sábado, 3 de janeiro de 2026

O SAL E A DESPEDIDA - POEMA DE ALBERTO ARAÚJO


Saímos.

A rua era nossa e o dia ardia,

num passo leve de quem não tem pressa.

Tua risada abafava a gritaria

da cidade que lá fora se começa.

O almoço, o café, o prato na mesa,

conversas sadias, o tempo parado;

Não era luxo, mas era a beleza

de ver o mundo pelo teu lado.


Depois, Icaraí.


O vento com sal,

O asfalto quente a pedir pelo mar.

E o sol, como um rei num fim de ritual,

pintava de cobre o teu jeito de olhar.

 

​Vimos o céu se incendiar em brasa,

ouro e rubi sobre o Rio deitado.

E a alma da gente ganhou uma asa,

ali, no teu passo ao meu lado.

 

​E quando o sol se despediu da areia,

e a luz foi morrendo na curva do cais,

Vi que a luz que em ti ainda passeia

vale por todos os sóis imortais.

 

© Alberto Araújo



 

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