terça-feira, 20 de janeiro de 2026

EDUCAÇÃO NORDESTINA O FUTURO QUE JÁ CHEGOU © FOCUS PORTAL CULTURAL

O Nordeste brasileiro sempre foi visto como uma terra de resistência, cultura vibrante e criatividade sem limites. Mas, nos últimos anos, uma nova narrativa tem ganhado força: a da educação como motor de transformação social e econômica. O que antes era apenas uma promessa, hoje se consolida em resultados concretos, como o desempenho extraordinário dos estudantes da região no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).  

Em 2025, os números preliminares revelaram que o Nordeste lidera o ranking de notas mil na redação do ENEM. Cinco jovens nordestinos alcançaram a pontuação máxima, um feito que não é apenas estatístico, mas simbólico. Pernambuco e Bahia, cada um com dois estudantes nota mil, e Alagoas, com um representante, mostraram que a região não apenas acompanha o ritmo nacional, mas dita tendências. Enquanto isso, no Sudeste, apenas o Rio de Janeiro registrou um candidato com desempenho equivalente.  

Esse resultado não é fruto do acaso. Ele reflete décadas de investimento em políticas públicas, programas de incentivo à leitura, expansão das universidades federais e estaduais, além da valorização da cultura local como ferramenta pedagógica. O Nordeste entendeu que educação não é apenas transmissão de conteúdo, mas também construção de identidade e cidadania.  

O que diferencia a educação nordestina é sua capacidade de integrar saberes. A literatura de cordel, as manifestações populares, a música e a oralidade são incorporadas às práticas escolares, tornando o aprendizado mais significativo. O estudante nordestino não aprende apenas a escrever uma redação; ele aprende a contar histórias, a defender ideias, a se posicionar diante do mundo. 

Essa conexão entre cultura e ensino fortalece a autoestima dos jovens e cria um ambiente fértil para a excelência acadêmica. Não é coincidência que tantos tenham alcançado a nota máxima em uma prova que exige clareza, argumentação e domínio da língua portuguesa. O Nordeste respira linguagem, e seus estudantes transformam esse ar em palavras poderosas.  

Nos últimos anos, estados nordestinos têm investido em escolas de tempo integral, bibliotecas comunitárias e programas de formação docente. Pernambuco, por exemplo, tornou-se referência nacional em educação integral, com resultados expressivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A Bahia ampliou o acesso ao ensino técnico e tecnológico, preparando jovens para o mercado de trabalho e para a inovação. Alagoas, que historicamente enfrentava desafios educacionais, tem mostrado avanços consistentes, com iniciativas voltadas para a alfabetização e para a inclusão digital.  

Essas políticas não apenas melhoram indicadores, mas transformam vidas. Cada estudante que alcança a nota mil carrega consigo uma história de superação, de famílias que acreditaram na educação como caminho, de professores que se dedicaram além da sala de aula, de comunidades que se mobilizaram para garantir oportunidades. 

Mais do que números, o desempenho no ENEM reafirma uma verdade histórica: o Nordeste é potência intelectual. A região que deu ao Brasil escritores como Jorge Amado, Ariano Suassuna e Rachel de Queiroz agora forma jovens que podem ser os próximos grandes pensadores, cientistas e líderes.  

Esse orgulho não é apenas regional; é nacional. O Brasil precisa reconhecer que o avanço educacional do Nordeste é uma conquista coletiva, que fortalece o país como um todo. Afinal, quando um estudante nordestino alcança a nota máxima, ele prova que talento não tem fronteiras e que a educação é capaz de romper qualquer barreira social ou geográfica. 

Se os dados preliminares já impressionam, o que esperar dos próximos anos? A tendência é de crescimento. Com a expansão da conectividade, o fortalecimento das universidades e a valorização da ciência e da cultura, o Nordeste se posiciona como protagonista de uma nova era educacional. 

O futuro que muitos imaginavam distante já chegou. Ele está nas salas de aula de Recife, nos laboratórios de Salvador, nas bibliotecas de Maceió. Está nos sonhos de cada jovem que acredita que pode transformar sua realidade por meio do conhecimento.  

O Nordeste não é apenas uma região que lidera rankings. É um território que ensina ao Brasil que educação é mais do que notas: é identidade, é resistência, é esperança. Os cinco estudantes que alcançaram a nota mil no ENEM 2025 são símbolos de uma revolução silenciosa, mas poderosa. Uma revolução que mostra que o Nordeste não está apenas avançado; está, de fato, à frente. 

@ Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 

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