sexta-feira, 23 de outubro de 2026

23 DE OUTUBRO: UMA HOMENAGEM AOS AVIADORES QUE TRANSFORMAM DISTÂNCIAS EM ENCONTROS


O Focus Portal Cultural, sob a curadoria do jornalista Alberto Araújo, cumprimenta e parabeniza todos os aviadores brasileiros e do mundo pela passagem do Dia do Aviador, celebrado em 23 de outubro. A data é mais do que uma homenagem profissional. Ela representa o reconhecimento à coragem, à disciplina, ao espírito inovador e à dedicação daqueles que escolheram os céus como caminho para servir à sociedade.

Ser aviador é assumir diariamente a responsabilidade de conectar pessoas, encurtar distâncias, transportar sonhos, promover desenvolvimento e garantir que o mundo permaneça em constante movimento. Em cada decolagem existe uma história; em cada pouso, uma missão cumprida. Por trás da tecnologia e da velocidade, estão profissionais altamente preparados que enfrentam desafios com serenidade, competência e compromisso com a segurança. 

A escolha do dia 23 de outubro como marco comemorativo remete a um dos momentos mais emblemáticos da história da humanidade. Em 1906, o brasileiro Alberto Santos Dumont realizou, no Campo de Bagatelle, em Paris, um voo que mudaria para sempre a forma como o homem se relaciona com o espaço e o tempo. A bordo do lendário 14-Bis, o inventor demonstrou ao mundo que o sonho de voar podia se tornar realidade. 

Mais do que uma conquista técnica, aquele feito simbolizou a capacidade humana de desafiar limites. Santos Dumont não apenas projetou uma aeronave. Ele abriu horizontes para o progresso, para a comunicação entre povos e para uma nova era da mobilidade mundial. O céu deixava de ser uma fronteira inatingível para se transformar em uma rota de possibilidades.

Desde então, gerações de aviadores deram continuidade a esse legado, escrevendo páginas memoráveis na história da aviação civil, militar e comercial. O Brasil, reconhecido internacionalmente por sua tradição aeronáutica, continua formando profissionais que se destacam pelo conhecimento técnico, pela ética e pela paixão pelo voo. 

Nesta mesma data, celebra-se também o Dia da Força Aérea Brasileira, instituição que desempenha papel fundamental na defesa da soberania nacional, no auxílio às populações em situações de emergência, no transporte humanitário e na integração de regiões distantes do país. Sua atuação reforça a importância da aviação como instrumento de desenvolvimento, proteção e cidadania. 

Ao homenagearmos os aviadores, reverenciamos homens e mulheres que enxergam além do horizonte. Profissionais que transformam desafios em oportunidades e que, com responsabilidade e precisão, contribuem diariamente para aproximar pessoas, culturas e nações.

Neste 23 de outubro, o Focus Portal Cultural expressa sua admiração e gratidão a todos os que dedicam suas vidas à arte de voar. Que a memória de Santos Dumont continue inspirando novas gerações e que o espírito pioneiro da aviação permaneça vivo, elevando não apenas aeronaves, mas também sonhos, conquistas e esperanças.

Parabéns a todos os aviadores. Seu trabalho continua mostrando que os maiores limites existem apenas até o momento em que alguém tem a coragem de ultrapassá-los. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

APROVEITAR O TEMPO - ÁLVARO DE CAMPOS, IN "POEMAS" HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA - DECLAMAÇÃO MUNDO DOS POEMAS DE PORTUGAL



Aproveitar o tempo!

Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?

Aproveitar o tempo!

Nenhum dia sem linha...

O trabalho honesto e superior...

O trabalho à Virgílio, à Milton...

Mas é tão difícil ser honesto ou superior!

É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!

 

Aproveitar o tempo!

Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -

Para com eles juntar os cubos ajustados

Que fazem gravuras certas na história

(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...

Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,

E os pensamentos em dominó, igual contra igual,

E a vontade em carambola difícil.

Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos -

Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.

 

Verbalismo...

Sim, verbalismo...

Aproveitar o tempo!

Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...

Não ter um acto indefinido nem factício...

Não ter um movimento desconforme com propósitos...

Boas maneiras da alma...

Elegância de persistir...

 

Aproveitar o tempo!

Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.

Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.

Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.

Aproveitar o tempo!

Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.

Aproveitei-os ou não?

Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!

 

(Passageira que viajaras tantas vezes no mesmo compartimento comigo

No comboio suburbano,

Chegaste a interessar-te por mim?

Aproveitei o tempo olhando para ti?

Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?

Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?

Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?)

 

Aproveitar o tempo!

Ah, deixem-me não aproveitar nada!

Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...

Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,

A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,

O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,

O pião do garoto, que vai a parar,

E oscila, no mesmo movimento que o da alma,

E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterônimo de Fernando Pessoa



 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

POEMA EM LINHA RETA - ÁLVARO CAMPOS/FERNANDO PESSOA


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das
etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


 

RÁDIO CULTURA BRASIL HOMENAGEIA OS 80 ANOS DE NASCIMENTO DE BELCHIOR COM PROGRAMAÇÃO ESPECIAL


ENTREVISTAS DE ACERVO, DEPOIMENTOS DE ARTISTAS E ATRAÇÕES DEDICADOS À OBRA DO CANTOR E COMPOSITOR MARCAM A PROGRAMAÇÃO DESTA SEGUNDA (26/10)

A Rádio Cultura Brasil (77,9) prepara uma programação especial pelos 80 anos de nascimento de Belchior, nesta segunda-feira (26/10). Ao longo do dia, entrevistas históricas, depoimentos de artistas e atrações dedicadas à sua obra revisitam a trajetória do cantor e compositor, cuja música segue conquistando novas gerações. A programação reúne registros do acervo da emissora e conteúdos especiais que mostram a força e a atualidade de suas canções, que o artista queria ver cantadas, entendidas ou questionadas nos mais diversos lugares.

Às 7h, no Música e Notícia, Laura Mayumi apresenta depoimentos de pessoas que tiveram diferentes relações com a obra e a vida do cantor: Ana Cañas, artista que interpretou e gravou suas músicas; José Luiz Penna, que compôs com ele; Jorge Mello, que trabalhou diretamente com o artista; e Vannick Belchior, sua filha.

Às 10h, vai ao ar a primeira parte do Todamúsica, gravado nos estúdios da Cultura em 2005. Na entrevista, Belchior fala sobre a infância, a cidade de Sobral, sua maneira de compor e a importância da língua portuguesa em sua formação. A segunda parte do programa será transmitida às 13h.

Às 20h, a emissora resgata outro registro de seu acervo: o Memória Popular Brasileira, com uma entrevista realizada com o cantor em Porto Alegre por Vanderlei Cunha.

Para encerrar a programação, às 23h, Giovanna Chaves apresenta um especial com sucessos de Belchior, celebrando uma obra que permanece viva entre diferentes gerações.

Nascido em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes era estudioso, curioso e culto. Jovem, apreciava a música que vinha das ruas e das orquestras de sua cidade, mas nunca imaginou que seria cantor popular. Aprendeu línguas, estudou medicina, conheceu o sucesso e, mais tarde, optou pelo recolhimento. Oito décadas após seu nascimento, é cultuado por novos públicos. Se, tempos atrás, o bordão era “toca Raul”, hoje é possível ouvir outro pedido: “canta Belchior”.

Em entrevista à Rádio Cultura Brasil, em 2005, o artista afirmou que sempre fazia primeiro a letra e depois a melodia. Para ele, a letra era fundamental. O sucesso não se media pela presença constante em grandes eventos, no rádio ou na televisão, mas pela possibilidade de ter suas músicas cantadas, entendidas ou questionadas nos mais diversos lugares.

SERVIÇO

Coração Selvagem – Belchior 80

Segunda-feira (26/10)

Programação

Música e Notícia – 7h | com Laura Mayumi

Todamúsica – parte 1 – 10h | acervo

Galeria – 11h | com Fabiana Ferraz

Todamúsica – parte 2 – 13h | acervo

Estúdio 77 – 14h | com Alexandre Ingrevallo

Letra e Música – 17h | com Professor Pasquale

Memória Popular Brasileira – 20h | acervo

Especial Belchior – 23h | com Giovanna Chaves

 

Rádio Cultura Brasil

FM – 77,9 MHz

TV digital – Canal 2.5

culturabrasil.com.br

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FRANZ LISZT: O VIRTUOSE QUE TRANSFORMOU O PIANO EM LENDA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL POR INTEMÉDIO DA PIANISTA LICIA LUCAS

(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)

Um gênio revolucionário, uma intérprete consagrada e a força de uma música que continua emocionando plateias em todo o mundo. 

22 de outubro de 2026. No aniversário de 215 anos de nascimento de Franz Liszt, um dos gênios extraordinários da história da música, o Focus Portal Cultural, do jornalista Alberto Araújo, presta homenagem ao compositor, pianista e inovador húngaro que redefiniu os limites da arte pianística no século XIX. 

Reconhecido como o maior virtuose de sua época, Liszt transformou o recital solo em espetáculo, ampliou os horizontes técnicos do piano e criou uma linguagem musical marcada pela imaginação, pelo brilho sonoro e pela intensa expressividade. Sua influência alcançou gerações de compositores e consolidou seu nome entre os gigantes do romantismo musical.

Na edição especial do programa Partituras, da TV Brasil, a renomada pianista Licia Lucas conduz o público pelo universo fascinante de Liszt, revelando a riqueza poética, o vigor dramático e a impressionante modernidade de uma obra que permanece atual mais de um século após sua criação. 

O programa apresenta três obras marcantes do repertório lisztiano: os célebres Soneto del Petrarca 123 e Soneto del Petrarca 104, páginas de intensa inspiração lírica extraídas dos Anos de Peregrinação, além de Widmung (Dedicação), magistral transcrição realizada por Liszt da célebre canção de Robert Schumann, exemplo perfeito da fusão entre virtuosismo pianístico e profunda expressividade romântica. 

Com sensibilidade artística e domínio técnico, Licia Lucas recria a atmosfera apaixonante dessas obras, evidenciando a genialidade de um músico que fez do piano uma verdadeira extensão da alma humana. Cada página apresentada revela um criador inquieto, visionário e profundamente comprometido com a expansão das possibilidades da linguagem musical. 

Mais do que uma homenagem, esta é uma celebração do legado de um artista que revolucionou o modo de compor, interpretar e compreender a música. Uma oportunidade única para revisitar a obra de um dos nomes mais influentes e admirados da história universal da arte, cuja música continua a fascinar intérpretes e ouvintes em todo o mundo. 

PROGRAMA 

Soneto del Petrarca 123

Soneto del Petrarca 104

Widmung (Dedicação) – Schumann/Liszt

Uma homenagem imperdível a Franz Liszt, celebrando a genialidade de um artista que transformou o piano e deixou uma marca indelével na história da música.

SOBRE O COMPOSITOR FRANZ LISZT

Texto inspirado no capítulo sobre Franz Liszt do livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano

Quando Franz Liszt surgia diante do piano, não se tratava apenas de um concerto. O que o público testemunhava era uma nova forma de compreender o instrumento. Pela primeira vez na história, um pianista era celebrado como uma verdadeira estrela internacional, capaz de provocar entusiasmo coletivo, inspirar gerações de músicos e transformar cada apresentação em um acontecimento artístico de grandes proporções.

Foi esse personagem extraordinário, simultaneamente compositor, virtuose, professor e visionário, que redefiniu os limites da arte pianística no século XIX. Sua contribuição foi tão profunda que a história do piano pode ser dividida em dois momentos: antes e depois de Liszt.

As reflexões que seguem têm como principal referência o capítulo dedicado ao compositor no livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano, obra que investiga as grandes escolas pianísticas e as linhagens artísticas que moldaram a evolução do instrumento ao longo dos últimos séculos. Mais do que contar a trajetória de um pianista excepcional, o estudo revela como Liszt se tornou o elo central entre a tradição clássica herdada de Beethoven e a moderna concepção de interpretação pianística.

Nascido em 22 de outubro de 1811, na pequena Raiding, então pertencente ao Reino da Hungria, Franz Liszt cresceu em uma Europa que vivia profundas transformações artísticas e culturais. Seu talento manifestou-se precocemente e chamou a atenção de músicos influentes ainda durante a infância. O destino reservaria ao menino um encontro decisivo com Carl Czerny, um dos maiores pedagogos do seu tempo e discípulo direto de Beethoven.

Curiosamente, apesar da vastidão de sua futura influência, Liszt teve apenas um professor de piano. Czerny assumiu sua formação quando o garoto tinha apenas dez anos de idade e compreendeu desde o princípio que estava diante de um talento incomum. Mais do que desenvolver a habilidade natural do aluno, seu trabalho consistiu em organizar aquela energia criadora, construindo bases técnicas sólidas e uma disciplina de estudo rigorosa.

O jovem estudante mergulhou nos exercícios de Clementi, especialmente no célebre Gradus ad Parnassum, e avançou rapidamente para sonatas e obras de maior complexidade. Czerny recordaria mais tarde que sua principal preocupação era evitar que o prodígio adquirisse vícios técnicos que pudessem limitar seu desenvolvimento futuro. O resultado foi extraordinário. Em pouco tempo, Liszt tornou-se capaz de aprender repertórios inteiros com rapidez impressionante e demonstrava uma habilidade de leitura musical que despertava admiração mesmo entre profissionais experientes.

A formação musical do futuro mestre não se limitou ao teclado. Em Viena, estudou composição com Antonio Salieri, figura histórica da música europeia e primeiro diretor do Conservatório da cidade. Dessa combinação entre técnica, criatividade e sólida cultura musical surgiria uma personalidade artística singular.

Um dos episódios mais simbólicos de sua juventude ocorreu em 1823, quando conheceu Beethoven. Para o adolescente que já venerava o autor da Nona Sinfonia, aquele encontro assumiria dimensões quase míticas. No mesmo período, concluídos seus estudos em Viena, Liszt partiu para Paris acompanhado dos pais. A mudança marcou o início de uma fase decisiva de sua carreira.

A capital francesa concentrava algumas das mais importantes inovações musicais da época. Entre elas estavam os pianos fabricados por Sébastien Érard, cujo revolucionário mecanismo de duplo escapamento transformaria para sempre os recursos técnicos do instrumento. O novo sistema permitia repetições de notas muito mais rápidas e ampliava consideravelmente as possibilidades de execução. Liszt percebeu imediatamente o alcance daquela invenção e tornou-se um dos maiores exploradores de suas potencialidades.

Ainda adolescente, iniciou viagens artísticas pela Inglaterra, onde impressionou músicos e plateias. Histórias de sua capacidade técnica começaram a circular por toda a Europa. Em uma ocasião particularmente célebre, realizou instantaneamente a transposição de uma obra inteira durante uma apresentação pública porque o instrumento disponível estava afinado em tonalidade diferente da prevista. Não apenas executou a peça sem dificuldades, como também enriqueceu o acompanhamento com improvisações próprias.

Mas seria em Paris que sua personalidade musical alcançaria plena maturidade. A cidade lhe proporcionou contato com três figuras fundamentais: Hector Berlioz, Niccolò Paganini e Frédéric Chopin.

De Berlioz, absorveu a visão orquestral do som e a busca por novas cores musicais. De Paganini, recebeu o impacto de um virtuosismo tão revolucionário que o levou a imaginar possibilidades semelhantes para o piano. De Chopin, assimilou uma compreensão mais refinada da poesia musical, do canto instrumental e da delicadeza expressiva.

Essas influências não foram simplesmente copiadas. Liszt construiu uma síntese própria e deu origem a uma linguagem inédita. Sob suas mãos, o piano passou a soar como uma orquestra completa. Os extremos do teclado adquiriram novas funções expressivas. Os contrastes dinâmicos tornaram-se mais amplos. As cores sonoras multiplicaram-se.

Ao mesmo tempo em que transformava a técnica pianística, Liszt acompanhava atentamente a evolução mecânica do instrumento. Durante sua vida, o piano passou por mudanças estruturais profundas: reforço das caixas de ressonância, aumento da tensão das cordas, aperfeiçoamento dos martelos e expansão da potência sonora. Poucos artistas compreenderam tão bem quanto ele a relação entre tecnologia e criação musical.

Seu interesse por essas inovações era permanente. Tocou em instrumentos de diversas marcas, entre elas Érard, Bösendorfer, Bechstein, Chickering e Steinway. Quando conheceu o pedal sostenuto introduzido pela Steinway, nos últimos anos de vida, mostrou entusiasmo imediato. Era mais uma ferramenta para ampliar o universo expressivo que passara décadas explorando.

Entretanto, para Liszt, a técnica jamais constituiu um fim em si mesma. Essa talvez seja a principal lição de sua escola pianística. O virtuosismo deveria servir à expressão artística. O objetivo final não era impressionar, mas comunicar.

Drama, paixão, imaginação e poesia ocupavam lugar central em sua concepção estética. Seus alunos aprendiam que a perfeição mecânica só adquiria valor quando colocada a serviço do conteúdo musical. A execução precisava transmitir ideias e emoções de forma clara e convincente.

Essa visão refletiu-se diretamente em sua atividade pedagógica. Liszt incentivava uma formação cultural abrangente. Literatura, artes visuais, filosofia e história eram consideradas partes essenciais da educação do músico. Além disso, valorizava a improvisação e estimulava os estudantes a compreenderem profundamente as intenções do compositor.

O pianista August Stradal, um de seus discípulos, recordava que Liszt insistia para que o instrumento "cantasse". A meta era alcançar um toque verdadeiramente vocal, capaz de reproduzir a flexibilidade e a expressividade da voz humana. Já Charles Hallé destacava outra característica fundamental de sua arte: uma clareza cristalina que permanecia intacta mesmo nas passagens mais complexas.

Graças a essa combinação entre virtuosismo, imaginação sonora e profundidade interpretativa, Liszt formou uma impressionante geração de discípulos. Mais de quatrocentos alunos passaram por suas classes, espalhando sua influência por toda a Europa e posteriormente pelo mundo.

Entre eles destacam-se Hans von Bülow, Carl Tausig, Emil Sauer, Arthur Friedheim, Eugen d'Albert, Martin Krause, Alexander Siloti, José Vianna da Motta e István Thomán. Por meio desses nomes, a herança lisztiana alcançou pianistas como Claudio Arrau, Edwin Fischer, Wilhelm Kempff, Béla Bartók, Arthur Rubinstein e inúmeros outros artistas responsáveis pela consolidação da moderna tradição pianística.

Mais de cento e quarenta anos após sua morte, a presença de Franz Liszt continua viva nas salas de concerto, nos conservatórios, nas grandes escolas de piano e na própria maneira como compreendemos a interpretação musical. Sua arte demonstrou que o verdadeiro virtuosismo não reside apenas na velocidade dos dedos, mas na capacidade de transformar técnica em expressão, som em emoção e música em experiência humana.

Texto elaborado a partir do capítulo "A Escola de Piano de Liszt", do livro A Genealogia do Piano, de Licia Lucas e Marne Serrano, adaptado e contextualizado para o Focus Portal Cultural.

PRINCIPAIS CATEGORIAS E OBRAS DE FRANZ LISZT

OBRAS PARA PIANO SOLO

Rapsódias Húngaras (nº 1 a 19, S.244): Conjunto de 19 peças inspiradas na música folclórica e cigana húngara, destacando-se a Rapsódia Húngara nº 2. 

Estudos Transcendentais (Études d'exécution transcendante, S.139): Coleção de 12 estudos de extrema dificuldade técnica, incluindo o nº 4 (Mazeppa). 

Sonata para Piano em Si Menor (S.178): Uma das obras mais monumentais e influentes da literatura pianística romântica. 

Liebesträume (Sonhos de Amor, S.541): Três noturnos para piano, com destaque para o nº 3 em Lá bemol maior. 

Três Estudos de Concerto (S.144): Inclui o famoso Un sospiro. 6 Consolações (Tröstungen, S.172)

Valsas de Mefisto (nº 1 a 4): Inspiradas na lenda de Fausto/Mefistófeles, com destaque para a Valsa de Mefisto nº 1.

Anos de Pérveina (Années de pèlerinage): Suíça e Itália, obras que retratam suas viagens. 

OBRAS ORQUESTRAIS E SINFÔNICAS 

Poemas Sinfônicos: Liszt inventou o gênero, com destaque para Les Préludes (S.97).

Sinfonia de Fausto (S.108) e Sinfonia de Dante (S.109).

Totentanz (Danse Macabre, S.126) para piano e orquestra. 

OBRAS CORAIS E SACRAS 

A Lenda de Santa Isabel (Die Legende von der Heiligen Elisabeth, S.2).

Christus (S.3).

Missas e Salmos corais. 

ÓPERA

Don Sanche (Le château de l'amour, S.1), sua única ópera composta entre 1824 e 1825 quando ainda era adolescente. 

OS SONETOS DE PETRARCA NA VISÃO MUSICAL DE FRANZ LISZT 

Francesco Petrarca

Entre as obras mais poéticas de Franz Liszt encontram-se os célebres Sonetos de Petrarca, incorporados ao segundo volume de Années de Pèlerinage (Anos de Peregrinação), dedicado à Itália. Nestas páginas, o compositor húngaro estabelece um raro diálogo entre literatura e música, transformando versos imortais do poeta renascentista Francesco Petrarca em música de profunda intensidade emocional. 

A fascinação de Liszt pela cultura italiana foi alimentada durante suas viagens pela península na década de 1830. O contato com a arte, a arquitetura, a literatura e a tradição humanista italiana despertou nele o desejo de traduzir em sons as impressões que aquelas experiências lhe causavam. Dessa vivência nasceram algumas das obras mais refinadas de seu catálogo pianístico, entre elas os três Sonetos de Petrarca que integram Anos de Peregrinação. 

Originalmente concebidos como canções para voz e piano, os sonetos foram posteriormente recriados por Liszt para piano solo. Nessa transformação, o compositor alcançou um resultado extraordinário: preservou a essência poética dos textos de Petrarca ao mesmo tempo em que ampliou suas possibilidades expressivas por meio de uma escrita pianística rica em cores, contrastes e nuances. 

O Soneto nº 104, associado ao famoso poema que se inicia com as palavras "Pace non trovo", apresenta um dos retratos mais intensos dos conflitos do amor. Petrarca descreve sentimentos contraditórios que coexistem simultaneamente: esperança e medo, calor e frio, liberdade e prisão. Liszt traduz essa tensão psicológica em uma música de grande dramaticidade, marcada por impulsos apaixonados, mudanças repentinas de atmosfera e momentos de profundo lirismo. O piano torna-se a voz de uma alma dividida entre forças opostas, revelando toda a complexidade emocional presente nos versos do poeta. 


Em contraste, o Soneto nº 123, inspirado pelo texto que começa com "I' vidi in terra angelici costumi", conduz o ouvinte a uma dimensão mais contemplativa. Aqui, Petrarca evoca a visão idealizada da amada, descrita como uma presença quase celestial capaz de suspender o tempo e harmonizar a própria natureza. Liszt responde a essa atmosfera com uma das páginas mais delicadas e inspiradas do romantismo pianístico. A melodia desenvolve-se com naturalidade quase vocal, enquanto o acompanhamento cria uma sonoridade transparente e luminosa, evocando um ambiente de serenidade e elevação espiritual.

Nos dois sonetos, percebe-se uma característica fundamental da arte lisztiana: a capacidade de converter ideias literárias em experiências sonoras. Mais do que ilustrar os poemas, Liszt procura penetrar em sua essência emocional, transformando o piano em instrumento capaz de cantar, declamar e emocionar como uma voz humana. 

Ao ouvi-los, somos convidados a entrar em contato não apenas com a genialidade do compositor, mas também com um diálogo artístico que atravessa séculos. Os versos escritos por Petrarca no século XIV encontram na imaginação musical de Liszt uma nova vida, revelando como a arte pode unir diferentes épocas, linguagens e sensibilidades em uma mesma experiência estética. 

Os Sonetos de Petrarca permanecem, assim, entre as mais belas realizações do repertório romântico para piano, testemunhos da extraordinária capacidade de Franz Liszt de transformar poesia em música e emoção em arte. 

SONETO DO PETRARCA No. 104

Paz não encontro e não estou em guerra;

E temo e espero e ardo e congelo;

E vôo nos céus deitado em terra;

E nada estreito em meus braços, mais o mundo inteiro abraço.

 

Tal é minha prisão, que não se abre nem fecha;

Não há esforço por reter-me, mas não se desfaz o laço;

Se não me alveja Cupido, tampouco me retira a flecha;

Nem me quer vivo, nem me facilita o passo.

 

Vejo sem olhos, não tenho língua e grito;

Bramo por perecer ou peço ajuda;

Odeio a mim mesmo, mas amo os outros:

 

Desfruto a dor, chorando sorrio;

Igualmente me desagradam morte e vida.

Neste estado estou, Mulher, por vós.

 

SONETO DO PETRARCA Nº 123

 

E vi na terra angélicos traços,

e celestes belezas ao sol do mundo;

de tal forma, que a lembrança alegra e dói,

pois o que vejo agora parecem sonhos, sombras e névoas.

 

E vi se emocionar dois olhos- como lumes

que fizeram mil vezes inveja ao Sol,

e ouvi, suspirando, dizer palavras

que moveriam montanhas e parariam os rios.

 

Amor, consciência, estima, piedade pungentes,

Concertavam num pranto, o mais doce entendimento

que no mundo se ouse vislumbrar;

 

E estava o céu a esta harmonia tão atento,

Que não se via mover nem ramo nem folha:

De tal doçura estavam plenos o ar e o vento.

“WIDMUNG” (DEDICAÇÃO): O ENCONTRO ENTRE SCHUMANN E LISZT 

Entre as inúmeras transcrições realizadas por Franz Liszt ao longo de sua carreira, poucas alcançaram a popularidade e a força expressiva de Widmung (Dedicação). A obra nasceu originalmente como uma canção de Robert Schumann, mas, ao passar pelas mãos do compositor húngaro, foi transformada em uma das mais célebres páginas do repertório pianístico romântico. 

A composição tem origem em um momento particularmente significativo da vida de Schumann. Em 1840, após anos de disputas judiciais e resistência familiar, o compositor finalmente conseguiu casar-se com Clara Wieck, pianista de extraordinário talento que se tornaria sua companheira, intérprete e principal inspiração artística. Como celebração dessa união tão desejada, Schumann reuniu um conjunto de canções que recebeu o título Myrthen (Mirtos), Op. 25, oferecido à noiva como presente de casamento. 

A primeira dessas canções foi justamente Widmung, construída sobre versos do poeta alemão Friedrich Rückert, um dos grandes representantes do romantismo literário germânico. O poema expressa uma devoção absoluta à pessoa amada, apresentada como fonte de paz, inspiração, felicidade e sentido para a existência. Mais do que uma declaração amorosa, trata-se de uma exaltação do amor como força transformadora da vida humana.

Décadas mais tarde, Franz Liszt decidiu recriar a canção para piano solo. Não se limitou, porém, a uma simples adaptação da linha vocal. Com sua extraordinária imaginação pianística, transformou a obra numa verdadeira síntese entre lirismo e virtuosismo, preservando a essência poética da composição original enquanto expandia suas possibilidades expressivas. 

Na versão lisztiana, a melodia concebida por Schumann permanece claramente reconhecível, surgindo envolta por delicados arabescos, harmonias luminosas e passagens de impressionante brilho técnico. O piano assume simultaneamente o papel do cantor e do acompanhamento, permitindo que toda a riqueza emocional da obra seja traduzida sem o uso da palavra. 

Ao longo da peça, momentos de íntima delicadeza alternam-se com expansões sonoras grandiosas, conduzindo o ouvinte a um clímax de intensa emoção. Essa combinação de ternura, paixão e esplendor sonoro tornou a transcrição uma das mais admiradas realizações de Liszt e um exemplo perfeito de sua capacidade de transformar o piano em um instrumento capaz de cantar com a mesma expressividade da voz humana. 

Mais do que uma demonstração de brilhantismo pianístico, Widmung representa o encontro de dois gigantes do romantismo. De um lado, Schumann, poeta dos sentimentos e mestre da expressão interior. De outro, Liszt, o visionário que ampliou os horizontes técnicos e sonoros do piano. O resultado é uma obra que une a profundidade emocional da canção alemã à exuberância interpretativa que marcou a arte lisztiana. 

Ao ouvir Widmung, somos convidados a testemunhar esse diálogo entre compositores, poetas e intérpretes. É a celebração musical de um amor que inspirou Schumann, da genialidade criadora de Liszt e da extraordinária capacidade da música de transformar emoções humanas em beleza duradoura. 


POESIA DE FRIEDRICH RÜCKERT

WIDMUNG 

Tu és minha alma, tu és meu coração

Tu és minha alegria, tu és minha dor

Tu és o meu mundo onde eu vivo

Tu és meu céu no qual eu flutuo

Tu és meu túmulo onde sepultei

Minhas magoas para sempre

Tu és a calma, tu és a paz

Tu fostes enviada para mim pelos céus

Que o teu amor faça com que eu me dê valor

O teu olhar se transfigurou nos meus próprios olhos

Amando-me, me elevas acima de tudo

Minha boa alma, tu és o melhor de mim mesmo!

...

Tu és minha alma, tu és meu coração

Tu és minha alegria, tu és minha dor

Tu és o meu mundo onde eu vivo

Tu és meu céu no qual eu flutuo

Minha boa alma, tu és o melhor de mim mesmo!

LICIA LUCAS E O UNIVERSO DE FRANZ LISZT 

Interpretar Franz Liszt é um desafio que ultrapassa a exigência técnica. Sua música pede imaginação, poder expressivo, domínio absoluto do instrumento e, sobretudo, compreensão de um pensamento artístico que transformou para sempre a história do piano. 

Nesta edição especial do programa Partituras, gravada pela TV Brasil, a pianista Licia Lucas mergulha em um repertório que representa algumas das mais refinadas dimensões da arte lisztiana. Ao interpretar os dois célebres Sonetos de Petrarca e a transcrição de Widmung, de Robert Schumann, recriada por Liszt, a artista conduz o público por uma jornada em que poesia, romantismo e virtuosismo se unem de forma magistral. 

A presença de Licia Lucas neste repertório possui um significado especial. Ao longo de sua trajetória, a pianista dedicou parte importante de seus estudos à evolução histórica da técnica pianística e às grandes escolas de interpretação que moldaram a tradição do instrumento. Essa pesquisa resultou, entre outros trabalhos, na publicação do livro A Genealogia do Piano, obra elaborada em parceria com o pesquisador Marne Serrano Caldera, que se tornou referência para estudantes, professores e apreciadores da música de concerto.

Natural de Itu, São Paulo, Licia Lucas construiu uma carreira marcada pela busca permanente da excelência artística. Sua formação incluiu estudos com importantes pedagogos brasileiros e europeus, permitindo-lhe contato direto com tradições interpretativas que remontam às grandes escolas do século XIX. Essa sólida base formativa contribuiu para o desenvolvimento de uma personalidade artística caracterizada pela combinação entre rigor técnico, inteligência musical e refinamento estético. 

O reconhecimento de seu talento ocorreu ainda nos primeiros anos de carreira, quando conquistou importantes distinções em concursos nacionais e internacionais. Entre elas destaca-se a Medalha de Ouro do Concurso Internacional Viotti, na Itália, conquista que projetou seu nome no cenário europeu e abriu caminho para uma intensa atividade concertística. 

Desde então, Licia Lucas vem se apresentando em importantes centros musicais das Américas e da Europa, levando ao público programas que conciliam tradição, pesquisa e sensibilidade artística. Sua atuação como solista junto a orquestras, sua participação em festivais internacionais e sua dedicação à divulgação da música brasileira transformaram-na em uma das mais respeitadas representantes da cultura musical do país no exterior.

Mas sua contribuição vai além dos palcos. Ao longo de décadas, Licia desenvolveu um trabalho consistente de valorização da memória musical, estimulando o estudo da história do piano, da interpretação e das escolas pianísticas que definiram os rumos da música ocidental. Sua atuação como pesquisadora complementa a experiência da concertista, estabelecendo um diálogo permanente entre conhecimento histórico e prática artística.

Essa dimensão torna especialmente significativa sua interpretação da obra de Liszt. Afinal, poucos compositores exerceram influência tão decisiva sobre a evolução do piano. Sua presença ocupa posição central na história da música não apenas pela grandiosidade de suas composições, mas também pela transformação que promoveu na maneira de compreender o papel do intérprete. 

Quando Liszt iniciou sua carreira, o piano ainda se encontrava em pleno processo de desenvolvimento técnico. Ao longo de sua vida, o instrumento ganhou novos recursos mecânicos e uma sonoridade cada vez mais poderosa. O compositor acompanhou de perto essas transformações e soube explorá-las de forma inovadora, ampliando possibilidades sonoras que até então pareciam impossíveis. 

Mais do que um virtuose extraordinário, Liszt foi um visionário. Sua arte elevou o recital solo a uma dimensão inédita, transformando o pianista em protagonista absoluto da experiência musical. Suas apresentações despertavam entusiasmo por toda a Europa e ajudaram a construir a imagem moderna do intérprete como artista criador, capaz de estabelecer uma comunicação direta e intensa com o público. 

Os dois Sonetos de Petrarca presentes neste programa revelam uma faceta particularmente intimista de sua produção. Inspiradas na poesia do escritor italiano Francesco Petrarca, essas obras unem lirismo, delicadeza e profunda intensidade emocional. São páginas nas quais o piano parece cantar, traduzindo em som os sentimentos e imagens evocadas pela poesia.

Já Widmung (Dedicação), originalmente composta por Robert Schumann como canção para voz e piano, ganha nas mãos de Liszt uma nova dimensão. A célebre transcrição mantém a essência romântica da obra, mas acrescenta recursos pianísticos que ampliam sua expressividade, transformando-a em uma das mais belas homenagens musicais ao amor e à amizade. 

Ao interpretar essas obras, Licia Lucas aproxima o público de um dos momentos mais ricos da história do romantismo musical. Sua leitura evidencia não apenas o brilho técnico exigido por Liszt, mas também a delicadeza poética que constitui a essência de sua arte.

O registro preservado pela TV Brasil possui, portanto, valor que ultrapassa o simples documento audiovisual. Trata-se do encontro entre uma intérprete profundamente comprometida com a tradição pianística e um repertório que permanece vivo e atual mais de um século após a morte de seu autor. 

Esta homenagem promovida pelo Focus Portal Cultural celebra não apenas os 215 anos do nascimento de Franz Liszt, mas também a permanência de seu legado na cultura musical contemporânea. Cada nota interpretada por Licia Lucas reafirma a extraordinária capacidade da música de vencer o tempo, conectando artistas, ideias e emoções através das gerações.

Marne Serrano e Alberto Araújo

AGRADECIMENTO ESPECIAL A MARNE SERRANO CALDERA

A realização desta edição especial dedicada a Franz Liszt conta com uma colaboração que merece reconhecimento e gratidão.

O Focus Portal Cultural agradece ao pesquisador, escritor e historiador Marne Serrano Caldera, cujo trabalho tem contribuído de forma significativa para a preservação e difusão da memória pianística internacional. Seu apoio foi fundamental para a construção deste conteúdo comemorativo, oferecendo informações históricas, referências bibliográficas e importantes subsídios para o aprofundamento da trajetória artística de Liszt. 

Ao lado da pianista Licia Lucas, Marne Serrano é coautor de A Genealogia do Piano, obra que investiga a evolução das escolas pianísticas desde o surgimento do instrumento até os grandes mestres da interpretação moderna. O livro representa anos de pesquisa dedicados à compreensão das linhagens pedagógicas e artísticas que moldaram a história do piano e de seus intérpretes. 

A relevância desse trabalho suplanta o campo acadêmico. Ao reunir dados históricos, análises interpretativas e conexões entre diferentes gerações de músicos, a obra contribui para aproximar o público de uma tradição artística muitas vezes conhecida apenas por especialistas.

Nesta homenagem a Franz Liszt, a colaboração de Marne Serrano reafirma seu compromisso com a valorização da cultura musical e com a difusão do conhecimento histórico. Sua participação ajuda a preservar um patrimônio artístico que pertence não apenas aos músicos, mas a todos aqueles que reconhecem na arte um instrumento de memória, educação e transformação humana. 

O Focus Portal Cultural registra, portanto, seu sincero agradecimento por essa valiosa parceria, que torna possível oferecer ao público uma visão mais ampla e aprofundada da vida, da obra e da extraordinária influência exercida por Franz Liszt na história da música.






Altenburg, residência de Franz Liszt em Weimar, entre 1848–1861, época na qual compôs os seus primeiros doze poemas sinfônicos.


Retrato de Liszt (1856) por Wilhelm von Kaulbach


Capa da obra de Licia Lucas e Marne Serrano