quarta-feira, 14 de outubro de 2026

SOCIEDADE FLUMINENSE DE FOTOGRAFIA: 82 ANOS DE HISTÓRIA, ARTE E PRESERVAÇÃO CULTURAL - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

Ao completar 82 anos de existência no dia 12 de outubro de 2026, a Sociedade Fluminense de Fotografia consolida-se como uma das mais importantes instituições dedicadas à fotografia no Brasil. Segunda sociedade fotográfica mais antiga em atividade contínua no país, sua trajetória se enlaça com a própria história da fotografia brasileira, constituindo um legado de formação, pesquisa, produção artística, preservação da memória e democratização do acesso à cultura. 

Localizada no coração de Niterói, na Rua Doutor Celestino, 115, a Sociedade Fluminense de Fotografia atravessou décadas acompanhando as transformações tecnológicas, estéticas e sociais da arte fotográfica sem jamais perder sua vocação principal: formar fotógrafos, estimular a criação artística e promover a fotografia como linguagem cultural e instrumento de reflexão sobre o mundo. 

Reconhecendo a relevância histórica e cultural desempenhada pela instituição ao longo de mais de oito décadas, a Sociedade Fluminense de Fotografia recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Niterói. A homenagem representa o reconhecimento oficial de um trabalho construído coletivamente por gerações de fotógrafos, professores, pesquisadores, artistas e amantes da fotografia que encontraram na entidade um espaço de encontro, aprendizado e desenvolvimento criativo. 

Desde sua fundação, em 12 de outubro de 1944 a instituição assumiu um papel pioneiro na difusão da cultura fotográfica. Em uma época na qual a fotografia ainda buscava reconhecimento como linguagem artística, a Sociedade tornou-se um espaço fundamental para a experimentação, o estudo e a valorização da imagem fotográfica. Ao longo dos anos, acompanhou as mudanças que levaram a fotografia do filme analógico às plataformas digitais, sempre mantendo o compromisso com a excelência técnica e a reflexão crítica. 

Sob a presidência do fotógrafo, Antonio Machado desde 1995, há exatamente 31 anos a instituição fortaleceu sua atuação como centro de formação, preservação da memória fotográfica e produção cultural. Nesse período, ampliou suas atividades educacionais, consolidou projetos voltados para a democratização do acesso ao conhecimento e aprofundou sua inserção na vida cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro. 

A vocação educativa da Sociedade Fluminense de Fotografia é um dos pilares de sua identidade institucional. Ao longo de sua história, milhares de estudantes passaram por seus cursos, oficinas e atividades de formação. Atualmente, a entidade oferece cursos regulares, workshops especializados, encontros de estudo, palestras e atividades práticas voltadas tanto para iniciantes quanto para fotógrafos experientes.

O ensino promovido pela instituição vai além da técnica fotográfica. Seu objetivo é estimular o pensamento crítico, a construção de narrativas visuais e o desenvolvimento de uma consciência artística capaz de dialogar com as questões contemporâneas. Nesse contexto, destaca-se o Núcleo de Estudos em Fotografia Contemporânea, iniciativa voltada para a formação de autores e pesquisadores interessados em explorar as múltiplas possibilidades da fotografia contemporânea. 

O núcleo incentiva a criação de projetos autorais, debates sobre estética, memória, território, identidade e processos criativos, formando artistas alinhados às discussões mais relevantes da atualidade. Os trabalhos desenvolvidos pelos participantes frequentemente integram exposições e projetos culturais promovidos pela própria instituição, fortalecendo a produção fotográfica local e ampliando seu alcance. 

A preservação da memória fotográfica constitui outra dimensão fundamental da atuação da Sociedade Fluminense de Fotografia. Seu acervo bibliográfico especializado reúne mais de 1.500 títulos dedicados à fotografia, história da arte, comunicação visual, técnicas fotográficas e áreas correlatas. Trata-se de uma das mais significativas bibliotecas especializadas do estado, colocada à disposição de estudantes, pesquisadores, artistas e do público em geral.

A instituição também preserva um importante conjunto de equipamentos históricos, composto por cerca de duzentas câmeras fotográficas produzidas entre as décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970. Esse patrimônio material testemunha a evolução tecnológica da fotografia e constitui a base para a construção de um futuro museu dedicado à memória fotográfica, ampliando ainda mais a contribuição da entidade para a preservação da cultura visual brasileira.

A infraestrutura da Sociedade Fluminense de Fotografia demonstra seu compromisso permanente com a formação e a prática artística. Sua sede abriga três salas de aula, laboratório químico para revelação e ampliação de fotografias em preto e branco, laboratório digital, amplo estúdio fotográfico profissional, biblioteca especializada, sala de acervo histórico, sala de professores, secretaria, espaços administrativos e áreas destinadas ao desenvolvimento de projetos culturais.

Entre seus espaços mais emblemáticos destacam-se a Galeria Jayme Moreira de Luna e a Galeria Octávio do Prado. Esta última possui um significado especial para a história cultural brasileira por ter sido concebida como a primeira galeria construída especificamente para exposições fotográficas no país. Ambas permanecem como importantes espaços de difusão artística, recebendo exposições individuais e coletivas de fotógrafos brasileiros e estrangeiros. 

A programação cultural da entidade é intensa e diversificada. Ao longo do ano são realizadas exposições, projeções fotográficas abertas ao público, visitas guiadas, encontros para apresentação de portfólios, saídas fotográficas orientadas, debates, lançamentos de livros e palestras ministradas por importantes nomes da fotografia nacional e internacional. Essas atividades ampliam o diálogo entre artistas, estudantes e comunidade, transformando a instituição em um verdadeiro centro de cultura visual.

Outro aspecto que merece destaque é o compromisso da Sociedade Fluminense de Fotografia com a inclusão e a democratização do acesso à cultura. A diversidade sempre esteve presente em suas ações e projetos. Por meio do programa Ponto de Cultura Fotografia para Todos, a instituição oferece cursos gratuitos de fotografia para pessoas idosas, pessoas com deficiência e moradores de comunidades do entorno, contribuindo para a formação cidadã e para o fortalecimento da participação cultural desses grupos. 

Mais do que ensinar técnicas, esses projetos promovem oportunidades de expressão, autoestima e protagonismo social. A fotografia torna-se, assim, uma ferramenta de transformação, permitindo que diferentes indivíduos e comunidades registrem suas histórias, documentem seus territórios e construam novas formas de representação. 

Ao longo de seus 82 anos, a Sociedade Fluminense de Fotografia manteve viva uma missão que continua profundamente atual: preservar o passado, compreender o presente e inspirar o futuro através da imagem. Em um mundo marcado pela produção incessante de fotografias, a instituição reafirma a importância da reflexão, da formação qualificada e da valorização da fotografia como patrimônio cultural e linguagem artística. 

Sua história é também a história de milhares de fotógrafos que encontraram em suas salas, galerias, laboratórios e encontros o ambiente necessário para desenvolver seus talentos e ampliar seus horizontes criativos. É a história de uma instituição que resistiu ao tempo, acompanhou as mudanças tecnológicas e permaneceu fiel ao compromisso com a cultura, a educação e a arte.

Contemplada duas vezes com o Prêmio Nicette Bruno. Mais do que um reconhecimento, o Prêmio Nicette Bruno reafirma a importância do trabalho desenvolvido pela Sociedade Fluminense de Fotografia ao longo de sua trajetória. A premiação fortalece a missão da SFF de promover a formação cultural, a inclusão social e o acesso democrático à fotografia, valorizando iniciativas como o projeto Fotografia para Todos, que amplia oportunidades de aprendizado e expressão artística para diferentes públicos. Estes reconhecimentos reforçam o papel da Sociedade como referência na difusão da cultura fotográfica em Niterói e no Brasil. 

Celebrar os 82 anos da Sociedade Fluminense de Fotografia é reconhecer uma trajetória exemplar de dedicação à cultura brasileira. É homenagear uma entidade que transformou gerações de fotógrafos, preservou acervos inestimáveis, promoveu a inclusão social através da arte e consolidou Niterói como uma referência nacional no campo da fotografia.

Mais do que uma instituição, a Sociedade Fluminense de Fotografia é um patrimônio vivo, guardiã da memória visual e protagonista na construção do futuro da fotografia brasileira. Sua permanência e vitalidade demonstram que a cultura se fortalece quando encontra espaços de acolhimento, conhecimento, liberdade criativa e compromisso com a sociedade. Afinal, há 82 anos, a Sociedade Fluminense de Fotografia não apenas registra a história: ela faz parte dela. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




TANIA ZAGURY E A ARTE DE EDUCAR SEM FERIR

Quando uma obra alcança sua 103ª edição, deixa de ser apenas um livro para se tornar um fenômeno cultural. Passa a integrar a memória coletiva de um povo, a dialogar com diferentes épocas e a permanecer atual mesmo quando o mundo muda à sua volta. É exatamente nesse seleto lugar que se encontra Limites Sem Trauma, Construindo Cidadãos, da professora, acadêmica e escritora Tania Zagury. 

