sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O RIO EM PRETO E BRANCO - FOTOS E POEMA DE ANA MARIA TOURINHO

(CLICAR NA SETA PARA VER O VÍDEO)


O RIO EM PRETO E BRANCO 


Luzes e sombras desenham esta Cidade Maravilhosa.

Na paleta do preto e branco,

o Rio de Janeiro revela sua alma intemporal.

 

O Corcovado, com braços de pedra,

acolhe a cidade sob seu olhar vigilante,

um ícone de serenidade que abraça o horizonte.

O Pão de Açúcar ergue-se como um poema esculpido,

suas curvas desenhando a silhueta da cidade contra o céu.

 

De Niterói, as vistas oferecem

um espelho de contrastes,

onde o concreto e o verde se encontram em harmonia.

 

No Rio de Janeiro, de janeiro a janeiro

cada sombra sussurra histórias antigas,

e cada contorno é um testemunho

da beleza eterna que floresce entre luz e escuridão.

 

Em preto e branco,

o Rio revela seus gestos essenciais,

memória, sal e respiração.

O Rio, com ou sem cor, é paixão.

 

Poema de Ana Maria Tourinho

 

***************

 

No coração do evento da ABRAMES, em um auditório repleto de olhares curiosos e corações abertos à arte, Ana Maria Tourinho irrompeu como uma visionária, desvelando sua exposição fotográfica "Rio em Preto e Branco". Não se tratava de meras imagens capturadas pela lente: eram fragmentos da alma da Cidade Maravilhosa, todos assinados por suas mãos sensíveis, que transformam o efêmero em eterno. Cada fotografia, do Cristo Redentor velando o caos sereno da baía à silhueta curva do Pão de Açúcar contra o céu nublado, passando pelas vistas de Niterói onde o mar e o morro se entrelaçam em um abraço de contrastes, pulsava com uma poesia visual que ecoa as crônicas de Rubem Braga, aquelas que capturam o Rio em seus instantes mais nus e verdadeiros. 

Com a mestria de quem transita entre palavras e luzes, Ana Maria guiou o público por essa galeria viva. Ela não apenas exibiu as fotos; narrou seus bastidores com intimidade, revelando os cliques no Corcovado surgiu de uma manhã de garoa, quando a neblina abraçava o horizonte como um segredo mal guardado, ou como as curvas do Pão de Açúcar, vistas de Niterói, se revelaram em um pôr do sol sem cor, mas carregado de sal e saudade. Sua voz, serena e envolvente, desvendava a inspiração por trás de cada sombra: a memória coletiva do carnaval que se dissolve em quietude, o verde dos morros que resiste ao concreto voraz, e aquela respiração essencial da cidade que, em preto e branco, dispensa o colorido para brilhar em sua essência. 

O público, composto companheiros, artistas e amantes da cultura, rendeu-se ao encanto. Suspiros de admiração, aplausos espontâneos romperam o silêncio após cada comentário, e conversas animadas se estenderam além do evento, tecendo laços entre o visível e o invisível. 

Essa exposição não foi só um momento passageiro; revelou uma Ana Maria Tourinho multifacetada, poeta das letras e das lentes, que costura literatura e imagem com a delicadeza de Clarice Lispector ao perscrutar o íntimo das coisas. Sua arte, sensível às pulsações da vida carioca, do botafoguense fervilhante à tranquilidade niteroiense, reforça seu lugar como criadora completa, capaz de captar a paixão que lateja entre luz e escuridão.

Assim, o sucesso dessa mostra reafirma o papel vital de eventos como o da ABRAMES, plataformas que constituem cultura e sensibilidade, catalisando memórias coletivas e emoções puras. Ana Maria Tourinho, com sua exposição, não apenas celebra o Rio em sua forma mais pura, mas inspira uma legião de criadores a enxergar, clicar e eternizar a beleza que brota da união entre arte, paixão e o eterno vaivém das marés. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





 

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