quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O OFÍCIO DE GUARDAR O TEMPO E CONSTRUIR O FUTURO: VIVA O DIA DO HISTORIADOR!

Comemorar o 19 de agosto, o Dia do Historiador é, antes de tudo, um ato de profunda inteireza com aqueles que assumiram a nobre e silenciosa missão de custodiar a memória da humanidade. A data não foi escolhida ao acaso: ela marca o nascimento de Joaquim Nabuco, um dos mais brilhantes intelectuais da história brasileira. Diplomata, abolicionista, político e, acima de tudo, um intérprete agudo das contradições do Brasil, Nabuco personifica a vocação do historiador: aquele que observa o seu tempo com profundidade, que se indigna diante das injustiças e que compreende que o presente é um desdobramento constante das lutas do passado. 

Ao homenagear Nabuco, o Focus Portal Cultural abre espaço para celebrar, com entusiasmo e admiração, todas as historiadoras e todos os historiadores. São profissionais que muitas vezes trabalham nos bastidores, entre poeirentos arquivos, bibliotecas silenciosas, sítios arqueológicos, salas de aula vibrantes ou em imersões digitais para dar voz a quem o tempo tentou calar, iluminar zonas de sombra e resgatar a complexidade da nossa trajetória coletiva. 

Joaquim Nabuco, em obras fundamentais como O Abolicionismo e Minha Formação, não apenas narrou eventos; ele questionou a alma da nação. Ele entendeu que a história não é um compêndio estático de datas, mas uma força viva que molda nossa cidadania. Quando nos lembramos de Nabuco, lembramo-nos de alguém que compreendeu a necessidade de transformar a indignação diante da escravidão e do atraso em uma agenda de progresso e humanidade.

O verdadeiro historiador, seguindo o exemplo desse grande pensador, é um investigador incansável. Ele interroga os vestígios deixados pelos que vieram antes de nós documentos oficiais, cartas íntimas, fotografias, monumentos, canções popularizadas ou memórias orais em busca de respostas para os dilemas do nosso próprio tempo.

Em uma época marcada pela velocidade avassaladora das redes sociais, pela superficialidade das informações e pelo perigo constante das chamadas fake-news e do revisionismo histórico desonesto, o papel do historiador torna-se ainda mais urgente e revolucionário. Ele é o guardião do rigor científico, o antídoto contra a amnésia social e o farol que nos ajuda a separar o mito ideológico do fato documentado. 

Ser historiador exige uma combinação rara de sensibilidade artística e rigor científico. É preciso ter a paciência do artesão para garimpar o detalhe esquecido e a audácia do filósofo para articular esse detalhe com os grandes movimentos sociais, econômicos e culturais. 

Pensemos na grandeza dessa tarefa. Quando um historiador reconstrói o cotidiano de uma comunidade marginalizada, ele devolve a dignidade e o protagonismo a sujeitos que a história oficial, por séculos, tratou como meras notas de rodapé. Quando ele analisa as causas de uma crise política, econômica ou sanitária, ele nos fornece as ferramentas intelectuais para que não repitamos os erros trágicos de ontem. 

No Brasil, fazer história é, por si só, um exercício de resistência e paixão. O nosso país é um mosaico riquíssimo, plural, marcado por contradições profundas e lutas sociais heroicas. Dar conta dessa vastidão exige dos nossos historiadores e pesquisadores um fôlego admirável, muitas vezes exercido em condições desafiadoras, mas sempre movido pela crença inabalável de que conhecer a própria história é o primeiro passo para a emancipação de um povo. 

Em nome do Focus Portal Cultural, deixamos aqui o nosso abraço fraterno e o nosso reconhecimento público a todos os historiadores do Brasil e, em especial, aos profissionais maranhenses e nordestinos que enriquecem o cenário cultural com suas pesquisas, livros, aulas e intervenções públicas. 

Aos professores de história, verdadeiros agentes de transformação nas salas de aula de escolas e universidades, que cultivam na juventude o pensamento crítico e a curiosidade intelectual, honrando o espírito pedagógico de Nabuco. Aos pesquisadores de arquivos públicos e privados, que preservam documentos raros garantindo que nossa identidade não se perca. Aos intelectuais, cronistas, memorialistas e acadêmicos que dedicam suas vidas a decifrar as marcas que o tempo deixou em nossas cidades, em nossas artes e em nossas tradições.

Que possamos continuar valorizando e apoiando esses profissionais, compreendendo que investir na pesquisa histórica e na preservação do patrimônio é investir na própria soberania cultural da nossa gente. 

Parabéns, historiadores e historiadoras! O seu trabalho é o alicerce sobre o qual construímos a nossa consciência de cidadãos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



terça-feira, 18 de agosto de 2026

CARTA ABERTA DO FOCUS PORTAL CULTURAL AOS COORDENADORES DA FLIN 2026

A literatura de Niterói chegou, mais uma vez, para abraçar a todos. Não apenas como arte, mas como gesto coletivo, como território de encontro e como celebração da diversidade. A FLIN 2026 mostrou que as palavras têm corpo, têm voz e têm casa: a cidade inteira se transformou em palco, e cada leitor, cada artista, cada visitante foi acolhido por esse abraço literário. 

Foi nesse espírito que a Festa Literária Internacional de Niterói se consolidou como um dos maiores eventos culturais do Brasil, reunindo mais de 50 mil pessoas em quatro dias de intensa programação. O que vimos não foi apenas um festival, mas uma verdadeira ocupação poética da cidade, onde literatura, música, teatro, audiovisual e cultura popular se entrelaçaram para formar um mosaico deslumbrante. 

E esse feito só foi possível graças ao trabalho incansável e visionário dos coordenadores e curadores que transformaram sonho em realidade. 

Nossos primeiros cumprimentos se dirigem ao prefeito Rodrigo Neves, cuja visão estratégica e compromisso com a cultura foram determinantes para que a FLIN se consolidasse como um dos maiores eventos literários do país. Sua fala, reafirmando a cultura como motor socioeconômico, ecoou como um manifesto de futuro. Rodrigo não apenas apoiou o festival: ele o abraçou como parte de um projeto de cidade, onde desenvolvimento e arte caminham lado a lado. 

Ao historiador e diretor da Niterói Livros, Jordão Pablo de Pão, cabe um tributo especial. Sua curadoria, sensível e ousada, soube traduzir o tema “Territórios das Palavras” em experiências concretas, que celebraram pertencimento, identidade e diversidade. Jordão foi mais do que coordenador: foi guardião de um território simbólico, onde vozes múltiplas se encontraram e se reconheceram. Sua fala sobre a humanidade como articuladora da narrativa resume o espírito da FLIN 2026. 

À presidenta da FAN, Micaela Costa, e sua equipe, nosso aplauso caloroso. A Fundação de Arte de Niterói mostrou que é possível unir gestão pública eficiente com sensibilidade cultural. A resposta do público, mais de 50 mil pessoas, é prova inequívoca da potência de um evento construído a partir da diversidade e do acesso gratuito. Vocês transformaram a festa em território de encontros e pertencimento. 

Não podemos deixar de destacar o trabalho dos curadores Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho e Jackson Jacques. Cada um trouxe sua perspectiva, sua energia e sua arte para compor uma programação plural. Vocês souberam homenagear Lélia Gonzalez não apenas como referência, mas como eixo de reflexão sobre raça, gênero, ancestralidade e transformação social. A FLIN 2026 foi, nesse sentido, um ato político e poético. 

Aos mais de 200 convidados, entre escritores, artistas, jornalistas e pesquisadores, nosso reconhecimento. Vocês deram corpo e voz ao festival, transformando mesas em diálogos vibrantes e palcos em celebrações da palavra. O crescimento no número de editoras e livrarias participantes mostra que a FLIN também fortalece a cadeia produtiva do livro, aproximando cultura e economia. 

A FLIN 2026 não se limitou ao espetáculo. Trouxe iniciativas de formação de leitores, inclusão de estudantes da rede pública, tradução em Libras, audiodescrição e ações ambientais e solidárias. A parceria com o Instituto Léo Solidário e a campanha de arrecadação de alimentos mostraram que literatura e cidadania podem caminhar juntas. Vocês provaram que um festival pode ser, ao mesmo tempo, celebração e responsabilidade. 

A cada edição, a FLIN se reinventa e se fortalece. Em 2026, ela se consolidou como patrimônio cultural da cidade. O apoio da Academia Brasileira de Letras, da Biblioteca Nacional, da UFF e de tantas instituições reforça a dimensão nacional e internacional do evento. Mas é em Niterói, em seus bairros, em suas praças e em sua gente, que a FLIN encontra sua alma. Vocês, coordenadores, foram os arquitetos dessa ponte entre local e global, entre tradição e inovação. 

A FLIN 2026 foi deslumbrante porque vocês foram deslumbrantes. Cada detalhe, cada escolha, cada gesto refletiu compromisso, paixão e competência. O Focus, ao escrever esta Carta Aberta, deseja que este reconhecimento ecoe como aplauso coletivo. Vocês mostraram que a literatura não é apenas arte: é território de encontro, resistência e esperança. 

Que a FLIN siga crescendo, inspirando e transformando. Que Niterói continue sendo palco de palavras e sonhos. E que vocês, coordenadores, recebam o merecido tributo por terem feito história.

Com gratidão e respeito, 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

MENSAGENS

Jordão Pablo de Pão Diretor da Niterói Livros disse: Querido Alberto Araújo,

Existem palavras que são mais do que reconhecimento, são celebração. Agradeço muito pela generosa forma de passear pela FLIN 2026, uma edição que - concordamos - entra para a História. 

É bonito demais perceber que esse bordado humano que é produzir uma festa de quatro dias com quatro palcos simultâneos e tantos espaços culturais adjacentes não passou despercebido. A Niterói Livros impulsiona essa exibição, que extrapola o nível comercial. Niterói se vê em nossas atividades. 

