quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

HOMENAGEM AO AMIGO PAULO ROBERTO TEIXEIRA SEIXAS


Hoje, 22 de janeiro, o entardecer está mais silencioso. O tempo parece suspenso, como se o universo tivesse parado por um instante para reverenciar a partida de um homem cuja presença era sinônimo de serenidade, respeito e luz. Paulo Roberto Teixeira Seixas nos deixou, e com ele se vai uma parte preciosa da nossa história, da nossa convivência e da nossa memória afetiva. 

Paulo era daqueles seres raros que não precisavam de palavras grandiosas para marcar presença. Sua índole era feita de gestos simples, de olhares sinceros, de uma escuta atenta e de uma sabedoria que não se impunha, mas se revelava nas entrelinhas da convivência. Homem de princípios, de postura ética inabalável, de coração generoso e espírito fraterno, ele foi um exemplo silencioso de virtude. 

Sempre ao lado de sua amada esposa, nossa companheira Zeneida Apolônio Seixas, e de seu filho Charles Seixas, Paulo era presença constante nos eventos culturais, nas celebrações comunitárias, nas rodas de conversa onde a arte, a história e a memória ganhavam vida. Era impossível não notar o brilho nos olhos de Paulo ao ouvir uma boa música, ao assistir a uma peça, ao participar de uma homenagem. Ele compreendia o valor da cultura como quem entende que ela é o alimento da alma. 

A simplicidade era sua marca. Não aquela simplicidade que se confunde com ausência, mas a que se traduz em elegância discreta, em humildade verdadeira, em uma forma de estar no mundo que não exige aplausos, mas que conquista respeito. Paulo não buscava protagonismo, mas era protagonista de uma vida vivida com dignidade, afeto e compromisso com o bem. 

Hoje, nos despedimos dele com o coração apertado, mas também com a certeza de que sua passagem por esta vida foi luminosa.

O sepultamento será amanhã, dia 23 de janeiro de 2026, às 11 horas, no Cemitério Parque da Paz, em Pacheco, São Gonçalo. 

Lá, entre árvores e silêncio, entregaremos seu corpo à terra, mas manteremos sua memória viva em cada gesto de carinho, em cada lembrança compartilhada, em cada ensinamento que ele nos deixou. 

Neste momento de dor, queremos abraçar com ternura Zeneida e Charles, estendendo nosso apoio e nossa solidariedade. Que o amor que Paulo semeou em vida seja agora o consolo que os envolve. Que a paz que ele transmitia seja agora o alento que os sustenta. 

E para honrar sua partida, recorremos às palavras do poema atribuído a Santo Agostinho, que nos ensina a olhar para a morte com olhos de esperança:

 

“A morte não é nada.

Eu somente passei para o outro lado do caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.

Me deem o nome que vocês sempre me deram,

Falem comigo como vocês sempre fizeram.

Não mudem o tom de voz,

Não fiquem solenes ou tristes.

Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.

Que meu nome seja pronunciado como sempre foi,

Sem ênfase de nenhum tipo,

Sem sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou.

O fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora dos seus pensamentos,

Apenas porque estou fora da sua vista?

Eu não estou longe,

Apenas estou do outro lado do caminho…”

Paulo Seixas está agora do outro lado do caminho. Mas sua luz, sua presença e seu legado continuam entre nós. Que o Grande Arquiteto do Universo, o Nosso Bom Deus o receba em Sua Glória e que nós, aqui, saibamos honrar sua memória com a mesma simplicidade e grandeza que ele nos ensinou. 

Descanse em paz, querido amigo. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







 

GINA MANJUA AMARAL - RESENHA DE 3 OBRAS DA AUTORA - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

O Focus Portal Cultural presta uma homenagem especial à escritora Gina Manjua Amaral, cuja obra literária ultrapassa fronteiras e toca profundamente os corações de seus leitores. 

Em reconhecimento à sua contribuição para a literatura lusófona, o portal tem a honra ter em seu acervo três obras, que foram recém-adquiridas da autora: A Menina Que Pensava Diferente, Resiliência e A Minha Vida Contada em Poesia. Esses títulos agora fazem parte do patrimônio cultural do Focus. 

Gina Amaral é uma escritora que transforma experiências em palavras e compartilha sua voz com o mundo. Sua literatura é feita de coragem, ternura e verdade. Com uma escrita que transita entre o lírico, o íntimo e o universal, Gina constrói pontes entre gerações, culturas e sentimentos. 

