sexta-feira, 12 de junho de 2026

12 - A URDIDURA DO ETERNO - Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

12 - A URDIDURA DO ETERNO 

O amor, quando atinge a sua maturidade, não se parece com os fogos de artifício que iluminam o céu de verão apenas por um instante, deixando para trás um rastro de fumaça e silêncio. Ele é, antes, como o musgo que se agarra à pedra: silencioso, paciente, transformando a dureza da vida em algo que acolhe e protege. No dia 12 de junho, enquanto o mundo se apressa em trocar presentes que o tempo há de consumir, convido você a olhar para o que realmente sustenta a vida a dois: a permanência do invisível. 

Amar é um ato de coragem quase insurgente. Em um tempo de descartabilidade, onde tudo parece ter prazo de validade, escolher o outro todos os dias é um exercício de fidelidade ao próprio destino. Não se trata apenas da paixão que incendeia,  essa é a faísca inicial, mas do amor que persiste, que resiste ao desgaste das rotinas e à aspereza dos dias nublados. O amor que sobrevive é aquele que aprendeu a ler a geografia da alma alheia, reconhecendo cada cicatriz como um mapa da história que construíram juntos. 

Há uma beleza indizível em envelhecer ao lado de alguém, não no sentido cronológico, mas no sentido de amadurecer a percepção. É perceber que as mãos que se seguram hoje carregam o peso de todas as batalhas vencidas e de todas as alegrias compartilhadas. É compreender que o silêncio entre duas pessoas não é um vazio, mas uma linguagem densa, um dialeto particular que dispensa tradução. Quando chegamos ao ponto em que não precisamos provar mais nada, em que a presença do outro é a resposta mais completa para as nossas inquietações, descobrimos o verdadeiro sentido do sagrado. 

Hoje, celebra-se o encontro. Mas, se formos honestos, celebra-se muito mais: celebra-se a permanência. Celebrar o Dia dos Namorados é honrar o pacto de não nos deixarmos levar pelo vento, de sermos a âncora um do outro na vastidão de um mundo que insiste em nos dispersar. O amor é o fio de ouro que costura o tempo, unindo o que fomos ao que seremos, transformando a nossa existência comum em uma obra de arte que, embora invisível para o mundo, é a única coisa que realmente justifica a jornada. Que o seu amor seja, hoje e sempre, esse lugar de pouso, de paz e de infinito retorno.

Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 



 

11 - O HORIZONTE DE NÓS - Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL



11 -  O HORIZONTE DE NÓS

Não procuro mais o norte das cartas, nem as rotas desenhadas pelos antigos. Encontrei a geografia que me cabe no contorno do teu abraço, onde o mapa se dissolve em carne e respiração.

Amar-te é este exercício de não-resistência, deixar que a maré leve o que não importa e nos deixe apenas com o essencial: o peso da tua mão na minha, o silêncio que sabe o nome de todas as coisas sem precisar pronunciar nenhuma.

Se o amor é um idioma, nós o inventamos a cada amanhecer, entre o café e o riso solto, entre o medo de sermos finitos e a certeza, absoluta e sem esforço, de que em cada detalhe de ti eu me descubro, finalmente, inteiro.

Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES - Nº 10 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES 

Costumamos medir o amor pelo calendário, pela contagem dos dias que se empilham em gavetas ou pelas datas que sublinhamos no papel. Contudo, há uma outra contagem que nos escapa: o tempo que o amor leva para criar raízes no solo invisível de duas existências. Não é um tempo linear, de horas e minutos; é um tempo geológico, feito de sedimentos de conversas, de olhares trocados e da paciência necessária para atravessar os invernos um do outro. 

O amor é, acima de tudo, a capacidade de habitar o agora sem o medo do depois. É a estranha e maravilhosa certeza de que, mesmo que o mundo lá fora insista em girar mais rápido, aqui dentro existe um eixo. Um eixo de silêncio, de mãos dadas e de presenças que não precisam se explicar.

Cada gesto de cuidado é, na verdade, uma pequena oferenda ao tempo que virá. Quando aprendemos a celebrar o banal, transformamos o comum em eterno. Amar é saber que, enquanto o mundo se altera lá fora, entre nós, o tempo se suspende para que possamos, enfim, apenas ser, um o refúgio do outro, na impermanência de todas as coisas.

 

Nº 10 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 




 

A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS CELEBRA A MEMÓRIA E A IDENTIDADE EM NITERÓI – VISITA AO MUSEU ANTÔNIO PARREIRAS E JANETE COSTA

Comitiva de membros da Academia Fluminense de Letras

A cultura, quando viva e pulsante, não se restringe ao silêncio das estantes; ela se faz no encontro, na troca de saberes e no reconhecimento dos alicerces que sustentam nossa identidade. Em um movimento de singular importância para a cena fluminense, a centenária Academia Fluminense de Letras (AFL) protagonizou sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma imersão institucional que reafirma o compromisso da agremiação com a preservação do patrimônio histórico e artístico de Niterói. Por intermédio do projeto “A Academia Visita”, coordenado pelo incansável acadêmico Jordão Pablo de Pão, a instituição reafirmou sua relevância como ponte entre as artes, as letras e a memória pública. 

Sob a presidência de Márcia Pessanha, a Academia Fluminense de Letras tem demonstrado uma gestão pautada pela abertura e pelo fortalecimento de laços interinstitucionais. A visita realizada hoje aos Museus Antônio Parreiras (MAP) e Janete Costa de Arte Popular (MJC) não foi apenas um protocolo, mas um exercício de continuidade histórica. 

A escolha dos destinos não é fortuita. Antônio Parreiras, o mestre niteroiense qual a sua obra superou as fronteiras da pintura, possui um elo intrínseco com a Academia. Em 1927, o célebre pintor e professor ingressou na AFL como membro da Classe de Belas Artes, um feito consolidado logo após a publicação de seu emblemático livro de memórias, História de um Pintor, Contada por Ele Mesmo (1926). Visitar o museu que leva seu nome é, para os acadêmicos, um ato de reverência a um dos seus pares mais ilustres. 

Da mesma forma, a homenagem ao Museu Janete Costa celebra a memória da arquiteta recifense que, com um olhar sensível e vanguardista, dedicou sua vida a elevar o artesanato ao patamar de alta manifestação cultural do povo brasileiro. Janete Costa não apenas curou exposições; ela curou a percepção do Brasil sobre si mesmo. 

O ponto alto da jornada foi a entrega da Moção de Reconhecimento e Aplausos da AFL às instituições culturais, à frente do Museu Antônio Parreiras representado por Fátima Marotta Henriques e ao Museu Janete Costa representado por Daniela Moraschini.

O reconhecimento público destaca a atuação incansável dessas profissionais, que mantêm a chama da memória acesa em tempos de constantes transformações urbanas e sociais. 

A comitiva da AFL, liderada por Márcia Pessanha e orquestrada por Jordão Pablo de Pão, contou com a presença de um grupo seleto e atuante de intelectuais, incluindo Matilde Carone Slaibi Conti - Presidente do Elos Internacional, Cenáculo Fluminense de História e Letras e outras, Eneida Fortuna Barros, Erthal Rocha, Lucia Romeu, Magda Belloti, Railson Barboza, Sidney Gomes e Verônica Oliveira. 

Nos corredores e jardins do Museu Antônio Parreiras, o grupo foi recebido com a hospitalidade da equipe educacional, representada por Flávia Vilar, Gabe e Breno Santos. Já no Museu Janete Costa, o acolhimento ficou a cargo de Elielton Rocha e Júnior, que conduziram os visitantes por uma imersão na curadoria que define a essência da arte popular no Brasil. 

O projeto “A Academia Visita”, idealizado por Jordão Pablo de Pão, configura-se como uma das iniciativas mais dinâmicas da atual gestão da AFL. Ao levar a Academia para fora de sua sede, a instituição desmistifica o conceito de "torre de marfim". A literatura e a academia fluminense, ao se colocarem em diálogo com museus e espaços de cultura, provocam uma reflexão necessária: a de que o saber acadêmico e a preservação do patrimônio são, em última análise, o mesmo esforço de salvaguarda da nossa história. 

Esta incursão, realizada sob o sol radiante desta sexta-feira 12 de junho, ganha contornos de uma poesia singular ao coincidir com o Dia dos Namorados. Em um movimento de rara sensibilidade, a Academia Fluminense de Letras não celebrou apenas o afeto romântico, mas o verdadeiro "namoro" com a nossa própria história. Enquanto o mundo trocava juras de amor, nossos acadêmicos trocavam olhares de admiração com as personalidades históricas que moldaram nossa identidade. Foi um encontro de almas afins: os imortais da AFL em um enlace apaixonado com a genialidade de Antônio Parreiras e a audácia estética de Janete Costa. 

