quarta-feira, 8 de julho de 2026

DRA. KARIN FERREIRA DIAS RANGEL BRILHA NO DEBATE DE NEUROCIÊNCIA E DIREITO, QUE A EMERJ PROMOVEU SOBRE OS NOVOS PARADIGMAS DA JUSTIÇA NA ERA DIGITAL

 

O Direito contemporâneo atravessa uma transformação profunda, impulsionada pela convergência entre tecnologia, neurociência e o estudo do comportamento humano. No dia 08 de julho de 2026, a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) sediou a 38ª Reunião do Fórum Permanente da Justiça na Era Digital, com o tema central: “Neurociência Aplicada ao Direito: Cognição e Tecnologia no Sistema de Justiça”.  

O encontro, realizado no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura, no Centro do Rio de Janeiro, reuniu especialistas para analisar como os processos cognitivos moldam a tomada de decisão judicial e a prática advocatícia moderna. 

A mesa diretora do evento foi composta pelas palestrantes:  Karin Ferreira Dias Rangel, Walter Capanema, Emília Garcez, Daniel Gigante, Mateus Martins, Willian Rocha, Tayná Carneiro, Graziela Bonfim, Daniel Marques e José Roberto Melo Porto.

A abertura do evento contou com a presença de profissionais influentes. É com imenso orgulho que destacamos a participação da Dra. Karin Ferreira Dias Rangel, que brilhou intensamente na sua fala encantatória. Além de sua atuação técnica brilhante, a Dra. Karin é motivo de honra para nossa comunidade, ocupando o cargo de Vice-presidente do Elos Clube de Niterói, sob a presidência de Jocelin Nery. Sua trajetória de excelência se estende à Rede Sem Fronteiras, onde atua como 2ª Vice-presidente do Núcleo de Niterói, sob a presidência da Dra. Matilde Carone Slaibi Conti. Dra Karin assumiu recentemente uma Cadeira no Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). 

PROGRAMAÇÃO E CONTEÚDO 

O cronograma foi estruturado para aprofundar temas vitais ao sistema de justiça: 

Cognição e Decisão: O painel sobre “Cognição, Persuasão e Tomada de Decisão” trouxe a expertise de Valéria Melo de Andrade e Rita de Cássia da Silva. 

Inteligência Artificial: As discussões sobre a intersecção entre Direito e IA focaram nos desafios éticos e práticos da inovação tecnológica. 

Gestão da Informação: Conduzido por William Rocha e Matheus Martins, o painel destacou a importância da estruturação e qualificação da informação jurídica baseada em dados. 

Encerramento: A conferência final, ministrada por José Roberto Mello Porto, abordou os impactos dos estudos cognitivos na fundamentação das decisões judiciais.

O evento, que contou com transmissão via Zoom e tradução em Libras, ofereceu horas de estágio validadas pela OAB/RJ aos estudantes e capacitação aos servidores do Judiciário. O registro visual, que capturou cada momento desse debate de alto nível, foi gentilmente compartilhado pela Dra. Karin Dias.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 
































(Clicar na imagem para assistir ao encontro completo)

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O Focus Portal Cultural e toda a família do Elos Clube de Niterói celebram, com imenso orgulho, a atuação brilhante da Dra. Karin Ferreira Dias Rangel na 38ª Reunião do Fórum Permanente da Justiça na Era Digital, realizada hoje na EMERJ. Debater um tema tão complexo e urgente: “Neurociência Aplicada ao Direito: Cognição e Tecnologia no Sistema de Justiça”, exige não apenas profundo conhecimento técnico, mas uma visão humanista que a Dra. Karin demonstra com maestria em cada passo de sua trajetória. É uma honra ver nossa Vice-presidente do Elos Clube e 2ª Vice-presidente do Núcleo da Rede Sem Fronteiras de Niterói brilhando no cenário jurídico nacional e elevando o nome de nossa cidade com tanta competência e elegância. Dra. Karin, parabéns por sua performance impecável e por ser uma fonte contínua de inspiração para todos nós, elistas e admiradores da cultura jurídica. O sucesso é fruto de sua dedicação incansável! Alberto Araújo 



O SILÊNCIO ELOQUENTE DAS ESTANTES - CRÔNICA © ALBERTO ARAÚJO

Existe certo tipo de magia que acontece quando atravessamos o umbral da porta de alguém pela primeira vez. Não falo da mobília, da iluminação ou do cheiro de café fresco, embora estes elementos componham o cenário. Falo da alma daquela casa, da sua verdadeira arquitetura. Como bem pontuou o arquiteto Chicô Gouvea, em uma reflexão que ressoa como uma verdade universal: “O livro é o objeto de decoração mais honesto que existe”. 

Muitos de nós passamos a vida buscando a casa ideal, caçando em revistas de design ou no feed de redes sociais por aquela composição que transmita sofisticação. Buscamos peças de design assinado, tapetes que conversem com as cortinas e cores que tragam harmonia. Não há nada de errado nisso. Contudo, há um paradoxo moderno que insiste em isolar a intelectualidade do convívio. Frequentemente, escondemos nossas bibliotecas no quarto, em corredores estreitos ou atrás de portas esquecidas, como se o saber fosse um segredo íntimo demais para ser compartilhado com a visita. 

O livro, diferentemente de uma escultura decorativa comprada por catálogo, não mente. Ele não está ali apenas para preencher um vazio na parede ou para combinar com a paleta de cores do ambiente. Ele está ali porque foi escolhido, porque foi lido, porque tocou uma fibra sensível na alma de quem habita aquele espaço. 

Uma estante cheia de livros é um inventário do que nos formou. Ali, entre as lombadas de Dostoievski, os clássicos brasileiros de Machado de Assis ou as histórias de fantasia que nos fizeram viajar sem sair de casa, reside o mapa da nossa identidade. Quando entramos em uma casa e nos deparamos com esses guardiões de papel, já sabemos muito sobre quem ali vive, sem que uma única palavra precise ser dita. 

Não é uma questão de erudição, mas de honestidade. Uma estante, por mais caótica ou organizada que seja, revela a curiosidade, as angústias, os gostos musicais que se traduzem em biografias, as crenças que nos movem e os mundos que desejamos habitar. Enquanto um objeto decorativo impessoal nos diz apenas quem gostaríamos de parecer para o mundo exterior, o livro nos diz quem somos quando estamos a sós. 

O Meu Mundo Particular. Digo isto com a convicção de quem encontra, na convivência com os livros, uma forma de paz que poucas coisas no mundo podem oferecer. Tenho, na minha própria casa, a alegria de possuir um escritório que é, na verdade, uma biblioteca. É ali que o tempo ganha uma elasticidade diferente.

Quando entro naquele cômodo, fecho a porta para o ruído do mundo lá fora e abro a página de um exemplar qualquer, sinto que voltei para casa. É o meu mundo. Ali, o brilho da tela do computador ou o conforto do sofá perdem a importância diante da promessa de uma nova ideia. Cada livro naquelas prateleiras é um marco no meu próprio crescimento, um lembrete de fases superadas, de descobertas que me mudaram ou de contos aos quais sempre volto, como quem visita um velho amigo. 

As casas mais interessantes que já visitei não tinham lustres caros, acabamentos de luxo ou tecnologia de ponta. Elas tinham, invariavelmente, paredes ocupadas pelo saber. Eram lares que nos convidavam a ficar, a sentar, a discutir ideias, a deixar a hora passar. Eram casas com "vida".

Talvez o convite aqui seja para quebrarmos esse tabu de reservar o conhecimento apenas aos espaços privados. Que tal trazer aquele livro que você mais ama para a sala? Que tal permitir que a nossa estante seja a protagonista da nossa decoração, e não um acessório escondido? 

Ao colocar nossas leituras onde as visitas podem ver, não estamos apenas exibindo nossos gostos; estamos abrindo as janelas da nossa mente. Estamos dizendo, de forma silenciosa, que nossa casa é um lugar de troca, de pensamento e de humanidade. Afinal, uma casa sem livros é apenas uma estrutura; uma casa com livros é um convite ao eterno. 

E vocês? Também têm seus tesouros de papel espalhados pela casa, esperando para contar sua história a quem quiser ouvir?

Baseada nas reflexões de Chicô Gouvea (Consultor de Arquitetura) publicadas na página “Página de Mistérios” do Facebook. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 


segunda-feira, 6 de julho de 2026

GRUPO DE ESTUDOS LITERÁRIOS - MULHERES EXTRAORDINÁRIAS

PROGRAMA: CHÁ DAS 5 COM 5. Nesta edição especial do Chá das 5 com 5, dentro do Grupo de Estudos Literários do Livro, terá uma conversa dedicada à obra “Mulheres Extraordinárias – Volume 4”, projeto que valoriza histórias, trajetórias e memórias femininas por meio da palavra escrita.

Com apresentação de Ana Maria Tourinho, Vice-Presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, o encontro reunirá coautoras da obra para um momento de partilha literária, reflexão e valorização do legado feminino na literatura e na cultura lusófona. 

Participam desta edição as coautoras:

Yasmine Figueiredo

Marta Verônica

Graça Neves

Amélia Luz 

O programa propõe um diálogo sobre a força das mulheres que escrevem, inspiram, preservam memórias e contribuem para a construção de uma literatura mais plural, sensível e representativa. 

A Rede Sem Fronteiras é uma Organização Cultural Internacional, sediada em Lisboa, Portugal, presente em dezenas de países, dedicada ao fortalecimento, promoção e intercâmbio da língua portuguesa e da cultura lusófona. 

Este canal é mais do que um espaço de transmissão. É um ponto de encontro entre povos que compartilham a mesma língua, mas carregam diferentes histórias, sotaques, experiências e riquezas culturais. 

07 de julho de 2026, terça-feira.

Programa: Chá das 5 com 5

Tema: Mulheres Extraordinárias – Volume 4

Apresentação: Ana Maria Tourinho

 

Transmissão Oficial:

Canal da Rede Sem Fronteiras no YouTube

/@redesemfronteiras. Clicar no link:

 https://www.youtube.com/watch?v=xsbj1uxImLw




 

O ESPETÁCULO “O LIVRO DOS PRAZERES”. UMA JORNADA EM BUSCA DE SI MESMA E DO PRAZER SEM CULPA.




 

A Academia Brasileira de Letras recebe, nesta quinta-feira, 09 de julho, o espetáculo “O Livro dos Prazeres”, baseado na obra imortal de Clarice Lispector.

Acompanhe a história de Lóri e seu encontro transformador com Ulisses. Uma narrativa sobre amor, autodescoberta e a coragem de ser livre, em um espetáculo que une a sensibilidade de Clarice com a música de Edu Lobo.

 

Elenco: Rafael Queiroz e Melise Maia

Direção Artística: Ernesto Piccolo

Trilha Sonora: Edu Lobo

 Apresentação: Acadêmico Antônio Torres

Local: Academia Brasileira de Letras (Av. Pres. Wilson, 203 - RJ)

Data: 09/07/2026 | 17h30min

Entrada Franca (Vagas limitadas)

 

Inscreva-se aqui: 

https://www.even3.com.br/o-livro-dos-prazeres-755974/

 

Viva essa experiência cultural inesquecível!


#ClariceLispector #OLivroDosPrazeres 

#ABL #QuintaECultura #TeatroRJ #CulturaRio



domingo, 5 de julho de 2026

A TINTA E A TERRA: O ECO DE UMA CIDADE MORENA CRÔNICA CULTURAL DE © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM LEMBRANÇA DE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI

 

O jornalismo, em sua essência mais pura, não é apenas o registro do factual. Ele é, antes de tudo, uma tentativa desesperada de capturar o efêmero, de transformar o instante que foge em algo que possa ser guardado na memória coletiva. Quando publiquei a entrevista com Raquel Naveira, essa voz que é o próprio estuário da lírica e da erudição, eu sabia que estava entregando ao público um fragmento de algo maior. Mas não imaginei que a repercussão ganharia contornos de poesia. 

Entre as mensagens que chegaram, uma luz se destacou com uma força telúrica. Era a voz de Matilde Carone Slaibi Conti, presidente do Elos Internacional, Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói, Cenáculo Fluminense de História e Letras e outras instituições brasileiras. Mineira da gema, nascida em Visconde do Rio Branco, ela carrega no DNA a sensibilidade de quem conhece o peso e o valor da terra. Para quem traz o chão de Minas, aquele solo que guarda a história do Brasil em cada minério e cada montanha, reconhecer a alma de outra região é um gesto de quem entende que a pátria é feita de pó, pedra e memória. 

Ao ler suas palavras, senti o chão de Campo Grande, cidade natal de nossa entrevistada, vibrar sob meus pés. Ela não apenas elogiou; ela transmutou a entrevista em uma metáfora viva. Ao lembrar-nos que Mato Grosso do Sul é apelidado de “Cidade Morena”, Matilde não estava apenas usando uma licença poética; ela estava rebatizando o espírito do estado com a ancestralidade do solo que nos sustenta. 

O apelido “Cidade Morena” carrega consigo uma crônica própria. Não é um título comercial ou forjado em gabinetes; é um batismo da terra. Nascido da cor avermelhada, rica em ferro, que tinge o chão de Campo Grande e parece incendiar o horizonte quando o sol se põe, esse epíteto diz muito sobre nós. É uma terra que não se deixa esconder. Ela mancha, ela marca, ela colore as botas dos tropeiros que fundaram nossas raízes em 1877 e permanece firme sob o asfalto cosmopolita de hoje. 

Quando Matilde associou a Academia a essa “Cidade Morena”, ela nos lembra de que a literatura, em Mato Grosso do Sul, não é um exercício estéril, feito em torres de marfim. Ela é telúrica. Ela tem a cor do chão. É uma escrita que, como o nosso solo, carrega a força dos minerais, a resiliência das raízes e o calor que, ao entardecer, abraça o Pantanal ali perto. A Academia, sob essa perspectiva, torna-se o jardim onde essa terra floresce em forma de verso, crônica e memória. 

A comparação de Matilde, esse “golaço” literário, ressoa com uma verdade profunda. Vivemos tempos de velocidade, de informações descartáveis que deslizam pela tela como água em vidro embaçado. Parar para ler Raquel Naveira, para mergulhar em sua profundidade, é um ato de resistência. Quando a presidente de inúmeras Academias convoca o público a “ler, reler e, quem sabe, até decorar” esse diálogo, ela está defendendo a permanência da palavra. 

O “bate-bola” entre mim e Raquel, que ela gentilmente rotulou como uma preciosidade, ganha agora uma nova camada de significado. Ele deixa de ser apenas um registro jornalístico para se tornar parte do patrimônio imaterial daquela "Cidade Morena" das letras. Há algo de muito terno em saber que, em uma época onde o futebol mobiliza multidões, uma conversa sobre literatura pode ser celebrada com o mesmo fervor de um gol no último minuto. É o reconhecimento de que a cultura também é um esporte de alto rendimento: exige preparo, fôlego e, acima de tudo, o amor pelo jogo. 

Campo Grande é um organismo vivo. Caminhar pelas suas avenidas largas, sob a sombra generosa de suas árvores, que fazem da capital uma das mais arborizadas do Brasil, é sentir a pulsação de um lugar que se reinventou. Do Parque das Nações Indígenas, onde a natureza observa a metrópole com olhos de capivara e o canto das aves, ao movimento incessante do Centro, a cidade é um mosaico de origens. 

Somos, como bem define nossa história, o encontro do mundo. O árabe que trouxe o aroma das especiarias, o japonês que nos presenteou com o conforto do sobá, o migrante que trouxe a coragem de outros estados e o paraguaio que nos ensinou a partilhar a sopa e o tereré. O tereré, aliás, é o nosso grande mediador. Em torno da cuia, as hierarquias desaparecem. O silêncio é permitido, a conversa é lenta e a amizade é constante. 

A Academia de Letras, portanto, não é um prédio; é uma roda de tereré eterna. É o lugar onde a nossa diversidade cultural se transforma em um idioma comum. Ao chamar de “Cidade Morena”, Matilde capturou a alma de um lugar que não se isola. Ele respira o ar da rua, ele tem o pó do chão, a capital de Mato Grosso do Sul, está sempre aberto a quem chega para compartilhar uma história.

O que fica de tudo isso? O que resta quando a notícia perde o brilho de sua estreia? Resta a marca. Assim como a terra vermelha de Campo Grande marca a roupa de quem nela pisa, as grandes conversas marcam a alma de quem as realiza. A entrevista com Raquel Naveira, que foi intercedida pela bênção da Presidente Matilde, provou que o jornalismo, quando feito com reverência, vira história.

Estar na “Cidade Morena”, seja a geográfica, seja a literária, é entender que não somos apenas habitantes de um território. Somos os guardiões de um solo que, se bem cultivado, produz os frutos mais perenes do espírito humano: o saber, a arte e a memória. 

Que venham outros “golaços”. Que continuemos, com o calor do sol do entardecer e a paciência de quem toma um tereré, a escrever a história dessa terra que, de tão viva e fecunda, não aceita ser apenas o cenário, mas exige ser a própria protagonista das nossas crônicas. 

© Alberto Araújo

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BOLETRAS – INFORMATIVO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS – PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA - EDIÇÃO Nº 54 – JUNHO DE 2026


O Boletras nº 54, correspondente ao mês de junho de 2026, apresenta-se como um documento vibrante e multifacetado, espelhando a intensa produtividade cultural que marcou o mês na Academia Fluminense de Letras (AFL). Sob a coordenação e editorial da presidente Márcia Pessanha, e com a redação e diagramação impecáveis de Christiane Victer, esta edição consolida o papel da AFL como um polo dinâmico de intercâmbio, conhecimento e celebração das artes e letras fluminenses, sob o olhar atento de sua Diretoria. 

Em seu editorial, intitulado "Lembranças Lúdicas do Mês de Junho", a presidente Márcia Pessanha reflete sobre a atmosfera festiva característica do mês, mesclando tradição religiosa, herança cultural e memórias afetivas. A presidente associa o mês às celebrações de Santo Antônio, São João (padroeiro de Niterói) e São Pedro, evocando o calor humano dos arraiais e a poética das fogueiras juninas. Mais do que uma saudade nostálgica, o texto de Márcia Pessanha transporta o leitor para a realidade institucional. No sentido equivalente, cita o poema de Augusta Schimidt, que bem traduz a atmosfera lúdica do mês de junho, no varal de nossas recordações. 

Lua cheia iluminando o céu.

Fogueira ardendo na terra.

Corações entrelaçados,

abraços apertados,

no arrasta pé da paixão.

Era noite de São João.

Damas vestidas de chita,

cavalheiros com chapéu na mão.

A quadrilha marcava a festa,

como manda a tradição.

E ao som da velha sanfona

que não parava de tocar,

trocavam juras de amor

esperando o sol raiar. 

Ao relatar que, embora sem fogueiras reais, a Academia viveu um junho "muito produtivo", a presidente traça um paralelo metafórico inspirador: a AFL "pulou fogueiras" e ativou as chamas do conhecimento, entrecruzando saberes nos passos da "dança institucional". O editorial fecha no rodapé do informativo com uma citação de Emily Dickinson, “Eu não conheço nada no mundo que tenha tanto poder quanto uma palavra.” O pensamento reforça o compromisso da gestão com o poder transformador da palavra. 

PRINCIPAIS AÇÕES E EVENTOS DO MÊS 

Intercâmbio Cultural: O Projeto "A Academia Visita" 

Destaque para o projeto "A Academia Visita", coordenado pelo acadêmico Jordão Pablo de Pão, que promoveu, no dia 12 de junho, uma delegação aos Museus Antônio Parreiras e Janete Costa, no bairro Ingá, em Niterói. A visita, que contou com a presença da presidente Márcia Pessanha e diversos acadêmicos, buscou o diálogo com instituições fundamentais na preservação da cultura fluminense.

Nos museus, os acadêmicos foram recebidos por suas equipes educativas, participando de exposições como "Zumbi, Reinado sobre a História" (Museu Antônio Parreiras) e "Ô de dentro, ô de fora" (Museu Janete Costa), esta última explorando a arte popular do bordado e a Folia de Reis. 

CICLO DE CONFERÊNCIAS: "PUBLICAR A GENTE BRASILEIRA" 

O mês de junho consolidou a realização da 1ª edição do Ciclo de Conferências "Publicar a Gente Brasileira", fruto de parceria entre a AFL e a Fundação de Arte de Niterói (projeto Niterói Livros). O evento, que contou com a mesa "Publicar Mulher", debateu as trajetórias de escritoras como Carolina de Jesus e Julia Lopes de Almeida com Márcia Pessanha e Eurídice Hespanhol. Acadêmicas da AFL, como Lucia Romeu, Verônica Oliveira e Amanda Almeida, também tiveram espaço para apresentar suas obras e experiências editoriais, em um encontro que reforçou o compromisso da academia com a cena literária contemporânea.

SOLENIDADES E HOMENAGENS 

A AFL foi palco, no dia 20 de junho, de uma importante solenidade do Cenáculo Fluminense de História e Letras, presidido pela acadêmica Matilde Carone Slaibi Conti. O evento incluiu a posse da escritora portuguesa Idalina da Purificação Andrade Gonçalves e a outorga da Comenda Waldenir de Bragança, premiação que reconhece jovens talentos na produção literária, científica e artística fluminense. 

NOTAS E REGISTROS DA AFL 

A edição traz, ainda, uma série de registros importantes da movimentação dos acadêmicos: 

UPPES: O acadêmico Erthal Rocha participou do projeto "Vozes da UPPES", gravando um depoimento histórico para os 80 anos da instituição. 

Poesia: A acadêmica Eurídice Hespanhol celebrou o 29º aniversário do grupo "Simplesmente Poesia", enquanto a acadêmica Licia Lucas foi homenageada em evento comemorativo do Movimento Mundial Dariano, em Miami. 

Educação: José Huguenin anunciou lançamentos focados em estudantes do Ensino Fundamental e Médio, dialogando literatura com conteúdos de ciência. 

FLIN: Foi confirmado que a AFL marcará presença na Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN), que ocorrerá em agosto.

O boletim encerra-se com o calendário de aniversariantes de julho, datas comemorativas e as informações da Diretoria da AFL, reafirmando seu compromisso com a memória, o registro histórico e a difusão cultural no Estado do Rio de Janeiro.

O "Boletras" nº 54 é, em suma, um espelho fiel da vitalidade institucional da Academia Fluminense de Letras em junho de 2026, reafirmando que, entre seus muros ou em visita pela cidade, a AFL mantém acesas as chamas da literatura e da cultura fluminense. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural









A TECELAGEM DE UM ELO: MEMÓRIAS E TRADIÇÕES EM SERRA NEGRA


04 de julho de 2026. Sob o céu límpido de uma Serra Negra que acolhia o frio das montanhas com o calor humano de quem sabe cultivar a amizade, um encontro suplantou o tempo. Não foi apenas uma excursão; foi o entrelace de almas movidas pelo mesmo propósito, uma tapeçaria tecida com os fios dourados da lusofonia e o pulsar vibrante da cultura que nos define. Quando o Elos Clube do Grande ABC, em um abraço fraterno, reuniu-se aos companheiros do Elos Clube de Praia Grande e do Elos Clube São Paulo-Sul, o que vimos não foi um simples ajuntamento de pessoas, mas a materialização de uma corrente poderosa, uma corrente onde cada elo importa, cada história se soma e cada tradição se renova. 

Neste cenário de natureza exuberante, as memórias foram despertadas. Caminhar pelas ruas de Serra Negra, entre risos e cliques que eternizavam momentos, foi como folhear o livro vivo de uma herança que não permite o esquecimento. Ali, em meio ao aconchego da cidade, a tradição lusíada, aquela que tempera nossa identidade com o sal da saudade e o açúcar da hospitalidade, ganhava vida. Entre os presentes, lideranças cuja dedicação é o alicerce de nossa causa: Vice-presidente do Elos Internacional Sidney Cardoso da França; a Diretora Internacional e presidente do Elos Clube Grande ABC, CE Márcia Maria Rodrigues; o governador DE-2, Geraldo Rodrigues; a tesoureira internacional, Selma França; e o ex-presidente do Elos Clube São Paulo-Sul, Antônio Rodrigues, acompanhado de sua esposa Patrocina. Eles, ao lado de tantos Elistas, familiares e entusiastas, provaram que a união não é apenas um conceito, é um movimento que se sente na pele.

Mas o ponto alto, o clímax dessa comunhão, aconteceu no palco do Serra Negra Palace Hotel. O "Arraiá Elista" não foi apenas uma festa; foi um ritual de resgate. Quando a música nordestina começou a preencher o salão, ele não trazia apenas a melodia da música popular, mas o eco das quadrilhas de outrora, o estalar das palmas e a alegria genuína de quem celebra a vida.

Ali, naquele palco, a história do movimento Elista foi recontada através de passos coreografados e sorrisos compartilhados. E, em um gesto de absoluta entrega à nossa cultura, a presença do marcador oficial da quadrilha surgiu com a energia de quem conduz não apenas uma dança, mas uma legião de amigos: o nosso Vice-presidente Internacional, Sidney Cardoso da França, acompanhado por sua esposa Selma. 

Cada comando dado por Sidney era uma ponte entre o passado e o presente. Ao guiar os elistas, ele não conduzia apenas movimentos; ele guiava a energia do grupo, transformando o salão de convenções em um espaço sagrado de confraternização. Foi um momento ímpar, onde o líder se mistura ao povo, onde a autoridade se dissolve na alegria do companheirismo e onde a cultura popular é celebrada na sua forma mais pura e contagiante. Ali, sob as luzes do salão, reafirmamos que o movimento Elista é, antes de tudo, um movimento de celebração humana. 

Ao olharmos para esse final de semana em Serra Negra, percebemos que o sucesso absoluto do evento não se mediu apenas pelos pontos turísticos visitados ou pelas fotos registradas, mas pela força invisível que uniu cada participante. O companheirismo, a união e a alegria foram os verdadeiros protagonistas. 

É, portanto, com imenso orgulho e reconhecimento que destacamos o papel fundamental do nosso Vice-presidente do Elos Internacional, Sidney Cardoso da França. Sua atuação neste evento, especialmente ao conduzir a quadrilha do Arraiá Elista com tanto maestria e entusiasmo, é o reflexo de um trabalho contínuo e abnegado. 

Sidney não apenas preserva as tradições, mas as faz vibrar. Sua dedicação incansável em prol da educação e da cultura é um líder para todos nós. Ele compreende, como poucos, que um movimento só se mantém forte quando suas raízes são nutridas pelo conhecimento, pela valorização cultural e pelo afeto. 

Parabéns, caro Vice-presidente Sidney Cardoso da França, pelo excelente trabalho, pela energia contagiante e por nos lembrar, através de gestos simples e profundos, que a educação e a cultura são, indubitavelmente, as colunas mestras sobre as quais construímos o futuro do nosso Elos Internacional e certamente a presidente Matilde Carone Slaibi Conti ficará orgulhosa de seu companheirismo. Que o seu comprometimento continue a inspirar, e que a nossa corrente de amizade se torne, a cada dia, mais sólida e inquebrável. 

Que a memória deste Arraiá em Serra Negra permaneça como um lembrete do que somos capazes de realizar quando nos reunimos sob a bandeira da amizade e da valorização das nossas raízes. 

Créditos das fotos: Compartilhadas pelo confrade Sidney C. França

Editorial © Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional