quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

EFEMÉRIDES– 12 DE FEVEREIRO DE 2026 – 217 ANOS DO NASCIMENTO DE CHARLES DARWIN

No dia 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury, Inglaterra, nasceu Charles Robert Darwin, figura que se tornaria um dos pilares da ciência moderna. Hoje, ao celebrarmos os 217 anos de seu nascimento, revisitamos não apenas a biografia de um naturalista, mas também a dimensão cultural e intelectual de um homem que redefiniu a forma como compreendemos a vida e a diversidade no planeta. 

Darwin cresceu em uma família marcada por tradições liberais e pelo espírito reformista de seus avós, Erasmus Darwin e Josiah Wedgwood, ambos defensores do abolicionismo. Desde cedo, demonstrou curiosidade pela natureza, colecionando insetos e plantas, e revelando uma inclinação que o afastaria da medicina, carreira inicialmente desejada por seu pai e o aproximaria das ciências naturais. Em Cambridge, encontrou no botânico John Stevens Henslow um mentor decisivo, que o incentivou a embarcar na expedição do HMS Beagle, viagem que mudaria para sempre sua vida e a história da biologia.

Durante cinco anos de observações minuciosas em diferentes continentes, Darwin acumulou dados sobre fósseis, espécies e ambientes que o levariam a formular sua teoria da seleção natural. A publicação de A Origem das Espécies em 1859 foi um marco cultural e científico: ao propor que todas as formas de vida descendem de um ancestral comum e que a diversidade resulta da adaptação ao meio, Darwin desafiou concepções religiosas e filosóficas vigentes, provocando debates intensos na sociedade vitoriana. O impacto foi tão profundo que, em poucas décadas, sua teoria se consolidou como fundamento da biologia moderna, sendo posteriormente reforçada pela síntese evolutiva do século XX. 

Mas Darwin não se limitou à evolução das espécies. Em obras como A Descendência do Homem (1871) e A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais (1872), explorou temas como sexualidade, comportamento e emoções, ampliando o alcance de suas ideias para além da biologia. Sua curiosidade também se estendeu ao mundo vegetal, resultando em estudos sobre plantas carnívoras, orquídeas e até sobre a ação dos vermes na formação do solo. Essa diversidade de interesses revela um cientista inquieto, que buscava compreender os mecanismos sutis da vida em todas as suas formas. 

Culturalmente, Darwin tornou-se símbolo de uma era de transformações. Sua teoria não apenas revolucionou a ciência, mas também influenciou a filosofia, a literatura e as artes, inspirando reflexões sobre a condição humana, o lugar do homem na natureza e os limites do conhecimento. Escritores como Thomas Hardy e George Eliot, filósofos como Herbert Spencer e até artistas plásticos encontraram em Darwin um ponto de partida para questionar a ordem estabelecida e propor novas visões do mundo. O darwinismo, em suas múltiplas interpretações, atravessou fronteiras disciplinares e provocou debates que ecoam até hoje.

A recepção inicial de suas ideias foi marcada por resistência e polêmica. Muitos viam na teoria da evolução uma ameaça às crenças religiosas e à visão tradicional da criação. No entanto, o tempo consolidou sua posição como um dos maiores pensadores da história. O reconhecimento oficial veio com seu sepultamento na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton e outros gigantes da ciência, uma honra reservada a poucos. Esse gesto simbolizou não apenas a importância científica de Darwin, mas também o impacto cultural de suas ideias, que transcenderam o campo da biologia e se tornaram parte do imaginário coletivo.

Ao celebrarmos esta efeméride, não recordamos apenas o nascimento de um cientista, mas a emergência de uma nova forma de pensar o mundo. Darwin nos ensinou que a vida é resultado de processos dinâmicos, que a diversidade é fruto da adaptação e que o conhecimento humano se constrói na observação paciente e na coragem de desafiar paradigmas. Sua obra permanece viva, inspirando pesquisas, debates e reflexões que atravessam séculos. 

Darwin é, portanto, mais do que um nome na história da ciência: é um marco cultural, um símbolo de ruptura e de inovação, cuja influência se estende da biologia às artes, da filosofia à política, da literatura à cultura popular. Celebrar seus 217 anos é reconhecer que sua visão continua a moldar nossa compreensão da vida e do lugar que ocupamos no universo.



A VISITA DE CHARLES DARWIN AO BRASIL – 1832 E 1836 

Quando se fala em Charles Darwin, a memória coletiva imediatamente o associa às ilhas Galápagos e às observações que culminaram na teoria da seleção natural. No entanto, o Brasil ocupa um lugar especial na trajetória do naturalista britânico. Durante a viagem do HMS Beagle, Darwin esteve em território brasileiro em duas ocasiões: 1832 e 1836 e suas impressões sobre a exuberância da natureza e, em contraste, sobre a realidade social marcada pela escravidão, deixaram marcas profundas em sua formação intelectual. 

PRIMEIRA VISITA – 1832

Darwin desembarcou no Rio de Janeiro em abril de 1832 e permaneceu por cerca de três meses. Foi nesse período que se encantou com a Mata Atlântica, descrevendo-a como uma das paisagens mais magníficas que já havia contemplado. Suas excursões o levaram por Niterói, Maricá, Cabo Frio, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Conceição de Macabu, Macaé, Rio Bonito e Itaboraí. Em cada local, registrava minuciosamente a diversidade da flora e da fauna, coletando espécimes e anotando observações que mais tarde se tornariam fundamentais para suas reflexões sobre adaptação e evolução. 

O impacto da floresta tropical foi tão intenso que Darwin escreveu em seus diários sobre a sensação de estar diante de um espetáculo quase sobrenatural. A densidade da vegetação, a variedade de aves, insetos e répteis, e a vitalidade da vida selvagem impressionaram-no profundamente. Contudo, esse deslumbramento foi acompanhado por uma indignação crescente diante da realidade social que presenciava. Darwin ficou chocado com a escravidão, prática ainda vigente no Brasil, e criticou duramente a burocracia e a corrupção que observava nas relações cotidianas. Em suas anotações, a beleza da natureza contrastava com a brutalidade da sociedade humana. 

SEGUNDA VISITA – 1836 

Quatro anos depois, em 1836, o Beagle retornava à Inglaterra e fez paradas no Brasil, desta vez em Salvador e Recife, para reparos e abastecimento. Embora a estadia tenha sido mais breve, Darwin aproveitou para observar novamente a biodiversidade local. Em Salvador, registrou a riqueza da fauna marinha e a presença de aves que mergulhavam para se alimentar, fenômeno que reforçava suas reflexões sobre adaptação e sobrevivência. Em Recife, teve contato com fósseis e répteis marinhos, ampliando seu repertório de observações. 

A experiência brasileira foi decisiva para Darwin. O contato direto com a biodiversidade tropical ofereceu-lhe exemplos concretos da complexidade da vida e da capacidade de adaptação dos seres vivos. As aves marinhas que mergulhavam em busca de alimento, os répteis que se ajustavam ao ambiente costeiro, os insetos que se multiplicavam em profusão todos esses elementos reforçaram sua percepção de que a natureza operava por mecanismos de seleção e sobrevivência. 

Ao mesmo tempo, a indignação diante da escravidão moldou sua visão crítica sobre a sociedade. Darwin não se limitava a observar a natureza; refletia também sobre a moralidade humana e sobre como práticas sociais poderiam ser tão brutais em contraste com a harmonia da vida selvagem. Essa dimensão ética atravessa seus escritos e revela um pensador atento não apenas às leis naturais, mas também às contradições da civilização.

As visitas ao Brasil foram cruciais para a formação do pensamento darwiniano. A grandiosidade da natureza tropical ofereceu-lhe material empírico para sustentar sua teoria da evolução, enquanto as questões sociais: escravidão, corrupção, burocracia, ampliaram sua compreensão sobre os dilemas humanos. Em A Origem das Espécies (1859), a influência dessas experiências é perceptível: a ideia de que a diversidade resulta da adaptação ao meio encontra eco nas observações feitas nas florestas e costas brasileiras. 

Darwin deixou o Brasil com sentimentos ambíguos: fascínio pela natureza e repulsa pela sociedade escravocrata. Essa dualidade marcou sua obra e sua visão de mundo. Ao celebrarmos sua trajetória, é importante lembrar que o Brasil foi palco de algumas das experiências mais intensas de sua vida, experiências que ajudaram a moldar uma das teorias mais revolucionárias da história da ciência.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



Casa onde morou Charles Darwin










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O ALTAR DA VARANDA ONDE O CÉU TOCA O CHÃO DE BOTAFOGO @ ALBERTO ARAÚJO



Minha Shirley disse: "Muito lindo, amigo Euderson. Obrigada por filmar o movimento e transformação da natureza. Esse momento é imperdível. Assisto todos os dias o amanhecer e o anoitecer daqui da janela da minha casa." 

Essas palavras não são apenas um agradecimento; são um testemunho de fé perante o ritmo do mundo. Shirley, com a sensibilidade de quem sabe que a beleza é a única coisa que realmente nos salva da rotina, já reviu o vídeo inúmeras vezes. E quem poderia culpá-la? Cada vez que o play é acionado, a magia se renova, e o que era apenas um registro digital se transforma em uma oração silenciosa sobre a grandiosidade da vida. 

O vídeo, capturado pela lente atenta do amigo Euderson Kang Tourinho, não nasceu em um estúdio, mas no altar doméstico de sua varanda, em Botafogo. Dali, onde o asfalto encontra o sonho e a montanha vigia o mar, Euderson não apenas filmou; ele colheu um fragmento do tempo. 

No início, há uma expectativa suspensa no ar de Botafogo. O céu não é apenas cinza; é uma tela de chumbo carregada de segredos. O Pão de Açúcar, esse gigante de granito que define a silhueta da alma carioca, parece observar o horizonte com a paciência dos milênios. Ele sabe o que vem. 

A transformação começa com um sussurro de vento, mas logo o céu decide falar mais alto. Um relâmpago rasga o véu da manhã, um traço de luz branca, elétrica, que por um milésimo de segundo revela as costuras do universo. O trovão, então, faz o chão de Botafogo vibrar. Não é um barulho assustador, mas a voz da natureza reivindicando seu espaço na metrópole. É o som do imperdível de que Shirley fala.

A chuva chega primeiro como uma cortina de gaze, transparente e delicada, para logo se transformar em uma muralha de água. O movimento é coreografado: as nuvens baixas começam a abraçar as encostas, e o Pão de Açúcar, num jogo de esconde-esconde metafísico, vai desaparecendo. Primeiro some a base, depois o contorno, até que o gigante se torna um espectro, uma memória gravada no horizonte, envolta pela névoa que Euderson capturou com tanta precisão. 

Há uma cultura profunda no ato de contemplar. No Japão, existe o conceito de Mono no aware, a sensibilidade para o efêmero, a capacidade de se emocionar com a transitoriedade das coisas. O conceito representa a empatia pelas coisas. Valoriza a beleza efêmera, como as cerejeiras que caem reconhecendo que a brevidade torna a existência mais preciosa. 

Ao assistir a este vídeo repetidas vezes, Shirley pratica essa filosofia com precisão. Ela entende que aquele exato movimento da nuvem, aquele brilho específico do raio sobre o mar de Botafogo, nunca mais se repetirá da mesma forma. 

Euderson, de sua varanda, tornou-se o resguardador desse instante. No vídeo, vemos a cidade ser lavada, não apenas da poeira, mas da urgência. Os prédios, que costumam parecer tão sólidos e imponentes, tornam-se frágeis diante da força atmosférica. As luzes das janelas, que começam a se acender, são pequenos luzeiros de humanidade em meio ao oceano de cinza e água. 

É um momento de introspecção. Enquanto o mundo lá fora se dissolve em chuva e mistério, quem assiste é convidado a silenciar. A transformação da natureza a que Shirley se refere é, também, uma transformação interna. É impossível observar o céu de Botafogo se curvando à tempestade sem sentir que somos parte de algo imensamente maior.

O registro da vida urbana muitas vezes se perde no caos do trânsito e na pressa dos prazos marcados. Mas, de vez em quando, um amigo como o Euderson aponta a câmera para o lugar certo. Ele nos lembra de que a varanda de um apartamento pode ser o melhor lugar do mundo se soubermos para onde olhar. 

A Shirley sabe. Por isso ela revê. Ela busca naquelas imagens a confirmação de que o ciclo continua: o amanhecer que ela vigia de sua residência, o anoitecer que ela saúda, e essa tempestade que, no meio do caminho, veio para lembrar que a natureza é viva, soberana e, acima de tudo, belíssima em seu furor. 

Quando o vídeo termina e o Pão de Açúcar está  totalmente oculto pela bruma, não sentimos vazio. Sentimos plenitude. O espetáculo não precisa de final feliz; ele precisa apenas existir. E, graças ao olhar de Euderson e à devoção de Shirley, esse momento imperdível agora pertence a todos nós. Botafogo, sob a chuva, não é apenas um bairro; é um estado de espírito. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



O vídeo da inspiração da crônica: 
O ALTAR DA VARANDA  
ONDE O CÉU TOCA O CHÃO DE BOTAFOGO 
de Alberto Araújo 
(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)




11 DE FEVEREIRO DE 2026, CELEBRAMOS OS 104 ANOS DO INÍCIO DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO

A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade. 

No dia 11 de fevereiro de 1922, São Paulo se preparava para viver um dos momentos mais emblemáticos da história cultural brasileira: a Semana de Arte Moderna. Realizada no Theatro Municipal entre os dias 13 e 17 daquele mês, a Semana foi concebida como um gesto de ruptura e ousadia, reunindo artistas de diferentes áreas em torno de um mesmo propósito: questionar o academicismo vigente e propor uma arte que fosse, ao mesmo tempo, moderna e brasileira. Hoje, ao celebrarmos 104 anos desse marco, é fundamental compreender não apenas o evento em si, mas também o contexto que o tornou possível, os protagonistas que o conduziram e os desdobramentos que se seguiram. 