A notícia de sua 103ª edição não representa apenas um sucesso editorial. Representa, sobretudo, o reconhecimento de uma ideia que resistiu ao tempo porque nasceu da observação da vida real. Em um mundo cada vez mais acelerado, onde pais e educadores enfrentam desafios inéditos, a obra de Tania continua oferecendo um dos bens mais preciosos da educação: o equilíbrio.

Por muitos anos, falar de limites pareceu um tema cercado por equívocos. Alguns confundiram autoridade com autoritarismo. Outros imaginaram que amor e disciplina fossem conceitos inconciliáveis. Tania Zagury ajudou a desfazer essa falsa oposição. Com linguagem clara, sensibilidade humana e sólida experiência educacional, demonstrou que estabelecer limites não é restringir a liberdade, mas prepará-la. Não é diminuir a criança, mas ajudá-la a crescer. 

Talvez esteja aí um dos segredos do extraordinário alcance de sua obra. Ela não fala apenas de regras. Fala de valores. Não trata apenas da educação dos filhos. Trata da construção de cidadãos. E essa é uma diferença fundamental.

Tenho o privilégio de possuir esse livro em minha biblioteca. Ao revisitá-lo, sempre encontro reflexões atuais e ensinamentos que ultrapassam as fronteiras da escola e da família. Considero-o uma contribuição valiosa para a cultura educacional de nosso tempo, uma obra que ajudou milhares de pais, professores e educadores a compreenderem melhor sua missão. 

Mas seria injusto falar apenas do livro sem falar da autora. Escritora respeitada, acadêmica de reconhecido mérito e referência nacional em educação, Tania Zagury reúne uma qualidade cada vez mais rara: a capacidade de transformar conhecimento em orientação prática, sem perder a dimensão humana. Por trás das páginas que alcançaram tantas edições, existe uma mulher sensível, inteligente, generosa e comprometida com o futuro das novas gerações. 

Por isso, celebrar a 103ª edição de Limites Sem Trauma, Construindo Cidadãos é também celebrar a trajetória de sua autora. É reconhecer décadas de dedicação ao estudo, à reflexão e ao aprimoramento da educação brasileira. 

Professora Tania, seus leitores, admiradores e amigos recebem esta notícia com orgulho e alegria. Sua obra continua iluminando caminhos, inspirando famílias e fortalecendo educadores. Poucos escritores conseguem alcançar tantas pessoas; menos ainda conseguem transformar tantas vidas. 

Parabéns por este patamar histórico. Que novas edições venham, não apenas como números em uma capa, mas como testemunhos do valor permanente de um trabalho que já pertence ao patrimônio intelectual e afetivo de incontáveis leitores. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

TANIA ZAGURY é uma das mais reconhecidas intelectuais brasileiras no campo da Educação, destacando-se por sua atuação como filósofa, educadora, professora universitária, pesquisadora, escritora e conferencista. Ao longo de mais de cinco décadas de dedicação ao ensino, à formação docente e à pesquisa educacional, consolidou uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação pública, a valorização da família como agente formador e a discussão de temas fundamentais para o desenvolvimento humano, ético e social. 

Nascida no Rio de Janeiro, em 15 de janeiro de 1949, Tania Zagury demonstrou desde a infância uma vocação precoce para o magistério. Aos onze anos, elaborou uma cartilha destinada à alfabetização de sua irmã mais nova, experiência que antecipava a sólida carreira que viria a construir no campo educacional. Sua identificação com a docência e com os processos de aprendizagem acompanhou toda a sua formação acadêmica e profissional. 

Formou-se professora pela Escola Normal Carmela Dutra e iniciou sua atividade docente aos dezessete anos. Em 1968, ingressou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sendo aprovada em terceiro lugar no vestibular para o curso de Filosofia. Graduou-se com habilitação para lecionar Filosofia, Psicologia e Sociologia, áreas que posteriormente influenciariam profundamente sua produção intelectual e suas análises sobre educação, comportamento humano e formação ética. 

Sua atuação profissional teve início na rede pública municipal do Rio de Janeiro, onde trabalhou na alfabetização e em diferentes etapas da educação básica. A experiência direta em sala de aula constituiu a base de seu pensamento pedagógico, caracterizado pela valorização da prática docente, da observação empírica e da pesquisa aplicada. Em 1971, foi convidada a integrar a equipe de Supervisão Educacional do então Terceiro Distrito de Educação e Cultura do Município do Rio de Janeiro, função que exerceu até 1981. 

Paralelamente à atuação na educação básica, aprofundou sua formação acadêmica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde concluiu o Mestrado em Educação e cursou disciplinas em nível de Doutorado. Em 1976, ingressou na Faculdade de Educação da UFRJ como professora substituta. Ao longo dos anos, desenvolveu uma sólida carreira universitária, alcançando o cargo de Professora Adjunta IV e atuando nos Departamentos de Didática e Psicologia. Entre suas contribuições institucionais de destaque está a criação da Central de Estágios para estudantes de Licenciatura e Pedagogia, iniciativa que aproximou a formação acadêmica da realidade escolar, proporcionando aos futuros professores experiências concretas de prática educacional. 

A produção intelectual de Tania Zagury distingue-se pela articulação entre pesquisa científica, experiência profissional e linguagem acessível. Seus estudos, frequentemente fundamentados em extensos trabalhos de campo, abordam temas relacionados à educação familiar, desenvolvimento infantil, adolescência, formação ética, autoridade docente, relações entre escola e família e desafios contemporâneos da educação.

Autora de 34 livros publicados no Brasil e no exterior, teve obras traduzidas e editadas em diversos países, entre eles França, Espanha, Itália, Canadá, México, Argentina, Cuba e República Dominicana. Sua produção alcançou ampla repercussão junto a educadores, famílias, gestores educacionais e pesquisadores, tornando-se referência em temas relacionados à educação de crianças e adolescentes. 

Entre suas obras mais conhecidas destaca-se Sem Padecer no Paraíso, publicada originalmente em 1991. Resultado de pesquisa de campo com famílias brasileiras, a obra tornou-se um marco no debate sobre limites, autoridade parental e formação moral das novas gerações. Outro título de grande relevância é Educar sem Culpa, no qual discute a formação ética como elemento central da educação contemporânea. Já Limites sem Trauma consolidou-se como uma das obras brasileiras mais influentes sobre educação familiar, alcançando inúmeras edições e sendo publicada em diversos países.

No campo da educação escolar, livros como Escola sem Conflito: Parceria com os Pais e O Professor Refém examinam os desafios da instituição escolar diante das transformações sociais, culturais e familiares das últimas décadas. Em suas análises, a autora busca compreender as mudanças no papel da escola, as demandas dirigidas aos professores e as complexas relações entre família, educadores e estudantes. 

Destaca-se também por estudos de grande alcance nacional, como o que originou o livro O Adolescente por Ele Mesmo, desenvolvido a partir da participação de quase mil jovens brasileiros de diferentes contextos sociais e culturais. Nessa obra, a autora oferece uma leitura abrangente da adolescência contemporânea, explorando questões relacionadas à escola, relações familiares, escolhas profissionais, valores, felicidade, política, religião e perspectivas de futuro. 

Além das obras voltadas para pais e educadores, Tania Zagury produziu literatura infantil e juvenil, incluindo a chamada Coleção Ecológica, criada com o propósito de estimular a leitura, promover a educação ambiental e despertar a consciência ecológica entre crianças. As narrativas combinam entretenimento, informação científica e reflexão sobre a preservação do meio ambiente.

A credibilidade de sua produção acadêmica e intelectual é reforçada pelo rigor metodológico adotado em suas pesquisas. Grande parte de seus livros resulta de estudos de campo conduzidos com professores, pais, estudantes e gestores educacionais, baseando-se em coleta sistemática de dados e análise de experiências concretas. Essa característica contribuiu para aproximar a pesquisa educacional do cotidiano das famílias e das escolas brasileiras. 

Ao longo de sua carreira, Tania Zagury também se destacou como conferencista. Realizou palestras, seminários e cursos em instituições de ensino, universidades, congressos e eventos educacionais em todo o território nacional. Sua atuação pública contribuiu para ampliar o debate sobre temas como autoridade parental, ética, cidadania, limites, formação docente, convivência escolar e uso das tecnologias digitais na educação.

Sua presença nos meios de comunicação desempenhou papel relevante na difusão do conhecimento educacional. Ao longo dos anos, concedeu milhares de entrevistas para jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, participando de programas de grande audiência e tornando-se uma das vozes mais reconhecidas do debate educacional brasileiro. Também atuou como articulista e integrou conselhos editoriais de importantes publicações especializadas na área da educação. 

O reconhecimento de sua contribuição intelectual e social manifestou-se em diversas homenagens e distinções. Dez de seus livros foram indicados ao Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira. Em 2014, foi escolhida Personalidade Educacional do Ano pela Associação Brasileira de Imprensa em parceria com a Folha Dirigida. No mesmo ano, recebeu a Comenda da Ordem da Educação pelo conjunto de sua obra e pelos serviços prestados à educação brasileira. 

É membro eleito do PEN Clube do Brasil e da Associação Brasileira de Educação. Em 2016, foi eleita para a Academia Carioca de Letras, passando a ocupar a Cadeira nº 30, reconhecimento que reafirma sua contribuição não apenas ao campo educacional, mas também à produção intelectual e cultural do país. 

