domingo, 11 de janeiro de 2026

O MOSAICO DO TETO DO BATISTÉRIO NEONIANO, EM RAVENA, ITÁLIA

É uma obra-prima da arte paleocristã e um testemunho vívido da espiritualidade e estética do século VI. Este batistério, também conhecido como Batistério Ortodoxo, foi construído durante o domínio do Império Bizantino e é considerado um dos mais antigos e bem preservados exemplos de arquitetura cristã primitiva. Em 1996, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, junto com outros monumentos paleocristãos de Ravena. 

No centro da cúpula, o mosaico retrata o batismo de Jesus por João Batista no rio Jordão. Jesus é representado como um jovem imberbe, submerso até a cintura nas águas estilizadas do rio, enquanto João, à sua direita, derrama água sobre sua cabeça. Acima deles, o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba, descendo em direção a Cristo, simbolizando a presença divina e a consagração espiritual. Essa cena central é cercada por uma coroa de doze apóstolos, dispostos em círculo, caminhando em direção ao trono de Cristo. Eles são representados com vestes brancas e douradas, em estilo bizantino, e cada figura é marcada por uma individualidade sutil, refletindo a tentativa dos artistas de transmitir personalidade e hierarquia espiritual.

O fundo azul profundo da cúpula contrasta com os tons dourados e brancos das figuras, criando uma atmosfera celestial. A composição radial reforça a ideia de unidade e centralidade de Cristo na fé cristã. Os detalhes ornamentais, como as palmeiras entre os apóstolos e os padrões geométricos que emolduram a cena, revelam a influência da arte romana tardia e bizantina, além de técnicas refinadas de mosaico com tesselas de vidro e ouro. 

Este mosaico não é apenas uma representação religiosa, mas também uma afirmação teológica: ele reflete a ortodoxia cristã em oposição às doutrinas arianas que também circulavam em Ravena na época. O Batistério Neoniano, portanto, é um marco da resistência doutrinária e da expressão artística cristã, preservando até hoje a beleza e a profundidade espiritual de uma era de transição entre o mundo antigo e o medieval.

 

© Alberto Araújo


 

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