Na sombra da mata,
o rio desliza como serpente de
cristal.
As árvores se erguem em colunas de
silêncio,
e cada folha guarda um segredo antigo.
Um sabiá canta alvoradas,
o som atravessa o verde como flecha de
luz.
O vento balança o ipê amarelo,
e pétalas caem como estrelas diurnas.
Eu caminho entre raízes que se
entrelaçam,
vejo o voo do colibri beber o coração
da flor,
e sinto que o tempo é apenas um sopro
entre o brotar e o cair da semente.
O sol se debruça sobre a serra,
tinge de ouro as pedras,
e o rio recolhe reflexos como quem
guarda memórias.
Tudo é passagem:
a água que corre,
a ave que voa,
a flor que se abre.
Mas na dança da floresta
há eternidade:
um canto que não termina,
um fio invisível
que une o que foi
ao que será.
© Alberto Araújo
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