GINA MANJUA AMARAL -  A VOZ DA RESILIÊNCIA 

No coração de Faro, cidade portuguesa da região do Algarve, pertencente ao distrito com o mesmo nome e com cerca de 41.904 habitantes, nasceu uma mulher a qual a sua escrita viria a ecoar muito além das fronteiras lusitanas. Faro, capital administrativa e cultural do Algarve, é banhada pelo Oceano Atlântico e marcada por um clima mediterrâneo que inspira beleza e contemplação. Olhão, município vizinho de Faro, é o lugar onde Gina reside. Com suas ruas estreitas, casas caiadas de branco e uma ligação profunda com a pesca e a Ria Formosa, com suas ilhas Armona, Farol e Culatra, Olhão é uma terra de autenticidade e resistência. É nesse cenário que Gina encontra inspiração para escrever, entre os ventos que sopram da Ria Formosa e os murmúrios das lendas locais. 

Gina Manjua Amaral é uma escritora de alma sensível e coragem indomável. Sua trajetória é marcada por desafios e superações, e sua obra é ao mesmo tempo testemunho de todo a sua vivência. Com palavras que curam, tocam e inspiram, Gina construiu um universo literário que celebra a diferença, a resiliência e o amor. 


A MENINA QUE PENSAVA DIFERENTE - RESILIÊNCIA E INCLUSÃO 

Com 56 páginas de ternura e força, A Menina Que Pensava Diferente é mais do que um livro infantil, é um manifesto pela aceitação e pela identidade. Gina narra, em terceira pessoa, a história de uma menina que nasceu pequena, com problemas de saúde e aparelhos auditivos, enfrentando o olhar cruel de uma sociedade que não compreende a diferença.

A narrativa é lírica, mas não escapa à dureza da realidade. A escola, espaço que deveria acolher, torna-se palco de exclusão. Gina é ignorada, ridicularizada, empurrada para os cantos. Mas é nesse cenário que surge a figura luminosa da avó Beatriz, cujo abraço transforma dor em coragem. O amor incondicional da avó é a raiz que sustenta a menina e a mulher que ela virá a ser.

Mais tarde, já adulta, Gina encontra na cadelinha Minnie uma nova forma de amor, puro, instintivo, sem julgamentos. Minnie, com sua curiosidade e afeto, torna-se símbolo da aceitação que os humanos tantas vezes negam. Juntas, Gina e Minnie percorrem escolas, levando uma mensagem poderosa: ser diferente não é defeito, é identidade.

Este livro é uma ode à infância, à superação e à beleza da diversidade. Com linguagem acessível e poética, Gina constrói pontes entre gerações, convidando crianças e adultos a enxergarem o mundo com mais empatia. 

RESILIÊNCIA: A BIOGRAFIA DE UMA LUTA SILENCIOSA 

Na segunda edição de Resiliência, com 88 páginas, Gina Amaral abandona a ficção para se lançar em um relato íntimo e visceral. Escrito em primeira pessoa, o livro é um mergulho profundo na alma de uma mulher que enfrentou a vida com peito aberto e sorriso rasgado, mesmo quando o coração chorava em silêncio. 

A obra é marcada por uma sinceridade comovente. Gina não esconde as dores, os diagnósticos médicos desalentadores, os dias em que quis desistir. Mas também não se rende. Cada página é um testemunho de resistência, de amor pela família, pelos outros e, sobretudo, por si mesma. 

A narrativa é jornalística na precisão dos fatos, mas lírica na forma como os sentimentos são costurados. Gina transforma cada cicatriz em verso, cada queda em impulso. O livro não é apenas sobre sobrevivência é sobre renascimento. 

Ao compartilhar sua história, Gina oferece ao leitor um espelho e uma lanterna. Um espelho para reconhecer suas próprias batalhas, e uma lanterna para seguir em frente, mesmo quando tudo parece escuro. Resiliência é um convite à coragem, à fé na própria força, à celebração da vida em sua forma mais crua e bela. 


A MINHA VIDA CONTADA EM POESIA: VERSOS DE SUPERAÇÃO 

Na obra A Minha Vida Contada em Poesia, Gina Amaral revela sua faceta mais lírica e introspectiva. Com 80 páginas, o livro é uma coletânea de poemas que narram, em versos livres e sinceros, a trajetória de uma mulher que aprendeu a transformar tempestades em aprendizado.

Os poemas são curtos, mas densos. Cada estrofe carrega o peso de uma vivência, a leveza de uma descoberta, a profundidade de uma reflexão. Gina escreve sobre dor, mas também sobre esperança. Sobre quedas, mas também sobre reconstrução. Sobre dúvidas, mas, sobretudo sobre escolhas. 

A poesia de Gina é despretensiosa, mas poderosa. Não busca ornamentos, busca verdade. E é nessa verdade que reside sua força. Ao ler seus versos, o leitor é convidado a revisitar suas próprias memórias, a reconhecer suas fragilidades e a celebrar sua capacidade de reerguer-se.

Este livro é um abraço em forma de palavras. Um gesto de acolhimento para todos que já se sentiram pequenos demais para caber no mundo. Gina mostra que a poesia pode ser ferramenta de cura, de empoderamento, de transformação. 