Sua influência ultrapassa os ambientes acadêmicos e editoriais. Em reconhecimento ao impacto de sua trajetória na formação de educadores e estudantes, salas de leitura em diferentes municípios brasileiros receberam seu nome, simbolizando o alcance social de sua atuação e o legado construído ao longo de décadas.

A trajetória de Tania Zagury representa a convergência entre reflexão filosófica, pesquisa científica, prática docente e compromisso social. Sua obra permanece como referência fundamental para educadores, pais, gestores e pesquisadores interessados na compreensão dos desafios da educação contemporânea. Ao unir conhecimento acadêmico, experiência profissional e diálogo permanente com a sociedade, consolidou-se como uma das mais importantes pensadoras brasileiras da educação, contribuindo de forma decisiva para o debate sobre formação humana, cidadania, ética e desenvolvimento das novas gerações.

ALGUNS LIVROS PUBLICADOS

 

SAÚDE

Diabetes sem medo (coautoria), Ed. Best Seller, 1986, 16ª edição, revista e ampliada.

Educação em diabetes, in Tratamento Atual em Diabetes Mellitus (coautoria), Ed. Guanabara Coogan, 2009.

 

ROMANCE

Rampa, romance, Ed. Record, 1997, 6ª edição.

 

EDUCAÇÃO

Escola em Cuba, impressões de uma educadora brasileira, Ed. Brasiliense, 1988, esgotado.

Sem padecer no paraíso, em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos, Ed. Record, 1991, 24ª edição.

Educar sem culpa, a gênese da ética, Ed. Record, 1994, 29ª edição.

O adolescente por ele mesmo, Ed. Record, 1996, 18ª edição.

Encurtando a adolescência, Ed. Record, 1998, 12ª edição.

O saber e o pensar, orientação sexual para educadores e profissionais de saúde (coautoria), Ed. Gente, 1999, esgotado.

Limites sem trauma, construindo cidadãos, Editora Record, 2000, 95ª edição. Traduzido e publicado na Franca, Itália, Canadá, Espanha, México, Argentina, Uruguai, Cuba, Republica Dominicana.

Escola sem conflito: parceria com os pais, Ed. Record, 2002, 10ª edição.

O desafio da TV Pública – Uma reflexão sobre sustentabilidade e qualidade (coautoria), Acerp-TVE Rede Brasil, 2003, esgotado.

Os direitos dos pais: Construindo cidadãos em tempos de crise, Ed. Record, 2004, 11ª edição. Esgotado.

O professor refém: Porque fracassa o ensino no Brasil, Ed. Record, 2006, 10ª edição.

Encontros com Educadores, Ed. Direcional, 2010, esgotado

Filhos, manual de instruções: Para pais das gerações X e Y, Ed. Record, 2011.

Ah, se eu fosse presidente… (coautoria), Ed. Alta Books, 2015.

Filhos adultos mimados, pais negligenciados, Ed. Record, 2015

Os novos perigos que rondam nossos filhos, Ed. Rocco, 2017.

Pensando educação – Com os pés no chão, Ed. Rocco, 2018.

INFANTIS

O desmaio do beija-flor, volume 1, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 2ª edição, 2008.

O mistério da lixeira barulhenta, volume 2, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 2ª edição, 2008.

''A visita da cigarra, volume 3, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 2ª. edição, 2009.

O macaquinho da perna quebrada, volume 4, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 2ª edição, 2009.

''O estranho sumiço do morcego, volume 5, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 2ª edição 2010.

A espetacular fuga de Mini, volume 6, Coleção Ecológica, Galerinha Record, Rio de Janeiro/Brasil, 1ª edição 2012.

O jacaré que comeu a noite, Editora Mar de Ideias, Rio de Janeiro/Brasil, 1ª edição, 2013.

O menino e o macaco Caco, Editora Mar de Ideias, Rio de Janeiro/Brasil, 1ª edição, 2013.

 

Texto e pesquisa de © Alberto Araújo




ENTREVISTA “TEM LIMITE PARA O BRINCAR?” COM TANIA ZAGURY | PODBRINCAR #2

 

Tania Zagury, Mestre em Educação, Filósofa, pesquisadora, escritora, mantém em seus livros uma linha de trabalho que se caracteriza pela pesquisa científica fundamentada no estudo de fatos colhidos na realidade social. Sua produção literária é extensa, totaliza hoje 34 livros, muitos dos quais traduzidos para o exterior.

https://www.youtube.com/watch?v=T2RKzCpBDc8&t=1383s





O RECOMEÇO DA QUARTA-FEIRA – © ALBERTO ARAÚJO

​A quarta-feira chega como o meio da semana, um convite para desacelerar o passo e olhar para o céu, sentindo o vento trazer novos ares. É aquele momento em que podemos pausar a correria para cultivar pequenas felicidades e apreciar a beleza das coisas simples, assim como a delicadeza de um amor verdadeiro e eterno. 

