quarta-feira, 13 de maio de 2026

O SAL E A PALAVRA: UMA ODISSEIA ENTRE O ATLÂNTICO E O CORAÇÃO DE IDALINA ANDRADE GONÇALVES HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

A história da humanidade é feita de travessias, mas poucas são tão bonitas quanto aquelas que carregam o arquipélago na alma e a poesia no horizonte. No vasto azul do Oceano Atlântico, a cerca de 1400 km a oeste do território continental português, emergem as nove sentinelas vulcânicas que compõem a Região Autônoma dos Açores. É desse solo fértil, onde o fogo da terra encontrou a paciência do mar, que brota a essência de Idalina Andrade Gonçalves, uma mulher cuja trajetória é, em si mesma, um arquipélago de saberes e sensibilidades. 

Nossa homenagem começa com uma dádiva especial a Idalina Andrade Gonçalves: o reconhecimento do brilho da sua arte, da força da sua palavra e da ternura da sua presença, transformando o tempo em festa e a memória em gratidão. 

Falar de Idalina é, inevitavelmente, evocar a geografia mística dos Açores. O arquipélago, dividido em três grupos: o Ocidental  com Flores e Corvo, o Central com Graciosa, Terceira, São Jorge, Pico e Faial e o Oriental com São Miguel e Santa Maria é um lugar onde a natureza dita o ritmo da existência. Todas as ilhas têm origem vulcânica, e o Monte Pico, com seus 2351 metros, ergue-se como o ponto mais alto de Portugal, uma metáfora perfeita para a estatura intelectual de Idalina.

Se medirmos a altitude dos Açores desde a sua base no fundo do oceano, elas estão entre as montanhas mais altas do planeta. Da mesma forma, a trajetória de Idalina possui raízes profundas, alicerçadas em uma formação acadêmica sólida que une a Psicomotricidade e a Biomedicina. Hoje a homenageamos pela riqueza de toda a trajetória que tem construído com tanto brilho, dedicação e sensibilidade. Esta é a ocasião para reconhecer a grandeza de uma vida que une ciência e arte, razão e poesia, tradição e contemporaneidade. 

Politicamente, os Açores são um território especial da União Europeia, possuindo um estatuto de autonomia desde 1976. É uma terra de autonomia e de identidade forte, simbolizada pelo seu lema: "Antes de morrer livres, que em paz, sujeitos". Essa mesma sede de liberdade e de afirmação cultural reflete-se na obra de Idalina. Ela é portuguesa dos Açores, mas também cidadã do mundo, e sua voz ecoa como ponte viva entre Brasil e Portugal, entre memória e futuro, entre o humano e o universal. 

A sua caminhada é marcada por uma rara harmonia. Enquanto os Açores se situam na zona de fronteira de três placas tectônicas, Norte-Americana, Eurasiática e Núbia, criando um dinamismo geológico constante, Idalina vive na intersecção de mundos. Sua vocação artística e literária encontra espaço para florescer em ensaios, poemas e obras que revelam a delicadeza do olhar e a profundidade da reflexão. Cada palavra sua carrega lirismo e clareza, cada gesto seu reafirma o compromisso com a cultura e com a preservação das raízes que unem os povos luso-brasileiros. 

O clima açoriano é conhecido por ser ameno, influenciado pela Corrente do Golfo, mantendo temperaturas equilibradas durante todo o ano. Essa mesma amenidade e equilíbrio parecem habitar o espírito de Idalina. Celebrar sua vida é celebrar também a sua coragem de assumir, com entusiasmo e dignidade, missões acadêmicas e culturais que engrandecem instituições de prestígio, como a Academia Luso-Brasileira de Letras, o Real Gabinete Português de Leitura e a Sociedade Eça de Queiroz. 

Ela é o exemplo da intelectual que não se limita a guardar a tradição sob chaves, mas que a renova, a ilumina e a entrega às novas gerações com generosidade. Tal como Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta dividem as funções de capitais executiva, judicial e legislativa da região, a vida de Idalina é um equilíbrio de funções: a pesquisadora, a poeta e a defensora da lusofonia. 

Os Açores foram povoados a partir de 1432 e, desde então, o arquipélago serviu como ponto de reabastecimento para quem cruzava o oceano. Idalina é, para muitos, esse ponto de reabastecimento espiritual e intelectual. Autora de páginas que unem crítica, memória e poesia, sua obra "O Caminho Une o Tempo" nos recorda que a literatura é sempre um diálogo entre passado e presente, entre o que fomos e o que podemos ser.

Sua presença ativa em conferências e seminários é onde sua palavra lúcida se torna luz como as luzes que guiam os navegantes nas costas escarpadas de São Jorge ou da Terceira, para quem busca compreender a importância da herança açoriana e da cultura luso-brasileira. Ela compreende que a economia de um povo, tal como nos Açores, baseada na agricultura, na pesca e no turismo, é fundamental, mas que a "economia da alma" se faz com o intercâmbio de saberes. 

Idalina Andrade Gonçalves carrega em si a mesma inspiração que as paisagens verdes e as lagoas azuis de São Miguel oferecem aos seus visitantes. Que cada amanhecer seja um convite para novas descobertas, que cada encontro seja oportunidade de semear poesia, e que cada conquista seja celebrada com o mesmo entusiasmo que dedica às suas missões culturais.

Idalina, sua existência é um presente para todos nós. Assim como os Açores representam o ponto mais ocidental de Portugal, você é o ponto mais avançado de nossa cultura luso-brasileira, sempre desbravando novos horizontes com ternura e inteligência. Que sua vida seja sempre marcada por afeto, reconhecimento e esperança, e que o tempo siga sendo seu aliado na construção de pontes entre mundos, saberes e corações. 

Companheira Idalina: que o mar dos Açores e o calor do Brasil continuem a dançar em sua poesia.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural










 

SEMANA DO DIREITO 2026: CONSTRUINDO O FUTURO DA CARREIRA JURÍDICA E NOSSA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI MARCOU PRESENÇA

 

A Universidade Universo Niterói, Campus Itaipu registra para a comunidade educacional, jurídica e cultural a realização da Semana do Direito 2026, evento que reafirma o compromisso institucional com a excelência acadêmica e a formação de profissionais preparados para os desafios contemporâneos.

A abertura foi marcada pela presença da nossa presidente do Elos Internacional da Comunidade Lusíada, Dra. Matilde Slaibi Conti, cuja participação enriqueceu o debate e simbolizou a integração entre cultura, sociedade e prática jurídica. 

Realizado no dia 12 de maio, na Unidade Itaipu, o encontro teve como tema central Empregabilidade no Direito: Horizontes e Oportunidades na Carreira Jurídica. Em um cenário de constantes transformações sociais e tecnológicas, a discussão sobre os rumos da advocacia e da atuação jurídica tornou-se essencial para orientar estudantes e profissionais em busca de destaque e relevância no mercado. 

O presidente da OAB Niterói, Dr. Pedro Gomes de Oliveira, conduziu a abertura com uma fala institucional que destacou a importância da inovação e da adaptação como pilares da “empregabilidade”. Sua trajetória sólida e atuação em defesa da classe conferiram credibilidade e inspiração ao público presente. 

Na sequência, a vice-presidente da OAB Niterói, Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, reforçou a relevância da interdisciplinaridade e da valorização da cultura na formação jurídica. Com sua experiência acadêmica e institucional, trouxe reflexões que conectam “O futuro do Direito” às dimensões sociais e humanas, ampliando a visão dos participantes sobre o papel da profissão na construção de uma sociedade mais justa. 

O evento contou com o apoio da professora Claudia, cuja dedicação foi fundamental para a organização e integração entre palestrantes e público, garantindo a qualidade e o êxito da iniciativa. Também marcou presença a presidente do Elos de Niterói, Jocelin Marry Nery, além de alunos da Universo e membros elistas como Suellen Oliveira, integrante da Diretoria do Elos Universitário. É relevante destacar que Dr. Pedro Gomes, professora Claudia e Jocelin foram alunos da própria Dra. Matilde Slaibi Conti, o que reforça o legado acadêmico e institucional da palestrante. A presidente Matilde ressaltou, em sua fala, a forma calorosa com que todos foram recebidos, destacando a elegância e a afetividade da recepção, marcada por uma mesa posta com fartas guloseimas, que simbolizou não apenas hospitalidade, mas também o cuidado da Universidade em valorizar seus convidados. Esse gesto reforçou o espírito de integração e acolhimento que permeia toda a Semana do Direito 2026, tornando o encontro ainda mais memorável para a comunidade acadêmica e jurídica. 

A Semana do Direito 2026 consolida-se como um espaço de reflexão e aprendizado, reafirmando o papel da Universidade Universo Niterói como protagonista na formação de profissionais críticos, éticos e preparados para os desafios do século XXI. Para a comunidade jurídica, o evento representa união, valorização da classe e esperança em um futuro promissor. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional







(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)


 

terça-feira, 12 de maio de 2026

DIA DA ENFERMEIRA – 12 DE MAIO - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL A ZENEIDA APOLÔNIO SEIXAS

Celebrar o Dia da Enfermeira é reconhecer uma das mais nobres vocações humanas: a de cuidar. A enfermagem é feita de ciência, mas também de compaixão; é técnica, mas sobretudo entrega. É a profissão que traduz em gestos concretos o lema do Rotary: “Dar de si antes de pensar em si”. 

Neste 12 de maio, o Focus Portal Cultural, sob a direção do jornalista Alberto Araújo, presta uma homenagem especial às enfermeiras e enfermeiros que, com coragem e dedicação, sustentam a esperança de tantas vidas. E entre esses nomes, destacamos com orgulho a trajetória da companheira Zeneida Apolônio Seixas, presidente da Casa da Amizade de Niterói e ex-presidente do Rotary Niterói-Norte. 

Zeneida é exemplo vivo da essência da enfermagem e do espírito rotário. Sua vida é marcada pela generosidade em servir, pela liderança que inspira e pela capacidade de transformar ambientes com sua presença serena e firme. Como enfermeira, sempre levou o bem onde havia dor; como líder, sempre ofereceu caminhos de união e solidariedade; como amiga, sempre cultivou laços que fortalecem a comunidade. 

A Casa da Amizade de Niterói, sob sua presidência, tornou-se um espaço de acolhimento e de ação, onde o compromisso com o próximo se traduz em projetos e iniciativas que elevam vidas. Zeneida representa o que há de mais belo na missão de cuidar: a entrega sem reservas, o amor que se multiplica e a fé na humanidade. 

Neste dia, celebramos todas as enfermeiras, mas também celebramos a história de uma mulher que honra sua profissão e sua comunidade. Que o exemplo de Zeneida Apolônio Seixas seja inspiração para que nunca nos esqueçamos da força transformadora do cuidado e da amizade.

Às enfermeiras, nossa eterna gratidão. À rotariana Zeneida, nosso reconhecimento e carinho.


© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



O Dia da Enfermeira, celebrado em 12 de maio, é uma data internacional dedicada a homenagear o trabalho essencial das enfermeiras e enfermeiros em todo o mundo. Essa data foi escolhida em memória do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna, que revolucionou a prática ao introduzir métodos de higiene, organização hospitalar e cuidado humanizado durante a Guerra da Crimeia no século XIX.



35 - O SERMÃO DA MONTANHA: CULTURA, ESPIRITUALIDADE E REFLEXÃO - ENSAIO CULTURAL E ESPIRITUAL © ALBERTO ARAÚJO

O Sermão da Montanha, registrado no Evangelho de Mateus (capítulos 5 a 7), é uma das passagens mais reflexivas da vida de Cristo. Nele, Jesus apresenta um conjunto de ensinamentos que se tornaram pilares da ética cristã e, ao mesmo tempo, transcendem fronteiras religiosas, inspirando filósofos, líderes e movimentos sociais ao longo da história. Mais do que um discurso religioso, trata-se de um manifesto espiritual e cultural que continua a ecoar no coração da humanidade. 

Contexto histórico e cultural 

Jesus viveu em um período de intensas tensões políticas e sociais. A Palestina estava sob domínio romano, e o povo judeu sofria com opressão, desigualdade e expectativas messiânicas. Nesse cenário, o Sermão da Montanha surge como uma resposta radical: em vez de propor revolta armada ou poder político, Cristo oferece uma revolução interior, baseada na humildade, na misericórdia e na justiça espiritual. É um convite para transformar o mundo começando pelo coração humano. 

As Bem-aventuranças

O discurso inicia com as Bem-aventuranças, uma série de declarações paradoxais que exaltam os pobres, os mansos, os que choram, os perseguidos. Culturalmente, isso subverte a lógica da época e ainda hoje desafia a lógica do poder e da riqueza. Jesus redefine o conceito de felicidade, deslocando-o do acúmulo material para a vivência de valores espirituais. Essa inversão cultural é tão poderosa que influenciou desde movimentos de direitos civis até reflexões filosóficas sobre justiça social. 

Ética radical 

Outro ponto central é a ética proposta por Cristo. Ele não apenas reafirma a Lei judaica, mas a aprofunda. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém, vos digo...” essa fórmula mostra que Jesus não destrói a tradição, mas a leva a um nível mais profundo. Não basta evitar o homicídio; é preciso controlar a ira. Não basta evitar o adultério; é preciso purificar o olhar. Essa ética radical exige uma transformação interior que vai além das aparências e das normas externas.

Oração e espiritualidade 

O Sermão também introduz o Pai Nosso, oração que se tornou universal. Mais do que palavras, é um modelo de espiritualidade: simplicidade, confiança e centralidade no Reino de Deus. Culturalmente, essa oração atravessou séculos e idiomas, tornando-se um elo entre diferentes povos e tradições cristãs. É um exemplo de como a mensagem de Cristo se enraizou na cultura global. 

Justiça e misericórdia 

Cristo insiste na necessidade de não julgar, de perdoar, de amar até os inimigos. Essa proposta é culturalmente revolucionária: em sociedades marcadas por vingança e retribuição, Jesus propõe a misericórdia como caminho. Essa ideia influenciou práticas de reconciliação, movimentos pacifistas e até sistemas jurídicos que buscam restaurar em vez de punir. 

Reflexão existencial 

O Sermão da Montanha não é apenas um código ético; é um convite existencial. Ele nos obriga a perguntar: o que significa ser feliz? O que é justiça? Como viver em um mundo marcado por desigualdade e violência sem perder a esperança? Ao propor que o Reino de Deus começa dentro de nós, Cristo desloca o eixo da transformação: não é apenas sobre mudar estruturas externas, mas sobre mudar o coração humano.

Impacto cultural

Ao longo da história, o Sermão inspirou presenças importantes como Gandhi, Martin Luther King Jr. e Madre Teresa. Ele foi interpretado como um manifesto de não-violência, como uma ética de resistência e como um chamado à santidade. Sua influência cultural é tão vasta que se tornou referência não apenas religiosa, mas também filosófica e política.

Conclusão 

O Sermão da Montanha é uma passagem que transcende o tempo. Ele nos lembra que a verdadeira revolução começa no interior, que a felicidade não está no poder ou na riqueza, mas na humildade e na misericórdia. Culturalmente, é um texto que moldou civilizações; espiritualmente, é um convite eterno à transformação. Refletir sobre ele é refletir sobre o próprio sentido da vida.

 

SOBRE A IMAGEM: "Sermão da Montanha" é a obra de Carl Heinrich Bloch, datada de 1877. Esta pintura a óleo, estilo academicismo, retrata Jesus pregando a uma grande multidão e é amplamente reconhecida por seu uso em materiais religiosos. Ela se encontra no Museu de História Nacional, no Castelo de Frederiksborg.

 

REFERÊNCIAS EM ABNT

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução Almeida Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

BONHOEFFER, Dietrich. O Sermão da Montanha. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

STOTT, John. O Cristão Contemporâneo: O Sermão da Montanha. São Paulo: ABU Editora, 2001.

LUZ, Ulrich. Matthew 1–7: A Commentary. Minneapolis: Fortress Press, 2007.

GANDHI, Mahatma. Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade. São Paulo: Palas Athena, 2002.

GRACIANI, Juliana Santos; ROHREGGER, Roberto. A importância do Sermão da Montanha e sua relação com as Metas do Milênio da ONU. Revista UNINTER de Comunicação, Curitiba, v. 2, n. 3, p. 45-60, 2015.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 




MAIS DE CEM ARTISTAS EM CENA PARA BACH

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), junto ao seu Coro Sinfônico, apresenta ao público gaúcho uma das obras mais marcantes da música sacra: A Paixão Segundo São João, de Johann Sebastian Bach. Serão dois concertos gratuitos, dia 15 de maio, às 19h30, na Igreja da Reconciliação, em Porto Alegre, e dia 16 de maio, às 18h, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Novo Hamburgo. A entrada é franca, por ordem de chegada, com sugestão de doação de alimentos, e a primeira apresentação terá transmissão ao vivo pelo canal da OSPA no YouTube. 

Solistas e regência  

O tenor Jabez Lima assume o papel do Evangelista, narrador da obra. Os baixos Ricardo Barpp e Norbert Steidl interpretam Jesus e Pilatos, respectivamente. As vozes femininas ficam a cargo da soprano Maria Carla Pino e da mezzo-soprano Carol Braga. A condução musical é do maestro Diego Schuck Biasibetti, que também tocará viola da gamba em uma das árias mais emocionantes da peça.

A obra  

Composta em 1724, a Paixão de Bach é uma dramatização musical do Evangelho de João. Alternando momentos intensos e reflexivos, a obra envolve o público em uma narrativa que mistura coro, solistas e orquestra. O Coro Sinfônico da OSPA, com cerca de 70 integrantes, dá vida à multidão que participa da história, mas também assume a função de voz meditativa nos corais luteranos. 

Programa 

Johann Sebastian Bach | Paixão Segundo São João, BWV 245



 

34 - ZORBA, O GREGO: FILME GRECO–ESTADUNIDENSE DE 1964, BASEADO NO ROMANCE HOMÔNIMO DE NIKOS KAZANTZAKIS - ENSAIO ACADÊMICO-CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

Zorba, o Grego - filme foi dirigido por Michael Cacoyannis e o personagem-título foi interpretado por Anthony Quinn que não era grego, mas mexicano. O elenco incluiu Alan Bates como um visitante britânico. O tema, "Sirtaki", de Mikis Theodorakis, tornou-se famoso e popular como canção e dança, especialmente em festas. 

O filme foi rodado na ilha grega de Creta. Lugares específicos incluem a cidade de Chania, a região de Apocórona, nomeadamente na península de Drápano, e a península de Acrotíri. A famosa cena onde o personagem interpretado por Quinn dança o Sirtaki foi rodada na praia do vilarejo de Stavros.

Produção baseada no romance homônimo de Nikos Kazantzakis. Mais do que uma adaptação cinematográfica, trata-se de uma obra que se consolidou como referência cultural e filosófica, capaz de traduzir para a tela a complexidade da visão de mundo de Kazantzakis. Ambientado na ilha de Creta, o filme explora o contraste entre Basil, um escritor greco-britânico em crise criativa, e Alexis Zorba, um homem simples, expansivo e apaixonado pela vida. Essa oposição entre racionalidade e instinto, entre cálculo e entrega, constitui o núcleo da obra e reflete dilemas existenciais universais.

Anthony Quinn, ator mexicano que interpretou Zorba, tornou-se mundialmente associado ao personagem, encarnando o arquétipo do “grego vitalista” que vive intensamente cada momento. Alan Bates, como Basil, representa o intelectual introspectivo, dividido entre tradição e modernidade. Irene Pappás, no papel da viúva, simboliza a tragédia e a repressão social, enquanto Líla Kédrova, premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, dá vida à Madame Hortense, figura que mistura decadência e ternura. O elenco, que inclui ainda Sotíris Moustákas e outros nomes, contribui para a densidade dramática e para a multiplicidade de perspectivas que o filme oferece.

A direção de Cacoyannis é marcada por um equilíbrio entre realismo e lirismo. A fotografia em preto e branco, premiada pela Academia, reforça os contrastes visuais e emocionais, transformando a paisagem de Creta em personagem vivo. As cenas filmadas em Chania, Apocórona, Drápano, Acrotíri e especialmente na praia de Stavros, onde ocorre a célebre dança final, conferem autenticidade e força simbólica à narrativa. O espaço físico não é apenas cenário, mas elemento constitutivo da experiência estética e existencial que o filme propõe.

A música de Mikis Theodorakis, especialmente o tema do Sirtaki, tornou-se um ícone cultural. Criada para o filme, a dança não era tradicional, mas acabou incorporada à identidade grega contemporânea. A cena em que Zorba ensina Basil a dançar sintetiza a filosofia da obra: diante do fracasso e da ruína, resta a celebração da vida. Essa mensagem ecoa o pensamento de Kazantzakis, que via na liberdade e na intensidade da experiência humana o verdadeiro sentido da existência. A dança final é, portanto, mais do que um clímax narrativo: é uma metáfora existencial que afirma a possibilidade de rir e dançar diante da adversidade.

O filme aborda temas centrais da condição humana. O existencialismo está presente na busca de sentido em meio ao caos e na tensão entre espírito e carne. A tragédia grega ressurge na violência contra a viúva, lembrando os mitos antigos de punição e destino. O choque de culturas aparece na relação entre Basil, representante da racionalidade ocidental, e Zorba, expressão do instinto mediterrâneo. A liberdade é encarnada na figura de Zorba, que vive sem amarras, guiado pelo prazer e pela coragem. O fracasso, por sua vez, é simbolizado pelo teleférico que desmorona, mas também pela capacidade de resiliência que se manifesta na dança.

A recepção internacional foi marcada por reconhecimento crítico e popular. Zorba, o Grego venceu três Oscars em 1965, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, além de ter sido indicado a Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Recebeu ainda indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA, consolidando-se como obra-prima do cinema mundial. Mais do que os prêmios, o impacto cultural foi profundo: Anthony Quinn passou a ser identificado com o personagem, e o Sirtaki tornou-se símbolo da Grécia moderna, presente em festas e celebrações ao redor do mundo.

Do ponto de vista acadêmico, Zorba, o Grego pode ser analisado como uma obra que articula literatura, filosofia e cinema. A adaptação de Cacoyannis preserva a essência do romance de Kazantzakis, mas também cria uma linguagem própria, visual e musical, que amplia o alcance da mensagem. O filme dialoga com tradições da tragédia grega, com o existencialismo europeu e com a cultura popular mediterrânea, oferecendo uma síntese única. Sua relevância não se limita ao contexto histórico dos anos 1960, mas permanece atual porque aborda questões universais: como enfrentar o fracasso, como conciliar razão e instinto, como viver plenamente diante da inevitabilidade da morte.

Em termos culturais, a obra contribuiu para a projeção internacional da Grécia, reforçando uma imagem de país marcado pela paixão, pela música e pela tragédia. Ao mesmo tempo, influenciou a percepção global da dança e da celebração como formas de resistência existencial. A filosofia da dança final, que afirma a vida diante da ruína, tornou-se metáfora poderosa e inspiradora, capaz de transcender fronteiras e épocas.

Em conclusão, Zorba, o Grego é um filme que permanece como referência cultural e acadêmica porque une diferentes dimensões da experiência humana. Ele mostra que, mesmo diante da tragédia e do fracasso, é possível escolher a dança como resposta. Essa mensagem, ao mesmo tempo simples e profunda, explica por que a obra continua a tocar espectadores de diferentes culturas e gerações. Ao transformar literatura em cinema e filosofia em estética, Cacoyannis e Kazantzakis criaram um mosaico inesquecível que sintetiza a condição humana em sua plenitude.

Zorba the Greek quase foi nomeado para o Oscar de melhor ator coadjuvante para o ator Sotiris Moustakas, mas acabou sendo rejeitado devido à sua participação curta demais. Na Grécia, o ator é felicitado pelo seu desempenho como o bobo da cidade. O filme foi distribuído pela 20th Century Fox.

ELENCO

Anthony Quinn .... Alexis Zorba

Alan Bates .... Basil

Irene Pappás .... a viúva

Líla Kédrova .... Madame Hortense

Sotíris Moustákas .... Mimithos

Ánna Kyriákou .... Soul

Eléni Anousáki .... Lola

Yórgo Voyágis .... Pavlo

Tákis Emmanuel .... Manolakas

George Foundas .... Mavrandoni

 

REFERÊNCIAS

 

CACOYANNIS, Michael. Zorba, o Grego. 20th Century Fox, 1964. Filme.

KAZANTZAKIS, Nikos. Zorba, o Grego. Atenas: Difícil, 1946.

THEODORAKIS, Mikis. Sirtaki. Trilha sonora de Zorba, o Grego. Atenas: EMI, 1964.

PAPPÁS, Irene. Entrevista sobre Zorba, o Grego. Revista Cine Ellada, Atenas, 1970.

QUINN, Anthony. One Man Tango. Nova Iorque: HarperCollins, 1995.

 



















 

PRIMEIRO CENTRO CULTURAL TURCO DO BRASIL É INAUGURADO EM SÃO PAULO

São Paulo, cidade que respira diversidade e acolhe tradições de todos os cantos do mundo, acaba de ganhar um novo espaço dedicado à cultura internacional: o Centro Cultural Turco, inaugurado pelo Instituto Yunus Emre. Localizado no Jardim Europa, o centro é o primeiro do Brasil e o terceiro da América do Sul, somando-se a uma rede mundial de 95 unidades presentes em 71 países. 

O objetivo é claro, aproximar Brasil e Turquia por meio da arte, da língua e das tradições, criando pontes culturais que ultrapassam fronteiras geográficas e políticas.

O Instituto Yunus Emre, fundado em 2007, leva o nome de um dos maiores poetas e filósofos da Turquia, símbolo de espiritualidade e humanismo. Sua missão é difundir a língua turca, promover o patrimônio artístico e incentivar o intercâmbio cultural. 

Com presença em diversos continentes, o instituto já se consolidou como referência em diplomacia cultural, oferecendo cursos, oficinas e eventos que revelam a riqueza da cultura turca ao mundo. 

O espaço em São Paulo foi pensado para ser um ponto de encontro entre culturas. Entre as atividades previstas estão: 

Cursos de língua turca, para quem deseja aprender o idioma e se aproximar da literatura e da música do país. 

Oficinas artísticas, explorando técnicas tradicionais como caligrafia, cerâmica e artesanato. 

Exposições culturais, trazendo obras de artistas contemporâneos e clássicos. 

Sessões de cinema, apresentando produções premiadas e séries que conquistaram o público brasileiro. 

Eventos gastronômicos, com degustações de pratos típicos como kebab, baklava e café turco. 

Essas iniciativas reforçam a ideia de que a cultura é uma linguagem universal, capaz de unir povos e criar novas formas de convivência.

A escolha de São Paulo não foi por acaso. Cerca de 80% dos turcos residentes no Brasil vivem na cidade, que é reconhecida como o maior polo cultural e econômico do país.

Além disso, Brasil e Turquia mantêm uma relação estratégica: o comércio entre os dois países já movimenta US$ 5 bilhões, com a meta de chegar a US$ 10 bilhões nos próximos anos. O turismo também é um elo importante, em 2023, 120 mil brasileiros viajaram para a Turquia, impulsionados pelos 13 voos semanais da Turkish Airlines entre Istambul e São Paulo. 

Essa conexão vai além da economia: futebol, novelas e séries criaram uma identificação cultural que aproxima ainda mais os dois povos.

A Turquia é um país que une Oriente e Ocidente, carregando séculos de história e diversidade. Sua cultura é marcada por:

Música tradicional, com instrumentos como o saz e o ney.

Dança folclórica, que expressa a identidade das diferentes regiões.

Literatura clássica, com nomes como Orhan Pamuk, Nobel de Literatura.

Culinária rica, que mistura sabores mediterrâneos, árabes e balcânicos. 

Arquitetura histórica, representada por mesquitas, palácios e bazares que encantam visitantes.

Trazer essa diversidade para São Paulo é abrir uma janela para o mundo, permitindo que brasileiros conheçam e vivenciem tradições milenares. 

O Centro Cultural Turco de São Paulo é mais do que um espaço físico: é um símbolo de amizade e cooperação entre Brasil e Turquia. Ao promover cursos, oficinas, exposições e eventos, ele reforça a ideia de que a cultura é uma ponte capaz de unir povos e enriquecer sociedades. 

Em tempos de globalização, iniciativas como essa mostram que o verdadeiro diálogo entre nações acontece através da arte, da língua e da convivência. São Paulo, mais uma vez, se consolida como capital da diversidade, acolhendo o mundo em suas ruas e agora também em seu calendário cultural. 


O Instituto Yunus Emre inaugurou em 07 de maio de 2026 o primeiro Centro Cultural Turco oficial no Brasil, localizado no Jardim Europa, São Paulo. O espaço promove a língua, arte e cultura turcas. Outra instituição atuante é o Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT).

Yunus Emre Türk Kültür Merkezi: Inaugurado com apoio do consulado, foca em intercâmbio cultural, cursos de língua, cinema e tradições, localizado no Jardim Europa. 

Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT): Oferece cursos de culinária turca, turco, e organiza feiras culturais e gastronômicas na cidade.

Experiências Gastronômicas: Locais como a Casa Turca e o Restaurante Capadócia oferecem culinária tradicional, incluindo café turco, baklava e pratos típicos no Campo Belo.

 







© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

PRESENÇA CONFIRMADA - MATILDE CARONE SLAIBI CONTI, VICE-PRESIDENTE DA OAB NITERÓI, ESTARÁ CONOSCO NO AB2L LAWTECH EXPERIENCE 2026

A Matilde Carone Slaibi Conti, vice-presidente da OAB Niterói, estará conosco no AB2L Lawtech Experience 2026, o maior encontro de inovação jurídica da América Latina!

Dias 13 e 14 de maio  de 2026.

Píer Mauá – Rio de Janeiro 

O AB2L Lawtech Experience 2026 vai muito além de um congresso, é uma imersão nas transformações que a tecnologia e a inovação estão promovendo no direito e na justiça. Reunimos nomes de peso do setor público e privado, cases inspiradores e talentos que estão moldando o futuro da advocacia e da resolução de conflitos. 

Ao participar, você terá acesso a conteúdos de alto impacto, conexões com profissionais de destaque e experiências que vão transformar sua visão sobre o ecossistema jurídico. Essa é a chance de dar o próximo passo na sua carreira, não fique de fora! 

Perguntas Frequentes 

1 - Quando e onde acontecerá o evento? 

Dias 13 e 14 de maio de 2026, no Rio de Janeiro. Credenciamento a partir das 07h30 e encerramento previsto para 20h30 (horários sujeitos a alteração). 

2 - Terá programação online? 

Este ano, a experiência será totalmente presencial. As palestras ficarão disponíveis no AB2L Play, plataforma exclusiva para associados AB2L.

3 - Como faço para me associar à AB2L? 

Acesse: www.ab2l.org.br/associe-se 

4 - O que está incluso no ingresso? 

Acesso a todas as áreas e atividades, participação nas palestras e Happy Hour de encerramento.

5 - O evento terá certificado? 

Sim! Enviado por e-mail até 20 dias úteis após o evento. 

6 - É possível emitir nota fiscal? 

A AB2L é isenta de emissão de nota fiscal, mas fornece recibo mediante solicitação pelo e-mail:

assistente@ab2l.org.br  

7 - Posso emitir o recibo em nome da minha empresa? 

Sim, basta preencher o campo “Dados do Tomador” ao finalizar sua inscrição.

8 - Preciso imprimir meu ingresso? 

Não. Basta apresentar o QR Code no celular ou informar seu nome completo no credenciamento. 

9 - Cancelamentos ou transferências 

Aceitos em até 7 dias corridos após a compra e com pelo menos 48h de antecedência do evento. 

Ainda com dúvidas? 

Fale com a equipe: ab2l.lex2025@ab2l.org.br

Assunto do e-mail: “Dúvidas sobre o evento - AB2L LEX 2026”