sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MATILDE SLAIBI CONTI EM COLÓN – PORTA DO CARIBE PANAMENHO

 

No dia 9 de janeiro de 2026, a presidente do Elos Internacional, historiadora e líder cultural Matilde Slaibi Conti, esteve em Colón, Panamá, acompanhada de seu irmão Nagib Slaibi Filho e de Karin Dias, musa inspiradora de Nagib. A visita integra a viagem de Matilde em um cruzeiro cultural pelo Caribe, que tem revelado cidades históricas e paisagens marcantes da região. 

Colón é a segunda maior cidade do Panamá, localizada na extremidade caribenha do Canal do Panamá. Fundada em 1850, no término da ferrovia do Panamá, recebeu inicialmente o nome de Aspinwall, em homenagem a William Aspinwall, um dos fundadores da ferrovia. Em 1890, o governo panamenho renomeou a cidade para Colón, forma hispanizada de Colombo. Desde então, tornou-se um porto estratégico, centro comercial e destino turístico. Em 1953, foi transformada em zona de comércio livre, consolidando-se como um dos maiores portos “duty-free” do mundo, atraindo milhares de visitantes interessados em compras e negócios. 

A província de Colón é pequena em extensão, mas rica em história e cultura. Situada na costa caribenha central do Panamá, abriga parte do Canal do Panamá, uma das maiores obras de engenharia do mundo, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. O clima é quente e úmido, com temperaturas médias entre 24°C e 30°C durante todo o ano, tornando a região convidativa para o turismo. 

Entre os destaques estão cidades caribenhas como Portobelo e La Guaira, que oferecem ao visitante a vibrante magia caribenha, marcada pela gastronomia, pela música tradicional Calypso e pelas danças do Congo, declaradas Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. O legado africano é celebrado na Casa de la Cultura Congo, onde oficinas e artesanatos mantêm viva a memória e a criatividade popular.

Colón também é porta de entrada para belas ilhas como Isla Grande e Isla Mamey, ideais para mergulho com snorkel, caiaque e passeios de barco. Para quem busca tranquilidade, as praias de areia branca oferecem descanso sob o sol caribenho. 

Além das praias, a província guarda tesouros naturais como o Parque Nacional de Portobelo, com trilhas que levam a cachoeiras escondidas em meio às florestas tropicais. A natureza exuberante se soma ao patrimônio histórico, criando uma experiência completa para o visitante. 

A história de Colón e da província é marcada por fortificações coloniais. Os fortes de San Lorenzo e Portobelo, construídos pelos espanhóis nos séculos XVII e XVIII, são exemplos magníficos da arquitetura militar da época. Em 1980, a UNESCO declarou esses sítios como Patrimônio da Humanidade, reconhecendo sua importância histórica e cultural. 

A cidade de Colón, como capital da província, está a menos de uma hora de atrações como a Estrada de Ferro do Panamá, a Eclusa do Lago Gatún e o próprio Forte San Lorenzo, além de oferecer acesso rápido às águas cristalinas do Caribe. 

A culinária de Colón reflete sua diversidade cultural. Embora seja fácil encontrar cozinhas americana, francesa e espanhola, o destaque está nos sabores locais. Frutos do mar frescos são abundantes, e o ceviche, peixe marinado em limão e temperos é uma especialidade regional. Para quem prefere outras opções, as empanadas recheadas com carne ou queijo são igualmente tradicionais e saborosas. 

PALAVRAS DA PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI

Durante sua visita, nossa presidente destacou o valor cultural e histórico de Colón com frases de impacto: 

Colón é uma porta aberta para o Caribe e para a história: aqui o passado e o presente se encontram em harmonia.”

“Ao contemplar as fortificações coloniais, sinto que a memória da América Latina se ergue em pedra e resistência.”

O povo de Colón, com sua música, sua dança e sua alegria, mostra que a cultura é a verdadeira riqueza de uma nação.”

A presença de Matilde Slaibi Conti em Colón não é mero turismo: é parte de um acompanhamento institucional das ações culturais da presidente, que reforça o papel do Elos Internacional na valorização da Língua Portuguesa e no diálogo com culturas irmãs. Cada visita é um elo entre povos, um gesto de diplomacia cultural e uma extensão do compromisso com o mundo lusófono.

Colón, com sua história de resistência, suas paisagens tropicais e sua riqueza cultural, foi palco de mais uma etapa da missão de Matilde Slaibi Conti, que certamente trará relatos enriquecedores sobre esta experiência caribenha.

 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional

 













DALMA NASCIMENTO - O DIA EM QUE A PALAVRA FAZ ANIVERSÁRIO

Hoje, 09 de janeiro, o calendário não marca apenas o tempo: ele abre um palco onde a vida de DALMA NASCIMENTO se transforma em espetáculo de cultura e memória. O sol que nasce sobre Niterói não ilumina apenas ruas e praças; ele acende a chama de uma trajetória que fez da literatura um templo, da pesquisa um rito, e da docência uma oferenda.

Dalma é mais que autora, mais que professora: é SACERDOTISA DA PALAVRA. Seus livros não repousam em estantes, mas respiram como organismos vivos, pulsando entre mito e história, feminino e sagrado, medieval e contemporâneo. Cada obra é um cântico, cada ensaio uma travessia, cada aula um rito de iniciação.

Seus estudos sobre Nélida Piñon são constelações que brilham no céu da crítica literária, revelando não apenas a grandeza da romancista, mas também a delicadeza de quem sabe escutar o coração da narrativa. Já sua paixão pelos goliardos e pelos Carmina Burana é um gesto de ousadia: trazer à cena brasileira a rebeldia medieval, mostrando que o riso, a sátira e o desejo são eternos companheiros da humanidade.

Dalma Nascimento é ponte: entre gerações, entre culturas, entre mundos. É raiz que se aprofunda no solo fértil da tradição e é asa que se abre para o voo da imaginação. Sua presença no PEN Clube do Brasil, na Academia Niteroiense de Letras, na Rede Sem Fronteiras, e recente condecorada com o título A DAMA DA CULTURA FLUMENSE com a iniciativa da Rede Sem Fronteiras e com apoio incondicional de inúmeras instituições fluminense é mais que título; é reconhecimento de uma voz que ecoa além das fronteiras.

Neste aniversário natalício, celebramos não apenas a mulher, mas o mito que ela própria construiu: mito de resistência, de beleza, de erudição. Que sua pena continue a desenhar labirintos de sentido, que sua voz siga encantando auditórios e páginas, que sua vida permaneça como um holofote para todos que buscam na literatura não apenas conhecimento, mas revelação.

Parabéns, Dalma Nascimento. Hoje, o Rio de Janeiro, Niterói, além, o Brasil inteiro é convidado a brindar com você: ao feminino que floresce, ao sagrado que inspira, ao medieval que ressurge, à cultura que se eterniza.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







DALMA NASCIMENTO - O ANIVERSÁRIO NATALÍCIO COMO LABIRINTO DE MEMÓRIAS ETERNAS

No dia 9 de janeiro, quando o sol de Niterói se derrama como mel dourado sobre a Baía de Guanabara, celebra-se não apenas o ciclo de mais um ano, mas o florescimento perene de uma alma que tece a tapeçaria da cultura brasileira com fios de mito, sagrado e feminino. Dalma Nascimento, essa proeminente autora, pesquisadora e professora, emerge como uma constelação no firmamento intelectual do Brasil, iluminando caminhos onde a literatura se entrelaça com a história, o desejo e o destino. Seu aniversário natalício, esse portal cósmico de renascimento, nos convida a percorrer os labirintos de sua obra, onde cada página é uma rosa desabrochada, pétalas de erudição exalando o perfume da paixão inabalável. 

Imagine uma jornada que começa nas brisas do Nordeste brasileiro, ecoando as vozes ancestrais de cordéis e maracatus, e se desdobra nos salões acadêmicos do Rio de Janeiro, onde Dalma Nascimento, com a delicadeza de uma tecelã de sonhos, constrói uma vasta bibliografia. Seus livros não são meros volumes encadernados; são portais vivos, portais que abrem para a complexidade da condição humana, como rios caudalosos que serpenteiam pela alma coletiva. Autora de uma prosa rica em matizes, ela mergulha nas profundezas dos grandes nomes da literatura, desvendando camadas ocultas com a precisão de um ourives lapidando joias eternas.

Dentre suas pérolas mais cintilantes, brilham os cinco volumes dedicados a Nélida Piñon, essa escritora gigante galega-brasileira que as suas narrativas pulsam como o coração de um samba ancestral. Nos Labirintos da Memória, por exemplo, é um hino à vida e à obra da romancista, um espelho d'água onde se reflete a beleza labiríntica de Piñon, contos, crônicas e romances que dançam entre o real e o mítico. Seguem-se Nélida Piñon entre Contos e Crônicas, Aventuras Narrativas de Nélida Piñon (selos da Editora Parthenon, sob o olhar visionário de Mauro Carreiro Nolasco), Conversas com Nélida e Onde Você Estiver, Recordações de Nélida Piñon (H.P. Comunicação Associados, com Paulo França no Rio). Esse último tomo, dedicado à inolvidável Eliana Bueno Ribeiro, companheira de mais de 50 anos na devoção piñoniana, formam uma constelação pentagonal, guiando leitores pelo cosmos feminino da escrita brasileira. Dalma não apenas estuda Piñon; ela a ressuscita, como Orfeu evocando Eurídice das sombras do esquecimento. 

Mestra e Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada, Dalma Nascimento plantou suas raízes no CNPq por décadas, regando projetos que florescem no Centro de Estudos Afrânio Coutinho. Sua sala de aula, esse jardim secreto de mentes ávidas, inspira gerações com sementes de conhecimento que brotam em teses e ensaios. Como professora, ela não leciona; ela encanta, transformando alunos em peregrinos da palavra escrita, guiados por sua expertise em mito, sagrado e feminino, territórios onde deusas antigas sussurram segredos às musas contemporâneas.

Suas áreas de interesse são constelações vivas: o feminino como força telúrica, pulsando nas veias de Piñon; a Idade Média, com seus ecos goliardos de rebeldia e êxtase; e a Literatura Comparada, ponte arco-íris entre épocas e oceanos culturais. Prêmios e honrarias coroam sua fronte como louros medievais: membro do PEN Clube do Brasil e da Academia Niteroiense de Letras, Rede Sem Fronteiras e de muitas outras instituições culturais, ela desfila por congressos nacionais e internacionais, deixando rastros de perfume intelectual em jornais e revistas, do Brasil à Europa.

Ah, o xodó literário de Dalma, esse tesouro medieval que pulsa como a trombeta dos templos medievais em sua biografia! Carmina Burana: Magia e Questionamento Cultural – A Poesia dos Goliardos, Cantata Cênica de Carl Orff, são 474 páginas de puro êxtase erudito, com prefácio de Ricardo Cravo Albin e apresentação de Eduardo F. Coutinho é um banquete para os sentidos. Os Carmina Burana, coleção de poemas latinos, gregos e alemães do século XII, nascidos da pena errante dos goliardos, clérigos e estudantes de Paris, rebeldes com causa, irrompem como vinho tinto derramado em toalhas monásticas.

Esses versos, repletos de ironia afiada como adaga, erotismo flamejante como fogueira de São João e críticas sociais que fustigam a hipocrisia eclesial, desmascaram a Idade Média não como era austera de vitrais frios, mas como mosaico vibrante de contradições humanas. Temas dançam em roda: o amor carnal, que celebra a carne como templo pagão; a sátira à nobreza corrupta e à Igreja onipotente; a Roda da Fortuna, girando impiedosa entre glória e pó; e a natureza, com estações do ano pintadas em tons de safira e ouro, evocando os verões de seca e fartura.

No século XX, Carl Orff, o mago alemão, transmuta esses pergaminhos em cantata cênica (1935-1936), com coros trovejantes e ritmos primitivos que ecoam o batuque carioca. Dalma Nascimento, em sua análise profunda, revela essa alquimia: poesia goliarda fundida à música orffiana, um hino à vitalidade humana que ressoa em teatros do mundo. Os Carmina não são relíquias poeirentas; são elixir vivo, inspirando artistas de hoje, provando que o medieval pulsa no contemporâneo, como o samba enredo desfila o passado nas avenidas do Rio.

Dalma Nascimento não é mera intelectual; é um baluarte multifacetado, cujos raios iluminam a produção literária nacional e global. Sua obra, entrelaçando gênero, sociedade e sagrado, é bússola para estudiosos, com análises que cortam como bisturi cirúrgico o tecido da realidade brasileira. Respeitada no Olimpo acadêmico, suas páginas servem de alicerce a pesquisas que florescem como ipês em setembro. 

Neste aniversário natalício, 09 de janeiro de 2026, erguemos taças de vinho poético à amiga Dalma, essa tecelã de mitos, guardiã do feminino, exploradora medieval, cuja trajetória é hino à excelência. Que novos labirintos se abram, que novas rosas desabrochem em sua pena incansável. Parabéns, Dalma Nascimento! Seu legado é o Brasil eterno, florescendo em cada leitor cativado.

© Alberto Araújo

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NORDESTE EM DUAS VOZES COMPANHEIROS DA PEDRA E DO SOL CRÔNICA DE ALBERTO ARAÚJO


Epígrafe: “O sol do Nordeste nos une em palavra e pedra, em canto e rigor.” 

Hoje celebramos 106 anos do nascimento de João Cabral de Melo Neto, nascido em Recife em 9 de janeiro de 1920. Ele já partiu, mas sua presença continua viva, como se caminhasse ao meu lado pelas veredas do Nordeste. Eu sigo aqui, companheiro nas letras, conterrâneo de sol e de pedra, e sinto que sua voz ainda ecoa entre os canaviais, nos mangues e nas águas do Capibaribe. 

Eu caminho pelas veredas do Nordeste, terra de sol que não se apaga, onde o vento traz o cheiro da cana e o rumor dos rios que cortam a paisagem. E ao meu lado, como companheiro de jornada, sinto a presença de João Cabral de Melo Neto, poeta que fez da palavra uma pedra clara, viva e luminosa. Somos filhos do mesmo universo geográfico, moldados pela luz incandescente e pela aspereza fértil. 

João Cabral fala: “A poesia não é ornamento, é construção. É como erguer uma casa de tijolos, cada palavra ajustada com rigor, cada verso sustentando o peso da verdade.” E eu respondo: “Sim, irmão das letras, mas também deixo que o sol do Nordeste me aqueça, que o canto dos pássaros me envolva, que o lirismo se derrame como chuva breve sobre a caatinga.” 

Somos nordestinos, herdeiros de uma geografia que é ao mesmo tempo seca e abundante, dura e generosa. O Nordeste é o sertão que resiste, é o mar que se abre em azul infinito, é o mangue que pulsa vida, é o engenho que guarda memórias. É terra de sol brilhante, mas também de sombra que ensina a paciência. 

João Cabral insiste: “A palavra deve ser limpa, sem resíduos sentimentais, como pedra polida pelo tempo.” E eu replico: “Mas a pedra também canta, também guarda em seu silêncio o rumor da eternidade. O Nordeste é feito de rigor e de canto, de geometria e de flor, de seca e de esperança.”

Foi assim que seguimos, eu e João Cabral, companheiros nas letras, irmãos na mesma raiz. Ele, já em outra dimensão, deixou sua poesia de precisão, que ergue pontes entre o concreto e o abstrato. Eu continuo aqui, com minha voz que se abre em cores e perfumes, celebrando o sol que nos une. Juntos, abraçamos o Nordeste com palavras-palavras: terra de fogo e de água, de dor e de festa, de pedra e de sonho.

E nessa irmandade, o que nos resta é cantar: cantar o Nordeste como quem ergue uma catedral de versos, como quem planta esperança no chão árido, como quem sabe que a palavra é sol que nunca se apaga. João Cabral partiu, mas sua obra permanece como holofote. Eu sigo, companheiro de sua memória, celebrando os 106 anos de seu nascimento com a certeza de que o Nordeste continua vivo em nossas vozes, em nossas letras, em nossa irmandade de pedra e sol. 

O tempo passa, mas o Nordeste permanece como paisagem e como destino. É chão de resistência, palco de festas populares, berço de poetas e cantadores. É o lugar onde o sol se derrama em ouro sobre os coqueirais, onde a seca ensina a inventar esperança, onde cada palavra é colhida como fruto raro. João Cabral soube traduzir essa terra em versos duros e luminosos, e eu, que continuo aqui, busco dar-lhe cores e perfumes, como se nossas vozes se completassem.

Celebrar João Cabral é celebrar o Nordeste em sua inteireza: o sertão e o litoral, o mangue e a caatinga, o engenho e a cidade. É reconhecer que sua poesia nos ensinou a olhar para o real com rigor, mas também a perceber que na pedra há canto, e no silêncio há eternidade. 

Hoje, ao lembrar seus 106 anos, sinto que não estamos distantes. Ele segue comigo, companheiro invisível, irmão de sol e de palavra. E juntos, seguimos chamando o Nordeste com palavras-palavras: terra de fogo e de água, de dor e de festa, de pedra e de sonho.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 

EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL 09 DE JANEIRO - JOÃO CABRAL DE MELO NETO 106 ANOS DO NASCIMENTO DE UM MESTRE DA POESIA


No dia 9 de janeiro de 1920, nascia em Recife, Pernambuco, uma das vozes mais singulares e rigorosas da literatura brasileira: João Cabral de Melo Neto. Poeta e diplomata, sua trajetória se inscreve como uma das mais impactantes na história cultural do Brasil e da língua portuguesa. Faleceu em 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos, deixando um legado que continua a reverberar nas páginas da poesia moderna. 

Em 1942, João Cabral publicou seu primeiro livro, Pedra de Sono. A obra já revelava a influência de Carlos Drummond de Andrade, mas também apontava para uma voz própria, marcada pelo desejo de depurar a linguagem poética. Poucos anos depois, integrou-se à chamada Geração de 45, movimento que buscava renovar os rumos da poesia brasileira após o Modernismo inicial. Contudo, Cabral seguiu seu próprio caminho, instaurando um estilo que se afastava do sentimentalismo e do pitoresco. 

A poesia de João Cabral é reconhecida por seu rigor semântico e pela recusa ao excesso lírico. Sua escrita parte do concreto, do palpável, para alcançar a abstração. O poeta não se deixava dominar pela linguagem; ao contrário, buscava utilizá-la de forma consciente, quase como um engenheiro que constrói com palavras. Essa postura lhe conferiu uma radical modernidade, instaurando uma nova dimensão no discurso lírico. 

O geometrismo presente em alguns de seus poemas traduz esse movimento de "regresso ao real". João Cabral foi o poeta da sensação aguda dos objetos, da materialidade que delimita o homem e a mulher modernos. Sua obra é marcada por uma poesia que não se rende ao sentimentalismo, mas que encontra beleza na precisão e na clareza. 

Além de poeta, João Cabral exerceu funções diplomáticas em cidades como Assunção, Barcelona e Dakar. Essa experiência internacional ampliou seu horizonte cultural e lhe permitiu dialogar com diferentes tradições literárias. Em Barcelona, por exemplo, aproximou-se da cultura espanhola e da obra de poetas como Luis de Góngora e Antonio Machado, que influenciaram sua visão estética. 

ENTRE SUAS OBRAS MAIS CONHECIDAS ESTÃO:

O Cão sem Plumas (1950), poema que retrata o Recife e o rio Capibaribe com uma linguagem dura e realista. 

Morte e Vida Severina (1955), auto de natal pernambucano que se tornou um dos textos mais emblemáticos da literatura brasileira, encenado e musicado em diversas ocasiões.

A Educação pela Pedra (1966), livro que reafirma sua busca pela objetividade e pelo aprendizado através da dureza da vida. 

Cada obra de João Cabral é um exercício de precisão, uma tentativa de construir a poesia como quem ergue uma arquitetura sólida e transparente.

A relevância de sua obra foi amplamente reconhecida. Em 1990, João Cabral recebeu o Prêmio Camões, a mais alta distinção da literatura em língua portuguesa. Além disso, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, consolidando sua posição como um dos grandes nomes da cultura nacional.

João Cabral de Melo Neto deixou uma marca indelével na poesia brasileira. Sua recusa ao sentimentalismo e sua busca pela objetividade abriram caminhos para novas formas de expressão. Sua obra continua a inspirar escritores, críticos e leitores, sendo estudada em universidades e celebrada em eventos culturais.

No dia 9 de janeiro, ao lembrarmos seu nascimento, celebramos não apenas a vida de um poeta, mas a força de uma obra que transformou a literatura brasileira. João Cabral nos ensinou que a poesia pode ser construída com rigor, clareza e consciência, sem perder sua capacidade de emocionar e de revelar o mundo. 

A efeméride de hoje nos convida a revisitar a obra de João Cabral de Melo Neto, a reconhecer sua importância e a reafirmar o valor da poesia como instrumento de reflexão e de transformação cultural. Seu legado permanece vivo, como uma pedra que resiste ao tempo, como um verso que ecoa na memória coletiva.

Focus Portal Cultural celebra nesta data o nascimento de João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata que fez da palavra um espaço de rigor e beleza, e que continua a iluminar os caminhos da literatura brasileira.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 













 

 

 



 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

APRESENTAÇÃO DO ELENCO DA COLETÂNEA INTERNACIONAL LUSÓFONA EM VERSO E PROSA – SEM FRONTEIRAS PELO MUNDO, VOLUME 9

(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)

A literatura tem o poder de atravessar oceanos, unir culturas e eternizar vozes. É exatamente esse espírito que marca a chegada do Volume 9 da Coletânea Internacional Lusófona Em Verso e Prosa – Sem Fronteiras Pelo Mundo, um projeto que reafirma a força da palavra como ponte entre povos e gerações. 

Neste novo capítulo da história da Rede Sem Fronteiras, é apresentado com orgulho o elenco completo de 106 coautores aprovados para integrar esta obra grandiosa. Cada nome representa não apenas um talento literário, mas também um coração pulsante que acredita na arte como veículo de transformação e conexão. 

A Rede Sem Fronteiras nasceu com a missão de valorizar e difundir a lusofonia, promovendo a união de escritores, artistas e leitores em torno de um ideal comum: fortalecer a língua portuguesa como patrimônio cultural vivo. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma verdadeira família literária, que acolhe, incentiva e celebra talentos de diferentes países e contextos. 

Mais do que uma rede, trata-se de um movimento cultural internacional que ultrapassa barreiras geográficas e linguísticas, criando espaços de diálogo e reconhecimento. Cada projeto realizado é um convite para que novos autores se expressem, compartilhem suas histórias e deixem sua marca no mundo. 

Este volume é um mosaico de vozes, estilos e sensibilidades. Reúne poemas, contos e textos que refletem a diversidade da lusofonia, revelando a riqueza de perspectivas que emergem quando diferentes culturas se encontram sob o mesmo idioma. 

Cada página é um testemunho da força criativa dos coautores, que transformam experiências pessoais em narrativas universais. O resultado é uma coletânea que emociona, inspira e reafirma o papel da literatura como instrumento de união e resistência cultural. 

O elenco completo de 106 nomes é motivo de celebração. São escritores que acreditaram no poder da palavra e confiaram na Rede Sem Fronteiras para dar visibilidade às suas criações. 

Cada coautor é parte essencial desta construção coletiva. Juntos, formam um coro literário que ecoa pelo mundo, mostrando que a lusofonia é viva, plural e vibrante. A diversidade de estilos e temas enriquece a obra, tornando-a um verdadeiro retrato da multiplicidade cultural que nos define. 

A Rede Sem Fronteiras agradece imensamente a confiança depositada por cada participante. Este projeto só se torna possível graças ao engajamento e à paixão daqueles que acreditam na literatura como força transformadora. 

Todos os coautores são parabenizados por esta conquista. São protagonistas de um movimento que transcende fronteiras e reafirma a importância da arte como elo entre povos. 

Este é um momento de celebração coletiva. O Focus Portal Cultural atendendo a solicitação da presidente Dyandreia Portugal convida o público a compartilhar esta conquista, divulgar o vídeo com o elenco completo e viver a emoção de ver novos talentos cruzando fronteiras por meio da arte e da palavra.

Cada leitura, cada partilha, cada aplauso fortalece ainda mais este movimento cultural que orgulha e inspira. 

O Volume 9 da Coletânea Internacional Lusófona Em Verso e Prosa – Sem Fronteiras Pelo Mundo não é apenas um livro: é um marco cultural, um testemunho da força da lusofonia e da união de 106 vozes que se erguem em verso e prosa para celebrar a vida, a arte e a palavra. 

A Rede Sem Fronteiras segue feliz e orgulhosa por concretizar mais um projeto especial desta grande família literária. Que esta obra seja lida, sentida e compartilhada, levando adiante a chama da cultura lusófona que une e fortalece.

 

Editorial 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



MENSAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL PARA REDE SEM FRONTEIRAS

O Focus Portal Cultural cumprimenta calorosamente a Rede Sem Fronteiras pela realização de mais um marco literário internacional: o lançamento do Volume 9 da Coletânea Internacional Lusófona Em Verso e Prosa – Sem Fronteiras Pelo Mundo. Este projeto reafirma a força da palavra como elo entre culturas e celebra a diversidade da lusofonia em sua plenitude. 

A apresentação do elenco completo de 106 coautores aprovados é motivo de grande orgulho e alegria. Cada nome representa não apenas um talento literário, mas também um compromisso com a arte e com o poder transformador da literatura. São vozes que se unem em verso e prosa para atravessar fronteiras, eternizar memórias e fortalecer a identidade cultural que nos conecta. 

A Rede Sem Fronteiras, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um movimento cultural internacional que valoriza e difunde a língua portuguesa, promovendo a união de escritores, artistas e leitores em torno de um ideal comum: celebrar a lusofonia como patrimônio vivo. Este trabalho incansável de incentivo e acolhimento revela-se em cada página desta coletânea, que se torna um verdadeiro mosaico de estilos, sensibilidades e perspectivas.

O Focus Portal Cultural parabeniza todos os coautores que integram esta obra grandiosa. Cada contribuição é parte essencial de uma construção coletiva que ecoa pelo mundo, mostrando que a literatura lusófona é plural, vibrante e capaz de inspirar novas gerações.

Este momento é de celebração e partilha. Que o Volume 9 seja lido, sentido e divulgado, levando adiante a chama da cultura lusófona que une povos e fortalece identidades. O Focus Portal Cultural reconhece e enaltece o empenho da Rede Sem Fronteiras e de todos os participantes, reafirmando que iniciativas como esta são fundamentais para manter viva a arte da palavra e para projetar talentos além das fronteiras. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

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Dyandreia Portugal disse: Obrigada, querido amigo Alberto Araújo, vc é show!!! 🫶🏼🫶🏼🫶🏼🫶🏼

 



AMANHECER CARIOCA - A LUZ QUE REVELA A ALMA DO RIO - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

No dia 8 de janeiro de 2026, Euderson Kang Tourinho posicionou sua câmera em um ponto elevado de sua residência, capturando o amanhecer sobre o Rio de Janeiro. A imagem, com o Pão de Açúcar emergindo das sombras sob um céu em chamas de laranja e roxo, reflete não apenas a beleza natural, mas a sensibilidade aguçada de um fotógrafo que transforma o efêmero em eterno. Essa foto, tirada em um momento de transição entre a noite e o dia, evoca a essência pulsante da cidade, onde o cotidiano se entrelaça com o espetáculo da natureza.

Euderson Kang Tourinho acordou antes do sol, guiado por uma intuição poética que o levou à sacada com vista para a Baía de Guanabara. Às 5h06min, quando o horizonte ainda pulsava em tons crepusculares, ele ajustou o foco para enquadrar os morros icônicos: o Pão de Açúcar, soberano e rugoso, flanqueado pelo Corcovado distante, ambos banhados pela luz alaranjado-rosada que irrompia das nuvens. A sensibilidade do fotógrafo se revela na escolha do instante preciso, nem o breu da madrugada, nem o pleno dia, capturando o contraste entre as silhuetas escuras dos edifícios e o fogo celestial, como se a câmera fosse uma extensão de sua alma contemplativa. Essa precisão técnica, aliada a um olhar lírico, transforma a foto em um haicai visual, onde cada pixel respira a magia do nascente.

​O que eleva Euderson acima do mero registro é sua capacidade de enxergar o invisível no visível. Em meio ao corre-corre diário, ele pausa para eternizar o amanhecer, revelando uma sensibilidade que ecoa os cronistas cariocas como Fernando Sabino, mestres em captar o efêmero da urbe. Sua foto não é só paisagem; é um diálogo com a luz que desperta a cidade, destacando o brilho nas janelas dos arranha-céus e o reflexo na baía serena, como se o fotógrafo sussurrasse: "Aqui pulsa o coração do Rio". Essa empatia com o momento o torna guardador de instantes que o cotidiano apressa, provando que a verdadeira arte fotográfica nasce da paciência e da emoção contida.

​Enquanto o sol nasce, o Rio desperta em seu ritmo caótico e charmoso. Nas ruas, avenidas já se ouvem o ronco dos ônibus lotados rumo ao trabalho, o cheiro de pão na chapa das padarias e o grito dos vendedores de água de coco na praia, tecendo a tapeçaria do dia a dia carioca. O Pão de Açúcar, testemunha silenciosa, vigia o vaivém: o surfista que pega a primeira onda no Arpoador, Barra da Tijuca, mãe correndo com o filho para a escola, o artista de rua afinando o violão para os turistas matinais.

Essa foto de Euderson congela o instante antes do furor, mas evoca o bulício que virá, o samba ecoando das favelas, o trânsito infernal da Avenida Brasil, as conversas animadas nos bondes lotados, pintando o cotidiano como uma sinfonia imperfeita e irresistível.

​A essência do Rio reside nessa dualidade: a grandiosidade natural abraçando a efervescência humana. O amanhecer capturado por Euderson simboliza a resiliência carioca, morros eternos contra céus mutáveis, pobreza e opulência dançando no mesmo asfalto, fé e folia entrelaçadas nas procissões e carnavais. Como nas crônicas modernas que retratam a cidade como palco de sonhos e desencontros, essa imagem pulsa com a malandragem elegante. É o Rio cru e poético, onde o sol nascendo sobre o Pão de Açúcar renova a promessa de que, apesar das chuvas torrenciais e desigualdades gritantes, a luz sempre retorna, iluminando a alma coletiva de uma metrópole que não se curva.

Essa foto impacta porque desperta no observador uma saudade antecipada do dia que mal começou. Ela nos convida a parar, como Euderson fez, e questionar: em meio ao corre-corre, onde fica espaço para o contemplativo? O céu em chamas reflete não só o fogo do amanhecer, mas a paixão ardente do povo fluminense, o funk das comunidades, o futebol nas peladas de rua, as festas juninas que desafiam a modernidade. Euderson, com sua lente sensível, nos lega um manifesto visual: o Rio não é só cartão-postal; é essência viva, cotidiana e transcendental, um hino à beleza que brota do contraste entre luz e sombra, mar e montanha, sonho e realidade. Que essa imagem, com seus 30 mil bytes de pura emoção, inspire gerações a capturarem seus próprios amanheceres.

© Alberto Araújo 






MATILDE SLAIBI CONTI EM CARTAGENA – A HEROICA DO CARIBE

 

08 de janeiro de 2026. A presidente do Elos Internacional, historiadora e líder cultural Matilde Slaibi Conti, encontra-se hoje em Cartagena de Indias, na Colômbia, acompanhada de seu irmão Nagib Slaibi Filho e de Karin Dias, musa inspiradora de Nagib. 

Segundo a própria presidente, “o sol hoje estava a pino, muito forte, um sol brilhante, amarelado”, iluminando sua chegada à cidade caribenha e reforçando o esplendor da paisagem histórica que se descortina diante dos visitantes. 

Cartagena, situada na costa norte da Colômbia e banhada pelo Mar do Caribe, é um dos maiores símbolos da história colonial latino-americana e patrimônio mundial da UNESCO. Com mais de 1 milhão de habitantes, projeções do DANE indicam cerca de 1,07 milhão em 2025, é uma das maiores cidades da Colômbia e importante centro turístico. Em 8 de janeiro de 2026, a temperatura variou entre 24°C e 31°C, em um dia ensolarado, com ventos vindos do norte. 

Cartagena é famosa por sua Cidade Amuralhada colonial, com ruas coloridas, arquitetura preservada e vida noturna animada. O charme histórico se mistura à modernidade de Boca Grande, com hotéis e restaurantes, enquanto o bairro Getsemaní pulsa arte de rua e boemia. A gastronomia local, frutos do mar, arroz de coco, completa a experiência, junto às praias urbanas e às paradisíacas Ilhas do Rosário e Playa Blanca, que oferecem águas cristalinas. 

PRINCIPAIS ATRAÇÕES 

Cidade Amuralhada: muralhas como o Baluarte de Santo Domingo, praças históricas como a Torre do Relógio e a Plaza de Bolívar.

Getsemaní: bairro boêmio, arte urbana e bares descolados.

Boca Grande: área moderna com praias e vida cosmopolita.

Castillo San Felipe de Barajas: fortaleza monumental do século XVII.

Las Bóvedas: antiga prisão transformada em lojas de artesanato.

Praias e Ilhas: águas mornas urbanas e passeios para o arquipélago das Ilhas do Rosário. 

Fundada em 1533 por Pedro de Heredia, Cartagena rapidamente se tornou um dos portos mais importantes da América espanhola. Suas muralhas e fortalezas, erguidas contra piratas e invasores, permanecem como testemunhos da resistência e da coragem de seu povo. Não por acaso, é chamada de “La Heroica”, título que reflete sua trajetória de luta e preservação cultural. 

A cidade é marcada pela diversidade: indígenas, africanos e europeus formaram uma identidade única, expressa na música, na dança e na gastronomia. O idioma oficial é o espanhol, mas o sotaque costeño caribenho confere musicalidade própria à fala, tornando Cartagena ainda mais vibrante. 

Palavras da presidente Matilde Slaibi Conti

Em sua passagem por Cartagena, nossa presidente destacou o valor cultural da cidade com frases de alto cunho histórico: 

“CARTAGENA é BELEZA PURA! Um livro aberto da história latino-americana: cada muralha, cada praça, é uma página viva que nos ensina sobre resistência e identidade.”

“Ao caminhar por estas ruas coloniais, sinto que a cultura hispânica dialoga com o mundo lusófono, revelando que nossas línguas irmãs são pontes de memória e de futuro.”

“O povo cartagenero, com sua alegria e diversidade, mostra que a verdadeira riqueza de uma cidade está na força de sua cultura e na dignidade de sua história.”

Cartagena é reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial, graças à preservação de sua arquitetura colonial e ao valor histórico de suas fortificações. A cidade é também palco de festivais literários e musicais, reafirmando sua vocação cultural.

Para Matilde Slaibi Conti, historiadora e presidente do Elos Internacional, esta visita é mais do que uma experiência turística: é um encontro com a memória da América Latina e um diálogo com a cultura hispânica, que se soma ao compromisso de preservar e valorizar o mundo lusófono. 

Não se trata de um diário de bordo, mas de um acompanhamento institucional das ações culturais de nossa presidente. A Diretoria de Cultura do Elos Internacional registra e divulga suas andanças porque cada passo é um elo entre culturas, um gesto de diplomacia e uma extensão do compromisso com a Língua Portuguesa e o mundo lusófono. 

Cartagena, com sua história de resistência, sua arquitetura imponente e seu povo vibrante, é agora palco da presença de Matilde Slaibi Conti, que certamente trará relatos enriquecedores sobre esta etapa de sua missão cultural. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional