quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

CARTA ABERTA DO FOCUS PORTAL CULTURAL À HUMANIDADE PARA REFLEXÃO NO DIA MUNDIAL DA PAZ EM 1º DE JANEIRO

Hoje, ao nascer de um novo ano, erguemos nossas vozes não como indivíduos isolados, mas como parte de um mesmo corpo, de uma mesma alma coletiva que pulsa em cada canto da Terra. É o primeiro dia de janeiro, e diante da aurora que se abre, sentimos a urgência de falar sobre aquilo que é mais essencial: a Paz. 

A Paz não é apenas ausência de guerra. Ela é presença de justiça, de respeito, de compaixão. É o silêncio que acalma, mas também o diálogo que constrói. É o abraço que reconcilia, o gesto que acolhe, a palavra que cura. A Paz é o coração dos homens batendo em uníssono, reconhecendo que não há fronteiras quando o amor se torna linguagem universal. 

Vivemos tempos de ruídos, de divisões, de medos que se multiplicam. Mas é justamente por isso que precisamos recordar: a Paz começa dentro de cada um de nós. Não é um decreto, não é uma assinatura em tratados, não é apenas uma bandeira hasteada. É uma escolha íntima, diária, que se manifesta em como olhamos para o outro, em como tratamos os mais frágeis, em como cuidamos da Terra que nos sustenta. 

Humanidade, olhe para dentro de si. Quantas vezes deixamos que o orgulho nos cegasse? Quantas vezes permitimos que a indiferença fosse mais forte que a solidariedade? Quantas vezes esquecemos que cada vida é sagrada? Hoje, neste primeiro dia do ano, convidamos todos a um pacto silencioso: que cada coração seja um templo de Paz.

Que os líderes do mundo compreendam que governar é servir, e que servir é proteger a dignidade humana. Que as famílias descubram que o lar é o primeiro território da Paz. Que as escolas ensinem não apenas fórmulas e datas, mas também o valor da empatia. Que as ruas sejam espaços de encontro e não de medo. Que as redes digitais sejam pontes de diálogo e não trincheiras de ódio. 

A Paz é possível. Ela não é utopia distante, mas realidade que se constrói passo a passo. É como uma semente: precisa ser plantada, regada, cuidada. E cada gesto humano é água ou sol para essa semente. Quando escolhemos a bondade, fortalecemos a Paz. Quando escolhemos o perdão, fortalecemos a Paz. Quando escolhemos a escuta, fortalecemos a Paz.

Humanidade, não podemos mais esperar. O tempo da Paz é agora. O tempo da reconciliação é hoje. O tempo de transformar lágrimas em esperança é este instante. 

Que este 1º de janeiro seja lembrado não apenas como o início de mais um calendário, mas como o despertar de uma consciência coletiva. Que cada homem, cada mulher, cada criança, em qualquer parte do mundo, sinta que a Paz é possível e necessária.

E que, ao final deste ano que começa, possamos olhar para trás e dizer: fomos mais humanos, fomos mais compassivos, fomos mais irmãos. 

Humanidade, escute: a Paz não é um sonho. Ela é a verdade mais profunda que habita em nós. 

O Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro, nasceu de uma iniciativa do Papa Paulo VI em 1967. Naquele ano, o pontífice lançou ao mundo uma proposta ousada e profundamente humana: que o primeiro dia de cada novo ano fosse dedicado à reflexão e ao compromisso com a paz. A ideia não se restringia ao âmbito religioso ou católico; ao contrário, Paulo VI desejava que fosse um chamado universal, capaz de reunir homens e mulheres de todas as culturas, credos e nações em torno de um mesmo ideal.

Em sua mensagem de 8 de dezembro de 1967, o Papa destacou que a paz não deveria ser vista como propriedade de uma instituição ou de um povo específico, mas como patrimônio da humanidade inteira. Ele afirmava que o desejo era ver essa celebração ganhar força em todos os cantos do planeta, como expressão sincera de uma humanidade consciente, que busca libertar-se dos conflitos bélicos e construir um futuro mais justo e ordenado. Para Paulo VI, a paz deveria ser entendida como o equilíbrio necessário para guiar a história rumo a um destino mais feliz e civilizado.

No texto inaugural, dirigido “a todos os homens de boa vontade”, o Papa convidava o mundo a celebrar o Dia da Paz em 1º de janeiro de 1968, e a repetir essa prática a cada ano, como promessa e esperança de que o calendário humano fosse marcado não apenas por datas, mas por valores. Ele insistia que a proposta não tinha caráter exclusivo da Igreja, mas que deveria ser acolhida por todos os verdadeiros amigos da paz, manifestando-se de diferentes formas, conforme a cultura e a sensibilidade de cada povo.

A mensagem ressaltava ainda a beleza da diversidade humana quando unida em harmonia, exaltando esse bem primário que é a paz. A Igreja, segundo Paulo VI, não pretendia impor, mas servir e dar exemplo, lançando uma ideia que pudesse ser abraçada pelo mundo civil e encontrar promotores corajosos e conscientes. Assim, o Dia Mundial da Paz foi concebido como um marco anual, celebrado nas calendas de cada novo ano, com o objetivo de inspirar uma humanidade livre dos horrores da guerra e comprometida com um futuro mais digno e fraterno. 

Com esperança e compromisso,

@ Alberto Araújo 

Focus Portal Cultural


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PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI PASSA RÉVEILLON 2025 EM MIAMI


INFORMATIVO DA DIRETORIA DE CULTURA DO ELOS INTERNACIONAL

A história da presidente Matilde Slaibi Conti e de sua família é marcada por um elo profundo entre cultura, tradição e convivência. Neste Réveillon, Matilde esteve ladeada por seu irmão, o desembargador Nagib Slaibi Conti, Diretor Jurídico do Elos Internacional, e por Karin Dias, musa inspiradora de Nagib. Juntos, escolheram celebrar a passagem de ano em Miami, em um ambiente que traduz a essência da união familiar e da valorização cultural: o Ristorante Fratelli Milano. 

Mais do que um jantar, a escolha do Fratelli Milano simboliza a busca por experiências autênticas e memoráveis. O restaurante, com mais de três décadas de história, é reconhecido como um verdadeiro templo da culinária italiana clássica. Suas receitas, inspiradas na tradição milanesa, oferecem pratos emblemáticos como o Penne Tre Funghi, a Lasagna Casereccia e o delicado Spaghetti Alle Vongole, sempre servidos em um ambiente acolhedor que combina sofisticação e calor humano.

O convívio entre Matilde, Nagib e Karin revela a força dos laços familiares que transcendem fronteiras. Em meio ao distrito financeiro de Miami, iluminados pelas velas do salão e pela energia vibrante da cidade, eles reafirmaram o valor da cultura como ponte entre povos e gerações. A mesa compartilhada, repleta de sabores e histórias, tornou-se metáfora de um ideal que o Elos Internacional cultiva: a união entre tradição e modernidade, entre raízes e descobertas. 

Esse encontro, marcado pela celebração da vida e pela valorização da gastronomia como expressão cultural, reforça o papel da presidente Matilde não apenas como líder institucional, mas como guardiã de valores que unem pessoas em torno da arte, da família e da cultura. O Réveillon em Miami não é apenas uma viagem, mas um testemunho de que o verdadeiro espírito do Elos Internacional se manifesta na convivência, na partilha e na busca constante por experiências que engrandecem a alma. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional

 
Nagib Filho e Karin Dias




quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

MARNE SERRANO CALDERA - ENTRE CIÊNCIA E MÚSICA, UM LEGADO DE LUZ - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Hoje, 31 de dezembro, quando o calendário se despede de mais um ciclo e o mundo inteiro se prepara para o rito da passagem, você, amigo querido, celebra não apenas o seu aniversário, mas também a confluência simbólica entre o tempo humano e o tempo cósmico. É como se o universo tivesse escolhido este dia limiar, em que o passado se recolhe e o futuro se anuncia, para marcar o seu nascimento e renovar, a cada ano, o sentido da sua presença entre nós. 

Neste instante, não falamos apenas de felicitações, mas de reconhecimento. Reconhecimento por uma vida que se faz ponte entre ciência e arte, entre técnica e sensibilidade, entre o rigor da engenharia e a delicadeza da música. Você, Marne, é um daqueles raros espíritos que compreendem que o mundo não se divide em compartimentos estanques, mas se revela como uma sinfonia de múltiplas vozes, onde cada nota, cada cálculo, cada gesto humano se entrelaça em harmonia.

