No dia 12 de janeiro de 2026, celebramos os 113 anos de nascimento de Rubem Braga, um dos maiores cronistas da literatura brasileira. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, em 1913, e falecido no Rio de Janeiro em 1990, Braga permanece como referência incontornável da crônica nacional. Sua escrita, marcada pelo lirismo cotidiano, pela observação aguda e pela delicadeza poética, transformou o gênero em arte maior.
Rubem Braga foi cronista, poeta, jornalista, editor e diplomata. Sua obra é fundamental para compreender a formação da crônica brasileira como gênero literário autônomo. Mais do que narrar fatos, Braga captava atmosferas, sentimentos e pequenos gestos que revelavam a essência da vida.
Rubem Braga iniciou-se no jornalismo ainda adolescente, aos 15 anos, no Correio do Sul, de sua cidade natal. Logo passou a assinar crônicas diárias no Diário da Tarde, demonstrando precocidade e talento.
Formou-se em Direito pela Faculdade de Belo Horizonte em 1932, mas nunca exerceu a profissão. No Recife, dirigiu a página de crônicas policiais do Diário de Pernambuco e fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936, lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, obra que já revelava sua sensibilidade ímpar e sua capacidade de transformar o cotidiano em literatura.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Braga atuou como correspondente junto à Força Expedicionária Brasileira na Itália. Dessa experiência nasceu o livro Com a FEB na Itália (1945), que registra em crônicas o cotidiano dos soldados brasileiros em terras estrangeiras.
Sua escrita, mesmo diante da guerra, manteve o tom humano e lírico, revelando o olhar do cronista sobre a dor e a esperança. Braga não se limitava a narrar batalhas; ele descrevia o frio, a saudade, o medo e a coragem dos homens comuns.
Rubem Braga exerceu funções diplomáticas em Rabat, Marrocos, e colaborou como correspondente para jornais brasileiros. De volta ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, onde escreveu para diversos periódicos e se tornou figura central da vida cultural. Atuou também como editor e participou de antologias literárias.
Em 1987, recebeu o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal, reconhecimento internacional à sua contribuição cultural.
Braga é considerado o maior cronista brasileiro. Sua obra explora o cotidiano com lirismo, transformando pequenas cenas em literatura universal. O cronista falava de pássaros, flores, ruas, amores e saudades, sempre com simplicidade e profundidade.
Sua escrita é marcada pela concisão, pela musicalidade e pela capacidade de emocionar. Ele sabia que a grandeza da vida está nos detalhes: no voo de um pássaro, na lembrança da infância, na melancolia de uma tarde.
Entre suas obras destacam-se:
O
Conde e o Passarinho (1936)
Um
Pé de Milho (1948)
Ai
de ti, Copacabana (1960)
As
Boas Coisas da Vida (1988)
O Verão e as Mulheres (1990)
Além das crônicas, Braga traduziu autores estrangeiros e organizou antologias, como Os Lusíadas, de Camões, e Terra dos Homens, de Saint-Exupéry.
Rubem Braga sofria de câncer de laringe e optou por não se submeter a tratamentos invasivos. Faleceu em 19 de dezembro de 1990, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.
Deixou instruções para que suas cinzas fossem lançadas discretamente no rio Itapemirim, em sua cidade natal, sem cerimônias fúnebres. O bilhete ao filho Roberto Braga revela sua postura diante da morte: discreta, serena e voltada para a vida.
Em 2010, o metrô do Rio de Janeiro inaugurou o Complexo Rubem Braga, em Ipanema, homenagem ao escritor que morou por anos na cobertura vizinha à estação.
Sua memória também é preservada em antologias, edições juvenis e estudos acadêmicos. Braga é constantemente lembrado em eventos literários e em iniciativas culturais que buscam manter viva sua obra.
Rubem Braga permanece vivo na literatura brasileira. Sua crônica, aparentemente simples, é na verdade uma obra de arte que revela o Brasil e o ser humano em sua essência. Celebrar seus 113 anos é reafirmar a importância da palavra como instrumento de beleza e reflexão.
Braga ensinou que a vida está nos detalhes: no voo de um pássaro, na lembrança da infância, na melancolia de uma tarde. Sua obra é convite permanente à contemplação e à poesia do cotidiano.
Este texto celebra a efeméride dos 113 anos de Rubem Braga, destacando sua trajetória, estilo e legado. É uma homenagem ao cronista que transformou o cotidiano em literatura e que permanece como mestre da crônica brasileira.
OBRAS
CRÔNICAS
O
Conde e o Passarinho, 1936
O
Morro do Isolamento, 1944
Com
a FEB na Itália, 1945
Um
Pé de Milho, 1948
O
Homem Rouco, 1949
50
Crônicas Escolhidas, 1951
Três
Primitivos, 1954
A
Borboleta Amarela, 1955
A
Cidade e a Roça, 1957
100
Crônicas Escolhidas, 1958
Ai
de ti, Copacabana, 1960
O
Conde e o Passarinho e O Morro do Isolamento, 1961
Crônicas
de Guerra - Com a FEB na Itália, 1964
A
Cidade e a Roça e os Três Primitivos, 1964
A
Traição das Elegantes, 1967 (Editora Sabiá)
Crônicas
do Espírito Santo, 1984 (Coleção Letras Capixabas)
As
Boas Coisas da Vida, 1988
O
Verão e as Mulheres, 1990
200
Crônicas Escolhidas
Casa
dos Braga: Memória de Infância (destinado ao público juvenil)
1939
- Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front), 2002
Histórias
do Homem Rouco
Os
melhores contos de Rubem Braga (seleção David Arrigucci)
Rubem
Braga: Crônicas para Jovens (Seleção, Prefácio e Notas Bibliográficas Antonieta
da Cunha) Global Editora, São Paulo, 2014
O
Menino e o Tuim
Recado
de Primavera
Um
Cartão de Paris
Pequena
Antologia do Braga
O
Padeiro
ADAPTAÇÕES
E ANTOLOGIA
O
Livro de Ouro dos Contos Russos
Os
Melhores Poemas de Casimiro de Abreu (Seleção e Prefácio)
Coleção
Reencontro: Cyrano de Bergerac - Edmond Rostand (também disponível em
audiolivro)
Coleção
Reencontro: As Aventuras Prodigiosas de Tartarin de Tarascon - Alphonse Daudet
Coleção
Reencontro: Os Lusíadas - Luís de Camões (com Edson Braga)
Traduções
Antoine
de Saint-Exupéry - Terra dos Homens
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural














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