segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS - UM NOVO CICLO DE CORAGEM E MEMÓRIA

No coração de Teresina, em uma noite que se inscreve na história cultural do Piauí, a Academia Piauiense de Letras (APL) abriu suas portas para celebrar não apenas uma cerimônia de posse, mas um rito de continuidade e renovação. No auditório da Casa de Lucídio Freitas, espaço que já testemunhou tantas páginas da vida intelectual piauiense, a instituição centenária acolheu sua nova Diretoria para o biênio 2026–2028, tendo à frente o acadêmico Antônio Fonseca dos Santos Neto, que assume a presidência com a promessa de conduzir o sodalício literário com vigor, coragem e diálogo.

O evento, marcado pela execução do Hino do Piauí pelo Madrigal Vox Populi e pelo Coral da Universidade Estadual, foi mais do que uma formalidade. Cada nota musical parecia reafirmar o elo profundo entre cultura e identidade, entre memória e futuro. A leitura do Termo de Posse e a assinatura do Livro de Posse, ritos que oficializam a nova gestão, ganharam contornos simbólicos: não se tratava apenas de burocracia, mas da legitimação de um compromisso coletivo que atravessa gerações. 

A transmissão da presidência, com a mudança da cadeira presidencial, reforçou esse sentido de continuidade. O gesto, aparentemente simples, carrega a densidade de mais de um século de história: desde 1918, quando a Academia foi instalada na data magna do Piauí, até os dias atuais, cada presidente que se senta naquela cadeira torna-se guardião de uma herança e responsável por projetar novos horizontes. 

A solenidade reuniu autoridades e personalidades que simbolizam a intersecção entre política, cultura e sociedade. O governador Rafael Fonteles, o ministro Wellington Dias, o deputado Wilson Brandão, o presidente do Conselho Estadual de Cultura Nelson Nery Costa, o ex-governador Wilson Martins, o secretário de Educação Rodrigo Torres e o maestro Aurélio Melo, representando o prefeito de Teresina, compuseram um mosaico de vozes que reconhecem na APL um espaço de reflexão crítica e de articulação cultural.

Não se tratou de mera formalidade protocolar: a presença dessas lideranças reafirma que a Academia não é um enclave isolado, mas um organismo vivo que dialoga com o poder público e com a sociedade civil, influenciando políticas culturais e educacionais. 

Com 108 anos de existência, a Academia Piauiense de Letras é uma das mais antigas instituições literárias do Nordeste. Sua trajetória é marcada pela preservação da memória histórica, pela valorização da literatura piauiense e pela defesa da identidade cultural do Estado. Ao longo das décadas, a APL tornou-se guardiã de um patrimônio imaterial que vai além dos livros: é a memória coletiva de um povo que se reconhece em sua produção intelectual.

Mas se a tradição é um pilar, o presente impõe desafios. Em tempos de transformações tecnológicas e de mudanças nos hábitos de leitura, a nova Diretoria assume a missão de manter viva a chama da literatura sem perder de vista as demandas contemporâneas. O presidente Fonseca Neto, em seu discurso, destacou exatamente essa tensão criativa: honrar o legado e, ao mesmo tempo, abrir-se para novos caminhos. 

Ao suceder Fides Angélica Ommati, primeira mulher a presidir a Academia, Fonseca Neto herda não apenas uma cadeira, mas um legado de fortalecimento institucional e de ampliação do diálogo com a sociedade. Sua fala foi marcada pela consciência da responsabilidade: conduzir uma instituição centenária exige coragem, mas também humildade diante da grandeza da história que se carrega. 

A nova Diretoria, composta por José Elmar de Melo Carvalho (vice-presidente), Marcelino Leal Barroso de Carvalho (secretário-geral), Maria do Socorro Rios Magalhães (1ª secretária), Carlos Evandro Martins Eulálio (2º secretário) e Reginaldo Miranda da Silva (tesoureiro), representa a diversidade de vozes que compõem o colegiado. São quarenta membros que, juntos, constroem a vida intelectual da APL, reafirmando o caráter coletivo da instituição. 

Em um mundo marcado por crises de valores e pela velocidade da informação, a Academia Piauiense de Letras reafirma sua função de resistência cultural. Ser espaço de leitura, de escrita e de reflexão crítica é, hoje, um ato político e social. A posse da nova Diretoria não é apenas um evento interno: é um gesto público que reafirma a importância da cultura como eixo estruturante da sociedade. 

A solenidade, realizada em data histórica para o Estado, reforçou esse vínculo entre a trajetória da APL e a formação da identidade piauiense. Cada discurso, cada presença, cada gesto simbólico apontou para a mesma direção: a cultura é o alicerce sobre o qual se constrói o futuro. 

Ao encerrar a cerimônia com o registro fotográfico oficial, a Academia não apenas documentou um momento, mas inaugurou um novo ciclo. A imagem da nova Diretoria é, ao mesmo tempo, memória e promessa: memória de uma instituição que atravessou mais de um século e promessa de que continuará a ser espaço de diálogo, de produção intelectual e de valorização da literatura piauiense.

O desafio que se coloca é imenso: preservar a tradição sem se tornar refém dela, abrir-se ao novo sem perder a identidade, dialogar com a sociedade sem diluir sua missão. Mas é exatamente nesse equilíbrio que reside a força da Academia Piauiense de Letras. 

Fonseca Neto e sua equipe chegam com coragem para enfrentar esses desafios. E se a história da APL nos ensina algo, é que cada geração de acadêmicos soube, à sua maneira, responder às demandas do tempo. Agora, cabe à nova Diretoria escrever sua própria página nesse livro coletivo que é a cultura piauiense.

ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS - PERFIS, LEGADO E NOVOS HORIZONTES 

PERFIS DA NOVA DIRETORIA 

Antônio Fonseca dos Santos Neto (Presidente) 

Reconhecido pesquisador e escritor, Fonseca Neto tem trajetória marcada pela dedicação à história e à cultura piauiense. Autor de obras que resgatam a memória regional, é também articulador de projetos editoriais e incentivador da leitura. Sua liderança é marcada pela capacidade de unir tradição e inovação, buscando aproximar a Academia da sociedade civil e das instituições educacionais. 

José Elmar de Melo Carvalho (Vice-presidente) 

Poeta e ensaísta, José Elmar é uma das vozes mais respeitadas da literatura piauiense contemporânea. Sua obra transita entre a lírica e a crítica cultural, sempre com forte compromisso com a identidade nordestina. Na vice-presidência, traz a sensibilidade literária como força de diálogo e inspiração. 

Marcelino Leal Barroso de Carvalho (Secretário-geral) 

Com sólida formação acadêmica, Marcelino Leal é conhecido por sua atuação na crítica literária e na pesquisa histórica. Sua função como secretário-geral reforça o caráter organizativo da APL, garantindo que a memória documental e os registros institucionais sejam preservados com rigor.

Maria do Socorro Rios Magalhães (1ª Secretária) 

Escritora e educadora, Maria do Socorro tem trajetória voltada para a valorização da literatura feminina e para o incentivo à leitura nas escolas. Sua presença na Diretoria simboliza o compromisso da APL com a inclusão e com a diversidade de vozes.

Carlos Evandro Martins Eulálio (2º Secretário) 

Pesquisador e articulador cultural, Carlos Evandro é reconhecido por sua atuação em projetos de difusão da literatura piauiense. Sua função reforça a ponte entre a Academia e os espaços de produção cultural fora da capital. 

Reginaldo Miranda da Silva (Tesoureiro) 

Jurista e escritor, Reginaldo Miranda alia experiência administrativa à paixão pela literatura. Sua atuação garante a sustentabilidade financeira da instituição, sem perder de vista o compromisso com a produção cultural. 

A LINHA DO TEMPO DAS GESTÕES ANTERIORES 

A história da Academia Piauiense de Letras é marcada por gestões que deixaram legados distintos: 

Décadas iniciais (1918–1940): a APL consolidou-se como espaço de afirmação da identidade piauiense, reunindo intelectuais que buscavam dar voz à literatura regional em um Brasil em processo de modernização. 

Período pós-guerra (1950–1970): a instituição ampliou sua produção editorial e fortaleceu a crítica literária, tornando-se referência no Nordeste.

Gestões contemporâneas (2000–2020): a Academia passou a dialogar mais intensamente com o poder público e com universidades, expandindo sua atuação para além da preservação da memória, abraçando também projetos de incentivo à leitura e de valorização dos escritores locais.

Gestão de Fides Angélica Ommati (2022–2026): primeira mulher a presidir a APL, sua administração foi marcada pela abertura institucional, pelo fortalecimento das ações editoriais e pela ampliação do diálogo com a sociedade. Um marco histórico que abriu caminho para novas perspectivas de liderança. 

O DESAFIO DA NOVA GESTÃO 

A posse de Fonseca Neto e sua Diretoria representa a continuidade desse legado, mas também inaugura um novo ciclo. Os desafios contemporâneos incluem 

Digitalização da memória literária, para tornar o acervo da APL acessível às novas gerações. 

Ampliação das ações educativas, aproximando a literatura das escolas e universidades. 

Valorização dos escritores piauienses, garantindo espaço para novas vozes e para a diversidade cultural. 

Diálogo com políticas públicas, reforçando a cultura como eixo estruturante do desenvolvimento social. 

APL COMO GUARDIÃ DA IDENTIDADE PIAUIENSE

Mais do que uma instituição literária, a Academia Piauiense de Letras é guardiã da identidade cultural do Estado. Sua missão transcende os muros da Casa de Lucídio Freitas: é um compromisso com a memória, com a crítica e com a formação das novas gerações. 

A nova Diretoria chega com coragem para enfrentar os desafios do presente e com a força de uma tradição que já atravessou mais de um século. O futuro da APL será escrito com a mesma tinta que marcou sua história: a tinta da resistência cultural, da valorização da literatura e da construção coletiva da identidade piauiense.

Fotos: Josemar Lopes e Gabriel Paulino.

 

Editorial

Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 








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