domingo, 14 de junho de 2026

DULCE ROCHA MATTOS — A RAINHA DOS OLHOS AZUIS

A história cultural de uma cidade não se constrói apenas com monumentos, livros ou instituições; ela se edifica sobretudo na presença viva de pessoas que, com delicadeza e força, tornam-se símbolos de convivência e memória. Entre essas presenças, Dulce Rocha Mattos ocupa um lugar singular. Sua trajetória é marcada por uma rara combinação de sensibilidade estética, altruísmo social e compromisso com a cultura, atributos que a transformam em referência incontornável para Niterói e além. 

Em nosso círculo de convivência, no grupo de WhatsApp, Dulce é carinhosamente chamada de “Rainha dos Olhos Azuis”. O título não é mero ornamento: traduz a intensidade de um olhar que acolhe, compreende e transmite serenidade. É um olhar que guarda histórias de alegria, arte e amizade, e que se tornou metáfora de sua própria essência, uma mulher que ilumina os espaços por onde passa. 

Sua atuação em instituições como a ANE (Associação Niteroiense de Escritores), a UBT - Niterói (União Brasileira de Trovadores), o Rotary Club, entre tantas outras, revela uma presença que não se limita à participação formal. Dulce é agente transformadora, capaz de imprimir humanidade em cada gesto. Sua delicadeza não é fragilidade, mas sim força revestida de ternura, uma forma de resistência cultural e afetiva. 

Foi casada com João Mattos, um verdadeiro “gentleman” cuja memória permanece viva. Juntos construíram uma história de parceria que se reflete na forma como Dulce vê o mundo. A ausência física de João não apagou sua influência; ao contrário, Dulce continua a honrar esse legado com gestos de carinho e generosidade, perpetuando uma narrativa de amor e respeito. 

Dulce foi atriz. O palco lhe ensinou a empatia, a escuta e a capacidade de se reinventar. Em uma de suas apresentações, caracterizou-se de palhaço, revelando que o riso e a leveza também fazem parte de sua essência. Essa experiência artística deixou marcas profundas, pois quem se entrega à cena aprende a olhar o outro com compaixão e Dulce leva essa lição para todos os espaços que ocupa, eternizando-a em sua trajetória. 

Além disso, por muitas vezes declamou poesias no palco do Centro Cultural Maria Sabina, sob a direção da saudosa Neide Barros Rego, e realizou performances em diversas instituições, inclusive em sarau da UBT - Niterói e na UPPES – Sindicato, sob a presidência do professor Stelling. Recentemente, foi agraciada pela Academia Fluminense de Letras, presidida por Márcia Pessanha, por sua “performance” poética durante a solenidade de posse da Diretoria da AFL. São tantos momentos que seria necessário reservar uma página inteira para descrever suas atuações.

Também recentemente, foi homenageada pelo Focus Portal Cultural com uma arte belíssima, em que aparece caracterizada como palhaço, homenagem que ela confessou ter amado. Consideramos essa parte merecida, pois sua contribuição à arte e à cultura é fenomenal. Antes disso, o Rotary Club sob a presidência de Riva Costa já havia celebrado seu trabalho de altruísmo e afetividade, duas palavras que definem com precisão sua atuação. Dulce não pratica o bem por obrigação, mas por vocação. Seu olhar atento às pessoas, sua escuta generosa e sua capacidade de perceber o que há de melhor em cada um são dons que distribui com naturalidade. 

Em reuniões, saraus e encontros literários, Dulce é aquela presença que suaviza o ambiente. Sua fala é sempre ponderada, seu sorriso acolhedor, sua postura transmite serenidade. É uma mulher que entende que cultura não é apenas conhecimento, mas convivência, partilha e afeto. 

A convivência com Dulce ensina que a verdadeira elegância está na simplicidade dos gestos: oferecer uma palavra de incentivo, lembrar o nome de cada colega, celebrar as conquistas dos outros como se fossem suas. É transformar cada encontro em um momento de amizade genuína. 

Dulce é também símbolo de continuidade. Em tempos em que tantas relações se tornam superficiais, ela preserva o valor da presença, da conversa, do abraço. Sua vida é uma coleção de histórias que se entrelaçam com as de tantos amigos e colegas, escritores, trovadores, rotarianos, artistas, todos tocados por sua generosidade.

É impossível falar de Dulce sem mencionar o impacto que ela causa. Impacto não pelo volume de suas ações, mas pela profundidade delas. Cada gesto seu tem significado. Cada palavra tem intenção. Cada sorriso tem verdade. 

Por isso, esta homenagem é mais do que reconhecimento: é agradecimento. Agradecimento por ser exemplo de humanidade, por manter viva a chama da cultura niteroiense, por mostrar que a delicadeza é uma forma poderosa de resistência. 

Dulce Rocha Mattos, nossa Rainha dos Olhos Azuis, é, em essência, uma artista da vida, alguém que transforma o cotidiano em poesia, o convívio em arte e a amizade em legado. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




A ESSÊNCIA DE PAUL HARRIS CONTINUA VIVA TEXTO MOTIVACIONAL © ALBERTO ARAÚJO

 

Paul Harris acreditava que o Rotary deveria ser um espaço onde pessoas de diferentes origens se unissem para servir à humanidade. Sua visão não foi apenas o alicerce da organização, mas tornou-se um legado que atravessa gerações. Hoje, esse espírito continua vivo e pulsante, inspirando cada ação e cada projeto que transforma comunidades ao redor do mundo.

Em breve, sob a liderança de Olayinka H. Babalola, o Rotary reafirmará essa essência com o lema: “Criar Impacto Duradouro”. Ele representa a continuidade do sonho de Harris: primeiro unir pessoas em torno do bem comum e, depois, garantir que essa união gere resultados sustentáveis e transformadores. Assim, o Rotary segue firme em sua missão, mostrando que o ideal de servir acima de si mesmo não é apenas uma frase, mas uma prática diária que mantém viva a chama acesa por Paul Harris. Viva o Rotary!





UM DOMINGO DE CELEBRAÇÃO E LEGADO NA IGREJA PRESBITERIANA BETEL


O dia 14 de junho de 2026 ficará gravado na história da Igreja Presbiteriana Betel de Icaraí como uma celebração vibrante de amor, compromisso e continuidade. Em um ambiente de profunda comunhão, a igreja não apenas festejou o passado, mas abençoou as promessas de um futuro promissor, sob a condução pastoral do Reverendo Carlos Henrique Ferreira Gomes. 

O culto foi marcado por momentos de grande emoção. Celebramos, com alegria, as Bodas de Crizopala (33 anos) de Marcos e Adriana Maraga, casal cujo testemunho de fidelidade inspira nossa comunidade. 

No mesmo espírito, o altar tornou-se palco para a oficialização do noivado de Esther Ferreira Gomes, filha do Reverendo Carlos Henrique e de Angela Cavalcante, com Renan Pinheiro Bezerra. Ver essa nova etapa na vida da família pastoral foi um presente para todos os presentes. 

A ocasião foi abrilhantada pela presença de personalidades queridas, como a presidente do Elos Internacional Matilde Slaibi Conti, Mimi Lück e sua filha Esther Lück, a advogada Lillian Santos, a jornalista Gabriela Nasser e a escritora e professora Uyara Schiefer, além de tantos outros membros que formam a alma da Betel. 

A Igreja Presbiteriana Betel, com seus 39 anos de trajetória, tem sido um epicentro de fé em Niterói. Desde 2012, o Reverendo Carlos Henrique conduz o rebanho com zelo e dedicação. Sua jornada ministerial, iniciada com a licenciatura em 2007 e a ordenação em 22 de março de 2008, reflete um chamado de obediência. Após atuar na Igreja Presbiteriana de Vista Alegre e na de Porto Novo, o Reverendo aceitou o desafio de pastorear a Betel, onde completa, com este momento, 14 anos de um ministério marcado pela Palavra e pelo acolhimento. 

Ao olharmos para este domingo, celebramos não apenas eventos isolados, mas o próprio corpo de Cristo. A Betel de Icaraí segue firme em sua missão, sob a liderança de um homem que transformou seu pastoreio em um legado de serviço, sempre amparado pelo amor de sua família e pela dedicação aos membros que hoje, como uma grande família, compartilham as bênçãos de cada nova vitória. Que a caminhada da Betel continue sendo guiada pela mesma luz que iluminou esta inesquecível celebração. 

Créditos das fotos: Compartilhadas gentilmente pelo Pastor Carlos Henrique 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







O sequencial são pequenos vídeos,
clicar na imagem para assistir 






14 DE JUNHO DE 2026 - 40 ANOS DE SAUDADE E A ETERNIDADE DE JORGE LUIS BORGES - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Há exatos 40 anos, em 14 de junho de 1986, o mundo perdia não apenas um homem, mas um arquiteto de universos. Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo, o titã da literatura argentina, silenciava sua voz em Genebra, deixando para a humanidade um legado que desafia o tempo, a lógica e a própria natureza da realidade. Ao celebrarmos quatro décadas de sua partida, o Focus Portal Cultural rende homenagem à vasta e labiríntica obra daquele que, talvez mais do que qualquer outro escritor do século XX, transformou a literatura em um espelho infinito de nossas inquietações metafísicas. 

Nascido em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, Borges foi um cidadão do mundo muito antes de as fronteiras se tornarem fluidas na era globalizada. Sua formação cosmopolita, passando pelos estudos no Colégio Calvino, na Suíça, e pela influência das vanguardas europeias, moldou uma mente que não reconhecia limites geográficos ou intelectuais. Quando retornou à Argentina em 1921, trazendo na bagagem o vigor das revistas surrealistas e a precisão da crítica ensaística, ele não apenas começou a publicar, mas a fundar uma nova forma de ver a literatura. 

Borges foi poeta, ensaísta, contista e tradutor, mas, acima de tudo, foi um leitor absoluto. Sua trajetória como diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires (1955-1973) não é um detalhe burocrático; é a metáfora perfeita de sua vida. Para Borges, o universo era uma vasta biblioteca, um "labirinto de papel" onde cada livro, real ou fictício, continha o eco de todos os outros. 

Ao longo de sua carreira, Borges explorou os temas que hoje reconhecemos como o selo inconfundível de seu gênio: o tempo circular, a infinitude do cosmos, a natureza de Deus, a duplicidade dos homens e o caráter ilusório da existência. Em obras fundamentais como Ficciones (1944) e O Aleph (1949), ele dissolveu as fronteiras entre o ensaio e a narrativa, criando histórias que não apenas narram fatos, mas interrogam a própria estrutura do pensamento. 

Seus labirintos não são feitos de tijolos, mas de conceitos. Em seus contos, ele construiu enciclopédias de mundos inexistentes e bibliotecas infinitas que contêm tudo o que já foi e tudo o que poderia ser escrito. Como notaram críticos ao redor do globo, a progressiva cegueira que o acompanhou não foi um entrave, mas um catalisador. Ao se retirar do mundo visual, Borges aguçou a visão interior. Como ele mesmo sugeria, os poetas, assim como os cegos, possuem a faculdade de "ver no escuro". 

O reconhecimento internacional, tardio mas avassalador, chegou com o Prêmio Formentor em 1961, compartilhado com Samuel Beckett. A partir dali, a influência de Borges transbordou as fronteiras da América Latina, tornando-se uma força motriz para o chamado "Boom Latino-americano". Gabriel García Márquez, Umberto Eco, que imortalizou a figura de Borges na biblioteca de O Nome da Rosa através do personagem Jorge de Burgos e J.M. Coetzee são apenas alguns dos muitos autores que reconhecem em Borges o homem que renovou a linguagem da ficção e abriu caminhos para que o fantástico se tornasse o território natural da literatura contemporânea. 

Borges dialogou com os grandes vultos da história: Spinoza, Virgílio e Camões foram interlocutores constantes em seus versos finais. Sua obra é um convite permanente à curiosidade intelectual, um chamado para que o leitor perceba que a realidade é, no fundo, uma interpretação muitas vezes, uma leitura bem feita. 

A reverência por Jorge Luis Borges no Brasil suplanta o mero reconhecimento; é um diálogo que se estabeleceu entre o gênio argentino e o solo brasileiro. Desde o pioneirismo de Mário de Andrade, um dos primeiros a identificar a genialidade borgiana em solo nacional, ainda nos anos 1920, até a dedicação inestimável da professora e pesquisadora Bella Jozef, cuja exegese rigorosa foi fundamental para a compreensão de sua obra entre nós, o nome de Borges tornou-se um marco. Muitos de nossos maiores escritores confessaram, em algum momento, o impacto transformador da leitura de seus contos e ensaios, que serviram como bússola para gerações que buscam na literatura o reflexo do infinito. Ao celebrarmos estes 40 anos de saudade, reconhecemos que, para a intelectualidade brasileira, Borges não foi apenas um escritor estrangeiro, mas um mestre familiar: aquele que, com seus labirintos, ensinou-nos a enxergar a universalidade dentro das nossas próprias bibliotecas.

Ao lembrarmo-nos de 14 de junho de 1986, não nos detemos na ausência, mas na presença perene de sua escrita. Quatro décadas após sua morte, os labirintos de Borges continuam a ser explorados, suas bibliotecas continuam a crescer com cada novo leitor, e seu Aleph, aquele ponto onde todos os pontos do universo convergem, continua vibrando em cada página de seus livros. 

Borges nos ensinou que a literatura não é um passatempo, mas a mais alta forma de inteligência e sensibilidade. Ao cerrar os olhos para o mundo físico, ele abriu as portas da percepção para gerações inteiras. Hoje, celebramos não a morte de um homem, mas a imortalidade de um visionário que, com uma caneta e uma biblioteca, tornou-se o próprio guardião dos nossos sonhos mais profundos. Que a sua memória continue a habitar nossas estantes e, sobretudo, nossa imaginação. 

© Alberto Araújo




 

ELOS DE AFETO: A PRESENÇA MARCANTE DE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI EM CELEBRAÇÃO DE COMPROMISSO

A força motriz do Elos Internacional reside, fundamentalmente, na capacidade de sua liderança em cultivar laços genuínos. A presidente Matilde Carone Slaibi Conti personifica, com singular garra e companheirismo, a essência de uma gestão presente e atuante. Seja em eventos de fomento cultural, encontros sociais ou ocasiões que assinalam marcos importantes da vida privada, sua presença é sempre um símbolo de elegância, cordialidade e apreço pelas relações humanas. 

Na manhã deste domingo, 14 de junho, a presidente Matilde estendeu sua habitual dedicação ao prestigiar a celebração de noivado de Esther e Renan. O evento, realizado em um ambiente de notável serenidade em Icaraí, foi marcado pela sofisticação e pelo calor humano, refletindo a harmonia da ocasião. 

A cerimônia foi um momento de indescritível graciosidade, reunindo famílias e amigos para testemunhar a promessa de uma vida a dois. A atmosfera foi marcada pela alegria contida e pelo significado profundo que o compromisso de Esther e Renan representa para seus entes queridos. O pastor Carlos Henrique Ferreira Gomes e sua esposa, Angela Cavalcante, anfitriões de impecável distinção, irradiaram acolhimento, conduzindo o momento com a sobriedade e o carinho que a celebração exigia. A participação do casal reforçou o ambiente de respeito e celebração familiar que permeou todo o encontro. 

Para o Elos Internacional, a presença de nossa presidente nestes eventos não é apenas um gesto de cortesia, mas a reafirmação de que as instituições são construídas, antes de tudo, por pessoas. A Diretoria de Cultura compartilha com entusiasmo este registro, que destaca a vivacidade com que a presidente Matilde transita por diferentes esferas da sociedade, sempre levando consigo a marca do companheirismo que norteia nossa organização.

Entre os registros fotográficos da manhã, que já integram o acervo da Diretoria de Cultura, destaca-se o encontro de Matilde com a advogada Lillian Santos e a acadêmica Uyara Schiefer. Estes registros documentam não apenas a presença institucional, mas a solidez das amizades que se fortalecem fora dos ambientes de trabalho, evidenciando o caráter humano do Elos Internacional. 

Que momentos como o deste domingo sirvam de inspiração para que continuemos a cultivar a união, o respeito e a alegria em nossa caminhada institucional. A Diretoria de Cultura reafirma seu compromisso em registrar e valorizar essas "andanças" que mantêm viva a chama da nossa entidade, celebrando, acima de tudo, o dom das conexões humanas. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 














 

sábado, 13 de junho de 2026

O SANTO DO MUNDO: 795 ANOS DE LEGADO DE SANTO ANTÔNIO

Hoje, 13 de junho de 2026, a cristandade volta seus olhos para uma marca histórica de profunda espiritualidade: completam-se 795 anos do trânsito de Santo Antônio para a eternidade. Mais do que um intercessor popular, ele é um gigante da fé cuja voz, mesmo após quase oito séculos, continua a ecoar com a força de um "Doutor Evangélico". 

A história deste santo universal começa em Lisboa, no dia 13 de setembro de 1191. Nascido Fernando de Bulhões, em uma família de linhagem ilustre, seu berço era um convite ao conforto e ao status. Contudo, desde cedo, o jovem Fernando sentiu o chamado para algo que o mundo material não poderia oferecer. Aos 15 anos, renunciou às conveniências sociais para ingressar na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. 

Sua busca pela contemplação pura o levou ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, centro de saber e fervor religioso na época. Foi ali que, entre a filosofia e a teologia, sua alma foi moldada pela Sagrada Escritura, preparando-o para a missão que, ele ainda não sabia, transformaria o curso da história da Igreja. 

O destino de Fernando mudou drasticamente com a chegada das relíquias dos primeiros mártires franciscanos, que haviam tombado em Marrocos. Ao contemplar o sacrifício daqueles homens, algo despertou no coração de Fernando: o desejo ardente de entregar a vida por Cristo. 

Em 1220, o cônego agostiniano tomou uma decisão radical: ingressou na Ordem dos Frades Menores, adotando o nome de Antônio, em homenagem ao padroeiro da capela onde os mártires haviam sido velados. Partiu para a África, mas a Providência Divina tinha outros planos. Uma grave enfermidade o forçou a retornar, e os ventos, soprando de forma misteriosa, desviaram seu navio para as costas da Itália. 

Após um encontro providencial com São Francisco de Assis no Capítulo Geral de 1221, Antônio revelou-se ao mundo não apenas como um frade humilde, mas como um orador de brilho arrebatador. Sua estreia em Forlì, onde pregou quase por acaso, deixou os teólogos presentes em um estado de assombro: onde estava um homem de tamanha sabedoria? 

Daquele momento em diante, ele se tornou a voz da ortodoxia contra as heresias que assolavam o norte da Itália e o sul da França. Sua pregação era um fogo que consumia as dúvidas; seu conhecimento das Escrituras era tão profundo que ele se tornou conhecido como o "Martelo dos Hereges". Fatos lendários, como a pregação aos peixes em Rimini, quando os homens se recusaram a ouvi-lo, demonstram a autoridade que o Espírito Santo conferia à sua palavra: se o homem não escutava, a criação de Deus inclinava-se diante da Verdade. 

Santo Antônio foi o primeiro mestre de teologia da Ordem Franciscana, nomeado diretamente por São Francisco. No entanto, ele nunca permitiu que o saber acadêmico fosse um muro entre ele e o povo. Em seu apostolado, ele uniu a profundidade doutrinária à caridade prática. 

Foi durante seus anos de pregação incessante, especialmente na quaresma, que ele se tornou um defensor dos pobres, dos oprimidos e das famílias. A tradição de "santo casamenteiro" nasceu de sua compaixão profunda por jovens que, sem recursos para o dote, eram impedidas de realizar o sacramento do matrimônio. Antônio não apenas pregava a caridade; ele a exercia, encontrando meios de dignificar a vida de quem estava à margem. 

Os últimos anos de sua vida, passados em Camposampiero e, finalmente, em Arcella, perto de Pádua, foram marcados por um desgaste físico acentuado. A hidropisia consumia seu corpo, mas seu espírito ardia em devoção. Foi ali, escrevendo sermões de uma beleza teológica ímpar, que ele preparou seu último retorno. 

Na sexta-feira, 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos, Santo Antônio entregou sua alma a Deus. O luto foi coletivo, e os milagres, incontáveis, começaram a ocorrer antes mesmo de seu sepultamento. O povo de Pádua clamava: "O santo morreu!". O reconhecimento de sua santidade foi tão evidente que o Papa Gregório IX o canonizou em tempo recorde, apenas onze meses após sua morte.

Um dos sinais mais fascinantes da santidade de Antônio veio à luz em 1263, durante a exumação de seu corpo, na presença de São Boaventura. Enquanto tudo era pó, sua língua permanecia intacta, corada e fresca, como se ainda estivesse pronta para proclamar as maravilhas de Deus. Aquele órgão, que havia combatido o erro e anunciado a paz, tornava-se o símbolo eterno de sua missão. 

Em 1946, a Igreja consolidou sua importância ao proclamá-lo Doutor da Igreja com o título de Doctor Evangelicus (Doutor Evangélico), reconhecendo que seus escritos e sua vida são pilares fundamentais da fé cristã. 

Ao celebrarmos 795 anos de sua partida para o Céu, Santo Antônio não é apenas um nome do passado. Ele continua presente: 

Na proteção dos que buscam o que foi perdido: Não apenas objetos, mas a esperança, a fé e o sentido da vida. 

Na intercessão pelo amor: Como o santo que abençoa as famílias e os corações que desejam o matrimônio. 

Na inspiração intelectual e espiritual: Como um modelo de quem uniu, com perfeição, a inteligência da mente com o fervor do coração.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, o "santo do mundo todo", permanece como um farol. Que, neste aniversário de quase oito séculos de sua páscoa, possamos reencontrar em seus ensinamentos a coragem de ser, como ele, uma voz viva do Evangelho nos tempos atuais.

SOBRE A PINTURA

O POLÍPTICO DE SANTO ANTÓNIO é um conjunto de nove pinturas a óleo sobre madeira pintadas cerca de 1460-70 pelo pintor italiano do Quattrocento Piero della Francesca que constituía supostamente o elemento central do Retábulo da Igreja de S. António de Perúgia, desconhecida no presente e que se encontra atualmente na Galeria Nacional da Úmbria nesta mesma cidade. 

A obra foi iniciada pouco depois do regresso de Piero della Francesca de Roma, cerca de 1460, e completada cerca de 1470. O único registro documental relativo à encomenda da obra consta da última parcela do pagamento a Marco, irmão de Piero, que agia frequentemente como agente deste, de 15 fiorini em 21 de junho de 1468. 

Tal como o Políptico da Misericórdia, é uma obra de composição arcaica, certamente a pedido dos clientes, com as figuras principais pintadas sobre um precioso fundo de ouro com um motivo que imita tecidos finos talvez inspirado em modelos ibéricos que o pintor possa ter visto durante a sua estada em Roma. 

Decididamente inovadora e típica do estilo do artista é a Anunciação, a parte superior do Políptico, situada num claustro luminoso cuja visão ilusionista é considerada entre as expressões máximas de perspectiva da arte do Renascimento.

A ESTRUTURA ORIGINAL É DIVIDIDA EM TRÊS NÍVEIS PRINCIPAIS:

Registro Central: Apresenta a Virgem com o Menino Jesus, rodeada por São João Baptista e os santos franciscanos: Santo António de Pádua, São Francisco de Assis e Santa Isabel da Turíngia. 

Registro Superior (Cimasa): Destaca-se pelo uso magistral da perspetiva linear, retratando a Anunciação num pórtico clássico. 

Predella e Painéis Inferiores: Contém pequenas cenas noturnas detalhadas, como Os Estigmas de São Francisco e os milagres dos santos, exibindo um virtuosismo no uso da luz.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 

 

O CENTENÁRIO DE UMA VOZ MÚLTIPLA - FERNANDO PESSOA, CLEONICE BERARDINELLI E O ECO DA ETERNIDADE

Efeméride Especial em 13 de junho de 2026 - 138 anos do nascimento de Fernando Pessoa 

© Alberto Araújo – Focus Portal Cultural 

No dia 13 de junho de 2026, o calendário das letras não marca apenas uma data; celebra a ressonância de um espírito que, nascido há exatos 138 anos, transfigurou a nossa percepção sobre o eu e o mundo. Fernando Pessoa, o poeta de Lisboa, o arquiteto de personalidades e o mestre do modernismo, permanece, mais do que um nome na história, uma presença viva. Sua obra, um labirinto onde cada espelho reflete uma verdade diferente, continua a ser o porto seguro e, simultaneamente, o desafio para todos aqueles que se atrevem a investigar a complexidade da alma humana. 

O Focus Portal Cultural, sob a curadoria e o olhar atento do jornalista Alberto Araújo, dedica o seu espaço de "EFEMÉRIDES" desta data emblemática, 13 de junho de 2026, a uma celebração que suplanta o tempo: os 138 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Em um cenário onde a cultura demanda profundidade, este quadro se propõe a ser um elo entre a intelectualidade e a fruição estética, honrando aquele que não foi apenas um escritor, mas uma constelação de consciências. Fernando Pessoa, o mestre que fragmentou o "eu" para melhor compreendê-lo, segue sendo a bússola essencial para quem busca na literatura as respostas que a realidade silencia. Ao abrirmos esta página, convidamos o leitor a um mergulho na psique de um poeta que, mesmo após quase um século de sua partida, permanece contemporâneo e fundamental. É uma reverência necessária à língua portuguesa e à sofisticação do pensamento que, pelas mãos de Pessoa, alcançou a universalidade, provando que a arte é a única forma de, enfim, habitarmos o infinito. 

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888 e faleceu também em Lisboa, 30 de novembro de 1935 aos 47 anos, foi, acima de tudo, um homem que não coube em si mesmo. Nascido sob o signo de Gêmeos, parece ter encarnado em sua própria biografia a dualidade e a fragmentação. Se a tradição literária buscava a unidade do autor, Pessoa implodiu esse conceito através da criação genial dos heterônimos: Alberto Caeiro, o mestre da natureza e da sensação pura; Ricardo Reis, o esteta clássico, imbuído de um estoicismo epicurista; Álvaro de Campos, o poeta do sensacionismo e da vertigem moderna; e Bernardo Soares, o semi-heterônimo que, no seu Livro do Desassossego, nos deixou o registro mais íntimo da vida cotidiana e da angústia metafísica. 

Como bem pontuou o crítico Robert Hass, enquanto outros modernistas como Yeats, Pound ou Eliot inventaram máscaras, Pessoa inventou poetas inteiros, cada um com sua biografia, sua filosofia, sua métrica e seu destino. Ao transitar entre o inglês, língua de sua educação em Durban e o português, Pessoa tornou-se um autor universal, alcançando o panteão dos 26 maiores escritores da civilização ocidental, segundo Harold Bloom.

Cleonice Berardinelli, a Resguardadora  da Chama. Não se pode falar da recepção e da compreensão de Fernando Pessoa no mundo lusófono sem evocar a figura luminosa de Cleonice Berardinelli. A saudosa "Dona Cleo", como era carinhosamente chamada, não foi apenas uma acadêmica; foi a grande decifradora, a interlocutora privilegiada entre o poeta e o seu público leitor. Cleonice dedicou décadas de sua vida intelectual a desbravar os manuscritos, a organizar a fortuna crítica e a ensinar gerações sobre o porquê de Pessoa ser, de fato, um "mito cultural". Sua erudição não era fria; era contagiante, humana e, acima de tudo, apaixonada. Ela compreendia que Pessoa não era um quebra-cabeça a ser resolvido, mas uma obra de arte a ser experienciada. Ao trazer para o centro de nossa reflexão a memória de Cleonice Berardinelli, reconhecemos que o legado de Pessoa também sobrevive graças àqueles que, com dedicação e amor, mantiveram seus versos acesos nas salas de aula e nas mentes de milhares de brasileiros.

Ao chegar a este 13 de junho de 2026, a celebração se torna um exercício de introspecção. Admirar Fernando Pessoa é um processo que transforma o leitor. Em cada verso, em cada dúvida metafísica, em cada "sentir tudo de todas as maneiras", encontramo-nos um pouco mais. Pessoa nos ensina que a solidão é uma companhia, que o sonho é uma forma de realidade e que o eu é um processo em constante construção. Ao revisitar sua obra hoje, percebo que não busco apenas o autor das grandes teses estéticas, mas o homem que, como qualquer um de nós, buscou um sentido para a finitude. Celebrar Pessoa é, portanto, celebrar a própria capacidade humana de se reinventar, de criar mundos quando o mundo real parece insuficiente e de encontrar, na escrita, a única forma verdadeira de sobreviver ao tempo. Que os 138 anos de nascimento de Fernando Pessoa sejam renovados por novas leituras e que, em cada um de nós que o admira, sua voz continue a ecoar como um convite à reflexão profunda, ao desassossego criativo e à celebração da língua portuguesa.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



A FELICIDADE DE UM SÁBADO DE LUZ EM ICARAÍ - CRÔNICA REFLEXIVA © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FRASES DE CLARICE LISPECTOR

 

Às vezes, a vida nos pede apenas a calma de observar. Não é preciso grandes eventos para que o dia se torne memorável; basta a disposição de estar presente no próprio tempo. Como dizia Clarice Lispector em A Paixão segundo G.H.: "Que eu não perca a vontade de ter grandes atitudes diante da pequenez das coisas." 

Hoje, o sol que banha a orla de Icaraí parece um convite para essa pequena grandeza. É a oportunidade de encontrar o extraordinário no café que aquece as mãos, na brisa que traz o cheiro do mar e no simples fato de ser, de existir neste exato momento, sob a luz de um sábado que nos permite, enfim, apenas respirar. Caminhar pelo calçadão sob este sol é um exercício de despertar os sentidos; entre o movimento das pessoas e o azul da Baía de Guanabara, tudo ganha uma nova camada de significado, como se o mundo se abrisse para ser redescoberto. Como nos recorda a autora em A Descoberta do Mundo: "Rendo graças por poder ver o mundo como se fosse a primeira vez."

Essa capacidade de renovação se conecta, naturalmente, à nossa busca por liberdade. Para Clarice, ela não era um conceito abstrato, mas algo que habitava os pequenos gestos de autonomia sobre o próprio espírito. "Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome", ela nos provoca. E talvez seja exatamente isso que sentimos aqui: um estado de espírito que supera a definição. É a permissão de parar diante da Baía e apenas observar o horizonte, deixando a vida, antes uma sucessão de obrigações, tornar-se um espaço aberto para o que ainda não tem nome, uma alegria sutil, um descanso da alma. 

Que este ritmo calmo da manhã em Niterói seja um convite para deixar as preocupações de lado e apenas ser. Aproveite o brilho do mar e o café quente para sentir, verdadeiramente, que este instante é um presente. Que o seu sábado seja preenchido por essa sensação de ser plenamente livre, mesmo que seja apenas dentro dos seus próprios pensamentos.

© Alberto Araújo 





sexta-feira, 12 de junho de 2026

12 - A URDIDURA DO ETERNO - Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

12 - A URDIDURA DO ETERNO 

O amor, quando atinge a sua maturidade, não se parece com os fogos de artifício que iluminam o céu de verão apenas por um instante, deixando para trás um rastro de fumaça e silêncio. Ele é, antes, como o musgo que se agarra à pedra: silencioso, paciente, transformando a dureza da vida em algo que acolhe e protege. No dia 12 de junho, enquanto o mundo se apressa em trocar presentes que o tempo há de consumir, convido você a olhar para o que realmente sustenta a vida a dois: a permanência do invisível. 

Amar é um ato de coragem quase insurgente. Em um tempo de descartabilidade, onde tudo parece ter prazo de validade, escolher o outro todos os dias é um exercício de fidelidade ao próprio destino. Não se trata apenas da paixão que incendeia,  essa é a faísca inicial, mas do amor que persiste, que resiste ao desgaste das rotinas e à aspereza dos dias nublados. O amor que sobrevive é aquele que aprendeu a ler a geografia da alma alheia, reconhecendo cada cicatriz como um mapa da história que construíram juntos. 

Há uma beleza indizível em envelhecer ao lado de alguém, não no sentido cronológico, mas no sentido de amadurecer a percepção. É perceber que as mãos que se seguram hoje carregam o peso de todas as batalhas vencidas e de todas as alegrias compartilhadas. É compreender que o silêncio entre duas pessoas não é um vazio, mas uma linguagem densa, um dialeto particular que dispensa tradução. Quando chegamos ao ponto em que não precisamos provar mais nada, em que a presença do outro é a resposta mais completa para as nossas inquietações, descobrimos o verdadeiro sentido do sagrado. 

Hoje, celebra-se o encontro. Mas, se formos honestos, celebra-se muito mais: celebra-se a permanência. Celebrar o Dia dos Namorados é honrar o pacto de não nos deixarmos levar pelo vento, de sermos a âncora um do outro na vastidão de um mundo que insiste em nos dispersar. O amor é o fio de ouro que costura o tempo, unindo o que fomos ao que seremos, transformando a nossa existência comum em uma obra de arte que, embora invisível para o mundo, é a única coisa que realmente justifica a jornada. Que o seu amor seja, hoje e sempre, esse lugar de pouso, de paz e de infinito retorno.

Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA

© Alberto Araújo

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11 - O HORIZONTE DE NÓS - Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL



11 -  O HORIZONTE DE NÓS

Não procuro mais o norte das cartas, nem as rotas desenhadas pelos antigos. Encontrei a geografia que me cabe no contorno do teu abraço, onde o mapa se dissolve em carne e respiração.

Amar-te é este exercício de não-resistência, deixar que a maré leve o que não importa e nos deixe apenas com o essencial: o peso da tua mão na minha, o silêncio que sabe o nome de todas as coisas sem precisar pronunciar nenhuma.

Se o amor é um idioma, nós o inventamos a cada amanhecer, entre o café e o riso solto, entre o medo de sermos finitos e a certeza, absoluta e sem esforço, de que em cada detalhe de ti eu me descubro, finalmente, inteiro.

Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

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10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES - Nº 10 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES 

Costumamos medir o amor pelo calendário, pela contagem dos dias que se empilham em gavetas ou pelas datas que sublinhamos no papel. Contudo, há uma outra contagem que nos escapa: o tempo que o amor leva para criar raízes no solo invisível de duas existências. Não é um tempo linear, de horas e minutos; é um tempo geológico, feito de sedimentos de conversas, de olhares trocados e da paciência necessária para atravessar os invernos um do outro. 

O amor é, acima de tudo, a capacidade de habitar o agora sem o medo do depois. É a estranha e maravilhosa certeza de que, mesmo que o mundo lá fora insista em girar mais rápido, aqui dentro existe um eixo. Um eixo de silêncio, de mãos dadas e de presenças que não precisam se explicar.

Cada gesto de cuidado é, na verdade, uma pequena oferenda ao tempo que virá. Quando aprendemos a celebrar o banal, transformamos o comum em eterno. Amar é saber que, enquanto o mundo se altera lá fora, entre nós, o tempo se suspende para que possamos, enfim, apenas ser, um o refúgio do outro, na impermanência de todas as coisas.

 

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