FATOS
E ACONTECIMENTOS: CENTENÁRIO 1921 - 2021 DA ESTREIA DO FILME 'O GAROTO' | 'THE
KID', DIRIGIDO E ESTRELADO POR CHARLIE CHAPLIN. A SENSÍVEL COMÉDIA “O GAROTO” É
O PRIMEIRO LONGA-METRAGEM MUDO DO DIRETOR.
Momento
especial para Chaplin, o lançamento de "O Garoto", em 16 de janeiro
de 1921. Foram nove meses de filmagem e uma montanha de negativo gasto, na
proporção de 53 rolos usados para cada usado na montagem. No meio, o divórcio.
Já então ungido como o único gênio a praticar essa arte ínfima, o cinema,
Chaplin comprovou no longa a genialidade que já tinha demonstrado nos filmes de
um ou dois rolos. Talvez hoje ninguém mais acredite, como no passado, que
Charlie Chaplin era o único gênio da arte, o cinema.
Completando
cem anos, "O Garoto", primeiro longa-metragem de Charles Chaplin,
deixa claro que no cinema desse diretor o que vem primeiro é o personagem
Carlitos. O tipo mais marcante da história do cinema, com seu corpo coberto de
paradoxos. Já nos trajes convivem o gentleman e o vagabundo, o nobre e o pária,
reverberando em seu comportamento como se ali se concentrassem os equívocos
todos da humanidade. A tais e tantos equívocos Carlitos responde com um altivo
e não raro sarcástico espírito de resistência e algum sentimentalismo.
Permanece indiferente ao juízo da sociedade. É vagabundo e orgulhoso. O certo é
que tudo está em seu corpo, o que explica por que Chaplin passou momentos de
tanta angústia quando começou a primeira exibição pública de "O
Garoto".
Uma
das cenas mais tocantes da produção ocorre quando o vagabundo tenta impedir
dois agentes de levarem o menino, já que o personagem Carlitos não é seu tutor
legal. A trilha sonora do filme foi composta somente em 1971, pelo próprio
Charles Chaplin, e inserida em uma nova versão do longa. Lançado no Brasil em 6
de maio de 1921 'O Garoto'
Cenas
iniciais
Uma
jovem mãe, sem dinheiro ou opções, deixa o seu bebê no interior de um
automóvel. O carro é roubado por um par de malfeitores. Ao se depararem com a
criança que chora no banco de trás, a tiram de lá e a põem ao lado de uma lata
de lixo. Toda essa parte expositiva sugeria um melodrama o gênero era ainda
mais central no cinema há cem anos do que é hoje.
Carlitos
apanha o bebê e o leva à sua pobre casa. Não sabe o que fazer com uma criança
que chora. Improvisa, transforma um bule em mamadeira. Corta o assento de uma
cadeira, fazendo um círculo onde possa sentar a criança para que ela faça suas
necessidades.
Desafiando
a lei e a ordem com altivez para guardar o menino das garras do poder
"bem-intencionado", sempre disposto a fechar a criança num orfanato
ou pior. Até esse momento, o espectador já está a par das outras virtudes de
Carlitos o corpo tão ágil quanto o espírito, a combatividade, mas também certa
alegria de existir, mesmo quando o mundo inteiro é adverso a ele. Do começo ao
fim, Chaplin se manterá fiel ao seu personagem.
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