AS CORES E AS VOZES DE MAIO: UM OLHAR
SOBRE O BOLETRAS Nº 53
O Boletras nº 53, referente ao mês de maio de 2026, apresenta-se não apenas como um registro documental das atividades da Academia Fluminense de Letras (AFL), mas como uma componente editorial que entrelaça a sensibilidade poética com o registro institucional. Sob a coordenação da Presidente Márcia Maria de Jesus Pessanha e com o primoroso trabalho de redação e diagramação de Christiane Victer, esta edição convida o leitor a uma jornada que começa na contemplação estética e se desdobra no engajamento cívico e cultural.
O Editorial da presidente Márcia Pessanha
O editorial, intitulado As Cores de Maio na Tela das Significações e nas Campanhas de Conscientização, estabelece o tom do número. Ao abrir com o "Soneto de Maio" de Vinícius de Moraes, o texto cria uma ponte entre a literatura clássica brasileira e a vivência contemporânea. A análise de maio não é estática; ela é filtrada pelo espectro das cores das campanhas sociais, o amarelo do trânsito, o cinza da prevenção ao câncer cerebral, o laranja da proteção à infância e o roxo das doenças inflamatórias intestinais. Esta articulação mostra uma Academia atenta ao tempo presente, capaz de enlaçar o lirismo de Castro Alves com a urgência das causas sociais que definem o mês. A reflexão poética da própria presidente, através de seus versos em "Tardes de maio", sintetiza esse espírito de acolhimento e beleza.
As matérias internas refletem uma instituição pulsante. O Chá de Confraternização entre a AFL e a UPPES (União dos Professores Públicos no Estado - Sindicato) destaca a importância dos laços entre entidades congêneres. O depoimento do Acadêmico Erthal Rocha é particularmente rico, ao resgatar a memória histórica da contribuição de Alberto Francisco Torres para a consolidação da sede da UPPES, provando que a Academia é também guardiã da memória cívica niteroiense.
A edição também dá voz à diversidade de produções dos acadêmicos. Desde a palestra de Marcelo Moraes Caetano na Academia Brasileira de Letras sobre a evolução da língua portuguesa, até a participação de Guto Mello na Academia de Letras da Bahia, percebe-se um trânsito intenso de saber que ultrapassa as divisas geográficas do Estado do Rio de Janeiro. A menção às atividades da Acadêmica Licia Lucas sobre a história do piano e da Acadêmica Amanda Almeida na educação social demonstra a pluralidade artística e filantrópica do corpo acadêmico.
A diagramação de Christiane Victer merece destaque pela clareza e elegância. O projeto gráfico do BOLETRAS utiliza o suporte visual das fotografias não apenas como adorno, mas como extensão da narrativa. A cobertura fotográfica dos eventos, o Chá na Casa do Professor, as visitas estudantis na sede da AFL e os momentos solenes, confere um caráter humano e vibrante ao boletim.
As frases inspiradoras como: “cor é um poder que influencia diretamente a alma” de Wassily Kandinsky” e “O propósito da Educação é substituir uma mente vazia por uma mente aberta” de Malcolm Forbes elevam a leitura, proporcionando pausas reflexivas que dialogam com os textos.
A coordenação de Márcia Pessanha imprime um ritmo consistente ao boletim, equilibrando a agenda institucional, como as datas significativas de junho e os aniversariantes do mês, com o conteúdo literário, como as trovas de Alba Helena Corrêa e os haicais de Uyára Schiefer.
O BOLETRAS nº 53 é um reflexo do momento vivido pela Academia Fluminense de Letras. Ao conseguir integrar o rigor do registro histórico com a leveza do fazer poético, sob a condução técnica de Christiane Victer e a liderança de Márcia Pessanha, a publicação cumpre seu papel de ser a voz oficial da instituição. É um documento que celebra a tradição, ao homenagear patronos e precursores enquanto abraça a modernidade, seja através das campanhas de conscientização, da tecnologia das ilustrações, ou do intercâmbio contínuo com a sociedade fluminense. Em suma, esta edição é um convite a sentir o mês de maio sob a luz das letras, da ciência e da cidadania, consolidando a AFL como um baluarte cultural ininterrupto no Estado do Rio de Janeiro.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural






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