​Na voz de Gigliola Cinquetti em Dio, come ti amo, somos lembrados da intensidade dos sentimentos puros e das lembranças que marcam para sempre:

​"Dio, come ti amo...

Non è possibile

avere fra le braccia

tanta felicità"

(Gigliola Cinquetti) 

​Que a sua quarta-feira seja preenchida por esse mesmo carinho, transformando o cotidiano em poesia. 

© Alberto Araújo


 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

CONCEITO DE "MÓDULO" EM DESIGN - AULA DO PROFESSOR CLÁUDIO PORTUGAL, NA FAU DA USP, EM 15-09-2023

 

O CONCEITO DE MÓDULO NO DESIGN: A AULA DO PROFESSOR LUIZ CLÁUDIO PORTUGAL DO NASCIMENTO

(CLICAR NA IMAGEM PARA VER O VÍDEO COM A AULA)

Na aula ministrada em 15 de setembro de 2023, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o professor Luís Cláudio Portugal do Nascimento discute a essência e a aplicação do conceito de módulo no design e na arquitetura.

Longe de ser uma simples repetição geométrica, o módulo é apresentado como uma estrutura disciplinadora do projeto. Ele estabelece regras de proporção, organização espacial e racionalização produtiva, permitindo que a forma responda de maneira funcional, estética e sistemática às demandas do projeto. Nesse contexto, a modularidade atua como elo entre a liberdade criativa e as restrições inerentes à produção e à composição.

A aula integra a disciplina Design do Objeto (AUP0446), ministrada pelos professores Lara Leite Barbosa, Myrna de Arruda Nascimento, Giorgio Giorgi Jr., Luís Antônio Jorge e Cláudio Portugal, no segundo semestre de 2023.

Assista à aula completa no YouTube

Clique na imagem ou no link:

https://youtu.be/6bSHEyfbU6w?si=iikTSANu5V3yDmK1

Créditos do vídeo

  • Captação de áudio e vídeo: Cristina Filgueira Dias
  • Edição: Leon Hansen do Nascimento

Postagem Focus Portal Cultural

© Alberto Araújo

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SOBRE O LIVRO DA POSTAGEM 

TRATADO GERAL ILUSTRADO DO CONCEITO DE MÓDULO EM DESIGN
SUBTÍTULO: A RESTRIÇÃO DA LIVRE VARIABILIDADE NÃO IMPRESCINDÍVEL DA FORMA

AUTOR: LUÍS CLÁUDIO PORTUGAL DO NASCIMENTO 

A obra aborda os fundamentos teóricos e práticos da modularidade, analisando como a limitação consciente de variações formais desnecessárias fortalece a identidade visual, a eficiência industrial e a coerência sistêmica dos objetos e das linguagens do design.

UM POUCO SOBRE O ESCRITOR E PROFESSOR 

LUÍS CLÁUDIO PORTUGAL DO NASCIMENTO: A GEOMETRIA DO PENSAMENTO E A ÉTICA DA FORMA

Nascido em Niterói, em 1960, Luís Cláudio Portugal do Nascimento integra a tradição de pensadores do design que compreendem o projeto como algo muito além da simples produção de objetos utilitários. Em sua visão, projetar constitui um exercício de rigor ético, estético e filosófico, voltado à compreensão de como o ser humano organiza, racionaliza e atribui significado à matéria.

Graduou-se em Desenho Industrial e Comunicação Visual pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), em 1983. Em 1987, obteve a Attestation d'Étude Approfondie (equivalente a um mestrado profissional) na área de concepção de novos produtos pela École Nationale Supérieure d'Arts et Métiers (ENSAM), em Paris. Posteriormente, concluiu o doutorado em Educação de Artes, com foco no ensino de design, pela New York University, em 1997.

Sua trajetória acadêmica e profissional está profundamente ligada ao desenvolvimento do ensino do design no Brasil. Ao longo de mais de quatro décadas, lecionou e desenvolveu pesquisas em instituições como a Universidade de Brasília (UnB), a ESDI-UERJ, a PUC-Rio e a Unicamp. Desde 2006, atua como professor e pesquisador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Suas pesquisas abrangem história, teoria, crítica, metodologia, inovação e ética do design. No livro Tratado geral ilustrado do conceito de módulo em design, o autor defende que projetar é um exercício de restrição consciente. Para ele, o módulo não constitui uma mera repetição geométrica nem uma limitação da criatividade; ao contrário, representa uma condição para a liberdade formal, ao disciplinar a variabilidade excessiva e eliminar elementos supérfluos.

Ao refletir sobre projeto, ensino e cultura material, Luís Cláudio Portugal demonstra como cada módulo, proporção e relação espacial pode expressar uma filosofia prática baseada na clareza, na eficiência e na permanência. Sua obra convida à compreensão do design como uma atividade intelectual capaz de organizar a forma e produzir significado de maneira duradoura.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 



MENSAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Maravilha! O professor e escritor Claudio Nascimento é um desses raros docentes que honram e engrandecem o universo da educação, do design e da arquitetura. Tenho acompanhado sua bela trajetória, marcada pela excelência acadêmica, pela generosidade intelectual e por uma produção bibliográfica que já se tornou referência para tantos estudantes e profissionais.

Ao contemplar sua caminhada, inevitavelmente recordo o antigo ditado: "filho de peixe, peixinho é". Mas, neste caso, a sabedoria popular precisa ser ampliada. Filho da estimada professora Dalma Nascimento, Claudio não é apenas um peixinho: é um verdadeiro peixão, que navega com brilho próprio pelas águas do conhecimento, sem jamais deixar de refletir a grandeza de suas origens. Parabéns por mais essa conquista e por uma trajetória tão inspiradora. Que venham muitas outras obras, projetos e realizações, sempre iluminando caminhos e formando novas gerações. Abraços do Alberto Araújo.





CONVITE PARA A EXPOSIÇÃO “FLOR ESSÊNCIA” - ARTE, CIÊNCIA E RENASCIMENTO NA SOCIEDADE FLUMINENSE DE FOTOGRAFIA

A Sociedade Fluminense de Fotografia tem o prazer de convidar para a abertura da exposição “Flor Essência”, de Fátima Marchi, no dia 24 de outubro de 2026, às 15h. Na Galeria Octávio do Prado, a primeira construída para fotografia no Brasil.

Por meio de imagens surpreendentes produzidas a partir de flores e folhas examinadas em um mamógrafo, a artista constrói uma narrativa visual de delicadeza, esperança e renovação. Médica, fotógrafa e paciente, Fátima Marchi transforma sua experiência pessoal e profissional em uma obra que aproxima arte e saúde, sensibilizando o público para a importância da prevenção e do autocuidado.

Exposição: FLOR ESSÊNCIA

Artista fotografa: Fátima Marchi

Abertura: 24 de outubro de 2026, sábado, às 15h.

Local: Sociedade Fluminense de Fotografia.

Endereço: Rua Dr. Celestino, 115, Centro, Niterói/RJ.

Visitação: de 26 de outubro de 2026 a 15 de fevereiro de 2027, das 9h às 18h. 

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A Sociedade Fluminense de Fotografia, uma das mais tradicionais instituições dedicadas à arte fotográfica no Brasil, presidida por Antonio Machado, tem a satisfação de receber a exposição “Flor Essência”, da médica e fotógrafa Fátima Marchi, uma mostra que suplanta os limites da fotografia convencional ao unir arte, ciência, sensibilidade e experiência pessoal em uma narrativa visual única. 

Ao longo de sua trajetória, a Sociedade Fluminense de Fotografia tem se consolidado como um espaço de promoção da cultura, da reflexão e do intercâmbio artístico, acolhendo projetos que ampliam o diálogo entre a fotografia e as diversas dimensões da experiência humana. É nesse contexto que “Flor Essência” se apresenta como uma exposição de grande relevância estética e social. 

A mostra nasce da convergência de quatro identidades que definem sua autora: mulher, médica, fotógrafa e paciente. Embora a temática do câncer de mama sempre estivesse presente em sua atuação profissional, foi a partir da vivência pessoal da doença que Fátima Marchi passou a compreender, de forma profunda, os medos, as inseguranças e os desafios enfrentados por milhares de mulheres durante o processo de diagnóstico e tratamento. 

Transformando uma experiência delicada em instrumento de conscientização e esperança, a artista encontrou na fotografia uma linguagem capaz de comunicar o que muitas vezes não pode ser expresso apenas por palavras. Em vez de utilizar a câmera fotográfica tradicional, Fátima substitui seu instrumento de trabalho pelo mamógrafo, revelando um universo poético e surpreendente. 

Flores e folhas assumem o lugar das pacientes, e o equipamento médico, normalmente associado à investigação clínica, passa a produzir imagens de rara beleza. O resultado é uma coleção de fotografias delicadas que revelam estruturas invisíveis ao olhar comum, valorizando texturas, formas e detalhes ocultos da natureza. 

A exposição divide-se em dois momentos complementares. Na primeira parte, flores inteiras simbolizam as mulheres que realizam seus exames preventivos anuais, enfatizando a importância do diagnóstico precoce. As imagens evocam leveza, cuidado e renovação, aproximando o público de um tema frequentemente cercado por receios e estigmas.

Na segunda etapa da mostra, a artista explora fragmentos ampliados de flores e folhas, inspirados nos recursos complementares utilizados durante a investigação mamográfica. Esses registros abstratos revelam detalhes surpreendentes e conduzem o observador a uma experiência estética rica em formas, contrastes e descobertas visuais, reforçando a capacidade da fotografia de transformar o científico em artístico. 

Com sensibilidade e licença poética, Fátima Marchi estabelece uma poderosa associação entre as flores, a primavera e o renascimento. Cada obra torna-se uma mensagem de esperança, resiliência e valorização da vida, convidando o público a refletir sobre a prevenção, o autocuidado e a capacidade humana de florescer mesmo diante da adversidade. 

A programação de abertura contará com a fala do presidente Antonio Machado e a fotógrafa, que compartilhará sua trajetória profissional e pessoal, revelando os bastidores do projeto e as reflexões que deram origem à exposição. Médica especialista em diagnóstico por imagem e apaixonada pela fotografia, Fátima Marchi apresenta uma visão singular, construída na interseção entre conhecimento científico, experiência vivida e expressão artística.

Ao receber “Flor Essência”, a Sociedade Fluminense de Fotografia reafirma seu compromisso com a arte como instrumento de sensibilização, conhecimento e transformação social, oferecendo ao público uma exposição que emociona, inspira e convida à reflexão sobre a beleza, a fragilidade e a força presentes em cada ciclo da vida. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



A BELEZA SUBLIME DA ARTE E DA FÉ COM ANGELA CAVALCANTE




Que alegria compartilhar este momento de pura sensibilidade musical na interpretação primorosa de Angela Cavalcante, esposa do nosso querido Reverendo Carlos Henrique Ferreira Gomes, da Igreja Betel de Icaraí.

Ao som do piano, Angela nos presenteia com uma execução delicada e comovente de um trecho da grandiosa ópera "Sansão e Dalila" (Samson et Dalila), obra-prima composta pelo mestre francês Camille Saint-Saëns (1835 – 1921).

Lançada originalmente no final do século XIX, esta ópera é um dos grandes monumentos da música clássica mundial, célebre por sua riqueza melodia, intensidade dramática e por traduzir em notas musicais as profundas paixões e dilemas humanos retratados na narrativa bíblica de Sansão e Dalila.

Na sintonia fina entre a arte e a sensibilidade, a música tem o poder de elevar a alma e tocar corações. Que esta execução inspire o seu dia e traga muita paz!

© Alberto Araújo

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“A VIDA INTEIRA QUE PODIA TER SIDO E QUE NÃO FOI.” — MANUEL BANDEIRA


Esse verso é um dos mais famosos de Manuel Bandeira, do poema "Pneumotórax" (do livro Libertinagem, 1930). 

O sentido é profundamente humano. Ele fala da vida que imaginamos para nós mesmos, dos sonhos, planos, possibilidades e caminhos que, por algum motivo, nunca se realizaram.

No contexto do poema, o verso surge quando o personagem descobre que está gravemente doente. Diante dessa realidade, ele percebe que não lamenta apenas o sofrimento presente, mas também tudo aquilo que deixou de viver. 

A frase pode ser entendida como:

Os sonhos que ficaram pelo caminho;

As oportunidades perdidas;

Os amores que não aconteceram;

Os projetos adiados;

A diferença entre a vida sonhada e a vida realmente vivida. 

Por isso ela costuma tocar tantas pessoas. Quase todo mundo, em algum momento, olha para trás e pensa: “e se eu tivesse escolhido outro caminho?” 

Mas o verso não precisa ser lido apenas como tristeza. Ele também pode servir como um convite para valorizar o presente, para não deixar que a vida que ainda pode ser aconteça tarde demais. 

Em linguagem simples, Bandeira parece dizer:

“Estou pensando em tudo o que eu poderia ter vivido, mas não vivi.” 

É um verso melancólico, mas também muito verdadeiro sobre a condição humana. 

PNEUMOTÓRAX

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

— Diga trinta e três.

— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

— Respire.

…………………

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito

[infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Análise e montagem da imagem

© Alberto Araújo