sexta-feira, 6 de março de 2026

O SABER COMO MISSÃO: UM OLHAR SOBRE A MINHA PRÓPRIA JORNADA - TEXTO INSPIRADO EM UM VÍDEO DO PROFESSOR MATEUS SALVADORI

 

Sempre que vejo alguém dizer "se eu fosse rico, nunca mais estudava", sinto um aperto no peito, acompanhado de uma profunda reflexão. Para muitos, o estudo é um fardo, uma obrigação para alcançar um fim. Para mim, é exatamente o oposto. Se a vida me desse toda a fortuna do mundo, meu primeiro passo seria o que já faço hoje: me cercar de livros e passar meus dias mergulhado neles. No meu escritório, entre as estantes que guardam inúmeras vozes, é onde sinto que o meu mundo finalmente se completa. 

Escrevo e produzo conteúdo não por vaidade intelectual, mas por um dever de honestidade. Como jornalista e escritor, carrego a responsabilidade de informar o que é original e o que tem fundamento. Meus leitores chegam ao meu portal cultural em busca da cultura brasileira e universal, e eu não teria a coragem de lhes entregar nada menos que a verdade atualizada. Por isso, leio todos os dias; não por status, mas para não falhar com quem me lê e, ao mesmo tempo, para conhecer e entender o poder da linguagem e a expressividade do outro. 

Para Jorge Luis Borges, o paraíso era uma espécie de biblioteca. Filosoficamente, isso significa que o espaço físico dos livros deixa de ser apenas uma sala e torna-se um espaço ontológico. Ali, o tempo não é o cronológico, aquele do relógio e da produtividade desenfreada, mas Kairós: o tempo da qualidade e da revelação. Neste contexto, o estudo diário cumpre duas funções essenciais: 

A Atualização, o Devir: O mundo muda a cada instante. Estudar é acompanhar o fluxo da vida para não oferecer ao leitor uma visão obsoleta da realidade.

A Permanência, o Ser: Através dos clássicos em minha biblioteca, mantenho os pés no que é perene. É essa base sólida que me permite interpretar a cultura popular e a educação sem cair no superficialismo das "trends" passageiras. 

No entanto, houve algo que demorei a perceber sozinho. Durante muito tempo, apenas segui minha intuição de buscar o saber. Foi preciso que a minha mestra, a professora e escritora Dalma Nascimento, me mostrasse algo que eu ainda não tinha enxergado sobre o meu próprio caminho. Ela me disse, com aquela sabedoria que lhe é própria, que eu "passeio em todos os universos, do lírico ao popular, da cultura à educação".

Eu não percebia essa minha transição entre mundos até ela verbalizá-la. Foi um verdadeiro despertar de humildade. Entendi que o meu papel não é estar "acima" do conhecimento, mas ser um eterno aprendiz que transita entre a poesia mais refinada e a cultura do povo, tentando ser a ponte que une esses dois extremos. 

Hoje, quando me sento para escrever para o portal, sinto o peso e a leveza desse aprendizado. Humildemente, reconheço que sei muito pouco diante da imensidão dos livros que me cercam, mas é justamente essa "falta" que me move. Continuo estudando, me atualizando e lendo, porque só assim posso honrar a confiança de quem busca no meu trabalho um reflexo fiel da nossa imensa cultura. Como bem disse Mateus Salvadori, o estudo não é o que nos cansa; é o que nos liberta para sermos quem realmente somos.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


(VÍDEO  PROFESSOR MATEUS SALVADORI)

A provocação de Mateus Salvadori, que ecoa na sua rotina cercada de livros, toca no nervo exposto da nossa sociedade contemporânea: a confusão entre o estudo como instrumento de ascensão econômica e o estudo como exercício de liberdade. Quando alguém diz que "se fosse rico, não estudaria mais", essa pessoa revela que enxerga o conhecimento apenas como um "pedágio" necessário para o conforto material. No entanto, para o intelectual, para o jornalista e para o escritor, a riqueza não é o que nos afasta dos livros, mas o que deveria nos permitir mergulhar neles sem as interrupções do utilitarismo pragmático.


MENSAGEM DAPROFESSORA DALMA NASCIMENTO

Querido amigo Alberto, que papel importante você está fazendo à Cultura em quaisquer horizontes em que ela se manifeste. Vai do mundo erudito ao popular. Parabéns pelo seu grandioso trajeto. Dalma.





quinta-feira, 5 de março de 2026

ELOS INTERNACIONAL APRESENTA SUA DIRETORIA GESTÃO 2025-2027

O Elos Internacional da Comunidade Lusíada, em continuidade à sua missão de expansão, fortalecimento e integração cultural entre os povos de língua portuguesa, tem a honra de anunciar a composição de sua nova Diretoria para o triênio 2025-2027. 

Esta gestão reafirma o compromisso com os ideais de fraternidade, preservação da língua portuguesa e valorização do patrimônio histórico-cultural que une Brasil, Portugal e demais nações lusófonas. 

DIRETORIA EXECUTIVA 

Presidente: Matilde Carone Slaibi Conti – Elos de Niterói

Vice-Presidente: Sidney Cardoso da França – Elos Praia Grande

Secretária Geral: Márcia Maria de Jesus Pessanha – Elos de Niterói

Tesoureira: Selma Cristina Dias da França – Elos Praia Grande

Assessora Especial da Presidência: Maria Inês Botelho – Elos Mandaguari 

CONSELHO FISCAL

MEMBROS TITULARES 

Márcia Maria Rodrigues – Elos Clube Grande ABC

Olga Elizabeth Moleirinho – Elos Clube de Maringá

Geraldo Faria Rodrigues Junior – Elos Clube Grande ABC

SUPLENTES 

Rosina Bezerra de Mello Santos Rocha – Elos Clube de Petrópolis

Alina Trindade Maximiniano Trindade – Elos Clube de Praia Grande

Simone Cristiane Schiavon Ayres – Elos ABC 

DIRETORIAS ESPECÍFICAS 

Maria Goretti Rocha da Silva – 1ª Tesoureira – Elos

Matheus Miranda – Diretor de Tecnologia e Assistência do CDME – Elos Praia Grande

Celestino Domingos – Diretor de Expansão e Fortalecimento – Elos São Vicente

Rubens Carrilho Fernandes – Diretor de Arquivo Administrativo e Histórico – Elos de Niterói

Nagib Slaibi Filho – Diretor Jurídico – Elos de Niterói

Angela Maria Riccomi de Paula – Diretora do Patrimônio Histórico e Cultural – Elos de Niterói

Alberto Araújo – Diretor de Divulgação Cultural – Elos de Niterói 

COLABORADORES E APOIO

Antonio José Santos – Elos Belo Horizonte – Indicado Representante Governador DE-O6 

Fernanda Ferreira – Elos São Paulo-Sul

Henrique – Governador DE-O1 

COMPROMISSO DA GESTÃO 2025-2027

A nova diretoria assume com entusiasmo a responsabilidade de:

Fortalecer os laços entre os clubes Elos no Brasil e no exterior.

Promover a difusão da língua portuguesa como patrimônio cultural e identidade comum.

Incentivar projetos de intercâmbio cultural e acadêmico entre países lusófonos.

Preservar e divulgar a memória histórica do movimento elista.

Expandir a presença do Elos Internacional em novas regiões, consolidando sua relevância global. 

A Gestão 2025-2027 representa a continuidade de um sonho iniciado em 1959, que permanece vivo e pulsante. Sob a liderança da presidente Matilde Carone Slaibi Conti e do vice-presidente Sidney Cardoso da França, o Elos Internacional reafirma sua vocação de ser ponte de união, cultura e fraternidade entre os povos que compartilham a língua portuguesa. 

FEDERAÇÃO ELOS INTERNACIONAL DA COMUNIDADE LUSÍADA

Nossa História, Nossa Missão, Nossa Cultura

Raízes e Fundação 

Por volta de 1956, o médico santista Eduardo Dias Coelho reuniu amigos ligados às tradições luso-brasileiras para discutir a necessidade de criar uma entidade que estreitasse os laços entre Brasil e Portugal. A ideia era preservar o patrimônio cultural herdado da civilização portuguesa e cultivar o humanismo que une os povos de língua portuguesa. 

Três anos depois, em 8 de agosto de 1959, treze homens se reuniram na Av. Saturnino de Brito, em São Vicente, diante da enseada histórica onde aportaram as caravelas de Martim Afonso de Souza em 1532. Ali nasceu o movimento que viria a se tornar o Elos Clube, inicialmente chamado de Clube das Oliveiras, símbolo da paz e da união. 

Entre os fundadores estavam nomes como Manoel Antonio Marçal, Hermes Barsotti, José de Souza, Mario de Almeida Nunes, Joaquim da Rocha Brittes, Arimondi Falconi, Aires Pedro dos Santos, Adelino Migués Picado, Waldemar da Cruz, Luiz Espinha e Henrique Martins, todos liderados por Eduardo Dias Coelho. 

Pouco depois, o nome foi alterado para Elos Clube, e o distintivo criado por Marco Antonio Coelho foi ajustado por Nelson Duarte Barbosa: dois ramos de oliveira entrelaçados por elos, simbolizando a união e a paz. 

Expansão e Internacionalização

O movimento cresceu rapidamente. Em 1960 chegou a São Paulo, em 1961 a Curitiba e Belo Horizonte, e em 1962 realizou sua primeira Convenção em Santos, que oficializou o Elos Internacional da Comunidade Lusíada. 

Nos anos seguintes, surgiram clubes em Lisboa (1963), Rio de Janeiro (1965), Beira – Moçambique (1968), Fortaleza (1969), Luanda – Angola (1969), Brasília (1974), entre outros. A corrente se expandiu também para Macau (1989), Faro e Tavira em Portugal, e diversas cidades brasileiras. 

Apesar de algumas células terem encerrado atividades por motivos políticos ou econômicos, o movimento manteve sua vitalidade, realizando convenções internacionais a cada dois anos.

SÍMBOLOS E IDEAIS 

O Elismo é mais do que uma associação cultural: é um movimento de congregação de valores humanos, predispostos a defender a aliança e promover a boa compreensão entre os povos de língua portuguesa. 

O símbolo dos ramos de oliveira entrelaçados por elos representa a paz, a união e a continuidade histórica. A língua portuguesa, veículo de cultura e identidade, é o eixo central da missão do Elos: difundir, preservar e fortalecer o idioma de Camões. 

RECONHECIMENTO OFICIAL 

Em 2015, o Brasil reconheceu oficialmente a importância do movimento. A Lei nº 13.108, de 25 de março de 2015, instituiu o Dia Nacional do Elos Internacional da Comunidade Lusíada, celebrado em 8 de agosto, data da fundação do Clube das Oliveiras. 

Essa lei reforça o papel do Elos como guardião da cultura luso-brasileira e como ponte de integração entre nações que compartilham a língua portuguesa.

LIDERANÇA ATUAL

Hoje, a Federação Elos Internacional é presidida por Matilde Carone Slaibi Conti, que conduz a instituição com dedicação e visão cultural. Ao seu lado, o vice-presidente Sidney Cardoso da França desempenha papel fundamental na articulação e expansão das atividades.

Ambos lideram um seleto grupo de elistas, homens e mulheres comprometidos com a preservação da memória histórica, a valorização da cultura e a promoção da fraternidade entre os povos lusófonos. 

O SONHO QUE CONTINUA 

Mais de seis décadas após sua fundação, o Elos Internacional segue firme em sua missão. As convenções, encontros e atividades culturais mantêm viva a chama da amizade luso-brasileira e da integração da comunidade lusíada.

O movimento não é apenas uma organização: é um ideal de união, paz e cultura, que transcende fronteiras e gerações.

(Hino Oficial do Elos Internacional)


ALICE FONTANELLA E A VOZ FEMININA NA TRADIÇÃO LÍRICA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

(CLICAR NA IMAGEM PARA VER O VÍDEO)

A história da música lírica é também a história da voz feminina. Desde os tempos em que as mulheres eram proibidas de cantar em palcos sacros, substituídas por castrati, até o momento em que se tornaram protagonistas absolutas das grandes óperas, a voz feminina carrega em si uma luta, uma conquista e uma revelação. 

Nesse panorama, Alice Fontanella surge não apenas como intérprete, mas como símbolo de continuidade e renovação: sua trajetória inscreve-se na longa genealogia das cantoras que transformaram o canto em resistência, arte e transcendência. 

A voz feminina na ópera sempre foi mais do que som: é corpo, é presença, é finura. 

No século XIX, sopranos como Maria Malibran e Pauline Viardot desafiaram convenções sociais, tornando-se ícones de liberdade. No século XX, figuras como Montserrat Caballé e Maria Callas redefiniram a expressividade, mostrando que a técnica não basta sem emoção. 

Assim, há artistas que se limitam a interpretar partituras. E há aqueles que, ao cantar, recriam o mundo como se cada nota fosse uma centelha capaz de incendiar o tempo e abrir frestas no silêncio. Alice Fontanella pertence a esta segunda linhagem: não apenas uma mezzo-soprano, mas uma sacerdotisa da música, cuja voz se ergue como ponte entre o humano e o divino. 

Alice Fontanella, ao ser escolhida para uma masterclass com Caballé, inscreve-se nessa linhagem. Sua voz não é apenas instrumento: é memória de todas as vozes femininas que vieram antes, ecoando lutas e conquistas. 

O título que lhe foi dado: “A voz que habita os silêncios da alma” não é mero ornamento. Ele revela uma dimensão estética e filosófica: O silêncio, na tradição lírica, é tão importante quanto o som. 

Alice compreende que cantar é também saber calar, deixar que a pausa fale, que o vazio se torne espaço de transcendência. 

Assim, sua arte dialoga com o pensamento de filósofos como Gaston Bachelard, que via no silêncio uma forma de plenitude, e com poetas como Rilke, que entendiam o canto como revelação do invisível. 

Historicamente, o repertório lírico foi marcado por papéis femininos que oscilam entre a fragilidade e a força: Carmen, de Bizet, é liberdade e tragédia. Tatiana, de Tchaikovsky, é introspecção e destino. Ariadne, de Strauss, é abandono e renascimento. 

Alice, ao interpretar essas obras, não apenas revive personagens: ela os recria à luz de sua própria sensibilidade. Sua voz grave, aveludada, confere nova densidade às figuras femininas, deslocando-as do estereótipo da fragilidade para o território da potência.

Alice canta em diversos idiomas, mas sua voz transcende fronteiras linguísticas. 

Em russo, transmite a melancolia de Rachmaninoff.

Em francês, revela a delicadeza impressionista.

Em italiano, encarna a dramaticidade visceral da ópera.

Essa pluralidade insere-a na tradição das grandes intérpretes que compreendem a música como idioma universal da alma. 

Do ponto de vista crítico, Alice representa uma síntese rara:

Técnica impecável: fruto de anos de estudo disciplinado.

Expressividade emocional: que não se ensina, mas nasce da entrega.

Consciência estética: sua interpretação não é apenas execução, mas reflexão sobre o papel da música no mundo contemporâneo. 

Em tempos de consumo rápido e superficialidade, sua arte é resistência: exige atenção, exige silêncio, exige contemplação. 

Alice Fontanella não é apenas uma cantora lírica: é ensaísta sonora, filósofa do canto, guardiã de uma tradição que atravessa séculos. Sua voz é testemunho de que a música não é apenas entretenimento, mas também experiência espiritual e cultural.

Na história da voz feminina, Alice é mais uma estrela que se acende, não para competir com outras, mas para compor uma constelação infinita. 

E quando sua voz ecoa, não ouvimos apenas Alice: ouvimos todas as mulheres que, ao longo da história, transformaram o silêncio em canto e o canto em eternidade. 

Nascida em Niterói, cidade de mares inquietos e horizontes que se confundem com o infinito, Alice cresceu entre o rumor das ondas e o sopro dos ventos que atravessam a Baía de Guanabara. Aos 14 anos, guiada pelo maestro Romeo Savastano, descobriu que sua voz não era apenas um dom, mas um destino.

Primeiros concertos, Aos 15 anos, já encantava plateias em espaços culturais do Rio de Janeiro. 

Repertório inicial: árias de Bizet e canções de Tchaikovsky, que revelavam sua capacidade de transitar entre a força dramática e a delicadeza lírica. 

Alice não se contentou com os limites geográficos. Sua busca por aperfeiçoamento levou-a a Zaragoza, onde foi escolhida para uma masterclass com Montserrat Caballé — encontro que se tornou rito de passagem.

2015: única brasileira selecionada para Caballé.

2016: em Milão, estudou com Vittorio Terranova, mergulhando no repertório operístico italiano. 

Cada experiência internacional não foi apenas aprendizado técnico, mas também expansão espiritual: Alice absorveu culturas, idiomas e tradições musicais, transformando-os em matéria viva de sua interpretação. 

O que distingue Alice não é apenas a tessitura vocal, grave, aveludada, de contralto que se abre em mezzo-soprano, mas a maneira como ela habita o silêncio. 

Em cada pausa, há respiração cósmica.

Em cada nota, há memória ancestral.

Em cada frase, há entrega absoluta. 

Sua interpretação do Stabat Mater de Pergolesi, em 2022, no Teatro Bruno Nitz, foi descrita como uma experiência mística: a dor da Virgem transformada em canto que atravessa séculos. 

Alice já percorreu: Teatro Municipal de Niterói – onde sua voz ecoou como se dialogasse com as colunas históricas. 

Fundação Cultural Avatar – espaço em que sua interpretação de Rachmaninoff fez o público suspender o tempo. 

Conservatório de Música de Niterói – palco de sua juventude, onde cada apresentação era promessa de futuro. 

Alice Fontanella não é apenas intérprete: é criadora de atmosferas. Sua voz não termina quando o concerto acaba; ela continua reverberando na memória dos ouvintes, como se fosse tatuagem sonora. 

Repertório plural: de Villa-Lobos a Richard Strauss, de Grieg a Bizet. 

Idiomas diversos: canta em russo, francês, alemão, italiano e português, sempre com dicção impecável e emoção genuína. 

O Focus Portal Cultural celebra Alice como Foculista, presença luminosa que ilumina páginas e palcos. Sua trajetória é testemunho de que a música não é apenas arte, mas também destino, missão e transcendência. 

Alice é mais do que cantora:

É voz que se torna templo.

É silêncio que se torna oração.

É presença que se torna eternidade.

Alice Fontanella é como um vitral sonoro: cada nota é um fragmento de luz que, ao atravessar o silêncio, colore a alma. Sua música não se limita a ser ouvida; ela é sentida, vivida, respirada. 

E quando o concerto termina, o público descobre que não saiu do teatro, saiu de si mesmo, transformado pela experiência de ter habitado, ainda que por instantes, o universo que sua voz revela. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

 














 

CARLOS FRANCISCO MOURA - A VOZ DA MEMÓRIA NO REAL GABINETE - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL


Homenagem do Focus Portal Cultural por intermédio do vídeo do Real Gabinete Português de Leitura no Instagram. 

Ele é um dos mais ilustres e antigos pesquisadores do Real Gabinete Português de Leitura. Incansável, está quase todos os dias na biblioteca em busca de documentos e histórias inéditas. 

Membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa de História, da Academia de Marinha, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Liceu Literário Português e do próprio Real Gabinete, Carlos Francisco Moura é um dos ícones de nossa instituição. 

Conheça no vídeo um pouco de sua trajetória e uma de suas obras premiadas, “Astronomia na Amazônia do século XVIII” (RGPL, 2008).

É difícil falar do Real Gabinete Português de Leitura sem mencionar o nome de Carlos Francisco Moura. Quem frequenta a instituição já se acostumou a vê-lo ali, quase todos os dias, mergulhado em documentos raros e histórias esquecidas. Moura não é apenas um pesquisador: é um personagem vivo da própria biblioteca, alguém que transformou sua rotina em missão cultural.

Arquiteto formado pela Escola Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil em 1960, Moura trilhou um caminho que o levou muito além dos projetos e das pranchetas. Trabalhou na Petrobras Distribuidora S.A., mas cedo se dedicou ao ensino e à pesquisa, passando pela Universidade de Brasília, pelo Centro Brasileiro de Estudos Portugueses  sob a direção de Agostinho da Silva e pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em todas essas instituições, deixou sua marca como pioneiro, sempre apoiado em documentação inédita e em uma curiosidade insaciável.

Sua trajetória lhe rendeu distinções importantes: a Comenda Memória do Legislativo de Mato Grosso, títulos de Sócio Grande Benemérito e Laurel de Gratidão do próprio Real Gabinete. Moura também foi Diretor da Biblioteca da instituição, reforçando ainda mais sua ligação com esse espaço que se tornou quase uma extensão de sua vida.

A lista de academias e instituições das quais faz parte impressiona:

Academia das Ciências de Lisboa – Membro Correspondente

Academia Portuguesa de História – Acadêmico de número, cadeira 31

Academia de Marinha – Acadêmico Extraordinário

Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Membro Correspondente

Além de outros cinco institutos históricos estaduais

OBRAS E CONTRIBUIÇÕES 

Sua produção bibliográfica é vasta e revela interesses múltiplos: da história das ciências à cultura naval, passando pelo teatro e pela história regional.

ENTRE SEUS TÍTULOS MAIS RELEVANTES ESTÃO 

Astronomia na Amazônia no século XVIII (2008) – premiado pela Academia Portuguesa de História 

Teatro a bordo de naus portuguesas (séculos XV a XVIII) – 2000, com nova edição em Lisboa (2017) 

A expedição Langsdorff em Mato Grosso (1984) 

O ensino na Real Academia dos Guardas-Marinhas no século XVIII (2019) 

Naus e Fragatas: gravuras didáticas setecentistas portuguesas (2018) 

Liou She-Shun – Plenipotenciário do Império da China: viagem ao Brasil em 1909 (2011, com edição em chinês em 2013) 

D. Antônio Rolim de Moura, Conde de Azambuja (1982)

Cada obra é fruto de pesquisa minuciosa e revela a capacidade de Moura de transformar documentos esquecidos em narrativas vivas e acessíveis.

No Real Gabinete, Moura é mais do que um pesquisador: é um ícone. Sua presença constante, sua dedicação e sua generosidade intelectual fazem dele um elo entre o passado e o presente. Ele não apenas consulta documentos, mas os devolve à sociedade em forma de conhecimento, iluminando aspectos pouco explorados da história luso-brasileira.

O legado de Carlos Francisco Moura é imenso. Ele nos mostra que a cultura e a ciência não se constroem apenas em laboratórios ou salas de aula, mas também nos arquivos, nas bibliotecas e na persistência de quem acredita que cada documento pode conter uma história capaz de transformar nossa compreensão do mundo.

 

Link da postagem original

 https://www.instagram.com/p/DVZYUArD4Of/


Clicar na imagem para assistir ao vídeo do Real Gabinete

© Alberto Araújo

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GINA MANJUA - A PALAVRA COMO PONTE DE INCLUSÃO” - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Gina Manjua é uma voz que se ergue com firmeza e sensibilidade no cenário literário contemporâneo. Escritora e defensora da inclusão, ela construiu uma trajetória marcada pela coragem de transformar vivências em palavras, e palavras em consciência. Sua obra não se limita ao papel: ela se expande em palestras, encontros em escolas e associações, onde a literatura se torna ponte entre experiências pessoais e coletivas. Gina acredita que a escrita é mais do que expressão; é ferramenta de cura, de diálogo e de transformação social. 

Na entrevista ao Canal Sempre à Mão, Gina traz à tona temas urgentes e muitas vezes silenciados: o preconceito etário, que marginaliza saberes acumulados ao longo da vida; a inclusão, que precisa deixar de ser discurso e se tornar prática cotidiana; e o poder da escrita terapêutica, capaz de ressignificar dores e abrir caminhos de esperança. Sua fala é marcada por maturidade e dignidade, mas também por uma energia que inspira quem a escuta a repensar seu papel na construção de uma sociedade mais justa. 

O percurso de Gina é um testemunho de resiliência. Ao transformar suas próprias vivências em literatura, ela mostra que a arte não é apenas estética, mas também ética e política. Cada livro, cada apresentação, é um convite à reflexão sobre como podemos ser mais conscientes, mais humanos e mais solidários. A conversa com o público não se restringe a ideias abstratas: ela toca em histórias reais, em desafios concretos, em dores que se tornam força criativa. 

Mais do que uma escritora, Gina Manjua é uma agente de mudança. Sua presença na live é um chamado à coragem de assumir propósitos, à responsabilidade de usar a palavra como instrumento de inclusão e ao reconhecimento de que a arte tem impacto direto na vida das pessoas. É uma oportunidade de mergulhar em um diálogo que une literatura e sociedade, mostrando que escrever é também um ato de resistência e de amor. 

Esse encontro prometeu ser não apenas uma entrevista, mas uma experiência de partilha e inspiração, um espaço onde a palavra se torna ação e a arte se revela como caminho para uma sociedade mais consciente e inclusiva.

Clicar no link para assistir a entrevista completa:  

https://www.youtube.com/live/CPzS6VwKaFw

 

© Alberto Araújo

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quarta-feira, 4 de março de 2026

SINFONIA HEROICA DE BEETHOVEN

A Sinfonia N.º 3 em Mi bemol maior, Op. 55, conhecida como Eroica, é muito mais do que uma obra musical: é um manifesto artístico e filosófico. Beethoven, ao compô-la entre 1803 e 1804, rompeu com os limites formais do classicismo vienense e inaugurou uma nova era, marcada pela intensidade emocional e pela busca de grandeza espiritual. O que antes era música de salão, elegante e contida, transforma-se aqui em uma epopeia sonora que traduz a luta, a dor e a vitória de um herói idealizado. 

Beethoven inicialmente dedicou a obra a Napoleão Bonaparte, visto como símbolo de liberdade e renovação política frente às monarquias conservadoras.

Ao perceber que Napoleão se proclamara imperador, Beethoven rasurou a dedicatória com fúria: o herói da sinfonia não seria mais um homem concreto, mas uma figura universal, um arquétipo da luta pela dignidade humana. 

A obra surge em um momento de transição: o fim do século XVIII, marcado pelo racionalismo iluminista, e o início do século XIX, dominado pelo espírito romântico. 

A EROICA ROMPE PADRÕES ESTABELECIDOS:

Primeiro movimento (Allegro con brio): expansivo, com mais de 700 compassos, apresenta um vigor quase narrativo. É como se descrevesse batalhas interiores e exteriores. 

Segundo movimento (Marcia funebre): uma marcha fúnebre em dó menor, que evoca a morte de um herói. É solene, meditativa, e antecipa o tom trágico que se tornaria comum no romantismo. 

Terceiro movimento (Scherzo): leve e ágil, contrasta com o peso anterior. Representa o renascimento da energia vital. 

Quarto movimento (Finale): baseado em variações de um tema simples, culmina em uma celebração da vitória e da transcendência. 

A VIRADA ESTÉTICA

A sinfonia marca a passagem do Classicismo ao Romantismo.

O herói não é descrito por ações concretas, mas por estados de espírito: coragem, sofrimento, esperança. 

Beethoven inaugura uma música que não apenas entretém, mas questiona e transforma.

Mais de cem anos depois, em meio às ruínas da Segunda Guerra Mundial, Richard Strauss compôs Metamorphosen (1944–1945).

Enquanto Beethoven celebrava o ideal heroico, Strauss refletia sobre a destruição e a crueldade humanas. 

Sua obra, escrita para 23 cordas solistas, é um lamento pela cultura alemã devastada. 

Se a Eroica é um grito de esperança, Metamorphosen é um suspiro de desencanto. 

A Sinfonia N.º 3 redefiniu o papel da música sinfônica: não mais mero entretenimento aristocrático, mas expressão filosófica e existencial.

Inspirou gerações de compositores, de Brahms a Mahler, que viram nela um modelo de profundidade e ousadia. 

Até hoje, sua audição provoca impacto: é como se Beethoven nos convidasse a refletir sobre nossas próprias batalhas e vitórias. 

A Eroica não é apenas uma obra-prima musical; é um símbolo da humanidade em busca de sentido. 

Beethoven, ao rasurar o nome de Napoleão, libertou sua sinfonia de qualquer figura histórica e a transformou em um retrato eterno do espírito humano. 

Assim, cada acorde nos lembra que o verdadeiro herói não é o conquistador, mas aquele que enfrenta a dor, resiste às adversidades e encontra na arte a força para transcender

A Sinfonia N.º 3, Eroica, é um marco que redefine não apenas a música de Beethoven, mas o próprio conceito de sinfonia. Ao compará-la com outras obras do compositor, como a Quinta e a Nona, percebemos como ela inaugura um caminho que seria aprofundado e transformado ao longo de sua produção.

A Eroica rompe com a tradição clássica ao expandir a forma, alongar os movimentos e dar à música uma dimensão quase narrativa, ainda que não conte uma história literal. É uma sinfonia que encarna o espírito de luta e superação, um retrato sonoro do herói idealizado.

Já a Quinta Sinfonia, composta alguns anos depois, condensa esse mesmo espírito em um gesto musical icônico: as quatro notas iniciais, que se tornaram símbolo do destino batendo à porta. Se a Eroica é grandiosa e expansiva, a Quinta é concentrada e dramática, mostrando como Beethoven podia traduzir a mesma ideia de enfrentamento existencial em diferentes linguagens musicais.

A Nona Sinfonia, por sua vez, leva esse impulso ainda mais longe, ao incorporar vozes humanas no último movimento e transformar a sinfonia em um hino universal de fraternidade. Enquanto a Eroica celebra o herói individual, a Nona celebra a humanidade coletiva, culminando no célebre “Ode à Alegria”.

Assim, podemos ver a Eroica como o ponto de partida de uma trajetória: ela abre as portas para o romantismo, a Quinta aprofunda o drama interior e a Nona amplia o horizonte para uma dimensão espiritual e comunitária. Beethoven, ao longo dessas obras, não apenas compôs música, mas construiu uma filosofia sonora, na qual cada sinfonia é um capítulo de uma mesma epopeia: a luta do ser humano contra o destino, a dor e a morte, em busca de transcendência e liberdade. 

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

Assista BEETHOVEN | Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior, "Eroica"

Clicar no link: 

https://www.youtube.com/watch?v=DuxWQx7kduI




 

EUDERSON TOURINHO E AMIGOS EM GRANDE JORNADA PELO RIO SOLIMÕES - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Uma expedição de sete horas partindo de Manaus rumo ao Lago Anori, onde Euderson Tourinho e seus amigos viveram a emoção da pesca do tucunaré em meio à beleza da Amazônia. 

O dia começou cedo em Manaus, com o grupo de amigos reunido no porto, preparando-se para uma aventura que prometia ser memorável. O barco, robusto e confortável, estava abastecido com mantimentos, equipamentos de pesca e, claro, a expectativa de todos. O destino era o Lago Anori(*), um dos refúgios mais conhecidos para a pesca esportiva na Amazônia. 

A viagem, de aproximadamente sete horas, seria feita navegando pelo majestoso Rio Solimões, um dos braços mais importantes do sistema amazônico. O Solimões é imenso, com águas barrentas e fortes correntes, mas também com paisagens que encantam a cada curva, além, de comunidades ribeirinhas, casas flutuantes, crianças brincando às margens e a exuberância da floresta que parece não ter fim.

Euderson Kang Tourinho estava acompanhado de amigos que compartilhavam a mesma paixão pela pesca esportiva. O clima era de camaradagem, risadas e histórias contadas ao som do motor do barco. Alguns já haviam pescado tucunarés antes, outros estavam prestes a viver a experiência pela primeira vez. 

O tucunaré, peixe símbolo da Amazônia, é conhecido por sua força e resistência. Para os pescadores esportivos, capturá-lo é um desafio que exige técnica, paciência e, muitas vezes, sorte. O grupo sabia que não seria uma tarefa simples, mas a expectativa de sentir a puxada firme na linha mantinha todos atentos e animados.

Durante as horas de navegação, o Solimões mostrava sua imponência. Trechos largos pareciam mares interiores, enquanto curvas estreitas revelavam igarapés escondidos. O sol refletia nas águas, criando um espetáculo de luzes douradas. O barco seguia firme, cortando as ondas e deixando para trás uma esteira branca.

Em alguns momentos, o grupo avistava botos cor-de-rosa, que surgiam e desapareciam rapidamente, como se saudassem os viajantes. A presença desses animais reforçava a sensação de estar em um lugar único, onde a natureza ainda dita o ritmo da vida. 

Após cerca de sete horas, finalmente o barco adentrou o Lago Anori. O cenário era deslumbrante: águas mais calmas, cercadas por vegetação densa, árvores que se projetavam sobre a superfície e uma atmosfera de tranquilidade. Era como entrar em um mundo paralelo, onde o tempo faz-se desacelerar.

Ali, o grupo começou a preparar os equipamentos. Varas, carretilhas, iscas artificiais coloridas, tudo pronto para o grande momento. A pesca do tucunaré exige atenção especial às iscas, já que o peixe é atraído por movimentos rápidos e cores vibrantes. 

O primeiro tucunaré. Não demorou muito para que a primeira fisgada acontecesse. Um dos amigos lançou a isca próximo a uma estrutura de galhos submersos e, em segundos, sentiu a puxada forte. O peixe lutava com vigor, saltando sobre a água em tentativas de se livrar do anzol. O grupo acompanhava com entusiasmo, incentivando e vibrando a cada movimento. 

Quando finalmente o tucunaré foi trazido para dentro do barco, todos puderam admirar sua beleza: corpo robusto, cores intensas, manchas características. Era a confirmação de que a jornada valera a pena.

Ao longo do dia, outros tucunarés foram fisgados. Alguns escaparam, deixando apenas a lembrança da batalha travada. Outros foram capturados e exibidos com orgulho, sempre respeitando a prática da pesca esportiva, que valoriza o peixe e o devolve à água após a captura. 

Entre uma fisgada e outra, o grupo aproveitava para conversar, contar histórias e compartilhar experiências. O ambiente era de amizade verdadeira, reforçada pela paixão comum pela pesca e pela natureza.

No retorno, já ao entardecer, o Solimões presenteou o grupo com um espetáculo inesquecível. O céu se tingiu de tons alaranjados e rosados, refletindo nas águas e criando uma paisagem digna de pintura. O barco seguia lentamente, e todos pareciam contemplar em silêncio a grandiosidade daquele momento.

Era mais do que uma pescaria, era uma experiência de conexão com a Amazônia, com seus rios, sua fauna e sua gente. Uma lembrança que ficaria marcada para sempre na memória de Euderson Kang Tourinho e seus amigos.

A pescaria no Lago Anori não foi apenas sobre capturar tucunarés. Foi sobre amizade, aventura e respeito à natureza. O Rio Solimões, com sua imponência, guiou o grupo até um dos cenários mais belos da Amazônia, proporcionando momentos de alegria e contemplação. 

Essa jornada mostrou que a pesca esportiva é muito mais do que um esporte: é uma forma de vivenciar a Amazônia em sua essência, de sentir a força dos rios e de se encantar com a vida que pulsa em cada detalhe. 

© Alberto Araújo

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(*) O LAGO ANORI é um recurso hídrico localizado no município de Anori, no interior do estado do Amazonas. A região, situada na bacia do Rio Negro-Solimões, é conhecida por sua rica biodiversidade, produção de açaí e pelo ecoturismo, com o lago sendo uma das principais atrações naturais da área, que fica a 234 km de Manaus. Significado: O nome Anori vem do Nheengatu “Uanuri” ou “Wanury” (Ánory), referindo-se ao "tracajá macho", uma espécie de quelônio.

Localização: Município integrante da Mesorregião do Centro Amazonense, na região de Coari, AM. 

Atrações: A orla do lago é um ponto de interesse, frequentemente associado a atividades de preservação ambiental, como a campanha Ondas Limpas.

Características: O local é famoso pela beleza natural, trilhas e paisagens típicas da floresta amazônica.


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