quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

CULTURA & JUVENTUDE - O BRILHO DE “PELO QUE FOI”


O curta-metragem animado “Pelo que Foi” (título internacional: For What it Was) desponta como uma das produções mais promissoras do cinema universitário brasileiro. Lançado em 2025, o filme é dirigido por Julia Leite e Luís Eduardo, e nasceu como Trabalho de Conclusão de Curso de Marcela Lesniczki, recém-formada em Design de Animação pela ESPM, ao lado dos colegas Luis, Julia e Rafael. Filha de nosso confrade Marcelo Lesniczki de Campos, Marcela já demonstra que sua carreira desponta com força no cenário cultural e audiovisual do país.

ORIGEM E SINOPSE

Descrito como uma animação nascida nas periferias do Brasil, o curta carrega em sua essência a diversidade e a resistência cultural. Com duração de 8 minutos e 25 segundos, traduz em imagens e sons a vivência de jovens criadores que transformaram suas experiências sociais em arte. Após cerca de dois anos de produção, o filme iniciou sua jornada em festivais em meados de 2025. 

Em pouco mais de seis meses de circulação, “Pelo que Foi” conquistou prêmios e seleções em festivais nacionais e internacionais: 

Melhor Curta Animado – Categoria Externa (Voto Popular) no 1º Festival Universitário Limonada da PUC/RJ (2025).

Melhor Animação Brasileira e Melhor Trilha Sonora de Animação Brasileira no 5º Campinas Film Festival (2025), com trilha assinada por Renan Luiz Souza de Sá.

Semifinalista de Melhor Animação no 3º Tianjin International Academic Film Festival (TAFA), China (2025). 

O IMPACTO CULTURAL DA OBRA SE REFLETE NAS MÚLTIPLAS SELEÇÕES PARA 2026, INCLUINDO:

29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

3º Festival Internacional AnimaVerso

3º Tietê International Film Awards (TIFA)

3º Festival Audiovisual do Sul Global (FAS)

9º Festival Audiovisual Universitário de Belém – Toró

8º Cine Tamoio

Essas indicações revelam não apenas a qualidade técnica e artística do curta, mas também sua capacidade de dialogar com diferentes públicos e culturas. 

Mais do que um projeto acadêmico, “Pelo que Foi” é um testemunho da potência da produção universitária brasileira, capaz de conquistar palcos internacionais e abrir caminhos para novas narrativas visuais. Marcela e sua equipe representam uma juventude criativa que encontra na animação um espaço de expressão artística e crítica cultural. O curta reafirma o papel da animação como linguagem universal, capaz de traduzir realidades sociais em arte e de projetar o talento brasileiro para o mundo.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


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MENSAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

O Focus Portal Cultural celebra com entusiasmo o sucesso do curta-metragem animado “Pelo que Foi” (For What it Was), uma obra que já se consolida como símbolo da força criativa da juventude brasileira. Dirigido por Julia Leite e Luís Eduardo, e concebido como Trabalho de Conclusão de Curso por Marcela, ao lado dos colegas Luis, Julia e Rafael, o filme é um exemplo de como a produção universitária pode ultrapassar fronteiras e conquistar reconhecimento internacional. 

Em pouco tempo, “Pelo que Foi” acumulou prêmios e seleções em festivais de prestígio, destacando-se pela qualidade técnica, pela trilha sonora original de Renan Luiz Souza de Sá e pela narrativa que nasce das periferias do Brasil, traduzindo em arte a diversidade e a resistência cultural.

O Focus parabeniza Marcela, Julia, Luís, Rafael e toda a equipe pela dedicação e pelo talento que transformaram um projeto acadêmico em uma obra de relevância cultural. Que este seja apenas o início de uma trajetória brilhante, capaz de inspirar outros jovens criadores a acreditarem na força da arte e da animação como instrumentos de transformação social. 

Mensagem de incentivo cultural: Que “Pelo que Foi” seja um farol para novas gerações, mostrando que a criatividade, quando aliada à persistência e ao trabalho coletivo, pode abrir caminhos e projetar o Brasil no cenário mundial da animação. O futuro da cultura se constrói com iniciativas como esta, e o Focus Portal Cultural se orgulha em acompanhar e divulgar esse movimento. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

 


 

ELOS INTERNACIONAL MOVIMENTA A CENA CULTURAL EM VISCONDE DO RIO BRANCO

Visconde do Rio Branco, cidade mineira marcada por tradições e pela força de sua vida cultural, tornou-se novamente palco de importantes acontecimentos ligados ao Elos Internacional da Comunidade Lusíada. A presença da presidente da instituição, Matilde Carone Slaibi Conti, reacende o espírito de união e de valorização da cultura que caracteriza o movimento elista. Em sua terra natal, Matilde conduz tratativas que têm como objetivo fortalecer os laços culturais e ampliar a atuação do Elos na região.

Na próxima quinta-feira, 29 de janeiro um jantar comemorativo no restaurante de Marco Antonio, reconhecido apoiador da instituição, marcará um momento histórico: a criação oficial de uma nova Célula Elista na vizinha cidade de Guiricema, em parceria com o já consolidado núcleo de Visconde do Rio Branco. A iniciativa simboliza a expansão do movimento e reafirma o compromisso do Elos com a difusão da língua portuguesa, da cultura e da solidariedade entre povos. 

O evento terá ainda um caráter institucional de grande relevância, será concedido o título de Membro Honorário do Elos Clube de Visconde do Rio Branco ao jornalista Cléber Lima, figura de destaque na história política e cultural da cidade. Proprietário do jornal A Voz de Rio Branco, Cléber construiu uma trajetória marcada pelo serviço público e pela defesa da cultura local, tendo exercido os cargos de vereador, prefeito e deputado estadual. Sua atuação como comunicador e líder político consolidou-o como uma voz influente na região, e o reconhecimento da Academia coroa décadas de dedicação.

A parceria entre o Elos Internacional e a ARBL demonstra a força das instituições culturais quando se unem em prol de objetivos comuns. Mais do que títulos e cerimônias, trata-se de um gesto simbólico que valoriza a memória coletiva e projeta para o futuro a importância da cultura como elemento de identidade e coesão social. O Elos, ao lado da Academia, reafirma que a cultura não é apenas um patrimônio, mas também um instrumento de transformação e de aproximação entre comunidades. 

O movimento elista, fundado sobre os pilares da fraternidade e da valorização da língua portuguesa, mostra-se cada vez mais dinâmico. A criação de novas células, como a de Guiricema, amplia a rede de atuação e fortalece o compromisso com a difusão cultural. A presença de Matilde Conti em sua cidade natal, liderando iniciativas e articulando parcerias, é um sinal claro de que o Elos continua vivo, pulsante e em constante expansão.

Em tempos em que a cultura enfrenta desafios, a mobilização promovida pelo Elos Internacional em Visconde do Rio Branco é um exemplo inspirador. O reconhecimento a Cléber Lima, a criação de novas células e o apoio de lideranças locais como Marco Antonio demonstram que o movimento é capaz de unir tradição e inovação, memória e futuro. O Elos é, de fato, tudo de bom: uma ponte entre povos, uma celebração da língua e um testemunho da força da cultura como elemento essencial da vida comunitária. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional









 

PIAUÍ MEU AMOR - VÍDEO COM BELEZAS NATURAIS PIAUIENSES


Um mergulho nas belezas naturais e culturais do nosso estado!

Este vídeo reúne paisagens de tirar o fôlego, capturadas por nobres nordestinos em suas páginas do Facebook e Instagram, e editadas com carinho na plataforma Capcut.

Cenários apresentados: 

O encontro mágico do Rio com o Mar no Delta do Parnaíba;  A grandiosidade da Serra da Capivara, patrimônio mundial da humanidade; O encanto do Litoral do Piauí – Parnaíba; A beleza da Praia Grande em Luís Correia; A vida pulsante de Teresina; A tradição e acolhimento de Luzilândia, minha terra natal 

Este trabalho é uma sistemática de valor cultural, sem fins lucrativos, feito para celebrar e divulgar as riquezas piauienses. 

Assista, compartilhe e deixe-se levar pela emoção de dizer:

“Piauí, meu amor!”

 

O SONO DE POMBO - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Há homens que dormem como pedras, mergulhados em silêncio profundo, e há outros que dormem como pássaros: leves, desconfiados, sempre prontos a levantar voo ao menor ruído. Seu Antero, por exemplo, dorme como pombo. Não é sono de quem se entrega à noite inteira, mas de quem se rende em parcelas, em prestações curtas, como se o descanso fosse uma dívida que nunca se quita. Cochila na cadeira da sala, a cabeça pendendo para frente, e desperta com o estalo da madeira ou o ranger da geladeira. Fecha os olhos de novo, mas logo os abre, como se o mundo não lhe desse licença para se ausentar por muito tempo. 

A vizinhança já se acostumou. Quem passa pela janela vê o velho sentado, olhos semicerrados, e não sabe se está dormindo ou apenas pensando. É um estado intermediário, uma fronteira tênue entre o sono e a vigília. O pombo, quando repousa no fio, também parece assim: nunca inteiramente entregue, sempre pronto para o susto. Durante a noite, Seu Antero se deita cedo, mas não dorme cedo. Fica ouvindo os barulhos da casa, o vento que bate na veneziana, o cachorro que se mexe no quintal. Quando finalmente adormece, o sono vem em fiapos. Às duas da manhã, desperta para beber água. Às três, levanta para verificar se trancou a porta. Às quatro, já está sentado na cama, olhando o relógio, como se esperasse o dia nascer para lhe dar permissão de estar acordado sem culpa. 

A esposa, Dona Lourdes, já desistiu de reclamar. No começo, dizia: “Homem, deita e dorme, pelo amor de Deus.” Mas depois entendeu que não se trata de escolha. O sono de pombo é destino, é modo de ser. Há quem carregue insônia como cruz, mas Seu Antero carrega como companhia. De manhã, quando o sol ainda é tímido, ele se senta na varanda com uma xícara de café. O mundo desperta devagar, mas ele já está desperto há horas. Observa os vizinhos que ainda bocejam, os ônibus que começam a passar, o padeiro que abre a porta da padaria. E pensa que talvez o sono seja um luxo dos jovens, dos que ainda podem se dar ao direito de se desligar.

O curioso é que, apesar de dormir pouco, Seu Antero não se queixa de cansaço. O corpo se acostumou a viver em estado de vigília. Ele cochila em intervalos: cinco minutos na poltrona, dez minutos na rede, três minutos na cadeira da cozinha. É como se fosse um colecionador de pequenos descansos, juntando migalhas de sono ao longo do dia. Às vezes, os netos acham graça. “Vovô dorme igual pombo!”, dizem, rindo. Ele sorri também, porque sabe que é verdade. Mas há uma dignidade nesse sono breve, uma espécie de sabedoria. O pombo não se entrega porque precisa estar atento ao mundo. E Seu Antero, talvez sem saber, também vigia: vigia a casa, vigia os filhos, vigia o tempo que passa.

Há noites em que ele se lembra da juventude, quando dormia pesado, sem medo de perder nada. Hoje, o medo é outro: o de perder o instante, o de não estar presente quando algo acontece. Por isso desperta tantas vezes, como se cada despertar fosse uma garantia de que ainda está aqui, de que ainda participa da vida. O sono de pombo é também uma metáfora da velhice. O corpo já não se entrega por inteiro, mas se oferece em pedaços. O descanso vem em retalhos, como vem a memória. E, no entanto, há beleza nisso: uma beleza discreta, como a de um pombo que repousa no fio de luz, indiferente ao trânsito, ao barulho, ao caos da cidade.

Quem vê de fora pode pensar que é incômodo, que é sofrimento. Mas Seu Antero sabe que há uma paz nesse ritmo. Ele não precisa de longas noites para se sentir vivo. Basta-lhe o silêncio da madrugada, o canto de um galo distante, o cheiro do café fresco. E assim ele segue, entre cochilos e despertares, como quem dança com o tempo. O sono de pombo não é ausência: é presença intermitente. É estar no mundo em pequenas doses, mas estar sempre. Talvez um dia os netos entendam que o riso que fazem do avô é, na verdade, uma lição. Porque viver não é apenas dormir ou acordar: é aprender a habitar os intervalos. 

Seu Antero, com seus olhos que se fecham e se abrem, ensina isso sem palavras. Ensina que há dignidade no breve, que há beleza no instante, que há vida mesmo nos cochilos. O sono de pombo, afinal, é menos sobre dormir e mais sobre vigiar. É o jeito que a velhice encontrou de não se ausentar do mundo. Há noites em que pensa na morte. Não como ameaça, mas como visita esperada. Ele sabe que um dia o sono deixará de ser breve, que virá inteiro, profundo, sem despertares. Não teme. Pensa que talvez seja apenas um último cochilo, mais longo, mais sereno. Como o pombo que, cansado de vigiar, finalmente se recolhe sem pressa de abrir os olhos.

Dona Lourdes, às vezes, percebe o olhar distante do marido. Pergunta: “Em que pensa, homem?” Ele responde: “Penso no tempo.” “E o que tem o tempo?” “O tempo é como o sono. Vem em pedaços, mas um dia se junta inteiro.” Ela sorri, sem saber se entende. Mas há ternura na resposta. O sono de pombo, afinal, é também ensaio para a eternidade. Cada despertar é uma lembrança de que ainda se está vivo. Cada cochilo é uma preparação para o descanso maior. Seu Antero não fala disso com medo ou angústia. Fala como quem aceita. Como quem sabe que a vida é feita de intervalos, e que a morte será apenas o último intervalo, o mais longo de todos.

Enquanto isso, continua a vigiar. Vigia os netos brincando, vigia o sol nascendo, vigia o café esfriando na xícara. Vigia o mundo que insiste em se renovar a cada manhã. E quando o sol se abre inteiro sobre a cidade, lá está ele, sentado na varanda, olhos semicerrados, corpo entregue por um instante. Parece dormir. Mas quem olha com atenção percebe: ele está apenas descansando o olhar, como um pombo que repousa, mas nunca se esquece de voar. Um dia, talvez, não desperte mais. Mas até lá, continuará a ensinar, sem palavras, que viver é habitar os intervalos, e que há beleza até no sono breve.

© Alberto Araújo

 

HOJE É DIA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

Pintura de Andrea di Buonaduto

Por intermédio da pintura de Andrea di Buonaduto e outros pintores famosos, neste 28 de janeiro, celebramos a memória de São Tomás de Aquino, o Doutor da Igreja que iluminou o mundo com sua sabedoria serena e fé profunda. Filósofo, teólogo e mestre do pensamento cristão, Tomás nos ensinou que a razão e a fé não são opostas, mas aliadas na busca pela verdade. 

Com sua mente brilhante e coração humilde, ele nos convida a pensar ajoelhados, com reverência diante do mistério divino. Que sua intercessão nos ajude a purificar nossa razão, para que ela não se perca no orgulho, e a inflamar nosso coração com a verdade que nasce do silêncio de Deus. 

Hoje, recordamos suas palavras: “Tudo o que escrevi é palha diante do que o Teu amor revela.” Que essa sabedoria nos conduza ao amor, e que todo estudo, toda busca e toda defesa da verdade termine em Deus.

São Tomás de Aquino, rogai por nós! 

SÃO TOMÁS DE AQUINO - O DOUTOR DA IGREJA QUE UNIU FÉ E RAZÃO 

Tomás de Aquino nasceu em 1225, no castelo de Roccasecca, próximo a Aquino, no Reino da Sicília (atualmente Itália). Filho de uma família nobre, seus pais desejavam que ele seguisse carreira política ou militar. No entanto, desde cedo, Tomás demonstrou inclinação para a vida religiosa e intelectual. 

Aos cinco anos, foi enviado à Abadia de Monte Cassino, onde iniciou sua formação monástica. Mais tarde, estudou na Universidade de Nápoles, onde teve contato com os escritos de Aristóteles, que influenciariam profundamente sua obra. Em 1244, ingressou na Ordem dos Dominicanos, contrariando os desejos da família, que chegou a mantê-lo em cárcere por um ano para fazê-lo desistir. 

Tomás de Aquino é considerado o principal expoente da filosofia escolástica, corrente que buscava conciliar a fé cristã com a razão filosófica. Estudou com Santo Alberto Magno em Colônia e Paris, e tornou-se professor na Universidade de Paris, o principal centro intelectual da Europa medieval. 

Sua obra mais célebre, a Suma Teológica, é uma síntese monumental do pensamento cristão, abordando temas como a existência de Deus, a moral, os sacramentos e a salvação. Tomás utilizou o método dialético, apresentando objeções, respostas e conclusões, o que tornou seus textos referência acadêmica até hoje. 

A grande contribuição de Tomás foi mostrar que fé e razão não são opostas, mas complementares. Inspirado por Aristóteles, ele defendia que a razão humana pode chegar a verdades naturais, enquanto a fé revela verdades sobrenaturais. Essa visão influenciou profundamente o pensamento cristão, sendo reafirmada séculos depois por papas como João Paulo II, na encíclica Fides et Ratio. 

Tomás também abordou temas como a lei natural, a ética cristã, a justiça social e a política, influenciando pensadores como Dante, Descartes e até juristas modernos. Sua visão de que o bem comum deve orientar a política permanece atual.

Tomás de Aquino faleceu em 7 de março de 1274, aos 49 anos, na Abadia de Fossanova. Foi canonizado em 1323 pelo Papa João XXII e proclamado Doutor da Igreja em 1567 por Pio V, recebendo o título de Doctor Angelicus. 

É padroeiro dos estudantes, professores, universidades, teólogos e filósofos. Sua festa litúrgica é celebrada em 28 de janeiro, data que marca sua influência duradoura na cultura cristã e no pensamento ocidental.

A obra de Tomás de Aquino continua sendo estudada em seminários, universidades e centros de pesquisa. Sua abordagem racional da fé inspira diálogos inter-religiosos, debates éticos e reflexões sobre ciência e espiritualidade.

Na arte, Tomás é frequentemente representado com um livro e uma luz no peito, simbolizando a sabedoria divina. Sua frase “Tudo o que escrevi é palha diante do que o Teu amor revela” expressa sua humildade diante do mistério de Deus. 

São Tomás de Aquino é mais do que um teólogo medieval: é um símbolo da busca pela verdade, da integração entre razão e fé, e da coragem intelectual. Em tempos de polarização e superficialidade, seu legado nos convida a pensar com profundidade, amar com sabedoria e viver com propósito.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


"A Tentação de Tomás de Aquino" - Diego Velázquez
Pintor espanhol (1599-1660)


Filippino Lippi
Pintor italiano (1457-1504)

Gentile da Fabriano
Pintor italiano (1370-1427)



ESPECIAL MOZART 270 ANOS – LICIA LUCAS COROA O GÊNIO

 

(CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO VÍDEO)

Uma data que se transforma em celebração

No dia 27 de janeiro de 2026, o mundo celebra os 270 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart. Poucos nomes na história da música carregam tanto peso simbólico quanto o do compositor austríaco. Sua obra, escrita em apenas 35 anos de vida, permanece como um dos pilares da cultura ocidental. Mozart é sinônimo de genialidade, equilíbrio e beleza. Sua música atravessa séculos e continua a emocionar públicos de todas as idades e culturas. 

Neste contexto, a pianista Licia Lucas oferece ao público um registro histórico que se transforma em homenagem: a execução do Concerto nº 26 em Ré Maior KV 537 “Coroação”, realizada em São Paulo, em 08 de abril de 2000, com a Orquestra Sinfônica da USP sob regência do maestro Eduardo Rahn. 

Hoje, ao revisitar esse momento, Licia Lucas “coroa” Mozart, reafirmando sua relevância eterna.


 

O CONCERTO Nº 26 “COROAÇÃO” 

O Concerto nº 26 em Ré Maior KV 537 foi composto em 1788, período em que Mozart enfrentava dificuldades financeiras e buscava reafirmar sua posição em Viena. A obra ficou conhecida como “Coroação” por ter sido associada às festividades imperiais, especialmente à coroação de Leopoldo II em Frankfurt, em 1790. 

O concerto é marcado por uma escrita brilhante, que combina solenidade e lirismo. É uma obra que exige do intérprete não apenas virtuosismo técnico, mas também compreensão profunda da linguagem mozartiana. 

I – Allegro: abertura majestosa, marcada por energia e vitalidade. O piano dialoga com a orquestra em clima de celebração. 

II – Larghetto: momento de introspecção, onde o piano canta com delicadeza, criando atmosfera contemplativa. 

III – Allegretto: conclusão festiva, com espírito dançante e luminoso, reafirmando o caráter jubiloso da obra. 

A execução de 2000, em São Paulo, trouxe à tona toda essa riqueza, com Licia Lucas ao piano e Eduardo Rahn conduzindo a orquestra em perfeita sintonia.



LICIA LUCAS – A PIANISTA 

Licia Lucas é uma das grandes intérpretes brasileiras, reconhecida por sua dedicação ao repertório clássico e pela busca incansável da excelência. Sua carreira é marcada por apresentações em importantes palcos nacionais e internacionais, sempre com o compromisso de difundir a música erudita. 

Licia Lucas construiu trajetória sólida, marcada por estudos rigorosos e por uma sensibilidade artística que a tornou referência no cenário pianístico brasileiro. Sua interpretação de Mozart é descrita como refinada e vigorosa, equilibrando técnica e emoção. 

No concerto de 2000, sua performance foi exemplo de maturidade artística. Revisitar esse registro em 2026 é reafirmar sua contribuição para a cultura brasileira e para a memória musical de Mozart.

 


EDUARDO RAHN – O MAESTRO

O maestro Eduardo Rahn, de origem venezuelana, construiu carreira internacional sólida. Estudou no Conservatório Nacional de Paris e se especializou em regência na Juilliard School, em Nova York. Atuou por sete anos na Europa e três nos Estados Unidos, absorvendo tradições diversas e ampliando sua visão artística. 

No Brasil, colaborou com orquestras como a Sinfônica da USP e a Sinfônica de Santo André, sempre trazendo sua versatilidade e rigor técnico. Sua parceria com Licia Lucas é exemplo de diálogo entre culturas e talentos, resultando em interpretações memoráveis.

Rahn é reconhecido por sua capacidade de unir disciplina e emoção, conduzindo a orquestra com clareza e paixão. No concerto de 2000, sua regência foi fundamental para dar vida ao espírito festivo e solene da obra de Mozart. 

A ORQUESTRA SINFÔNICA DA USP 

Fundada em 1975, a Orquestra Sinfônica da USP consolidou-se como uma das principais formações musicais do país. Seu papel é difundir repertórios clássicos e contemporâneos, formando público e promovendo a cultura musical. 

No concerto de 2000, a orquestra mostrou sua maturidade e versatilidade, acompanhando Licia Lucas com precisão e sensibilidade sob a batuta de Eduardo Rahn. Foi um momento de afirmação da qualidade artística da formação paulista. 

O Concerto de 08 de abril de 2000. Naquele dia, São Paulo foi palco de um encontro especial entre solista, maestro e orquestra unidos em celebração a Mozart. O público pôde testemunhar a força da música como elo entre épocas e culturas. 

O registro desse concerto é mais que memória, é patrimônio cultural, que hoje ganha novo significado ao ser revisitado no aniversário de 270 anos de Mozart. 

A atmosfera era de solenidade e entusiasmo. O piano de Licia Lucas, a regência firme e sensível de Eduardo Rahn e a resposta da orquestra criaram uma experiência única. O público, emocionado, reconheceu naquele momento a grandeza da música como expressão universal. 

O início dos anos 2000 foi um período de efervescência cultural em São Paulo. A cidade consolidava-se como centro musical, com instituições como a USP, a Orquestra Sinfônica Municipal e a OSESP ampliando sua atuação.

Concertos como o de 2000, com Licia Lucas e Eduardo Rahn, refletiam essa vitalidade. A presença de solistas renomados e maestros internacionais contribuía para elevar o nível artístico e para formar público cada vez mais exigente.

Esse contexto reforça a importância do registro, não se trata apenas de uma execução de Mozart, mas de um momento que simboliza a maturidade da vida musical paulistana.



MOZART – 270 ANOS

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em 27 de janeiro de 1756, em Salzburgo. Sua obra atravessou fronteiras e séculos, permanecendo como símbolo de genialidade. Dos concertos e sinfonias às óperas, sua música é universal, capaz de emocionar públicos diversos. 

Celebrar seus 270 anos é reconhecer que sua arte continua viva. Cada execução é uma coroação simbólica, reafirmando sua relevância eterna. Mozart é patrimônio da humanidade, e cada intérprete que o revisita contribui para manter sua chama acesa. 

No repertório pianístico, Mozart ocupa lugar central. Seus concertos para piano são obras-primas que exigem do intérprete equilíbrio entre técnica e expressão. São peças que revelam a essência da música clássica e que continuam a desafiar pianistas em todo o mundo.

Hoje, 27 de janeiro de 2026, Licia Lucas coroa Mozart com sua interpretação. Ao revisitar o concerto de 2000, realizado em São Paulo com a Orquestra Sinfônica da USP e regência de Eduardo Rahn, a pianista reafirma a força da música como ponte entre passado e presente. 

Este Especial cultural e jornalístico do Focus Portal Cultural é uma homenagem ao grande compositor, à pianista que o interpreta com paixão e ao maestro que o conduz com maestria. É também um tributo à música como expressão universal, capaz de atravessar séculos e continuar a emocionar. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

EFEMÉRIDES – 27 DE JANEIRO DE 2026 - 218 ANOS DO NASCIMENTO DE JOÃO CAETANO DOS SANTOS, O PAI DO TEATRO BRASILEIRO



O Focus Portal Cultural registra nesta data a efeméride do nascimento de João Caetano dos Santos que nasceu em 27 de janeiro de 1808 ator, empresário e teórico da arte dramática, considerado o fundador do teatro nacional brasileiro. Sua trajetória, iniciada em Itaboraí, Rio de Janeiro, em 1808, atravessou décadas e deixou marcas profundas na cultura do país. Mais de dois séculos depois, sua memória continua viva, reverenciada por todos aqueles que amam a arte de representar.

João Caetano nasceu em uma época de grandes transformações: o Brasil recebia a corte portuguesa e começava a se abrir para novas expressões culturais. Filho de uma família humilde, cresceu em meio às dificuldades, mas desde cedo demonstrou talento e inclinação para o teatro. O ambiente artístico brasileiro ainda era dominado por companhias portuguesas, e a ideia de um ator nacional de destaque parecia improvável. 

Em 1833, João Caetano estreou como ator profissional. Sua disciplina e intensidade chamaram atenção do público carioca, que rapidamente o consagrou como intérprete de tragédias clássicas. Foi o primeiro brasileiro a encenar obras de Shakespeare, como Otelo e Hamlet, além de peças de autores franceses e portugueses. Sua atuação se destacava pela seriedade e pelo rigor técnico, em contraste com o improviso comum entre atores da época. 

Mais do que ator, João Caetano foi um empreendedor cultural. Fundou companhias teatrais genuinamente brasileiras e criou o Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro, que se tornou referência para a cena artística nacional. Sua luta era clara: profissionalizar o teatro e dar ao Brasil uma identidade própria no campo das artes cênicas. 

João Caetano também se destacou como primeiro teórico do teatro brasileiro. Escreveu reflexões sobre a arte de representar, defendendo disciplina, estudo e dedicação como pilares da atuação. Para ele, o ator deveria ser consciente, capaz de transmitir emoção sem perder o rigor técnico. Suas ideias influenciaram gerações posteriores e ajudaram a consolidar o teatro como forma de expressão artística e cultural. 

Sua carreira foi decisiva para a afirmação da cultura brasileira no século XIX. João Caetano levou espetáculos para diversas províncias, ampliando o alcance da arte dramática e formando plateias em todo o país. Tornou-se símbolo da emancipação cultural, mostrando que o Brasil podia produzir arte de qualidade sem depender exclusivamente da Europa. 

João Caetano faleceu em 24 de agosto de 1863, no Rio de Janeiro. Sua morte foi sentida como a perda de um verdadeiro ícone nacional. O velório reuniu admiradores e autoridades, e sua memória foi perpetuada em homenagens diversas. O Teatro João Caetano, inaugurado em 1930 na Praça Tiradentes, é uma das maiores homenagens à sua trajetória, mantendo viva sua presença como referência cultural.

 

HOMENAGENS E MEMÓRIA

 

Teatro João Caetano (RJ): palco histórico que leva seu nome.

Teatro João Caetano (Niterói – RJ).

Estátuas e bustos: presentes em museus e espaços públicos.

Selos e medalhas comemorativas: emitidos em sua honra.

Estudos acadêmicos: que o reconhecem como pioneiro da dramaturgia nacional. 

João Caetano dos Santos foi mais do que um ator: foi um visionário cultural, um educador da arte dramática e um símbolo da identidade nacional. Sua vida e obra representam a luta pela valorização da arte no Brasil, e sua memória continua a inspirar gerações de artistas e amantes do teatro. 

O THEATRO MUNICIPAL JOÃO CAETANO, EM NITERÓI 

É um dos mais importantes espaços culturais da cidade e leva o nome do grande ator João Caetano dos Santos, considerado o pai do teatro brasileiro. Ele é um marco histórico e artístico, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, e continua ativo como palco de espetáculos variados. 

Fundação - O prédio é considerado por muitos historiadores como o palco do nascimento do teatro brasileiro, pois foi ali que João Caetano estreou com sua Companhia Dramática Nacional em 1833. 

Rebatizado - Em 1900, a Câmara Municipal de Niterói oficializou o nome Teatro Municipal João Caetano, em homenagem ao ator. 

Capacidade - O espaço comporta cerca de 400 pessoas, mantendo um ambiente intimista e acolhedor.

Tombamento -  em 1990, o teatro foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), reconhecendo sua relevância histórica.

Restauração - Entre 1991 e 1995, passou por um grande trabalho de restauração, sendo reinaugurado em 19 de dezembro de 1995, preservando suas características originais. 

O Theatro João Caetano é hoje um espaço plural, que recebe:

Peças teatrais de grupos locais e nacionais.

Recitais e espetáculos musicais.

Festivais e performances.

Atividades educativas e visitas guiadas, aproximando o público da história do teatro.

Endereço: Rua XV de Novembro, 35 – Centro, Niterói (RJ).

Contato: Tel. (21) 2620-1624 / 2613-0098.

 

O Theatro João Caetano em Niterói não é apenas um espaço físico, mas um símbolo da memória cultural brasileira, perpetuando o nome de João Caetano dos Santos e reafirmando sua importância como pioneiro da arte dramática no país. 

Hoje, o Focus Portal Cultural celebra sua efeméride e reafirma:

Viva a cultura! Viva o teatro! Viva João Caetano! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 













A DAMA DO PIANO - LICIA LUCAS E O LEGADO UNIVERSAL DA MÚSICA

Em um mundo marcado por transformações sociais, políticas e culturais, a música permanece como uma das linguagens mais universais e poderosas da humanidade. Entre os nomes que se destacam nesse cenário, a pianista brasileira Licia Lucas ocupa um lugar de honra. Conhecida como a “Dama do Piano”, sua trajetória transcende fronteiras geográficas e culturais, tornando-se símbolo da força da arte como instrumento de união, beleza e transcendência. 

Anos atrás em entrevista concedida ao jornalista Andrea Fasano para a IMD Radio, em Roma, Licia Lucas reafirmou sua posição como uma das grandes intérpretes da música clássica contemporânea. Sua carreira, marcada por prêmios, concertos e colaborações com mais de 50 orquestras sinfônicas na Europa, Estados Unidos e América Latina, é testemunho vivo da relevância da música erudita e da capacidade de uma artista em transformar o piano em voz da humanidade. 

O ponto de inflexão na carreira internacional de Licia Lucas ocorreu na Itália, quando conquistou a Medalha de Ouro no Concurso Internacional Viotti de Vercelli. O prêmio foi entregue pelo presidente do júri, ninguém menos que Arturo Benedetti Michelangeli, considerado um dos maiores pianistas do século XX. 

Esse reconhecimento não foi apenas uma vitória pessoal, mas também um marco para a música brasileira. Ao receber a medalha de Michelangeli, Licia Lucas inscreveu seu nome na história da música mundial, mostrando que o Brasil não é apenas terra de ritmos populares como samba e bossa nova, mas também berço de intérpretes capazes de dialogar com a tradição erudita europeia em pé de igualdade. 

Ao longo das décadas, Licia Lucas se apresentou como solista em mais de 50 orquestras sinfônicas espalhadas pela Europa, Estados Unidos e América Latina. Essa presença constante nos palcos internacionais revela não apenas sua técnica impecável, mas também sua capacidade de adaptação a diferentes culturas musicais. 

Cada concerto é uma ponte entre mundos, quando toca em Viena, dialoga com a tradição austro-germânica; em Nova York, conecta-se ao dinamismo cosmopolita; na América Latina, resgata raízes e emoções compartilhadas. Essa versatilidade é rara e coloca Licia Lucas em um patamar de artistas que não apenas interpretam partituras, mas recriam universos sonoros. 

O título de “Dama do Piano” não é mero epíteto. Ele traduz a reverência que críticos, colegas e público têm por Licia Lucas. Sua importância cultural pode ser analisada em diferentes dimensões: 

Em um campo historicamente dominado por homens, Licia Lucas afirma a presença feminina com autoridade e sensibilidade. 

Cada apresentação internacional é também um ato de diplomacia, levando o nome do Brasil a espaços de prestígio. 

Sua trajetória inspira jovens músicos, mostrando que disciplina, paixão e talento podem abrir portas em qualquer parte do mundo. 

Ao interpretar obras de compositores europeus, americanos e latino-americanos, Licia Lucas reafirma que a música é patrimônio da humanidade, não de uma única nação.

O piano, instrumento de amplitude sonora e emocional, encontra em Licia Lucas uma intérprete capaz de revelar sua essência. Para ela, cada tecla é uma palavra, cada acorde é uma frase, cada concerto é um discurso dirigido à alma humana. 

Sua interpretação não se limita à técnica. Há uma dimensão espiritual em sua música, uma busca por transcender o tempo e o espaço. Nesse sentido, Licia Lucas não é apenas uma pianista: é uma mediadora entre o humano e o sublime, entre o cotidiano e o eterno. 

Na entrevista concedida a Andrea Fasano, Licia Lucas falou sobre sua trajetória, desafios e conquistas. O cenário romano, carregado de história e arte, foi o palco ideal para uma conversa que reafirmou a importância da música como linguagem universal. 

Roma, cidade que respira cultura, serviu como metáfora para a própria carreira da pianista: um encontro entre tradição e modernidade, entre raízes e horizontes. A entrevista não foi apenas um relato biográfico, mas um testemunho da relevância da arte em tempos de incerteza.

Ao refletir sobre a importância de Licia Lucas, é impossível não pensar na música como patrimônio da humanidade. Assim como obras arquitetônicas ou literárias, a música é parte essencial da memória coletiva. 

Licia Lucas contribui para essa memória ao interpretar obras que atravessam séculos e ao dar vida a composições que, sem intérpretes, permaneceriam silenciosas. Sua arte é um ato de preservação cultural, mas também de renovação, pois cada execução é única e irrepetível.

A trajetória de Licia Lucas é mais do que uma história de sucesso individual. É um testemunho da força da música como linguagem universal, da capacidade da arte em unir povos e da importância de reconhecer artistas que dedicam suas vidas a transformar notas em emoções.

Ao conquistar prêmios, se apresentar em palcos internacionais e inspirar novas gerações, Licia Lucas reafirma que a música não é apenas entretenimento, mas uma necessidade humana. Sua arte é um convite à contemplação, à reflexão e à esperança. 

A “Dama do Piano” é, portanto, não apenas uma pianista brasileira de renome internacional, mas uma embaixadora da humanidade através da música. Seu legado transcende fronteiras e permanece como símbolo daquilo que nos torna humanos: a capacidade de criar beleza e compartilhá-la com o mundo. 

© Alberto Araújo

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