Niterói reafirma, assim, seu posto privilegiado como um verdadeiro celeiro de pensamento e sensibilidade artística. A integração entre a AFL e os museus estaduais não é meramente administrativa; é uma rede de proteção, um abraço afetuoso que a cultura dá em seus próprios tesouros. Ao transitar pelas galerias, os membros da Academia pareciam enamorados das formas, das cores e das narrativas que ali repousam, provando que o conhecimento, quando cultivado com paixão, gera reflexos profundos e duradouros no fomento às artes e na educação patrimonial de nossa gente. 

Ao final do dia inesquecível, o sentimento compartilhado entre os presentes era de uma profunda comunhão. A memória, quando visitada com este respeito, um verdadeiro cortejo intelectual e afetivo, deixa de ser um registro estático, um documento poeirento ou uma data esquecida; ela se transmuta em um guia vibrante para o futuro. A Academia Fluminense de Letras, embora centenária, revela-se deliciosamente contemporânea e pulsante em sua missão de eternidade, guiada pelo lema que estampa seu estandarte: "Per Astra". Ao buscar o saber "através das estrelas", a instituição reafirma sua vocação de elevar o pensamento humano para além do tempo, dialogando e celebrando, com esmero, o legado daquelas personalidades que, com o amor fervoroso depositado em suas tintas, pedras, tecidos e palavras, desenharam o rosto multifacetado do que chamamos de cultura fluminense. 

Para o Focus Portal Cultural, esta visita representa muito mais do que um compromisso de agenda; é o registro sublime de uma gestão que compreende a cultura não como um objeto de museu, mas como o tecido vivo, apaixonado e indestrutível que une as gerações, fazendo da nossa história um eterno presente. 

Créditos das fotos, compartilhadas por: Christiane Victer e Matilde Carone Slaibi Conti 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

Márcia Pessanha - Presidente da Academia Fluminense de Letras



Momento da entrega da 
Moção de reconhecimento e aplausos 
a Coordenadora Flávia - do MAP




























quinta-feira, 11 de junho de 2026

“BORBOLETRANDA” NO VOO POÉTICO DE ALBERTO ARAÚJO - TEXTO DE MÁRCIA PESSANHA


 

 Réplica de Márcia Pessanha sobre o ensaio

“A Borboletranda da razão - O voo de Márcia Pessanha - Ensaio Literário © Alberto Araújo”

A “borboletranda” da razão amanheceu liberta do casulo, voando célere no azul do texto de Alberto Araújo, onde se encontrou mulher-palavra no corpo do poema. Poema feito de carne, de sensações vividas, metamorfoseadas em palavras, palavras aladas, dançando ao vento como as multicoloridas asas das borboletas.

Linguagem que não se traduz em uma simples metamorfose, em um efêmero reconhecimento, mas requer do neófito conhecer os estágios da metamorfose, os ritos de passagem e as travessias da vida. E Alberto soube com as luzes mágicas de sua sensibilidade e do encantamento  pelo universo artístico e dos saberes apreender a essência anímica da borboletranda.

E foi além, ao seguir o voo/fases do borboletrar de Márcia, bordando seu texto com fios dourados, mesclando conhecimentos filosóficos, culturais e outros, tendo como corolário uma apoteose de expressões bem elaboradas, à semelhança de um panapaná, ou seja de uma nuvem, uma revoada de borboletas pousando nas árvores da Floresta Encantada das Letras.

          A você, Alberto, digno habitante desta simbólica floresta, sempre buscando preservá-la, mantê-la viva, e que tão bem traduziu o borboletrar poético-vivencial de minha poesia,  desejo que chegue até você o perfume das palavras- flores e das palavras-frutos, com a esperança que as sementes irão germinar em sua escrita. E as borboletas! Ah! As borboletas irão sempre alegrar e colorir sua vida.

    Que assim seja! Com meu fraternal abraço de agradecimento.

Márcia Pessanha 










A BORBOLETRANDA DA RAZÃO O VOO DE MÁRCIA PESSANHA

Ensaio Literário © Alberto Araújo 

Ao observarmos a delicadeza iconográfica presente na imagem, somos confrontados com uma coreografia que supera o biológico: o voo das borboletas que ornam o vestido desta jovem não é apenas um adorno, é uma linguagem. É nessa dimensão, onde a erudição encontra a leveza, que situamos Márcia Pessanha, nossa "borboletranda" da intelectualidade. 

A metáfora da borboleta, frequentemente reduzida ao lugar-comum da metamorfose, exige, sob a lente da análise, uma revisão. A borboleta não muda apenas de forma; ela altera sua relação ontológica com o mundo. O processo de "borboletar" de Márcia, este neologismo que cunhamos para descrever seu trânsito fluido entre ideias, campos do saber e profundidades reflexivas, guarda uma semelhança intrínseca com o cromatismo vibrante e a diversidade das asas que compõem sua veste intelectual. 

Márcia Pessanha não habita o pensamento como quem ocupa um território estático; ela o habita como quem voa. 

Assim como as criaturas que habitam o vestido da jovem na imagem, cuja luminescência irradia um encanto absoluto, a produção intelectual de Márcia atua como um feixe de luz em meio à névoa das certezas dogmáticas. Ela pratica uma intelectualidade que se recusa a ser pesada. Ela é, em essência, uma "borboletranda": aquela em cujo processo de aprendizagem e construção de saber vive um constante estado de emergência, um eterno tornar-se. 

Assim como cada asa de borboleta é estruturada por uma geometria invisível que garante o sustento do voo, o discurso de Márcia é sustentado por uma rigorosa arquitetura lógica, ainda que apresentada com a fluidez de uma intuição poética. O colorido intenso que emana de seu pensamento, como uma trilha de pó luminoso, espelha o legado que Márcia deixa em cada debate. É uma marca que não pressiona o intelecto com o peso da autoridade, mas que o ilumina de dentro para fora, transformando a audiência. 

A figura na imagem, envolta em sua própria miríade de vida alada, não tenta aprisionar o voo; ela o contempla em sua totalidade. Esta é a postura de Márcia perante o conhecimento. Ela compreende que, para ser uma pensadora livre, é preciso oferecer ao pensamento o espaço necessário para a sua manifestação. O seu "borboletar" intelectual é, na verdade, uma forma de hospitalidade: ela acolhe as ideias, permite que orbitem o seu centro e, eventualmente, as libera para que transformem o ambiente ao redor. 

A intelectualidade, quando exercida com a profundidade de Márcia, torna-se uma arte da transição. Ela transita entre o rigor acadêmico e a sensibilidade lírica com a mesma naturalidade com que as cores transbordam da imagem, desafiando as fronteiras físicas e os limites impostos pelo senso comum. Ao compararmos Márcia Pessanha a esta miríade de cores, não buscamos apenas um elogio estético, mas uma definição de sua práxis. Ela é a prova viva de que a inteligência não precisa ser um fardo de pedra; ela pode ser um fenômeno aéreo, uma força da natureza que eleva a todos que a rodeiam. 

Ao celebrarmos a trajetória de Márcia Pessanha, é impossível não evocar a figura de Vladimir Nabokov. O autor de Lolita e Pálido Fogo, que dedicou grande parte de sua vida ao estudo rigoroso das borboletas, afirmava que a curiosidade intelectual é, em última instância, uma forma de arte. Para Nabokov, observar uma borboleta exigia a precisão de um cientista e a alma de um poeta, exatamente o que observamos na práxis de Márcia. Assim como Nabokov via na diversidade das asas a própria complexidade da experiência humana, Márcia compreende que o saber não é uma coleção de fatos fixos em alfinetes, mas um organismo vivo que precisa de espaço para alçar voo. Ela nos lembra de que, como diria o mestre da escrita e da lepidopterologia, o maior prazer do intelecto reside na "deliciosa surpresa" do próximo movimento.

Márcia é, portanto, a nossa borboletranda nabokoviana: alguém que, entre a ciência do rigor e a arte da intuição, entende que o pensamento, para ser verdadeiramente livre, deve ser, acima de tudo, uma celebração da luz. Ela jamais se sente completa no casulo das definições prontas; está sempre pronta para o próximo voo, disposta a transformar a quietude da estagnação em um espetáculo de luz intelectual. Que seu voo continue sendo essa nota vibrante no horizonte, um lembrete constante de que, no pensamento, como na natureza, o mais belo é o movimento que nos liberta. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





 

SEMEANDO O AMANHÃ - A ÉTICA AMBIENTAL COMO COMPROMISSO CIVILIZATÓRIO – ROTARY INTERNATIONAL

É com uma perspectiva reflexiva que o Focus Portal Cultural volta seu olhar para uma das missões mais nobres da contemporaneidade: a preservação do meio ambiente sob a égide da responsabilidade social. 

A imagem capturada da internet funciona, aqui, como um microcosmo de uma filosofia humanista em ação. Não se trata apenas de uma atividade de plantio, mas da materialização de um novo paradigma onde a intelectualidade se traduz em serviço à coletividade e à natureza. O Rotary International, ao encampar esta causa, demonstra compreender que a sustentabilidade não é um conceito abstrato, mas uma prática ética que exige a convergência entre conhecimento, vontade política e ação comunitária.

Este compromisso institucional reflete um entendimento profundo: a conservação dos recursos naturais é o pilar fundamental para a resiliência das sociedades humanas. Ao fomentar o empoderamento local, o Rotary supera a assistência direta e investe na autonomia intelectual e operacional das comunidades. Essa abordagem permite que grupos locais desenvolvam projetos inovadores, desenhados para atender às suas realidades específicas, promovendo, assim, uma verdadeira ecologia humana. 

A cena imortalizada é emblemática. Ela nos convida a observar que o voluntariado, quando alinhado a objetivos estratégicos e globais, torna-se uma força transformadora. O engajamento visível na imagem representa a transição da apatia para a agência; é o momento em que a consciência ambiental deixa de ser uma preocupação teórica e passa a ser a mão que trabalha a terra, que planeja o futuro e que compreende a interdependência inalienável entre o ser humano e o seu ecossistema.

O Focus Portal Cultural reconhece no Rotary International um agente catalisador de um desenvolvimento que, além de econômico e social, é intrinsecamente harmonioso com o planeta. É um convite para que continuemos a buscar soluções locais para desafios globais, pautados pelo diálogo, pela ciência e pela colaboração.

Celebrar tais iniciativas é reconhecer que o progresso real é aquele que deixa, como legado, um mundo mais consciente, equilibrado e intelectualmente preparado para os desafios do futuro.

Convidamos nossos leitores a aprofundar a compreensão sobre este modelo de atuação, acessando os detalhes desses projetos inspiradores:

https://on.rotary.org/3Iq3gzp



LICIA LUCAS E MARNE SERRANO MARCAM PRESENÇA NA HOMENAGEM A RUBÉN DARÍO: UM ELO CULTURAL ENTRE BRASIL E NICARÁGUA

No dia 10 de junho de 2026, a cidade de Miami foi palco de um significativo ato oficial realizado na sede do Movimento Mundial Dariano. O evento celebrou o legado do inestimável poeta nicaraguense Rubén Darío, figura central da literatura hispano-americana, e marcou a entrega das obras "Memorias de Hector Dario Pastora" e do livro "Ruben Dario", escritas pelo professor Hector Dario Pastora, atual presidente da instituição. 

Este encontro foi enriquecido pela presença de ilustres convidados, reforçando os laços de amizade e cultura que transcendem fronteiras. Entre os presentes, destacaram-se o casal Licia Lucas, nossa estimada "Dama do Piano", e Marne Serrano, companheiros queridos que atualmente residem em Miami. 

A cerimônia contou também com a participação do reconhecido tenor nicaraguense Octavio Orochena, cuja presença conferiu um toque especial à

homenagem. Rubén Darío e a sua profunda ligação com o Brasil 

A celebração em Miami resgata a histórica admiração de Rubén Darío pelo Brasil, uma relação que se consolidou no início do século XX. Como Cônsul Geral da Nicarágua em Paris, Darío participou, em julho de 1906, da III Conferência Pan-Americana, realizada no Rio de Janeiro. A sua vinda ao país foi um marco: na ocasião, viajou acompanhado por Elioth Root, então Secretário de Estado dos Estados Unidos (que receberia o Prêmio Nobel da Paz em 1912), e pelo ilustre embaixador do Brasil em Washington, o literato Dr. Joaquim Nabuco. 

O poeta retornaria ao Brasil em 1912, desta vez como diretor literário das revistas Mundial e Elegancia, visitando tanto o Rio de Janeiro quanto São Paulo, onde foi alvo de grandes homenagens oficiais e acadêmicas. O Brasil ocupava um lugar especial no seu imaginário, sendo descrito por Darío como uma "terra de promissão e de ensueño".

Foi durante a sua estadia em solo brasileiro, em 1906, que Darío escreveu o monumental poema "Salutación al Águila". Dedicada ao intelectual Fontaura Xavier, a obra é um apelo à unidade entre a América Sajona e a Latina. O poema imortalizou a fraternidade entre os povos americanos, sintetizada nos versos: "Águila existe el cóndor. Es tu hermano en las alturas". 

Além disso, Darío expressou o seu profundo encantamento pela cultura e pela pujança do nosso país, escrevendo sobre o Brasil como uma nação de "tradições aristocratas, onde a cultura social se impõe". O ato realizado pelo Movimento Mundial Dariano não apenas honra a memória deste gigante da literatura, mas também celebra a continuidade da sua visão de uma América unida pela arte e pelo intercâmbio cultural, mantendo viva a chama de uma amizade que, tal como Darío descreveu, é tão vasta e rica quanto o próprio Brasil.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural