terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AÇÃO JURÍDICA - PODCAST EPISÓDIO 19 COM DR. NAGIB SLAIBI FILHO E DRA. KARIN DIAS

(Clicar na imagem para assistir)

Ação Jurídica - Podcast Episódio 19: Fato como fundamento do direito subjetivo: art. 357 CPC



 


EDITAIS LIBERADOS! INSCRIÇÕES ABERTAS! FEIRA DO LIVRO DE LISBOA 2026

É com enorme alegria que a Rede Sem Fronteiras anuncia a abertura, a partir de hoje, das inscrições para participação — presencialmente ou por representação — em dois dos mais importantes encontros do universo editorial: a Feira do Livro Infantil de Bolonha e a 96ª Feira do Livro de Lisboa. 

Mais do que eventos, estas feiras são portas abertas para novas conexões, visibilidade internacional, trocas culturais e experiências que marcam trajetórias. É uma oportunidade real de ampliar horizontes, fortalecer projetos autorais e viver o pulsar da literatura em ambientes inspiradores e vibrantes. 

O regulamento de cada feira pode ser acessado nos links abaixo, e as fichas de inscrição estão disponíveis para download no link indicado ao final de cada regulamento.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA –

2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivroinfantildebolonha.com/


96ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA – 2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivrodelisboa.com/


É importante salientar que as inscrições para a Feira do Livro Infantil de Bolonha são exclusivas para os 20 primeiros membros oficiais da RSF que entrarem em contato, em função da limitação de espaço. Portanto, recomendamos que os interessados entrem em contato o quanto antes.

Já a Feira do Livro de Lisboa é aberta também a não membros. No entanto, apenas os membros oficiais terão 50% de desconto no investimento de participação, além da possibilidade de acesso aos eventos off-feira. 

Os principais eventos off-feira já contam com datas previstas e, muito em breve, divulgaremos mais detalhes sobre a logística de participação, programação e organização.

  • Almoço de boas-vindas (28/05)
  • Passeios de barco no Rio Tejo, com brunch a bordo (31/05)
  • Jantar com apresentação de Fado (06/06)
  • Clube do Livro Silencioso da RSF (07/06)
  • Piquenique Literário no Parque Eduardo II (10/06)
  • II Encontro Internacional de Escritoras (11/06)
  • Jantar de Gala, com cerimônia de homenagens (12/06) 

À medida que os escritores forem se inscrevendo, também serão liberadas informações práticas sobre hotéis, deslocamentos e dicas de viagem, para que todos possam se planejar com tranquilidade e aproveitar ao máximo essa experiência.

Em caso de dúvidas, nossa Diretora de Projetos, Cátia Pires, estará à disposição — exclusivamente em horário comercial — pelo

 e-mail diretoriadeprojetos@redesemfronteiras.com 

ou via WhatsApp.

Fica o convite: venha fazer parte desta jornada, representar sua obra, sua voz e a força da nossa rede em dois palcos que respiram livros, ideias e encontros inesquecíveis.


Esperamos você!

Equipa Organizadora

Rede Sem Fronteiras










 

20 DE JANEIRO - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL 166 ANOS DE ANTÔNIO PARREIRAS - O PINTOR DA PAISAGEM BRASILEIRA

No dia 20 de janeiro de 2026, celebramos os 166 anos de nascimento de Antônio Diogo da Silva Parreiras, pintor, desenhista, ilustrador, escritor e professor que se tornou um dos grandes nomes da arte brasileira. Sua trajetória é marcada pela força da paisagem como gênero artístico e pela capacidade de transformar a natureza em poesia visual. Nascido em Niterói em 1860, Parreiras cresceu em um ambiente cultural em que a influência europeia era dominante, mas desde cedo buscou construir uma linguagem própria, capaz de traduzir o Brasil em cores, formas e atmosferas. Ao longo de sua vida, produziu mais de 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro, e realizou 39 exposições, consolidando-se como referência incontornável da pintura nacional. 

A arte de Parreiras é inseparável da paisagem. Ele não se limitava a reproduzir cenários, mas interpretava atmosferas, captava emoções e revelava o sublime dos instantes em que a natureza se mostrava grandiosa. Suas telas revelam florestas densas, campos abertos, mares revoltos e céus dramáticos, sempre carregados de significados. O pintor buscava retratar o Brasil ainda intocado, como se fosse possível congelar o momento em que a terra se apresentava pura e majestosa. Essa visão o aproximou do romantismo tardio, mas também o projetou como um dos primeiros artistas a consolidar a paisagem como gênero central da arte nacional. Em suas obras, o espectador encontra não apenas árvores, rios e montanhas, mas um discurso sobre identidade, pertencimento e brasilidade. 

Sua formação começou na Academia Imperial de Belas Artes, em 1883, quando já tinha 23 anos, idade considerada tardia para ingressar no universo artístico. Pouco depois, rompeu com a instituição para seguir o caminho da pintura ao ar livre, inspirado pelo alemão Georg Grimm. Essa decisão marcou sua trajetória: preferiu a liberdade criativa ao rigor acadêmico, organizando exposições em sua própria casa, em Niterói, e vendendo obras de forma comunitária. Foi nesse contexto que recebeu a visita de Dom Pedro II, em 1886, episódio fundamental para sua carreira, já que o imperador adquiriu duas de suas telas, conferindo-lhe reconhecimento e prestígio. Esse encontro abriu portas para que Parreiras pudesse viajar à Europa, onde montou ateliê em Paris e participou de salões internacionais, tornando-se o segundo pintor brasileiro a expor no Salão de Paris e, em 1911, delegado da Sociedade Nacional de Belas-Artes. 

Entre Brasil e França, Parreiras construiu uma carreira que unia o reconhecimento internacional ao compromisso com a arte nacional. Realizou encomendas oficiais para edifícios públicos, como o Palácio do Catete, o Supremo Tribunal Federal e a Câmara Municipal de São Paulo. Essas obras revelam como sua pintura se tornou parte da construção simbólica da nação, integrando arte e política. Sua tela Sertanejas, por exemplo, decorou os salões do Palácio do Catete, enquanto painéis seus ornamentaram a sede do Supremo Tribunal Federal. Em São Paulo, o Salão Nobre da Câmara Municipal e o Gabinete do Prefeito receberam obras suas como elementos decorativos, reforçando a presença da arte de Parreiras nos espaços de poder.

Além da pintura, Parreiras deixou textos e discursos que revelam sua visão crítica sobre o papel da arte. Criticava a valorização excessiva da produção europeia em detrimento da nacional e defendia a criação de uma arte brasileira autêntica, capaz de expressar o espírito do país. Em suas memórias, descreveu com emoção os primeiros contatos com a arte, lembrando que foi ao ver um pintor trabalhar e ao ouvir um poeta declamar versos que descobriu a estrada que seguiria por toda a vida. Essa dimensão intelectual e literária complementa sua obra plástica, mostrando um artista que pensava a arte como instrumento de civilização e transformação social. Em discursos na Academia Fluminense de Letras, afirmava que o grande valor dado à arte europeia pela academia e pelos críticos dificultava o desenvolvimento de uma arte nacional, e denunciava o preconceito social contra os artistas, vistos como figuras marginais em um país que ainda não reconhecia plenamente a profissão. 

O sucesso de Parreiras é motivo de estudo e análise profunda, principalmente por sua inserção no embrionário mercado de artes que se formava entre os séculos XIX e XX no Brasil. O pintor obteve sustento proveniente da venda de suas obras, num momento em que o mercado de arte ainda era instável e incipiente. Essa capacidade de viver da pintura, organizando exposições próprias e comercializando suas telas, revela não apenas talento artístico, mas também habilidade empreendedora. Em 1927, foi homenageado com um busto em bronze, esculpido por Marc Robert, inaugurado em Niterói, gesto que simboliza o reconhecimento público de sua importância. 

Grande parte de sua vida adulta foi passada num período de nacionalismo exacerbado e grande exaltação patriótica, o que explica a presença desses elementos em sua obra e em seus discursos. Parreiras considerava-se um indivíduo autônomo, que manifestava um forte desejo de mudança social no âmbito hierárquico, o que o impedia de ascender plenamente como sujeito artista e criador. Sua pintura, no entanto, conseguiu romper barreiras e afirmar-se como expressão de uma identidade nacional. Ao longo de sua carreira, experimentou diversos formatos de reconhecimento público, tanto no Brasil quanto no exterior, consolidando-se como figura central da arte brasileira. 

Celebrar os 166 anos de Antônio Parreiras é reafirmar a importância da arte como patrimônio cultural. Sua obra não é apenas pintura: é memória, identidade e poesia visual. Ele transformou paisagens em símbolos, deu ao Brasil uma arte que dialoga com o mundo, mas que nasce da terra e da emoção nacional. Seu legado permanece vivo, inspirando artistas e encantando públicos, lembrando-nos de que preservar a memória de Parreiras é também preservar a história e a alma do Brasil. O Museu Antônio Parreiras, instalado em sua antiga residência em Niterói, guarda parte significativa de sua produção e mantém viva sua memória, permitindo que o público de hoje e do futuro continue a dialogar com sua arte.

A trajetória de Antônio Parreiras não pode ser compreendida apenas pela análise de suas telas, mas também pelo contexto histórico em que se insere. O Brasil da segunda metade do século XIX vivia intensas transformações: o fim da escravidão se aproximava, o Império dava sinais de desgaste e a República surgia como horizonte político. Nesse cenário, a arte desempenhava papel fundamental na construção de uma identidade nacional. Parreiras, ao escolher a paisagem como tema central, oferecia ao público uma visão do país que ia além da política e da economia: mostrava o Brasil em sua dimensão natural, grandiosa e sublime. Suas telas eram, ao mesmo tempo, contemplação estética e afirmação cultural. 

O rompimento com a Academia Imperial de Belas Artes, em 1884, foi um gesto de ousadia que o aproximou do movimento de renovação artística liderado por Georg Grimm. Ao optar pela pintura ao ar livre, Parreiras não apenas buscava fidelidade à natureza, mas também se posicionava contra os modelos rígidos e idealizados da academia. Essa escolha o colocou em sintonia com tendências europeias, como o impressionismo, mas sem perder o vínculo com a realidade brasileira. Suas paisagens não eram apenas exercícios de técnica, mas interpretações carregadas de emoção, em que o artista buscava traduzir o impacto da natureza sobre o olhar humano.

A recepção de sua obra no Brasil revela a complexidade de sua posição. De um lado, foi celebrado por encomendas oficiais e reconhecido por instituições públicas; de outro, enfrentou críticas por sua insistência em valorizar a arte nacional em um ambiente ainda dominado pela admiração pela Europa. Em seus discursos, denunciava o preconceito contra os artistas e defendia que a pintura brasileira deveria ser capaz de expressar o espírito do país. Essa postura o aproximava de um discurso nacionalista, mas também revelava sua consciência da necessidade de autonomia cultural. 

Entre suas obras mais significativas, destacam-se aquelas que retratam a natureza em estado de força e beleza, como as telas de florestas e mares, mas também as que abordam temas históricos e sociais. Sertanejas, por exemplo, não é apenas uma cena de mulheres do interior: é uma representação da brasilidade, da vida simples e da dignidade do povo. Ao decorar o Palácio do Catete com essa tela, Parreiras inscreveu a cultura popular no espaço do poder, gesto que revela sua intenção de aproximar arte e sociedade. Da mesma forma, os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo mostram como sua obra se tornou parte da construção simbólica da nação.

A crítica contemporânea reconhece em Parreiras um artista que soube transitar entre o romantismo e o realismo, entre a contemplação estética e o compromisso social. Sua pintura é marcada por uma paleta vigorosa, pelo uso expressivo da luz e pela composição equilibrada, mas também pela capacidade de transmitir emoção. Ao longo de sua carreira, experimentou diferentes estilos e técnicas, mas manteve sempre a paisagem como núcleo de sua produção. Essa fidelidade ao gênero revela não apenas uma escolha estética, mas também uma convicção: a de que a natureza brasileira era digna de ser celebrada e eternizada na arte. 

O impacto de sua obra se estende para além de sua época. Ao viver da venda de suas pinturas, Parreiras antecipou a profissionalização do artista em um mercado ainda incipiente. Sua capacidade de organizar exposições próprias e de comercializar suas obras de forma independente mostra um espírito empreendedor que dialoga com a modernidade. Ao mesmo tempo, sua produção literária e seus discursos revelam um intelectual preocupado com o papel da arte na sociedade. Essa combinação de artista e pensador faz de Parreiras uma figura singular na história cultural do Brasil. 

Hoje, ao visitar o Museu Antônio Parreiras em Niterói, é possível compreender a dimensão de seu legado. As telas expostas não são apenas obras de arte: são testemunhos de uma época, de um país em transformação e de um artista que soube captar a essência da natureza e da identidade nacional. Celebrar seus 166 anos é, portanto, mais do que lembrar um pintor: é reafirmar a importância da arte como memória, como patrimônio e como expressão da alma brasileira.

Entre as mais de 850 pinturas realizadas por Antônio Parreiras, algumas se destacam não apenas pela qualidade estética, mas também pelo impacto cultural e histórico que tiveram. A seguir, apresento uma ampliação crítica, em texto corrido, dedicada a algumas de suas obras mais emblemáticas, que ajudam a compreender a dimensão de seu legado. 

Uma das telas mais conhecidas de Parreiras é “A Retirada da Laguna”, obra que retrata um episódio da Guerra do Paraguai. Nela, o artista não se limita a representar o fato histórico, mas imprime dramaticidade e emoção à cena, destacando o sofrimento dos soldados brasileiros em meio à natureza hostil. A composição revela sua habilidade em unir paisagem e narrativa, transformando o cenário em protagonista da ação. O céu carregado, as figuras fatigadas e a vastidão do espaço criam uma atmosfera de dor e resistência, que ultrapassa o registro documental e se torna símbolo da memória nacional. Essa tela é exemplo de como Parreiras soube dialogar com o romantismo histórico, sem perder a força da paisagem como elemento central. 

Outra obra significativa é “Sertanejas”, adquirida para decorar o Palácio do Catete. A tela apresenta mulheres do interior em sua vida cotidiana, mas a simplicidade da cena é elevada à dignidade artística. Ao colocar figuras populares em um espaço de poder, Parreiras inscreve a cultura popular na narrativa oficial da nação. A paleta terrosa, os gestos contidos e a serenidade das personagens revelam sua intenção de valorizar o Brasil profundo, aquele que não se via representado nas academias ou nos salões europeus. “Sertanejas” é, portanto, uma afirmação da brasilidade, um gesto político e cultural que aproxima arte e povo. 

No campo da paisagem pura, obras como “Paisagem Fluminense” revelam o olhar contemplativo de Parreiras sobre sua terra natal. Niterói e o entorno do Rio de Janeiro aparecem em suas telas como espaços de beleza natural, captados com vigor cromático e sensibilidade atmosférica. O artista buscava interpretar a natureza como se fosse uma experiência espiritual, traduzindo em cores e formas a emoção que sentia diante do espetáculo natural. Essas paisagens não são apenas registros topográficos, mas construções poéticas que convidam o espectador a partilhar da mesma emoção. A luz, sempre trabalhada com intensidade, é elemento fundamental para criar a sensação de grandiosidade e transcendência. 

Também merece destaque sua produção voltada para temas históricos e institucionais, como os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo. Nessas obras, Parreiras soube equilibrar a exigência oficial de monumentalidade com sua própria visão artística. Os espaços públicos, ao receberem suas telas, tornaram-se lugares de afirmação simbólica da nação, em que a arte cumpria papel de legitimação cultural. A presença de suas obras em tais instituições mostra como sua pintura foi incorporada ao imaginário político e social do Brasil. 

Por fim, é importante mencionar sua série de paisagens marítimas, em que o mar aparece ora sereno, ora tempestuoso, sempre carregado de significados. Nessas telas, Parreiras explora a força da natureza como metáfora da vida e da história. O mar, com sua vastidão e imprevisibilidade, torna-se símbolo da própria condição humana, em diálogo com a tradição romântica, mas também com a modernidade que se anunciava. A técnica refinada, o uso expressivo da cor e a composição dinâmica revelam um artista maduro, capaz de transformar a paisagem em reflexão existencial.

Essas obras exemplificam a diversidade e a profundidade da produção de Antônio Parreiras. Ao transitar entre o histórico, o popular e o natural, o pintor construiu uma obra que é, ao mesmo tempo, estética e cultural, individual e nacional. Sua arte permanece como testemunho da identidade brasileira e como convite à contemplação da natureza e da história. Celebrar seus 166 anos é também revisitar essas telas, que continuam a falar ao público com a mesma força e emoção que tinham no momento em que foram criadas.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

Sertanejas, 1896. Óleo sobre tela. 273 cm x 472 cm

Ventania, Pinacoteca do Estado de São Paulo

Canto de Praia - 1886 

Jornada dos Mártires
óleo sobre tela de 1928; 200 × 381cm

Fundação de Niterói, 1909

Paisagem do Campo do Ipiranga

A conquista do Amazonas, 1907

Fantasia, 1909

Fim de romance, 1912

Agonia, 1915

Cabrália 

Cesteiro - 1927

Terra Natal - 1923

Dolorida 








EDUCAÇÃO NORDESTINA O FUTURO QUE JÁ CHEGOU © FOCUS PORTAL CULTURAL

O Nordeste brasileiro sempre foi visto como uma terra de resistência, cultura vibrante e criatividade sem limites. Mas, nos últimos anos, uma nova narrativa tem ganhado força: a da educação como motor de transformação social e econômica. O que antes era apenas uma promessa, hoje se consolida em resultados concretos, como o desempenho extraordinário dos estudantes da região no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).  

Em 2025, os números preliminares revelaram que o Nordeste lidera o ranking de notas mil na redação do ENEM. Cinco jovens nordestinos alcançaram a pontuação máxima, um feito que não é apenas estatístico, mas simbólico. Pernambuco e Bahia, cada um com dois estudantes nota mil, e Alagoas, com um representante, mostraram que a região não apenas acompanha o ritmo nacional, mas dita tendências. Enquanto isso, no Sudeste, apenas o Rio de Janeiro registrou um candidato com desempenho equivalente.  

Esse resultado não é fruto do acaso. Ele reflete décadas de investimento em políticas públicas, programas de incentivo à leitura, expansão das universidades federais e estaduais, além da valorização da cultura local como ferramenta pedagógica. O Nordeste entendeu que educação não é apenas transmissão de conteúdo, mas também construção de identidade e cidadania.  

O que diferencia a educação nordestina é sua capacidade de integrar saberes. A literatura de cordel, as manifestações populares, a música e a oralidade são incorporadas às práticas escolares, tornando o aprendizado mais significativo. O estudante nordestino não aprende apenas a escrever uma redação; ele aprende a contar histórias, a defender ideias, a se posicionar diante do mundo. 

Essa conexão entre cultura e ensino fortalece a autoestima dos jovens e cria um ambiente fértil para a excelência acadêmica. Não é coincidência que tantos tenham alcançado a nota máxima em uma prova que exige clareza, argumentação e domínio da língua portuguesa. O Nordeste respira linguagem, e seus estudantes transformam esse ar em palavras poderosas.  

Nos últimos anos, estados nordestinos têm investido em escolas de tempo integral, bibliotecas comunitárias e programas de formação docente. Pernambuco, por exemplo, tornou-se referência nacional em educação integral, com resultados expressivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A Bahia ampliou o acesso ao ensino técnico e tecnológico, preparando jovens para o mercado de trabalho e para a inovação. Alagoas, que historicamente enfrentava desafios educacionais, tem mostrado avanços consistentes, com iniciativas voltadas para a alfabetização e para a inclusão digital.  

Essas políticas não apenas melhoram indicadores, mas transformam vidas. Cada estudante que alcança a nota mil carrega consigo uma história de superação, de famílias que acreditaram na educação como caminho, de professores que se dedicaram além da sala de aula, de comunidades que se mobilizaram para garantir oportunidades. 

Mais do que números, o desempenho no ENEM reafirma uma verdade histórica: o Nordeste é potência intelectual. A região que deu ao Brasil escritores como Jorge Amado, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz agora forma jovens que podem ser os próximos grandes pensadores, cientistas e líderes.  

Esse orgulho não é apenas regional; é nacional. O Brasil precisa reconhecer que o avanço educacional do Nordeste é uma conquista coletiva, que fortalece o país como um todo. Afinal, quando um estudante nordestino alcança a nota máxima, ele prova que talento não tem fronteiras e que a educação é capaz de romper qualquer barreira social ou geográfica. 

Se os dados preliminares já impressionam, o que esperar dos próximos anos? A tendência é de crescimento. Com a expansão da conectividade, o fortalecimento das universidades e a valorização da ciência e da cultura, o Nordeste se posiciona como protagonista de uma nova era educacional. 

O futuro que muitos imaginavam distante já chegou. Ele está nas salas de aula de Recife, nos laboratórios de Salvador, nas bibliotecas de Maceió. Está nos sonhos de cada jovem que acredita que pode transformar sua realidade por meio do conhecimento.  

O Nordeste não é apenas uma região que lidera rankings. É um território que ensina ao Brasil que educação é mais do que notas: é identidade, é resistência, é esperança. Os cinco estudantes que alcançaram a nota mil no ENEM 2025 são símbolos de uma revolução silenciosa, mas poderosa. Uma revolução que mostra que o Nordeste não está apenas avançado; está, de fato, à frente. 

@ Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

19 DE JANEIRO O NASCIMENTO DE EDGAR ALLAN POE - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL –

 

Retrato de Edgar Allan Poe, provavelmente tirado em junho de 1849 em Lowell, Massachusetts por um fotógrafo desconhecido. O retrato, conhecido como daguerreótipo "Annie", foi entregue a Annie L. Richmond, amiga de Poe.


Há 217 anos, no dia 19 de janeiro de 1809, nascia em Boston, Massachusetts, uma das figuras mais enigmáticas e fascinantes da literatura mundial: Edgar Allan Poe. Sua vida, marcada por tragédias pessoais, dificuldades financeiras e uma genialidade literária incomparável, transformou-o em um ícone eterno da cultura ocidental. Poe faleceu em Baltimore, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, deixando um legado que continua a inspirar escritores, artistas e leitores até hoje.

 

Edgar nasceu como Edgar Poe, filho dos atores David Poe Jr. e Elizabeth Arnold Hopkins Poe. Seu pai abandonou a família quando ele tinha pouco mais de um ano, e sua mãe morreu de tuberculose em 1811, deixando Edgar e seus irmãos órfãos. O destino dos três foi dividido: o irmão mais velho, Henry, foi enviado a parentes; a irmã mais nova, Rosalie, foi adotada por outra família; e Edgar foi acolhido por John Allan e sua esposa Frances, em Richmond, Virgínia. Embora nunca tenha sido formalmente adotado, recebeu o sobrenome Allan, passando a ser conhecido como Edgar Allan Poe.

 

A relação com John Allan, no entanto, foi sempre turbulenta. Enquanto Frances demonstrava afeto e cuidado, John mantinha distância e severidade, criando um ambiente de constantes conflitos que moldariam o caráter inquieto e rebelde do jovem Poe.

 

Poe estudou por um breve período na Universidade da Virgínia, mas sua vida acadêmica foi marcada por dívidas, festas e desentendimentos com o pai adotivo. Após abandonar os estudos, alistou-se no exército, onde permaneceu por dois anos. Tentou também a carreira militar em West Point, mas foi expulso por indisciplina.

 

Em 1827, publicou anonimamente sua primeira coletânea de poemas, Tamerlane and Other Poems. Embora tenha passado despercebida, essa obra marcou o início de sua trajetória literária. Nos anos seguintes, Poe dedicou-se à poesia, mas logo percebeu que a prosa lhe oferecia maiores possibilidades de expressão e reconhecimento.

 

Durante a década de 1830, Poe trabalhou como editor e crítico literário em diversas revistas e jornais. Sua escrita afiada e exigente lhe rendeu tanto admiradores quanto inimigos. Foi nesse período que começou a se destacar como contista, explorando temas sombrios, psicológicos e fantásticos.

 

Histórias como Manuscrito encontrado numa garrafa e A Queda da Casa de Usher revelaram sua habilidade em criar atmosferas de mistério e terror, estabelecendo-o como um mestre do gênero. Além disso, Poe é considerado o inventor da ficção policial, graças a contos como Os Assassinatos da Rua Morgue, que introduziram o arquétipo do detetive analítico e influenciaram diretamente autores como Arthur Conan Doyle.

 

Em Baltimore, Poe casou-se com sua prima Virginia Clemm, então com apenas 13 anos. Apesar da diferença de idade, o casamento foi marcado por afeto e companheirismo. Contudo, a saúde frágil de Virginia trouxe sofrimento constante ao escritor. Ela morreu de tuberculose em 1847, dois anos após a publicação de The Raven (O Corvo), obra que consagrou Poe internacionalmente.

 

A morte de Virginia mergulhou Poe em profunda melancolia, intensificando o tom sombrio de seus escritos. Poemas como Annabel Lee refletem essa dor e permanecem como testemunhos líricos de sua paixão e perda.

 

Em 1845, O Corvo foi publicado e rapidamente se tornou um fenômeno cultural. O poema, com sua cadência hipnótica e atmosfera lúgubre, consolidou Poe como um dos grandes nomes da literatura americana. No entanto, o sucesso não trouxe estabilidade financeira. Poe continuava a enfrentar dificuldades econômicas e lutava para sustentar seus projetos, como o jornal The Stylus, que nunca chegou a ser lançado.

 

Sua morte, em 1849, permanece envolta em mistério. Encontrado em estado de delírio nas ruas de Baltimore, faleceu poucos dias depois. As causas foram atribuídas a uma série de hipóteses: alcoolismo, doenças, envenenamento, até mesmo assassinato. O enigma de sua morte apenas reforçou o caráter enigmático de sua figura.

 

Apesar de sua vida breve e conturbada, Poe deixou uma obra vasta e impactante. Seus contos de terror psicológico, suas críticas literárias e sua poesia melancólica influenciaram não apenas a literatura, mas também áreas como a cosmologia e a criptografia.

 

Autores como Baudelaire e Mallarmé traduziram e divulgaram seus textos na França, tornando-o referência para o simbolismo europeu. No século XX, sua presença se expandiu para o cinema, a música e a televisão, consolidando-o como um ícone cultural. Hoje, suas casas são preservadas como museus, e sua imagem continua a inspirar artistas e leitores em todo o mundo.

 

OBRAS IMORTAIS

 

Entre suas criações mais célebres estão:

The Raven (O Corvo, 1845) – poema que lhe trouxe fama imediata.

Annabel Lee (1849) – poesia lírica e melancólica, escrita pouco antes de sua morte.

Histórias Extraordinárias (1837) – coletânea que reúne contos como A Queda da Casa de Usher, O Gato Preto e O Barril de Amontillado.

Os Assassinatos da Rua Morgue – marco inicial da ficção policial.

 

Cada uma dessas obras revela a genialidade de Poe em explorar os limites da mente humana, o medo, a obsessão e a fragilidade da existência.

 

Celebrar o nascimento de Edgar Allan Poe é reconhecer a força da imaginação e da palavra. Sua vida, marcada por dor e genialidade, deu origem a uma obra que transcende séculos e fronteiras. Poe não apenas inventou novos gêneros literários, mas também nos ensinou que o mistério, o terror e a beleza podem coexistir na arte.

 

No dia 19 de janeiro, lembramos não apenas o nascimento de um escritor, mas o surgimento de um mito literário que continua a ecoar em cada verso de O Corvo, em cada conto sombrio, em cada leitor que se deixa envolver pelo fascínio do trágico.

 

© Alberto Araújo


Placa em homenagem ao escritor no centro de Boston, marcando o local aproximado de seu nascimento no início do século XIX


Poe foi enterrado originalmente na parte de trás do cemitério de Westminster, sem uma lápide. A lápide da imagem marca, hoje em dia, o lugar original

Ilustração do artista Yan Dargent baseada no conto "O Escaravelho de Ouro", publicada no artigo Edgard Poë et ses oeuvres ("Edgar Poe e suas obras", 1862), de Jules Verne


Retrato de Elizabeth Arnold Hopkins Poe, a mãe de Edgar Allan Poe


Retrato de Virginia Clem, a prima de Poe 
que se tornaria a esposa do escritor





06 - ECOS DO PARNASO – RAUL DE LEONI - FOCUS PORTAL CULTURAL

O Focus Portal Cultural, fiel à sua missão de preservar e celebrar a memória literária, desde já assinala com saudades no seu quadro “Ecos do  Parnaso” o Centenário de Encantamento de Raul de Leoni Ramos, a ser lembrado em 21 de novembro de 2026. Escritor consagrado e Patrono da Cadeira 38 da Academia Niteroiense de Letras, Raul de Leoni permanece como referência de sensibilidade e vigor poético. Sua obra foi especialmente admirada por nossa também saudosa Neide Barros Rêgo, que ocupou a mesma Cadeira com dignidade e honra, sucedendo Gercy Pinheiro de Souza e, antes dele, os acadêmicos Antônio Ramos de Lacerda e Abeylard Pereira Gomes. Neide, em diversas ocasiões, declamou brilhantemente os poemas de Raul de Leoni em palcos culturais, perpetuando o elo entre o passado e o presente da nossa tradição literária. Neste gesto de antecipação e reverência, prestamos também tributo à nossa saudosa companheira Neide Barros Rêgo, admirada por todos nós, que ocupou a mesma Cadeira com dignidade e honra. Neide deu vida aos versos de Raul de Leoni em palcos culturais e deixou registrada sua presença literária na Coletânea Mulheres Extraordinárias – Volume 2 da Rede Sem Fronteiras - coordenada por Dyandreia Portugal, nas páginas 488 a 493, onde homenageia a igualmente saudosa Maria Sabina.

Raul de Leoni Ramos nasceu em Petrópolis, em 30 de outubro de 1895, e faleceu em Itaipava, distrito de Petrópolis, em 21 de novembro de 1926. Sua vida breve, marcada pela intensidade e pelo brilho intelectual, deixou uma marca indelével na literatura brasileira. Filho de Carolino de Leoni Ramos e de Augusta Villaboim de Leoni Ramos, cresceu em um ambiente de cultura e erudição que moldou sua sensibilidade poética. 

Concluiu os cursos primário e secundário no Rio de Janeiro e, ainda adolescente, viajou pela Europa, absorvendo influências culturais que ampliaram sua visão de mundo. Em 1917, tornou-se diplomata, iniciando uma carreira que lhe proporcionou contato com diferentes realidades e tradições literárias. Dois anos depois, em 1919, publicou Ode a um Poeta Morto, obra que lhe conferiu notoriedade nos círculos literários. 

Em 1922, Raul de Leoni lançou Luz Mediterrânea, livro que se tornaria um marco de sua produção poética. A obra, iniciada com o poema Pórtico e encerrada com Diálogo Final, revela uma maturidade estética rara, mesclando simbolismo, modernismo e técnica parnasiana. Seus versos, de métrica impecável, carregam metáforas profundas e reflexões filosóficas que encantaram gerações. 

Os Poemas Inacabados, que o poeta pediu para sua esposa destruir ao pressentir a morte, acabaram preservados e incorporados às edições posteriores de Luz Mediterrânea. Esse gesto revela a consciência aguda de Raul sobre a finitude da vida e a eternidade da arte. 

A obra de Raul de Leoni foi estudada e exaltada por nomes como Agrippino Grieco, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Medeiros de Albuquerque, Alceu Amoroso Lima, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Afonso Arinos de Melo Franco, Tasso da Silveira e Sérgio Milliet. Todos reconheceram nele um poeta de transição, capaz de unir o rigor clássico à modernidade emergente. 

Seus sonetos, escritos em decassílabos, são considerados dos mais perfeitos da língua portuguesa. O soneto Argila, por exemplo, foi descrito por Agrippino Grieco como um poema que "todo brasileiro deveria saber de cor". 

Raul de Leoni é lembrado como um poeta de grandeza solitária. Sua poesia une filosofia panteísta a um espírito helênico, aproximando-se da estética platônica e do simbolismo. Essa combinação confere à sua obra uma harmonia singular, marcada pela musicalidade e pela profundidade das ideias. 

Embora sua poesia contenha formas clássicas, ela é permeada por um espírito de modernidade que a torna atemporal. Essa característica assegura a Raul de Leoni um lugar na seleta plêiade dos poetas imortais. 

Após sua morte em Itaipava, o corpo de Raul foi conduzido a Petrópolis, onde recebeu homenagens e foi sepultado à sombra do Cruzeiro das Almas. A cidade ergueu-lhe um mausoléu e deu seu nome a um trecho da Rua Sete de Setembro, perpetuando sua memória. 

De todos os poetas brasileiros, Raul de Leoni foi o único que não sofreu rejeição da corrente modernista. Seus versos, doces e esclarecedores, circulavam nos cadernos de poesia dos jovens da época, que encontravam neles simplicidade e profundidade. 

O centenário de Raul de Leoni é mais do que uma celebração: é um convite à reflexão sobre a força da poesia e sua capacidade de atravessar o tempo. Sua obra, marcada pela perfeição formal e pela riqueza filosófica, continua a ecoar como um canto imortal. 

Raul de Leoni não foi apenas um poeta de sua época. Foi, e permanece sendo, um poeta de todos os tempos. Sua voz, que se extinguiu cedo, ressoa ainda hoje, lembrando-nos que a verdadeira arte é aquela que transcende a vida e se eterniza na memória coletiva. 

A poesia de Raul de Leoni é marcada por uma tensão criativa entre tradição e inovação. Seus versos revelam uma técnica apurada, fruto da influência parnasiana, mas também uma abertura para o simbolismo e o modernismo. Essa mescla o torna um poeta de transição, capaz de dialogar com diferentes escolas literárias sem se prender a nenhuma delas.

O ritmo peculiar de sua versificação, aliado a uma filosofia panteísta e a um espírito helênico, confere à sua obra uma dimensão universal. Raul de Leoni não se limita a cantar a beleza da forma; ele busca, em seus versos, a essência da existência e a harmonia do cosmos.

Críticos como Manuel Bandeira e Sérgio Milliet destacaram a musicalidade de seus sonetos, que se aproximam da perfeição formal. Já Alceu Amoroso Lima ressaltou a profundidade filosófica de sua poesia, capaz de unir simplicidade e erudição. 

A ligação de Raul de Leoni com Petrópolis é indissociável. A cidade não apenas foi seu berço e seu túmulo, mas também cenário de sua vida e inspiração de sua obra. O mausoléu erguido em sua memória e o trecho da Rua Sete de Setembro que leva seu nome são testemunhos da gratidão de Petrópolis a seu filho ilustre. 

Celebrar o centenário de Raul de Leoni é também celebrar a tradição cultural de Petrópolis, cidade que sempre foi um polo de arte e literatura no Brasil.

Raul de Leoni é um poeta que transcende o tempo. Sua obra, marcada pela perfeição formal e pela profundidade filosófica, continua a inspirar leitores e críticos. No centenário de seu nascimento, sua voz ressoa mais forte do que nunca, lembrando-nos que a verdadeira poesia é aquela que, mesmo diante da morte, permanece viva. 

Raul de Leoni é, em suma, um eco do Parnaso: um poeta imortal, cuja obra ilumina o presente e aponta para o futuro.


POEMA DE RAUL DE LEONI

 

HISTÓRIA ANTIGA

de Raul de Leoni

 

No meu grande otimismo de inocente,

Eu nunca soube por que foi… um dia,

Ela me olhou indiferentemente,

Perguntei-lhe por que era… Não sabia…

 

Desde então, transformou-se de repente

A nossa intimidade correntia

Em saudações de simples cortesia

E a vida foi andando para frente…

 

Nunca mais nos falamos… vai distante…

Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante

Em que seu mudo olhar no meu repousa,

 

E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,

Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,

Mas que é tarde demais para dizê-la…

 

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VELHA NATUREZA

de Raul de Leoni

 

Tudo que a velha Natureza gera

Vai sempre rumo do melhor futuro;

Ela fecunda com o ânimo seguro

De quem muito medita e delibera…

 

O seu gênio de artista mais se esmera

Na teoria sutil do claro-escuro,

Com que exalta a verdade mais austera,

Frisando em tudo o símbolo mais puro…

 

Só faz o Mau e o Hediondo para efeito

De projetar mais longe e sem nuance

A alma cheia de luz do que é perfeito,

 

Como cavou o Abismo nas entranhas,

Para dar mais relevo e mais alcance

À soberba estatura das montanhas…

 

Espaço cultural que abriga galerias de arte, teatro, cinema e a Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral, considerada a 3ª mais importante do estado do Rio de Janeiro. O nome do Centro homenageia o poeta petropolitano, falecido prematuramente de tuberculose, aos 30 anos, em 1925, e o da biblioteca à escritora chilena, primeira latino-americana a receber o Nobel de Literatura. 

O Centro de Cultura Raul de Leoni é um complexo cultural fundado em 30 de janeiro de 1977. Prédio em concreto e vidro fumê com três andares, abriga o Teatro Afonso Arinos (com capacidade para 150 lugares); a Biblioteca Municipal (Gabriela Mistral), considerada a terceira maior do estado, com grande acervo raro e que também disponibiliza publicações em Braile; um cinema (Cine Humberto Mauro), uma sala de música (Sala Guiomar Novaes), duas salas multiusos (Sala Sylvia Orthof e Multiuso), uma Sala Alternativa (para exposições de artes visuais) e três galerias (Van Dijk, Aloysio Magalhães e Djanira) destinadas às artes visuais.










© Alberto Araújo

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