terça-feira, 4 de agosto de 2026

CELEBRAÇÃO AOS 199 ANOS DA CRIAÇÃO DOS CURSOS JURÍDICOS NO BRASIL E NOSSA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI MARCA PRESENÇA


 

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional destaca com orgulho a marcante presença da nossa presidente, Matilde Carone Slaibi Conti, que também atua com excelência como Vice-presidente da OAB-Niterói, na grandiosa solenidade realizada terça-feira, 04 de agosto, em celebração aos 199 anos da criação dos cursos jurídicos no Brasil.

 

O evento, que aconteceu na Sala Nelson Pereira dos Santos  em São Domingos, Niterói, foi uma emocionante "Homenagem à Advocacia" promovida pela Comissão Artística e Cultural da OAB-Niterói. A solenidade contou com a ilustre presença da presidente da OAB - Rio de Janeiro, Ana Tereza Basilio, do presidente da OAB-Niterói, Dr. Pedro Gomes, e de diversos membros da diretoria da instituição.

 

A programação da noite foi repleta de significado cultural e institucional, destacando-se a entrega de Moções de Reconhecimento, a emocionante outorga da Medalha Sobral Pinto a advogados e advogadas com mais de 50 anos dedicados à profissão, além de inspiradoras apresentações de Música, Teatro e Poesia, dentre tantos os amigos: Célio Erthal Rocha; Geraldo Bezerra de Menezes, Sylvio Lessa e muitos outros.

 

Essa vivência reafirma o forte compromisso do Elos Internacional com a cultura, a valorização profissional e a integração institucional.

 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 

Focus Portal Cultural














LUZILÂNDIA, TERRA DE ÁGUA E BRONZE - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

 

O rio Parnaíba corre como uma veia aberta no coração de Luzilândia, levando consigo histórias, murmúrios e lembranças de um povo que aprendeu a viver entre o trabalho e a poesia. Às suas margens, o tempo parece se deter diante da arte,  e é ali, onde o sol se debruça sobre as águas, que duas esculturas se erguem como testemunhas da alma da cidade: A Lavandeira e O Pescador, obras do artista Hostyano Machado. 

Essas figuras de ferro e sonho não são apenas monumentos; são fragmentos de vida, moldados pela memória coletiva e pela sensibilidade de um artista que soube transformar o cotidiano em eternidade. 

A LAVANDEIRA 

Na orla de Luzilândia, o vento sopra sobre o corpo metálico da Lavandeira, e o rio parece reconhecer nela uma antiga companheira. Hostyano Machado, com sua arte vigorosa e delicada, deu forma à mulher que lavava roupas nas águas do Parnaíba, mas também lavava o tempo, as dores e os dias. 

A Lavandeira é um tributo à força feminina, à cultura das mulheres que transformaram o trabalho em canto. Suas mãos, agora de ferro, parecem ainda mergulhar nas águas, como se buscassem o reflexo das que vieram antes. O monumento é uma celebração da resistência e da beleza simples, da dignidade que nasce do esforço. 

O sol, ao tocar o metal, faz brilhar o suor imaginário dessas mulheres. E o rio, cúmplice, devolve o brilho em ondas suaves. A Lavandeira é mais que uma escultura, é uma oração silenciosa, um gesto de gratidão àquelas que, entre sabão e espuma, lavaram também os sonhos da cidade. 

O PESCADOR 

No Porto das Pedras, o Pescador lança sua rede ao infinito. A obra, inaugurada em 10 de abril de 2011, homenageia os pescadores locais e o senhor Antonio Paulo Pereira Oliveira, ex-presidente da Colônia de Pescadores Z-12. Hostyano Machado, novamente, fez do ferro um corpo vivo, capaz de narrar a saga dos homens que enfrentam o rio com coragem e fé.

A rede, feita de arame e imaginação, parece capturar o próprio vento. Cada nó é uma história, cada curva um destino. O Pescador não está apenas à beira do rio, ele está à beira do tempo. Representa todos os que acordam antes do sol, que conhecem o silêncio das águas e o peso da espera. 

O monumento é uma metáfora da vida: lançar a rede é acreditar, mesmo sem saber o que virá. É um gesto de esperança, repetido geração após geração. E quando o sol se põe sobre o Parnaíba, o Pescador parece mover-se, como se o ferro respirasse. 

RIO PARNAÍBA 

Entre a Lavandeira e o Pescador, o rio é o fio que une as duas histórias. Ele corre como um poema líquido, levando consigo o reflexo das esculturas e o murmúrio das lembranças. O Parnaíba é testemunha e protagonista, viu nascer a cidade, viu crescer seus filhos, viu o trabalho transformar-se em arte.

Nas margens do rio, o tempo se dissolve. As águas carregam o perfume do sabão e o sal do suor. O Parnaíba é espelho e memória, é o coração pulsante de Luzilândia. 

HOSTYANO MACHADO 

O artista que deu forma a essas obras é um alquimista do ferro. Hostyano Machado soube enxergar poesia onde muitos viam apenas rotina. Suas esculturas não são frias, são quentes de humanidade. Ele moldou o ferro como quem escreve versos, transformando o trabalho em símbolo, o gesto em eternidade. 

Em Luzilândia, suas obras não apenas decoram o espaço: elas o definem. São marcos de identidade, pontos de encontro entre o passado e o presente. 

LUZILÂNDIA 

Minha terra natal, onde o sol parece nascer com saudade e o vento sopra lembranças. Luzilândia é feita de gente que trabalha, canta e sonha. É uma cidade que aprendeu a transformar o esforço em beleza, o cotidiano em arte. 

Entre o brilho do rio e o som das cigarras, as esculturas se tornam parte da paisagem, como se sempre tivessem estado ali, guardando o segredo das águas. 

A Lavandeira e o Pescador são mais que monumentos: são símbolos de uma identidade. Representam o elo entre o passado e o presente, entre o ferro e a carne, entre o rio e o coração.

Quando o sol se põe sobre o Parnaíba, as duas figuras parecem conversar. A Lavandeira fala de esforço e pureza; o Pescador responde com paciência e fé. Entre eles, o rio murmura histórias que só a arte sabe ouvir. 

Luzilândia, com suas margens e seus monumentos, é um poema que o tempo não apaga. E cada visitante que passa pela orla leva consigo um pouco dessa poesia, o brilho do ferro, o perfume da água, o eco do trabalho transformado em eternidade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 










A POÉTICA DA TERRA E DA COR: 117 ANOS DE ROBERTO BURLE MARX

Falar de Roberto Burle Marx é adentrar um território onde a arte deixa de ser apenas contemplação para se tornar matéria viva, pulsante e enraizada no solo da pátria. Nascido em 04 de agosto de 1909, o mestre do paisagismo moderno, artista plástico, pintor, escultor, tapeceiro e ecologista completaria hoje 117 anos. Mais do que celebrar uma data no calendário, revisitar o legado de Burle Marx é compreender como a identidade visual, cultural e ambiental do Brasil foi profundamente transformada por um olhar que soube ver na nossa própria flora a verdadeira expressão da nossa alma. 

A trajetória de Burle Marx é repleta de ironias poéticas e belas sincronicidades. Embora seja o grande sinônimo da tropicalidade brasileira, o estopim de sua paixão pela nossa flora não aconteceu sob o sol do Rio de Janeiro ou nos trópicos da Amazônia, mas sim a milhares de quilômetros de distância, no frio de Berlim. 

Em 1928, devido a um problema nos olhos, jovem ainda, Burle Marx viajou com a família para a Alemanha. Foi ali, visitando o Jardim Botânico de Berlim, que ele se deparou com estufas repletas de plantas tropicais brasileiras. Vendo de perto espécimes que cresciam livremente em sua terra natal, muitas vezes ignoradas ou desprezadas pela elite brasileira da época, que preferia copiar o modelo europeu de jardins, o jovem artista sentiu uma espécie de epifania. 

Como bem recordam aqueles que estudaram sua obra, aquela experiência operou uma catarse em sua sensibilidade. Burle Marx percebeu que a riqueza de nossa biodiversidade era um patrimônio estético inigualável. Ele se tornou, nas palavras de seus contemporâneos, "mais brasileiro mesmo longe do Brasil". Essa revelação mudou o rumo da sua vida e, por conseguinte, a história da arquitetura paisagística mundial. 

De volta ao Brasil, Burle Marx ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde conviveu com grandes nomes da vanguarda, como Cândido Portinari e, posteriormente, com arquitetos modernistas do porte de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Foi com Lúcio Costa que realizou seu primeiro grande projeto público em 1934: a Praça de Casa Forte, no Recife. Ali, utilizou corajosamente plantas da Mata Atlântica e da Amazônia, incluindo a imponente vitória-régia, rompendo de vez com os cânones tradicionais importados. 

A genialidade de Burle Marx consistia em tratar o jardim como uma verdadeira tela de pintura abstrata. Suas plantas não eram dispostas ao acaso; elas obedeciam a rigorosos estudos de cores, volumes, texturas e ritmos sazonais. Para ele, o piso, os espelhos d'água, as pedras e as massas vegetais compunham uma sinfonia visual. O famoso calçadão de Copacabana, o Parque do Ibirapuera em São Paulo, os jardins do Aterro do Flamengo e do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro são provas irrefutáveis de que sua arte era indissociável da arquitetura e do urbanismo. 

Muito antes de o debate ambiental ocupar o centro das agendas políticas globais, Burle Marx já levantava a bandeira da conservação das florestas tropicais. Suas expedições pelos biomas brasileiros em busca de novas espécies, muitas das quais hoje levam seu nome científico, não tinham apenas um objetivo estético ou botânico, mas um profundo caráter de resgate e proteção. 

Ele denunciava a destruição da natureza, alertava sobre a perda de espécies nativas e entendia que devastar a flora equivalia a apagar a memória do próprio povo. O seu célebre Sítio Santo Antônio da Bica (hoje Sítio Roberto Burle Marx), em Guaratiba, no Rio de Janeiro, transformou-se em um laboratório vivo e num santuário de preservação, doado por ele próprio ao IPHAN para garantir que as futuras gerações pudessem contemplar a grandeza da biodiversidade brasileira. 

Embora o mundo o reconheça primordialmente como paisagista, reduzir Burle Marx a essa única faceta é diminuir um gênio renascentista. Ele era um artista completo. Pintava telas vibrantes influenciadas pelo cubismo e pelo abstracionismo, criava tapeçarias monumentais que adornavam edifícios públicos, desenhava joias exclusivas com pedras brasileiras e metais nobres, e surpreendia a todos com seu talento vocal, cantando com a mesma paixão com que desenhava uma praça. 

Essa versatilidade vinha de berço, estimulada por sua mãe, Cecília Burle, exímia pianista que lhe ensinou a amar a música e o cultivo da terra simultaneamente. Para Burle Marx, todas as formas de arte convergiam para um único ponto: a exaltação da beleza e da vida. 

Neste 4 de agosto de 2026, ao completarem-se 117 anos de seu nascimento, o legado de Roberto Burle Marx permanece vivo em cada traço sinuoso de suas praças, na sombra fresca de suas árvores nativas espalhadas por mais de vinte países, e na consciência ecológica que ajudou a despertar no coração do Brasil.

Ele não foi apenas um homem que plantou árvores; foi um semeador de ideias, um visionário que ensinou os brasileiros a olharem para o próprio quintal com orgulho e reverência. Que a celebração de sua data natalícia sirva para renovar o nosso compromisso com a beleza, com a conservação da natureza e com a coragem de sermos genuinamente fiéis às nossas raízes, tal como ele nos ensinou com a força inesgotável da sua arte. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 









CARTA ABERTA À UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF) - ASSUNTO: A CELEBRAÇÃO DA EXCELÊNCIA, DA CULTURA E DA CIÊNCIA E A HOMENAGEM À DRA. MÁRCIA PESSANHA NO III ENCONTRO DE MENINAS PESQUISADORAS E MULHERES EMPREENDEDORAS.

À Universidade Federal Fluminense (UFF), à comunidade acadêmica, científica e a toda a sociedade fluminense e brasileira, 

É com alegria e estima cultural que o Focus Portal Cultural, sob a curadoria atenta e sensível do jornalista Alberto Araújo, espaço dedicado a registrar os grandes movimentos da nossa arte, da nossa história e do pensamento crítico, abre suas páginas e ecoa esta Carta Aberta. Fazemo-lo para aplaudir, exaltar e registrar a grandiosa iniciativa da Universidade Federal Fluminense ao promover o III Encontro de Meninas Pesquisadoras e Mulheres Empreendedoras. Realizado em parceria com a FAPERJ e a Prefeitura de Niterói, este evento se consolida não apenas como um espaço de debate científico e tecnológico, mas como um marco civilizatório na valorização da presença feminina nos mais altos postos do saber, da gestão e da cultura de nosso país. 

Dentro dessa programação de imensa relevância, que acontece em 5 de agosto, às 10h30min, no Instituto de Biologia da UFF (Campus do Gragoatá), destaca-se a justa e comovente homenagem concedida à Dra. Márcia Pessanha, laureada como grande referência na área de Ciências Humanas. Ao prestar esta honraria, a UFF reverencia uma trajetória de vida que se confunde com a própria defesa intransigente da inteligência, da sensibilidade e da soberania intelectual brasileira. 

Falar da Dra. Márcia Pessanha é falar sobre a sinergia viva entre a tradição e a vanguarda. À frente da centenária Academia Fluminense de Letras (AFL), instituição secular de imensurável valor histórico para o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil, a Presidente Márcia Pessanha tem exercido uma gestão marcada pela inovação humanística, pela abertura institucional e pelo resgate altivo do papel social da literatura e da cultura. 

Sob sua batuta inspiradora, a AFL deixou de ser apenas um templo de guardas mnemônicas para se transformar em um espaço dinâmico, pulsante e integrado aos grandes debates contemporâneos. A presidência de Márcia Pessanha na centenária Academia demonstra que as letras e as humanidades não caminham dissociadas da ciência, mas que, ao contrário, são a alma e a bússola ética de qualquer avanço tecnológico ou social. Sua liderança resgata a memória dos grandes imortais do passado ao mesmo tempo em que projeta a instituição para o futuro, acolhendo novas vozes, dialogando com as universidades e fincando as bases de uma cidadania cultural sólida e inclusiva. 

O reconhecimento que a UFF agora consagra à Dra. Márcia Pessanha ganha ainda mais densidade quando olhamos para a sua projeção para além das fronteiras estaduais e nacionais. Na qualidade de Governadora do D-8 do Elos Internacional, com atuação destacada nos pilares de Ciência, Letras e Liderança, Márcia Pessanha projeta o nome do Rio de Janeiro e do Brasil em redes internacionais de cooperação intelectual e humanitária. 

O movimento Elos Internacional, que articula lideranças comprometidas com o desenvolvimento humano sustentável, encontra na presença de Márcia Pessanha uma gestora de pulso firme, visão global e sensibilidade ímpar. Ela compreende que o fomento à ciência, às letras e à liderança feminina não é uma pauta isolada, mas uma urgência geopolítica e social. Sua atuação internacional demonstra que o talento fluminense dialoga de igual para igual com o que há de mais avançado no pensamento global, unindo pontes entre saberes ancestrais e as demandas do século XXI. 

A homenagem prestada pela UFF à Presidente Márcia Pessanha insere-se em um contexto de profunda sinergia com o propósito do III Encontro de Meninas Pesquisadoras e Mulheres Empreendedoras. O evento coroa a excelência feminina dividida nas três grandes áreas do conhecimento, unindo Márcia Pessanha (Ciências Humanas) à brilhante Dra. Izabel Paixão (Ciências da Vida, renomada Pesquisadora de Virologia do Instituto de Biologia da UFF) e à eminente Dra. Renata Angeli (Ciências Exatas e da Terra, representante da INOVAHUPE - UERJ e da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ). Juntas, essas três mulheres formam a tríade perfeita da potência intelectual feminina em nosso Estado. 

A programação do encontro é um testemunho da vitalidade desta edição. A emocionante exposição da visão da Inteligência Artificial sobre a direção do Instituto de Biologia, instigantemente intitulada "Diretoras e pesquisadoras: as potências do Instituto de Biologia", dialoga perfeitamente com o lançamento da revistinha Luxuzinha e Gumozinho, fruto do valioso projeto de extensão Ciências sob Tendas. Soma-se a isso o imperdível bate-papo com pesquisadoras premiadas em 2025 pelo Grupo L’Oréal no Brasil, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a UNESCO no Brasil, reafirmando que o lugar da mulher é na vanguarda da descoberta científica. 

Esta Carta Aberta é, portanto, um ato de louvor à Universidade Federal Fluminense por enxergar e honrar quem faz a diferença. A trajetória de Márcia Pessanha, seja conduzindo com maestria a centenária Academia Fluminense de Letras, seja desbravando fronteiras como Presidente da Federação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro (que tem como Fundador e Presidente de Honra o Dr. Waldenir de Bragança), seja atuando como Governadora do D-8 do Elos Internacional, seja inspirando diariamente novas gerações, é um holofote que brilha intensamente.

Que a homenagem à Presidente Márcia Pessanha sirva de eco para que cada menina, jovem pesquisadora e mulher empreendedora saiba que a ciência, as letras e a liderança pertencem a quem tem a coragem de transformar o mundo. 

Nossa profunda homenagem e carinho à Presidente Márcia Pessanha pela sua dedicação e interação sempre constantes em nossas páginas e grupos de WhatsApp. 

Com admiração e respeito,

© Alberto Araújo — Focus Portal Cultural



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O BANCO NA PRAÇA, O TEMPO E A SÉTIMA ARTE CRÔNICA DE UMA SAUDADE FELIZ EM NITERÓI - A WILMA MARTINS TEIXEIRA COUTINHO E SÁVIO SOARES DE SOUSA (IN MEMORIAM) © ALBERTO ARAÚJO

A tela do celular, computador acende numa claridade súbita, dessas que o algoritmo engendra com sua implacável mania de arbitrar o tempo. É o Facebook, com a sua cirurgia estética da memória, trazendo à tona uma daquelas fotografias que parecem desafiar a própria efemeridade dos dias. Ali estão eles, sentados placidamente no banco verde da Praça de Icaraí, tendo como testemunhas mudas as palmeiras imperiais, o vai-e-vem da gente niteroiense e o salitre brando da baía. Na imagem, que respira uma calmaria solar, a companheira Wilma Martins Teixeira sorri com a leveza de quem carrega a juventude na alma, exibindo o livro Ressurreição do Soneto. Ao lado dela, compondo um quadro de rara simbiose intelectual e humana, está o meu saudoso mestre, Sávio Soares de Sousa Procurador de justiça, advogado, jornalista, poeta de ofício, prosador de escol, guardião altivo da palavra e, acima de tudo, um inesgotável oráculo da sétima arte. 

Contemplar essa lembrança digital não provoca em mim a picada lancinante da dor absoluta, mas sim um sortilégio agridoce: uma saudade feliz. É feliz porque Sávio, embora tenha partido para o invisível e definitivo palco em 25 de maio de 2022, aos 97 anos deixou sua marca cravada a ferro e fogo na arquitetura do meu pensamento. E é imensamente feliz porque Wilma continua aqui, altaneira e luminosa, escrevendo suas poesias, caminhando firme pelos seus noventa e nove anos recém-completados no último dia 31 de maio de 2026. Quase um século de pulsação, de lucidez e de um humor refinado que desafia os calendários, abrigando em seu olhar a sabedoria dos que viram o mundo mudar sem perder a capacidade de se encantar com o essencial. 

A Praça de Icaraí, pano de fundo deste meu registro inesquecível, evoca o clima festivo do projeto dos Escritores ao Ar Livre, evento que sacudiu a cultura de Niterói ao ocupar os espaços públicos com o sopro democrático dos livros. Estar ali ao lado de Sávio e Wilma era habitar o centro exato do mundo. Sávio tinha essa rara propriedade: onde quer que estivesse, criava um fuso horário próprio, feito de silêncios respeitosos, tiradas espirituosas e uma erudição que nunca pesava nos ombros, antes parecendo um manto diáfano e acolhedor. 

Foi com Sávio Soares de Sousa que aprendi a olhar para uma tela de cinema não como um mero passatempo de fim de semana, mas como um templo de epifanias. Antes dele, eu assistia a filmes; depois dele, passei a habitá-los. Sávio falava de John Ford, de Ingmar Bergman, de Federico Fellini, de François Truffaut e dos clássicos da era de ouro de Hollywood com a mesma devoção com que um teólogo comenta os textos sagrados. Ele destrinchava os planos-sequência, o silêncio expressivo de um close, a melancolia de um contrassutil e a poesia escondida na montagem como quem revela segredos de um universo paralelo.

Lembro-me das manhãs-tardes em que nos perdíamos em infindáveis diálogos sobre a estética do olhar. Sávio não ensinava apenas a técnica ou a história do cinema; ele moldava uma sensibilidade. Ensinou-me a decodificar as sombras, a escutar a respiração dos atores na penumbra da sala escura e a compreender que a vida, afinal, é uma imensa película em permanente projeção. Por causa dele, tornei-me cinéfilo de carteirinha e de coração. Cada vez que apagam as luzes de uma sala de cinema e o feixe de luz corta a poeira em suspensão até bater na tela branca, sinto a presença tutelar de Sávio sentado na poltrona ao lado, pronto para sussurrar um comentário definitivo e genial. O cinema é a arte de esculpir o tempo com luz e sombra; Sávio esculpia a amizade com a mesma paciência de um deus, fazendo do verbo e da película a pátria definitiva dos poetas.

E há Wilma, nessa equação perfeita entre o passado que reverenciamos e o presente que celebramos com fervor. Chegar aos 99 anos com a vivacidade que ela ostenta é um manifesto poético contra a tirania do tempo. Wilma é a própria encarnação da resistência afetuosa. Na foto na Praça de Icaraí, segurando o exemplar de “Ressurreição do Soneto” obra que sintetiza a maestria lírica de Sávio, ela abençoa o instante, fixando-o na eternidade. O livro em suas mãos não é apenas papel e tinta; é o símbolo de uma aliança indissolúvel entre a literatura, a amizade e a cidade de Niterói, que abriga em suas esquinas tantas histórias não ditas.

Pensar em Sávio, ausente desde maio de 2022, e em Wilma, celebrando sua 99ª primavera em maio de 2026, é perceber que o tempo cronológico é apenas uma convenção burocrática dos relógios. Na dimensão da arte e da memória afetiva, todos coexistem no mesmo plano eterno. Sávio continua vivo nas páginas de seus sonetos, na cinefilia que plantou no peito dos discípulos e na saudade que nos reconcilia com o belo. Wilma continua viva no passo firme, no sorriso cúmplice e na coragem de quem atravessou um século colecionando instantes de rara beleza.

Quando o Facebook joga na nossa cara essa lembrança digital, ele não faz mais do que nos lembrar de quem realmente somos: seres feitos de tempo, mas habitados pelo eterno. Naquele banco de praça, sob o sol generoso de Icaraí, a poesia e o cinema deram as mãos. E enquanto eu olhar para essa fotografia, saberei que o mestre Sávio continua a acender as luzes da sala escura, e a querida Wilma continua a segurar, com firmeza e graça, o livro da nossa própria história. 

Niterói, 04 agosto de 2026

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 






 

O SOTAQUE DO CORAÇÃO: UM BRINDE À ALMA LUSA EM NITERÓI - CRÔNICA DE ALBERTO ARAÚJO

Cinco destinos, um só coração: a irmandade fraterna entre Shirley, Sara, Domingos, Maria Helena e Maria Panait

Crônica de © Alberto Araújo 

Há uma geografia misteriosa que não se desenha em mapas de papel, mas na cartografia sutil da alma. É uma fronteira invisível que une as águas do Tejo às praias de Icaraí, um sotaque profundo que silencia as vogais do Rio de Janeiro para sussurrar as consoantes de Lisboa ou do Porto. Falar sobre os amigos que carregam o coração português é, acima de tudo, um exercício de intelectualidade e cultura. Não se trata apenas da genealogia inscrita nos sobrenomes, mas de um legado imaterial: a herança da palavra, da poesia e de uma certa melancolia contemplativa que chamam de 'saudade'. Ser português de alma é carregar consigo uma biblioteca invisível de Camões, Pessoa e Saramago, e um cancioneiro que oscila entre o fado visceral e as marchas populares. É compreender que a cultura não é algo que se consome, mas algo que se é. 

A intelectualidade lusa é forjada no granito da história e na fluidez do oceano. É uma sabedoria que sabe que o tempo é um mar que se navega, e que cada onda traz consigo uma história. Esses amigos, quando se reúnem, não partilham apenas conversas; eles partilham uma cosmovisão onde a memória é sagrada. Eles sabem que Portugal é muito mais do que um destino turístico; é um estado de espírito, um santuário de amor e de poesia. Para eles, cada lugar daquelas terras é um verso num poema infinito: desde os socalcos do Douro, onde a "viticultura heroica", técnica ancestral que esculpiu a montanha e transformou encostas íngremes em patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO, reluz como um monumento à paciência e ao suor humano; até às falésias do Algarve, que se erguem como sentinelas de um oceano sem fim. 

Perdem-se, em pensamento, nas ruelas de Alfama, o bairro que é a própria costela de Lisboa, onde vielas estreitas e labirínticas convidam a caminhadas sem rumo. Ali, o tempo parece suspenso entre as fachadas cobertas de azulejos que brilham como diamantes sob o sol e as roupas que, estendidas ao vento, são como bandeiras de uma intimidade que não se esconde. É um lugar onde, ao dobrar da esquina, o som dolente de um Fado se encontra com o aroma tentador das sardinhas assadas. E como não evocar a imponência da Torre de Belém, sentinela das partidas, ou a altivez do Castelo de São Jorge, fortificação medieval que vigia o centro histórico do alto da sua colina, como um rei observando o seu reino de luz? Para este grupo, Portugal não é apenas um ponto no globo; é um altar dedicado à beleza e à resiliência do espírito humano. Eles adoram aquelas terras com o fogo de um primeiro amor e a lealdade inabalável de um casamento sagrado. 

Numa dessas noites de partilha cultural e intelectual, o tempo parecia ter parado. O cenário era o Rotary de Niterói, um espaço que, por momentos, se transformou numa embaixada da essência portuguesa. Estávamos imersos num ambiente de celebração e de serviço comunitário, um valor tão intrínseco à cultura do associativismo tanto no Brasil quanto em Portugal. Foi ali, naquele instante de união, que registrei uma imagem que agora se torna o relicário desta crônica.

Eu, Alberto Araújo, tive a honra de segurar a câmera e "clicar". A fotografia que ilustra a crônica não mentia: ela capturou o que a palavra muitas vezes falha em expressar. Ali, em pé, sorrindo com a elegância de quem sabe viver, estavam cinco almas que vibram na mesma frequência lusa. 

Na ponta esquerda, Shirley, vestindo o negro da sofisticação com um xale trabalhado que evocava a herança do fado, exibia um sorriso que era puro charme. Ao seu lado, Sara de Lourdes Cabral, com seu vestido floral vibrante em tons de terracota e um xale de franjas brancas abraçando os ombros, trazia a cor e a vivacidade das feiras portuguesas, a beleza das papoulas nos campos de trigo.

No centro, Domingos Rodrigues, o cavalheiro de terno azul-marinho impecável e camisa branca aberta, personificava a sobriedade e a alegria do patriarca luso. Seu sorriso era o reflexo de quem conhece o valor de uma boa colheita e de uma conversa sincera à mesa. Ao seu lado, o contraste elegante: Maria Helena, de calça amarelo vibrante e blusa cor bordeaux profundo, com um sorriso suave que trazia a luz do sol de Sintra. E na ponta direita, Maria Panait, com seu vestido preto clássico e uma silhueta de distinção, completava o quinteto com a serenidade de quem sabe que as amizades verdadeiras são como o vinho do Porto: ficam melhores com o tempo. 

Atrás deles, um letreiro do Rotary que dizia "Unidos para Fazer o Bem" era mais do que um fundo; era uma confirmação. A essência portuguesa é isso: a união, a solidariedade, a mesa farta para compartilhar e o ombro amigo para consolar. Naquela foto, o tempo não parou apenas no momento do clique, mas na perpetuação de um legado. O "Diário" mencionado na tela ao fundo poderia muito bem ser o diário de bordo dessa jornada transatlântica que os une.

Quando esses amigos falam de Portugal, não descrevem paisagens; eles cantam hinos. Eles sentem o cheiro da sardinha assando no verão de Lisboa, o aroma dos pastéis de Belém recém-saídos do forno, o perfume da terra molhada no Minho. Eles vivem num santuário poético onde cada saudade é uma oração e cada brinde com vinho é um batismo de amor. 

SHIRLEY: O PORTO DO CORAÇÃO ENTRE O SERGIPE E A BAÍA 

Há quem traga no sangue o desenho de um mapa impossível, onde as areias do Nordeste se agarram, em segredo, às margens de granito do Douro. Shirley é o desdobrar dessa cartografia. Nascida sob o sol fecundo de Sergipe, ela carrega no olhar a imensidão do horizonte brasileiro, mas é no compasso do seu caminhar pelas ruas de Niterói que se revela a sua verdadeira natureza: ela é uma caravela em perpétuo movimento, ancorada no presente, mas permanentemente voltada para as brumas e o fado da sua terra de origem. 

Vestida na elegância atemporal do negro que é a própria sofisticação da beleza, Shirley carrega sobre os ombros um xale trabalhado que parece ter sido tecido com os fios da própria saudade. Aquele xale não é mero adorno; é um elo sagrado. Ao usá-lo, ela invoca a herança ancestral de seu avô, Leopoldino Ferreira dos Santos, que trouxe do Porto a força granítica daquela terra e que se enlaçou com  Paulina Pessoa o eco distante e genial de Fernando Pessoa. Em cada gesto de Shirley, há o rastro dessa linhagem: a introspecção de quem pensa o mundo e a sensibilidade de quem descobre poesia onde outros olhos apenas veem o cotidiano. Quando fala do Porto, a sua voz ganha uma modulação distinta, um timbre mais cálido, como o sussurro de quem regressa ao cais após uma longa travessia. Ela não visita o Porto apenas no mapa; ela reconhece-o nas esquinas da própria alma. É comovente observar a sua reação diante de qualquer essência portuguesa, seja num verso, num acorde de guitarra ou no sabor de uma memória, pois ela sente, nas correntes das suas veias, que parte de si nunca deixou as margens do Douro. Shirley é esta ponte viva. É o sol de Sergipe que, em um abraço transatlântico, aquece a bruma de Portugal. É a brasileira que, ao adotar Niterói como seu porto seguro, não abandonou a sua essência lusa, mas expandiu-a, tornando-a maior, mais universal. Ela é a prova de que a ancestralidade não é um passado que ficou para trás, mas um presente que floresce em cada um dos seus sorrisos, o encanto mais puro que o meu coração já conheceu. Em Shirley, o Porto e o Brasil dão-se as mãos e, nesta harmonia perfeita, ela é, enfim, o poema que ao meio desse carinho e meiguice a minha alma decidiu segurar. É a essência que meu coração sempre apeteceu, é onde o meu amor resolveu ficar. 

SARA DE LOURDES CABRAL: A TRAVESSIA DAS SERRAS E DOS AFETOS 

Existem pessoas que trazem em si a vastidão de um mundo inteiro, como se fossem a convergência de várias estradas que se encontram num único ponto de luz. Sara de Lourdes Cabral é essa presença solar, uma mulher cuja essência é tecida com as fibras do tempo e a vivacidade de quem compreende que a identidade não é um destino, mas uma construção de amores. Ao vermos, com o seu vestido floral vibrante em tons de terracota e o xale de franjas brancas que abraça os seus ombros como uma carícia, temos a impressão de olhar para a própria alma das feiras portuguesas: ela traz consigo a cor, o bálsamo das papoulas nos campos de trigo e a alegria incontida da terra que celebra a vida. 

Embora carregue nas suas veias o legado cosmopolita de uma ascendência francesa, espanhola e judaica, uma herança que lhe confere a profundidade de quem conhece a história do mundo, Sara é, na sua essência mais íntima, uma serrana. A sua ancestralidade na Beira Alta, na Guarda, moldou-lhe o caráter com a firmeza e a elevação da montanha. É ali, entre o granito das serras e a doçura do Nordeste, que ela se encontra. Ela define-se com a segurança de quem conhece o próprio peito: é portuguesa com a certeza absoluta do coração, uma alma que, mesmo nos seus recantos mais recônditos, vibra no compasso lusitano.

A vida de Sara é, antes de tudo, uma história de semeadura. Ao lado de Domingos Rodrigues, seu companheiro de jornada, ela construiu o seu maior patrimônio: uma família que é o espelho da sua dedicação. Alexandre Cabral Rodrigues e Ana Cristina Cabral Rodrigues são os ramos dessa árvore robusta, e a alegria do seu dia-a-dia reflete-se nos olhos dos seus netos, Giovanna, Isabella e Pedro, que são as novas flores desse jardim de afetos. 

Sara é a prova de que ser português é um exercício de liberdade. É acolher o mundo todo dentro de si e, ainda assim, encontrar no fado, na serra e na memória um lugar que chamamos de casa. Em cada gesto, no brilho do seu sorriso e na forma como abraça a sua história, ela nos lembra de que, independentemente de onde viemos, o coração encontra sempre o seu porto, a sua Guarda, o seu santuário de amor. Sara é, afinal, a própria tradução da esperança: uma mulher feita de muitas origens, mas guiada por uma única e inabalável certeza: a de que o amor é a nossa verdadeira pátria. 

DOMINGOS RODRIGUES: O PATRIARCA ENTRE A HISTÓRIA E O HORIZONTE 

No centro da nossa confraria, Domingos Rodrigues esposo de Sara Cabral não é apenas uma presença; ele é o eixo, a coluna que sustenta com elegância a sobriedade e a alegria contagiante de um autêntico patriarca luso. Ao vermos na foto, com o seu terno azul-marinho impecável e a camisa branca aberta, somos transportados para a dignidade dos cavalheiros de outros tempos, homens que compreendem, como poucos, que a vida é um brinde que se partilha. O seu sorriso é a narrativa silenciosa de quem conhece profundamente o valor de uma boa colheita e o peso sagrado de uma conversa sincera à mesa, onde o vinho é apenas o pretexto para o encontro de almas. 

Domingos é filho de Bracara Augusta. Mais do que um lugar, ele traz no sangue a ressonância de São Mamede d'Este, no coração pulsante do Norte de Portugal. Aquela terra, hoje integrada à União das Freguesias de Este, situada a apenas seis quilômetros a leste de Braga, não é apenas um endereço no mapa; é o seu solo sagrado. Domingos carrega consigo a herança milenar de uma região cujas raízes mergulham em vestígios romanos e na bravura ancestral dos brácaros. Existe nele essa mistura fascinante que o Minho sabe esculpir: a profundidade telúrica da ruralidade histórica e a consciência de quem navega na proximidade urbana com a naturalidade de quem sempre soube de onde vem. 

Ser bracarense, para o Domingos, é mais do que carregar um gentílico; é possuir uma bússola interna que aponta sempre para o granito da tradição e para a luz clara do Minho. Ele personifica a persistência de um povo que, ao longo dos séculos, viu impérios erguerem-se e o tempo transformar tudo ao redor, mantendo, contudo, a essência inalterada. Quando Domingos se senta entre amigos, ele traz consigo esse ar das montanhas do Norte e a serenidade das águas que banham Braga. Ele é o elo vivo entre a Bracara Augusta dos antepassados e o presente que celebramos, mostrando-nos que, para um verdadeiro patriarca, o coração é uma casa que nunca fecha as portas, onde a história de um povo é contada através da gentileza de um aperto de mão e da sabedoria contida em cada palavra proferida. 

MARIA HELENA PEREIRA: O SOL DE SINTRA E A ESTIRPE DE COURA 

Ao lado dos amigos, Maria Helena é uma presença que irradia harmonia, um encontro elegante que ilumina o ambiente. Com a sua calça de um amarelo vibrante, que parece capturar os raios mais dourados do sol de Sintra, e a blusa em tom bordeaux profundo, ela personifica a vivacidade de quem conhece o seu próprio valor. O seu sorriso suave é um convite ao acolhimento, carregando consigo a luminosidade de uma terra onde o tempo parece dançar entre os palácios e a névoa poética da serra.

As suas raízes são profundas e ancoradas no granito resiliente da Beira Alta. Maria Helena orgulha-se de pertencer à Aldeia de Coura, no concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. É naquele chão sagrado que a sua história se escreve, o berço onde floresceram as linhagens que moldaram quem ela é hoje: a família Almeida Duarte, pelo lado materno, e a família Rodrigues Pereira, pelo lado paterno. Para ela, o nome das suas origens não é apenas um lugar, é um selo de honra que ostenta com a nobreza de quem preserva a memória dos seus com todo o zelo. 

Ela fala dos seus antepassados com uma reverência que aquece o coração, guardando com carinho a figura dos seus avós, Maria e Daniel de Almeida Duarte, e o legado dos Rodrigues Pereira. É, contudo, na figura da sua avó, Maria de Jesus Rodrigues, que Maria Helena encontra a medida da verdadeira força. Aquela mulher, pilar de uma estirpe que não se verga, criou três filhos e uma filha com a coragem dos gigantes, enfrentando as intempéries da vida com uma dignidade inabalável. Maria Helena é o resultado desse amor incondicional que atravessou oceanos. Ela carrega consigo a altivez de quem compreende que a verdadeira herança não reside no que é ausente, mas na força construída pelos que ficaram e cuidaram do que era importante. Ela é o testemunho da superação, da beleza que brota da terra de Coura e da luz que ela própria traz ao mundo. Caminhando com elegância, Maria Helena é o sorriso que celebra a vida, a voz que canta a Beira Alta com imenso orgulho e a alma serena que nos mostra que, mais do que qualquer linhagem, o que nos define é a nossa capacidade de florescer, plenas e radiantes, sob o sol da nossa própria história. 

MARIA PANAIT: A MELODIA ANCESTRAL ENTRE O TEJO E O DOURO

Na ponta direita do nosso quinteto, Maria Panait apresenta-se com a postura de quem domina a arte da elegância silenciosa. Em seu vestido preto clássico e na silhueta de uma distinção inabalável, ela encarna a serenidade absoluta: aquela sabedoria rara de quem compreende que as amizades verdadeiras, tal como o vinho do Porto, não apenas resistem ao tempo, mas nele se refinam, ganhando corpo, alma e um buquê inesquecível. 

O seu mapa interior é uma tapeçaria de essências e legados profundos. Maria carrega consigo a altivez do Alto Douro Vinhateiro, a terra onde o sol desenha socalcos sobre a montanha. As suas raízes mergulham fundo em São Martinho de Mouros, aquela antiga e histórica vila do concelho de Resende, em Viseu, onde a memória se faz pedra e tempo. É emocionante o seu relato, que nos faz visualizar a casa humilde de seus antepassados, ali na curva do Rio Bestança, ainda de pé, teimosa contra a erosão dos anos, protegendo a lembrança da casa onde nasceu seu pai. Para Maria, pisar o solo do Alto Douro não é apenas uma visita; é um retorno ritualístico, um encontro visceral com a origem que lhe corre no sangue. 

No entanto, a sua geografia expande-se até Almada, no Distrito de Setúbal, onde mantém o seu refúgio com vista privilegiada para o Tejo. Lá, do outro lado do rio, frente a Lisboa e sob o olhar protetor do Cristo Rei, ela equilibra o seu espírito: entre a ancestralidade nortenha e a proximidade cosmopolita da capita 

Mas há, no cerne do ser de Maria, um segredo de história e identidade que lhe confere um brilho exótico e profundo: a sua etnia, que ecoa o tempo dos mouros, de árabes e cristãos-novos, uma herança originalmente islâmica que se fundiu na matriz portuguesa. É essa miscigenação, esse encontro de mundos e fés, que confere a Maria Panait essa aura inconfundível. Ela é a prova viva de que Portugal é um país de sínteses, um lugar onde a história árabe, a pedra da serra e a brisa do Tejo se encontram para formar uma única identidade. Maria Panait não apenas recorda o passado; ela transita por ele, honrando o tataravô e a casa de pedra com cada passo que dá, sendo, ela própria, um monumento de distinção e afeto que, tal como as boas colheitas, só faz crescer em valor e beleza.

A essência portuguesa que reside neles é uma intelectualidade viva, que valoriza a herança do pensamento, e uma cultura vibrante, que se expressa no sorriso, no abraço e na alegria de estar junto. Eles são a prova de que Portugal não é apenas um país na Europa, mas um país que mora em cada coração que se deixa conquistar pela sua poesia, pela sua história e pela alma de sua gente. E naquela noite no Rotary de Niterói, clicados por mim, eles eram, todos eles, a mais pura expressão de Portugal no Brasil. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


Shirley, Sara, Maria Helena, 
Domingos, Maria Panait


Sara Cabral disse: Eu tenho tanto pra vos contar📜📃📄📑🗞️📖/ mas com palavras não sei dizer/ como é grande o meu 💘 amor💛💚️ e gratidão por Vcs! ...e não há nada que valha mais a pena, que ter em cada canto 🌎🌍🌏amigos  com Vós  e porisso eu canto , com a alma 💖 🎶🎵🎶na voz! Bem ajam Shirley e Menino Iluminado Alberto Araújo por tanto amor 💘 e por adentrar os corações destes Emigrantes 🇵🇹🇧🇷 , hoje " ficantes"😅😂🤣😍🥰🤗🫣🫠na Pátria Amada e Idolatrada o meu, o seu o nosso Brasil brasileiro  🌎 Terra de samba e pandeiro e muitas coisas mais 🪇🥁🪘, neste País Continente Terra de toda a gente!🔱♻️⚜️! Ao ler e reler o seu texto as lágrimas brotaram no meu olhar  e como é bom chorar de emoção e saber que ainda aqui dentro pulsa um pequeno grande coração ...verde, amarelo , azul  e de todos os tons do planetinha azul! A tua crônica embarcou 🛟⚓🪝para solo Luzitano nos quatro cantos do 🌎 🌍🌏pq a modéstia não é meu melhor predicado( como é público e notório) e o que enobrece deve ser compartilhado  neste mundo planeta tão mal amado!🍃🍁🍂🇵🇹🇧🇷🇵🇹🇧🇷🇵🇹🇧🇷🇵🇹🇧🇷🇵🇹🇧🇷🇵🇹

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Companheira Sara. Que bom você ter gostado da minha crônica.  Demorou, mas a homenagem saiu do jeito que eu queria. Foram muitos meses pensando e revendo a história, pesquisando a trajetória de todos vocês para trazer esse lírico texto. Foi fascinante viajar pela a ancestralidade e cultura. Obrigado pelo carinho. Felicidades a vocês. Abraços do Alberto Araújo.

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Maria Panait disse: Alberto, meu amigo, esse texto irei guardar eternamente no meu coração! Estou emocionada! E impressionada com a sua capacidade de transformar palavras em vidas e poesia!  Vou enviar para os meus parentes e amigos portugueses e também os brasileiros.  Lendo o seu texto, imediatamente a minha alma atravessou o oceano e voei  para o aconchego do mais lindo jardim à Beira-mar plantado. Gratidão 💕 E parabéns, querido poeta.

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Rs...rs... Bom dia amiga Maria Panait. Fico feliz por você ter gostado da minha crônica.  Foi fascinante viajar pela a ancestralidade e cultura de todos vocês. Pesquisando e revendo toda a história de vocês. Obrigado pelo carinho. Felicidades a vocês. Abraços do Alberto Araújo.

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Maria Helena Pereira disse: Amados Shirley e Alberto, não existem palavras, para que eu possa transmitir o meu carinho e agradecimento por vocês, por tão brilhante, poética e magnífica homenagem a mim e aos especiais amigos lusitanos Shirley Domingos, Sara, Maria Panait. Hoje mais uma vez chorei,  lágrimas de felicidade, por ler palavras tão grandiosas de AMIZADE VERDADEIRA, que é recíproca.

Obrigada queridos, por terem transformado os cinco lusos, tão queridos e nossas áridas terras de nascimento, em pura poesia, linda e gigantesca. 

Obrigada Deus, por ter colocado vocês na minha vida.

❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️💋💋💋💋💋💋💋💋💋💋 Maria Helena. 

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Olá, adorável amiga Maria Helena.  Você é uma portuguesa especial. Muito feliz por você ter gostado da minha homenagem a vocês. Tinha de caprichar. Tinha que mostrar a essência e ancestralidade de vocês. Felicidades mil.  Sucesso. Abraços do Alberto Araújo.

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Gilda Uzeda disse: Alberto

Numa cartografia super poética você nos leva a viajar por Portugal, enquanto tece belas imagens e percorre mapas sentimentais. Vai com o fado e a tradição entre rios,  encostas, sonhos, vinhedos que seguem para o mar. E tudo isso deságua no abraço forte do Atlântico que une continentes - este imenso " mar salgado " , adoçado pelas águas do Tejo, do Douro, do Mondego, de tantas artérias fluviais que navegam em leitos lusitanos.

Lindo é o texto sobre Portugal e delicadas são as palavras sobre os que fazem parte da fotografia que encabeça o texto. Parabéns! Abraço, Gilda🌸


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Obrigado, Gilda! Suas palavras são um verdadeiro poema de retorno, ecoando perfeitamente o som do fado e a força do nosso Atlântico. Fico muito feliz que tenha gostado da nossa viagem e da nossa fotografia. Você arrasou essa mensagem poética também. Mais uma vez, muito obrigado. Alberto Araújo.

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Dulce Mattos disse: Falar de Portugal  mexe com meu coração. Meu avô  vindo de Portugal tem seu nome perpetuado na cidade de BICAS  ( MG).

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Maravilha, amiga Dulce. Estou muito comovido, porque a crônica trouxe a tantos amigos, lembranças de seus ancestrais, suas origens. Era esse o objetivo. Acho que consegui isso. Porque quem a ler vai voltar ao passado, assim como você. Muito obrigado. Abraços do Alberto Araújo.


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