Hoje, Demi Moore segura a mão de Bruce Willis como quem segura a própria memória. Não a memória dos anos que passaram, mas a memória de um amor que, mesmo depois do fim, nunca se foi.
Mais de vinte anos desde que o casamento acabou, e, ainda assim, ali está ela, presente, firme, silenciosa. Porque algumas histórias não terminam com papéis assinados ou portas fechadas; algumas histórias se transformam. E o que eles construíram foi maior do que qualquer título ou cerimônia: um vínculo inquebrável.
Antes de Bruce, Demi sobreviveu à vida. Infância marcada por feridas invisíveis, juventude perdida em solidão e vazios que nada pareciam preencher. E então ele chegou. Não como herói de filme, mas como homem que a via, que a respeitava, que a protegia. Pela primeira vez, ela sentiu-se segura. Pela primeira vez, ela entendeu o que era um lar.
Casaram-se, criaram três filhas, compartilharam alegrias e tropeços. O casamento acabou, mas o respeito e a ternura permaneceram, raros tesouros que sobrevivem aos divorciados.
Agora, o tempo e a doença transformam o homem que foi seu apoio, em alguém que precisa do cuidado dela. E Demi está lá, novamente, não por obrigação ou piedade, mas porque o amor verdadeiro deixa marcas indeléveis. Ela segura sua mão, protege sua dignidade, guarda sua paz.
O amor, aprendemos com eles, nem sempre permanece da mesma forma. Às vezes, morre como paixão, mas renasce como cuidado. Às vezes, desaparece como casamento, mas persiste como fidelidade. Ele muda de rosto, de forma, de função, mas não some.
E quando Demi segura a mão de Bruce hoje, está provando que o verdadeiro amor não são palavras, votos ou cerimônias. O verdadeiro amor é presença. É cuidado silencioso. É coragem de continuar, mesmo quando tudo muda. É estar ali quando todos os outros se vão.
Porque o amor não desaparece. Ele apenas aprende a viver de novo.
© Alberto Araújo
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