terça-feira, 14 de julho de 2026

MARIA AMÉLIA AMARAL PALLADINO: O VOO DA PALAVRA NA ETERNIDADE DAS LETRAS - HOMENAGEM (IN MEMORIAM) DO FOCUS PORTAL CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

Esta é uma ode à passagem, não um lamento. Hoje, 14 de julho de 2026, o silêncio que se instala não é de ausência, mas de uma plenitude que se transfigura. Maria Amélia Amaral Palladino, nossa querida e inesquecível companheira de letras, não partiu; ela apenas se retirou para a biblioteca infinita onde as grandes almas, finalmente, podem ler os originais de todas as poesias que aqui apenas vislumbramos. 

Falar de Maria Amélia é falar de uma luz que não se apaga, apenas muda de plano, como o sol que se põe para incendiar o horizonte de cores que nossos olhos, ainda terrenos, mal podem descrever. Ela foi, entre nós, o verbo que se fez carinho, a arquitetura de uma civilidade que parecia tecida em fios de seda e resistência. 

Nas academias que frequentamos, nas salas onde o ar vibrava com o peso das tradições e a leveza das novas ideias, a presença de Maria Amélia era um centro de gravidade. Não era uma liderança imposta por decretos, mas exercida pela força magnética de sua doçura culta. 

Lembro-me de vê-la entre os pares. Ela não entrava em um recinto; ela o iluminava. Havia nela uma dança silenciosa entre a autoridade de quem detém o saber e a humildade de quem está sempre aprendendo. Sentada à mesa, com aquela postura altiva que herdou da nobreza das letras, ela ouvia. E como ela ouvia! Quando falava, sua voz tinha a cadência de uma partitura bem executada. Ela não apenas debatia temas literários ou protocolos acadêmicos; ela dava vida ao pensamento. 

Para ela, a Academia não era um museu de mármore frio, mas um jardim. Um jardim onde cada escritor, cada acadêmico, era uma flor diferente que ela, como a jardineira mais dedicada, sabia regar com elogios precisos e críticas tão gentis que pareciam pétalas caindo sobre o nosso ego. Ela vivia o cotidiano acadêmico como uma celebração. Cada posse, cada conferência, cada café nos intervalos, era para ela um momento de comunhão. Ela via em nós, seus pares, seus amigos, a continuidade do que ela tanto amou: o idioma. 

Maria Amélia possuía o dom alquímico de transformar a formalidade em afeto. Quem a conheceu sabe: ela não tratava ninguém como uma peça em um tabuleiro institucional. Para Maria Amélia, cada pessoa era um livro aberto que ela fazia questão de ler com atenção. 

Havia em seu olhar um convite constante à amizade. Ela nos amava com a generosidade de quem entende que o amor é a única coisa que realmente justifica o esforço de escrever. Ela não escrevia apenas para os leitores; ela escrevia para nós, seus contemporâneos, deixando rastros de seu carinho em cada prefácio, em cada nota de rodapé, em cada bilhete manuscrito que, hoje, guardamos como relíquias. 

Sua vivência nas academias foi um testemunho de que o intelecto e o coração podem habitar a mesma morada. Ela provou que se pode ser rigorosa na gramática e infinita na ternura. Ela nos ensinou que a nossa pátria, a Língua Portuguesa, é um país sem fronteiras, onde o único documento de identidade exigido é a capacidade de se emocionar com uma metáfora bem colocada. 

Ao olharmos para a Cadeira que ela ocupava, para o lugar que ela habitava nas instituições que tanto amou, não vemos um vazio. Vemos a marca indelével de sua passagem. Ela nos deixou o mapa de um caminho que agora nos cabe trilhar com a mesma elegância. 

Maria Amélia é a brisa que sopra nas estantes da Academia. É o eco de um verso de Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Luiz de camões que ela declamava com um brilho singular nos olhos. É a segurança de sabermos que, mesmo na finitude do corpo, a palavra, essa que ela tanto honrou, permanece como um monumento inabalável. 

Não nos despedimos hoje de uma mestre; celebramos a existência de uma amiga que nos ensinou a arte de ser, de estar e de sentir. Ela foi a nossa bússola lírica. E, embora a ausência física seja um dado inevitável da nossa condição humana, o sentimento que nos une a ela é imortal. 

