Realizada
pela ArtRio em parceria com o Shopping Leblon e com a ONG Parceiros da Educação
Rio, ação quer levar para os alunos a diversidade da produção artística
brasileira
Democratizar
o acesso à arte, levando conhecimento e informações sobre o trabalho de grandes
artistas a novos públicos, em especial crianças e adolescentes. Essa é a
essência do ArtRio Educação, que em 2026 traz a mostra Brasilidades. A primeira
parada é na Escola Municipal Santos Anjos, no Leblon.
Com
curadoria de Domi Valansi, essa mostra traz fotografias produzidas por
importantes artistas visuais que refletem diferentes aspectos do Brasil: suas
múltiplas paisagens, as vivências, os encontros e as relações entre seus
habitantes. O Rio de Janeiro tem lugar de destaque em algumas dessas
narrativas, em razão de sua histórica influência na formação cultural do país.
O
conceito de brasilidade engloba um conjunto de características que definem a
identidade cultural, os costumes, o jeito de ser e a essência de quem nasce ou
vive no país. Diante de um Brasil marcado por tantas diferenças, o que nos
aproxima? Como nos relacionamos com o que nos é pouco ou nada conhecido? De que
maneira podemos construir pontes entre experiências, perspectivas e modos de
vida distintos?
Domi
Valansi selecionou obras de sete artistas de gerações, origens e trajetórias
distintas, que, em comum, lançam seu olhar crítico e poético sobre o Brasil.
São eles: Anna Bella Geiger, Fernando Young, Joelington Rios, Luiz Braga, Maria
Baigur, Miguel Rio Branco e Vik Muniz.
A
exposição Brasilidades, parte do projeto ArtRio Educação, é realizada pela
ArtRio em parceria com o Shopping Leblon e apoio da ONG Parceiros da Educação
Rio. A mostra permanece na Escola até o dia 25 de agosto.
CONHEÇA
OS ARTISTAS DA MOSTRA BRASILIDADES
Anna
Bella Geiger
Como
foi escrita a nossa história? A chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 ainda
é contada como uma “descoberta”, como era há algumas décadas? Filha de
imigrantes poloneses, a artista Anna Bella Geiger questiona, neste trabalho, nossas
origens e as narrativas que construímos sobre elas. Como saber se o que ouvimos
é verdadeiro? E, se nem tudo é o que parece, será que podemos julgar alguém
apenas pela primeira impressão?
"Eu
gostei de brincar com a ideia de dois Brasis: o nativo, onde viviam e ainda
vivem os povos indígenas, os primeiros habitantes do nosso país; e o
alienígena, palavra que significa alguém que não é originalmente daquele lugar.
E que somos nós, que viemos viver nesta terra desde o século XVI, vindos de
Portugal e de outros países da Europa, e nos tornamos também brasileiros.
Também criei essas imagens para mostrar que elas nem sempre contam toda a
verdade. Quando me visto como uma guerreira, fingindo ser uma indígena, quero
mostrar que não podemos saber quem uma pessoa é, apenas olhando para sua
aparência ou para a roupa que ela veste. As pessoas são diferentes e não cabem
em rótulos ou estereótipos." - Anna Bella Geiger
Fernando
Young
Quais
festas populares você conhece e frequenta? Já pensou sobre a origem delas, suas
músicas, fantasias, máscaras e significados? Neste trabalho, o fotógrafo
Fernando Young viajou até uma cidadezinha em Goiás para registrar uma
celebração que remonta a fatos históricos de mais de 800 anos. Vale também
refletir sobre como narrativas históricas e religiosas foram construídas e
transmitidas ao longo do tempo.
Todos
os anos, centenas de pessoas mascaradas percorrem as ruas da cidade de
Pirenópolis, montadas em cavalos, como parte de um festejo popular chamado de
Cavalhadas. Parte da Festa do Divino Espírito Santo, elas encenam, de forma
teatral, as batalhas entre cristãos e mouros ocorridas durante a Idade Média na
Península Ibérica. Nos três dias de encenações, dois grupos distintos, um
representando os mouros (vestidos de vermelho), o outro os cristãos (vestidos
de azul) encenam repetidamente as batalhas sobre seus cavalos. Nos intervalos,
um terceiro grupo, os mascarados, também chamados de cucurucus, anima o público
com máscaras divertidas e roupas coloridas, destoando, com seu comportamento
irreverente, do gestual solene da encenação das batalhas.
Joelington
Rios
Ao
longo de sua história, o Rio de Janeiro recebeu povos de diferentes origens.
Muitos chegaram por vontade própria, enquanto outros foram trazidos à força
durante o período colonial. Como o maior porto de entrada de africanos
escravizados nas Américas, a cidade recebeu cerca de dois milhões de pessoas
entre os séculos XVI e XIX. Você conhece o Cais do Valongo? Localizado na Zona
Portuária, o sítio ganhou o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017,
por ser o único vestígio material desta chegada na América e um marco
fundamental para a preservação da memória desse período da história.
Nascido
no quilombo Jamary dos Pretos, no Maranhão, Joelington Rios chega também ao Rio
de Janeiro, mas, a partir de sua arte, passa a criar novas narrativas da
história e a relação de pessoas racializadas com a cidade. Sua pesquisa tem
como objetivo revelar outras corporalidades, criar significado, ressignificar
memórias e elaborar outras formas de existência.
Luiz
Braga
O
cotidiano pode ser poético? O que merece ser registrado em imagens? Você tem o
hábito de tirar fotos de coisas e das pessoas do seu cotidiano? O premiado
fotógrafo Luiz Braga nasceu em Belém do Pará, e aos 11 anos começou a
fotografar. Durante muito tempo, suas imagens foram principalmente em preto e
branco. Até que ele descobriu as cores da visualidade popular amazônica e sua
fotografia ficou ainda mais vibrante. Um dado interessante é que ele tem uma
relação de proximidade com seus fotografados: mantém com eles um contato
constante ao longo dos anos.
“A
obra “A Preferida” retrata uma cena comum na periferia ribeirinha de Belém (Pará),
vemos a cena sendo iluminada pelas diversas cores. Na cena onde a família está
reunida em frente a sua casa podemos observar vários cenários, no centro vemos
o churrasquinho posto à mesa, ao fundo vemos uma caixa de som que toca enquanto
as pessoas conversam, a luz vermelha a direita sinaliza que ainda tem o açaí,
fruto típico da região amazônica, para vender na barraquinha A Preferida. A
imagem é subvertida pelas cores e a luz artificial dando movimento a vida que
pulsa no ambiente, um povo singelo que tem a cor como identidade é um retrato
rico da nossa Brasilidade” - Luiz Braga
Maria
Baigur
Quanto
vale uma vista para o mar? No Rio de Janeiro, muitas das áreas mais valorizadas
estão localizadas ao longo da orla, onde a paisagem se transforma em um símbolo
de status. Ao mesmo tempo, há um contraste marcante: diversas favelas também
ocupam morros com vistas privilegiadas, mas seus moradores convivem diariamente
com a falta de infraestrutura, serviços públicos e oportunidades. A mesma
paisagem que representa luxo para alguns é apenas o cenário de uma vida marcada
por desigualdades para outros.
Nesta
imagem de Maria Baigur, a cidade ainda não é ocupada por personagens, ela é a
própria paisagem que se torna personagem. Não se trata de uma imagem sobre
arquitetura, trata de estados de passagem. O muro não separa apenas um dentro e
um fora; ele interrompe a visão e, ao mesmo tempo, a projeta para um horizonte
sem medida. A parabólica aponta para um céu vazio. É nesse deslocamento do
olhar que a paisagem deixa de funcionar como cenário e passa a existir como
personagem, revelando uma dimensão metafísica escondida nas formas mais comuns
da cidade. Quais são os limites e quais deles podemos ultrapassar?
Miguel
Rio Branco
No
Brasil do começo do século XX, o banho de mar deixou de ser apenas um ato
terapêutico, indicado para tratar doenças, e passou a ser visto como uma
atividade de lazer e convivência social. Todo mundo se encontra lá. O que você
acha bonito em uma visita à praia e o que não gosta?
Miguel
Rio Branco é um dos nomes mais importantes da fotografia contemporânea
brasileira, com grande projeção internacional. Ele também atua como pintor e
diretor de cinema. É neto do cartunista J. Carlos, bisneto do Barão do Rio
Branco e tataraneto do Visconde de Rio Branco. Você conhece esses nomes? Suas
obras são marcadas por cores fortes e intensas e registram momentos da vida
cotidiana de maneira muito poética. Esta imagem única se cria a partir da
junção de nove fotos. Como um filme é feito de vários pedacinhos. Misturando
diferentes momentos, ele cria um grande quebra-cabeça de lembranças e ideias
que nos convidam a olhar com atenção e imaginar nossas próprias histórias.
Vik
Muniz
Quando
não havia ainda e-mail, aplicativo de mensagens ou redes sociais, quando as
pessoas viajavam, elas mandavam pelo correio um cartão-postal. Um pedaço de
papel com uma foto de uma paisagem ou um ponto turístico de um lado e do outro
um espaço para escrever uma mensagem rápida e enviar, sem a necessidade de um
envelope. Você já enviou uma carta ou um cartão postal?
Nesta
série, o artista Vik Muniz recria paisagens icônicas globais utilizando
colagens gigantescas feitas exclusivamente a partir de fragmentos de
cartões-postais antigos que ele coleciona. Em vez de utilizá-los prontos, ele
os corta em pequenos fragmentos e monta grandes colagens. Mas será que o mundo
não é mais ou menos assim? De quantos lugares é feita a nossa cidade? Quantas
construções, pessoas, veículos, coisas? Tudo isso não está junto, ao mesmo
tempo? Este trabalho também brinca com a percepção visual: de longe, as obras
parecem fotografias nítidas. Quando nos aproximamos, a imagem revelando a
infinidade de pequenos pedaços sobrepostos.
Fonte:
Ipê Amarelo Comunicação