quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

VOZES DA FLORESTA POEMA DE @ ALBERTO ARAÚJO


Na sombra da mata,

o rio desliza como serpente de cristal.

As árvores se erguem em colunas de silêncio,

e cada folha guarda um segredo antigo.

 

Um sabiá canta alvoradas,

o som atravessa o verde como flecha de luz.

O vento balança o ipê amarelo,

e pétalas caem como estrelas diurnas.

 

Eu caminho entre raízes que se entrelaçam,

vejo o voo do colibri beber o coração da flor,

e sinto que o tempo é apenas um sopro

entre o brotar e o cair da semente.

 

O sol se debruça sobre a serra,

tinge de ouro as pedras,

e o rio recolhe reflexos como quem guarda memórias.

 

Tudo é passagem:

a água que corre,

a ave que voa,

a flor que se abre.

 

Mas na dança da floresta

há eternidade:

um canto que não termina,

um fio invisível

que une o que foi

ao que será.

 

© Alberto Araújo 


 

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