Saímos.
A rua era nossa e o dia ardia,
num passo leve de quem não tem pressa.
Tua risada abafava a gritaria
da cidade que lá fora se começa.
O almoço, o café, o prato na mesa,
conversas sadias, o tempo parado;
Não era luxo, mas era a beleza
de ver o mundo pelo teu lado.
Depois, Icaraí.
O vento com sal,
O asfalto quente a pedir pelo mar.
E o sol, como um rei num fim de
ritual,
pintava de cobre o teu jeito de olhar.
Vimos o céu se incendiar em brasa,
ouro e rubi sobre o Rio deitado.
E a alma da gente ganhou uma asa,
ali, no teu passo ao meu lado.
E quando o sol se despediu da areia,
e a luz foi morrendo na curva do cais,
Vi que a luz que em ti ainda passeia
vale por todos os sóis imortais.
© Alberto Araújo
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