Talvez seja esse mesmo o segredo de nosso sucesso: ao propor diálogo, não usamos os fatos artísticos niteroienses, mas tematizamos, construimos, partimos deles para erguer um espaço de diversidade. Niterói é lente de criação. Com cada arte. Com cada artista. Comigo. Com você. 

Um abraço gigante.

Que venha 2027!

Jordão Pablo de Pão

 

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Amigo e confrade Jordão, fico muito feliz com suas palavras. A FLIN 2026 foi, de fato, um marco histórico, e é impossível falar desse sucesso sem reconhecer a maestria da sua coordenação à frente da Niterói Livros.

Sua visão transformou o que poderia ser apenas uma feira em um verdadeiro caldeirão cultural, onde a identidade da nossa cidade brilhou com força total. É inspirador ver como você conduz esse 'bordado humano' com tanta sensibilidade, integrando artistas, espaços e o público de forma tão orgânica. Parabéns por elevar o nível e por fazer de Niterói, de fato, essa lente criativa tão potente.

Foi uma honra acompanhar de perto essa entrega impecável. Que venha 2027 com ainda mais força! Um abraço gigante a você também, Alberto Araújo.

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Presidente Matilde Carone Slaibi Conti disse: Deslumbrante fiquei eu com a profundidade desse texto sobre a FLIN. Quanto esforço e pesquisa! Verdadeiramente inacreditável. Nem trabalho acadêmico feito por pós-doutores teria tal perfeição. Que deslumbramento ter um amigo com essa visão tão precisa na informação de fatos. Viva. Viva. Aleluia meu piauiense! Ó filho de mãe Maria, que aqui chegou nessa antiga Vila Real da Praia Grande, numa grande onda, que nos foi ofertado pelo Rio Parnaíba. Sucessos mil. Matilde.

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Presidente Matilde, você consegue aquecer o coração de qualquer um com essas palavras! Muito obrigado por um carinho tão generoso e por enxergar com tanta sensibilidade o que procurei traduzir sobre a FLIN. É uma alegria imensa cumprimentar e celebrar os companheiros. Que possamos continuar celebrando a cultura e a amizade por muito tempo. Abraços do Alberto Araújo.




 

OS 44 ANOS DA ASSOCIAÇÃO NITEROIENSE DE ESCRITORES (ANE) – A GUARDIÃ DA PALAVRA E DO TEMPO


Há quarenta e quatro anos, Niterói não era apenas uma cidade contornada pelo mar e abraçada pela silhueta imponente da Baía de Guanabara; era, e continua sendo, um vasto território de beleza lírica e poética.

Em 14 de agosto de 1982, o auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) transformou-se no epicentro de uma revolução silenciosa, porém indomável. Ali, no coração acadêmico da cidade, reuniram-se sonhadores empunhando não armas, mas versos, crônicas, romances, teses e o inegável anseio de dar guarida institucional à literatura produzida na terra de Arariboia. 

O que começou como um desdobramento espontâneo e audacioso, com o intuito inicial de estruturar uma seção fluminense do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, rapidamente ganhou asas próprias, soberanas e definitivas. A fundação da Associação Niteroiense de Escritores (ANE) não nasceu de gabinetes burocráticos, mas do entrosamento visceral entre mentes brilhantes que compreendiam a urgência de congregar talentos, divulgar obras e projetar os autores locais muito além de suas fronteiras geográficas. 

A lista de pioneiros que assinaram esse pacto com a posteridade é um verdadeiro panteão da cultura fluminense. Nomes como o inesquecível Luis Antônio Pimentel, que testemunhou e eternizou o nascimento da casa, Wanderlino Teixeira Leite Netto, Maria Regina Moura, Neusa Peçanha, Marilena Ribeiro Gomes, Sérgio Cid, Roberto dos Santos Almeida, Angelo Longo, Alaôr Eduardo Scisinio, Ricardo Fonseca de Pinho, Rui Marcenes, Gerson Vasconcelos, Maria Júlia de Aquino, Lucy Proença, Marly Guerra, Wandercy de Carvalho, Jacy Pacheco, Mário Sousa, Salvador Mata e Silva, Antônio Lopes dos Santos, Plínio Muylaert e Divaldo Gomes Ribeiro, o querido Zé Gamela, entre tantos outros, costuraram a rede que sustentaria o futuro literário do município.

Nos primeiros passos, a recém-nascida ANE demonstrou a resiliência típica dos grandes empreendimentos humanos. Sob o comando de diretorias provisórias e, posteriormente, da primeira gestão oficial eleita em 1983, encabeçada por Sérgio Cid, Rui Marcenes, Almanir Grego, Luís Antônio Pimentel e Luis Puccú, a instituição estruturou-se administrativamente, enfrentando os desafios de não ter sede própria com a nobreza de quem ocupa qualquer espaço transformando-o em templo.

Auditórios emprestados, recitais intimistas, exposições de arte e estandes de livros espalhados estrategicamente por pontos da cidade tornaram-se as trincheiras culturais da ANE. Era a literatura fazendo-se carne nas ruas, aproximando o autor do leitor comum, quebrando a falsa barreira de que a alta cultura pertence apenas a torres de marfim. 

Ao longo de quatro décadas e meia, a associação ramificou sua atuação em projetos antológicos que marcaram épocas. Quem não se recorda das icônicas Quintas Literárias e Quintas Requintadas, brilhantemente concebidas pela saudosa presidente Maria Regina Moura entre 1989 e 1993? Ou dos cobiçados concursos literários que revelaram e consagraram talentos através do Prêmio Silvestre Mônaco, do Concurso de Contos José Cândido de Carvalho e do Concurso de Poesias Jacy Pacheco?

A memória da ANE também se materializa nas páginas de suas concorridas Antologias, verdadeiros testamentos impressos que eternizam a poesia, a crônica e a prosa dos associados, com destaque especial para as edições comemorativas dos Jubileus de Pérola, Coral e Esmeralda. A isso se somam a inestimável Agenda Poética ANE (fruto da liderança de Heitor Carvalho Cruz), os tradicionais almoços de aniversário de 14 de agosto, o aconchegante Chá da Primavera em outubro e a solidariedade festiva do Natal do Poeta. 

Uma das maiores belezas da trajetória da ANE é o seu profundo espírito de comunhão. A instituição nunca caminhou isolada; pelo contrário, sempre estendeu as mãos para formar uma verdadeira federação do pensamento em Niterói. Ao longo de sua jornada, caminhou lado a lado com irmãs de cátedra e ofício, como a Academia Fluminense de Letras, a Academia Niteroiense de Letras, o Cenáculo Fluminense de História e Letras, o Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, além de espaços fundamentais como o Centro Cultural Maria Sabina, fundado pela inesquecível poetisa e a sua diretora cultural Neide Barros Rêgo e o Parthenon Centro de Arte e Cultura, criação da expressiva artista plástica Veronica Debellian Accetta. 

As Antologias da ANE, concebidas com esmero pelo designer Mauro Carreiro Nolasco, transcendem o papel: são palcos de vivacidade e encontros onde a alma da literatura niteroiense ganha brilho próprio. Cada edição é um mosaico de vozes que celebram nossa identidade. Nesse ecossistema de resistência e beleza, dois pilares históricos merecem ser reverenciados com letras douradas ao celebrarmos estes 44 anos de uma trajetória que, graças a talentos assim, permanece sempre eterna e renovada.

Wanderlino Teixeira Leite Netto ergue-se como um verdadeiro minerador cultural de Niterói. Poeta, romancista e biógrafo de erudição ímpar, ele consagrou os dias a vasculhar e resgatar os tesouros submersos da nossa memória fluminense. Seus livros, como Passeio das Letras na Taba de Arariboia e Dança das Cadeiras, funcionam como enciclopédias sagradas que perpetuam a nossa ancestralidade artística, concedendo-lhe uma honraria imorredoura na ANE. 

E, brilha Leda Mendes Jorge: a alma, o compasso e a doçura que harmonizam o presente e conduzem o futuro da associação. Com sua sensibilidade de artista e líder inigualável, ela transforma cada encontro em poesia viva, mantendo acesa a chama da nossa literatura. 

Falar da ANE contemporânea é, inevitavelmente, curvar-se diante da presença luminosa de sua presidente, a acadêmica Leda Mendes Jorge. Poetisa de sensibilidade rara e musicista de talento consumado, Leda tem sido o baluarte que mantém a instituição viva, vibrante e profundamente acolhedora.

Em sua posse na Academia Fluminense de Letras, o ilustre acadêmico Marcos Almir Madeira sintetizou com precisão cirúrgica a essência da arte de Leda: “Em todas as suas criações, a poesia não traduz apenas estados d'alma porque é poesia de ideias, poesia suavemente marcada pela transparência do pensamento, leve como vestido de gaze. (...) Seus haicais são frações de ideias, ideais e vibrações de um coração rico. (...) Mas a colega é duas vezes artista: põe alma no papel quando espiritualiza as palavras em sua poesia e nas teclas do seu piano, quando o domina aos nossos olhos e nos conquista o coração. Arte sem igual: a alma nas mãos.

É essa mesma "alma nas mãos" que Leda transborda na presidência da ANE. Com uma elegância ímpar, simpatia agregadora e uma capacidade rara de congregar diferentes gerações de escritores, ela conduz a casa literária com o rigor de quem respeita a tradição e a leveza de quem sabe que a poesia precisa respirar livremente. Sob sua liderança, a instituição não apenas sobreviveu às intempéries dos tempos modernos, mas floresceu, abrigando hoje mais de 84 associados que encontram na associação um porto seguro para suas inquietações criativas. 

Chegar aos 44 anos em pleno agosto de 2026 é um triunfo da palavra sobre o esquecimento. Numa época em que o mundo acelera em direção à efemeridade digital, a Associação Niteroiense de Escritores permanece como um oásis onde o tempo desacelera para dar lugar à reflexão, ao debate estético e ao abraço fraterno entre autores veteranos e novos talentos.