Maria Amélia, receba nosso preito de gratidão não como uma despedida, mas como um agradecimento pelo banquete que foi conviver com a sua alma. Que sua jornada agora seja de luz, de poesia e de toda a beleza que você, tão generosamente, semeou em nossos corações. Você continua viva em cada vírgula que colocamos, em cada palavra que escolhemos para expressar o que é belo. Você é, e sempre será, a nossa eterna e inesquecível companheira de letras.

Que o silêncio de hoje seja apenas o intervalo necessário para que a próxima estrofe de sua vida eterna comece a ser escrita. Nós seguiremos aqui, guardando a sua voz e celebrando, em cada encontro, o privilégio imenso que foi caminhar ao seu lado. O amor que sentimos não conhece a morte; ele se transforma em memória, e a memória, como você bem sabia, é a forma mais elevada de permanência. 

Nesta nova etapa da jornada, há o reencontro que a alma tanto anseia. Maria Amélia parte agora para os braços de seu amado Jácomo Palladino, que a precedeu no caminho para preparar, com o zelo de quem ama, o jardim da eternidade. Lá, onde o tempo não impõe distâncias, eles se reencontram para, juntos, caminharem sob o olhar sereno dos anjos e a luz infinita do Senhor do Universo, perpetuando o diálogo de amor e sabedoria que aqui apenas começaram a escrever.

Descanse em paz, querida e adorável companheira Maria Amélia. Ou melhor: siga em frente, na luz, onde os poetas nunca se calam. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 


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LOCAL DO VELÓRIO: Cemitério: São João Batista - Capela: 2 - Data: 16/07/2026 – quinta-feira-  Horário da Despedida: 09 às 12h - Endereço: Rua Lacerda de Almeida, nº 3 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ






INÍCIO DE SEMANA DE CELEBRAÇÃO E FILANTROPIA: CASA DA AMIZADE DE NITERÓI REAFIRMA SEU PAPEL SOCIAL E CELEBRA LEGADO HISTÓRICO

A cidade de Niterói acompanhou, nos dias 13 e 14 de julho, um exemplo emblemático de como o companheirismo e a dedicação voluntária transformam a realidade local. A Casa da Amizade de Niterói, sob a atual presidência de Heliane Abicalil, abriu suas portas para dois eventos distintos que sintetizaram, com precisão, a missão da instituição: promover a integração comunitária através do engajamento social e honrar o histórico de serviço de suas integrantes. 

Na segunda-feira, dia 13, a sede da instituição foi palco da tradicional "Tarde de Prêmios". O evento, que já se consolidou como uma das principais agendas de convivência da entidade, superou as expectativas de público. Com o salão completamente lotado, cento e dez pessoas reuniram-se em um ambiente marcado pela descontração e pelo espírito de colaboração. 

Mais do que o entretenimento proporcionado pelas rodadas de bingo e a oportunidade de confraternização, o evento desempenhou uma função estratégica para a continuidade das ações filantrópicas da Casa. A expressiva participação da comunidade niteroiense reitera o prestígio da instituição, transformando cada cartela adquirida em um investimento direto nos projetos assistenciais conduzidos pela organização. O sucesso de público evidenciou que a Casa da Amizade permanece como um polo de coesão social, onde o companheirismo e a ajuda mútua caminham lado a lado. 

Se a segunda-feira foi dedicada à dinâmica social, a terça-feira, dia 14 de julho, reservou um momento de profunda emoção e reconhecimento histórico. A Casa da Amizade celebrou, com uma cerimônia repleta de significado, o aniversário de 102 anos da amiga Lourdes Araújo. 

A celebração enlaçava a marca centenária; tratava-se de um tributo a uma trajetória de vida indissociável da própria história da entidade. Com 60 anos dedicados à Casa da Amizade, Lourdes Araújo representa a alma do voluntariado niteroiense. Mesmo após seis décadas de atuação ininterrupta, ela mantém-se como uma força ativa, colaborando constantemente com a "Obra do Berço", um dos pilares assistenciais da Casa da Amizade. 

O evento contou com uma expressiva presença de amigas e voluntárias, transformando o aniversário em um ato de reverência. Para a atual gestão, celebrar uma decana como Lourdes é um exercício de honra e um lembrete do impacto que o serviço voluntário dedicado produz ao longo das décadas.

A longevidade de sua atuação e sua lucidez na continuidade dos trabalhos demonstram que, na Casa da Amizade, o tempo atua não como um fim, mas como um fortalecimento do propósito de servir. 

Sob a liderança da presidente Heliane Abicalil, a Casa da Amizade de Niterói demonstra um dinamismo que equilibra a tradição das homenagens históricas com a eficiência das ações de mobilização social. O início da semana dia 13 e 14 de julho não foi apenas um registro cronológico de eventos, mas uma reafirmação de que a instituição segue viva, relevante e essencial para o tecido social de Niterói.

Ao unir a comunidade em torno de causas nobres e celebrar aqueles que dedicaram suas vidas ao trabalho voluntário, a Casa da Amizade continua a cumprir seu papel de ser um agente de transformação, inspirando as futuras gerações através do exemplo vivo de suas integrantes. 

Créditos das fotos, compartilhadas à nossa editoria por Angela Cristina Ferreira de Siqueira

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



























DAVID SINGER DO PIAUÍ PARA A PAULISTA: A VOZ QUE ENCANTOU SÃO PAULO E O COMPROMISSO DO FOCUS PORTAL CULTURAL COM A NOSSA IDENTIDADE - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Há trajetórias que não apenas merecem ser contadas, mas que exigem ser celebradas como um hino de resistência, talento e esperança. Quando olhamos para a história de David Singer, não estamos vendo apenas o sucesso de um artista nas redes sociais; estamos diante da força inabalável de um filho do Piauí que, armado com um violão, microfone e uma voz singular, conquistou o coração da selva de pedra chamada São Paulo. 

David Singer, hoje com 22 anos, traz em seu DNA a vivacidade piauiense. O despertar para a música não aconteceu em grandes palcos, mas dentro de casa, ainda na infância, aos 8 anos. Inspirado por ícones globais que via na TV e em DVDs que a mãe trazia, ele começou a desenhar um destino diferente para sua vida. A decisão de profissionalizar-se aos 15 anos, após um show de talentos, foi o divisor de águas. Naquele momento, o menino piauiense compreendeu que o dom não bastava; era preciso coragem. 

A realidade, porém, foi dura. Sem recursos financeiros, o caminho para o sucesso não foi um tapete vermelho, mas um canteiro de obras. David trabalhou como servente de pedreiro, suando a camisa para comprar o instrumento que seria sua ponte para o futuro: seu primeiro violão. Autodidata, ele transformou o aprendizado solitário em arte, gravando vídeos e compartilhando sua essência com um mundo que ainda não sabia quem ele era. 

Mudar-se para São Paulo aos 19 anos foi um ato de coragem suprema. A capital paulista, implacável com quem chega sem rede de apoio, testou os limites de David. Dificuldades financeiras o forçaram a retornar a Teresina, mas o retorno ao Piauí não foi uma derrota; foi um intervalo estratégico. O retorno a São Paulo, desta vez marcado pela venda de brigadeiros nas ruas para garantir o sustento, demonstra a resiliência do nordestino. Entre vender doces e buscar contatos musicais, ele persistia. 

Foi na Avenida Paulista, o coração pulsante do Brasil, que David encontrou seu púlpito. O vídeo que viralizou, um homem cantando na chuva, ignorando o temporal para entregar sua arte, é uma metáfora poderosa de sua vida. A água que caía não apagou o fogo do seu talento; ao contrário, a cena comoveu milhões. A imagem de David, desafiando as intempéries, tornou-se o símbolo de sua marca registrada: a entrega total, a paixão pela música que transcende barreiras geográficas e linguísticas, com seus hits internacionais cantados com a alma.

É aqui que o Focus Portal Cultural entra. Como alguém que também conhece as dores e as delícias de ser nordestino, meu objetivo com este canal sempre foi dar luz àqueles que, como David, carregam a nossa cultura e a nossa garra pelo mundo. O apoio do Focus não é apenas uma divulgação; é um reconhecimento de identidade. Estamos acompanhando de perto a transição de David dos “covers” para o trabalho autoral. Preparar o lançamento de músicas próprias é o passo decisivo para a consagração definitiva de um artista. O Focus Portal Cultural abraça a causa de David Singer porque ele representa a dignidade de quem trabalha duro e a beleza de quem ousa sonhar alto. Acredito que o Brasil precisa conhecer não apenas a voz de David, mas a sua história, a história de um servente de pedreiro que se tornou o cantor das multidões. 

Há quem se pergunte sobre a escolha do repertório em inglês, mas uma análise atenta revela o contrário de qualquer tentativa de apagamento. Quando David canta em inglês, ele não se afasta do Piauí; ele projeta o Piauí para o mundo. O idioma, aqui, torna-se apenas um veículo, uma ponte que conecta a sensibilidade de um artista piauiense a uma linguagem universal. Não se trata de uma substituição, mas de uma expansão. David carrega consigo a característica marcante dos grandes intérpretes dos anos 90, aquela entrega técnica e emocional que parece ter sido refinada por uma alma que entende de profundidade. 

O mais fascinante é observar que ele não precisa de artifícios ou caricaturas. Sua postura no palco, ou na esquina da Avenida Paulista, evoca a classe e a presença de cena de grandes astros internacionais, mas basta um breve momento de pausa para que seu olhar revele a verdade: o brilho ali contido reflete, indiscutivelmente, as raízes de sua terra natal. É uma fusão harmoniosa entre o cosmopolita e o regional. O Focus Portal Cultural compreende o apoio a esse artista como uma missão de preservação da nossa dignidade, pois reconhecemos nele a prova de que o nordestino está pronto para ocupar qualquer espaço, mantendo a autenticidade intacta.

Apoiar David é um lembrete poderoso para cada jovem nas periferias de Teresina ou em qualquer cidade do nosso interior: o mundo é o limite, e a sua bagagem cultural é o seu maior trunfo. A voz deles importa. O trabalho braçal de hoje é, muitas vezes, o degrau invisível que sustenta a confiança necessária para brilhar amanhã. 

A força da música de David reside, justamente, nessa autenticidade sem filtros. Em um mercado muitas vezes padronizado por fórmulas prontas, ele traz a crueza da rua e a emoção genuína de quem canta para quem passa. Não há máscaras entre a verdade que emana de seu violão e o olhar atento de quem o uve. Em um cenário digital tão impessoal, a performance de David, como aquela inesquecível sob a chuva da Avenida Paulista, resgata a humanidade da arte e nos lembra de que, não importa o idioma, a alma de um artista sempre falará a língua de suas raízes.

Convido cada leitor do nosso portal, cada piauiense que espalha nossa cultura pelo mundo e cada brasileiro que valoriza a trajetória de superação, a continuar apoiando o David. A internet nos deu a ferramenta da viralização, mas cabe a nós transformar esse sucesso passageiro em uma carreira sólida e duradoura.

O Focus Portal Cultural seguirá sendo um espaço de acolhimento e promoção para David Singer, porque o sucesso dele é, de certa forma, uma vitória de todos nós que, do Norte ao Sul do país, insistimos em acreditar nos nossos sonhos. David, o Piauí o olha com orgulho, e o Focus Portal Cultural está ao seu lado. Que a chuva de sucesso continue caindo, mas que você nunca precise mais enfrentar as tempestades da vida sozinho. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 


Crédito do vídeo: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/07/10/cantor-david-singer-viraliza.ghtml




VALMIRA CRISTOFORI E O CONVITE AO INFINITO: UMA CRÔNICA SOBRE A LEITURA

Às vezes, o tempo parece um rio apressado, levando consigo a calma necessária para o essencial. É nesse compasso acelerado que a nossa companheira Valmira Cristofori, com a serenidade de quem conhece o valor de uma pausa bem escolhida, nos traz hoje um lembrete valioso, um "TBT" que suplanta o registro digital: "Dica para o dia: Leia um livro!".

 

Este convite não é apenas uma sugestão de hábito; é um chamado para a expansão. Como bem definiu Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". E, ao abrir um livro, não apenas lemos palavras; construímos mundos, habitamos outras épocas e, fundamentalmente, nos descobrimos. Ler é um ato de resistência contra a superficialidade. Em meio à rapidez das telas, Valmira nos convida a desacelerar e a mergulhar na profundidade das páginas.

 

Essa sugestão ganha um peso ainda mais especial vindo de quem conhece o ofício das letras por dentro. Afinal, Valmira Cristofori não apenas recomenda a leitura; ela a cultiva como autora. Quem acompanha sua trajetória lembra com carinho daquela noite memorável de 25 de março de 2025, quando, no auditório do curso de Direito da Universo, ela apresentou sua obra "A Busca e o Encontro". Com eloquência e paixão, ela nos deu um "spoiler" daquele universo, momento que contou com as palavras inspiradoras de nossa querida Matilde Slaibi Conti, prefaciadora da obra. E, não poderíamos esquecer, aquela celebração culminou de forma brilhante em 16 de junho de 2025, durante a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, no stand da Editora Autografia, onde a obra foi celebrada como um verdadeiro marco da jornada humana.

 

Jorge Luis Borges, um dos maiores arquitetos de bibliotecas imaginárias, dizia que "a leitura deve ser uma das formas de felicidade". Quando a Valmira compartilha essa dica, ela compartilha, na verdade, um estado de espírito. É a possibilidade de encontrar, em um volume esquecido na estante ou em uma nova aquisição, a resposta para um dilema ou o conforto para uma angústia. O livro é o espelho que nos devolve, muitas vezes, facetas de nós mesmos que ainda não tínhamos a coragem de encarar.

 

Como jornalista e escritor, vivendo aqui em Niterói, essa mensagem ressoa como um eco de tudo o que acredito. A leitura é a ponte que liga o "nordestino que carrego na alma" ao mundo universal que busco informar em meu portal cultural. É através da literatura que exercitamos a empatia, que nos tornamos, como diria Clarice Lispector, capazes de sentir o que o outro sente, mesmo sem jamais ter tocado em sua mão.

 

Ao olhar a foto da Valmira, com seu olhar atento e o convite impresso, lembro-me das minhas próprias tardes de leitura, tomando um cafezinho, ou das reflexões que faço aqui do meu escritório em Icaraí, olhando para a Baía da Guanabara. Há uma conexão invisível entre quem recomenda uma leitura e quem a acolhe. É um pacto de afeto.

 

Portanto, aceite o conselho da nossa companheira. Escolha um livro, não pelo dever, mas pelo prazer da descoberta. Que esta dica de hoje não seja apenas mais uma postagem em sua rede social, mas o início de uma viagem. Pois, como nos lembrou de tantas vezes minha mestra Dalma Nascimento, o saber é um universo em constante expansão, e o livro é a chave mestra para abrir todas as portas. O convite está feito. O horizonte é imenso. Boa leitura! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




ÓPERA DON PASQUALE SERÁ APRESENTADA NO THEATRO SÃO PEDRO

 

Obra-prima de Gaetano Donizetti terá direção musical de Ira Levin e direção cênica de Lívia Sabag, com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho de 2026. 

Na sequência da temporada lírica 2026, o Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, irá apresentar a ópera Don Pasquale, do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797–1848). Com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho, a montagem terá direção musical de Ira Levin, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, e concepção e direção cênica de Lívia Sabag. Os ingressos custam entre R$ 41 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira) e estão disponíveis no site do teatro. 

Escrita no início década de 1840, quando Gaetano Donizetti vivia em Paris, Don Pasquale foi sua última ópera cômica e uma de suas últimas obras. Se em 1839, ao escrever La Fille du Régiment, ele adaptou a peça às exigências do estilo da ópera cômica francesa, em Don Pasquale as raízes são totalmente italianas, com personagens sendo tipos modernizados da commedia dell'arte. A ação se passa em Roma e a história gira em torno de uma premissa cômica clássica: um jovem casal apaixonado planeja frustrar os planos de um velho rico, que deseja se casar com a moça. Para atingir seu objetivo, eles contarão com a ajuda de um astuto estrategista, espécie de “falso amigo” do antagonista da história. 

Como se pode imaginar, é o amor jovem que triunfa sobre a hipocrisia da velhice. Resolvido o impasse, todos se reconciliam e vivem felizes para sempre. A tensão, portanto, reside nos meios necessários para se atingir o final presumido – uma fórmula que serviu à comédia desde o teatro romano, e que já havia sido explorada na ópera por outros autores, como Mozart e Rossini. Ainda assim, Don Pasquale resulta numa comédia eficiente e original, que demonstra o talento de Donizetti para o humor centrado nos personagens.

“Don Pasquale, de Donizetti, juntamente com Elisir d'amore, é a maior ópera cômica italiana do século XIX. É uma obra musicalmente mais rica que Elisir, com o mesmo nível de inspiração lírica, mas tecnicamente mais avançada, especialmente em termos de orquestração, o que a torna bastante desafiadora de executar”, destaca o maestro Ira Levin. 

Don Pasquale se insere na fase madura de Donizetti, com estilo marcado por maior profundidade emocional e sofisticação. O libreto de Don Pasquale foi escrito por Giovanni Ruffini (1807–1881), poeta e patriota genovês que vivia exilado em Paris. Donizetti, contudo, fez tantas alterações no texto que Ruffini se recusou assiná-lo. A orquestração da obra pode ser considerada leve para os padrões modernos, mas certamente não o era para o público que a ouviu pela primeira vez, em meados do século XIX. Isso porque os recitativos são todos acompanhados pela orquestra, ao invés de um cravo (prática mais comum em óperas cômicas do período). Como resultado, há uma passagem mais sutil dos diálogos para as árias e outras partes cantadas.

Tal como em sucessos anteriores, em Don Pasquale convivem a beleza lírica e o virtuosismo vocal, muitas vezes exigindo que os cantores executem passagens complexas de coloratura com profundidade emocional. Ao mesmo tempo, as trocas de farpas entre Pasquale e seus antagonistas são equilibradas por momentos tocantes em que Donizetti humaniza o personagem título e nos permite sentir empatia por ele. Da mesma forma que outras de suas óperas (e tal qual faziam outros compositores, a exemplo de Rossini), Don Pasquale foi composta muito rapidamente. Donizetti escolheu o elenco a dedo entre os cantores mais famosos da época, com os quais já havia trabalhado. O compositor conhecia suas habilidades vocais e dramáticas e confiava neles para lidar com o desafiador material vocal que o trabalho representa para os intérpretes. 

Don Pasquale estreou no Théâtre Italien, em Paris, a 3 de janeiro de 1843 e foi um triunfo pessoal e financeiro para Donizetti, que lucrou com os direitos autorais de apresentações, com vendas da partitura vocal e com arranjos das melodias da ópera. A estreia foi um sucesso estrondoso e, antes do final do ano, Don Pasquale já podia ser vista nos grandes teatros de ópera da Europa. Dois anos depois, cruzava o Atlântico e era apresentada nos EUA e, em 1853, teve sua estreia brasileira no Teatro Provisório, do Rio de Janeiro. 

Transmissão ao vivo

A récita do dia 15 de julho será transmitida online e de forma gratuita pelo canal de Youtube do Theatro São Pedro 

Don Pasquale

Orquestra do Theatro São Pedro

Ira Levin, direção musical

Livia Sabag, concepção e direção cênica

Daniela Gogoni, cenografia

Valéria Lovato, iluminação e cenógrafa associada

Fabio Namatame, figurino

Tiça Camargo, visagismo

Bruno Costa, regente coral

Fabio Bezuti, preparador vocal

Mateus Araújo, assistência de direção musical e preparador vocal

Menelick de Carvalho, direção de movimento e assistência de direção cênica

Ronaldo Zero, direção de palco 

Rodrigo Esteves, Don Pasquale

Raquel Paulin, Norina

Guilherme Moreira, Ernesto

Santiago Villalba, Dr. Malatesta

Gustavo Lassen, Notário

Chica Portugal, Francesca


GAETANO DONIZETTI (1797-1848) 

Don Pasquale - 150’

Ensaio geral aberto e gratuito: 08 de julho, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 10, 12, 15, 17 e 18 de julho

Quarta, sexta-feira e sábado às 20h; domingo às 17h, Theatro São Pedro

 

Ingressos: aqui

Plateia central - R$ 62 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira)

1º Balcão superior - R$ 51 (meia-entrada) e R$ 102 (inteira)

2º Balcão superior - R$ 41 (meia-entrada) e R$ 82 (inteira)

Classificação etária: 12 anos 

THEATRO SÃO PEDRO 

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país. 

SANTA MARCELINA CULTURA 

Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019 e de 2025, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs em 2019, 2020 e 2025, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas. Criada em 2008, é responsável pela gestão do GURI e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim). O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores, instrumentistas, libretistas e compositores para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro. Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Guri, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na Apple Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”.

Ópera Don Pasquale, de Gaetano Donizetti, no Theatro São Pedro.

Crédito: Lucca Mezzacappa

Comunicação | Santa Marcelina Cultura - Theatro São Pedro

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 



















O THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO CELEBRA 117 ANOS: UM TEMPLO DA CULTURA BRASILEIRA

 

O Focus Portal Cultural, sob a curadoria do jornalista Alberto Araújo, registra no quadro Efemérides a celebração dos 117 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, comemorados em 14 de julho de 2026. Inaugurado em 1909, o teatro é um dos mais importantes símbolos da cultura nacional e, ao longo de mais de um século, consolidou-se como espaço de excelência artística e patrimônio histórico da cidade. A data foi marcada por uma programação gratuita que incluiu apresentações da Banda dos Fuzileiros Navais e a encenação da ópera Salvator Rosa, reafirmando o caráter democrático e plural do teatro, que abre suas portas para o público em momentos de grande relevância cultural. 

Localizado na Cinelândia, coração do centro do Rio de Janeiro, o Theatro Municipal nasceu como parte do projeto de modernização urbana conduzido pelo prefeito Pereira Passos, que transformou a capital em uma metrópole inspirada nos boulevards parisienses. A obra, concluída na gestão de Souza Aguiar, foi concebida pelo arquiteto Francisco de Oliveira Passos, com colaboração do francês Albert Guilbert, e inspirada na Ópera de Paris de Charles Garnier. Erguido sobre mil e seiscentas estacas de madeira fincadas no lençol freático, o edifício foi decorado por artistas renomados como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli, além de artesãos europeus responsáveis por vitrais e mosaicos. 

Desde sua inauguração, o Theatro Municipal tornou-se palco de grandes momentos da cultura nacional e internacional. Apesar do nome, não pertence ao município, mas ao Estado do Rio de Janeiro, sendo atualmente administrado pela Fundação Theatro Municipal, presidida por Clara Paulino, com Eric Herrero como diretor artístico e Maria Thereza Ribeiro Fortes como vice-presidente. O teatro conta com corpos artísticos próprios a Orquestra Sinfônica, o Coro e o Ballet do Theatro Municipal e mantém vínculo com a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, formando gerações de artistas. 

Nos primeiros anos, companhias estrangeiras dominavam sua programação, mas em 1931 a criação da Orquestra Sinfônica inaugurou uma nova fase, valorizando a produção nacional. Desde então, o palco recebeu nomes lendários como Maria Callas, Renata Tebaldi, Arturo Toscanini, Sarah Bernhardt, Bidu Sayão, Heitor Villa-Lobos, Igor Stravinsky, Paul Hindemith, Ruth de Souza e Alexander Brailowsky, entre outros. Em 2011, o teatro viveu um momento histórico ao receber o presidente americano Barack Obama, que discursou ao povo brasileiro e reconheceu o país como uma das maiores democracias do mundo contemporâneo. 

O interior do teatro é uma verdadeira obra de arte. Eliseu Visconti é o artista com maior presença na ornamentação, responsável pelo majestoso pano de boca A Influência das Artes sobre a Civilização, considerado a maior tela já pintada no Brasil, além das pinturas do teto, do friso sobre o palco e do foyer. Rodolfo Amoedo e Henrique Bernardelli contribuíram com pinturas nas rotundas e tetos, enquanto Rodolfo Bernardelli assinou esculturas que conferem imponência ao espaço. No subsolo, o restaurante Assirius surpreende com sua decoração em estilo assírio, reforçando o ecletismo do conjunto arquitetônico. 

Ao longo de sua história, o Theatro Municipal passou por reformas e ampliações que garantiram sua preservação e modernização. Em 1934, sua capacidade foi ampliada para 2.205 lugares, chegando posteriormente ao número atual de 2.361. Em 1975, foi fechado para restauração e reaberto em 1978, com a criação da Central Técnica de Produção. Em 1996, ganhou um edifício anexo, que passou a abrigar ensaios e atividades dos corpos artísticos, garantindo melhores condições para a intensa programação anual. 

Celebrar os 117 anos do Theatro Municipal é celebrar a própria história da cultura brasileira. Mais do que um espaço de espetáculos, o teatro é um templo das artes, um lugar onde o passado e o presente se encontram para projetar o futuro. Sua trajetória reflete os desafios e conquistas de um país que aprendeu a valorizar a arte como expressão de identidade e liberdade.

O Focus Portal Cultural, ao registrar esta efeméride, reafirma o compromisso com a preservação da memória e da cultura nacional. O Theatro Municipal é, e continuará sendo, o coração pulsante da arte brasileira, um monumento que transcende o tempo e inspira gerações. Celebrar seus 117 anos é celebrar o próprio espírito do Brasil, vibrante, plural e eternamente apaixonado pela arte.

© Alberto Araújo

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