terça-feira, 12 de maio de 2026

PRESENÇA CONFIRMADA! A MATILDE SLAIBI, VICE-PRESIDENTE DA OAB NITERÓI, ESTARÁ CONOSCO NO AB2L LAWTECH EXPERIENCE 2026

A Matilde Slaibi, vice-presidente da OAB Niterói, estará conosco no AB2L Lawtech Experience 2026, o maior encontro de inovação jurídica da América Latina!

Dias 13 e 14 de maio  de 2026.

Píer Mauá – Rio de Janeiro 

O AB2L Lawtech Experience 2026 vai muito além de um congresso, é uma imersão nas transformações que a tecnologia e a inovação estão promovendo no direito e na justiça. Reunimos nomes de peso do setor público e privado, cases inspiradores e talentos que estão moldando o futuro da advocacia e da resolução de conflitos. 

Ao participar, você terá acesso a conteúdos de alto impacto, conexões com profissionais de destaque e experiências que vão transformar sua visão sobre o ecossistema jurídico. Essa é a chance de dar o próximo passo na sua carreira, não fique de fora! 

Perguntas Frequentes 

1 - Quando e onde acontecerá o evento? 

Dias 13 e 14 de maio de 2026, no Rio de Janeiro. Credenciamento a partir das 07h30 e encerramento previsto para 20h30 (horários sujeitos a alteração). 

2 - Terá programação online? 

Este ano, a experiência será totalmente presencial. As palestras ficarão disponíveis no AB2L Play, plataforma exclusiva para associados AB2L.

3 - Como faço para me associar à AB2L? 

Acesse: www.ab2l.org.br/associe-se 

4 - O que está incluso no ingresso? 

Acesso a todas as áreas e atividades, participação nas palestras e Happy Hour de encerramento.

5 - O evento terá certificado? 

Sim! Enviado por e-mail até 20 dias úteis após o evento. 

6 - É possível emitir nota fiscal? 

A AB2L é isenta de emissão de nota fiscal, mas fornece recibo mediante solicitação pelo e-mail:

assistente@ab2l.org.br  

7 - Posso emitir o recibo em nome da minha empresa? 

Sim, basta preencher o campo “Dados do Tomador” ao finalizar sua inscrição.

8 - Preciso imprimir meu ingresso? 

Não. Basta apresentar o QR Code no celular ou informar seu nome completo no credenciamento. 

9 - Cancelamentos ou transferências 

Aceitos em até 7 dias corridos após a compra e com pelo menos 48h de antecedência do evento. 

Ainda com dúvidas? 

Fale com a equipe: ab2l.lex2025@ab2l.org.br

Assunto do e-mail: “Dúvidas sobre o evento - AB2L LEX 2026”




 

SEMANA DO DIREITO 2026: CONSTRUINDO O FUTURO DA CARREIRA JURÍDICA

A Universidade Universo Niterói tem a honra de convidar alunos, profissionais e entusiastas da área jurídica para um dos eventos mais aguardados do ano: a Semana do Direito 2026. Em um cenário de constantes transformações sociais e tecnológicas, discutir os rumos da nossa profissão é mais do que uma escolha, é uma necessidade para quem busca destaque e excelência no mercado. 

No dia 12 de maio, o campus Itaipu será o palco de um debate essencial sobre o mercado de trabalho contemporâneo. 

Detalhes do Evento

Data: 12/05/2026

Local: Unidade Itaipu

Horário: 19h30min

Tema Central: Empregabilidade no Direito: Horizontes e Oportunidades na Carreira Jurídica. 

PALESTRANTES CONFIRMADOS

Para enriquecer nossa noite, contaremos com a presença de referências da OAB Niterói, trazendo uma visão prática e estratégica sobre o setor:

1 01 - Dr. Pedro Gomes de Oliveira (Abertura) Presidente da OAB Niterói. Com uma trajetória sólida, o Dr. Pedro é graduado pela Universidade Salgado de Oliveira e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho. É o fundador da Confraria dos Advogados e atua como Diretor da Associação Brasileira dos Advogados, sendo uma voz ativa na defesa da classe.

2. Dra. Matilde Slaibi Conti Vice-Presidente da OAB Niterói. Uma acadêmica e profissional de renome, Dra. Matilde possui Pós-Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais. Além de sua atuação na OAB, preside a Federação Elos Internacional da Comunidade Lusíada, o Cenáculo Fluminense de História e Letras e a Academia Brasileira Rotária de Letras do Estado do Rio de Janeiro. 

3. Dr. Junior Rodrigues Advogado e peça fundamental na estrutura da OAB Niterói, onde atua como Diretor da ESA (Escola Superior de Advocacia), Tesoureiro e Diretor de Eventos. Sua experiência na gestão da Ordem traz insights valiosos sobre a educação continuada e o associativismo.

Por que participar? 

O Direito não se limita mais apenas aos tribunais. A palestra focará nas novas frentes de trabalho, nas competências mais valorizadas pelos grandes escritórios e na importância do networking institucional. É a sua chance de ouvir quem está na linha de frente das decisões que moldam a advocacia em Niterói e região.

Diferencial: O evento garante 5 horas de atividades complementares para os estudantes! 

Realização: Universidade Universo Niterói e Itaipu. Para mais informações, acesse universo.edu.br 

Prepare-se para o mercado. O seu futuro jurídico começa aqui!




 

CHÁ DAS 5 COM 5: ENCONTRO LITERÁRIO CELEBRA O LEGADO DAS "MULHERES EXTRAORDINÁRIAS" COM ANA MARIA TOURINHO

A Rede Sem Fronteiras promove, nesta terça-feira, dia 12 de maio, mais uma edição especial do projeto "Chá das 5 com 5". Sob a apresentação de Ana Maria Tourinho, Vice-Presidente Cultural Mundial da RSF, o encontro será dedicado ao grupo de estudo literário da coletânea: Mulheres Extraordinárias - Volume 4. 

O evento contará com a participação de quatro coautoras da obra, que debaterão o resgate histórico e o legado da escrita feminina:

Carla De Sà Morais

Brenda Mar(que)s Pena

Girlane Florindo

Elinalva Oliveira 

O Chá das 5h com 5 – Grupo de Estudos Literários é um espaço de encontro criado para celebrar a força, a memória e o legado das mulheres que marcaram a história. O projeto nasce como uma extensão cultural da coletânea internacional Mulheres Extraordinárias – O resgate histórico do legado, pela palavra escrita, reunindo escritoras lusófonas de diferentes países em torno da literatura e do protagonismo feminino. 

Ao longo dos encontros, as coautoras compartilham as trajetórias das homenageadas em seus capítulos, promovendo diálogos enriquecedores sobre ancestralidade, memória, resistência e o papel da mulher na construção do mundo contemporâneo. Mais do que um grupo de estudos, este projeto transforma a palavra escrita em ponte entre gerações e experiências, fortalecendo a valorização da língua portuguesa. 

SOBRE A OBRA

O Volume 4 de Mulheres Extraordinárias reúne 104 coautoras de diversas nacionalidades. Com lançamento oficial durante a 95.ª Feira do Livro de Lisboa, a obra integra um importante movimento internacional de preservação da memória histórica feminina desenvolvido pela Rede Sem Fronteiras.

SERVIÇO 

Data: 12 de maio de 2026 (terça-feira)

Onde: Transmissão ao vivo pelo YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=A9WfmKA-6sU

@redesemfronteiras: https://www.instagram.com/redesemfronteiras/

 

Horário: 17h (Horário de Brasília)

Nota: Consulte o cartaz para horários em Portugal, Cabo Verde, Angola e outros países.

Acessibilidade: Evento com tradução em Libras.



33 - A INSURGÊNCIA DA BONDADE O BEM COMO RESISTÊNCIA À INSOLÊNCIA CONTEMPORÂNEA - ENSAIO REFLEXIVO-FILOSÓFICO © ALBERTO ARAÚJO

 

Vivemos em uma era de saturação visual e moral. Entre o brilho das telas e o ruído das opiniões efêmeras, a essência do "fazer o bem" muitas vezes acaba confinada ao sentimentalismo ou ao espaço sagrado dos templos.

No entanto, ao olharmos para as recentes movimentações do pensamento humanista e para as exortações que ecoam da tradição cristã, de Gálatas 6,9 às mensagens pontifícias de 2026, percebemos que a bondade não é um estado passivo. Pelo contrário: ela se revela como um ato de insurgência contra a insolência que marca a modernidade. 

A frase "Nunca se canse de fazer o bem" não é apenas um slogan de conforto ou uma pílula de otimismo para dias difíceis. Sua raiz em Gálatas é, fundamentalmente, um chamado contra a lassidão existencial. No grego original, a expressão sugere um "não desfalecer", um não se deixar abater pelo peso de um mundo que tantas vezes premia o egoísmo e a velocidade em detrimento da profundidade e da empatia. 

O Magistério da Igreja, refletido nas mensagens do Papa Francisco e agora consolidado sob o olhar atento de Leão XIV, recontextualizou essa máxima para o nosso tempo. Não se trata apenas de caridade assistencialista, mas de protagonismo ético. Em uma sociedade onde a insolência gera engajamento e a tragédia é consumida como espetáculo, sustentar a narrativa do bem é um ato de resistência. O bem é a única força capaz de desarmar a arrogância contemporânea. 

O ponto de ruptura que precisamos enfrentar é a falácia da neutralidade. Não basta "não fazer o mal". A ética exige uma postura ativa e, por vezes, confrontadora: 

"Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, devemos orar pelos inimigos." (Mateus 5,44) 

Essa afirmação desloca o indivíduo da posição de espectador para a de arquiteto social. As grandes crises de solidariedade não nascem de vilões caricatos, mas da indiferença confortável. O bem-estar, quando anestesia, transforma a dor do outro em ruído de fundo. A insolência moderna reside exatamente nessa indiferença dourada. 

Outro desafio é nossa incapacidade crônica de lidar com o tempo. Vivemos sob o despotismo do imediato, desejando que o bem produza frutos na mesma velocidade de uma notificação digital. A exortação cristã, porém, resgata a metáfora agrícola: a recompensa virá "a seu tempo". Fazer o bem aos marginalizados e invisíveis é um exercício de perseverança que não oferece retorno imediato de imagem ou lucro. É um trabalho silencioso, muitas vezes solitário, mas essencial.

Para que o texto da fé se torne texto da vida, é necessária uma conversão do olhar que dialogue com a realidade das ruas. A prática do bem não é um escudo contra as tempestades; é a força que nos impede de naufragar nelas. 

Hoje, insistir no bem é uma ferramenta de sanidade social. Recusar-se ao cansaço moral e à insolência que degrada as relações humanas é interromper o ciclo de ódio que domina o debate público. Fazer o bem se torna, então, o método mais eficaz de manter a lucidez em um mundo em transe. 

Ao final, "nunca se cansar de fazer o bem" é um convite à rebeldia. Em um cenário que nos convida a desistir do próximo ao primeiro sinal de ingratidão, continuar estendendo a mão é o ato mais vanguardista que se pode realizar. 

Fazer o bem sem olhar a quem é a síntese dessa insurgência. Como nos recorda Lucas 6,35: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar nada em troca.” O bem não escolhe destinatário; ele se oferece como graça, mesmo quando não há reciprocidade. É nesse gesto desarmado que reside a verdadeira força da resistência. 

A bondade é um músculo que se fortalece na repetição. Não é um evento isolado; é um hábito de resistência. Que o cansaço, quando vier e ele virá  nos encontre em movimento, porque a inércia é o único pecado que a história e a alma dificilmente perdoam. Em tempos de insolência, ser bom não é apenas uma escolha religiosa; é a nossa última e mais poderosa forma de insurgência. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural











segunda-feira, 11 de maio de 2026

O ALICERCE DA SOLIDARIEDADE: PAUL HARRIS FUNDADOR DO ROTARY INTERNATIONAL EM COMELY BANK

 

Esta é uma imagem poderosa extraída do Facebook na página do rotariano Juan Contreras Caceres evoca as raízes de um movimento global. O local exato onde Paul Harris e sua esposa Jean Thomson Harris estão posados é em frente à sua residência histórica, conhecida como Comely Bank, localizada em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. 

A fotografia que atravessa décadas nos coloca diante de um cenário de aparente simplicidade, mas de uma profundidade institucional incomensurável. Nela, vemos Paul P. Harris, o advogado que transformou a face do voluntariado mundial, ao lado de sua esposa, Jean Thomson Harris. O cenário não poderia ser mais emblemático: os degraus de Comely Bank, a casa que serviu de refúgio e berço para muitas das ideias que consolidaram o Rotary International. 

Localizada no bairro de Morgan Park, em Chicago, esta residência não era apenas um lar; era o epicentro de uma revolução silenciosa baseada no companheirismo e no servir. Ao observarmos o casal em frente à fachada de pedra e madeira, somos transportados para o início do século XX, um período de rápidas mudanças sociais onde a necessidade de conexão humana e ética profissional se tornava urgente. 

Paul Harris fundou o Rotary em 1905 com um objetivo claro: resgatar o espírito de amizade e cooperação que sentia falta nas grandes metrópoles. Jean, por sua vez, foi a companheira inseparável que compreendeu a magnitude dessa missão, apoiando a expansão de um ideal que hoje une mais de 1,4 milhão de vizinhos, amigos e líderes comunitários em todo o planeta.

A importância de Comely Bank é tamanha que, hoje, ela é preservada como um marco histórico. É um símbolo de que os grandes projetos não nascem apenas em auditórios ou escritórios luxuosos, mas sim no calor do lar e na firmeza de valores compartilhados. A postura serena do casal na imagem reflete a estabilidade de uma fundação que resistiu a guerras, crises econômicas e transformações tecnológicas, mantendo-se fiel ao lema "Dar de si antes de pensar em si". 

Para os rotarianos e entusiastas da história humanitária, olhar para esta foto é recordar que cada projeto de erradicação de doenças, cada bolsa de estudo concedida e cada poço de água perfurado em comunidades distantes tem um ponto de partida: a visão de um homem que acreditou na força da união. 

Este registro em frente à sua casa em Chicago é, em última análise, um convite à reflexão sobre as nossas próprias raízes. Ele nos ensina que o impacto global começa com a hospitalidade, o respeito mútuo e a coragem de abrir as portas, de nossas casas e de nossos corações, para o bem comum. 

© Alberto Araújo

Foto original extraída do Facebook 
de Juan Contreras Caceres.










LE PETIT PARIS – UM MARCO NA NOITE NITEROIENSE, QUADRO MEMÓRIA CULTURAL DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Poucos espaços da cidade de Niterói conseguiram reunir tanta história, música e boemia quanto o Le Petit Paris, restaurante e bar que se tornou símbolo da vida cultural da Praia de Icaraí entre as décadas de 1950 e 1960. Mais do que um ponto gastronômico, foi um verdadeiro berço da Música Popular Brasileira, responsável por lançar artistas que mais tarde se tornariam ícones internacionais. 

Na virada da década de 1950, Niterói vivia um momento de transição. A cidade, ainda marcada por traços provincianos, começava a se modernizar com novos edifícios, cinemas e clubes sociais. A Praia de Icaraí, com suas casas de veraneio e ruas arborizadas, era o coração da vida urbana. A juventude buscava espaços de lazer, mas as opções eram limitadas: alguns bares tradicionais, o Cinema Icaraí, o Clube Central e festas particulares. Foi nesse contexto que surgiu o Le Petit Paris, trazendo um sopro cosmopolita à cidade. 

O Brasil vivia a efervescência cultural da bossa nova, do jazz e da música popular em transformação. No Rio de Janeiro, o Beco das Garrafas fervilhava com novos sons. Em Niterói, o Petit Paris se tornava o equivalente local: um espaço onde a música, a boemia e a gastronomia se encontravam. A travessia de barca entre Rio e Niterói era rotina para artistas e intelectuais que buscavam o ambiente descontraído da casa. 

Fundado em 1957 pelo casal francês Brigitte e Raymond, junto de Paul e Rubens Ferrah, o restaurante ocupava uma residência de três quartos e varanda ampla, no número 139 da Praia de Icaraí. Reformada, a casa ganhou mesas, piano e cozinha refinada. O cardápio inicial era fiel à tradição francesa: Les crevettes à St. Tropez, Le coq au vin, Le poulet farci, Le poisson à la Saulieu. As sobremesas de Brigitte, especialmente a mousse au chocolat, tornaram-se lendárias. Com o tempo, pratos brasileiros foram incorporados, criando uma fusão de culturas que refletia o espírito do lugar. 

O restaurante rapidamente se transformou em ponto de encontro de músicos. Sérgio Mendes, ainda adolescente, iniciou sua carreira ali, acompanhado de Tião Neto. O cachê era simbólico: duas doses de cuba libre e batatas fritas. Mas o valor real estava na experiência e nas conexões. Outros nomes se juntaram: Danilo Caymmi, Naná Vasconcelos, Chico Batera, o violonista Silveira e o grupo MPB4. O Petit Paris era um laboratório musical, onde improvisos se tornavam ensaios e ensaios viravam espetáculos. 

Mais do que música, o Petit Paris oferecia convivência. Jovens atravessavam a Baía para participar das tardes e noites animadas. Danilo Caymmi recorda que, além de tocar, arranjava namoradas nas rodas musicais. Naná Vasconcelos improvisava sons até o amanhecer. Intelectuais, estrangeiros do Rio Sailing Club e o “society” niteroiense se misturavam em um ambiente democrático. O arquiteto Alexandre Bender descreve o bar como espaço onde se podia encontrar desde músicos de jazz até adolescentes iniciantes. 

Tião Neto lembra com carinho da amizade com Raymond e Brigitte, que preparavam pessoalmente os pratos. Em 1980, reencontrou o casal em Paris e reviveu a amizade com um gesto simbólico: um prato de mousse de chocolate deixado ao lado da cama, acompanhado de um cartão. O garçom Antônio Vicente Rodrigues, apelidado de “Titio” por Sérgio Mendes, recorda com emoção os dias em que servia Coca-Cola com limão ao músico. Para muitos, o Petit era mais que um bar: era uma terapia, um espaço de liberdade. 

Adolescentes também se aventuravam. A professora Camila Morato, ainda jovem, escapava de casa para frequentar o bar, mesmo contra a vontade do pai. O engenheiro Hélio de Castro Júnior observava os outros se divertirem, sem poder consumir muito por falta de dinheiro. O dentista Cláudio Costa Carvalho definia o Petit como “nossa terapia”. 

Com o tempo, o Petit Paris encerrou suas atividades. O simpático Rubens Ferrah permaneceu fiel ao empreendimento até o fim, tornando-se sócio de Roberto Lacerda Precht. O espaço físico desapareceu, substituído pelo edifício Modigliani. Mas a memória permanece viva. Em 1989, o Jornal do Brasil chamou o lugar de “lenda boêmia de Niterói”, destacando sua importância como reduto cultural. 

Nos anos 50 e 60, Niterói era uma cidade em transformação. A Praia de Icaraí, com suas casas elegantes e ruas tranquilas, começava a se tornar centro da vida urbana. O Brasil vivia a efervescência da bossa nova e do jazz, e o Petit Paris trouxe para Niterói esse espírito cosmopolita. A travessia de barca entre Rio e Niterói era rotina para músicos e intelectuais que buscavam o ambiente descontraído da casa.

O restaurante não apenas oferecia gastronomia francesa e brasileira, mas também se tornava espaço de liberdade, convivência e experimentação artística. Foi palco de encontros que moldaram a história da MPB e da cultura niteroiense.

O Le Petit Paris foi mais que um restaurante: foi um ponto de encontro, um laboratório musical e um espaço de liberdade. Sua memória continua viva nos depoimentos de músicos, frequentadores e moradores da cidade. É lembrado como símbolo da boemia niteroiense e como berço de talentos que levaram a música brasileira ao mundo. 

Hoje, o Petit Paris é lembrado como símbolo da boemia niteroiense. Foi mais que um restaurante: foi um ponto de encontro, um laboratório musical e um espaço de liberdade. Um marco na história da cidade e da MPB, que ajudou a escrever capítulos fundamentais da cultura brasileira. 

O restaurante e bar ocupava originalmente uma casa de três quartos com varanda, transformada em espaço boêmio e gastronômico em 1957.

Após o fechamento do Petit Paris, essa casa foi demolida e deu lugar ao edifício residencial de luxo, o Modigliani.

Muitos moradores atuais desconhecem que o prédio guarda, em sua origem, uma história ligada à MPB e à boemia cultural de Niterói


A DEMOLIÇÃO DO PETIT PARIS 

O que intriga até hoje é a ausência de registros fotográficos do famoso bar e restaurante Le Petit Paris, ponto de encontro de jornalistas, escritores, políticos e músicos que se tornariam célebres. Enquanto a iconografia permanece perdida, resta-nos a memória escrita. Uma matéria publicada em outubro de 1973 no Jornal do Brasil relatava a demolição do prédio nº 139 da Praia de Icaraí, encerrando definitivamente um ciclo da boemia niteroiense.

O texto descrevia a cena: um servente chamado Alcebíades da Silva, recém-chegado do interior, atuava como vigia dos escombros, sendo a última imagem da vida que ali pulsava. O imóvel havia sido adquirido por um grupo imobiliário, símbolo do “progresso” que avançava sobre a Zona Sul de Niterói. O assíduo frequentador José Augusto Tanus, o “Canela”, guardava como lembrança um piano de Sérgio Mendes, um violão de Ciro Monteiro e a saudade das noites embaladas pelo falsete de Agostinho dos Santos. 

A reportagem lembrava que o Petit Paris, inaugurado em 1957 por Rubens Ferrah e o francês Raimond, foi mais que restaurante: funcionou como bar, boate e palco de pocket-shows. Ali se reuniam estudantes, professores, políticos e jogadores de futebol como Zizinho, que após a conquista do Mundial de 1958 passaram a frequentar o espaço. Foi também o berço de revelações: Sérgio Mendes, ainda apelidado de “Serginho Bló-Bló”, interrompia conversas com improvisos ao piano; o grupo MPB4 nasceu de encontros no Petit; e Milton Nascimento foi apresentado por Agostinho dos Santos em uma noite memorável, antes de estourar no Festival da Canção com “Travessia”.

Nos anos finais, o bar viveu fases difíceis, mas nomes como Ciro Monteiro, Agostinho dos Santos, Chico Buarque e Helena de Lima mantiveram viva sua chama. Até que, em dezembro de 1972, o Petit fechou as portas. Poucos meses depois, a demolição apagava fisicamente o espaço, mas não sua memória. No lugar, ergueu-se o Edifício Modigliani, símbolo da modernização de Icaraí, mas também da perda de um patrimônio cultural imaterial.

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Leia sobre o Petit Paris, mas também veja o ambiente urbano, os artistas e os espaços que deram vida àquele período.
















FONTES E REFERÊNCIAS

  • Jornal do Brasil – 25 de fevereiro de 1989 Matéria assinada por Ney Reis: “A lenda boêmia de Niterói”, que resgata memórias do bar e restaurante Petit Paris e depoimentos de músicos e frequentadores.

  • Depoimentos de músicos Relatos de Sérgio Mendes, Tião Neto, Danilo Caymmi, Naná Vasconcelos e integrantes do MPB4 sobre suas experiências no Petit Paris.

  • História da Praia de Icaraí Contexto urbano e social da região nos anos 1950 e 1960, destacando a Praça Getúlio Vargas e o Cinema Icaraí como pontos de encontro. 

  • Memória gastronômica Cardápio original do restaurante, com pratos franceses preparados por Madame Brigitte, e a fusão posterior com a culinária brasileira.

  • Patrimônio cultural de Niterói Estudos e registros sobre espaços que marcaram a vida boêmia e musical da cidade, incluindo o Petit Paris.


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Rivo Giannini disse: Parabéns Alberto, pela excelente matéria sobre o saudoso Le Petit Paris. Tive oportunidade de frequenta-lo entre 1966/67. Realmente   Deixou muita saudade. Um forte abraço. Rivo.




32 - O EU DESCENTRALIZADO: UMA ANATOMIA PSICANALÍTICA DE HAMLET EM ELSINORE - O TEATRO COMO LABORATÓRIO DA PSIQUE - ENSAIO ACADÊMICO-CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

A literatura universal não é apenas um repositório de histórias, mas o mapeamento genético da subjetividade. Quando William Shakespeare concebeu Hamlet no alvorecer do século XVII, ele não estava apenas escrevendo uma tragédia de vingança; ele estava antecipando o maior golpe narcísico da humanidade, que Sigmund Freud formalizaria séculos depois: a descoberta de que o homem não é o centro de si mesmo. O "ser ou não ser" shakespeariano é, em última análise, o grito de um sujeito que descobre que sua "casa" mental, o seu "Eu", é habitada por estranhos, fantasmas e desejos inomináveis. 

I. O Golpe Narcísico: "O Eu não é senhor em sua própria casa" 

A célebre frase de Freud ressoa nas ameias do castelo de Elsinore. Para a psicanálise, o sujeito é dividido. A ideia de uma consciência plena, capaz de governar todas as ações, é uma ilusão que remonta ao racionalismo. Ao analisarmos Hamlet, percebemos que ele encarna a transição dolorosa entre o homem medieval (guiado pelo destino e pela honra externa) e o homem moderno (assombrado pela dúvida interna). 

Diferente da tese de John Locke, que sugere a tabula rasa, a mente como uma folha em branco preenchida pela experiência, a psicanálise sugere que o papel já vem marcado por "tintas invisíveis": o inconsciente. Hamlet não consegue agir não por falta de evidências, mas porque o crime de seu tio Cláudio é um espelho de seus próprios desejos reprimidos. O Complexo de Édipo encontra em Hamlet sua versão mais refinada: o príncipe hesita em matar o tio porque, no fundo, o tio realizou o desejo que o próprio Hamlet mantinha oculto no inconsciente: eliminar o pai e possuir a mãe. 

II. A Trindade de Elsinore: ID, Ego e Superego em Cena

Podemos interpretar a dinâmica da peça como o colapso das instâncias psíquicas: 

O Fantasma (Superego Primitivo): No teatro da mente humana, o Fantasma do Rei Hamlet é a personificação clínica do Superego. Ele impõe uma demanda paralisante: "Vinga meu assassinato, mas não corrompas tua mente nem tentes nada contra tua mãe". É a armadilha do Superego: exige uma ação ao mesmo tempo que impõe uma restrição moral severa. O Fantasma representa o Pai Simbólico que, mesmo morto, continua a governar o psiquismo do filho. 

Hamlet (O Ego Sitiado): O príncipe tenta equilibrar a realidade brutal, as exigências do fantasma e seus impulsos destrutivos. Seu adiamento (procrastinação) é a defesa de um ego que se descobre paralisado. Ele vive a luta de um indivíduo tentando nascer enquanto um espectro autoritário o mantém preso ao passado e à melancolia.

Cláudio (O ID Desenfreado): O usurpador representa o impulso puramente egoico de poder e satisfação imediata. Contudo, nem mesmo ele escapa da "casa que não tem dono": na cena em que tenta rezar, Cláudio descobre que sua vontade quer o perdão, mas seu desejo não quer abrir mão da coroa. 

III. Ofélia e a Fragmentação do Ego: O Espelho Estilhaçado

Se Hamlet sofre por ter um "Eu" dividido, Ofélia sofre por não possuir um "Eu" que lhe pertença. Ela é definida por três figuras masculinas: o pai (Polônio), o irmão (Laertes) e o amante (Hamlet). Para a psicanálise, Ofélia é mantida em um estado de "folha em branco" que só pode ser escrita pelos outros. 

Sua loucura é uma manifestação do inconsciente rompendo a superfície. Ao perder a razão, ela finalmente fala através de metáforas. O seu afogamento representa o retorno ao Narcisismo Primário, um estado onde não há separação entre o sujeito e o mundo. Incapaz de lutar em uma sociedade disposta a engolir os fracos, Ofélia entrega-se à inércia. É o grau zero da subjetividade. 

IV. A Tensão entre a Vontade e o Meio: Gertrude e a Contemporaneidade 

A Rainha Gertrude pode ser analisada sob a ótica da carência afetiva. Se Hamlet é a moralidade paralisada, Gertrude é a tentativa de ignorar a dor através do princípio do prazer imediato. Ao casar-se rapidamente, ela foge do luto, representando o Ego que busca segurança a qualquer custo.

Essa dinâmica nos traz à angústia contemporânea. Ao chegarmos à fase adulta, somos bombardeados por inseguranças. Hamlet é o primeiro herói literário a sofrer de ansiedade existencial moderna. Ele percebe que o "teatro do mundo" exige máscaras. A lição de Freud é que a consciência da nossa própria divisão é o primeiro passo para a cura. Ao entender que não somos donos do nosso "Eu", passamos de escravos das paixões a observadores delas. Horácio, o sobrevivente, representa a razão temperada pelo afeto. 

Fechamento: A Atemporalidade de Elsinore 

Hamlet permanece atual porque a estrutura do conflito humano não mudou. A verdadeira "ação" de Hamlet não está na ponta da espada, mas na profundidade de seus solilóquios. A obra de Shakespeare nos ensina que o ser humano é uma construção precária entre o instinto e a lei. 

Reconhecer que o "Eu" não é senhor absoluto é, talvez, a maior liberdade que a cultura pode nos oferecer. Ser "senhor de si" não é ter controle absoluto, mas ter a coragem de olhar para os próprios fantasmas e, ainda assim, escolher como agir. Elsinore não é um castelo na Dinamarca; é a arquitetura da nossa própria mente. É nessa insurgência da consciência que encontramos a resistência ao cinismo contemporâneo.

Referências Bibliográficas

ALBUQUERQUE, Carol. Hamlet de Shakespeare: resumo e interpretação psicanalítica. Psicanálise Clínica/Psicanálise e Cultura, 2024.

BLOOM, Harold. Shakespeare: A Invenção do Humano. Tradução de José Roberto O’Shea. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

FREUD, Sigmund. A Interpretação dos Sonhos (1900). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. IV e V. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia (1917). In: Obras Completas, volume 12: Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, Sigmund. Uma dificuldade no caminho da psicanálise (1917). [Onde se encontra a frase sobre o "Eu não ser senhor em sua própria casa"]. In: Obras Completas, volume 14. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 6: O desejo e sua interpretação (1958-1959). Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2016. [Obra onde Lacan dedica sete lições à análise de Hamlet].

LOCKE, John. Ensaio sobre o Entendimento Humano. Tradução de Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Editora UNESP, 2012.

SHAKESPEARE, William. Hamlet. Tradução de Lawrence Flores Pereira. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. (Edição bilíngue).

 

© Alberto Araújo

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