Há ocasiões na história em que a consideração pública ultrapassa a formalidade de uma honraria. São momentos em que a sociedade, por meio de suas instituições culturais e acadêmicas, se curva diante de uma trajetória que não apenas se inscreve nos anais da memória coletiva, mas que se torna patrimônio vivo de uma nação. É exatamente isso que se celebra quando falamos de Monsenhor João Alves Guedes, que recebeu o título de Destaque Nacional 2025, concedido pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia.
Este título não é apenas um diploma ou uma certificação. Ele é a materialização de décadas de dedicação, de uma vida que se fez ponte entre a fé e a cultura, entre o sacerdócio e a educação, entre a espiritualidade e a preservação da identidade brasileira. Monsenhor Guedes, ao longo de sua caminhada, tornou-se mais do que um presbítero: tornou-se um símbolo. Símbolo da resistência cultural, da valorização da palavra, da força da tradição e da beleza da fé que se traduz em ação concreta.
É raro encontrar personalidades que consigam transitar com naturalidade entre o altar e a tribuna acadêmica, entre a homilia e o discurso literário. Monsenhor Guedes é uma dessas raridades. Sua presença na Academia Niteroiense de Letras e na Academia Fides et Ratio é testemunho de sua capacidade de dialogar com o mundo das ideias, sem jamais perder de vista a essência de sua vocação sacerdotal.
O reconhecimento da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia não se limita a um gesto protocolar. Ele é, antes de tudo, um ato de justiça cultural. Reconhece-se, assim, que o trabalho de Monsenhor Guedes ultrapassa fronteiras regionais e se projeta em âmbito nacional e internacional. Sua voz ecoa não apenas nos púlpitos, mas também nos círculos intelectuais, nas rodas literárias, nos debates pedagógicos e nas reflexões filosóficas.
Ao receber o título de Patrimônio Cultural Brasileiro, Monsenhor Guedes inscreve seu nome entre aqueles que não apenas viveram sua vocação, mas que a transformaram em legado. Sua vida é testemunho de que a cultura e a fé não são esferas opostas, mas dimensões complementares da existência humana.
Cada homenagem recebida, seja como cidadão honorário de municípios fluminenses, seja como Capelão Pontifício, é reflexo de uma trajetória que se construiu na humildade e na entrega. E é justamente essa humildade que torna sua figura ainda mais grandiosa. Monsenhor Guedes não reivindica para si a glória das honrarias. Ele as devolve à Igreja, à Mãe e Mestra que o formou, que o sustentou e que lhe deu sentido.
Ao longo dos anos, Monsenhor Guedes se tornou referência não apenas para os fiéis que o acompanham, mas também para intelectuais, educadores e agentes culturais. Sua atuação pedagógica e acadêmica é marcada pela busca incessante de valorizar a cultura brasileira, de preservar tradições, de incentivar o estudo e de promover o diálogo entre fé e razão.
Sua caminhada é exemplo de que a verdadeira grandeza não está em títulos ou em cargos, mas na capacidade de servir. Servir à Igreja, servir à cultura, servir à comunidade. É essa dimensão de serviço que o torna digno de cada homenagem recebida.
O jornalista Alberto Araújo, pelo Focus Portal Cultural, felicita Monsenhor João Alves Guedes com palavras que não são apenas de congratulação, mas de reverência. Reverência a uma vida que se fez testemunho, reverência a uma trajetória que se tornou inspiração, reverência a um sacerdote que se fez patrimônio.
Monsenhor Guedes, ao receber o título de Destaque Nacional 2025, nos lembra que toda honra deve ser devolvida à Igreja. Sua fala, que transcrevemos a seguir, é a expressão mais pura de sua humildade e de sua fé. É a voz de um homem que, mesmo reconhecido como intelectual e agente cultural, não se vê como protagonista, mas como instrumento.
MENSAGEM DE MONSENHOR JOÃO ALVES GUEDES
“O título, o destaque, a honra conferidos a um presbítero, tudo deve ser direcionado para a Igreja. O homenageado é o padre, mas a honraria, a espetacularidade da homenagem, é para a Igreja. Digo isto porque eu acabo de receber o título dado pela Academia Aldeense de Letras, da qual eu sou membro. É o destaque nacional de dois mil e vinte e cinco. A Igreja é que me proporcionou e proporciona esta, esta alegria.
Sou da Academia Niteroiense de Letras (ANL) e da Academia Fides et Ratio (AFR – Fé e Razão), com sede no Rio de Janeiro, mas com abrangência internacional. Existem vários membros que são de outros países.
Como também já recebi vários títulos: de Capelão Pontifício, que me facultou o título de Monsenhor; o título de Cidadão do Estado do Rio e do município de Rio Bonito, de São Pedro da Aldeia, e muitas outras homenagens das várias câmaras. Não só aqui do nosso Estado, mas fora do Estado. A quem eu devo isto? À Igreja. Porque, se eu não fosse padre, se eu não fosse o Monsenhor Guedes que recebeu o que eu tenho da Igreja, porque por mim só eu não conseguiria.
Eu, neste final de ano, ao ser agraciado com esta homenagem de destaque nacional, do mundo da cultura, duas coisas eu tenho absoluta certeza.
Não sou o
destaque maior do que ninguém. Com certeza, não sou um grande intelectual, mas
a minha Igreja é, e, portanto, a grande homenageada é a Mãe Igreja. Com esta
pequena reflexão, eu louvo a Deus pela minha existência, pela minha vocação.
Sou um cidadão padre muito feliz, mesmo não estando em linha nenhuma ou quase
nada nos trabalhos. Meus trabalhos são muito acanhados. Sou feliz e agradeço a
Deus.
Portanto, agradeço a distinção enorme pelo título que acabo de receber. Mas louvo ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pela fé que a Trindade Santa me deu. Não é título, é verdade. E à minha Igreja, Mãe e Mestra, meus louvores, meus agradecimentos e a declaração do meu amor.”
A homenagem ao Monsenhor João Alves Guedes não é apenas o reconhecimento de uma trajetória individual, mas a celebração de um legado coletivo que se confunde com a própria história da Igreja e da cultura brasileira. Sua vida, marcada pela humildade e pela entrega, é testemunho de que o verdadeiro destaque não está em títulos, mas na capacidade de servir e de transformar.
Ao ser elevado à condição de Destaque Nacional 2025, Monsenhor Guedes reafirma que toda honra pertence à Igreja, e que cada conquista é fruto da fé que sustenta sua vocação. Sua palavra, simples e profunda, ecoa como um cântico de gratidão e amor.
Que
esta distinção inspire novas gerações a compreender que a cultura e a fé
caminham juntas, e que o sacerdócio, quando vivido com autenticidade, se torna
fonte inesgotável de luz para a sociedade. Monsenhor Guedes é, portanto, mais
do que um homenageado: é um farol que ilumina caminhos, um patrimônio que
transcende fronteiras e um exemplo que permanecerá vivo na memória de todos que
reconhecem na Igreja a grande Mãe e Mestra.
©
Alberto Araújo
Focus Portal Cultural




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