmicos. 

A presidente celebra a "boa colheita" de 2025, com a produção intelectual dos acadêmicos e as atividades planejadas para o ano. A sessão de abertura, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, é destacada como um momento de "fraternal convívio" e "compartilhamento de saberes". 

O editorial se encerra com as palavras de Henfil, que nos convidam a valorizar a beleza das flores, a sombra das folhas e a intenção da semente, mesmo que os frutos não se concretizem. Essa mensagem final reforça a importância de apreciar o processo criativo e a beleza da jornada, independentemente do resultado final. 

Em suma, o editorial de Márcia Pessanha é uma reflexão poética sobre a memória, a tradição e o futuro da Academia Fluminense de Letras. Através da metáfora do outono, ela nos convida a valorizar a beleza da vida, a importância da memória e a fecundidade da produção intelectual. 

Editorial

Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

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AGRADECIMENTO DE ALBERTO ARAÚJO

 

Prezada Márcia Pessanha, gostaria de expressar minha profunda gratidão pela publicação da homenagem que realizei em sua homenagem e à cidade de Campos dos Goytacazes, no Boletras, edição nº 40, página 10. É uma honra ter meu trabalho reconhecido e divulgado em um veículo tão importante para a cultura fluminense. Agradeço imensamente por ter dado destaque a essa celebração dos 190 anos de Campos dos Goytacazes, cidade que tanto prezo e que possui um legado literário tão rico. Sua sensibilidade em valorizar a cultura local é admirável. A publicação no Boletras é um presente valioso para mim e me motiva a continuar trabalhando em prol da divulgação da cultura e da história da nossa região. Com meus sinceros agradecimentos, 

Alberto Araújo.

 

SINFONIA OUTONAL

 

Chegamos ao outono, com a beleza da “Tarde pintada / Por não sei que pintor / Nunca vi tanta cor!” E seguimos embalados na cadência dos versos do poeta português Miguel Torga, ao dizer: “Vento que passas, leva-me contigo / Sou poeira também, folha de outono (...) / Leva-me, e livre deixa-me cair / No deserto de todas as lembranças”. 

Realmente, como são belas e coloridas as tardes outonais, mesmo reconhecendo que no Brasil as estações do ano não são bem definidas, principalmente agora com as mudanças climáticas, mas o espetáculo do entardecer permanece nos encantando, e destaco, por residir em Niterói, o pôr do sol à beira mar na praia de Icaraí. 

A estação do outono, tempo fecundo da messe, da colheita, propicia também a germinação de sentimentos caros aos amantes da natureza, inspirando-os na elaboração de suas produções artísticas. Desse modo, diversos escritores, compositores, pintores e poetas, assim como fez Miguel Torga, encontram na estação outonal um motivo de criação poética. O outono é cantado em prosa, verso e música, haja vista a célebre canção Folhas de Outono. 

Assim, à semelhança das folhas outonais, que caem e são levadas pelo vento, surge o desejo do poeta de ser levado também, metaforicamente, pelo vento para cair “no deserto de todas as lembranças”, não para sepultá-las, mas para reavivá-las como fonte de inspiração. E transportando esse foco de lembranças para o nosso contexto acadêmico, reavivamos nossa memória para dar continuidade histórica à nossa “Casa do Saber, Templo da Palavra”, como bem disse nosso Presidente de Honra, Waldenir de Bragança. E revisitamos a história de nossos patronos e dos que nos antecederam em nossas cadeiras. Neste sentido, o passado e o presente se entrelaçam rumo a um futuro promissor para os novos acadêmicos. 

Neste outono de 2025, na Academia Fluminense de Letras, a boa colheita já se anuncia com os frutos das produções de diversos acadêmicos que enriquecem o nosso patrimônio cultural, além das atividades previstas para este ano e os projetos que estão sendo apresentados. 

Iniciamos nossas atividades acadêmicas, festivamente, no dia 22 de março, com a sessão de abertura, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, muito apreciada pelos presentes, que se sentiram envolvidos pela ambiência de fraternal convívio, de compartilhamento de saberes e de apresentação de belos momentos lírico-musicais. Foi uma sessão prazerosa e que valeu muito a pena.

E finalizamos com as palavras de Henfil: “Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente”.

Márcia Pessanha, Presidente da AFL
















O GRITO SILENCIADO DA GOIABEIRA MINICONTO DE ALBERTO ARAÚJO

 

O sol declinava sobre as águas da Guanabara, tingindo o céu de um laranja febril que parecia inflamar as folhas empoeiradas da goiabeira no quintal. Dona Augusta, sentada na cadeira de balanço de vime, observava o crepúsculo com a mesma impassibilidade com que encarava os anos escorrendo entre os dedos. Seus olhos, outrora um castanho vivo, agora carregavam a opacidade de pedras de rio polidas pelo tempo e pela resignação. 

A goiabeira, testemunha muda de tantas manhãs e tardes, parecia compartilhar do seu silêncio. Seus galhos retorcidos, como braços cansados, ostentavam algumas poucas goiabas amareladas, frutos tardios de uma estação que já se esvaía. Dona Augusta nunca fora de muitos cuidados com a árvore. Deixava-a crescer ao sabor do vento e da chuva, colhendo os frutos apenas quando estes se ofereciam, maduros e perfumados, quase implorando para serem degustados. 

Hoje, porém, seu olhar fixou-se em uma goiaba em particular. Não era a maior, nem a mais vistosa. Pelo contrário, escondia-se entre as folhas mais densas, quase camuflada. Mas havia algo nela, uma imperfeição sutil, uma pequena mancha escura em sua casca amarelada, que atraía a atenção de Dona Augusta como um imã. 

Levantou-se com lentidão, as juntas protestando com um estalo seco. Caminhou até a árvore, o chinelo arrastando-se pela cerâmica fria do quintal. Aproximou-se da goiaba, o rosto enrugado quase tocando a sua superfície lisa. A mancha escura não era um defeito, percebeu. Era um pequeno orifício, quase invisível a distância, como a marca de uma agulha finíssima.

Um arrepio percorreu a espinha de Dona Augusta, um calafrio que não vinha do vento fraco que começava a soprar. Era uma sensação visceral, um reconhecimento mudo de algo que jazia oculto, silenciado sob a superfície aparentemente intacta. 

Ela estendeu a mão trêmula e colheu a goiaba. Ao senti-la na palma, percebeu o seu peso estranho, desproporcional ao seu tamanho. Levou-a ao nariz, mas não sentiu o aroma doce e característico da fruta madura. Em vez disso, um cheiro sutil, quase metálico, emanava do pequeno orifício. 

Dona Augusta apertou a goiaba entre os dedos. Uma pressão leve foi suficiente para que a casca cedesse, revelando um interior escurecido, quase pútrido. Não havia polpa suculenta, apenas uma massa disforme e escura, como um segredo há muito guardado e finalmente revelado. 

Naquele instante, sob o céu em chamas e o olhar mudo da goiabeira, Dona Augusta sentiu um nó se formar em sua garganta. Não era nojo, nem repulsa. Era um reconhecimento profundo, uma identificação silenciosa com aquela goiaba. Ela também carregava em si marcas invisíveis, pequenos orifícios deixados por golpes silenciosos, por palavras não ditas, por sonhos murchos. Por dentro, talvez, houvesse também uma escuridão crescente, um grito silenciado que nunca encontrara eco.

Olhou para a goiaba em sua mão, a metáfora crua e dolorosa de sua própria existência. E pela primeira vez em muitos anos, Dona Augusta sentiu uma lágrima quente escorrer por sua face enrugada, molhando a terra seca do quintal. Não era uma lágrima de tristeza apenas, mas também de uma súbita e lancinante compreensão. A goiabeira, com seu fruto corrompido, havia finalmente lhe oferecido um espelho. E no reflexo sombrio, Dona Augusta reconheceu a urgência silenciosa de seu próprio grito abafado.

© Alberto Araújo