Retrato de Edgar Allan Poe, provavelmente tirado em junho de 1849 em
Lowell, Massachusetts por um fotógrafo desconhecido. O retrato, conhecido como
daguerreótipo "Annie", foi entregue a Annie L. Richmond, amiga de
Poe.
Há 217 anos, no dia 19 de janeiro de 1809, nascia
em Boston, Massachusetts, uma das figuras mais enigmáticas e fascinantes da
literatura mundial: Edgar Allan Poe. Sua
vida, marcada por tragédias pessoais, dificuldades financeiras e uma
genialidade literária incomparável, transformou-o em um ícone eterno da cultura
ocidental. Poe faleceu em Baltimore, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos,
deixando um legado que continua a inspirar escritores, artistas e leitores até
hoje.
Edgar nasceu como Edgar Poe, filho dos
atores David Poe Jr. e Elizabeth Arnold Hopkins Poe. Seu pai abandonou a
família quando ele tinha pouco mais de um ano, e sua mãe morreu de tuberculose
em 1811, deixando Edgar e seus irmãos órfãos. O destino dos três foi dividido:
o irmão mais velho, Henry, foi enviado a parentes; a irmã mais nova, Rosalie,
foi adotada por outra família; e Edgar foi acolhido por John Allan e sua esposa
Frances, em Richmond, Virgínia. Embora nunca tenha sido formalmente adotado,
recebeu o sobrenome Allan, passando a ser conhecido como Edgar Allan Poe.
A
relação com John Allan, no entanto, foi sempre turbulenta. Enquanto Frances
demonstrava afeto e cuidado, John mantinha distância e severidade, criando um
ambiente de constantes conflitos que moldariam o caráter inquieto e rebelde do
jovem Poe.
Poe estudou por um breve período na
Universidade da Virgínia, mas sua vida acadêmica foi marcada por dívidas,
festas e desentendimentos com o pai adotivo. Após abandonar os estudos,
alistou-se no exército, onde permaneceu por dois anos. Tentou também a carreira
militar em West Point, mas foi expulso por indisciplina.
Em
1827, publicou anonimamente sua primeira coletânea de poemas, Tamerlane
and Other Poems. Embora tenha passado despercebida, essa obra marcou
o início de sua trajetória literária. Nos anos seguintes, Poe dedicou-se à
poesia, mas logo percebeu que a prosa lhe oferecia maiores possibilidades de
expressão e reconhecimento.
Durante a década de 1830, Poe
trabalhou como editor e crítico literário em diversas revistas e jornais. Sua
escrita afiada e exigente lhe rendeu tanto admiradores quanto inimigos. Foi
nesse período que começou a se destacar como contista, explorando temas
sombrios, psicológicos e fantásticos.
Histórias
como Manuscrito
encontrado numa garrafa e A Queda da Casa de Usher
revelaram sua habilidade em criar atmosferas de mistério e terror,
estabelecendo-o como um mestre do gênero. Além disso, Poe é considerado o inventor
da ficção policial, graças a contos como Os Assassinatos da Rua
Morgue, que introduziram o arquétipo do detetive analítico e
influenciaram diretamente autores como Arthur Conan Doyle.
Em Baltimore, Poe casou-se com sua
prima Virginia Clemm, então com apenas 13 anos. Apesar da diferença de idade, o
casamento foi marcado por afeto e companheirismo. Contudo, a saúde frágil de
Virginia trouxe sofrimento constante ao escritor. Ela morreu de tuberculose em
1847, dois anos após a publicação de The Raven (O
Corvo), obra que consagrou Poe internacionalmente.
A
morte de Virginia mergulhou Poe em profunda melancolia, intensificando o tom
sombrio de seus escritos. Poemas como Annabel Lee refletem essa
dor e permanecem como testemunhos líricos de sua paixão e perda.
Em 1845, O Corvo foi publicado e
rapidamente se tornou um fenômeno cultural. O poema, com sua cadência hipnótica
e atmosfera lúgubre, consolidou Poe como um dos grandes nomes da literatura
americana. No entanto, o sucesso não trouxe estabilidade financeira. Poe
continuava a enfrentar dificuldades econômicas e lutava para sustentar seus
projetos, como o jornal The Stylus, que nunca
chegou a ser lançado.
Sua
morte, em 1849, permanece envolta em mistério. Encontrado em estado de delírio
nas ruas de Baltimore, faleceu poucos dias depois. As causas foram atribuídas a
uma série de hipóteses: alcoolismo, doenças, envenenamento, até mesmo
assassinato. O enigma de sua morte apenas reforçou o caráter enigmático de sua
figura.
Apesar de sua vida breve e conturbada,
Poe deixou uma obra vasta e impactante. Seus contos de terror psicológico, suas
críticas literárias e sua poesia melancólica influenciaram não apenas a
literatura, mas também áreas como a cosmologia e a criptografia.
Autores
como Baudelaire e Mallarmé traduziram e divulgaram seus textos na França,
tornando-o referência para o simbolismo europeu. No século XX, sua presença se
expandiu para o cinema, a música e a televisão, consolidando-o como um ícone
cultural. Hoje, suas casas são preservadas como museus, e sua imagem continua a
inspirar artistas e leitores em todo o mundo.
OBRAS
IMORTAIS
Entre suas criações mais célebres
estão:
The Raven (O Corvo, 1845) – poema que
lhe trouxe fama imediata.
Annabel Lee (1849) – poesia lírica e melancólica,
escrita pouco antes de sua morte.
Histórias Extraordinárias (1837) – coletânea que reúne contos
como A
Queda da Casa de Usher, O Gato Preto e O
Barril de Amontillado.
Os Assassinatos da Rua Morgue – marco inicial da ficção policial.
Cada uma dessas obras revela a
genialidade de Poe em explorar os limites da mente humana, o medo, a obsessão e
a fragilidade da existência.
Celebrar o nascimento de Edgar Allan
Poe é reconhecer a força da imaginação e da palavra. Sua vida, marcada por dor
e genialidade, deu origem a uma obra que transcende séculos e fronteiras. Poe
não apenas inventou novos gêneros literários, mas também nos ensinou que o
mistério, o terror e a beleza podem coexistir na arte.
No
dia 19 de janeiro, lembramos não apenas o nascimento de um escritor, mas o
surgimento de um mito literário que continua a ecoar em cada verso de O
Corvo, em cada conto sombrio, em cada leitor que se deixa envolver
pelo fascínio do trágico.
© Alberto Araújo
Placa em homenagem ao escritor no centro de Boston, marcando o local aproximado de seu nascimento no início do século XIX
Ilustração do artista Yan Dargent baseada no conto "O Escaravelho de Ouro", publicada no artigo Edgard Poë et ses oeuvres ("Edgar Poe e suas obras", 1862), de Jules Verne
Retrato de Elizabeth Arnold Hopkins Poe, a mãe de Edgar Allan Poe






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