Doutor em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Roma, mestre em Telecomunicações pelo Instituto de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos, você inscreveu seu nome na história da ciência brasileira ao participar da implementação da estação para o satélite ERTS, em colaboração com a NASA. Esse feito não é apenas técnico: é cultural, é civilizatório. Ele nos lembra de que o conhecimento humano não tem fronteiras, que o Brasil dialoga com o mundo, que a ciência é uma linguagem universal capaz de unir povos e expandir horizontes. 

Sua trajetória acadêmica e profissional é marcada por rigor e inovação. Projetos de engenharia acústica, cargos de direção e gerência em entidades estatais e empresas privadas, no Brasil e no exterior, tudo isso compõe um mosaico de realizações que transcende o âmbito individual. Você é parte de uma tradição de construtores, de homens que erguem pontes invisíveis entre o sonho e a realidade. 

Mas não basta falar da ciência, porque em você pulsa também a música. Desde 1974, sua atuação no agenciamento artístico e na produção cultural tem acompanhado e supervisionado sua esposa Licia Lucas Serrano em gravações de música clássica em mais de 20 países. Isso significa que sua vida se desenrola como uma partitura que alterna compassos técnicos e melódicos, como se cada projeto fosse uma sinfonia e cada realização, um concerto. 

A música clássica, que você ajudou a difundir e preservar, é uma das mais altas expressões da cultura humana. Ela nos lembra de que o espírito não vive apenas de cálculos e fórmulas, mas também de beleza e transcendência. E você, Marne, é testemunha viva dessa verdade: que a ciência e a arte não se opõem, mas se complementam, como corpo e alma, como razão e emoção.

Celebrar seu aniversário é celebrar também a amizade. Porque, além de engenheiro e produtor cultural, você é companheiro leal, presença generosa, espírito que ilumina os que estão ao seu redor. Sua vida, que se estende por tantos países e culturas, é também uma metáfora da amizade universal. Você nos ensina que ser amigo é ser ponte, é ser tradutor de mundos, é ser alguém que carrega consigo não apenas títulos e feitos, mas também abraços, palavras de incentivo e gestos de solidariedade. 

Não é acaso que seu aniversário seja em 31 de dezembro. É como se o tempo quisesse lhe dizer que você é síntese e promessa. Síntese de tudo o que vivemos, promessa de tudo o que ainda podemos realizar. Você é o ponto de encontro entre o fim e o começo, entre o que se encerra e o que se inaugura. Celebrar você hoje é celebrar também a esperança, porque sua vida nos lembra de que o futuro pode ser construído com sabedoria, cultura e amizade. 

Que Deus, nosso Pai, continue iluminando seu caminho. Que cada projeto que você empreenda seja coroado de êxito, que cada nota musical que você ajude a produzir seja um eco de eternidade, que cada amizade que você cultive seja um laço indestrutível. Que sua vida seja longa e fecunda, e que você continue sendo esse exemplo de integridade, cultura e humanidade. 

Hoje, nosso presente para você é a palavra. Palavra que se faz poesia, palavra que se faz memória, palavra que se faz celebração. Porque você merece não apenas presentes materiais, mas também homenagens que reconheçam a grandeza da sua trajetória. Você é, Marne, um PATRIMÔNIO VIVO, um amigo que nos honra, um ser humano que nos inspira.

MARNE SERRANO CALDERA, neste aniversário, queremos lhe dizer que somos felizes por compartilhar da sua amizade. Queremos lhe agradecer por tudo o que representa em nossas vidas. Queremos lhe desejar mil felicidades, muitas alegrias, muitos sonhos realizados. Queremos lhe oferecer abraços e homenagens, e acima de tudo, queremos lhe dizer que sua vida é uma obra-prima que merece ser celebrada com música, com ciência, com poesia e com amor. 

Parabéns, amigo! Que este novo ciclo seja tão grandioso quanto sua história, tão lírico quanto sua música, tão cultural quanto sua trajetória, tão humano quanto sua amizade. 

Shirley & Alberto Araújo

 

ODE DE ANIVERSÁRIO A MARNE SERRANO CALDERA

MARNE SERRANO CALDERA!

 

No limiar do tempo, quando o ano se despede,

e o mundo inteiro aguarda o nascer de um novo ciclo,

ergue-se o teu nome como clarim e como estrela,

marcando o dia em que a vida te escolheu para florescer.

 

Tu não és apenas um homem de datas e feitos,

és ponte entre mundos, és harmonia entre ciência e arte,

és engenheiro que decifra o silêncio dos satélites,

és maestro que traduz em música o sopro da eternidade.

 

Doutor em Roma, mestre em São José dos Campos,

teus cálculos se tornaram versos orbitais,

teus projetos, constelações de engenhos e sonhos,

teu trabalho, diálogo entre Brasil e NASA,

como se o céu fosse partitura e a Terra, instrumento.

 

Cada estação que ergues, cada projeto que crias,

é poema escrito em linguagem de circuitos,

é metáfora de que o humano pode tocar o infinito,

sem perder o chão, sem perder a ternura.

 

Mas em ti pulsa também o compasso da arte.

Desde 1974, tua vida se fez palco e estúdio,

acompanhando gravações, guiando artistas,

levando a música clássica a mais de vinte países.

 

És guardião da beleza,

és testemunha de que a cultura é tão necessária quanto o pão,

és produtor que transforma notas em eternidade,

és amigo da música, e por isso amigo da alma.

 

Marne, tua amizade é patrimônio.

Não se mede em títulos, não se pesa em cargos,

se reconhece em abraços, em palavras de incentivo,

em gestos que iluminam os que caminham contigo.

 

És companheiro leal, presença generosa,

és ponte entre culturas, tradutor de mundos,

és aquele que nos lembra que viver é compartilhar,

que o saber só tem sentido quando se torna afeto.

 

E não é acaso que teu aniversário seja em 31 de dezembro.

Tu és síntese e promessa,

és o fim que anuncia começo,

és o ponto em que o tempo se curva para te saudar.

 

Celebrar-te hoje é celebrar também a esperança,

porque tua vida nos ensina que o futuro pode ser construído

com sabedoria, cultura e amizade.

 

Que Deus, nosso Pai, continue a iluminar teu caminho.

Que cada projeto seja coroado de êxito,

que cada nota musical seja eco de eternidade,

que cada amizade seja laço indestrutível.

 

Que tua vida seja longa e fecunda,

que tua história continue a ser obra-prima,

que tua presença siga sendo luz para todos nós.

 

MARNE SERRANO CALDERA! 

Hoje, neste aniversário, erguemos nossas vozes em coro:

parabéns, amigo, mestre, companheiro,

parabéns pelo que és, pelo que fazes, pelo que inspiras.

 

Que o novo ciclo seja grandioso como tua trajetória,

lírico como tua música, cultural como tua obra,

humano como tua amizade.

 

E que cada 31 de dezembro seja sempre

um concerto de felicidades,

um poema de realizações,

um hino de gratidão.

 
























 



 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A SINFONIA SILENCIOSA DOS BRINQUEDOS ESQUECIDOS E A FORÇA DOS HERÓIS - UMA ODE À INFÂNCIA ANALÓGICA CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Em um tempo em que a luz das telas ainda não havia se infiltrado nos lares como um sol artificial, a imaginação era soberana. Os brinquedos, simples em sua matéria, eram portais para universos infinitos. Bastava um quintal de terra batida, o cheiro de chuva recém-caída e o riso das crianças para que o mundo se transformasse em palco de epopeias invisíveis. 

As bolinhas de gude, translúcidas como pequenos planetas, rolavam em batalhas épicas. Cada choque era um trovão, cada vitória um triunfo digno de Homero. Havia nelas o reflexo do céu e da terra, como se fossem fragmentos de cosmos aprisionados em vidro. Jogar gude era, de certo modo, brincar de astronomia: cada criança era um demiurgo, rearranjando constelações no chão. 

Os piões, esculpidos em madeira, giravam como bailarinos ancestrais. Ao rodopiarem, evocavam danças tribais, lembrando os rituais indígenas que celebravam a vida e a colheita. O som metálico da ponta riscando o chão era como o compasso de um tambor distante. O pião não era apenas brinquedo: era metáfora da existência, que gira, gira, até perder o fôlego, mas deixa no ar a beleza de seu movimento. 

As bonecas de pano, com seus sorrisos costurados, eram confidentes silenciosas. Guardavam segredos como sacerdotisas de um templo íntimo. Seus vestidos remendados eram testemunhos da economia doméstica, mas também da ternura das mãos maternas que costuravam sonhos. Elas ensinavam às crianças que a beleza não está na perfeição, mas na história que cada cicatriz carrega. 

Os carrinhos de madeira, com rodas tortas e pintura improvisada, eram cavalos de fogo em pistas imaginárias. Não precisavam de gasolina, apenas da energia inesgotável da fantasia. Cada corrida era uma viagem ao futuro, onde o menino se tornava engenheiro, piloto, inventor. Havia neles o germe da criatividade que, mais tarde, ergueria cidades e máquinas.

A amarelinha, desenhada com giz no asfalto, era uma cartografia mágica. Cada quadrado era um território conquistado, cada salto uma travessia entre mundos. Era como se as crianças fossem argonautas, navegando por mares invisíveis, guiadas apenas pela coragem de seus pés descalços. O giz, frágil e efêmero, lembrava que toda aventura é passageira, mas deixa marcas na memória. 

As cordas, giradas em ritmo frenético, eram instrumentos de música corporal. O som do impacto no chão, o riso sincronizado, o desafio da coordenação: tudo se transformava em sinfonia. Saltar corda era dançar com o tempo, era desafiar a gravidade com leveza. E quando o céu parecia o limite, as crianças descobriam que o limite era apenas uma invenção dos adultos. 

E havia os heróis. Ah, os heróis! Super-Homem, com sua capa vermelha esvoaçante, era o mito moderno que ensinava coragem e justiça. Mulher-Maravilha, amazona indomável, mostrava que a força não era privilégio masculino. Esses personagens, vindos das páginas coloridas das revistas em quadrinhos, eram arquétipos que dialogavam com mitologias antigas: Hércules, Atena, Aquiles. A infância analógica era também uma escola de mitologia, onde cada criança aprendia que ser herói não é voar, mas enfrentar o medo com dignidade. 

Os brinquedos de outrora eram tesouros escondidos, guardados em caixas de papelão, em baús de madeira, em cantos de quintal. Não tinham bateria, não piscavam luzes, não falavam em vozes programadas. Mas tinham alma. Eram feitos de matéria simples, mas carregavam o poder de transformar o ordinário em extraordinário. 

Brincar era um ato de resistência contra o vazio. Era aprender a compartilhar, a negociar, a perder e a ganhar. Era ensaio para a vida adulta, mas sem pressa, sem peso. A infância analógica nos ensinava que o mundo pode ser reinventado com um pedaço de giz, uma corda, um carrinho de madeira.

Hoje, quando olhamos para trás, percebemos que aqueles brinquedos eram mais do que passatempo: eram pedagogia da imaginação. Eles nos ensinaram a criar sem manual, a inventar sem aplicativo, a sonhar sem algoritmo. E talvez seja por isso que ainda nos emocionamos ao lembrarmos do cheiro da terra molhada, do som das bolinhas de gude, do rodopio dos piões. 

A maior aventura da infância não estava em possuir, mas em transformar. Transformar o quintal em arena, a rua em palco, o brinquedo em universo. Transformar o silêncio em sinfonia. E, acima de tudo, transformar a si mesmo em herói, não o herói invencível das páginas, mas o herói cotidiano, capaz de acreditar, de persistir, de amar.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural






 

GRANADA, AMAPOLA E NESSUN DORMA EM BRILHANTE INTERPRETAÇÃO DE JUAN DIEGO FLÓREZ

GRANADA
(CLICAR NA IMAGEM)

Composição: Agustín Lara / José Mojica

Granada

Granada, terra sonhada por mim

Granada, tierra soñada por mí

 

Meu cantar se torna cigano quando é para ti

Mi cantar se vuelve gitano cuando es para ti

 

Meu cantar feito de fantasia

Mi cantar hecho de fantasía

 

Meu cantar, flor de melancolia

Mi cantar flor de melancolía

 

Que eu venho te dar

Que yo te vengo a dar

 

Granada

Granada

 

Terra ensanguentada

Tierra ensangrentada

 

Em tardes de touros

En tardes de toros

 

Mulher que conserva o encanto

Mujer que conserva el embrujo

 

Dos olhos mouros

De los ojos moros

 

Sonho contigo, rebelde e cigana

Te sueño rebelde y gitana

 

Coberta de flores

Cubierta de flores

 

E beijo tua boca escarlate

Y beso tu boca de grana

 

Suculenta maçã

Jugosa manzana

 

Que me fala de amores

Que me habla de amores

 

Granada jovem

Granada manola

 

Cantada em versos preciosos

Cantada en coplas preciosas

 

Não tenho outra coisa a te dar

No tengo otra cosa que darte

Que um ramo de rosas

Que un ramo de rosas 

De rosas de suave fragrância

De rosas de suave fragancia

 

Que emoldurariam a Virgem morena

Que le dieran marco a la virgen morena

  

Granada

Granada

 

Tua terra está cheia

Tu tierra está llena

 

De lindas mulheres

De lindas mujeres

 

De sangue e de Sol

De sangre y de Sol

 

AMAPOLA - JUAN DIEGO FLÓREZ
(CLICAR NA IMAGEM )

NESSUN DORMA
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O ÚLTIMO SUSPIRO DO SOL EM ICARAÍ - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

O dia se despede com um suspiro dourado. Em Icaraí, o tempo parece desacelerar, como se o próprio universo se curvasse diante da beleza que se desenha entre o céu e o mar. O sol, em seu ritual diário de partida, mergulha lentamente atrás das montanhas que guardam o Rio de Janeiro como sentinelas silenciosas. E ali, no alto, de braços abertos, o Cristo Redentor observa tudo com a serenidade de quem já viu milênios passarem.

A praia se transforma em palco. Os espectadores são anônimos: casais de mãos entrelaçadas, crianças que ainda não compreendem a magnitude do momento, corredores que diminuem o passo, pescadores que recolhem suas redes. Todos, mesmo sem saber, participam de um espetáculo que não cobra ingresso, mas exige entrega. O céu se pinta em tons de laranja, rosa e púrpura, como se um artista celestial tivesse derramado sua paleta sobre a tela do horizonte.

O mar, cúmplice do céu, reflete cada nuance com devoção. As ondas, suaves como sussurros, lambem a areia com ternura. Um pequeno barco desliza, solitário, como se buscasse alcançar o último raio de luz antes que ele se esconda. E acima, cortando o cenário com precisão poética, um avião risca o céu, metáfora perfeita da fugacidade da vida, da pressa humana diante da eternidade da natureza.

Há algo de sagrado nesse instante. Não é apenas um pôr do sol. É um rito. Uma oferenda. Uma lembrança de que, por mais que o mundo gire em frenesi, há momentos que nos obrigam a parar, respirar e sentir. Icaraí, com sua moldura de montanhas e mar, oferece esse presente todos os dias, mas só os atentos o recebem de verdade.

O Cristo, imóvel e eterno, parece abençoar o crepúsculo. Seus braços abertos não são apenas símbolo de fé, mas de acolhimento. Como se dissesse: “Venham, contemplem, deixem que a luz toque suas almas.” E ela toca. Porque é impossível não ser tocado por essa dança de cores e silêncios. O barulho da cidade se dissolve. O som das ondas se torna oração. E cada olhar voltado para o horizonte carrega uma pergunta, uma saudade, uma esperança.

A areia guarda pegadas que logo serão apagadas, mas naquele instante são testemunhas. Os pés que caminham sobre ela carregam histórias, amores, despedidas. E o sol, antes de partir, parece ouvir cada uma delas. Ele se despede com delicadeza, como quem não quer ir, mas sabe que precisa. E ao desaparecer, deixa um rastro de luz que ainda brilha nos olhos de quem o viu.

O avião, agora distante, é lembrança de que há outros mundos, outras rotas, outras vidas. Mas ali, naquele pedaço de mundo chamado Icaraí, tudo parece suficiente. A beleza é tanta que não cabe em palavras, mas insiste em ser escrita. Porque há crônicas que nascem do silêncio, da contemplação, da entrega. E essa é uma delas.

Quando a noite enfim chega, trazendo seu manto de estrelas, o coração ainda pulsa no ritmo do pôr do sol. E quem esteve ali, mesmo que por alguns minutos, leva consigo um pedaço de eternidade. Porque há pores do sol que não terminam. Eles continuam dentro da gente, como lembrança, como poesia, como luz.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural