A Sociedade Fluminense de Fotografia viveu uma tarde especialmente inspiradora com a abertura simultânea das exposições Flor Essência, de Fátima Marchi, e In Natura – Poemas em Preto e Branco, de André Rocha e Eurídice Hespanhol. Integrando as comemorações pelos 82 anos da instituição, o evento transformou seus espaços expositivos em um verdadeiro convite à contemplação, reunindo arte, sensibilidade, literatura e natureza em um encontro marcado pela emoção.
Na cerimônia de abertura, o presidente da Sociedade Fluminense de Fotografia, Antonio Machado, também membro da Academia Fluminense de Letras, recebeu artistas, convidados e amantes da cultura com palavras carregadas de entusiasmo e gratidão. Em sua fala, destacou a importância das exposições que celebram a história da entidade e reafirmam sua missão de promover a arte fotográfica como linguagem capaz de guardar memórias, despertar sentimentos e ampliar olhares.
A ocasião contou ainda com a presença da presidente da Academia Fluminense de Letras e governadora do Distrito 8 do Elos Internacional, Márcia Pessanha, cuja participação conferiu ainda mais brilho ao encontro. Prestigiando os artistas e a instituição, ela celebrou a força da cultura como elo capaz de unir pessoas, ideias e sensibilidades. Nas belas imagens compartilhadas por Aldo Pessanha, Márcia aparece ao lado dos artistas expositores e também em um momento de cordialidade e celebração junto ao presidente Antonio Machado.
Enquanto Flor Essência revela a delicadeza e a força silenciosa das flores, transformando a natureza em poesia visual, In Natura – Poemas em Preto e Branco, criada por André Rocha e Eurídice Hespanhol, também integrante da Academia Fluminense de Letras, estabelece uma profunda conversa entre a imagem e a palavra. Em uma paleta de pretos, brancos e infinitos matizes de cinza, a exposição convida o visitante a percorrer caminhos de beleza, reflexão e consciência.
Sobre as exposições
As duas mostras apresentam diferentes formas de olhar a natureza e dialogam entre si pela sensibilidade e pela capacidade de despertar reflexão. Em Flor Essência, Fátima Marchi transforma flores e folhas em uma narrativa visual de grande significado. A exposição nasce inspirada no universo da mulher, da médica e da paciente durante o processo de prevenção e diagnóstico do câncer de mama. Na segunda etapa da mostra, a artista amplia seu olhar para os detalhes, explorando fragmentos, formas abstratas, linhas orgânicas e texturas reveladas pela ampliação das imagens. O resultado é uma composição delicada e surpreendente, na qual a ciência encontra a arte e a fragilidade revela sua força.
Já In Natura – Poemas em Preto e Branco surge do encontro entre a fotografia de André Rocha e a poesia de Eurídice Hespanhol. Em uma atmosfera construída por contrastes, sombras e sutis gradações de cinza, imagens e versos caminham juntos, percorrendo a beleza, os mistérios e também as cicatrizes deixadas pela ação humana sobre a natureza. Mais do que ilustrar poemas ou acompanhar fotografias, palavra e imagem dialogam de forma profunda, criando uma narrativa poética sobre a existência, a vida e a relação do ser humano com o mundo natural. Uma experiência artística que convida o visitante não apenas a observar, mas também a sentir, refletir e descobrir novos significados em cada olhar.
A experiência proporcionada por In Natura – Poemas em Preto e Branco ultrapassa os limites da galeria. A exposição tem como base o livro homônimo de autoria de Eurídice Hespanhol, que reúne seus textos poéticos em diálogo com as fotografias de André Rocha. Na obra, imagens e palavras caminham juntas, construindo uma narrativa sensível sobre a natureza, a existência humana e os vestígios deixados pelo tempo e pelas ações do homem sobre o meio ambiente.
Mais do que um catálogo da exposição, o livro é uma extensão da proposta artística apresentada ao público, permitindo que o visitante leve consigo essa experiência de contemplação e reflexão. Cada página reforça a harmonia entre fotografia e poesia, revelando o olhar delicado de Eurídice Hespanhol e a força estética das imagens de André Rocha, em uma parceria que transforma arte e literatura em uma única linguagem.
Mais do que uma abertura de exposições, a tarde representou a celebração da arte em sua forma mais humana: aquela que emociona, inspira e conecta. Ao completar 82 anos de história, a Sociedade Fluminense de Fotografia reafirma seu papel como um dos mais importantes espaços culturais do país, mantendo viva a tradição de fazer da fotografia uma ponte entre a memória, a poesia e a eternidade.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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