quinta-feira, 22 de outubro de 2026

RÁDIO CULTURA BRASIL HOMENAGEIA OS 80 ANOS DE NASCIMENTO DE BELCHIOR COM PROGRAMAÇÃO ESPECIAL


ENTREVISTAS DE ACERVO, DEPOIMENTOS DE ARTISTAS E ATRAÇÕES DEDICADOS À OBRA DO CANTOR E COMPOSITOR MARCAM A PROGRAMAÇÃO DESTA SEGUNDA (26/10)

A Rádio Cultura Brasil (77,9) prepara uma programação especial pelos 80 anos de nascimento de Belchior, nesta segunda-feira (26/10). Ao longo do dia, entrevistas históricas, depoimentos de artistas e atrações dedicadas à sua obra revisitam a trajetória do cantor e compositor, cuja música segue conquistando novas gerações. A programação reúne registros do acervo da emissora e conteúdos especiais que mostram a força e a atualidade de suas canções, que o artista queria ver cantadas, entendidas ou questionadas nos mais diversos lugares.

Às 7h, no Música e Notícia, Laura Mayumi apresenta depoimentos de pessoas que tiveram diferentes relações com a obra e a vida do cantor: Ana Cañas, artista que interpretou e gravou suas músicas; José Luiz Penna, que compôs com ele; Jorge Mello, que trabalhou diretamente com o artista; e Vannick Belchior, sua filha.

Às 10h, vai ao ar a primeira parte do Todamúsica, gravado nos estúdios da Cultura em 2005. Na entrevista, Belchior fala sobre a infância, a cidade de Sobral, sua maneira de compor e a importância da língua portuguesa em sua formação. A segunda parte do programa será transmitida às 13h.

Às 20h, a emissora resgata outro registro de seu acervo: o Memória Popular Brasileira, com uma entrevista realizada com o cantor em Porto Alegre por Vanderlei Cunha.

Para encerrar a programação, às 23h, Giovanna Chaves apresenta um especial com sucessos de Belchior, celebrando uma obra que permanece viva entre diferentes gerações.

Nascido em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes era estudioso, curioso e culto. Jovem, apreciava a música que vinha das ruas e das orquestras de sua cidade, mas nunca imaginou que seria cantor popular. Aprendeu línguas, estudou medicina, conheceu o sucesso e, mais tarde, optou pelo recolhimento. Oito décadas após seu nascimento, é cultuado por novos públicos. Se, tempos atrás, o bordão era “toca Raul”, hoje é possível ouvir outro pedido: “canta Belchior”.

Em entrevista à Rádio Cultura Brasil, em 2005, o artista afirmou que sempre fazia primeiro a letra e depois a melodia. Para ele, a letra era fundamental. O sucesso não se media pela presença constante em grandes eventos, no rádio ou na televisão, mas pela possibilidade de ter suas músicas cantadas, entendidas ou questionadas nos mais diversos lugares.

SERVIÇO

Coração Selvagem – Belchior 80

Segunda-feira (26/10)

Programação

Música e Notícia – 7h | com Laura Mayumi

Todamúsica – parte 1 – 10h | acervo

Galeria – 11h | com Fabiana Ferraz

Todamúsica – parte 2 – 13h | acervo

Estúdio 77 – 14h | com Alexandre Ingrevallo

Letra e Música – 17h | com Professor Pasquale

Memória Popular Brasileira – 20h | acervo

Especial Belchior – 23h | com Giovanna Chaves

 

Rádio Cultura Brasil

FM – 77,9 MHz

TV digital – Canal 2.5

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FRANZ LISZT: O VIRTUOSE QUE TRANSFORMOU O PIANO EM LENDA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL POR INTEMÉDIO DA PIANISTA LICIA LUCAS

(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)

Um gênio revolucionário, uma intérprete consagrada e a força de uma música que continua emocionando plateias em todo o mundo. 

22 de outubro de 2026. No aniversário de 215 anos de nascimento de Franz Liszt, um dos gênios extraordinários da história da música, o Focus Portal Cultural, do jornalista Alberto Araújo, presta homenagem ao compositor, pianista e inovador húngaro que redefiniu os limites da arte pianística no século XIX. 

Reconhecido como o maior virtuose de sua época, Liszt transformou o recital solo em espetáculo, ampliou os horizontes técnicos do piano e criou uma linguagem musical marcada pela imaginação, pelo brilho sonoro e pela intensa expressividade. Sua influência alcançou gerações de compositores e consolidou seu nome entre os gigantes do romantismo musical.

Na edição especial do programa Partituras, da TV Brasil, a renomada pianista Licia Lucas conduz o público pelo universo fascinante de Liszt, revelando a riqueza poética, o vigor dramático e a impressionante modernidade de uma obra que permanece atual mais de um século após sua criação. 

O programa apresenta três obras marcantes do repertório lisztiano: os célebres Soneto del Petrarca 123 e Soneto del Petrarca 104, páginas de intensa inspiração lírica extraídas dos Anos de Peregrinação, além de Widmung (Dedicação), magistral transcrição realizada por Liszt da célebre canção de Robert Schumann, exemplo perfeito da fusão entre virtuosismo pianístico e profunda expressividade romântica. 

Com sensibilidade artística e domínio técnico, Licia Lucas recria a atmosfera apaixonante dessas obras, evidenciando a genialidade de um músico que fez do piano uma verdadeira extensão da alma humana. Cada página apresentada revela um criador inquieto, visionário e profundamente comprometido com a expansão das possibilidades da linguagem musical. 

Mais do que uma homenagem, esta é uma celebração do legado de um artista que revolucionou o modo de compor, interpretar e compreender a música. Uma oportunidade única para revisitar a obra de um dos nomes mais influentes e admirados da história universal da arte, cuja música continua a fascinar intérpretes e ouvintes em todo o mundo. 

PROGRAMA 

Soneto del Petrarca 123

Soneto del Petrarca 104

Widmung (Dedicação) – Schumann/Liszt

Uma homenagem imperdível a Franz Liszt, celebrando a genialidade de um artista que transformou o piano e deixou uma marca indelével na história da música.

SOBRE O COMPOSITOR FRANZ LISZT

Texto inspirado no capítulo sobre Franz Liszt do livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano

Quando Franz Liszt surgia diante do piano, não se tratava apenas de um concerto. O que o público testemunhava era uma nova forma de compreender o instrumento. Pela primeira vez na história, um pianista era celebrado como uma verdadeira estrela internacional, capaz de provocar entusiasmo coletivo, inspirar gerações de músicos e transformar cada apresentação em um acontecimento artístico de grandes proporções.

Foi esse personagem extraordinário, simultaneamente compositor, virtuose, professor e visionário, que redefiniu os limites da arte pianística no século XIX. Sua contribuição foi tão profunda que a história do piano pode ser dividida em dois momentos: antes e depois de Liszt.

As reflexões que seguem têm como principal referência o capítulo dedicado ao compositor no livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano, obra que investiga as grandes escolas pianísticas e as linhagens artísticas que moldaram a evolução do instrumento ao longo dos últimos séculos. Mais do que contar a trajetória de um pianista excepcional, o estudo revela como Liszt se tornou o elo central entre a tradição clássica herdada de Beethoven e a moderna concepção de interpretação pianística.

Nascido em 22 de outubro de 1811, na pequena Raiding, então pertencente ao Reino da Hungria, Franz Liszt cresceu em uma Europa que vivia profundas transformações artísticas e culturais. Seu talento manifestou-se precocemente e chamou a atenção de músicos influentes ainda durante a infância. O destino reservaria ao menino um encontro decisivo com Carl Czerny, um dos maiores pedagogos do seu tempo e discípulo direto de Beethoven.

Curiosamente, apesar da vastidão de sua futura influência, Liszt teve apenas um professor de piano. Czerny assumiu sua formação quando o garoto tinha apenas dez anos de idade e compreendeu desde o princípio que estava diante de um talento incomum. Mais do que desenvolver a habilidade natural do aluno, seu trabalho consistiu em organizar aquela energia criadora, construindo bases técnicas sólidas e uma disciplina de estudo rigorosa.

O jovem estudante mergulhou nos exercícios de Clementi, especialmente no célebre Gradus ad Parnassum, e avançou rapidamente para sonatas e obras de maior complexidade. Czerny recordaria mais tarde que sua principal preocupação era evitar que o prodígio adquirisse vícios técnicos que pudessem limitar seu desenvolvimento futuro. O resultado foi extraordinário. Em pouco tempo, Liszt tornou-se capaz de aprender repertórios inteiros com rapidez impressionante e demonstrava uma habilidade de leitura musical que despertava admiração mesmo entre profissionais experientes.

A formação musical do futuro mestre não se limitou ao teclado. Em Viena, estudou composição com Antonio Salieri, figura histórica da música europeia e primeiro diretor do Conservatório da cidade. Dessa combinação entre técnica, criatividade e sólida cultura musical surgiria uma personalidade artística singular.

Um dos episódios mais simbólicos de sua juventude ocorreu em 1823, quando conheceu Beethoven. Para o adolescente que já venerava o autor da Nona Sinfonia, aquele encontro assumiria dimensões quase míticas. No mesmo período, concluídos seus estudos em Viena, Liszt partiu para Paris acompanhado dos pais. A mudança marcou o início de uma fase decisiva de sua carreira.

A capital francesa concentrava algumas das mais importantes inovações musicais da época. Entre elas estavam os pianos fabricados por Sébastien Érard, cujo revolucionário mecanismo de duplo escapamento transformaria para sempre os recursos técnicos do instrumento. O novo sistema permitia repetições de notas muito mais rápidas e ampliava consideravelmente as possibilidades de execução. Liszt percebeu imediatamente o alcance daquela invenção e tornou-se um dos maiores exploradores de suas potencialidades.

Ainda adolescente, iniciou viagens artísticas pela Inglaterra, onde impressionou músicos e plateias. Histórias de sua capacidade técnica começaram a circular por toda a Europa. Em uma ocasião particularmente célebre, realizou instantaneamente a transposição de uma obra inteira durante uma apresentação pública porque o instrumento disponível estava afinado em tonalidade diferente da prevista. Não apenas executou a peça sem dificuldades, como também enriqueceu o acompanhamento com improvisações próprias.

Mas seria em Paris que sua personalidade musical alcançaria plena maturidade. A cidade lhe proporcionou contato com três figuras fundamentais: Hector Berlioz, Niccolò Paganini e Frédéric Chopin.

De Berlioz, absorveu a visão orquestral do som e a busca por novas cores musicais. De Paganini, recebeu o impacto de um virtuosismo tão revolucionário que o levou a imaginar possibilidades semelhantes para o piano. De Chopin, assimilou uma compreensão mais refinada da poesia musical, do canto instrumental e da delicadeza expressiva.

Essas influências não foram simplesmente copiadas. Liszt construiu uma síntese própria e deu origem a uma linguagem inédita. Sob suas mãos, o piano passou a soar como uma orquestra completa. Os extremos do teclado adquiriram novas funções expressivas. Os contrastes dinâmicos tornaram-se mais amplos. As cores sonoras multiplicaram-se.

Ao mesmo tempo em que transformava a técnica pianística, Liszt acompanhava atentamente a evolução mecânica do instrumento. Durante sua vida, o piano passou por mudanças estruturais profundas: reforço das caixas de ressonância, aumento da tensão das cordas, aperfeiçoamento dos martelos e expansão da potência sonora. Poucos artistas compreenderam tão bem quanto ele a relação entre tecnologia e criação musical.

Seu interesse por essas inovações era permanente. Tocou em instrumentos de diversas marcas, entre elas Érard, Bösendorfer, Bechstein, Chickering e Steinway. Quando conheceu o pedal sostenuto introduzido pela Steinway, nos últimos anos de vida, mostrou entusiasmo imediato. Era mais uma ferramenta para ampliar o universo expressivo que passara décadas explorando.

Entretanto, para Liszt, a técnica jamais constituiu um fim em si mesma. Essa talvez seja a principal lição de sua escola pianística. O virtuosismo deveria servir à expressão artística. O objetivo final não era impressionar, mas comunicar.

Drama, paixão, imaginação e poesia ocupavam lugar central em sua concepção estética. Seus alunos aprendiam que a perfeição mecânica só adquiria valor quando colocada a serviço do conteúdo musical. A execução precisava transmitir ideias e emoções de forma clara e convincente.

Essa visão refletiu-se diretamente em sua atividade pedagógica. Liszt incentivava uma formação cultural abrangente. Literatura, artes visuais, filosofia e história eram consideradas partes essenciais da educação do músico. Além disso, valorizava a improvisação e estimulava os estudantes a compreenderem profundamente as intenções do compositor.

O pianista August Stradal, um de seus discípulos, recordava que Liszt insistia para que o instrumento "cantasse". A meta era alcançar um toque verdadeiramente vocal, capaz de reproduzir a flexibilidade e a expressividade da voz humana. Já Charles Hallé destacava outra característica fundamental de sua arte: uma clareza cristalina que permanecia intacta mesmo nas passagens mais complexas.

Graças a essa combinação entre virtuosismo, imaginação sonora e profundidade interpretativa, Liszt formou uma impressionante geração de discípulos. Mais de quatrocentos alunos passaram por suas classes, espalhando sua influência por toda a Europa e posteriormente pelo mundo.

Entre eles destacam-se Hans von Bülow, Carl Tausig, Emil Sauer, Arthur Friedheim, Eugen d'Albert, Martin Krause, Alexander Siloti, José Vianna da Motta e István Thomán. Por meio desses nomes, a herança lisztiana alcançou pianistas como Claudio Arrau, Edwin Fischer, Wilhelm Kempff, Béla Bartók, Arthur Rubinstein e inúmeros outros artistas responsáveis pela consolidação da moderna tradição pianística.

Mais de cento e quarenta anos após sua morte, a presença de Franz Liszt continua viva nas salas de concerto, nos conservatórios, nas grandes escolas de piano e na própria maneira como compreendemos a interpretação musical. Sua arte demonstrou que o verdadeiro virtuosismo não reside apenas na velocidade dos dedos, mas na capacidade de transformar técnica em expressão, som em emoção e música em experiência humana.

Texto elaborado a partir do capítulo "A Escola de Piano de Liszt", do livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano, adaptado e contextualizado para o Focus Portal Cultural.

PRINCIPAIS CATEGORIAS E OBRAS DE FRANZ LISZT

OBRAS PARA PIANO SOLO

Rapsódias Húngaras (nº 1 a 19, S.244): Conjunto de 19 peças inspiradas na música folclórica e cigana húngara, destacando-se a Rapsódia Húngara nº 2. 

Estudos Transcendentais (Études d'exécution transcendante, S.139): Coleção de 12 estudos de extrema dificuldade técnica, incluindo o nº 4 (Mazeppa). 

Sonata para Piano em Si Menor (S.178): Uma das obras mais monumentais e influentes da literatura pianística romântica. 

Liebesträume (Sonhos de Amor, S.541): Três noturnos para piano, com destaque para o nº 3 em Lá bemol maior. 

Três Estudos de Concerto (S.144): Inclui o famoso Un sospiro. 6 Consolações (Tröstungen, S.172)

Valsas de Mefisto (nº 1 a 4): Inspiradas na lenda de Fausto/Mefistófeles, com destaque para a Valsa de Mefisto nº 1.

Anos de Pérveina (Années de pèlerinage): Suíça e Itália, obras que retratam suas viagens. 

OBRAS ORQUESTRAIS E SINFÔNICAS 

Poemas Sinfônicos: Liszt inventou o gênero, com destaque para Les Préludes (S.97).

Sinfonia de Fausto (S.108) e Sinfonia de Dante (S.109).

Totentanz (Danse Macabre, S.126) para piano e orquestra. 

OBRAS CORAIS E SACRAS 

A Lenda de Santa Isabel (Die Legende von der Heiligen Elisabeth, S.2).

Christus (S.3).

Missas e Salmos corais. 

ÓPERA

Don Sanche (Le château de l'amour, S.1), sua única ópera composta entre 1824 e 1825 quando ainda era adolescente. 

OS SONETOS DE PETRARCA NA VISÃO MUSICAL DE FRANZ LISZT 

Francesco Petrarca

Entre as obras mais poéticas de Franz Liszt encontram-se os célebres Sonetos de Petrarca, incorporados ao segundo volume de Années de Pèlerinage (Anos de Peregrinação), dedicado à Itália. Nestas páginas, o compositor húngaro estabelece um raro diálogo entre literatura e música, transformando versos imortais do poeta renascentista Francesco Petrarca em música de profunda intensidade emocional. 

A fascinação de Liszt pela cultura italiana foi alimentada durante suas viagens pela península na década de 1830. O contato com a arte, a arquitetura, a literatura e a tradição humanista italiana despertou nele o desejo de traduzir em sons as impressões que aquelas experiências lhe causavam. Dessa vivência nasceram algumas das obras mais refinadas de seu catálogo pianístico, entre elas os três Sonetos de Petrarca que integram Anos de Peregrinação. 

Originalmente concebidos como canções para voz e piano, os sonetos foram posteriormente recriados por Liszt para piano solo. Nessa transformação, o compositor alcançou um resultado extraordinário: preservou a essência poética dos textos de Petrarca ao mesmo tempo em que ampliou suas possibilidades expressivas por meio de uma escrita pianística rica em cores, contrastes e nuances. 

O Soneto nº 104, associado ao famoso poema que se inicia com as palavras "Pace non trovo", apresenta um dos retratos mais intensos dos conflitos do amor. Petrarca descreve sentimentos contraditórios que coexistem simultaneamente: esperança e medo, calor e frio, liberdade e prisão. Liszt traduz essa tensão psicológica em uma música de grande dramaticidade, marcada por impulsos apaixonados, mudanças repentinas de atmosfera e momentos de profundo lirismo. O piano torna-se a voz de uma alma dividida entre forças opostas, revelando toda a complexidade emocional presente nos versos do poeta. 


Em contraste, o Soneto nº 123, inspirado pelo texto que começa com "I' vidi in terra angelici costumi", conduz o ouvinte a uma dimensão mais contemplativa. Aqui, Petrarca evoca a visão idealizada da amada, descrita como uma presença quase celestial capaz de suspender o tempo e harmonizar a própria natureza. Liszt responde a essa atmosfera com uma das páginas mais delicadas e inspiradas do romantismo pianístico. A melodia desenvolve-se com naturalidade quase vocal, enquanto o acompanhamento cria uma sonoridade transparente e luminosa, evocando um ambiente de serenidade e elevação espiritual.

Nos dois sonetos, percebe-se uma característica fundamental da arte lisztiana: a capacidade de converter ideias literárias em experiências sonoras. Mais do que ilustrar os poemas, Liszt procura penetrar em sua essência emocional, transformando o piano em instrumento capaz de cantar, declamar e emocionar como uma voz humana. 

Ao ouvi-los, somos convidados a entrar em contato não apenas com a genialidade do compositor, mas também com um diálogo artístico que atravessa séculos. Os versos escritos por Petrarca no século XIV encontram na imaginação musical de Liszt uma nova vida, revelando como a arte pode unir diferentes épocas, linguagens e sensibilidades em uma mesma experiência estética. 

Os Sonetos de Petrarca permanecem, assim, entre as mais belas realizações do repertório romântico para piano, testemunhos da extraordinária capacidade de Franz Liszt de transformar poesia em música e emoção em arte. 

SONETO DO PETRARCA No. 104

Paz não encontro e não estou em guerra;

E temo e espero e ardo e congelo;

E vôo nos céus deitado em terra;

E nada estreito em meus braços, mais o mundo inteiro abraço.

 

Tal é minha prisão, que não se abre nem fecha;

Não há esforço por reter-me, mas não se desfaz o laço;

Se não me alveja Cupido, tampouco me retira a flecha;

Nem me quer vivo, nem me facilita o passo.

 

Vejo sem olhos, não tenho língua e grito;

Bramo por perecer ou peço ajuda;

Odeio a mim mesmo, mas amo os outros:

 

Desfruto a dor, chorando sorrio;

Igualmente me desagradam morte e vida.

Neste estado estou, Mulher, por vós.

 

SONETO DO PETRARCA Nº 123

 

E vi na terra angélicos traços,

e celestes belezas ao sol do mundo;

de tal forma, que a lembrança alegra e dói,

pois o que vejo agora parecem sonhos, sombras e névoas.

 

E vi se emocionar dois olhos- como lumes

que fizeram mil vezes inveja ao Sol,

e ouvi, suspirando, dizer palavras

que moveriam montanhas e parariam os rios.

 

Amor, consciência, estima, piedade pungentes,

Concertavam num pranto, o mais doce entendimento

que no mundo se ouse vislumbrar;

 

E estava o céu a esta harmonia tão atento,

Que não se via mover nem ramo nem folha:

De tal doçura estavam plenos o ar e o vento.

“WIDMUNG” (DEDICAÇÃO): O ENCONTRO ENTRE SCHUMANN E LISZT 

Entre as inúmeras transcrições realizadas por Franz Liszt ao longo de sua carreira, poucas alcançaram a popularidade e a força expressiva de Widmung (Dedicação). A obra nasceu originalmente como uma canção de Robert Schumann, mas, ao passar pelas mãos do compositor húngaro, foi transformada em uma das mais célebres páginas do repertório pianístico romântico. 

A composição tem origem em um momento particularmente significativo da vida de Schumann. Em 1840, após anos de disputas judiciais e resistência familiar, o compositor finalmente conseguiu casar-se com Clara Wieck, pianista de extraordinário talento que se tornaria sua companheira, intérprete e principal inspiração artística. Como celebração dessa união tão desejada, Schumann reuniu um conjunto de canções que recebeu o título Myrthen (Mirtos), Op. 25, oferecido à noiva como presente de casamento. 

A primeira dessas canções foi justamente Widmung, construída sobre versos do poeta alemão Friedrich Rückert, um dos grandes representantes do romantismo literário germânico. O poema expressa uma devoção absoluta à pessoa amada, apresentada como fonte de paz, inspiração, felicidade e sentido para a existência. Mais do que uma declaração amorosa, trata-se de uma exaltação do amor como força transformadora da vida humana.

Décadas mais tarde, Franz Liszt decidiu recriar a canção para piano solo. Não se limitou, porém, a uma simples adaptação da linha vocal. Com sua extraordinária imaginação pianística, transformou a obra numa verdadeira síntese entre lirismo e virtuosismo, preservando a essência poética da composição original enquanto expandia suas possibilidades expressivas. 

Na versão lisztiana, a melodia concebida por Schumann permanece claramente reconhecível, surgindo envolta por delicados arabescos, harmonias luminosas e passagens de impressionante brilho técnico. O piano assume simultaneamente o papel do cantor e do acompanhamento, permitindo que toda a riqueza emocional da obra seja traduzida sem o uso da palavra. 

Ao longo da peça, momentos de íntima delicadeza alternam-se com expansões sonoras grandiosas, conduzindo o ouvinte a um clímax de intensa emoção. Essa combinação de ternura, paixão e esplendor sonoro tornou a transcrição uma das mais admiradas realizações de Liszt e um exemplo perfeito de sua capacidade de transformar o piano em um instrumento capaz de cantar com a mesma expressividade da voz humana. 

Mais do que uma demonstração de brilhantismo pianístico, Widmung representa o encontro de dois gigantes do romantismo. De um lado, Schumann, poeta dos sentimentos e mestre da expressão interior. De outro, Liszt, o visionário que ampliou os horizontes técnicos e sonoros do piano. O resultado é uma obra que une a profundidade emocional da canção alemã à exuberância interpretativa que marcou a arte lisztiana. 

Ao ouvir Widmung, somos convidados a testemunhar esse diálogo entre compositores, poetas e intérpretes. É a celebração musical de um amor que inspirou Schumann, da genialidade criadora de Liszt e da extraordinária capacidade da música de transformar emoções humanas em beleza duradoura. 


POESIA DE FRIEDRICH RÜCKERT

WIDMUNG 

Tu és minha alma, tu és meu coração

Tu és minha alegria, tu és minha dor

Tu és o meu mundo onde eu vivo

Tu és meu céu no qual eu flutuo

Tu és meu túmulo onde sepultei

Minhas magoas para sempre

Tu és a calma, tu és a paz

Tu fostes enviada para mim pelos céus

Que o teu amor faça com que eu me dê valor

O teu olhar se transfigurou nos meus próprios olhos

Amando-me, me elevas acima de tudo

Minha boa alma, tu és o melhor de mim mesmo!

...

Tu és minha alma, tu és meu coração

Tu és minha alegria, tu és minha dor

Tu és o meu mundo onde eu vivo

Tu és meu céu no qual eu flutuo

Minha boa alma, tu és o melhor de mim mesmo!

LICIA LUCAS E O UNIVERSO DE FRANZ LISZT 

Interpretar Franz Liszt é um desafio que ultrapassa a exigência técnica. Sua música pede imaginação, poder expressivo, domínio absoluto do instrumento e, sobretudo, compreensão de um pensamento artístico que transformou para sempre a história do piano. 

Nesta edição especial do programa Partituras, gravada pela TV Brasil, a pianista Licia Lucas mergulha em um repertório que representa algumas das mais refinadas dimensões da arte lisztiana. Ao interpretar os dois célebres Sonetos de Petrarca e a transcrição de Widmung, de Robert Schumann, recriada por Liszt, a artista conduz o público por uma jornada em que poesia, romantismo e virtuosismo se unem de forma magistral. 

A presença de Licia Lucas neste repertório possui um significado especial. Ao longo de sua trajetória, a pianista dedicou parte importante de seus estudos à evolução histórica da técnica pianística e às grandes escolas de interpretação que moldaram a tradição do instrumento. Essa pesquisa resultou, entre outros trabalhos, na publicação do livro A Genealogia do Piano, obra elaborada em parceria com o pesquisador Marne Serrano Caldera, que se tornou referência para estudantes, professores e apreciadores da música de concerto.

Natural de Itu, São Paulo, Licia Lucas construiu uma carreira marcada pela busca permanente da excelência artística. Sua formação incluiu estudos com importantes pedagogos brasileiros e europeus, permitindo-lhe contato direto com tradições interpretativas que remontam às grandes escolas do século XIX. Essa sólida base formativa contribuiu para o desenvolvimento de uma personalidade artística caracterizada pela combinação entre rigor técnico, inteligência musical e refinamento estético. 

O reconhecimento de seu talento ocorreu ainda nos primeiros anos de carreira, quando conquistou importantes distinções em concursos nacionais e internacionais. Entre elas destaca-se a Medalha de Ouro do Concurso Internacional Viotti, na Itália, conquista que projetou seu nome no cenário europeu e abriu caminho para uma intensa atividade concertística. 

Desde então, Licia Lucas vem se apresentando em importantes centros musicais das Américas e da Europa, levando ao público programas que conciliam tradição, pesquisa e sensibilidade artística. Sua atuação como solista junto a orquestras, sua participação em festivais internacionais e sua dedicação à divulgação da música brasileira transformaram-na em uma das mais respeitadas representantes da cultura musical do país no exterior.

Mas sua contribuição vai além dos palcos. Ao longo de décadas, Licia desenvolveu um trabalho consistente de valorização da memória musical, estimulando o estudo da história do piano, da interpretação e das escolas pianísticas que definiram os rumos da música ocidental. Sua atuação como pesquisadora complementa a experiência da concertista, estabelecendo um diálogo permanente entre conhecimento histórico e prática artística.

Essa dimensão torna especialmente significativa sua interpretação da obra de Liszt. Afinal, poucos compositores exerceram influência tão decisiva sobre a evolução do piano. Sua presença ocupa posição central na história da música não apenas pela grandiosidade de suas composições, mas também pela transformação que promoveu na maneira de compreender o papel do intérprete. 

Quando Liszt iniciou sua carreira, o piano ainda se encontrava em pleno processo de desenvolvimento técnico. Ao longo de sua vida, o instrumento ganhou novos recursos mecânicos e uma sonoridade cada vez mais poderosa. O compositor acompanhou de perto essas transformações e soube explorá-las de forma inovadora, ampliando possibilidades sonoras que até então pareciam impossíveis. 

Mais do que um virtuose extraordinário, Liszt foi um visionário. Sua arte elevou o recital solo a uma dimensão inédita, transformando o pianista em protagonista absoluto da experiência musical. Suas apresentações despertavam entusiasmo por toda a Europa e ajudaram a construir a imagem moderna do intérprete como artista criador, capaz de estabelecer uma comunicação direta e intensa com o público. 

Os dois Sonetos de Petrarca presentes neste programa revelam uma faceta particularmente intimista de sua produção. Inspiradas na poesia do escritor italiano Francesco Petrarca, essas obras unem lirismo, delicadeza e profunda intensidade emocional. São páginas nas quais o piano parece cantar, traduzindo em som os sentimentos e imagens evocadas pela poesia.

Já Widmung (Dedicação), originalmente composta por Robert Schumann como canção para voz e piano, ganha nas mãos de Liszt uma nova dimensão. A célebre transcrição mantém a essência romântica da obra, mas acrescenta recursos pianísticos que ampliam sua expressividade, transformando-a em uma das mais belas homenagens musicais ao amor e à amizade. 

Ao interpretar essas obras, Licia Lucas aproxima o público de um dos momentos mais ricos da história do romantismo musical. Sua leitura evidencia não apenas o brilho técnico exigido por Liszt, mas também a delicadeza poética que constitui a essência de sua arte.

O registro preservado pela TV Brasil possui, portanto, valor que ultrapassa o simples documento audiovisual. Trata-se do encontro entre uma intérprete profundamente comprometida com a tradição pianística e um repertório que permanece vivo e atual mais de um século após a morte de seu autor. 

Esta homenagem promovida pelo Focus Portal Cultural celebra não apenas os 215 anos do nascimento de Franz Liszt, mas também a permanência de seu legado na cultura musical contemporânea. Cada nota interpretada por Licia Lucas reafirma a extraordinária capacidade da música de vencer o tempo, conectando artistas, ideias e emoções através das gerações.

Marne Serrano e Alberto Araújo

AGRADECIMENTO ESPECIAL A MARNE SERRANO CALDERA

A realização desta edição especial dedicada a Franz Liszt conta com uma colaboração que merece reconhecimento e gratidão.

O Focus Portal Cultural agradece ao pesquisador, escritor e historiador Marne Serrano Caldera, cujo trabalho tem contribuído de forma significativa para a preservação e difusão da memória pianística internacional. Seu apoio foi fundamental para a construção deste conteúdo comemorativo, oferecendo informações históricas, referências bibliográficas e importantes subsídios para o aprofundamento da trajetória artística de Liszt. 

Ao lado da pianista Licia Lucas, Marne Serrano é coautor de A Genealogia do Piano, obra que investiga a evolução das escolas pianísticas desde o surgimento do instrumento até os grandes mestres da interpretação moderna. O livro representa anos de pesquisa dedicados à compreensão das linhagens pedagógicas e artísticas que moldaram a história do piano e de seus intérpretes. 

A relevância desse trabalho suplanta o campo acadêmico. Ao reunir dados históricos, análises interpretativas e conexões entre diferentes gerações de músicos, a obra contribui para aproximar o público de uma tradição artística muitas vezes conhecida apenas por especialistas.

Nesta homenagem a Franz Liszt, a colaboração de Marne Serrano reafirma seu compromisso com a valorização da cultura musical e com a difusão do conhecimento histórico. Sua participação ajuda a preservar um patrimônio artístico que pertence não apenas aos músicos, mas a todos aqueles que reconhecem na arte um instrumento de memória, educação e transformação humana. 

O Focus Portal Cultural registra, portanto, seu sincero agradecimento por essa valiosa parceria, que torna possível oferecer ao público uma visão mais ampla e aprofundada da vida, da obra e da extraordinária influência exercida por Franz Liszt na história da música.






Altenburg, residência de Franz Liszt em Weimar, entre 1848–1861, época na qual compôs os seus primeiros doze poemas sinfônicos.


Retrato de Liszt (1856) por Wilhelm von Kaulbach


Capa da obra de Licia Lucas e Marne Serrano









O BOLETIM QUE CRIA IMPACTO DURADOURO. RESENHA DO BOLETIM EDIÇÃO 11 DO ROTARY CLUB DE NITERÓI – PRESIDENTE PAULO CORRÊA BELCHIOR

22 de outubro de 2026. Em tempos em que a comunicação institucional se torna cada vez mais importante para fortalecer vínculos, preservar memórias e inspirar ações, o Boletim Semanal nº 11 do Rotary Club de Niterói reafirma sua condição de instrumento indispensável para a vida do clube. Mais do que uma simples publicação periódica, esta edição demonstra como um boletim bem elaborado pode unir informação, reflexão, formação rotária e reconhecimento humano em um único espaço de leitura. 

O resultado é uma publicação equilibrada, rica em conteúdo e alinhada ao lema do ano rotário, “Criar Impacto Duradouro”, apresentando matérias que dialogam tanto com o coração quanto com a missão institucional dos rotarianos. 

A abertura da edição já revela sua sensibilidade ao apresentar o texto “Antes que Eles Cresçam”, uma reflexão emocionante sobre a relação entre pais, filhos e netos. O artigo nos conduz por uma viagem de lembranças e sentimentos, mostrando como o crescimento dos filhos acontece de forma silenciosa e quase imperceptível até que, de repente, percebemos que eles já não dependem mais de nós. A narrativa desperta memórias comuns a inúmeras famílias e nos lembra de que o maior patrimônio da vida não está nos bens materiais, mas nos momentos compartilhados, nos abraços, nas conversas e nas experiências vividas ao lado daqueles que amamos. Trata-se de uma mensagem profunda, capaz de sensibilizar leitores de todas as gerações.

A força desse texto reside justamente em sua universalidade. Todos os pais, mães e avós já experimentaram a sensação descrita pelo autor: a descoberta de que o tempo passou mais rápido do que imaginavam. O artigo convida à reflexão e reforça um valor muito presente no Rotary: a valorização da família como base da construção de uma sociedade mais humana e solidária. 

Na sequência, o boletim apresenta as informações institucionais do clube, os dirigentes do Rotary em seus diversos níveis e os aniversariantes do mês, prestando reconhecimento aos associados e familiares que celebram mais um ano de vida. Esse cuidado demonstra atenção ao companheirismo, um dos pilares fundamentais da organização rotária. 

Um dos pontos altos da edição encontra-se na excelente matéria “Um Minuto de Rotary – Protocolo Rotário”. De forma didática e extremamente útil, o texto esclarece aspectos importantes relacionados à organização das reuniões, à composição da Mesa da Presidência, à precedência rotária e à correta utilização de terminologias institucionais. 

Muitas vezes, o protocolo é percebido apenas como um conjunto de formalidades, mas a matéria demonstra que sua verdadeira função é promover respeito, organização e valorização dos participantes. Ao explicar conceitos com clareza, o boletim presta um serviço relevante à formação dos associados, especialmente aos mais novos, contribuindo para o fortalecimento da cultura rotária e para a realização de reuniões cada vez mais harmoniosas e bem conduzidas. 

A terceira página mantém o elevado nível da publicação ao trazer o inspirador artigo “O Preço do Seu Distintivo”. A matéria convida os associados a refletirem sobre o significado do símbolo que utilizam na lapela. Muito além de um simples emblema, o distintivo rotário representa um compromisso permanente com valores éticos, com o serviço voluntário e com a promoção da boa vontade entre os povos. 

O texto acerta ao lembrar que a melhor forma de honrar o distintivo é participar ativamente da vida do clube, frequentar reuniões, compartilhar conhecimento, assumir responsabilidades e colocar talentos pessoais a serviço da comunidade. Em um período histórico marcado pelo individualismo, a mensagem é especialmente relevante por ressaltar a importância do engajamento e da participação coletiva. 

Na mesma página, a matéria “O Valor de Cada Associado” oferece uma reflexão extremamente atual sobre a importância das pessoas nas organizações. O texto enfatiza que cada associado possui experiências, conhecimentos e capacidades únicas, capazes de enriquecer o clube e contribuir para o alcance dos objetivos rotários. 

A integração entre os companheiros mais experientes e os recém-chegados é apresentada como fator essencial para o crescimento institucional. A mensagem demonstra que o verdadeiro impacto duradouro não nasce apenas dos grandes projetos externos, mas também da maneira como as pessoas são acolhidas, ouvidas e valorizadas dentro do próprio clube. Essa abordagem humanista fortalece o sentimento de pertencimento e estimula a participação ativa dos associados. 

Outro tema de elevado significado social é a matéria dedicada ao Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro. Ao destacar uma das maiores bandeiras históricas do Rotary Internacional, o boletim lembra aos leitores a importância da vacinação e do trabalho desenvolvido pela organização na erradicação da doença. 

A matéria reforça que a luta contra a poliomielite continua dependendo do compromisso coletivo e da conscientização da sociedade. Ao estimular os associados a atuarem como multiplicadores dessa causa, o boletim reafirma o protagonismo do Rotary em uma das maiores campanhas humanitárias da história contemporânea.

A quarta página é dedicada ao Outubro Rosa, trazendo o registro de uma reunião especialmente significativa para o clube. O destaque fica para a palestra ministrada pela Elaine Holanda Rosalem, sob o tema “O Olhar da Psicologia sobre o Câncer de Mama”. A matéria evidencia a importância de uma abordagem integral da saúde, contemplando não apenas os aspectos físicos da doença, mas também seus impactos emocionais e psicológicos. 

O encontro demonstra a sensibilidade do Rotary Club de Niterói ao promover um debate que envolve acolhimento, prevenção, informação e solidariedade. A presença de uma profissional qualificada e a participação ativa dos associados transformaram a reunião em um momento de aprendizado e reflexão, reafirmando o compromisso do clube com a promoção da saúde e da qualidade de vida. 

Além disso, o boletim registra a importância da campanha Outubro Rosa na conscientização sobre o câncer de mama, contribuindo para ampliar o conhecimento dos leitores sobre um tema de enorme relevância social. A matéria demonstra que o Rotary não se limita a realizar projetos e campanhas, mas busca também disseminar informação de qualidade e promover debates capazes de transformar vidas. 

Outro aspecto muito positivo desta edição é a presença do quiz sobre o emblema do Rotary. Embora breve, a iniciativa tem grande valor educativo, pois contribui para ampliar o conhecimento dos associados acerca dos símbolos da organização. Atividades desse tipo tornam a leitura mais dinâmica e reforçam a identidade rotária de forma leve e interessante. 

Encerrando a publicação, a ata da 10ª Reunião Ordinária do clube cumpre com excelência sua função administrativa e histórica. O documento registra de forma detalhada os acontecimentos da reunião realizada em 8 de outubro de 2026, preservando informações que ajudarão futuras gerações de rotarianos a compreender o trabalho desenvolvido pelo clube ao longo dos anos.

Mais do que uma formalidade regimental, a ata constitui um importante instrumento de preservação da memória institucional. Nela estão registradas decisões, eventos, homenagens, projetos e momentos que compõem a história viva do clube. Sua presença no boletim demonstra compromisso com a transparência, a organização e a valorização da trajetória construída pelos associados. 

Contudo, por mais rico que seja o conteúdo desta edição, há um aspecto que merece destaque especial: o extraordinário trabalho desenvolvido pela companheira Sylvia Maria Fasciotti. Como 1ª Secretária do clube e responsável pela elaboração da ata, sua dedicação é percebida em cada detalhe da publicação. 

A qualidade da redação, a organização dos temas, a clareza das informações e a harmonia entre os conteúdos revelam um trabalho realizado com extremo profissionalismo. Não se trata apenas de registrar fatos, mas de transformá-los em memória, conhecimento e inspiração para os associados. 

O trabalho de Sylvia Maria Fasciotti merece reconhecimento porque vai além das atribuições formais da secretaria. Sua atuação contribui para fortalecer a identidade institucional do clube, preservar sua história e valorizar as ações desenvolvidas pelos companheiros. Em cada edição percebe-se o cuidado com a qualidade do conteúdo, a preocupação com a precisão das informações e o respeito pelo legado do Rotary. 

É graças a profissionais dedicados como Sylvia Maria Fasciotti que o patrimônio histórico e humano de uma instituição permanece vivo e acessível às futuras gerações. Seu trabalho demonstra sensibilidade, competência, comprometimento e profundo amor ao ideal rotário. Poucas atividades são tão importantes para uma organização quanto preservar sua memória e divulgar suas realizações, e essa missão vem sendo desempenhada com admirável excelência. 

Ao concluir a leitura do Boletim Semanal nº 11, fica evidente que estamos diante de uma publicação madura, bem estruturada e plenamente alinhada aos valores do Rotary. Cada matéria contribui para informar, educar, inspirar e fortalecer os vínculos entre os associados. Trata-se de uma edição que honra o lema“ Criar Impacto Duradouro”, pois demonstra que o verdadeiro impacto começa dentro do clube, por meio da valorização das pessoas, da disseminação do conhecimento e da preservação da memória institucional.

E, entre todos os méritos desta excelente publicação, merece aplauso especial a dedicação de Sylvia Maria Fasciotti, cuja competência e comprometimento transformam cada edição do boletim em um importante legado para o Rotary Club de Niterói. Seu trabalho é exemplo de excelência, responsabilidade e amor ao Rotary, contribuindo decisivamente para que a história do clube continue sendo escrita com qualidade, sensibilidade e inspiração. 

© Alberto Araújo

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