Celebramos a ANE. Celebramos os fundadores que ousaram sonhar no auditório da UFF em 1982. Celebramos os poetas que já partiram, mas cujos versos continuam ecoando nas paredes invisíveis da nossa cultura. Celebramos cada associado que hoje empunha sua caneta para defender o valor do livro e da leitura. E celebramos, com profunda reverência e carinho, a presidente Leda Mendes Jorge, cujo sorriso e dedicação incansável continuam a engalanar a nossa história.

Que venham muitos outros capítulos. Que a taba de Arariboia siga renhida de versos, e que a Associação Niteroiense de Escritores continue a ser, por excelência, a guardiã eterna da nossa identidade, da nossa memória e do nosso sonho. Parabéns à ANE! Parabéns a Niterói, berço altaneiro de poetas e eternos criadores de mundos! 

© Alberto Araújo

Jornalista, escritor e Poeta

 





ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE MEDICINA DO BRASIL 2026: PORTO ALEGRE COMO PALCO DA REFLEXÃO MÉDICA

Nos dias 28 e 29 de agosto de 2026, Porto Alegre será o centro das atenções da comunidade médica nacional ao sediar o Encontro das Academias de Medicina do Brasil. O evento, organizado pela Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina em parceria com a histórica Academia Nacional de Medicina, fundada em 1829 e que neste ano celebra 197 anos de existência, reunirá lideranças médicas de diferentes estados para debater os desafios contemporâneos da profissão e do ensino médico no país. 

Entre os participantes, destacar-se-á a presença do acadêmico Euderson Kang Tourinho e de sua esposa, Ana Maria Tourinho, cuja participação simboliza o compromisso das famílias médicas com o fortalecimento da ciência, da ética e da tradição acadêmica. 

A solenidade de abertura ocorrerá em 28 de agosto às 17h30, com a presença de importantes lideranças: Antônio Rodrigues Braga Neto, Presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro; Regis Fernando Angnes, Presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul; Sérgio de Paula Ramos, Presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina; Antônio Egídio Nardi, Presidente da Academia Nacional de Medicina. 

O momento será marcado pela conferência “Suicídio de médicos. Por que tantos médicos se matam?”, proferida pelo acadêmico Antônio Egídio Nardi. O tema, delicado e urgente, trará à tona a necessidade de discutir a saúde mental dos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado dos outros, mas que muitas vezes enfrentam pressões silenciosas e devastadoras. 

Após a conferência, os participantes serão recebidos em um coquetel de boas-vindas oferecido pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann, reforçando o caráter humano e integrador do encontro. 

O segundo dia, 29 de agosto, terá início às 8h com a mesa de abertura presidida por Antônio Egídio Nardi e Sérgio de Paula Ramos, seguida da apresentação da acadêmica Selma Jerônimo, presidente da Federação Brasileira das Academias de Medicina, que abordará o tema “Formação médica no Brasil de hoje: como estamos?”. 

Na sequência, serão discutidas propostas concretas para o ensino médico: Exame nacional único – defendido por Maurício Pereima (Academia de Medicina de Santa Catarina), como forma de padronizar a avaliação dos futuros médicos. 

Acreditação periódica – proposta por Washington Luís Conrado dos Santos (Academia de Medicina da Bahia), reforçando a necessidade de qualidade contínua nas escolas médicas. 

Avaliação longitudinal – apresentada por Viviane Peterle (Academia de Medicina de Brasília), destacando a importância de acompanhar o desenvolvimento do estudante ao longo de todo o curso. 

O tradicional Café Acadêmico, às 9h30min, servirá como espaço informal de troca de ideias e fortalecimento de laços entre gerações de médicos. 

Às 10h, novas propostas serão debatidas sob coordenação de Osvandré Lech (Presidente da Academia Passo-Fundense de Medicina): 

Atualização curricular – defendida por Edmund Chada Baracat (Academia de Medicina de São Paulo).

Integração ensino-prática – apresentada por Cláudio Pereira da Cunha (Academia Paranaense de Medicina).

Valorização do corpo docente – enfatizada por Raul Cutait (Academia Nacional de Medicina), lembrando que sem professores motivados e reconhecidos não há ensino de excelência. 

Às 10h45min, os debates serão sintetizados por José de Jesus Camargo e Darcy Ribeiro Pinto Filho, que organizarão as contribuições em um panorama de propostas para o futuro da formação médica no Brasil. 

As Academias de Medicina são instituições que suplantam o caráter histórico e se afirmam como fóruns vivos de reflexão. Mais do que espaços de memória, são guardiãs da ética, da ciência e da tradição médica. 

O encontro de Porto Alegre reafirmará essa vocação ao colocar em pauta temas como a saúde mental dos médicos, a qualidade da formação acadêmica e a valorização dos docentes. São debates que ultrapassam os muros das universidades e impactam diretamente a sociedade, pois dizem respeito à qualidade da assistência médica oferecida à população. 

A presença dos companheiros acadêmicos como Euderson Kang Tourinho e de sua esposa Ana Maria Tourinho reforça a dimensão humana desses encontros. Não se trata apenas de ciência, mas também de convivência, partilha de valores e celebração da vida em comunidade. 

O evento será encerrado com um tradicional churrasco de confraternização, oferecido pelo acadêmico Sérgio de Paula Ramos, presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Mais do que um momento social, a confraternização simbolizará a união da classe médica em torno de objetivos comuns: fortalecer a profissão, aprimorar o ensino e cuidar da saúde dos brasileiros.

O Encontro das Academias de Medicina do Brasil 2026 será mais do que um congresso: será um marco de reflexão e compromisso. Ao reunir lideranças médicas de diferentes estados, reafirmará o papel das Academias como guardiãs da ética, da ciência e da tradição médica.

A comunidade médica sairá fortalecida, com propostas concretas para enfrentar os desafios do presente e preparar o futuro. E a presença de figuras como Euderson Kang Tourinho e Ana Maria Tourinho - Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras liderada pela presidente Dyandreia Portugal lembrará que, por trás de cada acadêmico, há histórias de dedicação, famílias que apoiam e valores que sustentam a medicina como vocação e missão. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 










HOMENAGEM A RUBENS CARRILHO FERNANDES




 

Em uma cerimônia marcada pela tradição e pelo reconhecimento cultural, o pesquisador Rubens Carrilho Fernandes, responsável pelo Arquivo Legislativo da Câmara Municipal de Niterói, será agraciado com o título de Conde da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente. A honraria, de caráter nobre e simbólico, destaca sua relevante contribuição para a preservação da memória institucional, da história e do patrimônio documental pilares fundamentais para a valorização da identidade histórica e cultural de Niterói.

 

A Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, instituição de natureza eminentemente cultural e memorial, dedica-se à preservação das tradições e do legado dos povos godos, atuando na salvaguarda do patrimônio material e imaterial. Sua missão transcende o tempo, reunindo práticas, saberes e expressões que fortalecem o elo entre passado e presente, e que encontram em Rubens Carrilho um guardião comprometido com a continuidade dessa herança.

 

A solenidade de outorga e investidura ocorrerá no dia 21 de agosto, sexta-feira, às 15h, no Plenário da Câmara Municipal de Niterói, ocasião em que o homenageado receberá oficialmente as insígnias e o diploma correspondentes ao título nobiliárquico honorífico. O evento, de caráter cultural e comemorativo, simboliza não apenas o reconhecimento individual, mas também o apreço coletivo pela dedicação à história e à memória, valores que sustentam a identidade de uma sociedade.

 

Rubens Carrilho Fernandes, agora Conde, inscreve seu nome entre aqueles que fazem da preservação histórica uma forma de eternizar o conhecimento e a cultura.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 






O DESCERRAR DA CORTINA: A ETERNA GLÓRIA DOS PALCOS E DA VIDA

A cena final não traz o som estridente de um choro, mas o silêncio reverente de quem sabe que assistiu à passagem de uma constelação. Há partidas que pesam como uma âncora no peito coletivo, e há aquelas que chegam com a suavidade de um libreto bem encenado, cumprindo o seu destino com a exatidão dos grandes clássicos. Nesta terça-feira, 18 de agosto, a teledramaturgia brasileira recolheu suas vestes mais nobres para aplaudir de pé. Descerra-se a cortina de veludo pesado e, no palco que a consagrou, a luz se concentra em um único ponto, eternizando a figura de Glória Menezes. Não há espaço para o luto definitivo onde houve tanta vida vibrante; o que fica é a herança de uma arte que desafiou o tempo. 

Seis décadas. Pense bem no que cabem em sessenta anos de ofício. Mudanças de épocas, transições da televisão em preto e branco para a alta definição vibrante, a metamorfose do teatro de resistência e a reinvenção constante do cinema nacional. Glória não apenas testemunhou essa travessia: ela foi uma das suas principais arquitetas. Com uma elegância que parecia brotar de sua essência e uma versatilidade capaz de transitar do drama mais visceral à comédia mais sutil com a naturalidade de quem respira, ela emprestou seu rosto, sua voz e sua alma a mulheres que se tornaram parte da biografia de todos nós. 

Impossível falar de Glória Menezes sem revisitar a galeria de retratos inesquecíveis que ela nos presenteou. Como não se lembrar da inesquecível e altiva socialite Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata (1990)? Com um olhar que cortava o ar e uma postura impecável, ela deu vida a uma das antagonistas mais fascinantes da nossa história televisiva, unindo fragilidade e soberba em doses cirúrgicas. Laurinha era intensa, complexa, magnética, uma verdadeira aula de atuação entregue com a generosidade de quem dominava a arte do silêncio tanto quanto a força do texto. 

Décadas mais tarde, a mesma entrega apaixonada se fez presente em Totalmente Demais (2015), quando vestiu a pele de Stelinha, a sofisticada e espirituosa mãe do protagonista Arthur. Ali, já dona de uma maturidade artística incomparável, Glória provou que a jovialidade de um artista não reside na idade do corpo, mas na vivacidade do espírito. Stelinha arrancava sorrisos, impunha respeito e esbanjava o charme irrecusável de quem entendia perfeitamente o tom da comédia sofisticada. Entre o drama denso e o humor elegante, foram cerca de 40 trabalhos na televisão que ajudaram a pavimentar o próprio conceito de identidade cultural brasileira. 

E como falar de Glória sem mencionar o outro lado dessa moeda mágica? A sua trajetória confunde-se, de maneira sublime, com a de Tarcísio Meira. Juntos, formaram não apenas um casal na acepção comum da palavra, mas uma verdadeira instituição do afeto e da arte. Dentro e fora das telas, na ficção e na vida real, eles construíram uma parceria que desafiou a efemeridade do mundo moderno. 

Ver os dois em cena era testemunhar uma cumplicidade rara, daquelas em que os olhares diziam mais do que qualquer rubrica de roteiro. Compartilharam palcos, estúdios, aplausos e a intimidade de uma vida inteira dedicada a encantar o público. Quando Tarcísio partiu, parte do Brasil sentiu o eco daquele silêncio. Agora, a reunião se faz completa. Em alguma dimensão onde os textos nunca acabam e os aplausos jamais cessam, o casal mais célebre da nossa cultura volta a contracenar, agora livres das limitações do tempo terreno. É uma imagem reconfortante: o reencontro de duas legendas que escreveram sua história a tinta indelével. 

O Focus Portal Cultural despede-se hoje de um dos maiores pilares da nossa identidade artística, mas o faz com o coração aquecido pela certeza de que a arte de Glória Menezes é imune ao esquecimento. Ela não nos deixa; ela se integra à paisagem afetiva do país. 

Quando ligarmos a televisão e virmos as reapresentações de suas novelas, quando ouvirmos histórias sobre os bastidores dourados da nossa teledramaturgia, ou quando olharmos para novas gerações de atrizes que buscam nela um norte de dignidade profissional, saberemos que Glória continua aqui.

A cortina desce lentamente, o facho de luz do teatro diminui, mas a ovação do público ecoa para sempre. Boa viagem, Glória. Sua cena foi, e sempre será, magistral.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

18 de agosto de 2026, dia do falecimento da atriz Glória Meneses 


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Maria Helena Pereira disse: Querido Amigo Alberto, amei sua despedida da estrela maior da constelação da arte brasileira, até o meu pai, um português, que apenas assinatura, era fã ardorosa da estrela maior. Suas palavras são a coroação final da grande e magnífica estrela que nunca esqueceremos. Hoje no céu tem festa, o reencontro de Tarcisio e Glória, novamente juntos. Deus os abençoe com a reencarnação juntos novamente. Maria Helena.




 

6ª REUNIÃO FESTIVA – NOITE DE COMPANHEIRISMO NO ROTARY DE NITERÓI


Que alegria celebrar mais um momento de companheirismo! O Rotary Club de Niterói convida todos para a 6ª Reunião Festiva – Noite de Companheirismo, um encontro que traduz o verdadeiro espírito rotário: amizade, solidariedade e propósito. No dia 20 de agosto, às 20h, na Casa da Amizade de Niterói, Rua Murilo Portugal, 1130 - Charitas teremos uma noite especial dedicada à comemoração dos aniversariantes do mês, repleta de boas conversas, risadas e união.

Além da celebração, será um momento de organização e orientação para o McDia Feliz, que acontecerá em 22 de agosto, reforçando o compromisso do Rotary com causas sociais e o impacto positivo na comunidade. Cada reunião festiva é uma oportunidade de fortalecer laços e renovar o entusiasmo por servir porque, no Rotary, cada gesto de companheirismo é também um passo rumo a um mundo melhor. 

O jantar tem o valor simbólico de R$30,00 por convidado, e promete uma atmosfera acolhedora, iluminada por boas histórias e o calor humano que define o clube. Sob a liderança de Paulo Corrêa Belchior, Presidente 2026-27, seguimos inspirados pelo lema “Crie Impacto Duradouro”, transformando encontros em experiências que marcam o coração. 

Você vem celebrar conosco?




AS INSCRIÇÕES PARA A CONVENÇÃO DE BARCELONA 2027 ABREM EM 17 DE SETEMBRO DE 2026.




 

E há um motivo extra para não perder de vista o calendário: quem reservar durante esses primeiros cinco dias, até 21 de setembro incluído, terá acesso a um desconto especial no preço da inscrição.


Marca a data, vale mesmo a pena!

Informações principais

Datas do evento: 26 a 30 de junho de 2027

 

Local: Fira de Barcelona Gran Via (Fira 2), em L’Hospitalet de Llobregat

Inscrições: abertura em 17 de setembro de 2026; desconto válido até 21 de setembro de 2026

 

Todas as informações e taxas estão disponíveis

Site oficial: https://convention.rotary.org/pt-br/  

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SOLAR DO JAMBEIRO: UM TESOURO DE NITERÓI NO DIA NACIONAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO

No dia 17 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, data criada em homenagem a Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do IPHAN e figura central na consolidação das políticas de preservação cultural no país. É um momento de reflexão sobre a importância de proteger os bens que contam nossa história, sejam eles materiais, como casarões, igrejas e sítios arqueológicos, ou imateriais, como festas populares, saberes tradicionais e manifestações artísticas. 

Entre os inúmeros exemplos que ilustram a riqueza do patrimônio brasileiro, o Solar do Jambeiro, em Niterói, desponta como um ícone da memória e da resistência cultural. Mais do que um edifício histórico, o Solar é um espaço vivo, que conecta passado e presente, tradição e contemporaneidade, memória e criação. 

O Dia Nacional do Patrimônio Histórico é celebrado em 17 de agosto em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898–1969). Advogado, jornalista e escritor, Rodrigo foi o primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), cargo que ocupou por três décadas. 

Sua atuação foi decisiva para a criação de políticas públicas voltadas à preservação cultural no Brasil. Sob sua liderança, o IPHAN consolidou o tombamento de cidades históricas como Ouro Preto, Olinda e São Luís, além de igrejas, casarões e monumentos que hoje são símbolos da identidade nacional. Rodrigo defendia que o patrimônio não deveria ser visto apenas como relíquia do passado, mas como elemento vivo da cultura e da cidadania. 

Assim, cada 17 de agosto é também um tributo à sua visão pioneira, que transformou a preservação em política de Estado e garantiu que o Brasil pudesse contar sua história por meio de seus bens culturais. 

O Solar do Jambeiro foi construído em 1872 pelo comerciante português Bento Joaquim Alves Pereira. Sua imponência logo chamou atenção na paisagem da cidade, tornando-se residência de famílias influentes. Posteriormente, foi adquirido pelo diplomata dinamarquês Georg Christian Bartholdy, cuja família desempenhou papel fundamental na preservação do imóvel. 

Em 1974, atendendo a um pedido da família Bartholdy, o Solar foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), garantindo sua proteção oficial. Após cuidadosa restauração, o espaço foi reaberto ao público em 2001, sob administração da Fundação de Arte de Niterói (FAN). 

A arquitetura do Solar do Jambeiro é um espetáculo à parte. Sua fachada é adornada por azulejos portugueses azuis, com mais de 150 anos de história, formando um dos conjuntos mais importantes do século XIX no Brasil. 

No interior, o visitante encontra telhas pintadas à mão, vitrais coloridos, pisos em cerejeira e painéis de madeira entalhada que revelam o requinte da época. O jardim, por sua vez, abriga o jambeiro centenário que dá nome ao solar, símbolo da ligação entre natureza e cultura 

Mais do que um monumento preservado, o Solar do Jambeiro é hoje um centro cultural dinâmico, que abriga exposições de artes plásticas, seminários, cursos de preservação, peças de teatro, saraus e concertos musicais.

O espaço já recebeu óperas, encontros internacionais, feiras culturais e eventos literários, consolidando-se como um polo de efervescência artística em Niterói. Cada atividade realizada ali reforça a ideia de que o patrimônio histórico não é apenas memória congelada, mas sim motor de cultura e cidadania. 

Se o Solar do Jambeiro representa o patrimônio material, o Brasil também se orgulha de um vasto conjunto de patrimônios imateriais, reconhecidos pelo IPHAN e pela UNESCO. São tradições, saberes e celebrações que revelam a diversidade cultural do país: Samba de Roda: manifestação musical e coreográfica da Bahia, raiz do samba urbano; Círio de Nazaré: maior procissão católica do Brasil, realizada em Belém do Pará; Frevo: ritmo e dança vibrante de Pernambuco, símbolo do carnaval nordestino; Roda de Capoeira: expressão que une luta, dança e música, reconhecida como patrimônio da humanidade; Ofício das Paneleiras de Goiabeiras: tradição artesanal do Espírito Santo, que mantém viva a produção de panelas de barro. 

Essas manifestações mostram que o patrimônio histórico não se limita a pedras e paredes: ele pulsa nas festas, nas músicas, nos rituais e nos saberes transmitidos de geração em geração. 

Celebrar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico é reconhecer que preservar é resistir. É garantir que futuras gerações possam vivenciar a história em espaços autênticos, como o Solar do Jambeiro. É também valorizar a diversidade cultural que compõe o Brasil, desde os casarões coloniais de Minas Gerais até os centros históricos do Maranhão e do Rio Grande do Sul. 

O Solar do Jambeiro nos lembra que cada cidade tem seus tesouros e que o engajamento da comunidade é essencial para mantê-los vivos. Preservar não é apenas conservar paredes e objetos, mas manter viva a memória coletiva que nos define como povo.

Neste 17 de agosto, o Solar do Jambeiro se ergue como símbolo da resistência da cultura contra o esquecimento. Ele nos ensina que patrimônio histórico é mais do que herança: é presente, é futuro, é identidade. 

Que o Dia Nacional do Patrimônio Histórico seja celebrado com consciência e orgulho, e que cada visita ao Solar do Jambeiro seja um convite à reflexão sobre a importância de proteger o que nos torna únicos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural