Luzes e sombras desenham esta Cidade
Maravilhosa.
Na paleta do preto e branco,
o Rio de Janeiro revela sua alma
intemporal.
O Corcovado, com braços de pedra,
acolhe a cidade sob seu olhar
vigilante,
um ícone de serenidade que abraça o
horizonte.
O Pão de Açúcar ergue-se como um poema
esculpido,
suas curvas desenhando a silhueta da
cidade contra o céu.
De Niterói, as vistas oferecem
um espelho de contrastes,
onde o concreto e o verde se encontram
em harmonia.
No Rio de Janeiro, de janeiro a
janeiro
cada sombra sussurra histórias
antigas,
e cada contorno é um testemunho
da beleza eterna que floresce entre
luz e escuridão.
Em preto e branco,
o Rio revela seus gestos essenciais,
memória, sal e respiração.
O Rio, com ou sem cor, é paixão.
Poema de Ana Maria Tourinho
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No coração do evento da ABRAMES, em um auditório repleto de olhares curiosos e corações abertos à arte, Ana Maria Tourinho irrompeu como uma visionária, desvelando sua exposição fotográfica "Rio em Preto e Branco". Não se tratava de meras imagens capturadas pela lente: eram fragmentos da alma da Cidade Maravilhosa, todos assinados por suas mãos sensíveis, que transformam o efêmero em eterno. Cada fotografia, do Cristo Redentor velando o caos sereno da baía à silhueta curva do Pão de Açúcar contra o céu nublado, passando pelas vistas de Niterói onde o mar e o morro se entrelaçam em um abraço de contrastes, pulsava com uma poesia visual que ecoa as crônicas de Rubem Braga, aquelas que capturam o Rio em seus instantes mais nus e verdadeiros.
Com a mestria de quem transita entre palavras e luzes, Ana Maria guiou o público por essa galeria viva. Ela não apenas exibiu as fotos; narrou seus bastidores com intimidade, revelando os cliques no Corcovado surgiu de uma manhã de garoa, quando a neblina abraçava o horizonte como um segredo mal guardado, ou como as curvas do Pão de Açúcar, vistas de Niterói, se revelaram em um pôr do sol sem cor, mas carregado de sal e saudade. Sua voz, serena e envolvente, desvendava a inspiração por trás de cada sombra: a memória coletiva do carnaval que se dissolve em quietude, o verde dos morros que resiste ao concreto voraz, e aquela respiração essencial da cidade que, em preto e branco, dispensa o colorido para brilhar em sua essência.
O público, composto companheiros, artistas e amantes da cultura, rendeu-se ao encanto. Suspiros de admiração, aplausos espontâneos romperam o silêncio após cada comentário, e conversas animadas se estenderam além do evento, tecendo laços entre o visível e o invisível.
Essa exposição não foi só um momento passageiro; revelou uma Ana Maria Tourinho multifacetada, poeta das letras e das lentes, que costura literatura e imagem com a delicadeza de Clarice Lispector ao perscrutar o íntimo das coisas. Sua arte, sensível às pulsações da vida carioca, do botafoguense fervilhante à tranquilidade niteroiense, reforça seu lugar como criadora completa, capaz de captar a paixão que lateja entre luz e escuridão.
Assim, o sucesso dessa mostra reafirma o papel vital de eventos como o da ABRAMES, plataformas que constituem cultura e sensibilidade, catalisando memórias coletivas e emoções puras. Ana Maria Tourinho, com sua exposição, não apenas celebra o Rio em sua forma mais pura, mas inspira uma legião de criadores a enxergar, clicar e eternizar a beleza que brota da união entre arte, paixão e o eterno vaivém das marés.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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