quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

RIO DE JANEIRO, CORAÇÃO ABERTO DIANTE DO MUNDO POEMA EM PROSA DE © ALBERTO ARAÚJO


Rio de Janeiro é uma paisagem que respira dentro da alma. Montanhas se erguem como antigas, abraçando a cidade que se estende em curvas suaves até o mar. 

O Cristo observa em silêncio, não como estátua, mas como símbolo de uma esperança que nunca se apaga. As praias são horizontes líquidos, onde o sol se dissolve em cores que parecem inventadas apenas para este lugar.

O vento traz o cheiro de sal e de floresta, lembrando que aqui a natureza não se esconde, ela invade cada esquina. O calçadão é palco de passos apressados e contemplativos, de encontros casuais e de histórias que se misturam ao som do samba que ecoa invisível. 

O Rio é feito de contrastes, de morros que guardam vidas e de avenidas que correm em direção ao futuro. É uma cidade que não pede licença para ser intensa, que se mostra sem máscaras, que se revela em cada olhar. O Rio de Janeiro é lindo porque não tenta ser perfeito, apenas existe como um coração aberto diante do mundo. 

CRÉDITOS DE TODAS AS FOTOS:

Página do Facebook do Rio tá na moda.

 

®© Alberto Araújo

 

 

RESENHA CRÍTICA E AFETIVA DO LIVRO "ANINHA - A MENINA QUE VENDIA ALFACES" © ALBERTO ARAÚJO

Uma obra infantojuvenil que ilumina a Educação e a Literatura

"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces", escrito por Ana Maria Tourinho e publicado pela Editora Kelps (Goiânia, 2020), é uma obra infantojuvenil de 40 páginas que combina narrativa sensível com poesia moderna, ilustrada com delicadeza por Mario DonLeal. O livro é mais do que uma história infantil: é um tributo à resiliência, à educação e à força transformadora da infância. 

A protagonista, Aninha, é apresentada como uma menina feliz, cercada por brinquedos, bonecas e livros. Aos sete anos, sua vida muda drasticamente quando seus pais perdem a condição econômica privilegiada. A família se muda para o sítio dos avós maternos, onde Aninha é acolhida em um ambiente de trabalho e simplicidade. Lá, ela aprende a plantar, cultivar e vender verduras, frutas, flores e legumes, especialmente alfaces, que se tornam símbolo de sua reinvenção. 

O livro destaca o papel da educação como ferramenta de emancipação. Aninha não apenas estuda, mas também ensina. Em uma das passagens mais tocantes, o avô instala um quadro-negro à frente da mesa de refeições, transformando o espaço doméstico em sala de aula. Aninha, ainda criança, torna-se professora de outras crianças da comunidade, revelando sua vocação para o ensino e sua solidariedade. 

Com o tempo, Aninha ingressa na universidade, o que a impede de continuar ensinando. No entanto, os alunos que ela ajudou jamais a esquecem. Em Belém, cidade onde a história se passa, ela é lembrada como a pequena lourinha que os guiou nas primeiras letras. A narrativa reforça que a educação não é um privilégio, mas um direito de todos, uma mensagem que ecoa com força nas páginas finais. 

Um dos diferenciais da obra é a inclusão de aldravias, forma poética minimalista composta por até sete palavras, sem pontuação. As aldravias dialogam com a narrativa, ampliando seu alcance simbólico e educativo. Elas aparecem em momentos estratégicos, como na página 33, onde se lê: educação sonho? um direito de todos 

Essa estrutura poética convida o leitor à reflexão e à sensibilidade, tornando o livro uma experiência estética além da leitura convencional. 

Mario DonLeal, ilustrador da obra, contribui com imagens que não apenas acompanham o texto, mas o expandem. Seus traços capturam a ternura de Aninha, a rusticidade do sítio, e a vivacidade das hortas. As ilustrações funcionam como janelas para o universo da personagem, reforçando o vínculo entre texto e imagem. 

A autora dedica o livro aos avós e padrinhos que emigraram de Portugal para Belém no século XIX, estabelecendo-se como agricultores. Essa memória afetiva permeia toda a obra, conferindo-lhe autenticidade e profundidade. A dedicação também menciona professores, revisores e familiares que contribuíram para sua formação e para a realização do livro. 

Ana Maria Tourinho é escritora, poetisa e fotógrafa, nascida em Belém do Pará e residente no Rio de Janeiro. Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras; Membro da ALALS, Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse, é autora de obras como: "Pérolas & Pimentas" (2018) e "Desfolhando Aldravias" (2019). Participa de diversas entidades literárias e já foi premiada nacional e internacionalmente. 

Mario DonLeal é artista plástico, poeta aldravista e ilustrador. Licenciado em Letras e Filosofia, tem vasta experiência em artes visuais e literatura infantojuvenil. Suas ilustrações neste livro são fundamentais para a construção do imaginário de Aninha.

"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces" é uma obra que emociona, educa e inspira. Com linguagem acessível, ilustrações envolventes e poesia inovadora, o livro promove valores como solidariedade, empreendedorismo, cidadania e amor pela educação. É leitura recomendada para crianças, jovens, educadores e famílias que acreditam no poder da literatura como ferramenta de transformação social. 

Ficha técnica

Título: Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces

Autora: Ana Maria Tourinho

Ilustrador: Mário DonLeal

Editora: Kelps, Goiânia

Ano: 2020

ISBN: 978-65-86148-73-2

Gênero: Literatura infantojuvenil / Poesia / Aldravias

Páginas: 40 

Se você busca uma obra que une afeto, memória, poesia e educação, "Aninha" é uma leitura indispensável.


BIOGRAFIA DE ANA MARIA TOURINHO 

Ana Maria Tourinho nasceu em Belém do Pará e construiu sua trajetória literária no Rio de Janeiro, onde se radicou. Sua carreira é marcada pela pluralidade de gêneros e pela sensibilidade em retratar o humano em suas múltiplas dimensões. Com uma escrita que transita entre o lirismo poético e a força crítica, Ana Maria conquistou leitores de diferentes idades e contextos, tornando-se uma referência na literatura brasileira contemporânea.

Autora de obras que dialogam com a poesia e a literatura infantojuvenil, ela publicou títulos como Pérolas & Pimentas, Desfolhando Aldravias, Aninha, a menina que vendia alfaces, Cadê Fady? Tô aqui!, obra que chegou a concorrer ao Prêmio Jabuti em 2022  e Marmelo, o sapo Martelo. Sua escrita é marcada por delicadeza, lirismo e uma crítica sutil, que convida à reflexão sobre o mundo em que vivemos, sem perder o encanto narrativo que cativa públicos diversos. 

Além de sua produção literária, Ana Maria Tourinho tem se destacado como articuladora cultural de grande relevância. Ocupa o cargo de Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, instituição que conecta escritores, artistas e intelectuais em diferentes países, promovendo a circulação de ideias e a valorização da produção literária em escala global. Também atua como Vice-presidente da União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro (UBE-RJ), reforçando seu compromisso com o fortalecimento da literatura nacional e com a defesa dos direitos dos escritores.

Sua atuação internacional inclui participações em importantes feiras e encontros literários, como a Feira do Livro de Lisboa, onde compartilhou sua visão sobre o papel da literatura na construção de pontes entre povos e culturas. Reconhecida por sua capacidade de unir afetos, letras e experiências, Ana Maria é presença constante em projetos que buscam democratizar o acesso à leitura e valorizar a diversidade cultural. 

Em 2025, sua participação no 1º Fórum Internacional de Literatura e Cultura – Conexões e Diálogos Globais representou uma oportunidade ímpar para que sua experiência, sensibilidade e visão de mundo contribuíssem para os debates sobre o papel transformador da literatura. Ana Maria Tourinho reafirma, com sua trajetória, que a literatura é um instrumento de resistência, esperança e transformação social. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural











terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AÇÃO JURÍDICA - PODCAST EPISÓDIO 19 COM DR. NAGIB SLAIBI FILHO E DRA. KARIN DIAS

(Clicar na imagem para assistir)

Ação Jurídica - Podcast Episódio 19: Fato como fundamento do direito subjetivo: art. 357 CPC



 


EDITAIS LIBERADOS! INSCRIÇÕES ABERTAS! FEIRA DO LIVRO DE LISBOA 2026

É com enorme alegria que a Rede Sem Fronteiras anuncia a abertura, a partir de hoje, das inscrições para participação — presencialmente ou por representação — em dois dos mais importantes encontros do universo editorial: a Feira do Livro Infantil de Bolonha e a 96ª Feira do Livro de Lisboa. 

Mais do que eventos, estas feiras são portas abertas para novas conexões, visibilidade internacional, trocas culturais e experiências que marcam trajetórias. É uma oportunidade real de ampliar horizontes, fortalecer projetos autorais e viver o pulsar da literatura em ambientes inspiradores e vibrantes. 

O regulamento de cada feira pode ser acessado nos links abaixo, e as fichas de inscrição estão disponíveis para download no link indicado ao final de cada regulamento.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA –

2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivroinfantildebolonha.com/


96ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA – 2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivrodelisboa.com/


É importante salientar que as inscrições para a Feira do Livro Infantil de Bolonha são exclusivas para os 20 primeiros membros oficiais da RSF que entrarem em contato, em função da limitação de espaço. Portanto, recomendamos que os interessados entrem em contato o quanto antes.

Já a Feira do Livro de Lisboa é aberta também a não membros. No entanto, apenas os membros oficiais terão 50% de desconto no investimento de participação, além da possibilidade de acesso aos eventos off-feira. 

Os principais eventos off-feira já contam com datas previstas e, muito em breve, divulgaremos mais detalhes sobre a logística de participação, programação e organização.

  • Almoço de boas-vindas (28/05)
  • Passeios de barco no Rio Tejo, com brunch a bordo (31/05)
  • Jantar com apresentação de Fado (06/06)
  • Clube do Livro Silencioso da RSF (07/06)
  • Piquenique Literário no Parque Eduardo II (10/06)
  • II Encontro Internacional de Escritoras (11/06)
  • Jantar de Gala, com cerimônia de homenagens (12/06) 

À medida que os escritores forem se inscrevendo, também serão liberadas informações práticas sobre hotéis, deslocamentos e dicas de viagem, para que todos possam se planejar com tranquilidade e aproveitar ao máximo essa experiência.

Em caso de dúvidas, nossa Diretora de Projetos, Cátia Pires, estará à disposição — exclusivamente em horário comercial — pelo

 e-mail diretoriadeprojetos@redesemfronteiras.com 

ou via WhatsApp.

Fica o convite: venha fazer parte desta jornada, representar sua obra, sua voz e a força da nossa rede em dois palcos que respiram livros, ideias e encontros inesquecíveis.


Esperamos você!

Equipa Organizadora

Rede Sem Fronteiras










 

20 DE JANEIRO - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL 166 ANOS DE ANTÔNIO PARREIRAS - O PINTOR DA PAISAGEM BRASILEIRA

No dia 20 de janeiro de 2026, celebramos os 166 anos de nascimento de Antônio Diogo da Silva Parreiras, pintor, desenhista, ilustrador, escritor e professor que se tornou um dos grandes nomes da arte brasileira. Sua trajetória é marcada pela força da paisagem como gênero artístico e pela capacidade de transformar a natureza em poesia visual. Nascido em Niterói em 1860, Parreiras cresceu em um ambiente cultural em que a influência europeia era dominante, mas desde cedo buscou construir uma linguagem própria, capaz de traduzir o Brasil em cores, formas e atmosferas. Ao longo de sua vida, produziu mais de 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro, e realizou 39 exposições, consolidando-se como referência incontornável da pintura nacional. 

A arte de Parreiras é inseparável da paisagem. Ele não se limitava a reproduzir cenários, mas interpretava atmosferas, captava emoções e revelava o sublime dos instantes em que a natureza se mostrava grandiosa. Suas telas revelam florestas densas, campos abertos, mares revoltos e céus dramáticos, sempre carregados de significados. O pintor buscava retratar o Brasil ainda intocado, como se fosse possível congelar o momento em que a terra se apresentava pura e majestosa. Essa visão o aproximou do romantismo tardio, mas também o projetou como um dos primeiros artistas a consolidar a paisagem como gênero central da arte nacional. Em suas obras, o espectador encontra não apenas árvores, rios e montanhas, mas um discurso sobre identidade, pertencimento e brasilidade. 

Sua formação começou na Academia Imperial de Belas Artes, em 1883, quando já tinha 23 anos, idade considerada tardia para ingressar no universo artístico. Pouco depois, rompeu com a instituição para seguir o caminho da pintura ao ar livre, inspirado pelo alemão Georg Grimm. Essa decisão marcou sua trajetória: preferiu a liberdade criativa ao rigor acadêmico, organizando exposições em sua própria casa, em Niterói, e vendendo obras de forma comunitária. Foi nesse contexto que recebeu a visita de Dom Pedro II, em 1886, episódio fundamental para sua carreira, já que o imperador adquiriu duas de suas telas, conferindo-lhe reconhecimento e prestígio. Esse encontro abriu portas para que Parreiras pudesse viajar à Europa, onde montou ateliê em Paris e participou de salões internacionais, tornando-se o segundo pintor brasileiro a expor no Salão de Paris e, em 1911, delegado da Sociedade Nacional de Belas-Artes. 

Entre Brasil e França, Parreiras construiu uma carreira que unia o reconhecimento internacional ao compromisso com a arte nacional. Realizou encomendas oficiais para edifícios públicos, como o Palácio do Catete, o Supremo Tribunal Federal e a Câmara Municipal de São Paulo. Essas obras revelam como sua pintura se tornou parte da construção simbólica da nação, integrando arte e política. Sua tela Sertanejas, por exemplo, decorou os salões do Palácio do Catete, enquanto painéis seus ornamentaram a sede do Supremo Tribunal Federal. Em São Paulo, o Salão Nobre da Câmara Municipal e o Gabinete do Prefeito receberam obras suas como elementos decorativos, reforçando a presença da arte de Parreiras nos espaços de poder.

Além da pintura, Parreiras deixou textos e discursos que revelam sua visão crítica sobre o papel da arte. Criticava a valorização excessiva da produção europeia em detrimento da nacional e defendia a criação de uma arte brasileira autêntica, capaz de expressar o espírito do país. Em suas memórias, descreveu com emoção os primeiros contatos com a arte, lembrando que foi ao ver um pintor trabalhar e ao ouvir um poeta declamar versos que descobriu a estrada que seguiria por toda a vida. Essa dimensão intelectual e literária complementa sua obra plástica, mostrando um artista que pensava a arte como instrumento de civilização e transformação social. Em discursos na Academia Fluminense de Letras, afirmava que o grande valor dado à arte europeia pela academia e pelos críticos dificultava o desenvolvimento de uma arte nacional, e denunciava o preconceito social contra os artistas, vistos como figuras marginais em um país que ainda não reconhecia plenamente a profissão. 

O sucesso de Parreiras é motivo de estudo e análise profunda, principalmente por sua inserção no embrionário mercado de artes que se formava entre os séculos XIX e XX no Brasil. O pintor obteve sustento proveniente da venda de suas obras, num momento em que o mercado de arte ainda era instável e incipiente. Essa capacidade de viver da pintura, organizando exposições próprias e comercializando suas telas, revela não apenas talento artístico, mas também habilidade empreendedora. Em 1927, foi homenageado com um busto em bronze, esculpido por Marc Robert, inaugurado em Niterói, gesto que simboliza o reconhecimento público de sua importância. 

Grande parte de sua vida adulta foi passada num período de nacionalismo exacerbado e grande exaltação patriótica, o que explica a presença desses elementos em sua obra e em seus discursos. Parreiras considerava-se um indivíduo autônomo, que manifestava um forte desejo de mudança social no âmbito hierárquico, o que o impedia de ascender plenamente como sujeito artista e criador. Sua pintura, no entanto, conseguiu romper barreiras e afirmar-se como expressão de uma identidade nacional. Ao longo de sua carreira, experimentou diversos formatos de reconhecimento público, tanto no Brasil quanto no exterior, consolidando-se como figura central da arte brasileira. 

Celebrar os 166 anos de Antônio Parreiras é reafirmar a importância da arte como patrimônio cultural. Sua obra não é apenas pintura: é memória, identidade e poesia visual. Ele transformou paisagens em símbolos, deu ao Brasil uma arte que dialoga com o mundo, mas que nasce da terra e da emoção nacional. Seu legado permanece vivo, inspirando artistas e encantando públicos, lembrando-nos de que preservar a memória de Parreiras é também preservar a história e a alma do Brasil. O Museu Antônio Parreiras, instalado em sua antiga residência em Niterói, guarda parte significativa de sua produção e mantém viva sua memória, permitindo que o público de hoje e do futuro continue a dialogar com sua arte.

A trajetória de Antônio Parreiras não pode ser compreendida apenas pela análise de suas telas, mas também pelo contexto histórico em que se insere. O Brasil da segunda metade do século XIX vivia intensas transformações: o fim da escravidão se aproximava, o Império dava sinais de desgaste e a República surgia como horizonte político. Nesse cenário, a arte desempenhava papel fundamental na construção de uma identidade nacional. Parreiras, ao escolher a paisagem como tema central, oferecia ao público uma visão do país que ia além da política e da economia: mostrava o Brasil em sua dimensão natural, grandiosa e sublime. Suas telas eram, ao mesmo tempo, contemplação estética e afirmação cultural. 

O rompimento com a Academia Imperial de Belas Artes, em 1884, foi um gesto de ousadia que o aproximou do movimento de renovação artística liderado por Georg Grimm. Ao optar pela pintura ao ar livre, Parreiras não apenas buscava fidelidade à natureza, mas também se posicionava contra os modelos rígidos e idealizados da academia. Essa escolha o colocou em sintonia com tendências europeias, como o impressionismo, mas sem perder o vínculo com a realidade brasileira. Suas paisagens não eram apenas exercícios de técnica, mas interpretações carregadas de emoção, em que o artista buscava traduzir o impacto da natureza sobre o olhar humano.

A recepção de sua obra no Brasil revela a complexidade de sua posição. De um lado, foi celebrado por encomendas oficiais e reconhecido por instituições públicas; de outro, enfrentou críticas por sua insistência em valorizar a arte nacional em um ambiente ainda dominado pela admiração pela Europa. Em seus discursos, denunciava o preconceito contra os artistas e defendia que a pintura brasileira deveria ser capaz de expressar o espírito do país. Essa postura o aproximava de um discurso nacionalista, mas também revelava sua consciência da necessidade de autonomia cultural. 

Entre suas obras mais significativas, destacam-se aquelas que retratam a natureza em estado de força e beleza, como as telas de florestas e mares, mas também as que abordam temas históricos e sociais. Sertanejas, por exemplo, não é apenas uma cena de mulheres do interior: é uma representação da brasilidade, da vida simples e da dignidade do povo. Ao decorar o Palácio do Catete com essa tela, Parreiras inscreveu a cultura popular no espaço do poder, gesto que revela sua intenção de aproximar arte e sociedade. Da mesma forma, os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo mostram como sua obra se tornou parte da construção simbólica da nação.

A crítica contemporânea reconhece em Parreiras um artista que soube transitar entre o romantismo e o realismo, entre a contemplação estética e o compromisso social. Sua pintura é marcada por uma paleta vigorosa, pelo uso expressivo da luz e pela composição equilibrada, mas também pela capacidade de transmitir emoção. Ao longo de sua carreira, experimentou diferentes estilos e técnicas, mas manteve sempre a paisagem como núcleo de sua produção. Essa fidelidade ao gênero revela não apenas uma escolha estética, mas também uma convicção: a de que a natureza brasileira era digna de ser celebrada e eternizada na arte. 

O impacto de sua obra se estende para além de sua época. Ao viver da venda de suas pinturas, Parreiras antecipou a profissionalização do artista em um mercado ainda incipiente. Sua capacidade de organizar exposições próprias e de comercializar suas obras de forma independente mostra um espírito empreendedor que dialoga com a modernidade. Ao mesmo tempo, sua produção literária e seus discursos revelam um intelectual preocupado com o papel da arte na sociedade. Essa combinação de artista e pensador faz de Parreiras uma figura singular na história cultural do Brasil. 

Hoje, ao visitar o Museu Antônio Parreiras em Niterói, é possível compreender a dimensão de seu legado. As telas expostas não são apenas obras de arte: são testemunhos de uma época, de um país em transformação e de um artista que soube captar a essência da natureza e da identidade nacional. Celebrar seus 166 anos é, portanto, mais do que lembrar um pintor: é reafirmar a importância da arte como memória, como patrimônio e como expressão da alma brasileira.

Entre as mais de 850 pinturas realizadas por Antônio Parreiras, algumas se destacam não apenas pela qualidade estética, mas também pelo impacto cultural e histórico que tiveram. A seguir, apresento uma ampliação crítica, em texto corrido, dedicada a algumas de suas obras mais emblemáticas, que ajudam a compreender a dimensão de seu legado. 

Uma das telas mais conhecidas de Parreiras é “A Retirada da Laguna”, obra que retrata um episódio da Guerra do Paraguai. Nela, o artista não se limita a representar o fato histórico, mas imprime dramaticidade e emoção à cena, destacando o sofrimento dos soldados brasileiros em meio à natureza hostil. A composição revela sua habilidade em unir paisagem e narrativa, transformando o cenário em protagonista da ação. O céu carregado, as figuras fatigadas e a vastidão do espaço criam uma atmosfera de dor e resistência, que ultrapassa o registro documental e se torna símbolo da memória nacional. Essa tela é exemplo de como Parreiras soube dialogar com o romantismo histórico, sem perder a força da paisagem como elemento central. 

Outra obra significativa é “Sertanejas”, adquirida para decorar o Palácio do Catete. A tela apresenta mulheres do interior em sua vida cotidiana, mas a simplicidade da cena é elevada à dignidade artística. Ao colocar figuras populares em um espaço de poder, Parreiras inscreve a cultura popular na narrativa oficial da nação. A paleta terrosa, os gestos contidos e a serenidade das personagens revelam sua intenção de valorizar o Brasil profundo, aquele que não se via representado nas academias ou nos salões europeus. “Sertanejas” é, portanto, uma afirmação da brasilidade, um gesto político e cultural que aproxima arte e povo. 

No campo da paisagem pura, obras como “Paisagem Fluminense” revelam o olhar contemplativo de Parreiras sobre sua terra natal. Niterói e o entorno do Rio de Janeiro aparecem em suas telas como espaços de beleza natural, captados com vigor cromático e sensibilidade atmosférica. O artista buscava interpretar a natureza como se fosse uma experiência espiritual, traduzindo em cores e formas a emoção que sentia diante do espetáculo natural. Essas paisagens não são apenas registros topográficos, mas construções poéticas que convidam o espectador a partilhar da mesma emoção. A luz, sempre trabalhada com intensidade, é elemento fundamental para criar a sensação de grandiosidade e transcendência. 

Também merece destaque sua produção voltada para temas históricos e institucionais, como os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo. Nessas obras, Parreiras soube equilibrar a exigência oficial de monumentalidade com sua própria visão artística. Os espaços públicos, ao receberem suas telas, tornaram-se lugares de afirmação simbólica da nação, em que a arte cumpria papel de legitimação cultural. A presença de suas obras em tais instituições mostra como sua pintura foi incorporada ao imaginário político e social do Brasil. 

Por fim, é importante mencionar sua série de paisagens marítimas, em que o mar aparece ora sereno, ora tempestuoso, sempre carregado de significados. Nessas telas, Parreiras explora a força da natureza como metáfora da vida e da história. O mar, com sua vastidão e imprevisibilidade, torna-se símbolo da própria condição humana, em diálogo com a tradição romântica, mas também com a modernidade que se anunciava. A técnica refinada, o uso expressivo da cor e a composição dinâmica revelam um artista maduro, capaz de transformar a paisagem em reflexão existencial.

Essas obras exemplificam a diversidade e a profundidade da produção de Antônio Parreiras. Ao transitar entre o histórico, o popular e o natural, o pintor construiu uma obra que é, ao mesmo tempo, estética e cultural, individual e nacional. Sua arte permanece como testemunho da identidade brasileira e como convite à contemplação da natureza e da história. Celebrar seus 166 anos é também revisitar essas telas, que continuam a falar ao público com a mesma força e emoção que tinham no momento em que foram criadas.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

Sertanejas, 1896. Óleo sobre tela. 273 cm x 472 cm

Ventania, Pinacoteca do Estado de São Paulo

Canto de Praia - 1886 

Jornada dos Mártires
óleo sobre tela de 1928; 200 × 381cm

Fundação de Niterói, 1909

Paisagem do Campo do Ipiranga

A conquista do Amazonas, 1907

Fantasia, 1909

Fim de romance, 1912

Agonia, 1915

Cabrália 

Cesteiro - 1927

Terra Natal - 1923

Dolorida 








EDUCAÇÃO NORDESTINA O FUTURO QUE JÁ CHEGOU © FOCUS PORTAL CULTURAL

O Nordeste brasileiro sempre foi visto como uma terra de resistência, cultura vibrante e criatividade sem limites. Mas, nos últimos anos, uma nova narrativa tem ganhado força: a da educação como motor de transformação social e econômica. O que antes era apenas uma promessa, hoje se consolida em resultados concretos, como o desempenho extraordinário dos estudantes da região no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).  

Em 2025, os números preliminares revelaram que o Nordeste lidera o ranking de notas mil na redação do ENEM. Cinco jovens nordestinos alcançaram a pontuação máxima, um feito que não é apenas estatístico, mas simbólico. Pernambuco e Bahia, cada um com dois estudantes nota mil, e Alagoas, com um representante, mostraram que a região não apenas acompanha o ritmo nacional, mas dita tendências. Enquanto isso, no Sudeste, apenas o Rio de Janeiro registrou um candidato com desempenho equivalente.  

Esse resultado não é fruto do acaso. Ele reflete décadas de investimento em políticas públicas, programas de incentivo à leitura, expansão das universidades federais e estaduais, além da valorização da cultura local como ferramenta pedagógica. O Nordeste entendeu que educação não é apenas transmissão de conteúdo, mas também construção de identidade e cidadania.  

O que diferencia a educação nordestina é sua capacidade de integrar saberes. A literatura de cordel, as manifestações populares, a música e a oralidade são incorporadas às práticas escolares, tornando o aprendizado mais significativo. O estudante nordestino não aprende apenas a escrever uma redação; ele aprende a contar histórias, a defender ideias, a se posicionar diante do mundo. 

Essa conexão entre cultura e ensino fortalece a autoestima dos jovens e cria um ambiente fértil para a excelência acadêmica. Não é coincidência que tantos tenham alcançado a nota máxima em uma prova que exige clareza, argumentação e domínio da língua portuguesa. O Nordeste respira linguagem, e seus estudantes transformam esse ar em palavras poderosas.  

Nos últimos anos, estados nordestinos têm investido em escolas de tempo integral, bibliotecas comunitárias e programas de formação docente. Pernambuco, por exemplo, tornou-se referência nacional em educação integral, com resultados expressivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A Bahia ampliou o acesso ao ensino técnico e tecnológico, preparando jovens para o mercado de trabalho e para a inovação. Alagoas, que historicamente enfrentava desafios educacionais, tem mostrado avanços consistentes, com iniciativas voltadas para a alfabetização e para a inclusão digital.  

Essas políticas não apenas melhoram indicadores, mas transformam vidas. Cada estudante que alcança a nota mil carrega consigo uma história de superação, de famílias que acreditaram na educação como caminho, de professores que se dedicaram além da sala de aula, de comunidades que se mobilizaram para garantir oportunidades. 

Mais do que números, o desempenho no ENEM reafirma uma verdade histórica: o Nordeste é potência intelectual. A região que deu ao Brasil escritores como Jorge Amado, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz agora forma jovens que podem ser os próximos grandes pensadores, cientistas e líderes.  

Esse orgulho não é apenas regional; é nacional. O Brasil precisa reconhecer que o avanço educacional do Nordeste é uma conquista coletiva, que fortalece o país como um todo. Afinal, quando um estudante nordestino alcança a nota máxima, ele prova que talento não tem fronteiras e que a educação é capaz de romper qualquer barreira social ou geográfica. 

Se os dados preliminares já impressionam, o que esperar dos próximos anos? A tendência é de crescimento. Com a expansão da conectividade, o fortalecimento das universidades e a valorização da ciência e da cultura, o Nordeste se posiciona como protagonista de uma nova era educacional. 

O futuro que muitos imaginavam distante já chegou. Ele está nas salas de aula de Recife, nos laboratórios de Salvador, nas bibliotecas de Maceió. Está nos sonhos de cada jovem que acredita que pode transformar sua realidade por meio do conhecimento.  

O Nordeste não é apenas uma região que lidera rankings. É um território que ensina ao Brasil que educação é mais do que notas: é identidade, é resistência, é esperança. Os cinco estudantes que alcançaram a nota mil no ENEM 2025 são símbolos de uma revolução silenciosa, mas poderosa. Uma revolução que mostra que o Nordeste não está apenas avançado; está, de fato, à frente. 

@ Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 MENSAGENS

Márcia Pessanha disse: Viva o nosso nordeste. Parabéns para os amigos nordestinos.
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Maravilha! Obrigado Marcia, você como uma professora-mestra, certamente, a sua essência está nessa postagem. Abraços do Alberto Araújo

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Eurídice Hespanhol disse: Alberto, em 2018 eu tive trabalhos selecionados para O congresso de Americanistas em Salamanca,  Espanha.  A cidade ficou lotada. Foram cerca de 6 mil congressistas.  Brasileiros as pencas. Todas as universidades públicas com excelentes  trabalhos.  Pude notar a presença nordestina em massa, com pesquisas muito potentes, superavam em  número e excelência  as equipes do sudeste.  Foi uma experiência  inesperada  pra mim. Nós  aqui, enaltecendo o sudeste e as universidades  do nordeste  deram um banho. De lá  pra cá,  frequento os congressos dos nordeste sempre que posso.  Estão  muito bem, e não  é  de hoje. Parabéns  aos nossos  irmãos,  pesquisadores  das universidades  do nordeste. Eurídice.


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Olá, Eurídice, muito obrigado pelo seu depoimento tão bonito e inspirador. É realmente valioso receber palavras de apoio e reconhecimento, especialmente quando vêm acompanhadas de experiências tão ricas como a sua participação no Congresso de Americanistas em Salamanca. O relato sobre a força e a excelência das pesquisas das universidades do Nordeste é motivo de orgulho e celebração para todos nós. Seu testemunho reforça a importância de valorizar e enaltecer o trabalho dos nossos pesquisadores, que seguem brilhando e mostrando ao mundo a potência da produção acadêmica brasileira. Lembro-me desse Simpósio em Salamanca, soube pela internet, foi em julho de 2018 era o 56º Congresso Internacional de Americanistas, celebrando os 800 anos da Universidade de Salamanca. Que honra! você ter participado desse momento histórico. Felicidades. Vou espalhar esse seu depoimento pelas redes. É importante demais.  Abraços do Alberto Araújo.