O Brasil das primeiras décadas do século XX vivia sob a República Velha, marcada pela política do café com leite e pela hegemonia das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. A capital paulista, enriquecida pelo café e pela industrialização nascente, tornava-se o centro econômico e cultural do país. A elite cafeeira, que financiou a Semana, buscava afirmar São Paulo como capital cultural, rivalizando com o Rio de Janeiro, até então o polo artístico mais consolidado. Esse pano de fundo político e econômico é essencial para compreender a Semana: ela não foi apenas um movimento artístico, mas também uma afirmação de poder e protagonismo regional. 

O espírito da Semana era o da renovação. Os artistas envolvidos estavam cansados das regras rígidas do parnasianismo e da reprodução realista do naturalismo. Inspirados por movimentos como o futurismo, o cubismo, o dadaísmo e o expressionismo, defendiam a liberdade criativa, a experimentação e a busca por uma arte que dialogasse com o Brasil real, suas paisagens, sua gente, sua cultura popular. A Semana reuniu pintura, escultura, música, literatura e arquitetura em um mesmo espaço, criando um ambiente de choque estético e intelectual. Não se tratava apenas de mostrar obras, mas de provocar, de desafiar o público e de abrir caminho para novas formas de expressão. 

Entre os protagonistas, destacam-se nomes que se tornariam centrais na história da arte brasileira. Anita Malfatti, cuja exposição de 1917 já havia causado polêmica, trouxe pinturas que rompiam com o convencional e escancaravam influências das vanguardas europeias. Mário de Andrade, escritor e intelectual, foi o grande articulador das ideias modernistas, defendendo uma literatura que refletisse a alma brasileira. Oswald de Andrade, irreverente e provocador, lançaria pouco depois as bases da antropofagia cultural, propondo que o Brasil devorasse as influências estrangeiras para criar algo novo. Menotti Del Picchia e Guilherme de Almeida, poetas, ajudaram a consolidar o grupo, enquanto Victor Brecheret, escultor, trouxe novas formas e materiais. Manuel Bandeira, mesmo ausente fisicamente, foi representado por seus poemas, e Heitor Villa-Lobos, com sua música, deu o tom sonoro da revolução.

Curiosamente, o impacto imediato da Semana foi restrito. O público reagiu com vaias, críticas e incompreensão. A imprensa paulista registrou o evento mais como uma curiosidade do que como uma revolução. Muitos consideraram os artistas “extravagantes” ou “desconectados da realidade”. No entanto, o tempo se encarregaria de dar à Semana o lugar que ela merecia. Ao longo da década de 1920, as ideias lançadas ali foram aprofundadas, dando origem a movimentos como o Verde-Amarelismo e, sobretudo, a Antropofagia, que se tornaria um dos pilares do modernismo brasileiro. Após a morte de Mário de Andrade em 1945, iniciou-se um movimento de recuperação de seu legado, e a Semana passou a ser vista como o marco fundador do modernismo nacional. 

É importante, contudo, reconhecer que essa visão consagrada não é unânime. Muitos estudiosos contemporâneos apontam que a Semana foi um evento da elite para a elite, desconsiderando artistas populares e movimentos de renovação que já existiam antes de 1922. Nomes como Pixinguinha, Donga, João da Baiana, João do Rio e Benjamim Costallat, por exemplo, já promoviam transformações significativas na música e na literatura, mas foram ignorados pelo cânone modernista. Essa crítica não diminui a importância da Semana, mas nos lembra que ela foi apenas um dos marcos de um processo mais amplo, complexo e plural de construção da modernidade artística no Brasil.

O legado da Semana de Arte Moderna é vasto. Ela abriu caminho para uma arte que buscava ser brasileira em essência, sem deixar de dialogar com o mundo. Nas artes plásticas, rompeu com a dependência da estética europeia e incentivou o uso de temas nacionais. Na literatura, estimulou a experimentação formal e a valorização da linguagem coloquial. Na música, aproximou-se das raízes populares e da diversidade cultural do país. Mais do que um evento, a Semana foi um ponto de partida, um catalisador de mudanças que se espalhariam pelas décadas seguintes.

Celebrar os 104 anos da Semana de Arte Moderna é, portanto, celebrar a ousadia de um grupo de artistas que, em meio a vaias e incompreensão, ousou propor um novo caminho para a cultura brasileira. É também reconhecer suas limitações e contradições, entendendo que a modernidade não nasceu apenas ali, mas em múltiplos espaços e vozes. A Semana de 22 permanece como símbolo de ruptura e de busca por identidade, lembrando-nos que a arte, para ser viva, precisa sempre desafiar, questionar e reinventar. 

Capa do catálogo da exposição de arte da Semana de Arte Moderna, organizada por Mário de Andrade e Grupo dos Cinco. A ilustração é de Emiliano di Cavalcanti. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




Legenda da 2ª foto: Francesco Pettinati, Flamínio Ferreira, René Thiollier, Manuel Bandeira, Sampaio Vidal, Paulo Prado, Graça Aranha, Manuel Villaboim, Couto de Barros, Mário de Andrade, Cândido Mota Filho, Gofredo da Silva Teles, Rubens Borba de Moraes, Luís Aranha, Tácito de Almeida e, à frente, Oswald de Andrade.



11 DE FEVEREIRO - NO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES E MENINAS NA CIÊNCIA - HEDY LAMARR - A MUSA DO CINEMA QUE ANTECIPOU O FUTURO DIGITAL - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Em cada data comemorativa, há histórias que merecem ser revisitadas não apenas pela memória, mas pela inspiração que carregam. No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, uma personalidade se destaca como símbolo da união entre arte e tecnologia: Hedy Lamarr. Conhecida mundialmente como uma das grandes estrelas da Era de Ouro de Hollywood, Lamarr foi muito além dos holofotes. Sua genialidade como inventora abriu caminhos para tecnologias que hoje sustentam a vida digital, como o Wi-Fi, o Bluetooth e o GPS. Revisitar sua trajetória é reconhecer que a ciência também tem rosto feminino e que o futuro foi moldado por mentes que ousaram desafiar os limites impostos pelo tempo e pela sociedade. 

No calendário cultural, o 11 de fevereiro marca o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, uma data criada pela ONU em 2015 para lembrar ao mundo que o talento feminino não deve ser limitado por estereótipos ou preconceitos. Nesse dia, uma figura se destaca como símbolo de genialidade e ousadia: Hedy Lamarr, a atriz austríaca que brilhou em Hollywood e, ao mesmo tempo, deixou uma marca indelével na história da tecnologia. 

Nascida em 1914, em Viena, Hedwig Kiesler cresceu em meio ao privilégio, mas também às tensões de uma Europa marcada pelo antissemitismo. Desde cedo demonstrou curiosidade científica, embora a sociedade esperasse que sua vida fosse guiada por beleza e casamento. Aos 19 anos, estrelou o polêmico filme Êxtase (1933), que a catapultou para a fama internacional.

Seu casamento com Fritz Mandl, um poderoso negociante de armas ligado a regimes fascistas, foi sufocante, mas paradoxalmente lhe abriu portas para o universo da engenharia militar. Observando reuniões e conversas técnicas, Hedy absorveu conhecimentos que mais tarde se tornariam fundamentais para sua invenção. Em 1937, fugiu da Europa e reinventou-se nos Estados Unidos, onde Louis B. Mayer, da MGM, a transformou em Hedy Lamarr, a “deusa distante” das telas. 

Nos anos 1940, enquanto interpretava mulheres sedutoras em filmes como Argélia (1938) e Sansão e Dalila (1949), Lamarr dedicava suas noites a esboçar projetos tecnológicos. Sua mente inquieta buscava soluções para problemas reais: como impedir que os nazistas interceptassem sinais de rádio usados pelos Aliados para controlar torpedos? 

A resposta veio em parceria com o compositor George Antheil. Inspirados por pianos mecânicos, criaram um sistema de salto de frequência, em que transmissor e receptor mudavam de canal simultaneamente, tornando impossível a interceptação. Em 1942, registraram a patente de um “Sistema de Comunicações Secretas”. 

Na época, a invenção foi considerada “avançada demais” para a tecnologia disponível e acabou engavetada pela Marinha dos EUA. Décadas depois, porém, seus princípios se tornaram a base de sistemas modernos como Wi-Fi, Bluetooth e GPS. 

Lamarr e Antheil só foram reconhecidos em 1997, quando receberam o EFF Pioneer Award. Em 2014, Hedy foi incluída postumamente no Hall da Fama dos Inventores Nacionais, consolidando seu legado como pioneira da comunicação sem fio. 

A vida pessoal de Lamarr foi marcada por seis casamentos, divórcios e uma busca constante por independência. Nos bastidores, enfrentou o preconceito de uma época que não aceitava que uma mulher bela pudesse também ser brilhante. Sua trajetória mostra como o talento feminino foi muitas vezes silenciado, mas também como a persistência pode atravessar gerações. 

Hoje, cada vez que alguém conecta um notebook ao Wi-Fi, ativa o GPS no celular ou usa um fone Bluetooth, está, sem perceber, usufruindo da genialidade de Hedy Lamarr. Sua invenção, nascida em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial, tornou-se parte essencial da vida digital contemporânea.

Hedy Lamarr é lembrada como a inventora que antecipou o futuro das telecomunicações, mas sua trajetória no cinema também merece ser celebrada. Entre os anos 1930 e 1940, ela protagonizou produções que se tornaram clássicos da Era de Ouro de Hollywood, consolidando sua imagem como ícone de beleza e talento. 

OS FILMES QUE MARCARAM SUA CARREIRA 

Êxtase (1933) – O polêmico longa europeu que a lançou ao estrelato mundial, famoso por retratar a primeira cena de orgasmo feminino no cinema. 

Argélia (1938) – Sua estreia em Hollywood, ao lado de Charles Boyer, que a transformou em estrela internacional. 


Fruto Proibido (Boom Town, 1940) – Dividindo a tela com Clark Gable e Spencer Tracy, Lamarr brilhou em uma trama sobre amizade e rivalidade no mundo do petróleo.

O Inimigo X (Comrade X, 1940) – Uma comédia romântica ambientada na União Soviética, novamente ao lado de Clark Gable. 

A Vida é um Teatro (Ziegfeld Girl, 1941) – Ao lado de Judy Garland e Lana Turner, viveu uma das aspirantes ao estrelato nos espetáculos da Broadway. 

Almas Boêmias (Tortilla Flat, 1942) – Baseado em obra de John Steinbeck, mostrou sua versatilidade em papéis dramáticos. 

Demônio do Congo (White Cargo, 1942) – Interpretou a ardente nativa Tondelayo, em uma trama que explorava tensões coloniais. 

Flor do Mal (The Strange Woman, 1946) – Um drama psicológico em que Lamarr encarna Jenny Hager, manipuladora e sedutora. 

Mulher Caluniada (Dishonored Lady, 1947) – Viveu uma editora de revista em crise existencial, em um papel que explorava fragilidade e força feminina. 

Sansão e Dalila (1949) – Seu maior sucesso comercial, dirigido por Cecil B. DeMille, onde interpretou Dalila em uma superprodução bíblica que se tornou um marco do cinema épico. 

Esses filmes não apenas consolidaram Hedy Lamarr como uma das atrizes mais requisitadas de sua época, mas também revelaram sua capacidade de transitar entre gêneros – do drama psicológico ao épico bíblico. Ainda que sua inteligência como inventora tenha sido ofuscada pelo brilho de Hollywood, sua filmografia permanece como testemunho de uma artista que soube unir beleza, talento e presença magnética. 

Celebrar Hedy Lamarr no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é reconhecer que ciência e arte podem coexistir em uma mesma pessoa. É também um lembrete de que o futuro tecnológico não seria o mesmo sem a ousadia de uma atriz que se recusou a ser apenas um rosto bonito.

A história de Hedy Lamarr é um lembrete poderoso de que talento não conhece fronteiras entre arte e ciência. Sua vida, marcada por glamour, desafios pessoais e genialidade, mostra como uma mulher pode transformar o mundo mesmo quando subestimada. Hoje, cada conexão sem fio que nos aproxima é também um tributo silencioso à sua visão. Ao celebrarmos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebramos também Hedy Lamarr a estrela que brilhou nas telas, mas que iluminou ainda mais o futuro da tecnologia.

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

 














terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

INTELECTUAL DO ANO - UMA HONRARIA QUE MARCA A HISTÓRIA CULTURAL FLUMINENSE

O Título Intelectual do Ano nasceu em Niterói em 1987 como uma iniciativa visionária do Grupo Mônaco de Cultura e da Livraria Ideal, sob a liderança de Carlos Silvestre Mônaco. Mais do que uma simples homenagem, a honraria foi concebida como um gesto de reconhecimento àqueles que, por meio da palavra, da arte, da pesquisa ou da ação cultural, contribuíram para o fortalecimento da identidade fluminense e brasileira. Desde o primeiro agraciado, o jornalista Alberto Francisco Torres, até os nomes que se seguiram ao longo das décadas, o prêmio consolidou-se como um marco de valorização da cultura e da intelectualidade. A cada dezembro, a solenidade reafirmava a importância do pensamento crítico e da produção cultural como pilares de uma sociedade mais consciente e plural. Com o passar dos anos, a honraria atravessou instituições, passando do Grupo Mônaco ao IFEC – Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciência, e mais recentemente à Academia Fluminense de Letras, sem jamais perder sua essência: celebrar o saber e eternizar em memória coletiva aqueles que se destacaram na vida cultural da “Cidade Sorriso” e do estado do Rio de Janeiro.

Em dezembro de 1987, Niterói viu nascer uma tradição que se tornaria uma das mais significativas expressões de reconhecimento cultural do estado do Rio de Janeiro: o Título de Intelectual do Ano. Criado pelo Grupo Mônaco de Cultura e pela Livraria Ideal, sob a liderança de Carlos Silvestre Mônaco, o prêmio surgiu com o propósito de homenagear personalidades que se destacaram pela contribuição intelectual, artística e social, não apenas na cidade, mas também no cenário nacional. Desde então, a honraria consolidou-se como um marco de valorização da cultura fluminense, atravessando décadas e instituições, sempre mantendo viva a chama do reconhecimento público àqueles que dedicaram suas vidas ao saber e à arte.

O primeiro agraciado foi o jornalista Alberto Francisco Torres, figura de grande relevância na imprensa e na vida cultural brasileira. A escolha não poderia ser mais simbólica: Torres representava o compromisso com a palavra, com a reflexão crítica e com o papel transformador da comunicação. A partir dali, a cada dezembro, uma nova personalidade seria celebrada, reforçando a ideia de que o conhecimento e a cultura são pilares fundamentais da sociedade.

No ano seguinte, em 1988, a escritora Maria Jacintha Trovão da Costa Campos recebeu o título, confirmando a vocação plural da honraria, que não se restringia a uma única área, mas abrangia diferentes manifestações culturais e intelectuais. A cada edição, o prêmio ampliava seu alcance e se tornava mais respeitado, ganhando status de verdadeira instituição cultural. 

Durante 27 anos, de 1987 a 2014, o Grupo Mônaco de Cultura, em parceria com a Livraria Ideal, foi o responsável por organizar e conceder o título. Sob o comando de Carlos Mônaco, o grupo tornou-se referência em iniciativas voltadas para a valorização da produção intelectual e artística de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. A honraria não era apenas uma cerimônia: era um ato de afirmação da identidade cultural fluminense, um gesto que colocava em evidência nomes que, muitas vezes, permaneciam à margem do reconhecimento oficial. 

O Grupo Mônaco de Cultura compreendia que a cultura é um patrimônio coletivo e que o intelectual, seja ele escritor, jornalista, professor, artista ou pesquisador, desempenha um papel essencial na formação da consciência crítica da sociedade. Por isso, o título de Intelectual do Ano tornou-se um símbolo de resistência e de valorização da cultura em tempos de transformações sociais e políticas.

Em 2015, após quase três décadas sob a coordenação do Grupo Mônaco, a honraria passou a ser organizada pelo IFEC – Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciência, sob a liderança do chanceler Raymundo Nery Stelling Junior. O IFEC deu continuidade ao legado, ampliando o alcance da premiação e reforçando sua dimensão internacional, sem perder de vista o compromisso com a cultura fluminense. Entregando o renomado Título e além a Comenda IFEC de Cultura. 

Mais recentemente, a partir de 2025, a responsabilidade pela outorga foi assumida pela Academia Fluminense de Letras sob o comando da presidente Márcia Maria de Jesus Pessanha, instituição que representa a tradição literária e intelectual do estado. Essa transição reafirma o caráter perene da honraria, que se adapta às circunstâncias, mas mantém intacta sua essência: reconhecer e valorizar aqueles que contribuem para a vida cultural da sociedade. 

Receber o título de Intelectual do Ano é mais do que uma distinção honorífica. Para os agraciados, representa o reconhecimento público de uma trajetória dedicada ao saber, à arte e à cultura. É a consagração de um trabalho que, muitas vezes, se desenvolve de forma silenciosa, mas que impacta profundamente a vida coletiva. A honraria confere visibilidade, legitima o esforço intelectual e reforça a importância da cultura como elemento transformador. 

Ser Intelectual do Ano é inscrever-se em uma galeria de nomes que compõem a memória cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. É tornar-se parte de uma tradição que valoriza o pensamento crítico, a criatividade e o compromisso com a sociedade. É, em suma, receber um título que transcende o indivíduo e se projeta como símbolo de uma coletividade que reconhece e celebra seus protagonistas culturais. 

A GALERIA DOS HOMENAGEADOS

Ao longo de quase quatro décadas, a lista de agraciados com o título de Intelectual do Ano revela a diversidade e a riqueza da vida cultural fluminense. Entre jornalistas, escritores, professores, artistas e pesquisadores, cada nome representa uma contribuição singular para o patrimônio cultural da região. 

De 1987 a 2014 – Grupo Mônaco de Cultura 

1987 – Alberto Francisco Torres

1988 – Maria Jacintha L. Trovão de Campos

1989 – Raul de Oliveira Rodrigues

1990 – Ângelo Longo

1991 – Luís Antônio Pimentel

1992 – Lou Pacheco

1993 – Horácio Pacheco

1994 – Lyad Sebastião Guimarães Almeida

1995 – Alaôr Eduardo Scisínio

1996 – Almanir Grego

1997 – Geraldo Mantedônio B. de Meneses

1998 – Carlos Tortely Rodrigues da Costa

1999 – Miguel Coelho da Silva

2000 – Nilo Neves

2001 – Edmo Rodrigues de Lutterbach

2002 – Maria da Conceição Pires de Mello

2003 – Milton Nunes Loureiro

2004 – Wanderlino Teixeira Leite Netto

2005 – Aloysio Tavares Picanço

2006 – Carlos Silvestre Mônaco

2007 – Aníbal Bragança

2008 – Jorge Fernando Loretti

2009 – José Inaldo Alves Alonso

2010 – Neide Barros Rêgo

2011 – Waldenir de Bragança

2012 – Roberto Santos Almeida

2013 – Sávio Soares de Sousa

2014 – Sandro Pereira Rebel

 

De 2015 a 2024 – IFEC

2015 – Márcia Maria de Jesus Pessanha

2016 – Matilde Carone Slaibi Conti

2017 – Maximiano de Carvalho e Silva

2018 – Marco Lucchesi

2019 – Dalma Nascimento

2020 – Não houve solenidade

2021 – Não houve solenidade

2022 – Leda Mendes Jorge

2023 – Alba Helena Corrêa

2024 – Nagib Slaibi Filho

 

A partir de 2025 – Academia Fluminense de Letras

2025 – Célio Erthal Rocha

 

Uma tradição que se renova

O Título de Intelectual do Ano é mais do que uma lista de nomes: é um testemunho da vitalidade cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. É a prova de que, mesmo diante das adversidades, a cultura resiste e se reinventa. A cada novo homenageado, reafirma-se o compromisso com a valorização do saber e da arte, com a preservação da memória e com a construção de um futuro mais consciente e mais humano.

Ao longo de sua trajetória, a honraria tornou-se um espelho da sociedade fluminense, refletindo suas inquietações, suas conquistas e seus sonhos. E, ao projetar o reconhecimento sobre os intelectuais, projeta também a esperança de que a cultura continue a ser o alicerce de uma sociedade mais justa e mais solidária. 

O percurso do Título Intelectual do Ano é, em si, um retrato da resistência e da vitalidade da cultura fluminense. Ao longo de quase quatro décadas, a honraria construiu uma galeria de nomes que representam não apenas trajetórias individuais, mas também o esforço coletivo de manter viva a chama da arte, da literatura, da ciência e da reflexão crítica. Ser agraciado com o título significa inscrever-se em uma tradição que transcende o tempo e reafirma a cultura como patrimônio essencial da sociedade. Mais do que uma distinção, é um chamado à responsabilidade de continuar produzindo, inspirando e transformando. Ao passar pelas mãos do Grupo Mônaco de Cultura, do IFEC e da Academia Fluminense de Letras, o prêmio mostra sua capacidade de se renovar sem perder o vínculo com sua origem. Assim, o Intelectual do Ano permanece como símbolo de reconhecimento e esperança, lembrando-nos que, em cada geração, haverá sempre aqueles que, com sua obra e sua dedicação, iluminam os caminhos da coletividade e reforçam o papel da cultura como fundamento da vida social.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


MENSAGENS


Márcia Pessanha - Presidente da AFL disse: Boa tarde,  prezado confrade Alberto,  diretor do Focus Portal Cultural.  Apreciei seu texto a respeito da premiação do Intelectual do ano, como você bem disse " uma honraria que marca a História Cultural Fluminense."  Esse registro ficará para sempre gravado, um legado para as futuras gerações. Salve! Salve!

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PARA A PRESIDENTE DA AFL, MÁRCIA PESSANHA

 

Prezada confreira, Recebi com alegria sua mensagem e agradeço pelas palavras generosas. De fato, é uma honra para a Academia Fluminense de Letras ter recebido a concepção de conceder o Título de Intelectual do Ano a uma personalidade tão importante de nossa cidade e do Brasil. Este reconhecimento simboliza o compromisso da Academia com a valorização da cultura e da intelectualidade, fortalecendo um legado que permanecerá para a posteridade. Sua mensagem ressalta ainda mais o valor dessa distinção, que, como destaquei em meu texto, é uma honraria que marca a História Cultural Fluminense e que ficará gravada para as futuras gerações. Abraços, Alberto Araújo