terça-feira, 26 de maio de 2026

26 DE MAIO DE 2026 DE CELEBRAMOS OS 140 ANOS DO NASCIMENTO E EM 25 DE MAIO DE 2026 MARCAMOS OS 60 ANOS DO ENCANTAMENTO DE LUCÍLIA VILLA-LOBOS, “LUCÍLIA GUIMARÃES” - PIANISTA E PROFESSORA DE MÚSICA BRASILEIRA

 

Efemérides Especial do Focus Portal Cultural 

Em 26 de maio de 2026, o Brasil e o mundo da música celebram uma efeméride dupla de profunda sensibilidade e justiça histórica. Há exatos 140 anos, no dia 26 de maio de 1886, nascia na cidade de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, Lucília Guimarães. 

E em 25 de maio de 2026, completaram-se 60 anos de seu encantamento, termo tão sutil e exato para descrever a partida de uma artista que transformou a realidade educacional e sonora do seu país, ocorrida em 1966, precisamente na véspera de seu octogésimo aniversário. 

Falar de Lucília Guimarães Villa-Lobos é resgatar uma das trajetórias mais ricas, e por vezes injustamente sombreadas, da cultura nacional. Mais do que a primeira esposa e musa de Heitor Villa-Lobos, ela foi uma pianista de técnica refinada, compositora, poetisa, arranjadora e, acima de tudo, uma das maiores pioneiras da pedagogia musical e do canto orfeônico no Brasil. 

Lucília iniciou seus estudos de piano em uma época em que o acesso das mulheres à formação profissional de alto nível era repleto de barreiras sociais. Demonstrando um talento precoce e uma disciplina férrea, ela ingressou no antigo Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da UFRJ, no Rio de Janeiro. Ali, lapidou a técnica interpretativa que, anos mais tarde, seria o alicerce para a consolidação da obra do maior compositor das Américas. 

Em 1913, a vida de Lucília cruzou-se em definitivo com a de Heitor Villa-Lobos. Casaram-se naquele ano, dando início a uma parceria artística e afetiva que duraria 22 anos. Quando se conheceram, Villa-Lobos era um músico inquieto, violoncelista de cafés e teatros populares, que buscava desesperadamente uma identidade e uma estrutura para colocar no papel a torrente de ideias que trazia de suas viagens pelo interior do Brasil. 

Lucília foi a estabilidade e a luz técnica de que ele precisava. Sendo uma pianista de formação acadêmica sólida, ela não apenas compreendia a vanguarda e a complexidade das composições do marido, mas tornou-se a sua intérprete oficial e mais importante. Era Lucília quem decifrava os manuscritos hercúleos de Heitor, quem dava vida às suas primeiras peças para piano e quem o acompanhava ao teclado, garantindo que aquela música revolucionária e de difícil execução fosse compreendida pela crítica e pelo público da época. Sem o rigor e o piano de Lucília, a trajetória de consolidação de Villa-Lobos nos anos 1910 e 1920 teria sido infinitamente mais árdua. 

Se a atuação de Lucília como musicista de concerto já a colocaria na história, foi no chão da escola pública que ela desenhou sua faceta mais revolucionária. Lucília compreendeu, antes de muitos intelectuais de sua época, que a música não deveria ser um privilégio de salão ou de elites acadêmicas, mas sim uma ferramenta de emancipação social, civilidade e construção da identidade nacional.

Ela foi a verdadeira precursora do ensino da música e do canto em escolas públicas do Brasil. Com uma atuação brilhante e incansável no magistério público, assumiu o papel de orientadora do Serviço de Educação Musical e Artística (SEMA). 

No SEMA, Lucília não se limitou a dar aulas para crianças; sua visão era multiplicadora. Ela ministrou cursos intensivos de canto orfeônico, o canto coletivo em grandes coros para outros professores da rede pública. Ela entendia que, para musicalizar o Brasil, era preciso primeiro instrumentalizar e apaixonar o corpo docente. Sob sua tutela direta, uma nova geração de educadores musicais nasceu, levando o canto e a teoria musical para as periferias e escolas de todo o Distrito Federal.

Sua capacidade de liderança e regência gerou frutos institucionais aplaudidos:

Coro Padre José Maurício: Na tradicional Escola Normal Orsina da Fonseca, Lucília assumiu e dirigiu este coro. O nível técnico e a sensibilidade das apresentações foram tão marcantes que o grupo recebeu um prêmio oficial do Ministério da Cultura do Brasil, na época, as estruturas de fomento à cultura do governo federal. 

Coro do Santo Cristo: Em 1935, ela organizou e regeu o coro do bairro do Santo Cristo, na zona portuária do Rio de Janeiro, provando a eficácia da música como elemento de coesão comunitária. 

No Natal de 1935, Lucília expandiu os horizontes de sua comunicação com o povo brasileiro ao realizar sua estreia na Rádio Tupi. A apresentação foi um divisor de águas. O uso do rádio, o grande veículo de massas da década de 1930 permitiu que o talento de Lucília rompesse as barreiras geográficas do Rio de Janeiro. 

Sua performance foi aclamada pelo grande público e pela crítica especializada. A partir dali, Lucília realizou turnês e apresentações por todo o território nacional, demonstrando um repertório que unia o erudito e o popular com uma dignidade raramente vista. 

Com o objetivo de manter viva a chama da formação profissional e da difusão da música nacional, ela fundou o conjunto Vozes do Brasil. Este grupo funcionava quase como uma extensão de sua filosofia pedagógica, servindo de laboratório prático onde formou diretamente 15 destacados professores de canto, perpetuando sua metodologia e sua paixão pelo ensino do canto coletivo.

A vertente criativa de Lucília Guimarães é um capítulo que merece constante redescoberta. Além de dominar as teclas do piano e as técnicas de regência, ela era uma poetisa de grande sensibilidade. Ela própria escrevia as letras de muitas das canções e hinos que passavam a integrar o repertório obrigatório dos orfeões escolares por todo o país. Sabia dialogar com a psicologia infantil e juvenil, trazendo temas que exaltavam a natureza, a pátria e a beleza do cotidiano. 

Lucília também debruçou-se sobre as raízes da terra. Realizou inúmeros arranjos primorosos de cantigas folclóricas e sertanejas, simplificando-as para a execução coral sem perder a riqueza harmônica e a essência do cancioneiro popular. 

Entre suas criações autorais, destacam-se canções de enorme sucesso e circulação na metade do século XX, tais como: "Despertar", "Bendita é a nossa terra", "Meu Sertão". 

No entanto, o ápice de sua projeção internacional como compositora deu-se com a magnífica obra "Hino ao Sol". Esta composição, de uma força lírica e estrutural impressionante, orgulhava tanto a Heitor Villa-Lobos que este a regeu pessoalmente em diversas ocasiões. O momento mais marcante ocorreu no ano de 1936, em Praga, então Checoslováquia. Em um concerto histórico, o "Hino ao Sol" de Lucília foi apresentado ao público europeu traduzido e cantado no idioma tcheco, consolidando o respeito internacional à sua assinatura criativa.

A vida de Lucília Guimarães apagou-se fisicamente no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 1966. Faltavam pouquíssimas horas para que ela completasse seus 80 anos de vida. O destino quis que seu ciclo vital se fechasse exatamente na véspera de seu aniversário, transformando aquela data em um marco de transição, o momento em que a professora e pianista deixou o plano material para se encantar na história da música universal. 

O Focus Portal Cultural ao marcar esta efeméride dupla em 2026 é um ato de reparação e de profunda gratidão. Lucília não foi um satélite na vida cultural brasileira; foi um sol próprio, cuja luz aqueceu as salas de aula públicas, os grandes teatros de concerto e as ondas do rádio. Se hoje o Brasil possui uma tradição rica de canto coral e se a música de Villa-Lobos ecoou pelo mundo, muito se deve às mãos precisas, à voz firme e ao coração generoso de Lucília Guimarães. Que seus 140 anos de nascimento e 60 anos de encantamento sejam lembrados como o triunfo da pedagogia e da arte feitas com amor ao Brasil. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural












26 DE MAIO DE 2026 – 100 ANOS DO NASCIMENTO MILES DAVIS - TROMPETISTA, COMPOSITOR DE JAZZ NORTE-AMERICANO. EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

100 Anos de Miles Davis, o Arquiteto do Som Moderno 

O Focus Portal Cultural apresenta hoje uma efeméride de magnitude global. Neste 26 de maio de 2026, o mundo da música celebra o centenário de nascimento de uma das mentes mais brilhantes, revolucionárias e enigmáticas da história da arte: Miles Davis. 

Miles Dewey Davis III, nascido em Alton, Illinois, em 26 de maio de 1926, e falecido em Santa Mônica, em 28 de setembro de 1991, foi um trompetista, líder de banda e compositor americano. Ele está entre as figuras mais influentes e aclamadas da história do jazz e da música do século XX. Davis adotou uma variedade de direções musicais em uma carreira de aproximadamente cinco décadas que o manteve na vanguarda de muitos dos principais desenvolvimentos estilísticos do jazz. 

Considerado um dos mais influentes músicos do século XX, Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Ele participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Foi parte fundamental do desenvolvimento do jazz modal e também do jazz fusion, que originou-se do seu trabalho disruptivo com outros músicos no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.  

Para além das notas que saíam de seu trompete, Miles foi um catalisador cultural. Ele não apenas acompanhou as transformações de seu tempo; ele as ditou. Celebrar os seus 100 anos é mergulhar em uma jornada de reinvenção contínua, onde o silêncio tinha tanto valor quanto o som, e onde o futuro era o único destino possível. 

Miles Davis pertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz que começou com Buddy Bolden e desenvolveu-se com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge e Dizzy Gillespie. No entanto, ao contrário desses músicos, ele nunca foi considerado um instrumentista de alto nível de habilidade técnica no sentido pirotécnico ou da velocidade pura. 

Enquanto Dizzy Gillespie assombrava o mundo com rajadas de notas em registros altíssimos, Miles escolheu outro caminho. Seu grande êxito como músico, entretanto, foi ir mais além do que ser influente e distinto em seu instrumento, moldando estilos inteiros e maneiras de fazer música através dos seus trabalhos. Como trompetista, Davis tinha um som puro e claro, mas também uma incomum liberdade de articulação e altura. Ele ficou conhecido por ter um registro baixo e minimalista de tocar, mas também era capaz de conseguir alta complexidade e técnica com seu trompete quando a narrativa musical exigia.  

Miles transformou suas supostas limitações técnicas em sua maior assinatura estética. Ele descobriu que o espaço entre as notas, o uso estratégico do silêncio e o uso icônico da surdina Harmon colocada diretamente contra o microfone, criava uma atmosfera de intimidade e melancolia que o mundo nunca havia ouvido. Ele não soprava apenas o trompete; ele sussurrava segredos através dele. 

A trajetória de Miles Davis confunde-se com a própria evolução do jazz na segunda metade do século XX. Ele foi o oposto do comodismo. Assim que um estilo que ele ajudava a criar se tornava o padrão da indústria, Miles o abandonava para buscar a próxima fronteira. 

No final dos anos 1940, o jovem Miles mudou-se para Nova York com a desculpa de estudar na prestigiada Juilliard School, mas seu verdadeiro objetivo era encontrar Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Ao integrar o quinteto de Parker, absorveu a complexidade do bebop. Contudo, logo percebeu que aquela velocidade frenética não era sua praia. Em 1949, reuniu um noneto com arranjos de Gil Evans e gravou as sessões que se tornariam o álbum Birth of the Cool. Nascia ali o cool jazz: uma abordagem mais relaxada, cerebral, focada no equilíbrio e nas texturas orquestrais. 

Na década de 1950, após superar problemas pessoais severos com o vício em heroína, Miles retornou com força total. Ele liderou o movimento hard bop, trazendo de volta o blues e o gospel para o núcleo do jazz. Foi nesse período que ele montou o seu "Primeiro Grande Quinteto", que contava com um jovem e controverso saxofonista chamado John Coltrane. A tensão criativa entre o estilo lírico de Miles e as "folhas de som" torrenciais de Coltrane redefiniu o panorama musical. 

Cansado das progressões harmônicas tradicionais do bebop, que obrigavam o músico a mudar de acorde a cada compasso, Miles buscou inspiração na música folclórica europeia e nos modos gregos. O resultado foi o jazz modal, onde os músicos tinham a liberdade de improvisar por longos períodos sobre uma única escala. Essa abordagem atingiu seu ápice absoluto no ano de 1959, com o lançamento de uma obra-prima que mudaria a história da humanidade. 

Nos anos 1960, Miles cercou-se de jovens prodígios para formar o seu "Segundo Grande Quinteto". Com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams, Miles empurrou as barreiras do jazz a um nível de elasticidade quase abstrato. Eles tocavam no limite do improviso coletivo. 

No final da década de 1960, atento ao som de Jimi Hendrix, James Brown e Sly and the Family Stone, Miles chocou os puristas ao plugar seus instrumentos na tomada. Ele introduziu guitarras elétricas, teclados sintetizados e ritmos de rock e funk em álbuns revolucionários como In a Silent Way (1969) e Bitches Brew (1970). O jazz fusion nascia ali, arrastando o gênero das tradicionais e esfumaçadas casas de jazz para os grandes festivais de rock e estádios. 

Uma das maiores virtudes de Miles Davis não estava em seus dedos, mas em seus ouvidos. Ele possuía uma capacidade sobrenatural de farejar novos talentos e, mais importante, de extrair desses músicos algo que eles próprios não sabiam que possuíam. 

Miles não dava instruções detalhadas aos seus músicos. Ele preferia dar pistas enigmáticas, conceitos abstratos ou simplesmente silenciar para ver como o grupo reagiria. Muitos dos mais importantes músicos de jazz fizeram seu nome na segunda metade do século XX nos grupos de Miles Davis. 

A banda de Miles Davis funcionava como uma universidade de pós-graduação musical de elite. Passar pelo crivo de Miles e sobreviver à sua exigência artística era o passaporte definitivo para a imortalidade no jazz. 

Nenhum ensaio sobre Miles Davis é completo sem dedicar um capítulo de reverência a Kind of Blue, gravado em duas sessões nos dias 2 de março e 22 de abril de 1959, nos estúdios da Columbia em Nova York.

Kind of Blue tem sido citado como o álbum de Miles Davis mais vendido da sua carreira, bem como o álbum de jazz mais vendido da história. Em 7 de setembro de 2008, o álbum foi certificado pela RIAA (Associação das Indústrias Fonográficas Americanas) com um álbum de platina quádruplo, um feito inacreditável para um disco de jazz instrumental. 

Kind of Blue é também reconhecido por muitos fãs, críticos e ouvintes de jazz como o maior álbum de jazz de todos os tempos, frequentemente alcançando o topo de listas de "melhores álbuns" de vários outros gêneros além do jazz. Músicos de rock, pop, música clássica e hip-hop bebem dessa fonte há décadas. O mestre do minimalismo, Duane Allman, dos Allman Brothers, afirmava que seus solos de guitarra eram baseados nos fraseados de Miles nesse disco. 

2002: A gravação do álbum foi uma das 50 escolhidas naquele ano para o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Americano, garantindo sua preservação para a posteridade. 

2003: O álbum foi classificado em 12º lugar pela revista Rolling Stone em sua prestigiada lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. 

2008: Em 30 de setembro, um box especial do 50º aniversário de lançamento do álbum foi lançado pela Columbia/Legacy Records, trazendo à tona raridades e documentando o processo de criação daquela obra-prima. 

O álbum, que traz faixas imortais como "So What", "Blue in Green" e "Flamenco Sketches", ultrapassou o rótulo de música de nicho. Tornou-se um estado de espírito, uma peça de arquitetura sonora que evoca sofisticação, melancolia e paz interior. 

Miles Davis não era apenas um gigante musical; ele era um ícone da cultura pop, da moda e da atitude negra americana. Com suas roupas de alta costura, seus carros esporte italianos e sua postura inabalável e desafiadora diante do racismo estrutural da sociedade americana, ele ensinou gerações a se orgulharem de sua identidade. Ele não aceitava ser tratado como um "entretenimento"; exigia o status de artista de alta cultura.

Esse impacto cultural profundo rendeu-lhe as maiores honrarias do planeta. Em 13 de Março de 2006, Davis foi póstumamente incluído no Rock and Roll Hall of Fame, um reconhecimento claro de que sua audácia elétrica e sua atitude rebelde moldaram a própria fundação do rock. Ele foi também incluído no St. Louis Walk of Fame, no Big Band and Jazz Hall of Fame, e no prestigioso Down Beat's Jazz Hall of Fame. 

Cem anos após seu nascimento na pequena cidade de Alton, o eco do trompete de Miles Davis continua a ressoar com a mesma urgência, o mesmo frescor e a mesma audácia. Miles nos ensinou que a arte não deve ser um museu de repetições, mas um organismo vivo que respira o ar do tempo presente. 

Ele permaneceu na vanguarda até os seus últimos dias, experimentando ritmos de hip-hop em seu álbum póstumo Doo-Bop (1992). Miles Davis nunca olhou para trás. Para ele, o ontem era passado, o hoje era o laboratório, e o amanhã era o palco.

DESTACAMOS ABAIXO OS ÁLBUNS 

QUE DEFINIRAM ERAS:

 

1957   Birth of the Cool      Cool Jazz     - Reunião de sessões de 1949 que frearam o ritmo frenético do bebop. 

1959   Kind of Blue  Jazz Modal   - O álbum de jazz mais vendido e aclamado de todos os tempos. 

1960   Sketches of Spain   Jazz Orquestral / Tercera Corriente      - Parceria com Gil Evans fundindo jazz com a alma e a música clássica espanhola. 

1967   Miles Smiles Post-Bop      - O auge do Segundo Grande Quinteto, demonstrando entrosamento sobre-humano.

1970   Bitches Brew Jazz Fusion / Rock Elétrico - O álbum duplo que eletrificou o jazz e quebrou todas as regras de estúdio. 

1986   Tutu   Jazz-Pop / Sintetizadores - Dedicado a Desmond Tutu, traz Miles flertando com a produção moderna dos anos 80. 

O Focus Portal Cultural celebra este centenário não como uma lembrança de algo que passou, mas como a exaltação de uma força criativa que permanece eternamente contemporânea. Enquanto houver alguém buscando a beleza na simplicidade de uma nota, ou a revolução na eletricidade do novo, Miles Davis estará vivo. Viva os 100 anos do Príncipe das Trevas e do Som! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural











segunda-feira, 25 de maio de 2026

25 DE MAIO. O PULSAR DA TERRA-MÃE E O BRILHO DO DIA DA ÁFRICA. EFEMÉRIDE DO FOCUS PORTAL CULTURAL

No dia 25 de maio, o mundo inteiro volta os seus olhos e o seu coração para o continente africano para celebrar o Dia da África. Esta não é uma mera marcação no calendário; é um portal para a nossa memória coletiva, uma luz que ilumina a história, a resiliência e a genialidade de povos que moldaram o destino da humanidade. É com o peito cheio de um orgulho indescritível e uma honra profunda que o quadro EFEMÉRIDES do Focus se abre hoje para compartilhar, celebrar e reverenciar este momento lindo da cultura africana. 

Falar de África é falar do berço da própria vida. É saudar uma força vital que reverbera na música que nos move, na complexidade das estruturas sociais, na riqueza da oralidade e na beleza inabalável de nações que ensinaram ao mundo o verdadeiro significado de superação e reinvenção. Celebrar esta data é reconhecer que a seiva da árvore africana nutre a cultura global de formas que a história oficial, por muito tempo, tentou silenciar. Hoje, erguemos a nossa voz para exaltar essa herança viva, pulsante e transformadora. 

O Dia da África não se restringe aos gabinetes diplomáticos ou aos tratados assinados. A verdadeira essência desta efeméride pulsa nas ruas, nos mercados, nas savanas, nas metrópoles efervescentes e nas manifestações artísticas que cruzam oceanos. Que privilégio e que honra é contemplar as coisas lindas que emanam dessa terra! 

África é a explosão de cores dos tecidos Kente e Ankara, cujos padrões não são meras decorações, mas provérbios visuais e histórias de linhagem tecidas em fios de algodão. África é a filosofia do Ubuntu, a profunda compreensão de que "eu sou porque nós somos", uma lição civilizatória de empatia, humanidade e coletividade que o mundo urge por aprender e vivenciar todos os dias. 

Olhar para a cultura africana é maravilhar-se com a polirritmia que deu origem ao jazz, ao samba, ao blues, ao marrabenta, ao semba e ao afrobeat. O continente é um manancial inesgotável de poetas do som e da palavra, cujos talentos moldaram e continuam a moldar a sensibilidade do planeta. 

É na literatura poderosa que o continente mostra a soberania da sua própria narrativa. Deixemo-nos encantar pela escrita magistral de gigantes como: 

Chinua Achebe e Chimamanda Ngozi Adichie, que redefiniram a potência da literatura nigeriana e global; 

Wole Soyinka, o primeiro autor africano a ser laureado com o Prêmio Nobel de Literatura;

Mia Couto (Moçambique) e José Eduardo Agualusa (Angola), que pintam a língua portuguesa com as cores, as metáforas e os mitos da terra africana;

Nadine Gordimer e J.M. Coetzee, vozes sul-africanas incontornáveis da literatura contemporânea; 

A poesia eterna de Agostinho Neto e as crônicas identitárias de Paulina Chiziane, a primeira mulher africana a vencer o Prêmio Camões. 

Esses autores reescrevem as páginas do mundo com a crueza e a beleza de quem é, por direito e herança, dono da sua própria voz. 

Se a literatura é a alma de África, a música é o seu sistema nervoso. Que riqueza incalculável encontramos ao sintonizar as melodias que nascem desse solo! Celebramos a imortalidade artística de:

Cesária Évora, a "diva dos pés descalços" de Cabo Verde, que levou a melancolia e a beleza da morna aos palcos mais prestigiados do mundo; 

Miriam Makeba, a eterna Mama Africa, cuja voz potente ecoou como um hino de liberdade e dignidade; 

Fela Kuti, o gênio revolucionário da Nigéria que deu vida ao Afrobeat, fundindo jazz, funk e ritmos tradicionais; 

Youssou N'Dour (Senegal) e Salif Keita (Mali), com suas vozes celestiais que carregam a ancestralidade dos griots; 

Bonga e Waldemar Bastos, que sintetizam a alma, a saudade e a alegria do semba angolano; 

A nova geração efervescente de artistas como Burna Boy, Wizkid e Angelique Kidjo, que dominam as paradas globais e mostram que o ritmo do futuro é, inequivocamente, africano. 

Celebrar o Dia da África no Focus é um ato de amor histórico e cultural. É rejeitar o olhar reducionista que muitas vezes a grande mídia insiste em perpetuar: o olhar da escassez ou da passividade. A história real nos aponta para a grandiosidade dos impérios antigos, do Egito ao Mali, de Axum ao Grande Zimbábue, reinos prósperos que provam que a ciência, a arquitetura, a metalurgia e a astronomia floresceram sob o sol africano muito antes de a Europa se projetar ao mar.

A África de hoje, herdeira desse passado glorioso, é o continente mais jovem do planeta. É um polo vibrante de inovação tecnológica, onde soluções pioneiras de engenharia e economia digital nascem criadas por mentes brilhantes. É a terra da Agenda 2063, o plano mestre para consolidar o continente como a grande potência global do futuro. É um ecossistema de pura criatividade, onde a juventude recria a alta-costura, a política e o cinema, vide o gigantismo de Nollywood, a efervescente indústria cinematográfica nigeriana, com uma coragem e uma estética contagiantes.

Terminamos esta efeméride com o coração transbordando de gratidão, maravilhamento e reverência. Estender os parabéns a África é saudar os nossos antepassados, abraçar as potências do presente e semear os caminhos do futuro. Que a beleza, a sabedoria, a sofisticação artística e a força inabalável do continente africano continuem a inspirar o mundo a ser mais humano, mais digno, mais generoso e infinitamente mais vibrante. 

Aos nossos irmãos africanos em todo o continente e na vasta diáspora espalhada pelo mundo: Feliz Dia da África! Que o vosso tambor continue a ditar o ritmo da nossa admiração e que o vosso brilho jamais seja ofuscado. É uma honra absoluta celebrar esta história viva, rica e colorida aqui, no nosso espaço de reflexão e cultura. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 






ROCK IN RIO TRANSFORMA CAMPANHA EM ESPETÁCULO MUSICAL

 

O filme “Rock in Rio. O lugar que quero estar” inaugura conceito “Fábrica dos Sonhos” e expõe, pela primeira vez, a engrenagem criativa do festival 

Em contagem regressiva para sua próxima edição, o Rock in Rio dá um passo além na sua forma de se comunicar e transforma campanha em experiência de entretenimento. Com “Rock in Rio. O lugar que quero estar”, o festival leva para a publicidade a mesma potência emocional que vive no palco e com o público, apostando em uma narrativa inspirada na linguagem dos musicais para revelar, pela primeira vez, os bastidores e o processo criativo por trás das experiências que movimentam milhares de pessoas a cada edição. 

Com nove meses de desenvolvimento, o filme, com duração de 3 minutos, convida o público a entrar na engrenagem criativa que dá vida ao festival e entender por que ele é, cada vez mais, o lugar onde as pessoas querem estar. Abusando de referências lúdicas e grandiosas dos musicais da Broadway, a peça provoca desde já as pessoas a sentirem um pouco do que elas vão viver no festival e reforça esse chamado através do slogan “Você vai cantar. Você vai dançar. Você vai vibrar. O Rock in Rio é o lugar que você quer estar”. 

Criada pelo Rockers, hub do Grupo Dreamers dedicado à comunicação de plataformas como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza, a campanha marca também a estreia do conceito “Fábrica dos Sonhos”. A proposta desloca o olhar do público do line-up para o processo, estruturando uma nova camada narrativa para o Rock in Rio, em que o entretenimento passa a ser entendido como resultado de uma engrenagem criativa em operação constante. 

 “A Fábrica De Sonhos do Rock in Rio não é apenas uma campanha. Ela é parte da nossa vida, todos os dias, no planejamento e execução do festival, já que o maior desafio criativo dos nossos times é pensar como fazemos para, a cada nova edição, surpreender, inovar e emocionar ainda mais o nosso público. Ter a oportunidade de abrir nossos bastidores e apresentar essa visão dentro de uma narrativa tão mágica quanto a que estamos colocando no ar não apenas nos enche de orgulho, como reforça nossa crença de que conteúdo, experiência e entretenimento são, cada vez mais, os maiores pilares da nossa marca, tanto no produto quanto na comunicação”, afirma Ana Deccache, Diretora de Marketing da Rock World, do Rock in Rio, do The Town e do Lollapalooza Brasil. 

O filme se insere em uma sequência de campanhas em que o Rock in Rio investe em linguagem autoral e execução fora do padrão publicitário tradicional. A escolha estética aproximou a peça de um conteúdo cinematográfico, ampliando seu alcance para além da lógica promocional.

“Quando decidimos contar essa história como um musical, não foi só uma escolha estética. Essa linguagem traduz a alegria que o festival provoca nas pessoas e se conecta com o convite que guia a peça publicitária, de cantar, dançar e vibrar. O Rock in Rio já é, por essência, uma experiência coreografada de emoções, encontros e energia, e o desafio foi levar essa pulsação para a comunicação sem perder a alma do festival. Mais do que mostrar bastidores, a ideia foi dar forma àquilo que todo mundo reconhece quando sente”, comenta Gustavo Tirre, diretor-executivo do Rockers.

A iniciativa inaugura uma série de ativações previstas para os próximos meses, com desdobramentos em diferentes pontos de contato e pilares de marcas e comunicação, como novas campanhas, conteúdos Always on, ativações pela cidade e colaborações com parceiros como marcas, artistas, influenciadores e fandons.

 

FICHA TÉCNICA

Criação geral: Roberto Medina

Chief Artistic Office (CAO): Zé Ricardo

Direção Artística e Consultoria Artística: Charles Möeller

Direção de Cenografia: Ana Biavaschi

Direção de Marketing: Ana Deccache

Direção Executiva de Criação: Gustavo Tirre

Direção audiovisual: Kiko Lomba

Direção de Produção: Ana Clara Chermont

Coreografia: Mariana Barros

Figurino: Fábio Namatame

Protagonista 1: Malu Rodrigues

Protagonista 2: Pierre Baitelli

Protagonista 3: Giulia Nadruz

Protagonista 4: Fegab

 

Artístico:

Chief Artistic Office (CAO): Zé Ricardo

Direção Artística e Consultoria Artística: Charles Moeller

Coordenação de Relacionamento Artístico: Isabela Souza

Assistência de Direção Artística: Tina Salles

 

Bailarinos:

 

Amaury Soares

Andreina Szoboszlai

Beatriz Takahashi

Bia Marques

Bruno Albuquerque

Caike Danths

Cesar Augusto

Dani Berti

Danilo Barbieri

Débora Polistchuck

Della

Diego Lemos

Duda Gouvea

Hugo Lopes

Isabella Magalhães

Jefferson Felix

Johnny Baroli

Júlia Camargo

Lucas Nunes

Luisa Biella

Malcolm Matheus

Marih Barros

Mauricio Reducino

Monique Soares

Murilo Ohl

Naísa Marques

Paula Miessa

Paulo Victor Souza

Rebô

Sofia Biella

Thaís Ribeiro

Thiago Alves

Thiago Garça

Vic Carvalho

Victor Vargas

Vivian Bugno

Trilha sonora:

Produção Musical e Arranjo: Zé Ricardo

Composição: Zé Ricardo

Composição: Maurício Piassarollo

 

Músicos

Piano / Regência: Maurício Piassarollo

Baixo acústico: Marcelo Linhares

Bateria: Wallace dos Santos Batista

Guitarra: Helton Fagundes

Violino: Luísa Neiva de Castro

 

Violino: Keeyth Annie Vieira Vianna

Violino: Renata Ribeiro Athayde

Violino: Talita Vilar Vieira

Viola: Diego Pereira da Silva

Viola: Jocelynne Marly Huiliñir Cardenas

Violoncelo: João Victor de Oliveira Campos

Violoncelo: Thais dos Santos Ferreira

Cenografia

Diretoria de Cenografia: Ana Biavaschi

Gerência de Cenografia: Giulia Palermo

Cenógrafa: Caroline Nogueira

 

Cenógrafa: Isadora Ferraz

Cenógrafo: Yan Barros

Assistente de Cenografia: Pedro Moreira

Studios

Gerência de Arte: Indio San

Cordenação de Projetos: Marisa Peixoto

Marketing

Diretoria de Marketing: Ana Deccache

Gerência de Marketing: Camila Romana

Gerência de Growth Marketing: Sara Gobbi

Gerência de influência: Joana Cardoso

Coordenação de Marketing: Mariana Sena

Coordenação de Marketing: Mariana Camargo

Equipe Tycoon Estúdios

Direção audiovisual: Kiko Lomba

Assistente de Direção: Catharina Bergo

Diretor de Fotografia: Leo Kawabe

Edição: Marcelo Perrone Filho

Pós-Produção: Biz Produções

Direção de Produção & Atendimento: Bia Pimenta

Campanha publicitária: Rockers

Direção Executiva: Gustavo Tirre e Thaissa Mirabelli

Direção de Criação: Arthur Pires

Direção de arte: Arthur Pires, Pedro Gomes e Andre Duarte

Redação: Gustavo Tirre, Betoca Jencarelli e Leo Valpassos

Atendimento: Thaissa Mirabelli e Fabiana Barnard

Gerente de Projetos: Anna Beatriz de Assis

Mídia: Tainá Cavalcanti

RTVC: Camila Naito, Felipe Cunha e Patricia Cortes

Creative Data: Juliana Reis

Direção de Criação de Conteúdo: Ana Flavia Lira

Direção de Arte Digital: Artur Bueno, Arthur Benting, César Maia, Bernardo Costa

Community Manager: Luiza Stefano e Amanda Sousa

Estratégia Digital: Marianna Fernandes e Nicole Moraes

Assessoria de Imprensa:

CEO Approach Comunicação: Beth Garcia

Sócia diretora Approach Comunicação: Fabiana Guimarães

gerente Approach Comunicação: Marina Milhazes

Produção Artística:

Diretoria de Produção: Anna Clara Chermont

Gerência de Produção: Flávia Machado

Coordenação de Produção: Fabiane Rocha

Coordenação Técnica: Daniel Torres

Produção Geral: Matheus Brito

Produção Artística: Juliana Santana

Produção Backstage: Elaine Doria

Coordenação de Transporte: Dax Fernandes

 

Produção de Elenco:

Bruno Avellar

 

Figurino e Visagismo

Figurinista e Visagista: Fabio Namatame

 

Assistência de Figurino: Andre Von Schimonsky

Costureira: Noêmia Ribeiro

Camareira: Eliana Ruth

Camareira: Elisa Oliveira

Camareira: Indiana Brasil

Camareira: Luciana Meneses

Camareiro: Mateus Cardoso

Camareiro: Paulo França

Direção de Operações:

Pedro Marques

Gerência do Projeto:

Jessica Cavalcanti

Coordenação do Projeto:

André Barros

Gerência A&B:

Stéfannie Gschliffner

 

Coordenação de A&B:

Leandro Melo de Oliveira

Coordenação de Sustentabilidade Operacional:

Tayran Bezerra

 

Infraestrutura:

Engenheiro: Patrick Alex

Estágio de Engenharia: Arnaldo Jolig

 

Analista de Operações: Kauê Lima

Contrarregra: Felipe Coutinho Pipo

Contrarregra: Gilles Andrade

Contrarregra: Rogerio da Silva

Contrarregra: Victor Lucena

Fornecedores

Estúdio Audiovisual: Casablanca

Beleza: Bello Management

Catering: Well Done Buffet

Transporte Terrestre: On The Road

Som: Lang Brothers

Led: Tokyo Eventos / Apple Produções

Backline: Star no Palco / Gut Pianos

Passa-Cabos: Stage Rio

Praticáveis: Práticas Shows

Conteúdo Criativo de Arte Imersiva : LightWire