Uma obra infantojuvenil que ilumina a Educação e a Literatura
"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces", escrito por Ana Maria Tourinho e publicado pela Editora Kelps (Goiânia, 2020), é uma obra infantojuvenil de 40 páginas que combina narrativa sensível com poesia moderna, ilustrada com delicadeza por Mario DonLeal. O livro é mais do que uma história infantil: é um tributo à resiliência, à educação e à força transformadora da infância.
A protagonista, Aninha, é apresentada como uma menina feliz, cercada por brinquedos, bonecas e livros. Aos sete anos, sua vida muda drasticamente quando seus pais perdem a condição econômica privilegiada. A família se muda para o sítio dos avós maternos, onde Aninha é acolhida em um ambiente de trabalho e simplicidade. Lá, ela aprende a plantar, cultivar e vender verduras, frutas, flores e legumes, especialmente alfaces, que se tornam símbolo de sua reinvenção.
O livro destaca o papel da educação como ferramenta de emancipação. Aninha não apenas estuda, mas também ensina. Em uma das passagens mais tocantes, o avô instala um quadro-negro à frente da mesa de refeições, transformando o espaço doméstico em sala de aula. Aninha, ainda criança, torna-se professora de outras crianças da comunidade, revelando sua vocação para o ensino e sua solidariedade.
Com o tempo, Aninha ingressa na universidade, o que a impede de continuar ensinando. No entanto, os alunos que ela ajudou jamais a esquecem. Em Belém, cidade onde a história se passa, ela é lembrada como a pequena lourinha que os guiou nas primeiras letras. A narrativa reforça que a educação não é um privilégio, mas um direito de todos, uma mensagem que ecoa com força nas páginas finais.
Um dos diferenciais da obra é a inclusão de aldravias, forma poética minimalista composta por até sete palavras, sem pontuação. As aldravias dialogam com a narrativa, ampliando seu alcance simbólico e educativo. Elas aparecem em momentos estratégicos, como na página 33, onde se lê: educação sonho? um direito de todos
Essa estrutura poética convida o leitor à reflexão e à sensibilidade, tornando o livro uma experiência estética além da leitura convencional.
Mario DonLeal, ilustrador da obra, contribui com imagens que não apenas acompanham o texto, mas o expandem. Seus traços capturam a ternura de Aninha, a rusticidade do sítio, e a vivacidade das hortas. As ilustrações funcionam como janelas para o universo da personagem, reforçando o vínculo entre texto e imagem.
A autora dedica o livro aos avós e padrinhos que emigraram de Portugal para Belém no século XIX, estabelecendo-se como agricultores. Essa memória afetiva permeia toda a obra, conferindo-lhe autenticidade e profundidade. A dedicação também menciona professores, revisores e familiares que contribuíram para sua formação e para a realização do livro.
Ana Maria Tourinho é escritora, poetisa e fotógrafa, nascida em Belém do Pará e residente no Rio de Janeiro. Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras; Membro da ALALS, Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse, é autora de obras como: "Pérolas & Pimentas" (2018) e "Desfolhando Aldravias" (2019). Participa de diversas entidades literárias e já foi premiada nacional e internacionalmente.
Mario DonLeal é artista plástico, poeta aldravista e ilustrador. Licenciado em Letras e Filosofia, tem vasta experiência em artes visuais e literatura infantojuvenil. Suas ilustrações neste livro são fundamentais para a construção do imaginário de Aninha.
"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces" é uma obra que emociona, educa e inspira. Com linguagem acessível, ilustrações envolventes e poesia inovadora, o livro promove valores como solidariedade, empreendedorismo, cidadania e amor pela educação. É leitura recomendada para crianças, jovens, educadores e famílias que acreditam no poder da literatura como ferramenta de transformação social.
Ficha técnica
Título:
Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces
Autora: Ana Maria Tourinho
Ilustrador: Mário DonLeal
Editora: Kelps, Goiânia
Ano: 2020
ISBN: 978-65-86148-73-2
Gênero: Literatura infantojuvenil / Poesia / Aldravias
Páginas: 40
Se você busca uma obra que une afeto, memória, poesia e educação, "Aninha" é uma leitura indispensável.
BIOGRAFIA DE ANA MARIA TOURINHO
Ana Maria Tourinho nasceu em Belém do Pará e construiu sua trajetória literária no Rio de Janeiro, onde se radicou. Sua carreira é marcada pela pluralidade de gêneros e pela sensibilidade em retratar o humano em suas múltiplas dimensões. Com uma escrita que transita entre o lirismo poético e a força crítica, Ana Maria conquistou leitores de diferentes idades e contextos, tornando-se uma referência na literatura brasileira contemporânea.
Autora de obras que dialogam com a poesia e a literatura infantojuvenil, ela publicou títulos como Pérolas & Pimentas, Desfolhando Aldravias, Aninha, a menina que vendia alfaces, Cadê Fady? Tô aqui!, obra que chegou a concorrer ao Prêmio Jabuti em 2022 e Marmelo, o sapo Martelo. Sua escrita é marcada por delicadeza, lirismo e uma crítica sutil, que convida à reflexão sobre o mundo em que vivemos, sem perder o encanto narrativo que cativa públicos diversos.
Além de sua produção literária, Ana Maria Tourinho tem se destacado como articuladora cultural de grande relevância. Ocupa o cargo de Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, instituição que conecta escritores, artistas e intelectuais em diferentes países, promovendo a circulação de ideias e a valorização da produção literária em escala global. Também atua como Vice-presidente da União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro (UBE-RJ), reforçando seu compromisso com o fortalecimento da literatura nacional e com a defesa dos direitos dos escritores.
Sua atuação internacional inclui participações em importantes feiras e encontros literários, como a Feira do Livro de Lisboa, onde compartilhou sua visão sobre o papel da literatura na construção de pontes entre povos e culturas. Reconhecida por sua capacidade de unir afetos, letras e experiências, Ana Maria é presença constante em projetos que buscam democratizar o acesso à leitura e valorizar a diversidade cultural.
Em 2025, sua participação no 1º Fórum Internacional de Literatura e Cultura – Conexões e Diálogos Globais representou uma oportunidade ímpar para que sua experiência, sensibilidade e visão de mundo contribuíssem para os debates sobre o papel transformador da literatura. Ana Maria Tourinho reafirma, com sua trajetória, que a literatura é um instrumento de resistência, esperança e transformação social.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural


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