Gina Manjua Amaral não é apenas uma escritora, é uma voz que ecoa. Nascida em Faro e residente em Olhão, cidade autêntica e resiliente como ela, Gina carrega em sua escrita a alma do Algarve. Suas obras são impregnadas da luz das ilhas, da força das lendas locais e da resistência histórica de um povo que não se curva. Cada página que escreve é atravessada pela memória das ruas caiadas de branco, pelo sopro da Ria Formosa e pela herança cultural de uma região que aprendeu a sobreviver entre o mar e a terra. 

Participante ativa do cenário literário, Gina levou sua palavra a eventos internacionais por intermédio da Rede Sem Fronteiras, presidida por Dyandreia Portugal, uma organização que promove a integração cultural e literária entre países de língua portuguesa e comunidades espalhadas pelo mundo. Através dessa rede, Gina participou de encontros marcantes como a Feira do Livro de Lisboa, a Festa do Livro de Belém, a Feira Amazônica e a prestigiada Feira de Frankfurt, onde sua presença reafirmou o papel da literatura portuguesa no diálogo cultural global. Em cada feira, Gina não compartilhou apenas seus livros, mas sua essência: a coragem de transformar dor em palavra e palavra em ponte. 

Sua participação na literatura lusófona é um testemunho da força coletiva de autores que, como ela, escrevem para dar voz às diferenças, às memórias e às identidades. Gina representa uma geração de escritores que não se limitam às fronteiras físicas, mas que se expandem pelo mundo através da língua portuguesa, criando uma rede de afetos e de resistência cultural. A Rede Sem Fronteiras, nesse sentido, é mais do que uma plataforma: é um espaço de internacionalização da literatura, onde Gina se posiciona como representante da resiliência e da ternura que caracterizam sua obra. 

Gina escreve para si e para o mundo. Para crianças que se sentem diferentes. Para mulheres que enfrentam batalhas silenciosas. Para todos que buscam sentido em meio ao caos. Sua literatura é ponte, é farol, é casa. Ao lado de outros escritores lusófonos, reafirma que a língua portuguesa é um território de afetos e de resistência, capaz de unir culturas diversas sob o mesmo horizonte literário. Sua obra, marcada pela coragem e pela sensibilidade, é um convite à reflexão e à celebração da vida. Mais do que livros, Gina oferece gestos de amor e resistência, lembrando que ser diferente não é defeito, mas identidade. 

As obras de Gina Manjua Amaral são mais do que livros são gestos de amor. Amor pela vida, pela diferença, pela palavra. Com uma escrita que transita entre o jornalístico, o lírico e o cultural, Gina constrói um universo onde cada leitor encontra abrigo.

A Menina Que Pensava Diferente, Resiliência e A Minha Vida Contada em Poesia são capítulos de uma mesma jornada: a de uma mulher que escolheu transformar dor em coragem, silêncio em voz, exclusão em pertencimento.

Ao ler Gina, somos lembrados de que a literatura pode ser resistência, cura e celebração. Que cada história tem valor. Que cada diferença é potência. Que cada vida merece ser contada, e lida, com o coração aberto.

Gina Manjua Amaral é, sem dúvida, uma voz mais autêntica e necessária da literatura contemporânea lusófona. E sua obra, um presente para o mundo.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 














quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

RIO DE JANEIRO, CORAÇÃO ABERTO DIANTE DO MUNDO POEMA EM PROSA DE © ALBERTO ARAÚJO


Rio de Janeiro é uma paisagem que respira dentro da alma. Montanhas se erguem como antigas, abraçando a cidade que se estende em curvas suaves até o mar. 

O Cristo observa em silêncio, não como estátua, mas como símbolo de uma esperança que nunca se apaga. As praias são horizontes líquidos, onde o sol se dissolve em cores que parecem inventadas apenas para este lugar.

O vento traz o cheiro de sal e de floresta, lembrando que aqui a natureza não se esconde, ela invade cada esquina. O calçadão é palco de passos apressados e contemplativos, de encontros casuais e de histórias que se misturam ao som do samba que ecoa invisível. 

O Rio é feito de contrastes, de morros que guardam vidas e de avenidas que correm em direção ao futuro. É uma cidade que não pede licença para ser intensa, que se mostra sem máscaras, que se revela em cada olhar. O Rio de Janeiro é lindo porque não tenta ser perfeito, apenas existe como um coração aberto diante do mundo. 

CRÉDITOS DE TODAS AS FOTOS:

Página do Facebook do Rio tá na moda.

 

®© Alberto Araújo

 

 

RESENHA CRÍTICA E AFETIVA DO LIVRO "ANINHA - A MENINA QUE VENDIA ALFACES" © ALBERTO ARAÚJO

Uma obra infantojuvenil que ilumina a Educação e a Literatura

"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces", escrito por Ana Maria Tourinho e publicado pela Editora Kelps (Goiânia, 2020), é uma obra infantojuvenil de 40 páginas que combina narrativa sensível com poesia moderna, ilustrada com delicadeza por Mario DonLeal. O livro é mais do que uma história infantil: é um tributo à resiliência, à educação e à força transformadora da infância. 

A protagonista, Aninha, é apresentada como uma menina feliz, cercada por brinquedos, bonecas e livros. Aos sete anos, sua vida muda drasticamente quando seus pais perdem a condição econômica privilegiada. A família se muda para o sítio dos avós maternos, onde Aninha é acolhida em um ambiente de trabalho e simplicidade. Lá, ela aprende a plantar, cultivar e vender verduras, frutas, flores e legumes, especialmente alfaces, que se tornam símbolo de sua reinvenção. 

O livro destaca o papel da educação como ferramenta de emancipação. Aninha não apenas estuda, mas também ensina. Em uma das passagens mais tocantes, o avô instala um quadro-negro à frente da mesa de refeições, transformando o espaço doméstico em sala de aula. Aninha, ainda criança, torna-se professora de outras crianças da comunidade, revelando sua vocação para o ensino e sua solidariedade. 

Com o tempo, Aninha ingressa na universidade, o que a impede de continuar ensinando. No entanto, os alunos que ela ajudou jamais a esquecem. Em Belém, cidade onde a história se passa, ela é lembrada como a pequena lourinha que os guiou nas primeiras letras. A narrativa reforça que a educação não é um privilégio, mas um direito de todos, uma mensagem que ecoa com força nas páginas finais. 

Um dos diferenciais da obra é a inclusão de aldravias, forma poética minimalista composta por até sete palavras, sem pontuação. As aldravias dialogam com a narrativa, ampliando seu alcance simbólico e educativo. Elas aparecem em momentos estratégicos, como na página 33, onde se lê: educação sonho? um direito de todos 

Essa estrutura poética convida o leitor à reflexão e à sensibilidade, tornando o livro uma experiência estética além da leitura convencional. 

Mario DonLeal, ilustrador da obra, contribui com imagens que não apenas acompanham o texto, mas o expandem. Seus traços capturam a ternura de Aninha, a rusticidade do sítio, e a vivacidade das hortas. As ilustrações funcionam como janelas para o universo da personagem, reforçando o vínculo entre texto e imagem. 

A autora dedica o livro aos avós e padrinhos que emigraram de Portugal para Belém no século XIX, estabelecendo-se como agricultores. Essa memória afetiva permeia toda a obra, conferindo-lhe autenticidade e profundidade. A dedicação também menciona professores, revisores e familiares que contribuíram para sua formação e para a realização do livro. 

Ana Maria Tourinho é escritora, poetisa e fotógrafa, nascida em Belém do Pará e residente no Rio de Janeiro. Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras; Membro da ALALS, Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse, é autora de obras como: "Pérolas & Pimentas" (2018) e "Desfolhando Aldravias" (2019). Participa de diversas entidades literárias e já foi premiada nacional e internacionalmente. 

Mario DonLeal é artista plástico, poeta aldravista e ilustrador. Licenciado em Letras e Filosofia, tem vasta experiência em artes visuais e literatura infantojuvenil. Suas ilustrações neste livro são fundamentais para a construção do imaginário de Aninha.

"Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces" é uma obra que emociona, educa e inspira. Com linguagem acessível, ilustrações envolventes e poesia inovadora, o livro promove valores como solidariedade, empreendedorismo, cidadania e amor pela educação. É leitura recomendada para crianças, jovens, educadores e famílias que acreditam no poder da literatura como ferramenta de transformação social. 

Ficha técnica

Título: Aninha: A Menina Que Vendia Alfaces

Autora: Ana Maria Tourinho

Ilustrador: Mário DonLeal

Editora: Kelps, Goiânia

Ano: 2020

ISBN: 978-65-86148-73-2

Gênero: Literatura infantojuvenil / Poesia / Aldravias

Páginas: 40 

Se você busca uma obra que une afeto, memória, poesia e educação, "Aninha" é uma leitura indispensável.


BIOGRAFIA DE ANA MARIA TOURINHO 

Ana Maria Tourinho nasceu em Belém do Pará e construiu sua trajetória literária no Rio de Janeiro, onde se radicou. Sua carreira é marcada pela pluralidade de gêneros e pela sensibilidade em retratar o humano em suas múltiplas dimensões. Com uma escrita que transita entre o lirismo poético e a força crítica, Ana Maria conquistou leitores de diferentes idades e contextos, tornando-se uma referência na literatura brasileira contemporânea.

Autora de obras que dialogam com a poesia e a literatura infantojuvenil, ela publicou títulos como Pérolas & Pimentas, Desfolhando Aldravias, Aninha, a menina que vendia alfaces, Cadê Fady? Tô aqui!, obra que chegou a concorrer ao Prêmio Jabuti em 2022  e Marmelo, o sapo Martelo. Sua escrita é marcada por delicadeza, lirismo e uma crítica sutil, que convida à reflexão sobre o mundo em que vivemos, sem perder o encanto narrativo que cativa públicos diversos. 

Além de sua produção literária, Ana Maria Tourinho tem se destacado como articuladora cultural de grande relevância. Ocupa o cargo de Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, instituição que conecta escritores, artistas e intelectuais em diferentes países, promovendo a circulação de ideias e a valorização da produção literária em escala global. Também atua como Vice-presidente da União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro (UBE-RJ), reforçando seu compromisso com o fortalecimento da literatura nacional e com a defesa dos direitos dos escritores.

Sua atuação internacional inclui participações em importantes feiras e encontros literários, como a Feira do Livro de Lisboa, onde compartilhou sua visão sobre o papel da literatura na construção de pontes entre povos e culturas. Reconhecida por sua capacidade de unir afetos, letras e experiências, Ana Maria é presença constante em projetos que buscam democratizar o acesso à leitura e valorizar a diversidade cultural. 

Em 2025, sua participação no 1º Fórum Internacional de Literatura e Cultura – Conexões e Diálogos Globais representou uma oportunidade ímpar para que sua experiência, sensibilidade e visão de mundo contribuíssem para os debates sobre o papel transformador da literatura. Ana Maria Tourinho reafirma, com sua trajetória, que a literatura é um instrumento de resistência, esperança e transformação social. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural











terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AÇÃO JURÍDICA - PODCAST EPISÓDIO 19 COM DR. NAGIB SLAIBI FILHO E DRA. KARIN DIAS

(Clicar na imagem para assistir)

Ação Jurídica - Podcast Episódio 19: Fato como fundamento do direito subjetivo: art. 357 CPC



 


EDITAIS LIBERADOS! INSCRIÇÕES ABERTAS! FEIRA DO LIVRO DE LISBOA 2026

É com enorme alegria que a Rede Sem Fronteiras anuncia a abertura, a partir de hoje, das inscrições para participação — presencialmente ou por representação — em dois dos mais importantes encontros do universo editorial: a Feira do Livro Infantil de Bolonha e a 96ª Feira do Livro de Lisboa. 

Mais do que eventos, estas feiras são portas abertas para novas conexões, visibilidade internacional, trocas culturais e experiências que marcam trajetórias. É uma oportunidade real de ampliar horizontes, fortalecer projetos autorais e viver o pulsar da literatura em ambientes inspiradores e vibrantes. 

O regulamento de cada feira pode ser acessado nos links abaixo, e as fichas de inscrição estão disponíveis para download no link indicado ao final de cada regulamento.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA –

2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivroinfantildebolonha.com/


96ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA – 2026: 

https://redesemfronteiras-feiradolivrodelisboa.com/


É importante salientar que as inscrições para a Feira do Livro Infantil de Bolonha são exclusivas para os 20 primeiros membros oficiais da RSF que entrarem em contato, em função da limitação de espaço. Portanto, recomendamos que os interessados entrem em contato o quanto antes.

Já a Feira do Livro de Lisboa é aberta também a não membros. No entanto, apenas os membros oficiais terão 50% de desconto no investimento de participação, além da possibilidade de acesso aos eventos off-feira. 

Os principais eventos off-feira já contam com datas previstas e, muito em breve, divulgaremos mais detalhes sobre a logística de participação, programação e organização.

  • Almoço de boas-vindas (28/05)
  • Passeios de barco no Rio Tejo, com brunch a bordo (31/05)
  • Jantar com apresentação de Fado (06/06)
  • Clube do Livro Silencioso da RSF (07/06)
  • Piquenique Literário no Parque Eduardo II (10/06)
  • II Encontro Internacional de Escritoras (11/06)
  • Jantar de Gala, com cerimônia de homenagens (12/06) 

À medida que os escritores forem se inscrevendo, também serão liberadas informações práticas sobre hotéis, deslocamentos e dicas de viagem, para que todos possam se planejar com tranquilidade e aproveitar ao máximo essa experiência.

Em caso de dúvidas, nossa Diretora de Projetos, Cátia Pires, estará à disposição — exclusivamente em horário comercial — pelo

 e-mail diretoriadeprojetos@redesemfronteiras.com 

ou via WhatsApp.

Fica o convite: venha fazer parte desta jornada, representar sua obra, sua voz e a força da nossa rede em dois palcos que respiram livros, ideias e encontros inesquecíveis.


Esperamos você!

Equipa Organizadora

Rede Sem Fronteiras










 

20 DE JANEIRO - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL 166 ANOS DE ANTÔNIO PARREIRAS - O PINTOR DA PAISAGEM BRASILEIRA

No dia 20 de janeiro de 2026, celebramos os 166 anos de nascimento de Antônio Diogo da Silva Parreiras, pintor, desenhista, ilustrador, escritor e professor que se tornou um dos grandes nomes da arte brasileira. Sua trajetória é marcada pela força da paisagem como gênero artístico e pela capacidade de transformar a natureza em poesia visual. Nascido em Niterói em 1860, Parreiras cresceu em um ambiente cultural em que a influência europeia era dominante, mas desde cedo buscou construir uma linguagem própria, capaz de traduzir o Brasil em cores, formas e atmosferas. Ao longo de sua vida, produziu mais de 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro, e realizou 39 exposições, consolidando-se como referência incontornável da pintura nacional. 

A arte de Parreiras é inseparável da paisagem. Ele não se limitava a reproduzir cenários, mas interpretava atmosferas, captava emoções e revelava o sublime dos instantes em que a natureza se mostrava grandiosa. Suas telas revelam florestas densas, campos abertos, mares revoltos e céus dramáticos, sempre carregados de significados. O pintor buscava retratar o Brasil ainda intocado, como se fosse possível congelar o momento em que a terra se apresentava pura e majestosa. Essa visão o aproximou do romantismo tardio, mas também o projetou como um dos primeiros artistas a consolidar a paisagem como gênero central da arte nacional. Em suas obras, o espectador encontra não apenas árvores, rios e montanhas, mas um discurso sobre identidade, pertencimento e brasilidade. 

Sua formação começou na Academia Imperial de Belas Artes, em 1883, quando já tinha 23 anos, idade considerada tardia para ingressar no universo artístico. Pouco depois, rompeu com a instituição para seguir o caminho da pintura ao ar livre, inspirado pelo alemão Georg Grimm. Essa decisão marcou sua trajetória: preferiu a liberdade criativa ao rigor acadêmico, organizando exposições em sua própria casa, em Niterói, e vendendo obras de forma comunitária. Foi nesse contexto que recebeu a visita de Dom Pedro II, em 1886, episódio fundamental para sua carreira, já que o imperador adquiriu duas de suas telas, conferindo-lhe reconhecimento e prestígio. Esse encontro abriu portas para que Parreiras pudesse viajar à Europa, onde montou ateliê em Paris e participou de salões internacionais, tornando-se o segundo pintor brasileiro a expor no Salão de Paris e, em 1911, delegado da Sociedade Nacional de Belas-Artes. 

Entre Brasil e França, Parreiras construiu uma carreira que unia o reconhecimento internacional ao compromisso com a arte nacional. Realizou encomendas oficiais para edifícios públicos, como o Palácio do Catete, o Supremo Tribunal Federal e a Câmara Municipal de São Paulo. Essas obras revelam como sua pintura se tornou parte da construção simbólica da nação, integrando arte e política. Sua tela Sertanejas, por exemplo, decorou os salões do Palácio do Catete, enquanto painéis seus ornamentaram a sede do Supremo Tribunal Federal. Em São Paulo, o Salão Nobre da Câmara Municipal e o Gabinete do Prefeito receberam obras suas como elementos decorativos, reforçando a presença da arte de Parreiras nos espaços de poder.

Além da pintura, Parreiras deixou textos e discursos que revelam sua visão crítica sobre o papel da arte. Criticava a valorização excessiva da produção europeia em detrimento da nacional e defendia a criação de uma arte brasileira autêntica, capaz de expressar o espírito do país. Em suas memórias, descreveu com emoção os primeiros contatos com a arte, lembrando que foi ao ver um pintor trabalhar e ao ouvir um poeta declamar versos que descobriu a estrada que seguiria por toda a vida. Essa dimensão intelectual e literária complementa sua obra plástica, mostrando um artista que pensava a arte como instrumento de civilização e transformação social. Em discursos na Academia Fluminense de Letras, afirmava que o grande valor dado à arte europeia pela academia e pelos críticos dificultava o desenvolvimento de uma arte nacional, e denunciava o preconceito social contra os artistas, vistos como figuras marginais em um país que ainda não reconhecia plenamente a profissão. 

O sucesso de Parreiras é motivo de estudo e análise profunda, principalmente por sua inserção no embrionário mercado de artes que se formava entre os séculos XIX e XX no Brasil. O pintor obteve sustento proveniente da venda de suas obras, num momento em que o mercado de arte ainda era instável e incipiente. Essa capacidade de viver da pintura, organizando exposições próprias e comercializando suas telas, revela não apenas talento artístico, mas também habilidade empreendedora. Em 1927, foi homenageado com um busto em bronze, esculpido por Marc Robert, inaugurado em Niterói, gesto que simboliza o reconhecimento público de sua importância. 

Grande parte de sua vida adulta foi passada num período de nacionalismo exacerbado e grande exaltação patriótica, o que explica a presença desses elementos em sua obra e em seus discursos. Parreiras considerava-se um indivíduo autônomo, que manifestava um forte desejo de mudança social no âmbito hierárquico, o que o impedia de ascender plenamente como sujeito artista e criador. Sua pintura, no entanto, conseguiu romper barreiras e afirmar-se como expressão de uma identidade nacional. Ao longo de sua carreira, experimentou diversos formatos de reconhecimento público, tanto no Brasil quanto no exterior, consolidando-se como figura central da arte brasileira. 

Celebrar os 166 anos de Antônio Parreiras é reafirmar a importância da arte como patrimônio cultural. Sua obra não é apenas pintura: é memória, identidade e poesia visual. Ele transformou paisagens em símbolos, deu ao Brasil uma arte que dialoga com o mundo, mas que nasce da terra e da emoção nacional. Seu legado permanece vivo, inspirando artistas e encantando públicos, lembrando-nos de que preservar a memória de Parreiras é também preservar a história e a alma do Brasil. O Museu Antônio Parreiras, instalado em sua antiga residência em Niterói, guarda parte significativa de sua produção e mantém viva sua memória, permitindo que o público de hoje e do futuro continue a dialogar com sua arte.

A trajetória de Antônio Parreiras não pode ser compreendida apenas pela análise de suas telas, mas também pelo contexto histórico em que se insere. O Brasil da segunda metade do século XIX vivia intensas transformações: o fim da escravidão se aproximava, o Império dava sinais de desgaste e a República surgia como horizonte político. Nesse cenário, a arte desempenhava papel fundamental na construção de uma identidade nacional. Parreiras, ao escolher a paisagem como tema central, oferecia ao público uma visão do país que ia além da política e da economia: mostrava o Brasil em sua dimensão natural, grandiosa e sublime. Suas telas eram, ao mesmo tempo, contemplação estética e afirmação cultural. 

O rompimento com a Academia Imperial de Belas Artes, em 1884, foi um gesto de ousadia que o aproximou do movimento de renovação artística liderado por Georg Grimm. Ao optar pela pintura ao ar livre, Parreiras não apenas buscava fidelidade à natureza, mas também se posicionava contra os modelos rígidos e idealizados da academia. Essa escolha o colocou em sintonia com tendências europeias, como o impressionismo, mas sem perder o vínculo com a realidade brasileira. Suas paisagens não eram apenas exercícios de técnica, mas interpretações carregadas de emoção, em que o artista buscava traduzir o impacto da natureza sobre o olhar humano.

A recepção de sua obra no Brasil revela a complexidade de sua posição. De um lado, foi celebrado por encomendas oficiais e reconhecido por instituições públicas; de outro, enfrentou críticas por sua insistência em valorizar a arte nacional em um ambiente ainda dominado pela admiração pela Europa. Em seus discursos, denunciava o preconceito contra os artistas e defendia que a pintura brasileira deveria ser capaz de expressar o espírito do país. Essa postura o aproximava de um discurso nacionalista, mas também revelava sua consciência da necessidade de autonomia cultural. 

Entre suas obras mais significativas, destacam-se aquelas que retratam a natureza em estado de força e beleza, como as telas de florestas e mares, mas também as que abordam temas históricos e sociais. Sertanejas, por exemplo, não é apenas uma cena de mulheres do interior: é uma representação da brasilidade, da vida simples e da dignidade do povo. Ao decorar o Palácio do Catete com essa tela, Parreiras inscreveu a cultura popular no espaço do poder, gesto que revela sua intenção de aproximar arte e sociedade. Da mesma forma, os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo mostram como sua obra se tornou parte da construção simbólica da nação.

A crítica contemporânea reconhece em Parreiras um artista que soube transitar entre o romantismo e o realismo, entre a contemplação estética e o compromisso social. Sua pintura é marcada por uma paleta vigorosa, pelo uso expressivo da luz e pela composição equilibrada, mas também pela capacidade de transmitir emoção. Ao longo de sua carreira, experimentou diferentes estilos e técnicas, mas manteve sempre a paisagem como núcleo de sua produção. Essa fidelidade ao gênero revela não apenas uma escolha estética, mas também uma convicção: a de que a natureza brasileira era digna de ser celebrada e eternizada na arte. 

O impacto de sua obra se estende para além de sua época. Ao viver da venda de suas pinturas, Parreiras antecipou a profissionalização do artista em um mercado ainda incipiente. Sua capacidade de organizar exposições próprias e de comercializar suas obras de forma independente mostra um espírito empreendedor que dialoga com a modernidade. Ao mesmo tempo, sua produção literária e seus discursos revelam um intelectual preocupado com o papel da arte na sociedade. Essa combinação de artista e pensador faz de Parreiras uma figura singular na história cultural do Brasil. 

Hoje, ao visitar o Museu Antônio Parreiras em Niterói, é possível compreender a dimensão de seu legado. As telas expostas não são apenas obras de arte: são testemunhos de uma época, de um país em transformação e de um artista que soube captar a essência da natureza e da identidade nacional. Celebrar seus 166 anos é, portanto, mais do que lembrar um pintor: é reafirmar a importância da arte como memória, como patrimônio e como expressão da alma brasileira.

Entre as mais de 850 pinturas realizadas por Antônio Parreiras, algumas se destacam não apenas pela qualidade estética, mas também pelo impacto cultural e histórico que tiveram. A seguir, apresento uma ampliação crítica, em texto corrido, dedicada a algumas de suas obras mais emblemáticas, que ajudam a compreender a dimensão de seu legado. 

Uma das telas mais conhecidas de Parreiras é “A Retirada da Laguna”, obra que retrata um episódio da Guerra do Paraguai. Nela, o artista não se limita a representar o fato histórico, mas imprime dramaticidade e emoção à cena, destacando o sofrimento dos soldados brasileiros em meio à natureza hostil. A composição revela sua habilidade em unir paisagem e narrativa, transformando o cenário em protagonista da ação. O céu carregado, as figuras fatigadas e a vastidão do espaço criam uma atmosfera de dor e resistência, que ultrapassa o registro documental e se torna símbolo da memória nacional. Essa tela é exemplo de como Parreiras soube dialogar com o romantismo histórico, sem perder a força da paisagem como elemento central. 

Outra obra significativa é “Sertanejas”, adquirida para decorar o Palácio do Catete. A tela apresenta mulheres do interior em sua vida cotidiana, mas a simplicidade da cena é elevada à dignidade artística. Ao colocar figuras populares em um espaço de poder, Parreiras inscreve a cultura popular na narrativa oficial da nação. A paleta terrosa, os gestos contidos e a serenidade das personagens revelam sua intenção de valorizar o Brasil profundo, aquele que não se via representado nas academias ou nos salões europeus. “Sertanejas” é, portanto, uma afirmação da brasilidade, um gesto político e cultural que aproxima arte e povo. 

No campo da paisagem pura, obras como “Paisagem Fluminense” revelam o olhar contemplativo de Parreiras sobre sua terra natal. Niterói e o entorno do Rio de Janeiro aparecem em suas telas como espaços de beleza natural, captados com vigor cromático e sensibilidade atmosférica. O artista buscava interpretar a natureza como se fosse uma experiência espiritual, traduzindo em cores e formas a emoção que sentia diante do espetáculo natural. Essas paisagens não são apenas registros topográficos, mas construções poéticas que convidam o espectador a partilhar da mesma emoção. A luz, sempre trabalhada com intensidade, é elemento fundamental para criar a sensação de grandiosidade e transcendência. 

Também merece destaque sua produção voltada para temas históricos e institucionais, como os painéis realizados para o Supremo Tribunal Federal e para a Câmara Municipal de São Paulo. Nessas obras, Parreiras soube equilibrar a exigência oficial de monumentalidade com sua própria visão artística. Os espaços públicos, ao receberem suas telas, tornaram-se lugares de afirmação simbólica da nação, em que a arte cumpria papel de legitimação cultural. A presença de suas obras em tais instituições mostra como sua pintura foi incorporada ao imaginário político e social do Brasil. 

Por fim, é importante mencionar sua série de paisagens marítimas, em que o mar aparece ora sereno, ora tempestuoso, sempre carregado de significados. Nessas telas, Parreiras explora a força da natureza como metáfora da vida e da história. O mar, com sua vastidão e imprevisibilidade, torna-se símbolo da própria condição humana, em diálogo com a tradição romântica, mas também com a modernidade que se anunciava. A técnica refinada, o uso expressivo da cor e a composição dinâmica revelam um artista maduro, capaz de transformar a paisagem em reflexão existencial.

Essas obras exemplificam a diversidade e a profundidade da produção de Antônio Parreiras. Ao transitar entre o histórico, o popular e o natural, o pintor construiu uma obra que é, ao mesmo tempo, estética e cultural, individual e nacional. Sua arte permanece como testemunho da identidade brasileira e como convite à contemplação da natureza e da história. Celebrar seus 166 anos é também revisitar essas telas, que continuam a falar ao público com a mesma força e emoção que tinham no momento em que foram criadas.

© Alberto Araújo

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Sertanejas, 1896. Óleo sobre tela. 273 cm x 472 cm

Ventania, Pinacoteca do Estado de São Paulo

Canto de Praia - 1886 

Jornada dos Mártires
óleo sobre tela de 1928; 200 × 381cm

Fundação de Niterói, 1909

Paisagem do Campo do Ipiranga

A conquista do Amazonas, 1907

Fantasia, 1909

Fim de romance, 1912

Agonia, 1915

Cabrália 

Cesteiro - 1927

Terra Natal - 1923

Dolorida